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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Os maiores perigos ao volante

Texting While Driving Statistics
*Vide legendas, mais abaixo
Fonte: Car Insurance Comparison



Telefone celular não combina com direção

O Brasil acaba de aprovar uma lei mais rigorosa para punir motoristas alcoolizados, o que é muito bom, mas há um perigo tão grande quanto dirigir bêbado: fazê-lo falando ou, pior, escrevendo ao celular.

A tabela acima mostra as principais causas de acidentes ao volante, e os telefones celulares estão em destaque. Nos EUA, é obrigatório ter apólice de seguro do carro, e quem tiver recebido alguma multa por falar ou escrever ao telefone enquanto dirigia sofre um aumento no custo da apólice (obviamente porque passa a pertencer a um grupo de maior risco). Os telefones são cada vez mais complexos e complicados de manusear, e a tendência a causar distração em quem os utiliza é crescente.

Diz o site Car Insurance Comparison (Comparação de Seguros  de Automóveis) que mesmo falar ao celular com o dispositivo "hands free" (mãos livres) é perigoso, porém, nada é pior do que a  prática de escrever ao celular

Um motorista bêbado tem 4 vezes mais probabilidade de causar um acidente, enquanto o risco dos que escrevem ao telefone é 8 vezes maior.
"Para evitar um acidente, um motorista bêbado precisa de uma distância 4 pés (ou cerca de 1,2 metro) maior  para conseguir parar e evitar um acidente, enquanto quem escreve ao celular necessita de mais 70 pés, ou cerca de 21 metros!

A tabela acima contém outras informações interessantes, intituladas, pela ordem, de cima para baixo:

*Legendas: "drunk driver" = motorista bêbado,  "texting" = escrevendo ao celular",  "fatalities" = mortes, e "injuries" = feridos)

Telefones celulares: probabilidade de acidente e distância para reação do motorista
Mau tempo
Álcool
Sonolência
Agressividade
Aceleração não-intencional
Comer e/ou beber dirigindo
Preço médio de uma apólice de suguro de automóvel, em dólares (1 em cada 6 motoristas não tem seguro)
Custo da apólice relacionado ao número de acidentes em que o motorista se envolveu.

Arcos circumhorizontais


A natureza promove um espetáculo de luzes coloridas com um fenômeno chamado arcos circumhorizontais, que ocorrem quando nuvens cirrus estão suficientemente altas e produzem cristais de gelo em formato de disco. Quando o Sol está em determinado ângulo, sua luz atinge o topo desses discos e se divide em várias cores, visíveis do solo.


domingo, 30 de dezembro de 2012

Dormindo despreocupado


Este gato encontrou um lugar diferente para dormir. Será ele será rápido o suficiente para cair fora ao ouvir o barulho se o motor for ligado?

Vídeo: Tragédia em pouso na Rússia







O momento em que um avião de carreira russo vara a pista e invade uma estrada na manhã de sábado, 29/12/12, foi filmado pela câmera do painel do carro de motorista que passava pelo local. A filmagem mostra os pedaços ao aparelho caindo sobre a pista, atingindo um carro.

O avião, procedente da República Checa se desitegrou com o impacto, causando a morte de 4 dos 12 tripulantes a bordo; não havia passageiros.

O avião, da empresa Red Wings, acidentado no aeroporto de Vnukovo, nas cercanias de Moscou,era um jato Tupolev Tu-204. Seu tamanho é semelhante ao de um Boeing 757 ou Airbus A-321.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Makemake


Makemake é um dos maiores objetos conhecidos do Sistema Solar mais externo. Pronounciado MAH-kêi MAH-kêi, este objeto do Cinturão de Kuiper tem cerca de dois terços do tamanho de Plutão, orbita o Sol pouco adiante de Plutão, e tem brilho aparente pouco menor que o do planeta anão.

Makemake, no entanto, tem uma órbita muito mais inclinada em direção ao plano eclíptico do planetas do que Plutão. Descoberto por uma equipe chefiada por Mike Brown (do Caltech) em 2005, este globo do Sistema Solar externo foi oficialmente denominado Makemake em homenagem ao criador da   humanidade na mitologia Rapa Nui da Ilha de Páscoa.

Em 2008, Makemake foi classificado como planeta anão, na  subcategoria plutóide, tornando-o o terceiro plutóide catalogado depois de Plutão e Eris. Sabe-se que Makemake é meio avermelhado, as cores indicando que ele é provavelmente coberto por trechos de metano congelado

Ainda não há imagens da superfície de Makemake disponíveis,mas concepção artística acima dá uma ideia a respeito deste mundo distante. Um monitoramento minucioso da redução do brilho de uma estrela distante recentemente eclipsada por Makemake indica que o planeta tem uma atmosfera muito rarefeita.




Makemake is one of the largest objects known in the outer Solar System. Pronounced MAH-kay MAH-kay, this Kuiper belt object is about two-thirds the size of Pluto, orbits the Sun only slightly further out than Pluto, and appears only slightly dimmer than Pluto. 

Makemake, however, has an orbit much more tilted to the ecliptic plane of the planets than Pluto. Discovered by a team led by Mike Brown (Caltech) in 2005, the outer Solar System orb was officially named Makemake for the creator of humanity in the Rapa Nui mythology of Easter Island

In 2008, Makemake was classified as a dwarf planet under the subcategory plutoid, making Makemake the third cataloged plutoid after Pluto and Eris. Makemake is known to be a world somewhat red in appearance, with colors indicating it is likely covered with patchy areas of frozen methane

No images of Makemake's surface yet exist, but an artist's illustration of the distant world is shown above. Careful monitoring of the brightness drop of a distant star recently eclipsed by Makemake indicates that the dwarf planet has little atmosphere.


