O governo do Estado do Maranhão, administrado por Jackson Lago (PDT-MA), cujo mandato está sob risco de cassação, fez publicar, até agora, três anúncios coloridos de meia página no jornal O Estado de São Paulo, um veículo publicitário caro, que circula majoritariamente no sudeste do Brasil, 94% na capital e interior, e apenas 6% nas demais regiões do País.
Segundo a tabela do jornal, a veiculação de meia página no primeiro caderno, em dias de semana, custa R$ 137.498. Supondo-se que os anúncios tenham sido publicados somente neste jornal e apenas três vezes, o inútil gasto terá sido de quase 412 mil reais. O exemplo acabado de mau uso de recursos públicos.
Na peça, sob o estranho título “Maranhão construindo dignidade” o executivo maranhense divulga suas realizações, obras, serviços sociais, enfim, nada mais do que a sua obrigação. Ainda que esse tipo de propaganda fosse admissível, não interessa ao leitor do sudeste; deveria ser dirigida somente aos beneficiários das obras e serviços, os maranhenses.
Nem a mais fértil imaginação haverá de encontrar uma razão plausível para tal desperdício de dinheiro público, especialmente em um Estado tão carente de recursos. A única finalidade admissível para a veiculação de anúncios governamentais em outros Estados é a de promoção do turismo.
Em quantos outros veículos inadequados esse anúncio terá sido veiculado? A publicidade paga de governos, com exceção de campanhas de utilidade pública ou para a promoção do turismo, é totalmente despropositada e dispensável, porque obras públicas não precisam ser alardeadas. A população, auferindo os benefícios de ações e empreendimentos corretos, saberá avaliar o que foi feito de bom.
Como fazer obras e prover serviços é apenas cumprir com as obrigações, a propaganda de governo fora das hipóteses acima deveria ser proibida, tapando-se, assim, mais um dos inumeráveis ralos por onde escoa, inutilmente, considerável parcela dos sempre escassos recursos públicos.
Luiz Leitão luizmleitao@gmail.com
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