Uma idéia e tanto: ilhas de energia no mar, com a produção de água doce dessalinizada como "efeito colateral".
A tecnologia chama-se Ocean Thermal Energy Conversion (OTEC), ou Conversão de Energia Térmica de Oceanos.
O princípio, extremamente simples, baseia-se na diferença de temperatura da água entre a superfície do oceano, de cerca de 29º C nos trópicos e um quilômetro abaixo, quando atinge 5ºC.
Desenvolvido no século 19 pelo físico francês Arsène d'Arsonval, o mecanismo funciona como um refrigerador ao contrário onde a diferença de temperatura cria eletricidade. Aliás, a energia eólica, dos ventos, também é um princípio reverso: um ventilador ao contrário, em vez de a eletricidade produzir vento, este é que a produz, também pelo movimento das pás.
A água morna do mar entra em uma câmara de vácuo - onde ela ferve mais facilmente -, onde forma vapor, que move uma turbina geradora de eletricidade. Adicionalmente, é produzida água potável, dessalinizada e cloreto de sódio, ou sal marinho, de cozinha, quando este vapor é recondensado em uma câmara fria.
Para cada megawatt de energia é produzido 1,2 milhão de litros de água doce. Em conjunto com a eletrólise, pode-se também produzir hidrogênio.
A água produzida pode ajudar muito a minorar a escassez hídrica em vários locais do mundo. O custo é o dobro do de uma usina atômica, mas há o benefício da água doce e do hidrogênio resultantes do processo, e com o petróleo a US$ 100, é viável. Não há poluição alguma nem geração de calor, tampouco qualquer resíduo indesejável.
A única exigência é que o diferencial de temperatura seja de 20ºC ou mais, o que pode ser feito em apenas uma faixa dos mares. Pega a faixa mais próxima do equador, mas se estende até o paralelo 20, norte e sul, o que inclui a região setentrional do Brasil, toda a região do Caribe, parte da África e do Oriente Médio. Cerca de 50 mil dessas ilhas podem gerar toda a energia elétrica de que o mundo necessita hoje, produzindo, ainda, 2 mil litros de água diários por pessoa, para os 6,5 bilhões de habitantes da Terra. Além de hidrogênio.
LL,
ResponderExcluiro post, com A FOTO, instiga à conhecer melhor. Especial.
+1 postado no Blog do Varejo www.varejototal.zip.net
Abs, Edu
"Com mais tempo, vamos atrás, para entender melhor. Sites de referência:
NREL , OTEC na wiki, EERE, PESWiki.com "
Sou estudante de oceanografia e fiz meu TCC sobre possibilidades de uso da OTEC no Brasil. Como toda exploração humana de recurso natural, existe possibilidade de haver impacto ambiental danoso,que neste caso está ligado ao grande volume de água necessário para funcionamento do sistema: ovos e larvas de peixes podem ser capturados por exemplo; a água, depois de ser usada no sistema,pode ser lançada diretamente no oceano, o que poderia levar a uma modificação na temperatura local, afetando organismos que estão adaptados a certo intervalo de temperatura. Logicamente que para esses e outros empecilhos, existem soluções apropriadas.
ResponderExcluirValeu, JJ, importantes essas observações a respeito dos efeitos colaterais da técnica, possivelmente contornáveis. Não sei se você viu o post sobre os geradores eólicos de eixo vertical, que suportam ventos quase 200 km/h e podem também ser instalado no mar.
ResponderExcluirLL, esse arranjo de um sistema OTEC em conjunto com painéis solares e turbinas eólicas é interessante para melhorar o rendimento do sistema. Usinas OTEC têm rendimento em torno de 2 a 3% (ciclo Rankine). Outros ciclos podem atingir até 6%(mais caros). Contudo o gradiente térmico oceânico está disponível dia e noite ao longo do ano. Isso serviria para conpensar os momentos de indisponibilidade ou de redução de disponibilidade da energia eólica ou solar.
ResponderExcluirJJ, d~e uma olhada no posto "Aerogeradores", veja que interessante, está neste link:
ResponderExcluirhttp://detudoblogue.blogspot.com/2008/01/aerogerador.html