Vídeo: Futebol de elefantes







No Nepal, jovens elefantes jogam uma partida de futebol durante o festival nacional do elefante. O festival inclui uma corrida e um concurso de beleza de elefantes, entre outras atrações.

Buda de neve


Trabalhadores em uma escultura de neve representando um Buda gigante, em Barkol, na Região Autônoma de Xinjiang, na China. O Buda, formado por 3.000 toneladas de neve,  mede 20 metros de altura. Dez escultores executaram o trabalho em dez dias.

Eclipse solar total


Eclipse solar total observado em Green Island,no Estado de Queensland, Austrália, em novembro de 2012.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Calor de rachar | Scorching heat


O Ano da Serpente


Este homem está enrolado em várias jibóias, ou pítons (Boa constrictor), em um show comemorativo do vindouro Ano Chinês da Serpente.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

As Montanhas Tibesti | Tibesti Mountains




As Montanhas Tibesti vistas de satélite, em sua maior parte localizadas no Chade (África), com as escarpas do norte chegando até a Líbia. 

Seu pico mais alto é Emi Koussi – que aparece na foto como uma estrutura circular na parte inferior direita da região escura. O vulcão no extremo oeste é o Toussidé

A imagem de satélite mostra o pico escuro com fluxos de lava que se estendem para a esquerda. A depressão branca deve sua cor ao acúmulo de sais de carbonato, formando um lago de soda. Ao redor das Montanhas Tibesti, as areias do Saara aparecem como pinceladas nas cores laranja, amarela e branca.


The Tibesti Mountains, located mostly in Chad with the northern slopes extending into Libya. 

The mountains’ highest peak is Emi Koussi – pictured here as a circular structure in the lower-right portion of the dark area. The westernmost volcano is Toussidé

The satellite view shows the dark peak with lava flows extending to the left. The white depression to the southeast gets its colour from the accumulation of carbonate salts, creating a soda lake. Surrounding the Tibesti Mountains, the sands of the Sahara appear like orange, yellow and white brushstrokes.

A maior Harley Davidson do mundo



O novo trenó de Papai Noel — com capacidade para dez passageiros. Esta Harley Davidson tem quatro rodas, sete motores e 7,3 metros de comprimento. 

Invenção de Steve 'Doc' Hopkins, ela é a história da Harley sobre rodas, chamada, com todos os grandes motores de dois cilindros fabricados, desde 1909 — chamados F-Head, Flathead, Knucklehead, Panhead, Shovelhead, Evolution Blockhead eTwin Cam. O trambolho tem duas rodas dianteiras e duas rodinhas auxiliares na traseira, com uma corrente de 12 metros.







quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

NGC 5198


O Telescópio Espacial Hubble traz de presente de fim de ano a impressionante imagem da nebulosa planetária NGC 5198. O complexa estrutura da erupção estelar lembra uma gigantesca fita colorida brilhante no espaço.

The Hubble Space Telescope celebrates the holiday season with a striking image of the planetary nebula NGC 5198. The intricate structure of the stellar eruption looks like a giant and brightly coloured ribbon in space.

Qual foi o seu melhor presente?



