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segunda-feira, 31 de março de 2008

CERN - Pedindo a um juiz que salve o mundo, talvez até mais

Há uns dois dias, o New York Times publicou uma reportagem sobre uma ação judicial que visa a impedir o funcionamento do maior acelerador de partículas do mundo, o CERN, na Suíça.
Vai aqui a tradução:
Mais conflitos no Iraque, a Somália no caos, as pessoas nos EUA não consegue mais pagar suas hipotecas, e em outros cantos do mundo, como em Manila, elas nem sequer podem comprar arroz.
Nada disso nem o restante das grandes manchetes de hoje terão importância se dois homens que pedem um mandado judicial na Corte do Havaí estiverem certos.
Eles acreditam piamente que um gigantesco acelerador de partículas que comecará a fazer prótons colidirem nos arredores de Genebra pode produzir um buraco negro ou algo parecido que acabará com a Terra e talvez o Universo - o apocalipse em pessoa.
Os cientistas dizem que isto é muito improvável (a ciência lida com probabilidades, e tudo na vida são probabilidades), embora tenham feito algumas verificações para ter certeza. Os físicos de todo o mundo passaram 14 anos e gastaram US$ 8 bilhões na construção do Grande Colisor de Hádrons, no qual prótons (são parte do núcleo dos átomos) em colisão deverão recriar os níveis de energia e as condições vistas pela última vez um trilhonésimo de segundo após o Big-Bang.
Os pesquisadores irão destrinchar os fragmentos destas recriações dos primórdios em busca de pistas da natureza da massa e de novas forças e simetria da natureza. Não é pouco o que se pretende.
Todavia, Walter L. Wagner e Luis Sancho alegam que os cientistas do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares, o CERN, poderão fazer o colisor produzir, entre outros horrores, um pequeno buraco negro, o qual, alegam, poderia engolir a Terra. Ou produzir algo chamado um "strangelet", que converteria nosso planeta em uma massa densa e morta chamada "matéria estranha" (daí o nome "strangelet").
Sua tese também diz que o CERN não conseguiu obter um relatório de impacto ambiental, requerido conforme o National Environment Policy Act, ou Lei de Políticas Nacionais para o Meio-Ambiente.
Embora soe bizarro, o caso aborda uma séria questão que tem preocupado os cientistas em anos recentes, mais exatamente sobre como estimar o risco de novos experimentos pioneiros e quem decide se serão ou não levados adiante.
A demanda judicial, impetrada em 21 de março na Corte Federal de Honolulu, requer uma proibição temporária à entrada em operação do acelerador do CERN ou até que haja um relatório de segurança e de avaliação ambiental.
Coloca na posição de réus o Departamento de Energia dos EUA, o Fermilab, a Fundação Nacional de Ciência e o CERN. Segundo o porta-voz do Departamento de Justiça dos EUA, que repesenta o Departamento de Energia, uma reunião foi marcada para 16 de junho. Por que deveria o CERN, uma organização européia baseada na Suíça, ser ré em um tribunal havaiano?
Em entrevista, Wagner disse: "Eu não sei se eles irão aparecer". O CERN deveria se submeter voluntariamente à jurisdição da Corte, disse, aduzindo que ele e Sancho poderiam ter processado o CERN na Suíça ou na França, mas para "economizar", eles incluíram o CERN nesta demanda. Ele alega que uma ordem de suspensão para o Fermilab (que é americano) e para o Departamento de Energia, que ajudam financeiramente a manter os magnetos supercondutores do CERN suspenderiam o projeto de qualquer modo.
James Gillies, chefe de relações públicas do CERN, disse que o laboratório ainda não se pronunciou sobre o processo judicial. "É difícil achar que uma corte distrital no Havaí poderá ter jurisdição sobre uma organização intergovernamental na Europa", disse.
"Nada sugere que o LHC seja inseguro", aduzindo que sua segurança foi confirmada por dois relatórios, outro está a caminho, e serão discutidos em 6 de abril, no CERN. "Cientificamente, não estamos escondendo nada", disse.
Wagner, que vive na Grande Ilha do Havaí, estudou física e fez pesquisas sobre raios cósmicos na Universidade da Califórnia, em Berkeley, e obteve doutorado honorífico pela agora denominada Universidade do Norte da Califórnia, em Sacramento. Depois, trabalhou como oficial de segurança em radiação na Administração dos Veteranos.
Sancho, autodescrito autor e pesquisador da teoria do tempo, mora na Espanha, provavelmente em Barcelona, segundo Wagner. (Não sabe nem onde mora seu parceiro de demanda judicial...).
Os temores sobre o dia do Apocalipse tem um longo, se não distinto, pedigree na história da física. Em Los Alamos, antes dos testes da primeira bomba atômica, Emil Konopinski recebeu o engargo de calcular se a explosão poderia ou não incendiar a atmosfera terrestre.
O LHC foi projetado para elevar prótons a níveis de energia de sete trilhões de volts, antes de fazê-los colidir. "Nada, na verdade , acontecerá no colisor do CERN que não ocorra 100.000 vezes todos os dias devido à entrada de raios cósmicos na atmosfera", disse Nima Arkani-Hamed, um físico teórico de partículas do Instituto de Estudos Avançados de Princeton.
O que difere, admitem os físicos, é que os fragmentos dos raios cósmicos atingem a terra sem causar danos, quase à velocidade da luz, mas qualquer coisa criada quando os raios se chocarem no colisor será criado em estado latente relativamente ao laboratório , portanto ficará por ali, e somente ali poderá causar algum dano. Os novos temores referem-se a buracos negros, os quais, de acordo com algumas variantes da Teoria das Cordas, poderiam surgir no colisor. Esta possibilidade, embora remota, foi largamente explorada de modo sensacionalista em muitos jornais e artigos populares durante os últimos anos, mas eles seriam perigosos?
Segundo um artigo do professor Stephen Hawking, de 1974, eles rapidamente se evaporariam em uma nuvem de radiação e partículas elementares, e portanto não são uma ameaça. Ninguém, no entanto, já viu um buraco negro evaporar-se.
Em conseqüência, Wagner e Sancho [perdão, mas a alusão a Sancho Pança, de Dom Quixote, é irresistível] alegam em sua demanda, buracos negros poderiam realmente ser estáveis, e um micro buraco negro criado no colisor poderia crescer, finalmente engolindo a Terra.
Mas William Unruh, da Universidade de British Columbia, cujo artigo, que explora os limites do processo de radiação do professor Hawking, foi mencionado no site do sr. Wagner, disse que ele não notou este pormenor. "Talvez a física seja estranha a ponto de não permitir que buracos negros se evaporem", disse. "Mas ela teria que ser realmente muito, muito estranha".
Lisa Randall, uma física de Harvard, que ajudau a propagar a especulação sobre os buracos negros no colisor, ressaltou em um artigo ano passado que buracos negros, afinal, provavelmente não seriam criados no LHC, ambora outros efeitos da chamada "gravidade quântica" possam aparecer.
Como parte do relatório de segurança, o dr. Mangano e o dr. Steve Giddings da Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara, têm trabalhado intensamente nos últimos meses em um artigo que explora todas as possibilidades desses assustadores buracos negros. Eles crêem que não há problemas, mas relutam em falar sobre suas conclusões até que tenham sido revisadas.
O dr. Arkani-Hamed disse a respeito da morte da Terra ou do universo: "Nenhum desses trabalhos merece crédito". Ele ressaltou que, devido à natureza incerta (vide o princípio da incerteza de Heisenberg) da Física Quântica, existe a probabilidade de nada acontecer. É uma chance minúscula, disse, "O LHC pode criar dragões que venham a nos engolir".
Comentário: O bizarro nesta história toda não se refere aos aspectos e possibilidades da física quântica, a que os cientistas já estão acostumados, mas, sim, ao rídiculo de a Justiça americana acolher a ação patrocinada por estes dois cavaleiros do apocalipese, Wagner e Sancho.

