Caros leitores,
Dizem que, hoje, quando os EUA pegam uma gripe, o Brasil não mais contrai uma pneumonia. Pode ser. Mas o problema com as duas grandes operadoras de hipotecas dos EUA é grave, e convém vocês saberem como a coisa funciona:
A Fannie Mae foi criada pelo governo federal americano em 1938 para dar liqüidez ao mercado hipotecário. Desde 1968, ela é uma empresa privada. Funciona assim:
A Fannie Mae toma empréstimos de hipotecas dos bancos e os transforma em ações lastreadas em hipotecas. Existem limites para os tamanhos e tipos de empréstimos que ela pode garantir.
Esta ações lastreadas em hipotecas são vendidas a investidores, e a Fannie Mae garante que os empréstimos serão pagos.
A Fannie também toma dinheiro dos mercados, tradicionalmente a taxas muito mais baixas do que outros bancos pagam. e usa esse dinheiro para comprar hipotecas que mantém como investimentos próprios em carteira. Ao comprar esses créditos, a Fannie injeta dinheiro na economia, na indústria da construção, imobiliária.
Que problemas ela está enfrentando? A exposição da Fannie no mercado de imobiliário cresceu. Suas hipotecas garantidas triplicaram de 1998 a 2007, e a taxa de inadimplência está crescendo, o que aumenta as chances de a empresa ter de honrar as garantias.
O custo do empréstimos está volátil e crescente, refletindo as preocupações dos investidores com a saúde da Fannie Mae.
Ocorre que a Fannie Mae e Freddie Mac possuem garantias de cerca da metade do mercado de hipotecas dos EUA, que é de US$ 12 trilhões.
Elas provêem o capital que bancos usam para concedes novos empréstimos. Se ambas pararem de comprar estes créditos, os bancos param de conceder novos empréstimos, paralizando o mercado imobiliário americano.
A Fannie e a Freddie dão estabilidade e liqüidez ao mercado hipotecário. Se tiverem mais dificuldade para tomar empréstimos, as taxas de juros das hipotecas aumentarão.
Virtualmente todos os bancos de Wall Street e muitos mundo afora, bancos centrais e investidores têm negócios com a Fannie e a Freddie.
Uma crise nas duas empresas faria os contribuintes terem de bancar bilhões para cobrir as perdas das duas empresas.
Isto teria um custo altíssimo para o governo dos EUA tomar emprétimos no futuro, já que as obrigações potenciais do governo, que estão hoje em US$ 9 trilhões, teriam um acréscimo de US$ 5 trilhões.
Deu pra sacar o tamanho da encrenca?
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