Roberto DaMatta - O Estado de S.Paulo

Passado esse Natal de fim de mundo, um jornalista perguntou: professor, em que festa natalina você recebeu o melhor presente?
Respondi:
Num Natal antigo eu ganhei uma bicicleta importada de uma impecável Suécia, conforme papai me falou com aquele tom de voz que situava tudo o que era estrangeiro como superior. Esse foi um presente importante - em Niterói íamos a todos os lugares de bicicleta -, mas, diz um lado meu, não foi o meu melhor presente.
De uma outra feita, moço e apaixonado, ganhei em plena Rua Dr. Romualdo, em Juiz de Fora, o beijo de uma namorada e com ele a promessa esquecida de ser amado para sempre. O beijo natalino foi um belo presente, mas não foi - diz novamente a voz dentro de mim - o meu melhor presente.
Num Natal na casa de meus avós, Raul e Emerentina, na Rua Nilo Peçanha, 31, recebemos todos um presente inesquecível: revólveres de espoleta que reproduziam, a nosso ver perfeitamente bem, a guerra entre o Bem e o Mal - entre os mocinhos e os bandidos que víamos no cinema. Lembro da felicidade de manusear o meu revólver, de nele colocar as espoletas e, ato contínuo, atirar "matando" meus irmãos. Não esqueço o fato de ter sido ferido e de ter morrido muitas vezes por outros tiros naquele calorento Natal numa Niterói sem água, mas com uma praia das Flechas de mar translúcido. Apesar dos tiros, das mortes e das ressurreições, esse também não foi o meu melhor presente.
Num outro Natal, eu ganhei as obras completas de Guy de Maupassant em muitos volumes, mais do que poderia ler. Ao receber os livros de um contista que eu amava - ao lado de gente como O. Henry, Hemingway, Graham Green e Monteiro Lobato do Urupês -, exultei. Jamais me esqueci da luminosidade de Maupassant. Foi um grande presente, mas não foi o meu melhor presente.
Doutra feita, recebi os almanaques do Globo Juvenil e do Gibi. Maravilhado, transformei a varanda onde estava sentado meu avô Raul numa nave especial na qual viajavam Flash Gordon, o Dr. Zarkov e Dale Arden, por quem eu fiquei imediatamente apaixonado. Até hoje eu me lembro da voz calma do Celso Scofield, meu melhor e querido amigo, lendo comigo os quadrinhos. Ficamos, ambos, intrigados com uma história de Brick Bradford na qual ele ia parar num planeta com três gigantes imortais. O que era ser imortal? Celso havia perdido o pai; eu vivia numa casa cheia dos fantasmas dos meus tios mortos. Titia Amália, que era uma grande contadora de histórias, via almas do outro mundo num corredor sem fim, no qual não ousávamos transitar sozinhos de noite. Nem de luz acessa. Foi um excelente presente, mas não foi meu melhor presente.
O meu primeiro Natal com data fixa e certa foi o de 1968 - em Cambridge Massachusetts, aonde fui levado como estudante de uma Harvard perfeita. Fomos para a casa dos Maybury-Lewis. David era o meu orientador e Pia, sua esposa dinamarquesa, preparou a festa como mandava o figurino daquilo que eu só havia visto em tecnicolor e na grande tela do Cinema Icaraí. Havia uma enorme mesa com folhagens se misturando a comidas doces e salgadas. Havia vinho e neve, itens desconhecidos. E havia o amor de Celeste e dos nossos filhinhos. Cantamos músicas de Natal. Eu pude dar presente para todos os meus filhos com o deleite do pai feliz por ter plantado as suas sementes no mundo, e foi assim que eu os vi rasgando o papel dos embrulhos para descobrir o que haviam recebido. Não ganhei nada, mas hoje sei que foi essa a festa.
A partir de um certo Natal, quem tem filhos passa a ser mais um doador do que um receptor de presentes. Comecei a sustentar a crença dos meus filhos em Papai Noel, embora piscando o olho. Afinal, o Natal é apenas na aparência uma festa para crianças. No fundo, ele é uma celebração da paternidade que tenta retribuir o peso indiscutível de sua autoridade distribuindo dádivas. Era maravilhoso ver a crença nos olhos das crianças com aquele brilho que os meus olhos haviam perdido.
Seria mesmo possível responder à questão do jornalista? Afinal de contas, qual foi o melhor presente que recebi em toda a minha vida? Vocês sabem como eu sou ingrato e difícil de satisfazer. Ademais, sejamos realistas, quem é que, na tal "melhor idade" (como é o meu caso), pode se lembrar de tudo o que recebeu ao longo de 76 Natais?
Em alguns, eu tenho agradecido a presença de pessoas queridas. Em todos, eu sofro pela ausência de outros entes amados e perdidos. Meu maior presente tem sido, sem nenhuma dúvida, os livros que me fazem ler e escrever e, pelo milagre da literatura, tentar desenhar dádivas e ter o privilégio de distribuí-las nesta coluna. Esperando, é claro, algum retorno.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Tempestade em Saturno


Nuvens de tempestade e um vórtex giratório ao centro do hexágono do polo norte de Saturno nesta imagem da missão Cassini da NASA. A câmera estava apontando na direção de Saturno. de uma distância aproximada de 361.488 km.

NASA/JPL


Rolling storm clouds and a swirling vortex at the centre of Saturn's north polar hexagon is seen in an image from NASA's Cassini mission. 

The camera was pointing toward Saturn from approximately 224,618 miles (361,488 kilometres) away.

