Uma imagem em infravermelho divulgada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos mostra o laser aerotransportado da Agência de Defesa contra Mísseis (MDA) destruindo o alvo.
Os EUA conquistaram uma meta essa semana que era perseguida e sempre frustrada desde o programa do governo de Ronald Reagan, o Star Wars (Guerra nas Estrelas) ao destruir um míssil balístico com o emprego de um laser de alta potência montado sobre um avião.
O teste vitorioso foi feito ontem, na Califórnia, segundo informações da US Missile Defence Agency (MDA), tornando realidade o que era anteriormente restrito à esfera da ficção científica.
O avião utiliza uma combinação de lasers para enquadrar o míssil e rastrear sua trajetória, e aí, derrubar o alvo com apenas um disparo a partir da torre da aeronave, tudo em menos de 12 segundos.
Segundo analistas, a novidade pode influenciar os programas de mísseis Norte-Coreano e Iraniano, obrigando esse países a desenvolver mísseis mais velozes e adotar medidas para neutralizar os raios laser.
O MDA disse hoje: "O uso revolucionário de energia dirigida é muito atraente para a defesa antimíssil, com o potencial de atacar alvos múltiplos à velocidade da luz, literalmente, com alcance de centenas de quilômetros, e a baixo custo por cada tentativa de interceptação, em comparação às tecnologias atuais."
O trabalho no desenvolvimento de sistemas de armas a laser tem sido levado a cabo com empenho durante, pelo menos, uma década, ao custo de mais de US$1 bilhão. No passado, raios laser foram usados com sucesso contra alvos a partir de plataformas estacionárias, mas nesse teste o raio foi dirigido a bordo de uma avião, contra um alvo móvel, uma façanha muito mais desafiadora.
No entanto, alguns cientistas e analistas militares demonstraram ceticismo em relação à sua viabilidade a longo prazo, alegando que outros projetos anunciados como revolucionários não funcionaram quando confrontados com os problemas surgidos em cenários de guerra real.
Michael Elleman, pesquisador senior de mísseis no escritório em Washington do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, fez uma conexão direta entre o controvertido programa idealizado por Reagan há três décadas, chamado Star Wars, que imaginava lasers baseados no espaço exterior interceptando mísseis. "Reagan tinha uma grande visão, mas não sabia como seria a arquitetura do programa. Eles estavam à procura de tecnologia para lasers baseados no espaço. O laser [no teste mais recente] não é necessariamente o Reagan imaginara, mas se encaixa no esquema mais amplo que ele pretendia pôr em prática."
Elleman disse que o laser poderia obrigar a Coreia do Norte, cujo míssil Unha é lento, a buscar mísseis mais rápidos, e que o Irã já estaria fazendo isso.
O MDA informou que o teste foi realizado Centro de Campanha Aeronaval de Point Mugu, nas proximidades de Ventura.
"A Agência de Defesa contra Mísseis demonstrou o uso potencial de energia direcionada para a defesa contra mísseis balísticos quando o equipamento, denominado Airborne Laser Test-bed (ALTB), teve êxito na destruição de um míssil balístico disparado," informou.
O sistema está sendo desenvolvido pela Boeing, que usa a estrutura de 747 Jumbo modificado, e o MDA. A empresa aeroespacial e de defesa Northrop Grumman fornece o laser de alta energia, enquanto a Lockheed Martin projeta os sistemas de controle e disparo dos raios.
"Essa foi a primeira demonstração de interceptação por energia letal direcionada contra um alvo, a partir de uma plataforma aerotransportada," disse a agência.
O sistema conseguiu interceptar um míssil, em agosto, mas não o derrubou.
Ano passado, o secretário de Defesa, Robert Gates, decidiu que o programa deveria ser reduzido, mantendo a pesquisa em um só plano, devido ao ceticismo a respeito de sua aplicação na prática.
