Hoje, soube da morte de um amigo, daqueles que a gente vê pouco, mas quando vê, saboreia momentos alegres.
A morte significa que o tempo parou, e com ele, o coração.
Mas, e as memórias, já que elas são atemporais? O que lhes acontece nessa equação maluca de fim de tempo e parada cardíaca?
Para aonde irei (irei mesmo a algum lugar?) quando o meu relógio-coração parar?
Há pessoas que comprar belíssimos relógios, porque gostam de contemplá-los, mas o tempo que flui por eles é o mesmo da ampulheta.
Numa vida média, aí de uns 70 anos, um coração bate cerca de 19.200 vezes por dia, ou 460.800 vezes a cada mês, ou, ainda, 32.256.000 vezes em toda a sua vida. Isso, considerando-se o batimento médio de 80 bpm. Curiosamente, se o seu coração bater mais rápido, você não viverá mais por isso, e talvez até viva menos. Os corações dos atletas batem bem mais devagar, e eles tendem a viver mais por tempo.
Mas o fato, o prático dessa minha lengalenga aqui é que o coração do meu amigo parou. Pra sempre. Never again.
Pra quem fica, a lembrança na memória, nas fotos, na lápide. Pra quem se vai, o quê? O tal mundo espiritual, ou o "nada"? Na minha modesta opinião, eu preferiria o "Nada", mas é tão maluco e difícil imaginar absolutos... o "Tudo", o "Nada", a "Morte", o "Sempre", o "Nunca", o "Amor", o "Óbvio". Todos esses absolutos se dissolvem na loucura da nossa existência e nos fazem pensar que nenhum deles existe. Mas uma torturante incerteza persiste. Será?
P.S.: Eu não uso relógios
Luiz Leitão
luizmleitao@gmail.com
Astronomia, astrofísica, astrogeologia, astrobiologia, astrogeografia. O macro Universo em geral, deixando de lado os assuntos mundanos. Um olhar para o sublime Universo que existe além da Terra e transcende nossas brevíssimas vidas. Astronomy astrophysics, astrogeology, astrobiology, astrogeography. The macro Universe in general, putting aside mundane subjects. A look at the sublime Universe that exists beyond Earth and transcends our rather brief life spans.
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quarta-feira, 25 de março de 2009
O tempo e a vida
Hoje, soube da morte de um amigo, daqueles que a gente vê pouco, mas quando vê, saboreia momentos alegres.
A morte significa que o tempo parou, e com ele, o coração.
Mas, e as memórias, já que elas são atemporais? O que lhes acontece nessa equação maluca de fim de tempo e parada cardíaca?
Para aonde irei (irei mesmo a algum lugar?) quando o meu relógio-coração parar?
Há pessoas que comprar belíssimos relógios, porque gostam de contemplá-los, mas o tempo que flui por eles é o mesmo da ampulheta.
Numa vida média, aí de uns 70 anos, um coração bate cerca de 19.200 vezes por dia, ou 460.800 vezes a cada mês, ou, ainda, 32.256.000 vezes em toda a sua vida. Isso, considerando-se o batimento médio de 80 bpm. Curiosamente, se o seu coração bater mais rápido, você não viverá mais por isso, e talvez até viva menos. Os corações dos atletas batem bem mais devagar, e eles tendem a viver mais por tempo.
Mas o fato, o prático dessa minha lengalenga aqui é que o coração do meu amigo parou. Pra sempre. Never again.
Pra quem fica, a lembrança na memória, nas fotos, na lápide. Pra quem se vai, o quê? O tal mundo espiritual, ou o "nada"? Na minha modesta opinião, eu preferiria o "Nada", mas é tão maluco e difícil imaginar absolutos... o "Tudo", o "Nada", a "Morte", o "Sempre", o "Nunca", o "Amor", o "Óbvio". Todos esses absolutos se dissolvem na loucura da nossa existência e nos fazem pensar que nenhum deles existe. Mas uma torturante incerteza persiste. Será?
P.S.: Eu não uso relógios
Luiz Leitão
luizmleitao@gmail.com
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