Os deficientes visuais têm tido desrespeitado o seu direito de acesso à cultura, como já dito aqui há algum tempo. Esse tempo passou e nada mudou, aí está a Bienal do livro, sem que os editores ofereçam a essas pessoas livros acessíveis. Mas este termo não significa livros exclusivamente em braille nem gravados somente em áudio. Todo cego ou pessoa com deficiência motora, ou cognitiva quer poder, com o auxílio do computador, fazer como as demais pessoas, exibir o texto na tela manuseá-lo como se faz com livros impressos. Para quem não sabe, isso é bem diferente de ouvir um áudio. Abaixo, uma adaptação de Naziberto Lopes, deficiente visual, da letra da música Se eu quiser falar com Deus.
Em homenagem ao maior , mais grotesco, execrável e hediondo exemplo de exclusão cultural e literária de pessoas com deficiência visual e dificuldade motora, intelectual ou cognitiva de leitura, que é a Bienal Internacional do Livro, realizada no Rio de Janeiro, entre 13 e 23 de Setembro de 2007.
Adaptado de: Se eu quiser falar com Deus, de Gilberto Gil, atual Ministro da Cultura no Brasil.Se eu quiser ler pra Deus não posso ficar a sós, tenho que implorar pela luz de alguém dentre voz Que estava até agora em paz depender de alguém que cuide de nós Dos nossos sapatos, da nossa gravata, Dos nossos desejos, dos nossos direitos, Tenho que preencher a ficha da fundação que nos tutela, ter minhas páginas sempre vazias porque o direito autoral nos ignora, porque o governo não regula.Se eu quiser ler pra Deus, tenho que passar pelo horror de aceitar sempre o não que o editor decretou.Tenho que virar um cão, tenho que lamber o chão da entidade, da instituição, ditadoras do meu caminho.Tenho que viver tristonho.Agradecer a migalha que ganho, e com a felicidade das borboletas alegrar meu coração.Se eu quiser ler pra Deus tenho que me curvar e escanear.Tenho que gritar aos céus até a garganta estourar.Tenho que juntar todos os meus de peito aberto, protestar.Caminhar perdido pela bienal do livro, que ao final não vai ter nad.a.Nada, nada, nada, nada.Nada, nada, nada, nada.Nada, nada, nada , nada.Nada, nada, nada, nada.do que eu pensava encontrar.
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