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segunda-feira, 22 de junho de 2009

O tempo e o pragmatismo

Eu tenho pena de José Sarney, um cara que caiu de paraquedas na Presidência da República do Brasil, jogou o País numa tremenda recessão, levou a inflação a alturas nunca dantes imaginadas, aliou-se a todos os governos, deles tirando o quanto pôde, está com 80 anos, e da vida não aprendeu nada, espiritualmente falando.
Não evoluiu um milímetro. Teve todas as chances de transformar o Brasil num País moderno, politicamente maduro, hígido, mas fêz o pior que pôde. Nomeou diretor do senado um datilógrafo, quando tal profissão ainda existia; hoje, charmar-se-ia digitador. Fê-lo seu preposto e governou, por três vezes, a Casa como a da Mãe Joana. Criticado, veste o figurino de vítima. Dissimulado, fala em mudanças, sindicâncias, apurações. A questão é que o caso no Senado é de polícia. De polícia mesmo!
José Sarney não mudou, apesar das chances que o seu longo tempo vida até aqui lhe deram. Pois e ele é o mesmo, e Lula ontem o chamava de ladrão, com todas as letras, estava sendo sincero ou leviano, ou mentiroso. Hoje, Lula alça Sarney à categoria de semidivindade, acima das leis (que é o mesmo que fora-da-lei) que sujeitam os demais cidadãos. Segundo Lula, Sarney não é, nunca foi, um ladrão, como ele dissera lá atrás, vinte anos passados. Lula, estendeu a Sarney a inimputabilidade que criou para si mesmo.
Pois se Sarney é digno de pena pela inabilidade em conduzir o País ou devido à heterodoxia de sua forma de fazer política, Lula é figura ainda mais deploarável e pobre de espírito. Não por seus conservadorismo e pragmatismo, apenas, mas pela má didática, pela crueldade cívica com que abona as malfeitorias de seus asseclas. Mas, muito além disso, Lula é digno de pena por sua incapacidade em reformar o Brasil, fruto de sua indolência.
Não sei se Sarney é ladrão, mas é oportunista como Lula, é organizador de conchavos, patrono do mau combate. Não sei se Lula é ladrão, mas é fraco, medroso, adulador, artificial. No fundo, como diz o ditado, quem desdenha quer comprar. O Lula que há duas décadas chamava Sarney de ladrão, no fundo, queira mesmo era estar no seu lugar, ou ao seu lado, como hoje.

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