Astronomia, astrofísica, astrogeologia, astrobiologia, astrogeografia. O macro Universo em geral, deixando de lado os assuntos mundanos. Um olhar para o sublime Universo que existe além da Terra e transcende nossas brevíssimas vidas. Astronomy astrophysics, astrogeology, astrobiology, astrogeography. The macro Universe in general, putting aside mundane subjects. A look at the sublime Universe that exists beyond Earth and transcends our rather brief life spans.
Pesquisar conteúdo deste blog
terça-feira, 28 de abril de 2015
A massiva galáxia espiral próxima NGC 2841 | Massive Nearby Spiral Galaxy NGC 2841
A imagem é deslumbrante. Esta é uma das mais massivas galáxias de que se tem notícia. Distante meros 46 milhões de quilômetros, a galáxia espiral NGC 2841pode ser encontrada na constelação da Ursa Maior, ao norte. Esta nítida vista do deslumbrante universo-ilha mostra um impressionante núcleo amarelo e o disco galáctico.
Vielas de poeira, pequenas regiões rosadas de formação estelar e jovens aglomerados azuis estão incrustados nos braços espirais fragmentados e firmemente enrolados. Em contraste, muitas outras espirais exibem grandes braços espalhados, com grandes regiões de formação estelar.
NGC 2841 tem um diâmetro superior a 150.000 anos-luz, maior até mesmo que o da Via Láctea, captado nesta imagem composta misturando exposições do Telescópio Espacial Orbital Hubble, de 2,4 metros, e do Telescópio Subaru, de 8,2 metros, baseado em solo. Imagens em raios X sugerem que ventos resultantes e explosões estelares criam nuvens de gás quentes expandindo-se em um halo ao redor de NGC 2841.
Tradução de Luiz Leitão
The image is stunning. It is one of the more massive galaxies known. A mere 46 million light-years distant, spiral galaxy NGC 2841 can be found in the northern constellation of Ursa Major. This sharp view of the gorgeous island universe shows off a striking yellow nucleus and galactic disk.
Dust lanes, small, pink star-forming regions, and young blue star clusters are embedded in the patchy, tightly wound spiral arms. In contrast, many other spirals exhibit grand, sweeping arms with large star-forming regions.
NGC 2841 has a diameter of over 150,000 light-years, even larger than our own Milky Way and captured by this composite image merging exposures from the orbiting 2.4-meter Hubble Space Telescope and the ground-based 8.2-meter Subaru Telescope. X-ray images suggest that resulting winds and stellar explosions create plumes of hot gas extending into a halo around NGC 2841.
Dados à mão e ideia nenhuma na cabeça
José Nêumanne
Desgoverno ignora o que fazer e oposição nada tem a propor para quando ele acabar
Tiradentes foi o primeiro grande bode expiatório da História do Brasil. Era, digamos, o menos valido dos inconfidentes das Minas Gerais. Pagou com a vida pela loucura de, não sendo abastado, ter comprado a briga da elite das ricas regiões mineiras, revoltada com a “derrama”, obrigação de dar um quinto do ouro garimpado à Coroa d’além-mar. Enforcado, esquartejado, com as partes do corpo despedaçado espetadas em postes, a cabeça em Vila Rica, hoje Ouro Preto, foi esquecido no Império e celebrado na República como Protomártir da Independência. Hoje o Estado republicano leva em impostos, no mínimo, 50% mais do que a “derrama” colonial e o martírio dele é lembrado neste tempo nefasto em que, como se diz vulgarmente, “não está fácil pra ninguém” – seja para a nobreza, seja para a plebe.
Os fidalgos contemporâneos são a elevada hierarquia do governo federal e a elite partidária e sindical, que mandam na República com que Joaquim José da Silva Xavier sonhou. A situação de dona Dilma é tão precária que, num rasgo de altruísmo alienado, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), candidato a vice da oposição ao poder petista de mais de 12 anos, condescendeu em deixá-la “sangrar”, como se, neste processo vil, nossa hemorragia não tivesse de desatar antes. “Inocente”, diria compadre Washington. “Nem tanto”, retrucaria o bêbado cético da piada que, à porta da Igreja no ofício fúnebre da Sexta-Feira Santa, resmungou ao ouvir o relato da paixão do Cristo: “Alguma ele fez”.
O desavisado tucano pode até ter razão pelo menos num detalhe: a situação também não está fácil para a “governanta”, que cada vez governa menos, embora isso não queira dizer que não governe mais. Governa, sim! E sua situação é tão aflitiva que não pode ser definida como de “pato manco”, como se diz na América do Norte dos senhores que mantêm o título, mas perdem o poder de fato. Talvez seja o caso de compará-la com o corvo de asa quebrada à janela, da bela e triste canção de amor de Bob Dylan.
A semana que finou antes das honras de praxe ao alferes herói cheirou a incenso de exéquias para os petistas. Ela começou com a entrevista do ex-diretor da empresa holandesa SBM Jonathan David Taylor à Folha de S.Paulo, informando que delatou propinoduto entre sua firma e a Petrobrás em agosto e a Controladoria-Geral da União (CGU) deixou para investigar depois da reeleição de outubro. “Repilo veementemente”, clamou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, repetindo o mantra que agora lembra as juras de inocência de João Vaccari Neto, preso nessa semana fatídica, ecoadas pelo presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Rui Falcão. É como se dissessem: “Fecha-te, Vila Sésamo!”
