Pesquisar conteúdo deste blog

domingo, 6 de janeiro de 2008

Zé Dirceu, por qué no te callas?

O ex-deputado e ex-ministro José Dirceu nunca foi um político brilhante, mas não é bobo. Pode ser articulado, esperto e ainda ter poder no PT, mas não está mais fazendo o que gosta.
Quando disparou críticas e acusações contra os petistas do Rio Grande do Sul, falando em malas de dinheiro e caixa dois, sabia exatamente o que estava fazendo.
Provavelmente foi ele quem procurou a revista Piauí propondo a entrevista. Não disse grandes novidades, nada que não fosse do conhecimento geral, mas uma coisa é aquela verdade flutuante que se vê por aí, solenemente ignorada, e outra é sair dizendo as coisas aos quatro ventos.
Se o leitor puxar pela memória, haverá de se recordar que Sílvio Pereira, o ex-secretário do PT que é réu no Supremo pelas acusações de envolvimento no esquema do Mensalão, também andou abrindo a boca além do recomendável, há algum tempo, depois voltou atrás e calou-se para sempre.
Quis chamar atenção, dizer: olha, não me deixem sozinho.
Zé Dirceu, político medíocre que não soube lidar com a imensidão de poder que acumulou quando foi o virtual primeiro-ministro do mandato inicial de Lula, certamente não se conforma com o ostracismo a que foi relegado depois do Mensalão e de sua cassação.
Agora, dado o recado, volta atrás, dizendo que não disse exatamente o que a revista publicou, mas os editores da Piauí não nasceram ontem, para publicar um entrevista com alguém como Dirceu sem tê-la gravado.
Mas chamar atenção parece pouco, o que mais pretende o Zé com essa gritaria e a mudança de tom no dia seguinte? Uma coisa é certa: não conseguiu levar adiante o projeto de anistia política, e será duro ficar de fora do jogo até 2015, quando recuperará seus direitos políitcos.
Não acredito que, depois desse recado, a tal entrevista continue dando o que falar. Ele sabe muita coisa, mais do que muita gente, mas não pode dizer tudo o que sabe, ainda que quisesse fazê-lo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário