Na correria para construir a próxima geração de carros híbridos ou elétricos, um fato preocupante confronta fabricantes e governos em busca de reduzir sua dependência do óleo importado: quase a metade do lítio existente no mundo, o mineral necessário para prover energia para esses veículos, está na Bolívia – um país que pode não estar disposto a ceder o material tão facilmente.
Moradores de Uyuni, na Bolívia, sobrevivem há gerações através da colheita de sal e de sua venda pelo país afora.
Companhias Japonesas e européias estão tentando freneticamente fechar acordo para garantir o recurso, mas um sentimento nacionalista em torno do lítio tem crescido no governo de Evo Morales, crítico aguerrido dos Estados Unidos que nacionalizou indústrias de gás e petróleo.
Por ora, o governo fala em controlar estritamente as jazidas de lítio e manter os estrangeiros longe. Para completar o quadro, os grupos indígenas do remoto deserto de sal onde jaz o mineral pressionam por uma participação nos lucros.
Os salineiros da região de Uyuni, a maior planície de sal do globo, dizem que a Bolívia é a Arábia Saudita do lítio.
A nova constituição da Bolívia ampara essas reivindicações. Um de seus artigos poderá dar aos índios o controle dos recursos naturais em seu território, reforçando sua capacidade de conseguir concessões de autoridades e companhias privadas, ou mesmo bloquear projetos de mineração.
Nada disso impede os esforços dos estrangeiros, inclusive dos conglomerados japoneses Mitsubishi e Sumitomo, além de um grupo liderado por um industrial francês, Vincent Boloré. Há poucos meses, todos os três enviaram representantes a La Paz para tentar entendimentos com o governo Morales visando a ter acesso ao lítio, um componente fundamental das baterias que movem automóveis e outros eletrônicos.
Existem lagos de sal no Chile e na Argentina, e um promissor depósito de lítio no Tibete, mas o grande filão está mesmo na Bolívia.
A Mitsubishi não está sozinha nos planos de produzir carros com baterias de íon de lítio. Fabricantes nos EUA estão apostando no lítio, inclusive a General Motors, que planeja no ano que vem iniciar a produção do Volt, um carro que usa bateria de íon de lítio juntamente com um motor a gasolina. Nissan, Ford e BMW têm projetos semelhantes.
A demanda pelo lítio, durante muito tempo usado em pequenas quantidades em drogas psiquiátricas como o carbonato de lítio (Zyprexa) e armamentos termonucleares, cresceu com fabricação de baterias para blackberries e outros dispositivos.
Por ser mais leve que o níquel também usado em baterias, o lítio permitirá a carros elétricos armazenar mais energia e atingir maiores distâncias.
Com a busca da eficiência energética e da independência do petróleo estrangeiro, empresas privadas estão concentrando a atenção neste desolado canto dos Andes, onde Índios que falam quéchua subsistem nos remanescentes de um antigo mar interno vendendo o sal, que transportam em caravanas de lhamas.
O departamento de Pesquisas Geológicas dos Estados Unidos diz que 5,4 milhões de toneladas de lítio poderiam ser extraídas da Bolívia, em comparação a 3 milhões no Chile, 1,1 milhão na China e somente 410 mil nos Estados Unidos. Geólogos independentes estimam que a Bolívia pode ter até mais lítio em Uyuni e outros desertos de sal, embora as grandes altitudes possam dificultar o acesso ao mineral. Frente a tamanho potencial, estrangeiros em busca do lítio boliviano terão de se submeter às políticas de Morales, 49, que confrontou repentinamente os investidores americanos, europeus e até sulamericanos. Morales chocou o vizinho Brasil, de cujo governo ele tem estado nas boas graças, nacionalizando seus projetos de gás natural em 2006 e buscando altos reajustes de preços.
No escritórios de La Paz da Comibol, a agência estatal que supervisiona os projetos de mineração, a visão de Morales de combinação do socialismo com a advocacia pró- índios está escancaradamente à mostra. Exemplares do Cambio, o novo jornal estatal diário, estão disponíveis no lobby, enquanto pôsteres de Che Guevara, o ícone esquerdista morto na Bolívia, em 1967, enfeitam a entrada.
