Pesquisar conteúdo deste blog

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

A vida artificial

O primeiro código genético artificial a o modo como trazê-lo da prancheta para a realidade foi revelado por uma equipe americana, completando o segundo de três passos para a criação da vida sintética.
Seqüência de imagens do genoma sintético criado pela equipe de Craig Venter
Os esforços para completar o passo final do transplante de DNA sintético para dentro de uma célula estão a caminho, embora ainda deva levar algumas semanas para se descobrir se a operação teve sucesso.
Um gurpo de 17 pesquisadores do J Craig Venter Institute, em Rockville, Maryland, EUA, descreve na revista Science como conseguiu criar a maior estrutura de DNA feita pelo homem, na verdade a maior molécula sintética já feita, o código genético circular de uma bactéria artificial que agora estão tentandofazer crescer no laboratório.
Os cientistas da equipe do pioneiro do genoma humano, Craig Venter, querem criar novas formas de bactérias, verdadeiras fábricas biológicas, que poderão produzir combustíveis em substituição aos fósseis como petróleo, digerir lixo tóxico ou absorver dióxido de carbono a outros gases do efeito estufa.
O feito irá disparar a questão ética, em virtude da criação de novas formas de vida, ainda que microscópicas, e os cientistas certamente serão acusados de brincar de Deus. O fato é que Venter diz que o sucesso é questão de tempo.
Embora os rumores circulem, Venter se apressou a declarar que ainda não conseguiu, que há ainda uma série de impedimentos e que estão trabalhando para vencê-los.
O código0 genético ou genoma de todos os organismos vivos é escrito na linguagem química do DNA - Ácido desoxirribonucléico - e a equipe de Venter uso métodos laboratoriais para compor todas as 582.970 letras de uma versão levemente modificada do genoma de uma bactéria genital, o Mycoplasma genitalium JCVI-1.0.Na verdade, o nome revela uma versão reescrita da bactéria, como um programa de computador, versão 1.0.
Os métodos tradicionais só conseguem compor pequenos trechos de DNA, e as técnicas atuais, fruto de um esforço iniciado em 2003, criou um grande anel de DNA cerca de 10 vezes maior do que as versões iniciais, um passo e tanto para a criação de um organismo totalmente sintético, capaz de se reproduzir.
Para chegar a isso, a equipe converteu fragmentos de DNA em laboratório em pedaços maiores usando novos métodos para a montagem e reprodução de segmentos de DNA. Depois de vários anos aperfeiçoando a montagem química destes fragmentos, a equipe descobriu que poderia usar o processo que a célula usa para reparar seus cromossomos para completar o trabalho, e já está tentando criar uma célula viva baseada inteiramente no código de DNA sintético como parte de um esforço para descobrir quais deste genes são esenciais à vida, o que é crucial para a compreensão do mecanismo da vida. Venter chama a conquista de "maravilha tecnológica".
As letras do DNA, blocos químicos denominados Adenina (A), Guanina (G), Citosina (C) e Tiamina (T) não são moléculas fáceis de sintetizar em cromossomos. À medida que cadeias de DNA tornam-se mais longas, fica mais difícil trabalhar com elas.
Antes da publicação de hoje, o maior trecho de DNA sintetizado tinha 32.000 letras de código. Ficou provado que é possível construir grandes genomas, o que permite desenvolver a aplicação em biocombustíveis, embora com outros tipos de bactéria.
Mas já há quem peça a Venter que vá mais devagar, para que a sociedade possa availar as implicações da técnica. É a mais longa cadeia de DNA já feita, mas será algo razoável, perguntam outros cientistas?
Enquanto a biologia sintética avança rápido nos laboratórios e no mercado, o debate social sobre a sua regulação não começou e não há discussões importantes sobre como dirigir a questão em termos de segurança e justiça.
Na falta de uma supervisão democrática, industriais já vêem a questão da construção de blocos de vida sob o ângulo do lucro privado, e isto parece inaceitável. Mas não há dúvida de que se tentará patentear estas formas de vida.
Esta notícia significa que os cientistas estão um passo mais perto de construir um organismo vivo sintético que terá o potencial de causar distúrbios econômicos, sociais e ecológicos, e a sociedade talvez não esteja pronta para isso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário