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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Um professor muito exigente


Estou relendo o excelente Manual de Redação e Estilo do jornal O Estado de São Paulo, um livro destinado não só a profissionais de imprensa, mas também a qualquer um que gosta da língua portuguesa o suficiente para buscar incessantemente o aperfeiçoamento do seu domínio do idioma.

O manual foi escrito por Eduardo Martins, que faleceu em 2008, se não me engano. Martins era um profissional muito exigente, crítico feroz das redundâncias, do mau gosto e do lugar-comum na construção de frases.

Ele chegava a ser implicante com determinados vícios de linguagem, mas é bom que o tenha sido. Não é fácil escrever em português com graça e estilo sem escorregar em alguns dos erros que ele aponta no livro, e por isso mesmo é que se deve reler a obra de tempos em tempos. Afinal, é forte e até natural a tendência a copiar, inconscientemente, os erros repetidos incessantemente pela imprensa e a mídia em geral.

Das normas de regência à grafia correta de nomes de lugares, cidades e pessoas, o Manual de Redação e Estilo não é um livro longo; aliás, de certa forma, é como um dicionário: pode ser consultado na medida da necessidade - com a vantagem de poder ser lido como um livro outro qualquer.

Eduardo Martins não era professor, mas, se o tivesse sido, eu gostaria de ter sido seu aluno. O que, de certa forma, lendo o manual, acabo me tornando.

Ele escreveu outros livros destinados aos amantes da arte da escrita, como os "300 erros mais comuns da língua portuguesa", e "O português simplificado", entre outros. O próprio Manual traz os cem erros mais comuns da língua portuguesa.

Gosto de outros bons autores de livros que ensinam a escrever bem, entre eles o professor Pasquale, que tem uma coluna no jornal a Folha de São Paulo, Dad Squarisi e Arlete Salvador, que escreveram juntas o ótimo, leve e bem-humorado "Escrever melhor".

Mas a homenagem, faço-a aqui especialmente a Eduardo, que aparece na foto com seu livro "O uso do hífen", que ficou desatualizado depois da maldita e inútil reforma ortográfica, apelidada de "acordo ortográfico"

E concluo observando que escrever bem está ao alcance de todos, mas exige aperfeiçoamento constante e exercer "eterna vigilância" sobre os vícios de linguagem, os modismos, as construções desgastadas. Ah, sim, e cuidado especialmente com o hífen, uma armadilha potencial, na qual caio com alguma frequência.

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