Sim, há um quê de programa infantil de televisão em nossa chanchada trágica. Por exemplo: enquanto a presidente mentia para se reeleger na campanha oferecendo Shangri-lá ao eleitorado, seu Mágico de Oz, Guido Mantega, lidava com a contabilidade pública, tratada com rigor nas democracias com vergonha, como se fosse um conto sem fadas só de bruxas. Os truques de mágico de circo “tampa de penico” adotaram o nome de um drible desmoralizante no futebol, as “pedaladas” que o craque Robinho, do Santos, deu no desajeitado zagueirão Rogério, do Corinthians, em final de campeonato. O desconcerto contábil deu a segunda grande dor de cabeça da véspera da data consagrada ao herói martirizado: o Tribunal de Contas da União (TCU), incorporando de forma inédita a lógica dos fatos, definiu-o, unanimemente, como “crime”. E não podia ser diferente, pois é crime. E grave!
Só resta conferir se o TCU, além de ouvir o óbvio de Nelson Rodrigues ulular, confirmará seus técnicos. E se o Congresso, a que ele serve, terá súbito e improvável pudor de refutar algo tão simples e óbvio, negando aval às contas do último ano do primeiro mandato de Dilma, incriminando-a.
Se a lógica patente substituir a obscura tradição, os rebelados contra o mandarinato petista que vão às ruas terão razão para confiar que a “gerenta” não chegará ao fim de sua malfadada gestão, pois haverá razões legais, além do mero fato de ela ter-se revelado “incompetenta”. Mas esta é, por enquanto, apenas uma hipótese remota. Impeachment de presidente só pode resultar de um processo de responsabilidade efetiva e comprovada de crime contra os bens e o interesse públicos, com aval, primeiro, da Câmara e, depois, do Senado. Até Marina Silva pulou da rede para lembrar que não basta impedir, é preciso assumir.
A monjinha trotskista contribuiu para o debate político consequente de forma mais racional do que os tucanos que ela apoiou, timidamente, no segundo turno da última eleição. Estes realizam a proeza de ser, a um tempo, omissos e “oportunistas”, como definiu o historiador José Murilo de Carvalho em entrevista ao Estado de domingo 12. Do alto de 51 milhões de votos, Aécio Neves acenou para os manifestantes do apartamento em Ipanema em 15 de março. E em 12 de abril convocou seguidores para um protesto ao qual não foi.
Essa omissão com pretensão a liderar, com dados à mão e ideia nenhuma na cabeça, só não superou em desfaçatez o oportunismo de aderir ao impeachment após pesquisa do Datafolha constatar o apoio de 63% da população à medida. Não estando autorizado por Carvalho a interpretar o que disse com brilho, este escriba desconfia que os oportunistas não se limitam a apreciar o sangramento de Dilma sem lhe ter dado, ao contrário de Brutus em Júlio César, nenhuma punhalada. O problema é que, como registrou neste espaço o tucano Roberto Macedo, economista de escol, o PSDB ainda não apresentou ao eleitorado sequer sua posição sobre os ajustes propostos por Levy.
O desgoverno Dilma não sabe o que fazer e a oposição não conta o que propõe para quando ele acabar: antes de apoiar o impeachment, devia dizer o que fará no dia seguinte.
Jornalista, poeta e escritor
(Publicado na Pag 2ª do Estado de S. Paulo da quarta-feira 22 de abril de 2014)
segunda-feira, 27 de abril de 2015
Peculiaridade extragaláctica | Extragalactic Peculiarity
Esta galáxia leva o nome de ESO 162-17 e está localizada à distância de cerca de 40 milhões de anos-luz, na constelação de Carina. À primeira vista esta imagem parece uma fotografia razoavelmente normal de uma galáxia com manchas de poeira escura brilhantes trechos de jovens estrelas azuis. Entretanto um olhar mais cuidadoso revela várias características peculiares.
Primeiramente, ESO 162-17 é o que se conhece por galáxia peculiar — uma galáxia que passou por interações com suas vizinhas cósmicas, resultando em uma incomum quantidade de poeira e gás, um formato irregular, ou uma estranha composição.
Segundo, em 23 de fevereiro de 2010, astrônomos observaram a supernova conhecida como SN 2010ae situada nesta galáxia. A supernova pertence a uma recém-descoberta classe de supernovas chamada Tipo Iax. Esta classe de objetos está relacionada às mais conhecidas supernovas Tipo-Ia.
As supernovas Tipo Ia ocorrem quando uma anã branca acumula massa suficiente de uma companheira ou, raramente, por meio da colisão com outra anã branca, para desencadear um colapso catastrófico seguido de uma espetacular explosão como supernova. As supernovas Tipo Iax também envolvem uma anã branca como a estrela central, mas nesse caso, pode sobreviver ao evento. As supernovas Tipo Iax são muito mais esmaecidas e raras do que as Tipo Ia, e seus exatos mecanismos ainda são objeto de debates.
As belissimas formas de quatro pontas das estrelas de fundo distribuídas ao redor de ESO 162-17 também chamam a atenção. Este é um efeito óptico introduzido quando a luz que entra sofre difração pelas quatro escoras que apoiam o pequeno espelho secundário do Hubble.
Tradução de Luiz Leitão
This galaxy goes by the name of ESO 162-17 and is located about 40 million light-years away in the constellation of Carina. At first glance this image seems like a fairly standard picture of a galaxy with dark patches of dust and bright patches of young, blue stars. However, a closer look reveals several peculiar features.
Firstly, ESO 162-17 is what is known as a peculiar galaxy — a galaxy that has gone through interactions with its cosmic neighbors, resulting in an unusual amount of dust and gas, an irregular shape, or a strange composition.
