Mais uma vez, aconselho os leitores a desconfiar de tudo o que vem pela internet, mas não só. Pela imprensa, também. Jornalismo responsável exige ouvir a outra parte.
Recebi e-mail de um amigo, mostrando comentário da coluna de Cláudio Humberto, onde ele insinua que a Polícia Rodovária Federal (PRF) estaria pagando muito mais pelos bafômetros do que os que são anunciados no site de leilões e-bay.
Consultada a respeito, a assessoria de imprensa da PRF enviou as informações corretas:
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA
DEPARTAMENTO DE POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL
ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
Brasília, 09 de julho de 2008.
À Coluna Cláudio Humberto
C/C Hoje em Dia (MG); A Tribuna (ES);
Gazeta de Alagoas (AL); Correio de Sergipe (SE);
Jornal de Brasília (DF); Jornal do Commercio (PE);
Tribuna do Norte (RN); Jornal Meio Norte (PI);
Folha de Rondônia (RO); Correio do Estado (MS);
Amazonas em Tempo (AM) e outros;
O Departamento de Polícia Rodoviária Federal repudia a forma como a coluna
Cláudio Humberto trata a aquisição de etilômetros pela instituição. Ao contrário do que
afirma a coluna, de maneira frágil e sem sustentação, no mercado americano o etilômetro
Alco-Sensor IV custa em média U$ 1.700,00 já com os impostos incluídos. No Brasil, legalmente importado, o equipamento custa cerca de R$ 8.000,00. E como o colunista sabe, uma vez que atuou na Presidência da República durante o governo Fernando
Collor, órgãos públicos não podem adquirir bens em sites de leilão eletrônico, como o ebay, sobretudo quando hospedados em país estrangeiro.
A forma apressada como a coluna apurou suas informações criou algumas
aberrações jornalísticas, facilmente demonstradas através de observação responsável.
Quando afirma que o etilômetro adquirido pela Polícia Rodoviária Federal é cotado a U$
150,00 em site de leilão, o apurador não informa ao leitor que o produto é descrito pelo
próprio sítio eletrônico como aparelho usado, e que não possui manual de instruções ou
certificado de garantia. Até mesmo o correto funcionamento da impressora não é
assegurado pelo negociador.
O responsável pela coluna também omite que o mesmo produto pode ser encontrado no portal de negócios virtuais por U$ 1.675,00 (sem contar impostos de importação e frete internacional), e que o modelo de segunda mão acabou sendo arrematado no último sábado (05/07/2008) por lance final superior a U$ 280,00.
Não satisfeita, a coluna Cláudio Humberto voltou a ferir de morte a verdade quando
afirmou que o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem do RS (DAER) pagou R$ 2.700,00 pelo etilômetro Alco-Sensor IV. Mais uma vez, um jornalista com mínimo de experiência constataria através de consulta ao site oficial http://www.compras.rs.gov.br/ que o órgão pagou R$ 326.500,00 por 50 etilômetros, ou R$ 6.530,00 por unidade.
Gestão transparente - Em dezembro de 2006, o DPRF promoveu licitação pública
para compra de etilômetros, como determina a Lei 8.666/93. Na ocasião, a empresa
vencedora ganhou o certame oferecendo um modelo americano ao preço de R$ 6.798,53.
A segunda colocada apresentou um produto similar, contudo fabricado no Brasil, por R$
6.824,39. E a terceira, equipamento cotado a R$ 14.131,71. Vale explicar que naquele
momento, o dólar americano valia R$ 2,16, ao contrário dos R$ 1,61 correspondentes à cotação atual.
Também é importante deixar claro que o equipamento adquirido veio com
impressora, bocais, fita de impressão e bobinas de papel para a realização de, no mínimo,
300 testes, além de garantia total por dois anos O aparelho colocado em xeque é utilizado
pelas polícias norte-americanas e o valor pago na licitação está sendo aproveitado como
parâmetro de compra por outros órgãos públicos que realizam fiscalização de trânsito.
