Seu autor, Mário Schmidt, revela-se talvez o maior falsificador da História de que se tem notícia. Sem estilo, redação paupérrima, com erros de português, ele vilipendia a Princesa Isabel, e Dom Pedro II entre outras figuras históricas e elogia Mao Tsé-Tung e sua Revolução Cultural. Racista e preconceituoso, abominável.
Os leitores deste blog, especialmente os de Portugal e demais países lusófonos passem os olhos pelo texto. Hão de ficar estarrecidos. Sem comentários.O que será do Brasil quando o próprio governo, desde Fernando Henrique, destaque-se, patrocina o estupro da memória nacional e mundial?
O que ensinam às nossas crianças Ali Kamel *
Não vou importunar o leitor com teorias sobre Gramsci, hegemonia, nada disso. Ao fim da leitura, tenho certeza de que todos vão entender o que se está fazendo com as nossas crianças e com que objetivo. O psicanalista Francisco Daudt me fez chegar às mãos o livro didático “Nova História Crítica, 8ª série” distribuído gratuitamente pelo MEC a 750 mil alunos da rede pública. O que ele leu ali é de dar medo. Apenas uma tentativa de fazer nossas crianças acreditarem que o capitalismo é mau e que a solução de todos os problemas é o socialismo, que só fracassou até aqui por culpa de burocratas autoritários. Impossível contar tudo o que há no livro. Por isso, cito apenas alguns trechos.Sobre o que é hoje o capitalismo: “Terras, minas e empresas são propriedade privada. As decisões econômicas são tomadas pela burguesia, que busca o lucro pessoal. Para ampliar as vendas no mercado consumidor, há um esforço em fazer produtos modernos. Grandes diferenças sociais: a burguesia recebe muito mais do que o proletariado. O capitalismo funciona tanto com liberdades como em regimes autoritários.” Sobre o ideal marxista: “Terras, minas e empresas pertencem à coletividade. As decisões econômicas são tomadas democraticamente pelo povo trabalhador, visando o (sic) bem-estar social. Os produtores são os próprios consumidores, por isso tudo é feito com honestidade para agradar à (sic) toda a população. Não há mais ricos, e as diferenças sociais são pequenas. Amplas liberdades democráticas para os trabalhadores.”Sobre Mao Tse-tung: “Foi um grande estadista e comandante militar. Escreveu livros sobre política, filosofia e economia. Praticou esportes até a velhice. Amou inúmeras mulheres e por elas foi correspondido. Para muitos chineses, Mao é ainda um grande herói. Mas para os chineses anticomunistas, não passou de um ditador.”Sobre Revolução Cultural Chinesa: “Foi uma experiência socialista muito original. As novas propostas eram discutidas animadamente. Grandes cartazes murais, os dazibaos, abriam espaço para o povo manifestar seus pensamentos e suas críticas. Velhos administradores foram substituídos por rapazes cheios de idéias novas. Em todos os cantos, se falava da luta contra os quatro velhos: velhos hábitos, velhas culturas, velhas idéias, velhos costumes. (...) No início, o presidente Mao Tse-tung foi o grande incentivador da mobilização da juventude a favor da Revolução Cultural. (...) Milhões de jovens formavam a Guarda Vermelha, militantes totalmente dedicados à luta pelas mudanças. (...) Seus militantes invadiam fábricas, prefeituras e sedes do PC para prender dirigentes ‘politicamente esclerosados’. (...) A Guarda Vermelha obrigou os burocratas a desfilar pelas ruas das cidades com cartazes pregados nas costas com dizeres do tipo: ‘Fui um burocrata mais preocupado com o meu cargo do que com o bem-estar do povo’. As pessoas riam, jogavam objetos e até cuspiam. A Revolução Cultural entusiasmava e assustava ao mesmo tempo.”Sobre a Revolução Cubana e o paredão: “A reforma agrária, o confisco dos bens de empresas norte-americanas e o fuzilamento de torturadores do exército de Fulgêncio Batista tiveram inegável apoio popular.”Sobre as primeiras medidas de Fidel: “O governo decretou que os aluguéis deveriam ser reduzidos em 50%, os livros escolares e os remédios, em 25%.” Essas medidas eram justificadas assim: “Ninguém possui o direito de enriquecer com as necessidades vitais do povo de ter moradia, educação e saúde.”Sobre o futuro de Cuba, após as dificuldades enfrentadas, segundo o livro, pela oposição implacável dos EUA e o fim da ajuda da URSS: “Uma parte significativa da população cubana guarda a esperança de que se Fidel Castro sair do governo e o país voltar a ser capitalista, haverá muitos investimentos dos EUA.