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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Rio de Janeiro mayor's war / A guerra do prefeito carioca






Rio de Janeiro's mayor Eduardo Paes decided to declare war against drug dealers by occupying slums with the so-called UPPs (Pacifying Police Unit), followed by a disastrous operation involving even Marine  war tanks in aid to Military Police (not belonging to armed forces), that has left a death toll of 35 people so far.


Mr. Paes should consider two things before proceeding in his bloody fight: First, in Brazil, it's a State Governor who commands Civilian and Military Police, and the Federal Police is commanded by the Ministry of Justice. Second: in  December, 2006, Mexican President Felipe Calderón started to increase pressure on drug cartels, involving the Federal Police and The Army, in an endless fight where over 31,000 people have been killed, including a former politician in broad daylight.

If Mexican drug cartels get their powerful weapons from the United States, Brazilian drug dealers bring their assault rifles in Paraguay, as easily as one buys a can of Coca Cola. These rifles and machine guns have their prices increased tenfold bought in Pedro Juan Caballero, Paraguay ,and sold out in Rio or Sao Paulo, therefore as much profitable a business as drug trading, or even more.

After decades of a worldwide fight against illegal drug trading, when will they ever learn that the only way to cut these criminals' power is by legalizing the sale of drugs – without allowing its advertising – and not punishing consumers?

As per The UN Annual World Drug Report, the percentage of adult consumers in Brazil is relatively low in comparison to the US and other countries, as follows:

Cocaine: Brazil - 0.7% - Argentina 2.6% - US 2.8% - UK 2.3 - Spain 3%
Marijuana: Brazil - 2.6% - Argentina 7.2% - US 12.3% - UK 7.4% - Spain 10.1%

What about the consumption of alcohol, surely very much higher anywhere in the world than any illegal drug, killing and causing diseases? Has anyone wondered the dimension of this war if its sale was prohibited and Mr. Al Capone's descendants decided to return to business?
  
This is the very reason why alcoholic beverages sale to adults is not illegal,  and  tolerated, very conveniently, its consumption by teenagers. Selling alcohol to them is only formally prohibited.
Rare Brazilians do not have at least one acquaintance who smokes pot, undoubtedly the best-selling drug worldwide.

By Luiz Leitão, from Sao Paulo, Brazil.


Perdão, leitores, por eu não ter escrito este texto também em português ontem. O blogue sempre deu versões em inglês de notícias do Brasil, e, às vezes, de alguns artigos meus. A Folha de São Paulo começou a noticiar em inglês a guerra do Rio, então, como isso sempre foi feito aqui, dei preferência à versão em inglês, e o tempo foi escasso para traduzi-la. Aqui vai.


O prefeito do Rio, Eduardo Paes, capitalizando  politicamente as ações policiais na cidade, deu a entender que a iniciativa de declarar guerra aos traficantes foi dele, com as chamadas UPPs Unidade Policial de Pacificação ocupando  as favelas, numa operação desastrosa envolvendo tanques da marinha operados pela Polícia Militar (que não pertence às Forças Armadas), produzindo um saldo de, até agora, cerca de 35 mortos.




Paes deveria considerar duas coisas antes de prosseguir em sua luta sangrenta: Primeiro, no Brasil, o poder de polícia é exclusivo dos Estados (polícias Civil e Militar) e da União, cujo Ministério da Justiça subordina a Polícia Federal.

Segundo: em dezembro de 2006 o presidente mexicano Felipe Calderón iniciou uma crescente pressão sobre os carteis da droga, numa luta envolvendo a Polícia Federal e as Forças Armadas, num total de 40.000 homens, uma guerra sem fim que matou até agora 31.000 pessoas, inclusive um político em plena luz do dia.

Se os carteis da droga mexicanos obtêm seus poderosos fuzis de assalto e metralhadoras do vizinho Estados Unidos, para onde vendem a maior parte da droga, os traficantes brasileiros trazem seus não menos poderosos armamentos do também vizinho Paraguai, onde se compram armas de guerra com a facilidade de quem adquire uma lata de Coca Cola. Esses fuzis, pistolas e metralhadoras têm seus preços multiplicados por dez desde a compra em Pedro Juan Caballero até a venda, no Rio ou em São Paulo, um comércio tão ou mais lucrativo que o tráfico em si.


Após décadas de luta contra o comércio ilegal de drogas no mundo todo, quando irão  entender que a questão não se resolve pelo enfrentamento, e que o único meio de tirar o poder do traficantes é legalizar a venda das drogas - sem permitir a sua propaganda ou estímulo ao consumo-, simplesmente descriminalizando o seu uso e comércio?

Conforme o Relatório Anual sobre  Drogas da ONU, o porcentual de consumidores entre a população adulta no Brasil é relativamente baixo em comparação ao dos Estados Unidos e outros países, como se segue:


Cocaína: Brasil - 0.7% - Argentina 2.6% - EUA 2.8% - Reino Unido 2.3 - Espanha 3%
Maconha: Brasil - 2.6% - Argentina 7.2% - EUA 12.3% - Reino Unido 7.4% - Espanha 10.1%

E o que se diz sobre o consumo de álcool, seguramente muitíssimo superior em qualquer lugar do mundo ao de qualquer outra droga, e causador de muito mais mortes ou mais incapacitante?

Alguém já imaginou a dimensão dessa guerra se a venda de bebidas alcoólicas fosse proibidoa e os descendentes de  Al Capone decidissem, então, retomar o negócio?

É exatamente por isso que não se proíbe a venda de álcool a maiores e tolera-se, muito convenientemente, o seu consumo por adolescentes. Sua venda a menores é apenas formalmente proibida.


Por Luiz Leitão, de São Paulo, Brasil.

2 comentários:

  1. É, prezado Luiz Leitão, como se pode resolver o problema do tráfico se o consumo persiste.
    Na legalização da venda de drogas, como já é o caso do alcool e do tabaco, a atividade sairia dos subterrâneos, e tanta tragédia seria evitada.
    Mas, e a coragem de se enfrentar as drogas de frente, sem restrições legais ao consumo?
    Como o assunto está na Holanda, onde há grande tolerância com o consumo de drogas?
    Abs, Eduardo Buys

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  2. Então, Edu, na Holanda não tem essa violência.O escritor peruano Mario Vargas Llosa também acredita que a salvação do México está na legalização.

    Mas os traficantes são os menos interessados na chamada descriminalização das drogas, e a maconha é, de longe, dez vezes mais, o narcótico mais consumido no mundo,depois do álcool.

    FHC defende a legalização da maconha (como eu disse, sem estímulos,sem propaganda). Por que não tentar?

    Abraço.

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