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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Trash for export / Lixo para exportação

Há pouco mais de um mês, nós tivemos uma pequena amostra do que o mundo europeu, xenófobo, que maltrata imigrantes, faz com o seu lixo. Vários contêineres de lixo aportaram no Brasil, mas foram devolvidos à Inglaterra.
Mas há outros países, mais pobres e indefesos que o Brasil, que recebem o lixo gerado pela asséptica, bela e antiga Europa. São milhares de contêineres recheados com fios, plástico, placas de circuito a deixar portos como de Roterdã, na Holanda, não obstante a proibição legal de exportar lixo seja para onde for.
Mas, quando a demanda existe, e é grande, o dinheiro flui, e com ele, através de um mercado negro, os caminhos se abrem para o despejo da tralha nos países de onde outrora se retiravam riquezas. As companhias não estão dispostas a gastar muito para reciclar o lixo, como se viu aqui no caso da trading de combustíveis Trafigura.
Mas, quando se fala em países pobres, não é só aos africanos a que se refere; os destinos dos dejetos europeus incluem a China, Indonésia, Índia.
Não é lixo apenas ecologicamente incorreto, mas também tóxico, não raro indo parar nas maõs de crianças, prejudicando-lhes a saúde.
Sem maldade ou ironia, pode-se dizer que para certas pessoas, esse é um negócio como outro qualquer. A quantidade de lixo na forma de papel, plásticos e metais exportado da Europa aumentou dez vezes de 1995 a 2007, segundo a Agência Ambiental Européia, com 20 milhões de contâineres de lixo enviados para fora a cada ano, legal ou ilegalmente. Vinte milhões, multiplicados por 18 toneladas, no caso dos contêineres pequenos, de 20 pés. Talvez sejam dos maiores, de 40 pés...
Metade de tudo isso passa por Roterdã. Nos Estados Unidos, cada vez mais Estados votam leis que exigem a reciclagem dos produtos, especialmente eletrônicos.
Como os EUA impõem menos restrições à exportação de lixo e as monitora muito menos que a Europa, o volume crescente flui com relativa liberdade pelos mares.
Até100 contenedores de lixo dos Estados Unidos e Canadá chegam diariamente à China. A tentação de exportar o lixo é grande porque reciclá-lo no país é caro: por conta das leis ambientais européias, custa quatro vezes mais incinerar o lixo na Holanda do que colocá-lo -ilegalmente - num navio a caminho da China.
O curioso é que os mesmos gigantescos navios que chegam à Europa e Estados Unidos com produtos eletrônicos e roupas baratas têm agora uma lucrativa carga de retorno: lixo como cabos de aço, placas de circuito e até sobras do macarrão do jantar. Na prática, é como se os produtos feitos na China fossem "alugados". Chegam, são usados até a obsolescência e devolvidos. Paga-se pelo usufruto, na verdade.
Foram nada menos que 1.400 toneladas métricas de lixo que os ingleses "venderam" ao Brasil como "plástico para reciclagem". Tiveram de engolir tudo de volta.
A tralha sai da Europa por Roterdã, Antuérpia, Hamburgo. Claro, a incineração é altamente taxada na Europa, e despejar lixo em terrenos, nem pensar!
A Lei proíbe exportar o lixo para países mais pobres, a menos que eles o aceitem expressamente, e garantam que serão reciclados. E são totalmente proibidas de ser exportadas certas categorias de materiais perigosos, ou "problemáticos", como lixo residencial misturado.
As leis européias seguem os preceitos da Convenção de Basileía, de 1992, tratado que regulamenta a exportação de rejeitos perigosos, e uma emenda proposta em 1998. Mas os Estados Unidos, sob o governo Bush - você adivinhou! - foi um dos poucos países que se recusaram a subscrever a convenção. E ainda hoje, muito do comércio de lixo banido na Europa é legal nos EUA, que se preocupam mais com dejetos "mais" perigosos.
Dizem que a administração Obama irá endurecer as leis.
Alguns tipos de lixo exportado são ambientalmente corretas. Se os produtos e embalagens usados na Europa forem manufaturados na Ásia, pode fazer sentido despachá-los de volta para reciclagem. O comércio de lixo - legal e ilegal - é parcialmente impulsionado pelo fato de economias em crescimento acelerado, como a da China e Índia necessitam do material bruto.
De Roterdã, papel, plástico e metais costumam ser mandados para a China. O lixo eletrônico é enviado para países da África, especialmente Gana, Egito e Nigéria.
Mas a capacidade de reciclagem, confiabilidade e padrões de segurança de empresas da África e Ásia são “altamente variáveis.
Em Roterdã, inspetores descobrem incontáveis tramas para subervter o sistema: Containers são estufados com produtos legais na frente, escondendo atrás o material ilegal. TVs e computadores são etiquetados como bens de segunda mão, que podem ser legalmente embarcados, embora, na verdade, sejam destinados ao desmanche.
Os depósitos aduaneiros costumam estar cheios de sacos plásticos com as evidências; fluído de cartuchos de toner e uma mistura de sucata plástica com dividem espaço com artefatos mais tradicionalmente traficados como cocaína, armamentos e sandálias Croc falsificadas.
Apesar de multas de até US$22,000, os traficantes consideram que vale a pena o risco de exportar lixo, embora infrações reiteradas possam levar o autor a um processo criminal.