Na aquisição dos etilômetros pela Polícia Rodoviária Federal, o valor médio
apurado pela comissão de licitação no mercado foi R$ 9.537,35. Portanto, entre o preço de referência e o valor pago pela Polícia Rodoviária Federal no processo licitatório, há
diferença de 36% a favor do serviço público.
Álcool e fiscalização - É de amplo domínio que a violência no trânsito atinge
níveis absurdos e que grande parte das tragédias é provocada por motoristas
embriagados. O Ministério da Justiça considerou a violência nas rodovias um problema de
segurança pública. O Ministério da Saúde estimou que 49% das mortes registradas nos
acidentes de trânsito têm o álcool como fator contribuinte. O Ipea - Instituto de Pesquisa Econonômica Aplicada avaliou que o Brasil perde anualmente mais de R$ 22 bilhões com os prejuízos provocados por acidentes de trânsito.
Por tudo isso, a fiscalização tem que ser feita de maneira implacável, lançando mão de policiais, viaturas e toda sorte de recursos tecnológicos disponíveis. Ainda que questionável o argumento, o valor de oito multas por embriaguez paga o custo de aquisição e manutenção do etilômetro. E não é o cidadão que respeita as leis quem vai arcar com essa conta.
Quem paga é o motorista infrator, que bebe, dirige e provoca as tragédias do dia-a-dia.
Em 1999, a Polícia Rodoviária Federal e a Pontifícia Universidade Católica do Rio
Grande do Sul provocaram, pela primeira vez no país, debate sobre a necessidade de
critérios científicos para a medição do consumo de álcool pelos motoristas brasileiros.
Após três anos de estudos e discussões, coube ao Inmetro – Instituto Nacional de
Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial, regulamentar o uso dos etilômetros
pelos agentes de fiscalização de trânsito no Brasil. Não fosse a manifestação da PRF,
ainda na década de 90, a fiscalização dos níveis de álcool consumido pelos motoristas
brasileiros poderia ainda fazer uso de testes incompletos ou subjetivos.
Senhores editores, ao terem veiculado em seus jornais informações imprecisas e
apressadas contidas na coluna Cládio Humberto, comprometeram a credibilidade de suas
publicações e de alguma forma prestaram um desserviço ao bom jornalismo, à sociedade
e ao Brasil.
Assessoria de Comunicação Social
Departamento de Polícia Rodoviária Federal
Se o custo do Etilometro nos EUA e de US$1.600,00 aproximadamente e ele chega ao Brasil po R$6798,00, com impostos e taxas, não acredita o Sr. que só de impostos e txas está beirando a casa dos 1000% (mil) aproximadamente/ O sr. acredita que existe impostos e taxas com esse valor? Sinto muito amigo, sois mujito ingênuo.
ResponderExcluirCaros amigos do MUDABRASIL,
ResponderExcluirEu publiquei aqui a versão da Polícia Rodoviária federal, qie não quer dizer que concorde com ela. No entanto, um eitlômtero usado, sem ipressora, por US$ 150, como diz o coluniats, também é ridículo.
Tudo depende do modelo, desde acessórios, dos kits qwue acompanham,etc.
O que diz foi dar espaço ao contradítório, e eventuas dúvidas podem ser dirimidas pela auditoria da Polícia Rodoviária Federal: http://www.dprf.gov.br/PortalInternet/index.faces
Agradecendo sua resposta a meu comentário, descobri o fabricante do referido modelo e seu preço real, que esta postado abaixo. Mesmo com o sale tax, que é como o ICMS brasileiro e taxa de importação de 100%, o produto não chegaria a R$ 3.000,00, como poderá ser constatado pelo senhor. E outro detalhe compras feitas por órgãos do governo federal são isentos de imposto de importação.
ResponderExcluirhttp://www.alcopro.com/mm5/merchant.mvc?Screen=PROD&Store_Code=A&Product_Code=206
MB, muito obrigado! Vc. está prestando um srviço de tulidade pública.
ResponderExcluirVou repassar estes dados à PRF e vamos ver o que êles dizem.
Abraços.