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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A expressiva inexpressão do sofrimento


Em Walgak, no Sudão do Sul, um homem da tribo Lou Nuer, severamente desnutrido, recebe tratamento numa clínica médica.

O olhar inexpressivo revela toda a dramática expressão do seu sofrimento, tão intenso que talvez lhe tenha retirado toda a capacidade de reação. 

Quantas vezes - mas não é, evidentemente o caso dele - nós temos a realidade esfregada na cara, e nem assim a enxergamos. O que é preciso para que se veja, não só o sofrimento alheio antes de ele se tornar imitigável, mas quanto nós temos, ou quanto não temos e, ainda assim, vivemos como se tivéssemos?

O que é preciso para que nós nos demos conta de que só nós mesmos é que temos de bancar nossas escolhas, sonhos, preferências. Isso parece óbvio, mas nem sempre, talvez raramente, o seja.


O grau de desamparo deste homem, naquelas circunstâncias atrozes do Sudão, não há de ser fruto das escolhas dele, mas em muitos casos é preciso chegar ao rés do chão para "cair na real". 


Mas também é possível perceber a realidade de uma forma talvez menos dolorosa, ou menos prolongadamente sofrida, se as pessoas à volta não agirem com paternalismo. Um "não" (ou vários), muitas vezes, é a salvação da lavoura, literalmente.



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