NASA/JPL

Saudades do Natal



Arnaldo Jabor - O Estado de S.Paulo
Eu já tive carnavais felizes, "sãos joões" felizes, mas não me lembro de uma grande "noite feliz, noite de paz"... O Natal perdeu a delicadeza antiga. Não temos mais chaminés nem ceias opulentas. Em vez do saco de presentes, temos as calamidades coloridas dos shopping centers. Hoje, no presépio de Belém, perto da manjedoura onde o menino Jesus recebeu os reis magos, nos lugares sagrados de Jerusalém, explodem os homens-bomba berrando "Feliz Natal, cães infiéis!"
Que estranho destino é esse da humanidade se fechando como uma cobra mordendo o próprio rabo, a morte no mesmo lugar no nascimento, o fim da civilização no mesmo lugar onde começou, ali entre o Tigre e o Eufrates, na Mesopotâmia.
Uma vez, Rubem Braga fez uma lista dos lugares-comuns jornalísticos que justificariam demissões sumárias. O sujeito que escrevesse que o "trem ficara reduzido a um monte de ferros retorcidos" ou que o "incêndio era o 'belo-horrível' estava despedido. Havia outras banalidades imperdoáveis, como: "Natal Natal, bimbalham os sinos!"...
Lembro-me que no Natal, enquanto os sinos 'bimbalhavam', eu via as ceias do meu canto de menino: as ligações frágeis entre parentes, entre tios e primos, as antipatias disfarçadas pelos abraços frios e os votos de felicidades. Eu olhava as famílias viajando no tempo como um cortejo trôpego, eu via a solidão de primos medíocres, das tias malucas, dos avós já calados e ausentes, o eterno presunto caramelado, o peru com apito. O destino das famílias ficava evidente no Natal. Os pobres se conformando com o tosco prazer dos presentes baratos e os ricos querendo provar que seriam felizes a qualquer preço - egoístas o ano inteiro, esfalfavam-se para viver uma alegria compulsiva entre gargalhadas, beijos molhados de vinho e uísque, terminando nas tristes saídas na madrugada, com crianças chorando e presentes carregados com tédio por pais de porre, aos berros de "feliz Natal".
Papai Noel sempre me intrigou. Quem era aquele sujeito que começava a aparecer no fim do ano, nas lojas, no rádio, na TV? Papai Noel tem muitas conotações desde que foi inventado na Noruega, por causa de São Nicolau, que ajudava as pessoas carentes nos fins de ano.
Soube que, no fim do Estado Novo, lançaram uma campanha nacionalista para substituir o Papai Noel por um outro símbolo: o "Vovô Índio" - um velho silvícola seminu, com peninha na cabeça, que traria presentes para os "curumins" de verde e amarelo. Foi um tremendo fracasso, claro, numa época em que o cinema americano já mandava o Bing Crosby cantando White Christmas sem parar.
Papai Noel era invencível, se bem que eu nunca gostei dele. Papai Noel sempre foi uma imagem de perdão e carinho.
Mas, não para mim. Já contei isso uma vez, aqui. E o repito porque nos Natais e carnavais nada muda. Nada mais parecido com um Natal do que outro.
Papai Noel me dava presentes sim, mas sempre acompanhados de uma carta (escrita à mão, em tinta roxa) em que me fazia repreensões dolorosas: "Por que você desobedeceu à sua mãe e matou a aula de piano? Por que você bateu na sua irmã com o espanador? Se fizer de novo... ano que vem tem castigo..." Para mim, Papai Noel era assustador, por causa desse estratagema educativo de meu pai, que usava o Natal para me dar lições de moral. Cada presente aberto me dava um sentimento de culpa. Daí, a conclusão infantil: Papai Noel gostava de todo mundo, menos de mim. Papai Noel foi meu superego de barbas brancas.
Talvez por isso, comecei a criticar o mundo desde pequeno. Deu no que deu... hoje sou esta pobre cabeça falante se esgoelando no rádio e TV. Eu fui o primeiro de minha turminha de subúrbio a desconfiar que Papai Noel era uma fraude; comecei com ele e hoje tenho os mensaleiros e pizzas de CPI, neste país farto de mentirosos. "Papai Noel não existe!" - foi meu grito revolucionário. "Existe sim! Ele me deu um velocípede!" - bradavam os meninos obstinados em sua fé. "Ah, é? Então, fica acordado para ver se não é teu pai botando os presentes na árvore!" Mas, meus amigos lutavam contra essa desilusão, mais ou menos como velhos petistas que não desistem do paraíso comunista. Recorri a meu avô, conselheiro e aliado, e ele apoiou meu agnosticismo natalino: "Não existe não... Você não é mais neném..."
Daí para a frente, não parei mais. Entrei de sola na lenda da cegonha e do bebê que "papai do céu mandou"...
"Vocês pensam o quê? As mães de vocês ficam nuas e o pai de vocês bota uma coisa dentro da barriga delas pelo umbigo...!" "A minha mãe, não!" - berravam os jovens édipos, partindo para a porrada de rua comigo. Daí para descrer de Deus foi um pulo, para o horror escandalizado dos colegas do colégio jesuíta. "Deus é bom, padre?" "Infinitamente bom..." "Ele sabe de tudo?" "Sim..." - respondiam os padres já desconfiados. "Então, por que ele cria um cara que depois vai para o inferno?" Até hoje ninguém me respondeu a isso.
E assim fui, até começar meu ódio ao "imperialismo norte-americano" dos anos 60. Hoje, não tenho mais medo do Papai Noel; tenho até uma certa pena dele... e de nós.
Hoje, Papai Noel vem com as renas canibais de um Polo Norte que está derretendo pelo efeito estufa que os líderes mundiais se recusam a combater. O Natal é uma saudade do Natal. E hoje, com o futuro cada vez mais ralo, tenho saudades da precariedade de nossa vida antiga, da ingenuidade dos comportamentos, de um mundo com menos gente louca e má. "Ah! Você por acaso quer a volta do atraso?" - dirão alguns. Não; mas sonho com uma vida delicada que sumiu, dos lugares-comuns, dos chorinhos e chorões, de tudo que era baldio, dos valores toscos da classe média. E quando chega o Natal, tenho nostalgia das tristes ceias de minhas tias, sinto ainda o gosto dos panetones e rabanadas transcendentais do passado.

Rei morto, rei posto


segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Ilha Geórgia do Sul | South Georgia



Um céu incomumente limpo possibilitou esta vista da Ilha Geórgia do Sul, coberta de gelo e neve, durante a passagem do satélite Modis, Pode-se ver dois grandes icebergs e alguns blocos de gelo menores ao seu redor. 

Ao lago, a noroeste, está o Iceberg C-19C, com 35 km x 28 km. O iceberg é o que restou Iceberg C-19, que se desprendeu da placa de gelo Ross, na Antártica, em Maio de 2002.

Unusually clear skies allowed an unobstructed view of a snow-and-ice covered South Georgia Island. As Modis passed overhead, two big icebergs and a number of smaller ice chunks floated around the island. 