Secondly, on February 23, 2010 astronomers observed the supernova known as SN 2010ae nestled within this galaxy. The supernova belongs to a recently discovered class of supernovae called Type Iax supernovae. This class of objects is related to the better known Type-Ia supernovae.
Type Ia supernovae result when a white dwarf accumulates enough mass either from a companion or, rarely, through collision with another white dwarf, to initiate a catastrophic collapse followed by a spectacular explosion as a supernova. Type Iax supernovae also involve a white dwarf as the central star, but in this case it may survive the event. Type Iax supernovae are much fainter and rarer than Type Ia supernovae, and their exact mechanism is still a matter of open debate.
The rather beautiful four-pointed shape of foreground stars distributed around ESO 162-17 also draws the eye. This is an optical effect introduced as the incoming light is diffracted by the four struts that support the Hubble Space Telescope’s small secondary mirror.
domingo, 26 de abril de 2015
Vídeo: Através da sombra da Lua | Through the Shadow of the Moon
Qual seria a sensação de voar através de uma eclipse total do Sol? Em um lugar típico na Terra na trajetória da sombra escura da Lua durante uma eclipse total, um observador veria a Lua cruzar a face do Sol, bloqueando-o completamente por alguns minutos. Uma vista particularmenteclara da escuridão criada na Terra durante a esclipse total solarfoi registrada por um avião voando através da sombra umbral da Lua.
Um segundo de tempo no vídeo de lapso temporal aqui mostrado corresponde a cerca de um minuto em tempo real. A sombra da Lua chega pela direita e sai pela esquerda, tudo enquanto localidades na Terra fora da sombra umbral — distantes mais de 100 quilômetros — permanecem parcialmente iluminadas pelo Sol. Durante a próxima esclipse solar, em meados de setembro, a Lua irá, no máximo, bloquear apenas parte do Sol.
Tradução de Luiz Leitão
What would it look like to fly through a total eclipse of the Sun? On a typical place on Earth in the path of the dark shadow of the Moon during a total eclipse, an observer would see the Moon cross the face of the Sun, completely blocking it for a few minutes. A particularly clear view of the darkness created on Earth during last month's total solar eclipse was captured by an aircraft flying through the Moon's umbral shadow.
One second of time in the featured time-lapse video corresponds to about one minute of real time. The Moon's shadow comes in from the right and leaves on the left, all while locations on Earth outside the umbral shadow -- over 100 kilometers away -- remain partly sunlit. During the next solar eclipse in mid-September, the Moon will, at most, block only part of the Sun.
sábado, 25 de abril de 2015
O aglomerado e região de formação estelar Westerlund 2 | Cluster and Starforming Region Westerlund 2
Localizado à distância de 20.000 anos-luz, na constelação de Carina, o jovem aglomerado e região de formação estelar Westerlund 2 preenche este cenário cósmico. Captada com as câmeras do Hubble em frequência de onda de luz próxima ao infravermelho e luz visível, a deslumbrante imagem é uma comemoração do 25º aniversário de lançamento do Telescópio Espacial Hubble, em 24 de abril de 1990.
A densa concentração de estrelas luminosas e de grande massa do aglomerado tem cerca de 10 anos-luz de diâmetro. A radiação e os fortes ventos vindos dessas grandes e jovens estrelas esculpiram e deram forma ao gás e poeira da região, em pilares de formação estelar que apontam de volta para o aglomerado central.
Os pontos vermelhos ao redor das brilhantes estrelas são as esmaecidas estrelas recém-formadas do aglomerado, ainda em seus casulos natais de gás e poeira. Mas as estrelas azuis mais brilhantes espalhadas pela região não estão, provavelmente, no aglomerado Westerlund 2; em vez disso, situam-se no primeiro plano do campo de visão da imagem do 25º aniversário do Hubble.
Tradução de Luiz Leitão
Located 20,000 light-years away in the constellation Carina, the young cluster and starforming region Westerlund 2 fills this cosmic scene. Captured with Hubble's cameras in near-infrared and visible light, the stunning image is a celebration of the 25th anniversary of the launch of the Hubble Space Telescope on April 24, 1990.
The cluster's dense concentration of luminous, massive stars is about 10 light-years across. Strong winds and radiation from those massive young stars have sculpted and shaped the region's gas and dust, into starforming pillars that point back to the central cluster.
Red dots surrounding the bright stars are the cluster's faint newborn stars, still within their natal gas and dust cocoons. But brighter blue stars scattered around are likely not in the Westerlund 2 cluster and instead lie in the foreground of the Hubble anniversary field of view.
sexta-feira, 24 de abril de 2015
A hora do cidadão comum
Roberto Damatta
Passei a semana acompanhando a CPI da Petrobrás, lendo os jornais mais importantes do Brasil e seguindo pessoalmente as manifestações. Não fui ao Rio, mas fiquei numa Niterói ilhada por obras que, espero, venham a melhorar a minha vida: a vida de um homem comum que durante décadas tem trabalhado no Rio e em todo lugar. Sujeito que subiu em ônibus, tomou barca, lotação e foi do tempo do andar ao de bicicleta e a pé.
Dizer que há uma guerra entre ricos e pobres ou afirmar, como fazem os áulicos da presidenta Dilma, que "o contra" é mais motivador do que o "a favor", é ficar no mais imbecil dos sofismas.
Pois quem é a favor é contra e quem é contra é a favor. De alguém, de alguma causa ou coisa. No caso: o povo manifestou-se contra um governo paralisado por sua mendacidade, mas a favor da punição dos ladrões do mais pornográfico sistema de corrupção jamais montado no Brasil. Um sistema que vem do centro do poder e chega à periferia da sociedade. É claro que as pessoas estão contra o governo Dilma, mas estão a favor daquilo que move todo povo trivial e idiota: a honestidade, a dor de consciência, a vergonha de testemunhar o furto daquilo que faria o progresso e o bem-estar de um Brasil que eles não acham que é atraso ou babaquice amar.
Do mesmo modo, todo rico tem quem seja mais rico e todo pobre conhece alguém mais pobre. Trata-se de uma oposição segmentar como diziam os antigos sociólogos ou, como dizem os mais jovens, é um fractal. Como acontece com a oposição entre a casa e a rua na sociedade e, na política, entre direita e esquerda. Não é preciso pensar muito para descobrir que a casa tem uma rua (e vice-versa) e que cada direita tem a sua esquerda. Ou o velho Trotsky não foi assassinado? Quem o matou foi a direita ou a esquerda do stalinismo?
Quando eu fiz uma pesquisa num bairro periférico de São Paulo com pessoas que se definiam como "pobres", fiquei parvo ao descobrir que todos, rigorosamente todos, se diziam pobres. Assim como os chamados porta-vozes de Dilma que dizem querer um "diálogo" que termine por calar a nossa boca: a boca que foi calada por tanto tempo do cidadão comum. O tal povo que neste movimento histórico, sai das asas dos partidos. Seja porque eles são todos falidos, mentirosos, malandros - máquinas de enricar seus membros; seja porque ninguém atura mais os Lulas, as Dilmas, as Gleises, os Cardozos (com z), os Dirceus (o "Capitão do Time"), os seus mensaleiros jogadores, os Mantegas e as Rosemarys com suas pachorras e bebês.
O homem e a mulher comum cansaram de pagar a conta da bomba de hidrogênio que foi o roubo ordenado, calculado, com um óbvio viés político-ideológico-partidário na maior e mais querida empresa do País.
Ouvir o Sergio Gabrielli na CPI foi uma aula e um insulto. Ouvir novamente as reuniões do supremo ou dos outros tribunais não pode mais ser um outro ato de autoflagelação. Ou mais uma aula de douta malandragem. O povo cansou de testemunhar que o crime compensa quando o roubo é feito por agentes públicos graduados, eleitos para redimir e não sacanear o Brasil. Pois cada oitiva não termina numa lição de justiça, mas numa pedagogia de corrupção. Numa demonstração dos dotes necessários para bem roubar o Brasil: ter cara de pau, cinismo, frieza, ousadia, ausência absoluta de espírito público, de patriotismo e, acima de tudo, de gosto pela malandragem que não dá em nada!
O outro aprendizado tenebroso é o seguinte: para roubar nesta escala e com tanta legitimidade, é preciso ser governo. Quem rouba não é o partido, nem as empresas, nem o papel de deputado, governador, prefeito, senador ou presidente. Quem rouba é a urdidura partidária relacional que mete na cabeça uma utopia ou um ideal revolucionário, o qual vai tirar a sociedade de sua miséria de pessoas comuns que trabalham, casam e fazem filhos misturados, que comem arroz com feijão e adoram carne-seca, samba e cerveja. Aceita a ideologia e implementado o partido como governo, começa a ação de "cuidar" ou revolucionar a sociedade. E já que não se pode acabar com o marcado e a eleição, por que não comprá-los?
A nobreza das utopias - alimentar os famintos, vestir os nus, dar abrigo aos sem-teto - são as palavras mágicas dessa cosmologia política pervertida segundo a qual o governo, sabendo tudo e tudo possuindo, sabe mais e melhor do que a sociedade.
Mas eis que, depois de uma década no poder, nada disso ocorre, exceto a utopia de enricar sem fazer nada - apenas governando e politicando: vendo onde, quando e quanto se pode tirar sem dolo, culpa ou remorso, porque o dinheiro era do lucro e o lucro, como na Idade Média, é roubo e pecado. E quem rouba o ladrão tem mil anos de perdão...
Assustam, neste glorioso 15 de março, essas manifestações não encarnadas pelo falso vermelho, e marcadas pelo verde e amarelo. O verde esperança e o ouro sem mácula que pinta o coração de milhares de brasileiros. Esses cidadãos comuns. Essa gente miúda. Esse povinho sem ideologia ou utopia, mas com a moralidade, apesar de tudo, intacta!
Marcadores:
artigo,
CORRUPÇÃO,
politica brasil
Tripla conjunção lunar em Júpiter | Jupiter Triple-Moon Conjunction
Júpiter, o planeta gigante de nosso sistema solar e 3 de suas 4 grandes luas Galileanas são mostrados nesta foto de banda única do Hubble, em 24 de janeiro. Cruzando diante dos topos de faixas de nuvens de Júpiter, Europa, Calisto e Io são mostradas da parte inferior esquerda até a superior direita, numa rara tripla conjunção de luas.
Distinguíveis somente pelas cores, a gelada Europa é quase branca, a antiga superfície de crateras de Calisto tem aparência marrom escuro, e a vulcânica Io aparece amarelada. A luas transitantes e as sombras lunares podem ser identificadas passando o cursor sobre a imagem, ou seguindo este Link.
