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sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Manhã, tarde ou noite

Nicolas Sarkozy é rude e obcecado por si mesmo, um gênio político, com um lado infantil. É o que mosta um livro sobre o presidente da França escrito por Yasmina Reza, celebrada escritora de 40 anos, que teve inédito acesso a Sarkozy durante a corrida presidencial que terminou em Maio, até mesmo nos momentos em que o então candidato mantinha encontros com assessores e chefes de Estado. Lançado hoje, L’Aube, Le Soir ou la Nuit (Manhã, tarde ou noite), que alguns críticos já dizem que poderá vencer o Prix Goncourt, o equivalente francês do Booker Prize, chega às livrarias no dia em que Sarkozy completa esse fetiche da imprensa, os 100 dias no cargo. Reza procurou o presidente de 52 anos em junho do ano passado, quando ele ainda era ministro do Interior. Ela diz que falou ao então ministro: Eu gostaria, senhor, de acompanhá-lo para fazer o seu perfil; e ele simplesmente respondeu: "vá em frente". Desde aquele dia até sua eleição em maio, a escritora o acompanhou em jatinhos particulares, em encontros públicos e viagens ao exterior, com tal freqüência que ela passou a tratá-lo por "você" e a ser considerada parte da equipe. Nada disso a impediu de mostrar suas virtudes e defeitos, mesmo porque seu objetivo era revelar o homem que teima em competir com o tempo (em velocidade mesmo), e para quem "o ontem não existe". Ela testemunhou momentos de ira, como quando ele descreve o embaixador francês na Rússia como um idiota, e seu congênere no Líbano como um covarde. "Ligue para ele diga-lhe isso", teria gritado Sarkozy, segundo Reza. Em seu primeiro encontro, Reza alertou Sarkozy para o fato de que não seria sensato deixar um escritor segui-lo tão de perto e tão intimamente, mas ele calculou o risco e respondeu: "Mesmo se você me demolir, irá me engrandecer". Mas apesar deste seu lado durão, ela se deixou atrair por seu entusiasmo infantil, sua abilidade política e poder de sedução. "Ele tentou seduzí-la?", pergutou a Nouvel Observateur. "Não, ele tentou seduzir a França", respondeu ela. O livro, que teve uma tiragem inicial de 100 mil exemplares poderá legar à autora o maior prêmio literário da França. Foi classificado pela publicação Le Parisien como "o fabuloso retrato de um homem singular". Uma coisa é certa: se Ségolène Royal tivesse sido eleita no lugar de Nicolas Sarkozy, a política francesa não seria tão interessante como tem sido.

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