(...) Mas existe (sic) também as possibilidades de Cuba voltar a ter favelas e crianças abandonadas, como no tempo de Fulgêncio Batista. Quem pode saber?”Sobre os motivos da derrocada da URSS: “É claro que a população soviética não estava passando fome. O desenvolvimento econômico e a boa distribuição de renda garantiam o lar e o jantar para cada cidadão. Não existia inflação nem desemprego. Todo ensino era gratuito e muitos filhos de operários e camponeses conseguiam cursar as melhores faculdades. (...) Medicina gratuita, aluguel que custava o preço de três maços de cigarro, grandes cidades sem crianças abandonadas nem favelas... Para nós, do Terceiro Mundo, quase um sonho não é verdade? Acontecia que o povo da segunda potência mundial não queria só melhores bens de consumo. Principalmente a intelligentsia (os profissionais com curso superior) tinha inveja da classe média em desenvolvimento dos países desenvolvidos (...) Queriam ter dois ou três carros importados na garagem de um casarão, freqüentar bons restaurantes, comprar aparelhagens eletrônicas sofisticadas, roupas de marcas famosas, jóias. (...) Karl Marx não pensava que o socialismo pudesse se desenvolver num único país, menos ainda numa nação atrasada e pobre como a Rússia tzarista. (...) Fica então uma velha pergunta: e se a revolução tivesse estourado num país desenvolvido como os EUA e a Alemanha? Teria fracassado também?”Esses são apenas alguns poucos exemplos. Há muito mais. De que forma nossas crianças poderão saber que Mao foi um assassino frio de multidões? Que a Revolução Cultural foi uma das maiores insanidades que o mundo presenciou, levando à morte de milhões? Que Cuba é responsável pelos seus fracassos e que o paredão levou à morte, em julgamentos sumários, não torturadores, mas milhares de oponentes do novo regime? E que a URSS não desabou por sentimentos de inveja, mas porque o socialismo real, uma ditadura que esmaga o indivíduo, provou-se não um sonho, mas um pesadelo?Nossas crianças estão sendo enganadas, a cabeça delas vem sendo trabalhada, e o efeito disso será sentido em poucos anos. É isso o que deseja o MEC? Senão for, algo precisa ser feito, pelo ministério, pelo congresso, por alguém. Artigo reproduzido do jornal O Globo de 18/9, página 7.* Ali Kamel é jornalista.
Outros trechos "interessantes" do livro (trecho do editorial do Estadão de hoje):
O quadro de Pedro Américo, por exemplo, retratando a Proclamação da Independência, é comparado a “um anúncio de desodorante, com aqueles sujeitos levantando a espada para mostrar o sovaco”. D. Pedro II é um “velho, esclerosado e babão”. A princesa Isabel é uma mulher “feia como a peste e estúpida como uma leguminosa” e o Conde d’Eu é um “gigolô imperial” que enviava meninas paraguaias para os bordéis do Rio de Janeiro. “Quem acredita que a escravidão negra acabou por causa da bondade de uma princesa branquinha, não vai achar também que a situação dos oprimidos de hoje só vai melhorar quando aparecer algum princezinho salvador?”
Surpreso, caro leitor? Eu também!
Para mensurar a repercussão dos comentários de Luís Nassif e Ali Kamel basta observar a força do "patrulhamento" de vários setores da mídia a serviço da esquerda.
ResponderExcluirO Sr. Ali Kamel mexeu num vespeiro sem igual. Mostrou ao público que aquilo que Hugo Chavez alardeia em implantar na Venezuela — o ensino obrigatório do Marxismo — o Estado aparelhado tupiniquim já o faz no Brasil, em silêncio. Pelo menos fazia, até agora.
Parabéns pela coragem Sr. Nassif e Sr. Ali Kamel.
Durval Jr.
Durval,
ResponderExcluirÉ isso, mas essa "esquerda" vem de longe, a coisa começou em 1998/2000, ainda sob FHC. Quem era o ministro da Educação? Paulo Renato de Souza, hoje deputado federal tucano.
Agora, publico aqui a carta de uma das partes interessadas, veiculada na edição de 28/9 no Estadão:
Livros didáticos
O caderno Aliás de 23/9 trouxe algumas menções de educadores ao livro didático que entendemos equivocadas. Em respeito aos leitores, gostaríamos de apresentar a visão de quem faz o livro didático no País. Em primeiro lugar, ressaltamos que a atual forma
de escolha do livro didático é uma das mais democráticas e transparentes do mundo. O sistema é tão bem-feito que prosseguiu mesmo com a mudança de governo. Graças a esse esforço conjunto da sociedade, o Brasil tem um dos melhores programas de compra e distribuição de livros didáticos, além de reforçar a importância da livre escolha do professor. Ou seja, não há imposição de governantes na escolha da obra e os títulos e abordagens são variados. Como o professor é parte fundamental neste processo, o educador fica confortável para utilizar em suas aulas o livro escolhido por ele. Por conseqüência, o aluno usará efetivamente o material. Também é importante ressaltar que diante de critérios tão rigorosos de escolha as editoras são forçadas a ter sempre o melhor livro didático possível, com investimento em autores, pesquisas e na qualidade de impressão. A complexidade da edição e produção do livro didático, muito maior que a de outros tipos de obras, assim como as altas tiragens necessárias à sua viabilização exigem investimentos vultosos que aumentam significativamente o risco desse ramo editorial. Em conseqüência, as editoras organizam-se como empresas modernas. Dispõem de profissionais de alto nível, de complexa estrutura organizacional, de ampla rede de distribuição e de tecnologia sofisticada. Portanto, não se pode criticar todo um sistema que vem dando certo há tanto tempo sem conhecê-lo com rigor e mais profundidade. Nem criticá-lo em sua totalidade por causa de questões específicas e pontuais.
JOÃO ARINOS,
presidente da Associação Brasileira de Editores de Livros
São Paulo