Notavelmente, duas pequenas luas jovianas internas, Amaltéa e Tebe, juntamente com suas sombras, também podem ser encontradas nesta nítida imagem do Hubble. As luas Galileanas têm diâmetros de 3.000 a 5.000 quilômetros, mais ou menos, comparáveis à Lua da Terra em tamanho. Mas Amaltéa, de formato estranho, e Tebe, têm apenas cerca de 260 e 100 quilômetros de diâmetros, respectivamente.
Tradução de Luiz Leitão
Our solar system's ruling giant planet Jupiter and 3 of its 4 large Galilean moons are captured in this single Hubble snapshot from January 24. Crossing in front of Jupiter's banded cloud tops Europa, Callisto, and Io are framed from lower left to upper right in a rare triple-moon conjunction.
Distinguishable by colors alone icy Europa is almost white, Callisto's ancient cratered surface looks dark brown, and volcanic Io appears yellowish. The transiting moons and moon shadows can be identified by sliding your cursor over the image, or following this Link .
Remarkably, two small, inner Jovian moons, Amalthea and Thebe, along with their shadows, can also be found in the sharp Hubble view. The Galilean moons have diameters of 3,000 to 5,000 kilometers or so, comparable in size to Earth's moon. But odd-shaped Amalthea and Thebe are only about 260 and 100 kilometers across respectively.
quarta-feira, 22 de abril de 2015
O Telescópio Horizonte de Eventos (EHT)
Um telescópio do tamanho da Terra irá permitir aos astrônomos ver o buraco negro existente no centro da Via Láctea.
Cientistas por todo o globo estão atualmente conectando telescopes por todo o planeta para formar o Event Horizon Telescope — EHT (Telescópio Horizonte de Eventos), que será o primeiro instrumento a obter fotos detalhadas de um buraco negro.
Embora o buraco negro da Via Láctea, chamado Sagittarius A* (pronuncia-se ‘Estrela Sagitário A’), tenha uma massa quatro milhões de vezes maior que a do Sol, é minúsculo aos olhos dos astrônomos.
É o equivalente a estar em Nova York e ler a data em uma moeda na Alemanha, ou alguém, da Terra, enxergar uma toranja na Lua.
Mas, se a iniciativa tiver êxito, irá provar, pela primeira vez, que buracos negros não têm ‘ horizontes de eventos’ – Uma fronteira da qual nada consegue escapar, nem mesmo a luz.
"Os objetivos do EHT são testar a teoria geral da relatividade de Einstein, entender como buracos negros comem e geram fluxos relativísticos para o exterior, e provar a existência do horizonte de eventos, ou 'borda,' de um buraco negro," diz Dan Marrone.
Nesta semana, o Telescópio do Polo Sul conectou-se com o Atacama Pathfinder Experiment, o Large Millimeter Telescope no México, o Submillimeter Telescope no Arizona, o Combined Array for Research in Millimeter-wave Astronomy na Califórnia, o Submillimeter Array e o James Clerk Maxwell Telescope no Havaí, e os telescópios Institute for Radio Astronomy Millimetrique (IRAM) na Espanha e França.
“Para fazer isso funcionar, temos de levar tecnologia de ponta a alguns dos mais remotos pontos da Terra”, diz Alan Roym, do Instututo Max Planck de Radioastronomia.
“É um desafio logístico incluir um número crescente de telescópios do Havaí à Europa, da América do Norte ao Chile, e ao Polo Sul, para nos fornecer imagens de muito melhor qualidade e nitidez.”
Com sua resolução sem precedentes, mais de 1.000 vezes superior à do Hubble, o EHT deverá poder ver o gás rodopiando em seu mergulho final sobre o horizonte de eventos, para jamais retomar contato com o restante do universo.
Se a teoria da relatividade geral estiver correta, o buraco negro propriamente dito será invisível porque nem mesmo a luz pode escapar de sua imensa atração gravitacional. Entretanto, ainda assim, ele poderá ser visto como um silhueta escura.
Postulada pela primeira vez pela Teoria Geral da Relatividade de Albert Einstein, a existência dos buracos negros é, desde então, embasada por décadas de observações astronômicas.
Acredita-se agora que a maioria das galáxias, se não todas, abriguem um buraco negro supermassivo em seus centros, e outros, menores, formados a partir de estrelas em colapso, devem estar espalhados por entre suas estrelas.
Sabe-se que a Via Láctea abriga cerca de 25 pequenos buracos negros, variando entre cinco e dez vezes a massa do Sol. mas ninguém até hoje viu um desses de perto.
O acréscimo do Telescópio do Polo Sul aprimora os experimentos anuais do EHT, que combinam telescópios por todo o mundo. Vários novos telescópios estão sendo preparados para juntar-se ao EHT no próximo ano.
No coração do aglomerado de Virgem | In the Heart of the Virgo Cluster
O aglomerado galáctico de Virgem é o mais próximoda Via Láctea. Está tão próximo que ocupa mais de 5 graus no céu — cerca de 10 vezes o ângulo descrito por uma Lua cheia.
Com seu coração situado à distância de uns 70 milhões de anos-luz, o aglomerado de Virgem é o mais próximo, contendo mais de 2.000 galáxias, além de exercer uma notável atração gravitacional sobre as galáxias do Grupo Local de Galáxias que circunda a Via Láctea.
O aglomerado contém não só galáxias cheias de estrelas, mas também gás tão quente que brilha em raios X. Os movimentos de galáxias para dentro e ao redor de aglomerados indica que elas podem conter mais matéria escura do que a matéria visível que podemos observar.