3 comentários:

  1. LL,
    são muito mais assustadoras,e tangíveis mesmo, as possibilidades devastdoras da bio genética, neste assunto do Homem brincar de Deus.
    Ainda, com um Mundo tão necessitado de recursos, como podem fazer uma aposta de U$ 7 BI? E, se aposta é tão alta, porque não é fácil de justificá-la?
    Remete a um administrador público tupiniquim, em suas esfarrapadas desculpas frente à epidemia da dengue, tendo como pano de fundo a fulgurante Pirâmede, digo, a Casa da Música?
    São surpreendentes os homens públicos, aquí e lá fora.
    Abraço, EduBuys. Blog do Varejo www.varejototal.zip.net
    ps: hoje é 1º de abril, mas tudo isto é verdade, não?

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  2. Olá Luiz,

    Pessoalmente eu não acredito nessa teoria de que o LHC vai criar um buraco negro que engolirá a Terra e talvez mesmo o Universo (absurdo).

    Por outro lado, é verdade que o CERN gastou muitíssimo dinheiro numa experiência que eles nem sabem se vai provar ou revelar algo de concreto.

    Esse dinheiro poderia com certeza diminuir a fome em muitos países neste mundo.

    Mas não deixo de apreciar o imenso esforço que os engenheiros e cientistas fizeram pra construir este enorme acelerador de partículas.

    Tem até o RAP do LHC que os empregados do CERN fizeram para explicar melhor os princípios desse gigantesco projeto.

    Abraço,

    Luciano
    PS: muito legal o seu blog! Parabéns!

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  3. Luciano,

    Obrigado por seus comentários, e pelo link para o RAP do LHC. É muita grana, realmente, mas , dependendo do que vier a descobrir, terá valido a pena.

    A fome no mundo se deve, edm minha modesta opinião, a estes fatores, principalmente: desperdício (50% de tudo o que é produzido, por falhas de armazenamento); subsídios, que impedem os países pobres de produzir a preços qque compensem.

    Agora, se fôssemos engolidos por um buraco negro criado no LHC, que diferença faria? Num Buraco negro, o tempo pára. E nosso tempo, de quanto, 60, 100 anos de vida? - é nada ante a grandeza do universo.

    Um superabraço; gostaria de papear mais com vc.

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