Off the island’s north-western tip was Iceberg C-19C, measuring 35 by 28km. The iceberg is a remnant of the larger Iceberg C-19, which calved off Antarctica’s Ross ice shelf in May 2002.

Copahue


O vulcão Copahue  expele cinzas em Caviahue, Argentina.

The Ring of Life


The Ring of Life (O Anel da Vida), um anel de 157 metros de altura, feito de aço, em Fushun City, Liaoning,  China.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Cisne OB2



A Nasa divulgou esta imagem composta da fábrica de estrelas Cisne OB2.

A imagem foi produzida com dados de raios x do Observatório Chandra (azul), infravermelho do Spitzer (vermelho), e ópticos do Telescópio Isaac Newton  (laranja). 

Cisne OB2 é o aglomerado estelar de grande massa mais próximo à Terra, e deve conter cerca de 1,500 estrelas com idade abaixo de sete milhões de anos  – meros bebês pelos padrões cósmicos.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Benjaman Kyle



Um retrato de Benjaman Kyle, que sofre de amnésia dissociativa, feito por Miguel Endara com 2,1 milhões de pontos de tinta. Benjaman foi encontrado inconsciente em 2004 em uma caçamba do Burger King, na Georgia, EUA, sem documento de identidade e sem se recordar de quem era.Sem isso, ele não pode obter um novo número de seguridade social. Endara está determinado a despertar as atenções para o inacreditável caso de Kyle. Vendendo cópias de sua  obra por 90 dólares cada uma, ele irá doar metade da renda  para ajudá-lo.

O artista Miguel Endara foi um dos vários cidadãos que, depois de ouvirem a história de Kyle, quiseram ajudá-lo. Kyle é o único cidadão americano oficialmente declarado desaparecido, apesar de seu paradeiro ser conhecido. Há um abaixo-assinado  online circulando, pedindo a concessão de um número da seguridade socail a Kyle para que ele possa recomeçar sua vida. São necessárias 25.000 assinaturas até 25 de dezembro, e em seguida a Casa Branca será instada a se posicionar. Se você quiser apoiar a causa de Benjaman,  visite: http://wh.gov/I5Rn


Qualquer pessoa, de qualquer país, pode subscrever o abaixo-assinado; basta criar uma conta, informando e-mail, nome e sobrenome; em "zipcode", informe o código postal de sua cidade.



Gêmeas siamesas


Este raio X mostra as gêmeas Allison June e Amelia Lee Tucker. Cirurgiões do Children's Hospital da Filadélfia, na Pensilvânia, EUA, separaram as meninas Tucker numa operação que durou sete horas, em novembro de 2012. 

As bebês, de Adams, Nova York, eram unidas pela parte inferior do peito e  abdômen.  Elas compartilhavam  a estrutura do peito, o diafragma, pericárdio e fígado.

Taklimakan, ou Taklamakan


Imagem de satélite

O maior, mais quente e mais seco deserto da China fica no extremo oeste do país. Preenchendo a Bacia Tarim, o deserto Taklimakan (ou Taklamakan) é imune aos efeitos das chuvas de monções asiáticas e tempestades árticas que levam umidade a outras regiões. 

Dunas de areia em constante transformação cobrem cerca de 85% do deserto, algumas das quais chegam a ter 200 metros de altura. Os ventos costumam transportar parte da areia para o leste da China. 

Parte do deserto Taklimakan é visível no interior da Bacia Tarim, na parte esquerda da imagem. Nuvens de poeira, em certos trechos espessas o suficiente para ocultar totalmente a superfície abaixo delas, sopram da margem leste da bacia.




Esse eu conheço!