Na foto acima, o coração do aglomerado de Virgem inclui brilhantes galáxias de Messier, como Os Olhos de Markarian, no alto, à esquerda, M86, logo à direita e ao acima do centro, M84, à extrema direita, e também a galáxia espiral NGC 4388 , embaixo, à direita.
Tradução de Luiz Leitão
The Virgo Cluster of Galaxies is the closest cluster of galaxies to our Milky Way Galaxy. The Virgo Cluster is so close that it spans more than 5 degrees on the sky - about 10 times the angle made by a full Moon.
With its heart lying about 70 million light years distant, the Virgo Cluster is the nearest cluster of galaxies, contains over 2,000 galaxies, and has a noticeable gravitational pull on the galaxies of the Local Group of Galaxies surrounding our Milky Way Galaxy.
The cluster contains not only galaxies filled with stars but also gas so hot it glows in X-rays. Motions of galaxies in and around clusters indicate that they contain more dark matter than any visible matter we can see.
Pictured above, the heart of the Virgo Cluster includes bright Messier galaxies such as Markarian's Eyes on the upper left, M86 just to the upper right of center, M84 on the far right, as well as spiral galaxy NGC 4388 at the bottom right.
terça-feira, 21 de abril de 2015
Sentinelas do Ártico | Sentinels of the Arctic
Quem guarda o Norte? A julgar pela foto acima, possivelmente gigantescas árvores cobertas de neve e gelo. A imagem aqui mostrada foi registrada algumas semanas atrás, na Lapônia Finlandesa, onde o clima pode apresentar temperaturas muito baixas e neve.
Disso resultam paisagens surreais, nas quais árvores comuns tornam-se cobertas de branco, parecendo para alguns alienígenas em alerta.
Ao longe, atrás desta incomum vista terrestre, há uma vista mais comum — aum Cinturão de Vênus que dividia um céu entre escuro e ensolarado quando o Sol se erguia atrás do fotógrafo. Evidentemente, na primavera, as árvores se degelam e a Lapônia assume um visual muito diferente.
Tradução de Luiz Leitão
Who guards the north? Judging from the above photograph, possibly giant trees covered in snow and ice. The featured picture was taken a few winters ago in Finnish Lapland where weather can include sub-freezing temperatures and driving snow.
Surreal landscapes sometimes result, where common trees become cloaked in white and so appear, to some, as watchful aliens.
Far in the distance, behind this uncommon Earthly vista, is a more common sight — a Belt of Venus that divided a darkened from sunlit sky as the Sun rose behind the photographer. Of course, in the spring, the trees thaw and Lapland looks much different.
domingo, 19 de abril de 2015
É possível haver civilizações avançadas em 50 galáxias | Advanced alien civilizations possible in 50 galaxies
É possível haver formas de vida alienígenas avançadas em 50 galáxias, disseram astrônomos, após descobrirem que elas estão emitindo niveis de radiação incomumente altos. Advanced alien life is possible in 50 galaxies, astronomers have said, after finding they are emitting unusually high levels of radiation.
Uma equipe de cientistas da Universidade Penn State, nos EUA, vem estudando observações feitas através do observatório orbital WISE da NASA, à procura de traços da enorme energia produzida por tecnologias de sofisticadas raças extraterrestres.
Assim como a Terra envia luz e calor ao espaço, pesquisadores dizem que algo similar deve ser emitido por outras civilizações avançadas.
E, após vasculhar 100.000 galáxias, eles encontraram 50 que são promissoras.
"Nós encontramos cerca de 50 galáxias que apresentam níveis incomumente altos de radiação infravermelha intermediária,”disse Roger Griffith, pesquisador da Penn State e principal autor do artigo.
“Nossos estudos de acompanhamento daquelas galáxias podem revelar se a origem de sua radiação resulta de processos astronômicos naturais, ou se poderia indicar a presença de uma civilização altamente avançada."
O físico teórico Freeman Dyson propôs, no anos 1960, que civilizações alienígenas avançadas para além da Terra poderiam ser detectadas pelas provas reveladoras de suas emissões em infravermelho intermediário.
Foi somente após o surgimento de telescópios baseados no espaço, como o satélite WISE, que tornou-se possível realizar medições sensíveis dessa radiação emitida por objetos no espaço.
"A ideia que norteia nossa pesquisa é a de que, se uma galáxia inteira tivesse sido colonizada por uma avançada civilização exploradora do espaço, ae energia produzida pelas suas tecnologias seria detectável em comprimentos de onda infravermelho intermediário — exatamente a radiação para a qual o satélite WISE foi projetado para detectar para outros fins astronômicos," disse o Dr Jason Wright, professor assistente de astronomia e astrofísica do Centro de Exoplanetas e Mundos Habitáveis, da Universidade Penn State, que concebeu e iniciou a pesquisa.
"Se uma civilização avançada que viaja pelo espaço usa as grandes quantidades de energia das estrelas de sua galáxia para alimentar computadores, voos espaciais, comunicações, ou algo que nem podemos imaginar ainda, a termodinãmica fundamental nos diz que essa energia tem de ser irradiada na forma de calor em comprimentos de infravermelho intermediário.
"Essa mesma física básica faz com que seu computador irradie calor quando está ligado.
"Ao olharmos mais atentamente a luz vinda dessas galáxias," disse Wright, "devemos poder direcionar nossa sensibilidade em relação à tecnologia alienígena para níveis muito mais baixos, e poder distinguir melhor o calor resultante de fontes astronômicas naturais do calor produzido por tecnologias avançadas. Esse estudo piloto é apenas o começo."
