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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Na crise econômica, é bom ficar do lado do governo

A realidade se encarrega de desmentir o presidente Lula e seu ministro da Fazenda, quando disseram dias atrás que a crise financeira global só causaria uma ou outra marolinha aqui no Brasil.
Ainda que o ministro Guido Mantega esteja sendo sincero ao afirmar que não há bancos quebrando no País, a medida provisória que autoriza a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil a adquirir instituições financeiras – não só bancos – eventualmente em dificuldades é o tipo de notícia ao mesmo tempo tranqüilizadora e desconfortável de se ouvir. É como se fosse recomendado aos passageiros de um avião que, desta vez, usassem pára-quedas. Apenas por precaução. Naquela expressão inglesa perfeita para o caso: Just in case.
Em mais um dia de cotações derretendo na Bolsa, aqui e lá fora, com o risco Brasil subindo a níveis dos quais nem mais se lembravam os adeptos da tese do “descolamento” da economia dos países emergentes, e com o dólar chegando, mais uma vez, a quase R$ 2,40, pode-se dizer que já é possível pegar jacaré nas tais marolas presidenciais.
O fato é que estamos tomando aqui medidas semelhantes às adotadas em outros países, como essa predisposição de se estatizar bancos, se necessário. Não se trata aqui de criticar as medidas, nem a atuação do Banco Central, muito pelo contrário. É que notícias dão conta do temor que sente o líder do governo no Senado, Romero Jucá a respeito de possíveis protestos da oposição e mesmo dos aliados contra a medida provisória 443, que autorizará o governo a agir de maneira ainda mais incisiva contra a crise.
O panorama externo não encoraja atitudes imprudentes, muito menos complacentes. A China deverá crescer apenas 8% em 2009, o que pode parecer muito, ainda, mas convém lembrar que o país tinha taxas de crescimento de 12% até bem pouco tempo atrás. Nada nada, uma redução de um terço.
Na Inglaterra, em que pese o a atitude firme e pioneira do primeiro-ministro Gordon Brown, o governo admite que a recessão chegou, e o presidente do Banco da Inglaterra, Mervyn King, declarou que " É certamente provável que o drama da crise bancária, sem precedentes para quase todos nós, causará dificuldades para os negócios e minará a confiança do consumidor”. E o Instituto Nacional de Pesquisas Sociais e Econômicas da Inglaterra diz que haverá uma recessão global em 2009, com a maior queda nos países industrializados desde 1982, e prega uma redução ainda mais radical dos juros no Reino Unido e nos EUA, recomendando que o Banco da Inglaterra corte as atuais taxas de 4,5% para 2%, e que o FED, o banco central americano, derrube as taxas dos atuais 1,5% para zero.
Não é hora de remar contra, mas, sim, de confiar no taco do presidente do Banco Central, que soube conduzir, até aqui, a Economia com prudência e maestria.
*Acima, o texto conforme publicado na imprensa. O bom do blog é que dá pra estender um pouco o assunto:
A Libra inglesa caiu a seu nível baixo frente o dólar em cinco anos. Balanços de empresas em geral com resultados tenebrosos, lá fora e aqui no Brasil. Cancelamento de projetos também. Governos, de Budapest (Hungria) a Buenos Aires adotam ações de emergência para proteger suas economias da pior crise econômica em 80 anos, mas ações, moedas, petróleo e outras commodities têm seus preços em queda por conta dos temores persistentes de recessão global.
O banco americano Wachovia Corp, que será absorvido pelo Weels Frago, teve prejuízo de US$ 23,9 bilhões no terceiro bimestre, um recorde para bancos em crise. As empresas AT&T e Boeing estão entre as que informaram ganhos inferiores aos esperados, e a empresa farmacêutica Merck anunciou o corte de 7.200 empregos.
A Bolsa de Valores de Buenos Aires caiu 16%; no Cáucaso, a Ucrânia e Bielo-Rússia anunciaram que irão recorrer ao FMI.Outros novos fregueses do Fundo são o Paquistão e a Islândia.
Luiz Leitão luizmleitao@gmail.com

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