Até agora, a Comibol está investindo cerca de US$ 6 milhões em uma pequena unidade próxima ao vilarejo de Rio Grande, nas cercanias do Salar de Uyuni, onde espera iniciar o primeiro processo em escala industrial da Bolívia para mineração de lítio retirado de uma paisagem branca, de aparência lunar e processá-lo para obter o sal carbonato de lítio para a fabricação de baterias. Morales quer as unidades prontas até o final do ano.
Além da pequena usina, os analistas dizem que a Bolívia, um dos países menos desenvolvidos da America Latina, terá de investir centenas de milhões de dólares para começar a produzir carbonato de lítio.
Mas, com a parada na economia mundial e uma queda nos preços do petróleo limitando a ação de seu patrono, a Venezuela, há incerteza se a Bolívia conseguirá fazê-lo sozinha.
Enquanto a Bolívia pensa, nações com reservas menores, como a China, apontam como principais produtores de lítio, com as reservas encontradas nas planícies de sal do Tibete.
Mesmo assim, geólogos e economistas discutem se as reservas de lítio fora da Bolívia serão suficientes para atender à crescente demanda global.
In the rush to build the next generation of hybrid or electric cars, a sobering fact confronts both automakers and governments seeking to lower their reliance on foreign oil: almost half of the world’s lithium, the mineral needed to power the vehicles, is found here in Bolivia — a country that may not be willing to surrender it so easily.
Noah Friedman-Rudovsky for The New York Times
Residents of Uyuni, Bolivia, have survived for generations by collecting salt and selling it across the country.
Japanese and European companies are busily trying to strike deals to tap the resource, but a nationalist sentiment about the lithium is building quickly in the government of President Evo Morales, an ardent critic of the United States who has already nationalized Bolivia’s oil and natural gas industries.
For now, the government talks of closely controlling the lithium itself and keeping foreigners at bay. Adding to the pressure, indigenous groups here in the remote salt desert where the mineral lies are pushing for a share in the eventual bounty.
“We know that Bolivia can become the Saudi Arabia of lithium,” said Francisco Quisbert, 64, the leader of Frutcas, a group of salt gatherers and quinoa farmers on the edge of Salar de Uyuni, the world’s largest salt flat. “We are poor, but we are not stupid peasants,” he said. “The lithium may be Bolivia’s, but it is also our property.”
The new constitution Mr. Morales managed to pass handily last month bolsters such claims. One of its provisions could give Indians control over the natural resources in their territory, strengthening their ability to win concessions from authorities and private companies, or even block mining projects.
None of this is dampening efforts by foreigners, including the Japanese conglomerates Mitsubishi and Sumitomo and a group led by a French industrialist, Vincent Bolloré. In recent months all three have sent representatives to La Paz, the capital, to meet with Mr. Morales’s government to gain access to the lithium, a critical component for the batteries that power cars and other electronics.
“There are salt lakes in Chile and Argentina, and a promising lithium deposit in Tibet, but the prize is clearly in Bolivia,” Oji Baba, an executive in Mitsubishi’s Base Metals Unit, said in an interview in La Paz. “If we want to be a force in the next wave of automobiles and the batteries that power them, then we must be here.”
Mitsubishi is not alone in planning to produce cars using lithium-ion batteries. Ailing carmakers in the United States are pinning their hopes on lithium, including General Motors, which next year plans to roll out its Volt, a car using a lithium-ion battery along with a gas engine. Nissan, Ford and BMW, among other carmakers, have similar projects.
Demand for lithium, long used in small amounts in mood-stabilizing drugs and thermonuclear weapons, has climbed as makers of batteries for BlackBerrys and other electronic devices use the mineral. But the automotive industry holds the biggest untapped potential for lithium, analysts say. Since it weighs less than nickel, also used in batteries, it would allow electric cars to store more energy and drive longer distances.
With governments, including the Obama administration, seeking to increase fuel efficiency and reduce their dependence on imported oil, private companies are focusing their attention on this desolate corner of the Andes, where Quechua-speaking Indians subsist on the remains of an ancient inland sea by bartering the salt they carry out on llama caravans.
The United States Geological Survey says 5.4 million tons of lithium could eventually be extracted in Bolivia, compared with 3 million in Chile, 1.1 million in China and just 410,000 in the United States. Independent geologists estimate that Bolivia might have even more lithium at Uyuni and its other salt deserts, though high altitudes could make accessing the mineral difficult.
Amid such potential, foreigners seeking to tap Bolivia’s lithium reserves must navigate the policies of Mr. Morales, 49, who has clashed repeatedly with American, European and even South American investors. Mr. Morales shocked neighboring Brazil, with whose government he is on friendly terms, by nationalizing its natural gas projects here in 2006 and seeking a sharp rise in prices. He carried out his latest nationalization before the vote on the constitution, sending soldiers to occupy the operations of British oil giant BP.
At the La Paz headquarters of Comibol, the state agency that oversees mining projects, Mr. Morales’s vision of combining socialism with advocacy for Bolivia’s Indians is prominently on display. Copies of Cambio, a new state-controlled daily newspaper, are available in the lobby, while posters of Che Guevara, the leftist icon killed in Bolivia in 1967, grace the entrance to Comibol’s offices.
“The previous imperialist model of exploitation of our natural resources will never be repeated in Bolivia,” said Saúl Villegas, head of evaporates, a division in Comibol that oversees lithium extraction. “Maybe there could be the possibility of foreigners accepted as minority partners, or better yet, as our clients.”
To that end, Comibol is investing about $6 million in a small plant near the village of Rio Grande on the edge of Salar de Uyuni, where it hopes to begin Bolivia’s first industrial-scale effort to mine lithium from the white, moon-like landscape of the Salar and process it into carbonate for batteries. Mr. Morales wants the plant finished by the end of this year.
Workers here were in a frenzy to meet that goal during late January, laboring under the sun around half-finished walls of brick. Over a meal of llama stew and a Pepsi, Marcelo Castro, 48, the manager overseeing the project, explained that along with processing lithium the plant had another objective.
“Of course, lithium is the mineral that will lead us to the post-petroleum era,” said Mr. Castro. “But in order to go down that road, we must raise the revolutionary consciousness of our people, starting on the floor of this very factory.”
Beyond the tiny plant, lithium analysts say Bolivia, one of Latin America’s least developed nations, needs to be investing hundreds of millions of dollars to start producing carbonate. But with economic growth slowing and a decline in oil prices limiting the reach of its top patron, Venezuela, it remains unclear how Bolivia can achieve this on its own.
Even though Mr. Morales seized control of oil and natural gas projects, optimistic industry analysts point out that he allowed some foreign companies to remain in the country as minority partners.
Bolivia’s lithium has its own history of fits and starts. In the early 1990’s, nationalist opposition reportedly led by Gonzalo Sánchez de Lozada, a wealthy holder of mining concessions who later became Bolivia’s president, thwarted a plan by Lithco, an American company, to tap the lithium deposits here. That history, coupled with Mr. Morales’s current tensions with Washington, might help explain why American companies appear to be on the sidelines as others seek lithium deals here. Mr. Sánchez de Lozada was ultimately forced to resign as president in 2003 after Mr. Morales led protests against his efforts to export another natural resource, natural gas, with the help of foreign capital.
As Bolivia ponders how to tap its lithium, nations with smaller reserves are stepping up. China has emerged as a top lithium producer, tapping reserves found in a Tibetan salt flat. But geologists and economists are debating whether the lithium reserves outside of Bolivia are enough to meet the climbing global demand.
“We have the most magnificent lithium reserves on the planet, but if we don’t step into the race now we will lose this chance,” said Juan Carlos Zuleta, an economist in La Paz. “The market will find other solutions for the world’s battery needs.”
On the flat salt desert of Uyuni, such debate seems remote to those still laboring as their ancestors did, scraping salt off ground into the cone-shaped piles that line the horizon like some geometric mirage. The lithium found under the surface of this desert seems even more remote for these 21st-century salt gatherers.
“I’ve heard of the lithium, but I only hope it creates work for us,” said Pedro Camata, 19, his face shielded from the unforgiving sun by a ski mask; cheap sunglasses covered his eyes. “Without work out here, one is dead.”