Roberto DaMatta - O Estado de S.Paulo

A reta, como diria o Oscar Niemeyer, é o real. Mas o ideal é a curva, o arredondado sedutor da montanha onde morre o Sol; ou o suave declive da fonte que jorra por entre as suas frestas e mata a nossa infindável sede como viram, cada qual a seu tempo e à sua maneira, Ary Barroso e Schopenhauer.
Platão, inventor da oposição entre real e ideal, afirma que como tudo neste mundo está sempre se fazendo, as coisas reais não conferem nenhum conhecimento definitivo, pois são relativas e variáveis. Sujeitas, como revela sem cessar o nosso frustrante dia a dia, a redefinições. O ideal é único porque as ideias não morrem. O resto, como disseram Shakespeare e Erico Verissimo, é silêncio...
Estou, como o mundo inteiro, chocado com esse novo massacre ocorrido em Newtown, Estados Unidos. Penso nos pais forçados por um louco a entrar nesse triste clube ao qual eu, infelizmente, pertenço: a sociedade dos que perderam filhos. Empresto a todos eles a minha humilde solidariedade. Aprendi como as palavras, que deixam ver, por um instante, o todo no qual vivemos como inocentes, são importantes nesses momentos.
Estive no Estado de Connecticut umas duas ou três vezes e fiz palestras na sua universidade, no famoso Connecticut College (fundado em 1911 quando o Brasil fazia, como as máquinas, múltiplas revoluções) e na sua admirável Universidade Yale (fundada em 1701 quando, para muitos, o Brasil ainda não era Brasil), onde jaz um pedaço da alma do querido e saudoso Richard Morse, o americano mais brasileiro que conheci em toda a minha vida. Como explicar o massacre de crianças num lugar tão "adiantado" e "rico" sem uma lógica bíblica ou messiânica - sem um sistema de espoliação dos miseráveis e sem um Herodes agora armado, ele próprio, de pistolas automáticas, perguntou-me um jovem jornalista?
Inocente, pois não tenho a menor ideia do meu futuro nem da minha vida, a qual eu tento cuidar e honrar com o devido egoísmo por ela determinado, só posso falar de uma importante contradição. Nós odiamos a violência, mas a admitimos em certas circunstâncias. Na guerra, por exemplo. Sobretudo, nas guerras santas que jamais saíram de moda. Ou na luta ideológica contra a famosa "direita", hoje propositalmente confundida no Brasil com o "direito": o ético, o meritório e o correto.
No caso dessa tragédia americana, há uma contradição trivial. O real manda, no mínimo, discutir, como disse o presidente Obama, a venda de armas. Mas o ideal que tende a virar tabu trata a aquisição de armas como um direito.
No Brasil, criminalizamos o jogo, mas a Caixa Econômica Federal banca pelos menos sete ou oito jogos de azar. Ademais, condenamos o jogo e todo tipo de patifaria, mas compreendemos o canalha. Sobretudo quando ele é amigo. "Esse não! Esse eu conheço! Com ele eu não admito, ouviu? Não admito que sua reputação e sua figura à qual o país tanto deve sejam postas em questão!!!"
Somos todos contra a jogatina, mas entendemos quando o primo faz uma "fezinha na borboleta" ou no "burro" - esse totem de um Brasil que tenta sem sucesso livrar-se das asnices de uma visão de mundo na qual a lei teria a virtude de corrigir o mundo por reação e não por prevenção. "Mas isso é crime capitulado no artigo tal da lei X! Não há mais o que discutir." Exceto, é claro, se o capitulado for meu amigo!
O problema é o que fazer com os criminosos depois de devidamente classificados como culpados. No nosso caso, a penalidade não é apenas uma decorrência do crime, é uma ciência e eu até diria, com todo o respeito, uma nobre arte. Afinal, como ouvi muitas vezes nesses meses afora, "são vidas humanas em jogo".
Condenamos também a droga, mas tomamos o nosso vinhozinho, a nossa cervejinha e a nossa cachacinha com os amigos sem problema. Aceitamos até que um conhecido goste de uma "fileirinha", no seu caso, inocente, porque: "Esse eu conheço e sei que é boa pessoa! Não é um indivíduo qualquer a ser espancado pela polícia e depois exposto e escrachado na mídia!!!"
Batemos de frente com as contradições entre o real e o ideal, a menos que ela comprometa o patrão, o amigo e o correligionário a quem devemos carreiras, favores e cargos. "Esse não! De modo algum! Esse eu conheço!" Gritamos com obrigatória veemência.
Uma ética de condescendência - esse pouco discutido valor brasileiro de muitos quilates - nos leva a relativizar o ideal. Como não é fácil equilibrá-los, pois o concreto sempre desafia o ideal, personalizamos e, com isso, impedir que X, Y ou Z sejam apreciados em suas faltas e velhacarias. E como "roupa suja só se lava em casa", ferimos o ideal (e a ética) dando um golpe personalista. "Esse não pode!", falamos, tirando do âmbito do crime ou da patifaria o amigo dileto ou o personagem poderoso.
Mas quem inventa os fatos?
Como esse bárbaro massacre ocorrido nos Estados Unidos; como esse inacreditável mensalão; como os vínculos de terna intimidade entre o ex-presidente e uma alta funcionária que representava a Presidência em São Paulo e lá montou uma quadrilha? Quem inventou um partido como o PT, que iria exterminar os ratos da corrupção nacional - como bolou o publicitário do grupo, o sr. Duda Mendonça - e acabaram metidos no maior escândalo da República? É o jornal que forma a quadrilha ou é a quadrilha que faz o jornal?

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Rastro de plasma


A nave espacial russa Soyuz TMA-05M deixa um rastro de plasma ao reentrar na atmosfera da Terra, em 19 de novembro. Nasa.

A bordo estavam a comandante Sunita Williams, da Nasa, e os engenheiros de voo Akihiko Hoshide, da JAXA (Agência de Exploração Aerospacial do Japão), e Yuri Malenchenko da Roscosmos (Agência Espacial Federal Russa). 

Eles retornavam de uma estadia de quatro meses na Estação Espacial Internacional.

Fim do mundo


E teve gente que acreditou...

Papagaios maduros


Estes papagaios amarelos, tão diferentes dos brasileiros (verdes) e africanos (cinzas), tomam Sol em um zoológico de Suzhou, na China. Parece até que eram verdes e amadureceram ao Sol!

Atmosfera interna do Sol


Esta imagem combinada, de 8-9 de novembro de 2012, mostra a atmosfera interna do Sol, observada pelo Observatório de Dinâmica Solar (SDO), dentro de uma imagem maior fornecida pelo Observatório Solar and Heliosférico (SOHO). 

Pode-se ver uma ejeção de massa coronal saindo do canto superior direito do Sol. Assim, cientistas poem comparar as imagens para fazer uma correlação entre o que está ocorrendo perto do Sol com o que acontece mais adiante.
Nasa/SDO

Peixe-espada


Este pescador carrega às costas com visível dificuldade um enorme peixe-espada,maior que ele, pescado no Oceano Índico, para um mercado local em  Mogadíscio, na Somália.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Santa Helena


Santa Helena é uma pequena ilha vulcânica acidentada, no Oceano Atlântico Sul. O ponto mais alto da ilha, o Monte Actaeon, tem 818 metros acima do nível do mar – alto o suficiente para influenciar a formação de nuvens. 


