Os astrônomos esfregam as mãos ante uma intrigante "não-descoberta", um gigantesco buraco no universo, medindo aproximadamente um bilhão de anos-luz de diâmetro. Notem aqui que grandes números confundem, mas um bilhão de anos-luz significa o espaço-tempo que a luz percorreria em um bilhão de anos (!), ou 1/14 o tempo de existência do universo. na verdade, não existe mesmo nada neste buraco, neste vazio, onde não há nem a matéria normal, como estrelas, galáxias e gás, nem a misteriosa e jamais vista "matéria escura" que o astrônomos já detectaram por causa de seu efeito gravitacional (atração). Apesar de estudos anteriores já haverem descoberto buracos no incomensurável tecido do cosmos, essa nova descoberta supera todas. Não somente ninguém jamais viu um vazio destas proporções como nunca se esperou encontrar um destas dimensões, segundo o cientista Lawrence Rudnick, da Universidade de Minnesota, que acrescenta ter este mil vezes o volume do que nós esperávamos ver em termos de um vazio típico. Não está claro ainda que sabemos o significado correto disto, é uma surpresa muito grande. Rudnick, em conjunto com Shea Brown e Liliya Williams, também da Minnesota, relataram sua descoberta num artigo que foi aceito para publicação no Astrophysical Journal. Os astrônomos sabem há tempos que, em largas escalas, o universo tem esses vazios de matéria; ainda assim, todos os que já foram, digamos, "vistos", são muito menores do que este. Os astrônomos tiraram essas conclusões estudando dados obtidos do VLA Sky Survey, um projeto que compôs a imagem da totalidade do cosmo visível através do Radiotelescópio de Longo Alcance (VLA), que pertence ao National Science Foundation's National Astronomy Observatory. Seus cuidadosos estudos revelaram uma notável queda no número de galáxias em uma região do cosmos situada na constelação Eridani. "Nós já sabíamos que havia algo diferente por ali", disse Rudnick. A região havia sido denominada "WMAP Cold Spot" (mancha fria), porque ficava fora do mapa da Radiação Cósmica de Fundo, feita pelo satélite WMAO (Wilkinson Anisotrophy Probe), lançado pela NASA em 2001. As Microondas de Fundo, esmaecidas ondas de rádio remanescentes do Big Bang são as mais recentes imagens de um "universo bebê", nos seus primórdios, que há, e ali o satélite WMAP mediu diferenças de temperatura tão pequenas quanto milionésimos de grau. A região fria de Eridani foi descoberta em 2004. os astrônomos agora se perguntam se a gélida região é intrínseca à radiação de fundo, e, assim, indicam alguma estrutura do cosmos em sua infância, ou se poderia ser causada por algo mais próximo, através do qual a radição de fundo teria de passar para chegar à Terra. Descobrir a inexistência de galáxias naquela região através da análise dos dados resolveria o problema. Ainda que nossos inéditos resultados necessitem de confirmações por terceiros, a temperatura levemente mais fria nesta região parece ser causada por um enorme buraco sem praticamente qualquer matéria a, grosso modo, entre 6 e 10 bilhões de anos-luz de distância da Terra, disse Rudnick. A ausência de matéria causa um decréscimo de temperatura na radiação remanescente do Big bang Vista da Terra porque partículas de radiação de luz (fótons) perdem uma pequena quantidade de energia à medida que passam por aquela região, parecendo mais frias. O vazio poderia ser também uma variação estatística da Natureza, o que é menos provável do que um gigantesco vazio, disse James Condon, um astrônomo do Observatório Nacional de Radiostronomia. "Parece algo a ser seriamente considerado", complementou Brent Tully, astrônomo da Universidade do Havaí.
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