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sábado, 25 de abril de 2009

Propaganda dolosa

Gostando-se ou não do presidente Lula, é preciso saber separar a boa política, a oposição decente, que respeita a inteligência do público, de ações tacanhas, como o desserviço à população contido nas declarações do deputado Raul Jungmann (PPS-PE) no horário político, que o governo Lula irá “mexer” nos depósitos em cadernetas de poupança como fez seu antecessor, Fernando Collor, nos anos 90, quando ordenou o congelamento de todas as aplicações financeiras.
Não é o caso nem mesmo de se falar em propaganda enganosa, porque é descaradamente dolosa; com isso, o PPS ateia fogo à credibilidade que até aqui cultivou.
Tem razão o presidente Lula em reagir à associação feita pelo PPS entre seu governo e o de Fernando Collor em inserções veiculadas no rádio e na televisão, abusando da ingenuidade da população ao recordar o trauma sofrido com o confisco ordenado pelo "caçador de marajás", cujos economistas diziam à época, antes de perpetrada a barbeiragem econômica, que deixariam a “direita indignada e a esquerda perplexa”.
Segundo Lula, "O que é grave é que um partido faz uma propaganda e pode passar por mentiroso".
O PT irá questionar a peça publicitária no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e é de se esperar que a Corte puna adequadamente o partido transgressor, no mínimo, obrigando-o a se retratar, e não seria mal cassar-lhe um naco do tempo no horário político. Do contrário a Corte estará pavimentando o caminho para o baixo nível na campanha de 2010.
Jungmann não se acanha em dizer que o PT quer censurar seu partido, e insiste na diatribe, avisando que a agremiação irá lançar uma campanha nacional em defesa da caderneta de poupança.
O deputado do PPS disse não temer o resultado da ação judicial. "Se o TSE decidir em favor do PT, vamos reformular e continuaremos na batalha." Quer dizer, mudará os termos utilizados, mantendo, possivelmente, o intuito de prejudicar o adversário – e muito mais ainda à sociedade - ao semear a intranquilidade.
A intenção do governo, uma tarefa espinhosa, é justamente preservar os rendimentos do pequeno poupador e desestimular depósitos de maior vulto.
Acreditar em confisco seria subestimar a inteligência e o aguçado instinto de sobrevivência política de Lula, que não ignora o prejuízo que um calote causaria à imagem da economia sólida e bem comportada do Brasil, iniciada no governo Fernando Henrique, zelosamente mantida nesses seis anos, e fiadora maior de sua popularidade.
Melhor faria o PPS, por exemplo, se denunciasse com igual ênfase o apoio entusiasmado de governadores e prefeitos, especialmente José Serra e Gilberto Kassab, ao Projeto de Emenda Constitucional nº 12 (PEC 12) que - este sim - institui um calote generalizado nos detentores de precatórios.
Serra vendeu a Nossa Caixa por R$ 5,386 bilhões. Com esse dinheiro poderia quitar quase um terço da dívida de precatórios do Estado, cerca de R$ 16,2 bilhões.
*(Precatórios são dívidas dos governos para com pessoas, geralmente oriundas de desapropriações, diferenças de pensões, que os credores ganharam após não raro décadas de batalha nos tribunais, que a Justiça manda pagar. Não bastasse a demora judicial, o infeliz credor esperava cerca de dez anos para receber o que lhe é devido pelo Estado. Muitos deles, talvez a maioria, são idosos, e com a Proposta de Emenda nº 12, seguramente morrerão sem ver a cor do dinheiro).
Luiz Leitão luizmleitao@gmail.com

5 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Luiz:
    Será que esta é uma prévia do baixo nível de qualidade dos debates que virão durante o processo de eleição do nosso presidente da república ?
    Se o TSE não tomar a rédea já neste momento contra partidos e propagandas como estas, arquitetadas por políticos que ainda apostam no alto grau de desinformação de grande parte do eleitorado, não creio que poderemos discutir seriamente e sem hipocrisia, temas como educação, segurança, transporte, saúde, ou economia. Os partidos de oposição e as opiniões de analistas políticos, tais como as contidas neste seu blog, a respeito das ações corretas ou não do governo, são importantíssimas numa democracia, mas exemplos caluniosos como esse do deputado Jungmann não contribuem para um debate civilizado. Ele nos passa, na verdade, a impressão de que os assuntos principais devem dar espaço às ambições pessoais, que com certeza deve ser o caso dele, mostrando subestimar a inteligência média do nosso povo, traumatizado com tantos exemplos de choques desastrosos na economia, usados no passado na tentativa de estabilização da inflação, e que neste propaganda de TV, está sendo usado como forma de terrorismo. A Regina Duarte tinha medo do Lula. Eu tenho medo de terroristas como Collor e Jungmann. Por falar nisso, onde será que anda a Zélia Cardoso de Mello? Fiquemos atentos, pois a qualquer hora ela também pode retornar como secretária do José Serra.

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  3. Olá Luiz, parabéns pelo blog, voltarei aqui com mais calma para revê-lo.

    abraços literários
    Marco Sistinne
    Bula Literal

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  4. Jairo,

    Este seu comentário está ótimo, me animou a transformar esse post em artigo, aproveitando o que você argumenta.

    Um prévia, pelo jeito, vc tem razão. O TSE é quem vai decidir os parâmetros éticos dessa próxima campanha.

    Sem dúvida, Jungmann está interessado somente no suposto "lucro" que terá propagando essa mentira. de modo que a ele e ao PPS pouco importa a população, só querem seus votos.

    Dá até pra encaixar no texto a questão dos precatórios , a PEC 12, que impõe o calote aos precatórios, apoiada por Kassab, Serra, que vendeu a Nossa Caixa e poderia ter, com o dinheiro, quitar 1/3 da dívida de 18 bi. A dívida da prefeitura de SP é de 11 bi.

    Como é que esses caras podem querer levar o Brasil adiante?

    Obrigado pelo útil e inspirador comentário.

    Abraço.

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  5. Marcos,

    Obrigado, venha sempre, participe.

    Vou dar uma visitada ao seu Bula Literária.


    Abraços.

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