No Brasil, quando se procura fazer democracia a partir da base, vêm os caciques dos partidos tentar acabar com a festa, como poderá fazer José Serra, do PSDB, que se havia declarado fora da disputa pela prefeitura de São Paulo, quando o partido anunciou aos quatro ventos a realização de prévias, com quatro pré-candidatos.
Em uma reunião de filiados do PSDB com o pré-candidato Andrea Matarazzo no salão de festas de um prédio da capital, dia 7 de fevereiro, ao final da sua fala, na qual ele demonstrou um profundo conhecimento da cidade, de seu funcionamento e problemas, um dos filiados ao partido lhe perguntou o que aconteceria se José Serra resolvesse, àquela altura, entrar na disputa.
Matarazzo disse que "seria o fim do partido", parecendo duvidar da possiblidade de aquilo acontecer.
No entanto, sendo amigo de Serra, ele deveria se recordar, melhor que ninguém, de quando o ex-prefeito e ex-governador assinou em cartório uma declaração atestando que se ganhasse as eleições para a prefeitura, em 2004, haveria de cumprir o mandato até o final - em outras palavras, garantia que não usaria o cargo como trampolim eleitoral.
Mas, dois anos depois de vencer as eleições, Serra descumpriu a promessa, renunciando ao cargo para disputar o governo do Estado, deixando a prefeitura de São Paulo nas mãos de seu vice, o então ilustríssimo desconhecido Gilberto Kassab, que viria a ser considerado um dos piores prefeitos que São Paulo já teve, se não o pior deles.
Pelo que se tem visto e ouvido, é muito provável que as pessoas presentes àquele e a outros encontros com os pré-candidatos do PSDB venham a sentir o travo da decepção.
Os eleitores paulistanos que ainda acreditam no PSDB estão diante da possiblidade, muito palpável, de José Serra, o candidato que, em 2004, prometeu cumprir até o fim o mandato de prefeito, mas acabou renunciando, tentar voltar a ocupar a cadeira que, em 2006, lhe parecera por demais acanhada para o tamanho da sua ambição política.
Questionado ao anunciar que deixaria o cargo, José Serra disse, referindo-se à promessa, registrada em cartório, de não renunciar para entrar na disputa pelo governo do Estado: " Aquela era a minha verdade naquele momento".
Se os grandões do PSDB afrontarem o eleitorado com a aniquliação das prévias, ou com a indigesta renúncia do vencedor delas em favor de Serra, o partido estará apostando na amnésia coletiva dos paulistanos.
Chegar à presidência é o grande objetivo de Serra, que perdeu essa disputa para Lula, em 2002 e para Dilma, em 2010; se insisitr na candidatura e vencer as eleições para prefeito de São Paulo este ano, parece razoável a probabilidade de o tucano, digamos, surpreender novamente seus eleitores em 2014 com uma segunda renúncia ao cargo.
Chegar à presidência é o grande objetivo de Serra, que perdeu essa disputa para Lula, em 2002 e para Dilma, em 2010; se insisitr na candidatura e vencer as eleições para prefeito de São Paulo este ano, parece razoável a probabilidade de o tucano, digamos, surpreender novamente seus eleitores em 2014 com uma segunda renúncia ao cargo.
Fama de hesitante o PSDB tem de sobra, de modo que não é necessário reforçá-la colocando um ponto final no desejo de renovação de tantos quantos teimam porque teimam que o partido poderá, afinal, adotar uma atitude de respeito pelo desejo dos que estão fartos de ver e votar sempre nas mesmas figuras para os cargos mais cobiçados.
A renúncia de Serra em 2006 é um fato documentado que poderá e deverá ser fartamente explorado por seus opositores nas eleições deste ano. O abortamento das prévias ou a "desistência" em favor de Serra do candidato que vier a vencê-las será um jogo de roleta russa com a paciência dos filiados e demais eleitores do PSDB.
A renúncia de Serra em 2006 é um fato documentado que poderá e deverá ser fartamente explorado por seus opositores nas eleições deste ano. O abortamento das prévias ou a "desistência" em favor de Serra do candidato que vier a vencê-las será um jogo de roleta russa com a paciência dos filiados e demais eleitores do PSDB.
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