A equipe também descobriu novos fenômenos em nossa galáxia, a Via Láctea.
Entre as descobertas estão uma brilhante nebulosa ao redor da estrela próxima 48 Librae e um aglomerado de objetos facilmente detectados pelo WISE em um trecho de céu que parece totalmente negro quando visto com telescópios que só detectam luz visível.
"Esse aglomerado é, provavelmente, um grupo de estrelas muito jovens fromando-se no interior de uma nuvem molecular anteriormente desconhecida, e a nebulosa 48 Librae aparentemente se deve a uma enorme nuvem de poeira ao redor da estrela, porém ambos devem ser objeto de muitos e mais cuidadosos estudos," disse Matthew Povich, professor assistente da Cal Poly Pomona.
O primeiro artigo da equipe de pesquisas sobre sua Pesquisa Observação do Calor de Tecnologias Alienígenas (G-HAT) foi publicado na revista Astrophysical Journal Supplement Series.
Tradução de Luiz Leitão
Tradução de Luiz Leitão
A team of scientists at Penn State Universityin the US, has been studying observations from Nasa’s WISE orbiting observatory looking for traces of the huge energy produced by technologies from sophisticated extra-terrestrial races.
Just as Earth sends heat and light into space, researchers say a similar signature should be emitted by other advanced civilizations.
And after scouring 100,000 galaxies they have come across 50 which hold promise.
"We found about 50 galaxies that have unusually high levels of mid-infrared radiation,” said Roger Griffith, a researcher at Penn State and the lead author of the paper
“Our follow-up studies of those galaxies may reveal if the origin of their radiation results from natural astronomical processes, or if it could indicate the presence of a highly advanced civilization."
Theoretical physicist Freeman Dyson proposed in the 1960s that advanced alien civilizations beyond Earth could be detected by the telltale evidence of their mid-infrared emissions.
It was not until space-based telescopes like the WISE satellite that it became possible to make sensitive measurements of this radiation emitted by objects in space.
"The idea behind our research is that, if an entire galaxy had been colonized by an advanced spacefaring civilization, the energy produced by that civilization's technologies would be detectable in mid-infrared wavelengths -- exactly the radiation that the WISE satellite was designed to detect for other astronomical purposes," said Dr Jason Wright, an assistant professor of astronomy and astrophysics at the Center for Exoplanets and Habitable Worlds at Penn State University, who conceived of and initiated the research.
"Whether an advanced spacefaring civilization uses the large amounts of energy from its galaxy's stars to power computers, space flight, communication, or something we can't yet imagine, fundamental thermodynamics tells us that this energy must be radiated away as heat in the mid-infrared wavelengths.
"This same basic physics causes your computer to radiate heat while it is turned on.
"As we look more carefully at the light from these galaxies," said Wright, "we should be able to push our sensitivity to alien technology down to much lower levels, and to better distinguish heat resulting from natural astronomical sources from heat produced by advanced technologies. This pilot study is just the beginning."
A false-color image of the mid-infrared emission from the Great Galaxy in Andromeda, as seen by Nasa's WISE space telescope. The orange color represents emission from the heat of stars forming in the galaxy's spiral arms
The team also found new phenomenon in our own galaxy, The Milky Way.
Among the discoveries are a bright nebula around the nearby star 48 Librae, and a cluster of objects easily detected by WISE in a patch of sky that appears totally black when viewed with telescopes that detect only visible light.
"This cluster is probably a group of very young stars forming inside a previously undiscovered molecular cloud, and the 48 Librae nebula apparently is due to a huge cloud of dust around the star, but both deserve much more careful study," Matthew Povich, an assistant professor of astronomy at Cal Poly Pomona said.
The research team's first paper about its Glimpsing Heat from Alien Technologies Survey (G-HAT), is published in the Astrophysical Journal Supplement Series
A galáxia anelar AM 0644-74 | Ring Galaxy AM 0644-741
Como poderia uma galáxia ter assumido o formato de um anel? A borda da galáxia azul que aparece à direita é uma imensa estrutura semelhante a um anel com um diãmetro de 150.000 anos-luz, composta de grandes e muito brilhantes estrelas recém-formadas.
Esta galáxia, AM 0644-741, é conhecida como galáxia de anel e foi formada por uma imensa colisão galáctica. Quando galáxias colidem, passam através umas das outras — mas suas estrelas individualmente raramente entram em contato umas com as outras.
O formato semelhante ao de um anel é resultante da ruptura gravitacional causada por uma pequena galáxia intrusa passando inteira através de outra, grande. Quando isso ocorre, o gás e poeira interestelares tornam-se condensados, fazendo com que uma onda de formação estelar se movimente para fora do ponto de impacto, como uma onda através da superfície de um lago.
A galáxia intrusa está imediatamente fora do quadro da imagem obtida pelo Hubble. Esta imagem foi registrada para a comemoração do aniversário do lançamento do Hubble, em 1990. A galáxia anelar AM 0644-741 situa-se à distância de, aproximadamente, 300 milhões de anos-luz.
Tradução de Luiz Leitão
How could a galaxy become shaped like a ring? The rim of the blue galaxy pictured on the right is an immense ring-like structure 150,000 light years in diameter composed of newly formed, extremely bright, massive stars.
That galaxy, AM 0644-741, is known as a ring galaxy and was caused by an immense galaxy collision. When galaxies collide, they pass through each other -- their individual stars rarely come into contact.