Em 15 de novembro de 2012, vórtices de nuvens saíam da ilha na direção oeste-noroeste. Quando massas de ar em movimento encontram um obstáculo como uma ilha vulcânica, o fluxo de ar sofre perturbações.Para baixo do obstáculo formam-se vórtices de von Karman. Esses vórtices de duas fileiras alternam sua direção e rotação. 

Localizada a mais de 1.700 km do oeste da África, Santa Helena é tão remota quando  acidentada. A ilha era deserta quando foi descoberta pelos portugueses, em 1502, e se tornou famosa  séculos depois como a última moradia de Napoleão Bonaparte. Ele foi exilado lá, em 1815, onde morreu,em  1821.


St Helena is a small, rugged volcanic island in the southern Atlantic Ocean. At its highest point, Mount Actaeon, the island rises 818 meters above sea level – high enough to affect cloud formation. 

On 15 November 2012, cloud vortices stretched away from the island to the west-northwest. When moving air masses encounter an obstacle such as a volcanic island, the wind flow is disrupted. Downstream from the obstacle, von Karman vortices form. These double-row vortices alternate their direction and rotation. 

Located more than 1,100 miles west of Africa, St Helena is as remote as it is rugged. The island was uninhabited when the Portuguese first discovered it in 1502, and became famous centuries later as the final home of Napoleon Bonaparte of France. He was exiled there in 1815 and died on the island in 1821

O esplendor de Saturno


A espaçonave Cassini da Nasa produziu uma imagem incrível de Saturno, obtida  sob sua sombra. Suas câmeras estavam voltadas para Saturno e o Sol, captando a visão do planeta e seus anéis iluminados por trás. NASA/JPL.

Como presente de Ano-Novo, a Cassini, que orbita Saturno há mais de oito anos, enviou à Terra mais uma bela imagem do planeta e seus anéis, iluminados de trás pelo Sol. 

Em 17 de outubro de 2012, durante sua 174ª órbita  do gigante gasoso, a Cassini foi posicionada sob a sombra de Saturno, o lugar ideal para  se obeter uma visão dos anéis e do lado escuro do planeta iluminados de trás pelo Sol. Olhar para um objeto na direção do Sol é uma técnica que os cientistas planetários chamam de "fase solar alta;" Quanto mais próximo do centro do alvo da observação, mais alta será a fase. Esta é uma posição de observação muito vantajosa do ponto de vista científico, pois revela detalhes dos aneis e da atmosfera que não são visíveis nas fases solares mais baixas. 


Abaixo, à esquerda e bem pequenas, aparecem Encelado e Tétis.


O mosaico divulgado hoje pela missão e a equipe produtora de imagens, em comemoração às festas de final de ano de 2012, não mostra a Terra, pois, assim como o Sol, ela está oculta atrás de Saturno. 

O novo mosaico produzido, composto de 60 imagens em frequências de onda violeta, visível e infravermelho próximo, podem ser vistas em http://www.nasa.gov/cassini , http://saturn.jpl.nasa.gov e http://ciclops.org




NASA's Cassini spacecraft has delivered a glorious view of Saturn, taken while the spacecraft was in Saturn's shadow. The cameras were turned toward Saturn and the sun so that the planet and rings are backlit. Image: NASA/JPL

Just in time for the holidays, NASA's Cassini spacecraft, in orbit around Saturn for more than eight years now, has delivered another glorious, backlit view of the planet Saturn and its rings. 
Enceladus and Tethys. Both appear on the left side of the planet, below the rings.

On Oct. 17, 2012, during its 174th orbit around the gas giant, Cassini was deliberately positioned within Saturn's shadow, a perfect location from which to look in the direction of the sun and take a backlit view of the rings and the dark side of the planet. Looking back towards the sun is a geometry referred to by planetary scientists as "high solar phase;" near the center of your target's shadow is the highest phase possible. This is a very scientifically advantageous and coveted viewing position, as it can reveal details about both the rings and atmosphere that cannot be seen in lower solar phase. 


The mosaic being released today by the mission and the imaging team, in celebration of the 2012 holiday season, does not contain Earth; along with the sun, our planet is hidden behind Saturn. 

The new processed mosaic, composed of 60 images taken in the violet, visible and near infrared part of the spectrum, can be found at http://www.nasa.gov/cassini , http://saturn.jpl.nasa.gov and http://ciclops.org . 






Não creia em bruxas, mas que elas há, ah há!




José Nêumanne

Por que não dar crédito à delação de Valério só por ele ser criminoso se nem mensalão houve?

Em Paris, cenário favorito para desabafos de presidentes petistas, Dilma Rousseff fez uma digressão interessante sobre suas convicções pessoais a respeito de corrupção de agentes públicos: ela é a favor de tolerância zero para pôr fim aos malfeitos dos larápios, mas contra a “caça às bruxas”. O combate sem trégua é dirigido indiscriminadamente contra quem desafiar seu indômito espírito republicano e a vigilância que ela anuncia para evitar malversação do erário. A exceção refere-se a seu ex-chefe, padrinho e antecessor Luiz Inácio Lula da Silva, sobre quem quaisquer suspeitas, por mais que apoiadas em provas ou evidências, são por ela consideradas uma “indignidade”.