Ano passado os holandeses devolveram 80 carregamentos ilegais aos países de origem, uma política corriqueira, mas nem sempre praticável.
Num desses casos, inspetores apreenderam um container americano carregado de latas de tinta usadas e outras porcarias, destinado à Nigeria. Eles não puderam devolvê-lo porque os Estados Unidos não são signatários da Convenção de Basileía.
Ainda assim, como o conteúdo perigoso estava vazando, as autoridades holandesas deram-lhe destinação correta.
Exporting waste illegally to poor countries has become a vast and growing international business, as companies try to minimize the costs of new environmental laws, like those here, that tax waste or require that it be recycled or otherwise disposed of in an environmentally responsible way.
Rotterdam, the busiest port in Europe, has unwittingly become Europe’s main external garbage chute, a gateway for trash bound for places like China, Indonesia, India and Africa. There, electronic waste and construction debris containing toxic chemicals are often dismantled by children at great cost to their health. Other garbage that is supposed to be recycled according to European law may be simply burned or left to rot, polluting air and water and releasing the heat-trapping gases linked to global warming.
While much of the international waste trade is legal, sent to qualified overseas recyclers, a big chunk is not. For a price, underground traders make Europe’s waste disappear overseas.
After Europe first mandated recycling electronics like televisions and computers, two to three tons of electronic waste was turned in last year, far less than the seven tons anticipated. Much of the rest was probably exported illegally, according to the European Environment Agency.
Paper, plastic and metal trash exported from Europe rose tenfold from 1995 to 2007, the agency says, with 20 million containers (18 tons each 20-feet, minimum, or the bouble for 40-feet) of waste now shipped each year either legally or illegally. Half of that passes through this huge port, where trucks and ships exchange goods around the clock.
In the United States, more states are passing laws that require the recycling of goods, especially electronics. But because the United States places fewer restrictions on trash exports and monitors them far less than Europe, that increasing volume is flowing relatively freely overseas, mostly legally, experts say. Up to 100 containers of waste from the United States and Canada arrive each day, according to environmental groups and local authorities in Hong Kong.
The temptation to export waste is great because recycling properly at home is expensive: Because of Europe’s new environmental laws, it is four times as expensive to incinerate trash in the Netherlands as to put it — illegally — on a boat to China. And the vast container ships that arrive in Europe and North America from Asia filled with cheap garments and electrical goods now have a profitable return cargo: garbage like steel cables, circuit boards and leftovers from last night’s pasta meal.
The Dutch have taken a lonely lead in inspecting waste exports and curbing the traffic, providing a rare window into the trade. They estimate that 16 percent of the exports are illegal. But in most ports where customs inspectors typically check imports far more thoroughly than exports, much probably passes through unnoticed.
In July, a shipment of 1,400 metric tons of British household garbage that was illegally sent to South America — labeled as clean plastic for recycling — was apprehended only after it landed in Brazil, and sent back.
The European Union’s laws governing waste disposal require more recycling of paper and plastic each year, and generally prohibit dumping in landfills. Incineration is now heavily taxed in most European countries.
The regulations also prohibit exporting waste to poorer parts of the world unless the receiving country accepts that kind of waste and it is going to a certified recycler. The guidelines fully ban the export of certain hazardous materials and so-called “problematic” waste, defined as waste that is not amenable to recycling and so would be harmful to the environment at its destination, for example, waste that is soggy or mixed household garbage.
The European laws generally follow the guidelines of the 1992 Basel Convention, the treaty that regulates dangerous exports of waste, and a proposed 1998 amendment.
The United States, during the Bush administration, was one of the few countries that did not ratify the convention. And much of the trash trade banned by Europe is still legal in the United States, where laws focus on only the most hazardous waste.
That may change. A State Department official, who insisted on anonymity because the new administration had not formally reviewed its policy, said, “We’ll be grappling with that in this administration.”
Some types of waste exports are environmentally sound, experts say. If products and packaging used in Europe are manufactured in Asia it may make sense to ship them back for recycling. The waste trade — legal and illegal — is partly propelled by the fact that fast-growing economies like China’s and India’s need the raw material.
From Rotterdam, paper, plastic and metals tend to be sent to China. Electronic waste tends to go to African countries, in particular Ghana, Egypt and Nigeria.
But companies in Africa and Asia are “highly variable” in their recycling capabilities, dependability and safety records.
In Rotterdam, inspectors uncover endless ploys to subvert the system: Containers are packed with legal goods in front to hide illegal material. TVs and computers are labeled as secondhand goods, which can be legally shipped, even though they are destined for dismantling.
The inspections office here is filled with plastic bags containing evidence; grease-covered pipes, fluid from toner cartridges and a mix of paper and plastic scraps share space with more traditional trafficking fare like cocaine, weapons and fake Croc clogs.
Despite fines of up to $22,000, traffickers feel it is worth the risk to send trash abroad, although repeat violations can lead to criminal prosecution.
Last year, the Dutch returned 80 illegal shipments to their countries of origin, their usual policy. But that is not always possible.
In one case, inspectors seized an American container carrying old paint cans and other material to Nigeria. They could not send it back, because the United States is not a party to the Basel Convention. Anyway, the hazardous contents were leaking, and the Dutch were left to dispose of them properly.

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