Se suas origens forem confirmadas, o asteroide ou cometa, denominado A/2017 U1, será o primeiro objeto proveniente de outro lugar na galáxia de que se tem noticia, dizem os astronomos
Um misterioso objeto detectado zunindo pelo Sol pode ser a primeira rocha espacial oriunda de outro sistema solar, segundo os astronomos que o rastreiam.
Embora outros objetos tenham sido previamente aventados como sendo de origem interestelar, especialistas dizem que esta ultima descoberta, um objeto que se calcula ter menos de 400 metros de diametro, é o melhor candidato até agora.
“O detalhe emocionante no caso deste, é que ele pode ser essencialmente um visitante de outro sistema estelar,”disse o Dr. Edward Bloomer, astronomo do Royal Observatory de Greenwich.
Se sua origem for de fato fora do sistema solar, esta será a primeira rocha espacial a vir de algum outro lugar da galáxia.
Publicadas nas minor planet electronic circulars pelo Minor Planet Center do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofisica, as observações revelam que o objeto está em uma forte órbita hiperbolica – em outras palavras, está em movimento acelerado para escapar da atração gravitacional do Sol.
Objetos originários do nosso sistema solar, e em óbitas de longo periodo no interior dele, podem acabar em uma trajetoria hiperbolica, e ser ejetados para o espaço interestelar – por exemplo, se passarem perto de um planeta gigante, já que a gravidade do planeta pode fazer os objetos acelerar. Mas o Dr Gareth Williams, diretor associado do Minor Planet Center, disse não ser o caso do astro recém-descoberto.
“Quando traçamos a orbita para este [objeto] de volta no tempo, eka permanece hiperbolica por todo o trajeto fora – não há grandes aproximações de qualquer dos planetas gigantes que poderiam ter dado um empurrão a essa coisa,” disse. “Se seguirmos a orbita para o futuro, ela permanece hiperbolica,” acrescentou Williams. “Portanto, ele está vindo do espaço interestelar, e está indo para o espaço interestelar.”
“Se observações posteriores confirmarem a incomum natureza desta orbita, este objeto poderá ser o primeiro caso evidente de um cometa interstelar,” observa o relatorio. Um segundo relatorio, publicado no mesmo dia, redesignou o objeto como um asteroide por conta de uma nova análise de sua aparencia, dando-lhe a denominação A/2017 U1.
Conforme observações feitas por astronomos, o objeto entrou em nosso sistema solar por cima, passando bem por dentro da orbita de Mercurio e viajando sob o Sol, antes de virar e rumar de volta atraves do plano do sistema solar em direção às estrelas além. Em seu ponto mais proximo, em 9 de setembro, o objeto estava a 23,4 milhões de milhas do Sol.
Visto pela primeira vez no começo deste mes por um telescopio em um observatorio no Havaí, astronomos por todo o mundo estão agora acompanhando a trajetoria do objeto. Entre eles está o professor Alan Fitzsimmons, da Queen’s University, em Belfast, Irlanda do Norte.
“É praticamente certo que estamos lidando com nosso primeiro visitante alienigena realmente identificado,” disse. Fitzsimmons aacrescentou que sua equipe está atualmente trabalhando na medição da posição do objeto para aprimorar os calculos da sua trajetoria, e para reunir informações a respeito de sua composição quimica e tamanho.
Os primeiros resultados, disse, sugerem que o objeto poderia ter composição similar à de muitos do Cinturão de Kuiper – uma região além de Netuno no sistema solar que contém uma miriade de pequenos corpos celestes.
Bloomer diz que não devemos ficar muito surpresos se de fato revelar-se como proveniente de algum outro lugar da galaxia.
“Além dos planetas e depois do Cinturão de Kuiper, nós acreditamos haver uma região chamada Nuvem de Oort, que pode abrigar uma quantidade impressionante de corpos de gelo,” disse.
“ Modelos em computadores sugeriram que perturbações na Nuvem de Oort de fato enviam coisas em direção ao interior do sistema solar, mas também enviariam coisas para fora – portanto, podemos estar atirando corpos de gelo em direção a outros sistemas estelares.”
Se for assim, disse Bloomer, não ha motivos para se suspeitar que perturbações em em outros sistemas estelares, como resultado de interações gravitacionais ou outros processos, também não atirariam materia para fora. “Apenas estatisticamente, alguns deles chegarão até nós,” acrescentou.
Williams notou que objetos tambem poderiam ser atirados para fora da região interna de outros sistemas solares como resultado de interações gravitacionais com planetas gigantes, projetando-os no espaço interstelar.
E Fitzsimmons acrescentou que havia outra possibilidade – a de que o objeto tivesse sido atirado para fora durante o periodo de formação dos planetas de outro sistema solar.
“Nos sabemos agora que muitas estrelas, provavelmente a maioria delas em nossa galaxia, tem planetas ao redor delas, e sabemos pelo estudo dessas estrelas, mas também especialmente pelo estudo do sistema solar, que a formação de planetas é um processo bastante confuso,” disse.