A tolerância zero da presidente não garante lisura na gestão do dinheiro público, mas revela seu estilo de mando. É de todos conhecida a curtíssima extensão do pavio da chefe de governo: suas explosões de mau gênio são tão estridentes que os impropérios atravessaram os geralmente indevassáveis salões e corredores palacianos, tornando-se famigerados. Quanto à corrupção propriamente dita, sua reação é, sem nenhuma intenção de desrespeitá-la, pavloviana: cada auxiliar de alto escalão que não tenha a proteção de sua benquerença, ao ser denunciado, é logo demitido. Os que habitam os desvãos secretos de seus afetos não recebem tratamento isonômico. É notório o caso do ministro Fernando Pimentel, cujo cargo foi mantido sem que nunca tivesse sido esclarecido de que sabença dispõe para justificar os altíssimos preços pagos por suas palestras. Para poupá-lo a chefe chegou a levar um ícone da antiga moral petista, o ex-ministro Sepúlveda Pertence, a renunciar à Comissão de Ética da Presidência da República, após não reconduzir membros interessados na contabilidade da consultoria de seu auxiliar do peito.

Nem protegidos de seu padrinho foram poupados quando denunciados pelos adversários da “mídia”. Só que, depois, ninguém seria alcançado pelos braços da punição penal, donde se conclui que a perda de cargo é a pena máxima para amigos.
Isso, é claro, não vale para os inimigos de ocasião. Não há delito de que seja acusado um companheiro petista que não desperte a sanha de sua base de apoio parlamentar a apontar com seu dedo em riste na direção do ex-presidente Fernando Henrique, cujo único crime reconhecido é a filiação ao PSDB. Se bem que neste momento o referido tucano venha sendo acompanhado por novos desafetos, como o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, acusado de alta traição por ter sido nomeado pelo petista Lula, confirmado por Dilma e, apesar disso, ter apresentado um libelo acusatório que terminou levando o Supremo Tribunal Federal (STF) a condenar os petistas Dirceu, Genoino e Delúbio.

A “caça às bruxas” não atende aos requisitos mínimos da lógica e da verdade. Haverá, de fato, uma onda de delação, premiada ou não, no momento no Brasil? Vamos aos fatos: o operador do mensalão, que, conforme o PT da presidente, nunca existiu, Marcos Valério Fernandes, procurou o Ministério Público Federal (MPF) para contar que depositou dinheiro da corrupção na conta do ex-segurança e ex-aloprado Freud Godoy supostamente para pagar contas pessoais de Lula. Será verdade? A ministra do STF Cármen Lúcia disse que duvida. Dilma não hesitou: fora do País, sendo recebida pelo presidente da França, François Hollande, não apenas desmentiu, como deu ordens, segundo noticiário confiável, para seus ministros saírem em defesa do companheiro-mor.

Estarão corretas as insignes damas republicanas? É simples responder à questão. Basta abrir um inquérito, saber se de fato o depósito foi feito e exigir que o destinatário, caso seja confirmado, conte o que fez com o dinheiro. Aí a polícia, sob as ordens do solerte dr. José Eduardo Martins Cardozo, poderia aproveitar a ocasião para inquirir o mesmo acusado a respeito de sua participação na falsificação de um dossiê contra o tucano José Serra na eleição de 2006.

Em vez de mandar a Polícia Federal investigar, contudo, obediente às ordens emanadas de Paris, o dr. Cardozo absolveu imediatamente o padrinho da chefe: “Do ponto de vista jurídico, isoladamente, esse depoimento não tem nenhum significado. Foi produzido por uma pessoa que já estava sendo processada, condenada no julgamento, feito visivelmente na tentativa de tumultuar esse processo. Esse depoimento não tem valor probatório”.

Homem de confiança de Lula no governo atual, o ministro que chefia a Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, sentiu-se à vontade para se acumpliciar com a comandante, batendo duro no delator: “O que mais nos impressiona neste momento é como uma pessoa que foi condenada a longos anos de prisão, por ser o cérebro e o provocador de dois processos, de repente, num gesto de desespero para tentar amainar sua pena, é tomado de tamanha credibilidade. O que este senhor tem revelado, particularmente a respeito do presidente Lula, é de uma falácia, de uma falsidade, impressionantes. Me impressiona a credibilidade que se dá a esse cidadão nessa hora, tanto nos detalhes quanto no conteúdo mais profundo”. Trata-se de uma deslavada aposta na amnésia ampla e geral: todos sabem que o dito desqualificado patrocinou uma romaria de banqueiros também condenados no processo do mensalão a gabinetes do alto comando federal no primeiro governo Lula, entre os quais o do chefe da Casa Civil à época, José Dirceu. Se crime não houve, criminoso há? E de que autoridade moral se investe alguém que nega credibilidade à palavra de um réu e atribui a um colega de banco dele no julgamento a aura de mártir injustiçado?

Terá Valério nomeado Rosemary Nóvoa de Noronha, denunciada pelo MPF, para chefiar o gabinete da Presidência da República em São Paulo? Terá sido em seu nome que ela nomeou figurões da burocracia federal? Sob sua égide terá praticado os delitos de que é acusada? Ou será, por acaso, ela a bruxa que Dilma não quer que cacem?

Jornalista, poeta e escritor

(Publicado na Pág.2A do Estado de S. Paulo, quarta-feira, 19 de dezembro de 2012)