El salar de Uyuni, una planicie blanca de más de 10.000 kilómetros cuadrados en el suroeste de Boliva, se ha convertido en el centro de atracción ya no sólo para turistas o astrónomos, sino para empresarios interesados en la explotación del litio como fuente de energía alternativa, principalmente para la industria automovilística.
El Gobierno boliviano analizó con empresarios japoneses, en reuniones celebradas en La Paz esta semana, la posibilidad de explotar el litio del salar de Uyuni, cuyas reservas se calculan en unos 100 millones de toneladas, de acuerdo con datos gubernamentales. Los diplomáticos japoneses, que acompañaron a los industriales de las firmas Sumitomo y Mitsubishi, señalaron que, aunque no existen proyectos específicos, el interés se centra en la posibilidad de explotar el litio del salar, en declaraciones recogidas por la prensa local.
"La crisis económica está mostrando lo obsoleta que ha quedado la industria automotriz y refleja el apremio que tiene en cambiar el motor de explosión que usa carburantes ahora de alto costo por otro motor de energía limpia y es aquí donde el litio juega un papel estelar y decisivo", explicó el economista minero Rolando Jordán.
"El litio es el mejor conservador de energía y, aunque se necesita aún bastante desarrollo tecnológico, puede lograrse en un futuro un vehículo con baterías de litio", agregó al justificar el marcado interés en lograr acuerdos con el Gobierno boliviano.
Bolivia está convencida del valor que tiene este recurso natural, que se encuentra no solamente en el salar de Uyuni, en el departamento de Potosí, sino en otros más pequeños situados en el departamento de Oruro, y no desea enajenarlos sin obtener importantes beneficios.
Esa ha sido una de las razones por las que decidió suspender las largas negociaciones que, en los años noventa, se entablaron con la Lithium Corporation, que buscaba controlar la mayor fuente mundial de litio.
La Lithium y la Food Corporation son las dos empresas que tienen hegemonía en el país andino tanto en la explotación y producción como en la tecnología para obtener litio metálico, "elemento clave en el proceso de fusión nuclear, que controla y evita la radioactividad", según Jordán.
Tras el retiro de la Lithium, que decidió invertir en el salar Hombre Muerto de Argentina para producir litio metálico, los bolivianos comenzaron a explotar ulexita, bórax y otros minerales no metálicos en el Salar de Uyuni.
El Gobierno del presidente Evo Morales decidió impulsar el pasado año la producción de carbonato de litio con una pequeña planta piloto instalada en las salmueras de Río Grande, con una inversión de seis millones de dólares y un ingreso estimado en 300.000 dólares anuales, una pequeña fortuna para los pobladores que viven alrededor del Salar de Uyuni, en su mayoría agricultores dedicados a la producción de quinua, cría de camélidos y a la venta de sal doméstica.
Para respaldar el proyecto del litio, el presidente Morales colocó el pasado año la primera piedra para la construcción de un aeropuerto en Uyuni, unos 220 kilómetros al oeste de Potosí, obra que no ha registrado grandes avances y se calcula que puede tardar aún un año más en recibir turistas.
Las autoridades bolivianas confirmaron el interés, no solamente de los japoneses, sino de franceses y chinos en la explotación del litio. Sin embargo, cualquier acuerdo está no solamente en manos del Gobierno, pues, de acuerdo con la nueva Constitución Política del Estado ?que se promulgará hoy en La Paz?, serán los pueblos indígenas de la región los que decidan si aceptan o no esta explotación y las condiciones económicas que más les beneficien.
El periodista Emilio Martínez, autor de Ciudadano X, la historia secreta del evismo, señala en una columna en Internet que una de las empresas japonesas interesadas en el litio boliviano, la Sumitomo Corporation, está relacionada con el inversionista George Soros, que "recientemente anunció una inversión multimillonaria para el desarrollo de autos basados en ion litio en la fábrica china Chery".
Según el escritor, radicado en Santa Cruz, Soros tiene participación accionarial en la empresa minera San Cristóbal, que opera en Potosí.
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