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segunda-feira, 16 de julho de 2012

Uma brasileira sem fronteiras


Por Luiz Leitão

Uma médica brasileira de 34 anos, formada e residente na Alemanha, me contou sobre sua atuação na organização suíça Médicos Sem Fronteiras (MSF). Seu nome não será revelado porque não se tratou de uma entrevista, mas, sim de uma conversa informal.


Sua primeira missão no MSF foi nas Filipinas, e a segunda, nos confins da África. De Frankfurt, na Alemanha, ela tomou um avião para Johanesburgo, na África do Sul, e dali, pegou outro, bem pequeno, para Mbabane, no Reino da Suazilândia, incrustada na África do Sul e fazendo fronteira com Moçambique (veja os mapas acima e abaixo).

O país é muto pequeno e pobre, com 1.386.914 habitantes, em julho de 2012, segundo estimativas da CIA, a agência de informações do EUA.

A língua oficial da Suazilândia é o siSwati, de modo que nossa compatriota precisou de um intérprete - que furtou-lhe a máquina fotográfica e teve de ser despedido - para se comunicar com os pacientes naquele reino da África, cujo soberano é o Rei MSWATI III. O país recentemente ultrapassou Botswana, também na África, como o de maior incidência de HIV. 



Ela conta que muitos paciente não só tinham o vírus HIV, mas também o da tuberculose multirresistente, e um deles, uma mulher, com cerca de 1,70 metro de altura, estava pesando 40 kg. Muita gente tinha apenas uma refeição por dia.

O tratamento da tuberculose multirresistente é longo e penoso, com injeções diárias durante um ano, e o pessoal do MSF ia às casas dos doentes tratá-los, além de atendê-los na clínica, que começou com cerca de 30 pacientes e igual número de médicos, enfermeiros e pessoal de apoio, e, quando ela foi embora, ao cabo de seis meses, já atendia 1.000 pessoas.

O trabalho desses médicos é remunerado com cerca de 700 euros mensais.


Ao final da conversa, ela falou um pouco a respeito do sistema de saúde da Alemanha, que é integralmente público, as pessoas que podem, pagam mensalmente por ele, mas quem não paga, um indigente, um desempregado ou quem quer que seja, é atendido exatamente da mesma forma que os pagantes. 

Quando soube quanto um médico cobra por uma consulta em São Paulo, ficou boquiaberta. Disse que na Alemanha a maioria dos médicos ganha cerca de 3.000 euros mensais, aproximadamente R$ 7.500,00, e médicos particulares não são muito comuns. Ainda assim, raramente vale a pena abrir uma clínica, porque a remuneração acaba sendo quase a mesma de quem trabalha no sistema público, que paga algo como 10 euros (R$25,00) por consulta.

O próximo destino da brasileira deverá ser Moçambique, onde ela não vai necessitar de intérpretes, pois a língua oficial do país é o português.

Mais uma 'curiosidade' sobre a Alemanha: Em Frankfurt, uma cidade plana, dá para ir trabalhar de bicicleta. Mas as leis de trânsito são as mesmas para carros a bibicletas, e quem comete uma infração, como passar no sinal vermelho, é parado e multado e, se tiver carteira de habilitação de motorista, recebe pontos nela pela falta, além da multa.







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