The ring-like shape is the result of the gravitational disruption caused by an entire small intruder galaxy passing through a large one. When this happens, interstellar gas and dust become condensed, causing a wave of star formation to move out from the impact point like a ripple across the surface of a pond.
The intruder galaxy is just outside of the frame taken by the Hubble Space Telescope. This featured image was taken to commemorate the anniversary of Hubble's launch in 1990. Ring galaxy AM 0644-741 lies about 300 million light years away.
Sem dias: velhice e crise moral
Roberto Damatta
Dilma completa cem dias de governo e entre malandragens e trapalhadas, os amigos dizem que eu - com 78 anos! - não sou velho!
Mas como quem sabe de mim sou eu; ele, o meu eu (ou pelo menos um dos seus múltiplos sujeitos), me afirma e confirma a velhice. Como? Pela impossibilidade de descer a escada do meu escritório-biblioteca-fábrica de estrume sem segurar no corrimão. Meu equilíbrio, o qual, nos meus jovens 60 anos, me permitia lidar com três objetos ao mesmo tempo, tal como os artistas de circo ou os pugilistas de filmes pornográficos, sumiu pelos neurônios do meu cérebro.
Afora essa e outras impossibilidades impublicáveis numa crônica, chega à minha mente (uma entidade muito mais complexa que o meu mero cérebro) um total desânimo e, confesso, um intenso desejo de sair do palco. Não de morrer, propriamente, com todos os ritos e rezas (que espero não ter), mas de ficar no meu canto, porque eu olho pra rua e só vejo ruína, desespero, incompetência, descaso, insulto, mentira, malandragem e desonra.
Uma das sensações mais claras do fim de uma existência é descobrir que o drama no qual você entrou como um ator não convidado - pois ninguém escolhe onde vai nascer ou se deseja nascer - não funciona porque a companhia teatral, o diretor, o contrarregra, o produtor, o ator principal, e parte da plateia estão liquidando com a peça - no caso, com o Brasil. O Brasil que eu pensava que ia deixar de ser um ninho de ratos para ser um lugar razoável para se viver. Essa sensação de estranhamento e de desentendimento com o mundo, é um sintoma claro de que não há mais nada a representar ou, pior que isso, de estar fazendo o papel de idiota ou, como dizem alguns ex-amigos, de reacionário.
De agente da anti-história, que, infantilmente, ainda fica indignado com a ladroagem, quando não entende que o projeto político em curso é comprar com o dinheiro roubado da sociedade a tal "democracia popular"; é o de transformar o Brasil num paraíso socialista moreno como dizia, apesar de todos os pesares, um nobre pensador como Darcy Ribeiro. (Aliás, permitam-me uma pausa: o que diria ele se estivesse testemunhando essa fieira de vergonhas relativas ao que se chama vulgarmente de "governo" transformado, nessa última década, numa quadrilha cujo objetivo é assaltar o povo trabalhador do Brasil. Fim da pausa.) É claro que, ao lado desse projeto social-popular, alguns viram duques, mas isso faz parte do jogo e do "realismo" implacável da política brasileira.
Outro sintoma é acordar em meio às trevas, quando todos são virtualmente mortos, roncando serenamente para vagar como alma penada, justamente porque a alma não sabe mais onde está. Sabe, contudo, e com a certeza mais absoluta, que não pode mais ficar em plena sintonia com o corpo: esse corpo brasileiro sujeito a um Brasil que derrete pela crise moral que o desmorona por todos os lados.
Sou de uma geração caracterizada por uma mudança cosmológica. Para nós, "esquerdistas", o futuro não seria mais comandado pela religião e pelas compensações do outro mundo, mas pela política, a qual transformaria (por bem ou por mal) esse mundo. Queríamos o paraíso agora, como me ensinou um jovem Richard Moneygrand de olhos muitos azuis numa Harvard banhada de intensa luminosidade.
O sonho permanece, como todas as ilusões - nem o velho Freud viveu sem elas. A questão é descobrir que depois dos males do império, da escravidão, da velha república reformada em Estado Novo -, enfim do domínio da "direita entreguista e reacionária", tudo continua no mesmo lugar, agora sob o sol amarelo da "esquerda" petista. Essa esquerda que rejeitaria os sindicatos, que "não roubava nem deixava roubar", mas que - no poder - emasculou-se justamente pelo saque aberto da coisa pública, em nome de um republicanismo pervertido.
O centro da crise moral que conduz à morte dos valores que nos tornam humanos e nos salvam, justamente porque demandam tudo de cada um de nós naquilo que se chama de crença, honradez, fidelidade, trabalho e esperança, jaz justamente na depravação de que a nossa história não dependeria de nós. Ela, como os elevadores, seria determinada por dispositivos automáticos. Hoje, com os olhos arregalados, descobrimos que não está. Não pode ser entregue a um só ator como um Lula ou uma Dilma e seus comparsas. Tem que ser de todos nós.
A crise moral que atinge todas as esferas do nosso sistema, exceto o da aristocratização sistemática, a qual conduz à impunidade e a garantias que roubar do povo é um belo projeto de vida, consolidou-se e está sendo revelada justamente porque um grupo de procuradores e juízes tem firmemente atuado em conjunto com a polícia federal.
Só isso - e uma mudança radical do nosso sistema jurídico-político-teológico - pode nos salvar na nossa indiferença, da nossa insanidade pública e da nossa perversidade. Os ratos não estão só no navio, estão - valha-nos Deus! - em todo lugar!
Marcadores:
artigo,
CORRUPÇÃO,
politica brasil
Assinar:
Comentários (Atom)












