Se você não entende como pode acontecer de o leite e o queijo estragados ou envenenados serem vendidos no Brasil, leia esta reportagem do Contas Abertas. Mas antes, saiba que o Ministério da Agricultura suspendeu hoje, 2/11, a comercialização de leite integral fornecido por três cooperativas e duas unidades da Parmalat no País. A interdição é por tempo indeterminado. A interdição afeta ainda a Cooperativa Avipal, que fica em Itumbiara, em Goiás, e duas unidades da Parmalat, uma em Santa Helena, em Goiás, e a outra em Carazinho, no Rio Grande do Sul. A decisão foi tomada depois que técnicos do Ministério da Agricultura avaliaram e verificaram que o leite integral produzido nessas empresas está fora dos padrões de comercialização. A assessoria de imprensa do ministério não especificou quais são irregularidades, mas disse que elas podem envolver excesso de água, açúcar, soro ou níveis excessivos de alcalinidade nos lotes.
Pois é, a Parmalat, uma das marcas mais caras e famosas. Ontem, no Carrefour de São Paulo, um funcionário da empresa fazia uma pregação para os clientes, dizendo que não havia problema...
O escândalo do leite adulterado trouxe a tona o perigo que um produto aparentemente saudável pode conter escondido em seu conteúdo. Para atestar que a qualidade dos produtos de origem bovina não afete a saúde da população, o Ministério da Agricultura dispõe de 212 fiscais, vinculados ao Serviço de Inspeção Federal (SIF). Eles são responsáveis por examinar 1.700 produtores de leite e derivados em todo o país. Além disso, o órgão possui um projeto específico de controle de resíduos e contaminantes em produtos de origem vegetal e animal. No entanto, parece não estar entre as prioridades do ministério. Dos R$ 22,6 milhões previstos em orçamento para a atividade este ano, apenas R$ 255,8 mil foram gastos, ou seja, menos de 2% do autorizado. Além das restrições orçamentárias, há outros problemas. A Associação Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários afirma que o ministério deveria quase que dobrar o número de fiscais, passando dos atuais 212 para 400. A quantidade aumentaria a proporção – um funcionário para cada quatro laticínios a serem verificados. O ministério informa que hoje há um para cada oito fabricantes de leite. Os 212 fiscais do órgão atuam desde a produção até a embalagem do produto, monitorando também o processo de pasteurização do leite. Depois que é embalado e está pronto para ser comercializado, a fiscalização passa a ser tarefa da Anvisa e dos órgãos estaduais e municipais de vigilância sanitária. Para evitar que o esquema fraudulento se repita, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, informou que o modelo de fiscalização vai mudar. Ao invés de um fiscal ser responsável por apenas uma determinada empresa, agora serão três pessoas: dois veterinários e um agente de inspeção sanitária. Eles vão circular pelas produtoras de leite, aleatoriamente, em regiões diferentes das que atuam.
A professora de inspeção e tecnologia de leite e derivados da Universidade de Brasília (UnB) Márcia de Aguiar Ferreira acredita que o esquema fraudulento do leite pode ter sido resultado da falta de recursos para o setor e da carência de fiscais de inspeção. Segundo Márcia, o ideal é que o governo tenha mais profissionais atuando e que eles mantenham a rotatividade nos locais fiscalizados. “Esse anúncio do novo modelo feito pelo ministro, de equipes de três pessoas trabalharem em lugares diferentes, aleatoriamente, é uma solução temporária, mas não a definitiva”, afirma.De acordo com a professora, desde pelo menos os anos 1980 pesquisadores de universidades brasileiras realizam estudos que comprovam que substâncias como água e soro, por exemplo, são adicionadas ao leite sem qualquer controle. Investigações da PF duraram três meses
A Operação Ouro Branco desencadeada pela Polícia Federal (PF) na última semana em Minas Gerais resultou em 27 prisões, incluindo diretores das duas cooperativas de produtores de leite e dois fiscais do serviço de inspeção federal. Os técnicos são acusados de participação na adulteração de leite em Minas. Luiz Antonio da Silveira, preso no último dia 22, era fiscal da regional de Passos e, segundo o Ministério Público mineiro, atuava "direta e permanentemente na fiscalização da Casmil". O outro preso é Afonso Antonio da Silva, responsável pela fiscalização da Copervale e suspeito de facilitar a fraude. O crime também está sendo investigado em todo o país. Há suspeitas de que as mesmas irregularidades tenham sido cometidas em outros estados.
A operação ocorreu após três meses de investigação da PF e do Ministério Público de Uberaba, que detectou adulteração no leite da Copervale (Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande), de Uberaba, e da Casmil (Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro), de Passos. A investigação apontou que substâncias como soda cáustica, água oxigenada e citrato de sódio eram adicionadas ao leite. Entre os clientes das cooperativas estão Parmalat, Nestlé e Calu, além de marcas próprias, como a Centenário (da Copervale).
Vejam, caros leitores, como as coisas se repetem no Brasil: Este escândalo do leite adulterado ocorreu em 2007. Em maio de 1023, voltou a ocorrer, com a presença de coliformes fecais e, desta vez, com adição de formol!!

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