Com grandes quantidades de materiais atirados em nosso espaço interestelar, disse Fitzsimmons, era de se esperar que houvesse objetos viajando por entre as estrelas.
“Este objeto em si pode ter estado entre as estrelas durante milhões ou bilhões de anos antes de o identificarmos quando entrou no sistema solar,” disse.
Mas, notou ele, ainda há misterios, especialmente que os corpos do cinturão de Kuiper, que se acredita serem de gelo, formariam uma atmosfera e uma cauda se chegassem perto do Sol.
“Não há provas de que esse objeto tenha se comportado daquela forma; tudo o que nossos dados revelam é um ponto de luz indeterminado, indicando tratar-se mais de um asteroide rochoso do que de um cometa de gelo,” disse. “Há misterios a resolver aqui.”
Tradução de Luiz M. Leitão da Cunha
If its origins are confirmed, the asteroid or comet, named A/2017 U1, will be the first object known to come from elsewhere in the galaxy, say astronomers
A mysterious object detected hurtling past our sun could be the first space rock traced back to a different solar system, according to astronomers tracking the body.
While other objects have previously been mooted as having interstellar origins, experts say the latest find, an object estimated to be less than 400m in diameter, is the best contender yet.
“The exciting thing about this is that this may be essentially a visitor from another star system,” said Dr Edward Bloomer, astronomer at the Royal Observatory Greenwich.
If its origins are confirmed as lying beyond our solar system, it will be the first space rock known to come from elsewhere in the galaxy.
Published in the minor planet electronic circulars by the Minor Planet Center at the Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, the observations reveal that the object is in a strong hyperbolic orbit – in other words, it is going fast enough to escape the gravitational pull of the sun.
Objects originating from, and on long-period orbits within, our solar system can end up on a hyperbolic trajectory, and be ejected into interstellar space – for example if they swing close by a giant planet, since the planet’s gravity can cause objects to accelerate. But Dr Gareth Williams, associate director of the Minor Planet Center, said that wasn’t the case for the newly discovered body.
“When we run the orbit for this [object] back in time, it stays hyperbolic all the way out – there are no close approaches to any of the giant planets that could have given this thing a kick,” he said. “If we follow the orbit out into the future, it stays hyperbolic,” Williams added. “So it is coming from interstellar space and it is going to interstellar space.”
“If further observations confirm the unusual nature of this orbit, this object may be the first clear case of an interstellar comet,” the report notes. A second report, published later the same day, redesignated the object as an asteroid on account of new analysis of its appearance, giving it the handle A/2017 U1.
According to observations made by astronomers, the object entered our solar system from above, passing just inside Mercury’s orbit and travelling below the sun, before turning and heading back up through the plane of the solar system towards the stars beyond. At its closest, on 9 September, the object was 23.4m miles from the sun.
First spotted earlier this month by a telescope at an observatory in Hawaii, astronomers around the world are now following the path of the object. Among them is Professor Alan Fitzsimmons from Queen’s University Belfast.
“It is fairly certain we are dealing with our first truly identified alien visitor,” he said. Fitzsimmons added that his team is currently working on measuring the objects’ position better to improve calculations of its trajectory, and to gather information relating to its chemical makeup, and size.
Early results, he said, suggest that the object might be similar in make-up to many of those of the Kuiper belt – a region past Neptune in our solar system that contains myriad small bodies.
Bloomer says we should not be too surprised if it does indeed turn out to have come from elsewhere in the galaxy.
“Beyond the planets and past the Kuiper belt we think there is a region called the Oort cloud, which may be home to an astonishing number of icy bodies,” he said.
“Computer models have suggested that disturbances to the Oort cloud do send some stuff in towards the inner solar system, but it would also send stuff outwards as well – so we might be throwing out icy bodies to other star systems.”
If so, Bloomer said, there is no reason to suspect that disturbances to other star systems, as a result of gravitational interactions or other processes, wouldn’t throw material out too. “Just statistically, some of them are going to reach us,” he added.
Williams noted that objects could also be thrown out from the inner region of other solar systems as a result of gravitational interactions with giant planets, casting them into interstellar space.
And Fitzsimmons added that there was another possibility – that the object had been thrown out during the planet-forming period of another solar system.
“We know now that many stars, probably the majority of stars in our galaxy, have planets going around them, and we know from studying those stars but also primarily from studying our own solar system, that planet building is a very messy process,” he said.
With large quantities of material thrown out into interstellar space, said Fitzsimmons, is was expected that there would be objects travelling between the stars.
“This object itself could have been between the stars for millions or billions of years before we spotted it as it plunged into our solar system,” he said.
But, he noted, puzzles remain, not least that Kuiper belt bodies, which are believed to be icy, would give rise to an atmosphere and tail if brought close to the sun.
“There is no evidence that this object has behaved like that, all our data show it as an unresolved point of light, implying it is more like a rocky asteroid than an icy comet,” he said. “There are mysteries to be solved here.”


Nenhum comentário:
Postar um comentário