John Pike, analista de defesa e fundador da Global Security, na Virgínia, disse duvidar que o teste venha a mudar a opinião de Gates. "Gates parecia acreditar que não haveria possibilidade de o plano enquadrar alvos a distâncias de várias centenas de quilômetros, e que enquadramentos a distâncias de menos de 100 km não seriam interessantes do ponto de vista militar".
O pronunciamento do MDA não especifica o alcance obtido no teste.
Ivan Oelrich, físico e vice-presidente para programas estratégicos de segurança da Federação Americana de Cientistas, disse: "O que seria interessante é saber a distância do míssil." Ele disse que para ser útil, o laser teria de ser capaz de abater mísseis desde, pelo menos, 100 milhas. Seria também caro manter um ou mais aviões em estações, à espera de mísseis eventuais.
An infrared image released by the US department of defence shows the Missile Defence Agency's airborne laser destroying its target.
The US this week achieved a goal that has eluded it since Ronald Reagan's Star Wars programme by knocking out a ballistic missile using a high-powered laser beam mounted on a plane.
The successful test was carried out yesterday in California, the US Missile Defence Agency (MDA) said, making real what had previously been confined to the realms of science fiction.
The plane uses a combination of lasers to lock on to the missile and track its trajectory, and then bring it down with a single shot fired from the nose turret, all in less than 12 seconds.
According to analysts, the breakthrough could have an impact on the North Korean and Iranian missile programmes, forcing them to develop faster missiles and adopt measures to counter the laser beams.
The MDA said today: "The revolutionary use of directed energy is very attractive for missile defence, with the potential to attack multiple targets at the speed of light, at a range of hundreds of kilometres, and at a low cost per intercept attempt compared to current technologies."
Work on the laser weapons system has been under way in earnest for at least a decade, at a cost of more than $1bn. In the past, laser beams have been used successfully against stationary targets from stationary platforms, but in this test the beam was directed from a plane against a moving target, a much more challenging feat.
However, some scientists and military analysts expressed scepticism about its long-term viability, saying that other such projects that had been hailed as revolutionary did not work when confronted by all the problems thrown up by war.
Michael Elleman, a senior fellow for missile research in the Washington office of the International Institute for Strategic Studies, traced a direct line from the controversial programme set out by Reagan three decades ago that was dubbed Star Wars, which envisaged lasers based in outer space intercepting missiles.
"Reagan had a grand vision but did not know what the architecture would look like. They were looking more at space-based laser technology. The laser [in the latest test] is not necessarily what Reagan envisaged but it fits inside the grander scheme of what he wanted to achieve."Elleman said the laser could force North Korea, whose Unha missile is slow, to look at accelerated missiles and that Iran was already doing this.
The MDA said the test was carried out at Point Mugu's Naval Air Warfare Centre near Ventura.
"The Missile Defence Agency demonstrated the potential use of directed energy to defend against ballistic missiles when the Airborne Laser Test-bed (ALTB) successfully destroyed a boosting ballistic missile," the agency said.
The system is being developed by Boeing, which uses the airframe of a modified 747 jumbo, and the MDA. Aerospace and defence contractor Northrop Grumman supplies the higher-energy laser, while Lockheed Martin is developing the beam and fire control systems.
"This was the first directed energy lethal intercept demonstration against a liquid-fuel boosting ballistic missile target from an airborne platform," the agency added.
The system successfully intercepted a missile in August last year but did not bring it down.
Last year the defence secretary, Robert Gates, decided that the programme should be scaled back, keeping research to a single plane, because of scepticism about how practical it would be.
John Pike, a defence analyst and founder of Virginia-based Global Security, said he doubted the test would change Gates's view. "Gates seemed to believe that there was no prospect of the plane engaging targets at ranges of several hundred kilometres, and that engagements at ranges of less than 100 kilometres were not militarily interesting," he said.
The MDA statement did not specify what the range was during the test.
Ivan Oelrich, a physicist and vice-president for strategic security programmes at the Federation of American Scientists, said: "What would be interesting would be how far away it [the missile] is." He said that to be useful, the laser would have to be able to shoot down missiles from at least 100 miles. It would also be expensive to keep one or more planes on stations waiting for a missile.
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