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domingo, 4 de novembro de 2007

O perigo do made in China

A empresa chinesa Honor International Pharmtech foi acusada de enviar remédios falsificados para os Estados Unidos. Mesmo assim, seus representantes estavam propagandeando seus produtos na maior feira mundial de produtos farmacêuticos. Outras empresas químicas de reputação duvidosa também participaram do evento, inclusive um fabricante acusado pelas autoridades dos EUA de fornecer esteróides anabolizantes para laboratórios ilegais, e outra cujo representante fora preso em 2006, neste mesmo evento, por violar patentes.
Lá estavam também dois exportadores estatais chineses que venderam veneno rotulado como ingrediente de medicamentos, que causaram a morte de 200 pessoas e prejudicaram incontáveis outras no Haiti e no Panamá. Outra companhia química, a Orient Pacific International, reservou um estande na feira de Milão, mas seu dono, Kevin Xu, não pôde comparecer porque estava preso nos EUA por ter vendido medicamentos falsificados para esquizofrenia, câncer da próstata, antitrombóticos e para o Mal de Alzheimer, entre outras doenças. O centro da questão está no fato de que ingredientes exportados pela China são freqüentemente elaborados por empresas químicas não certificadas nem inspecionadas pela vigilância farmacêutica chinesa. Como as químicas não estão obrigadas a observar quaisquer padrões relativos ao fabrico de drogas, porque não são farmacêuticas, não há muito o que fazer para impedi-las de exportar produtos sem licença, falsificados ou adulterados. Uma das mágicas da burocracia chinesa. As formulações fora de padrões feitas com estes ingredientes acabam em farmácias de países em desenvolvimento ou em sites da internet, onde os usuários procuram medicamentos baratos - e perigosos.
Em Milão, o Times identificou 82 companhias químicas chinesas que disseram fabricar e exportar ingredientes farmacêuticos, embora não certificadas pela Administração de Drogas e Alimentos da China. Apesar disso, estas empresas fazem negócios na feira farmacêutica, onde os fornecedores adulam os clientes com música, vinho e cadeiras vibratórias.
Uma delas é a Wuxi Hexia Chemical Company. Quando o Times mostrou a Yan Jiangying, um graduado da agêencia reguladora chinesa, uma lista com 186 produtos anunciados pela companhia, inclusiveg ingredientes farmacêuticos e drogas prontas, ele disse: “isto é ilegal.”
Na China, companhias químicas que fabricam medicamentos ficam em um limbo regulatório: Empresas farmacêuticas são reguladas pela agência de drogas e alimentos, e as químicas que fabricam produtos tão variados quanto fertilizantes e solventes são supervisionadas por outras agências. O problema se dá quando indústrias químicas se põem a fabricar ingredientes para drogas medicinais, pois a agência diz não ter jurisdição para supervisioná-las.
As autoridades de Saúde do país sabem do problema desde a metade dos anos 90, quando uma companhia química vendeu um ingrediente falsificado que matou 100 crianças no Haiti. Nem assim as agências regulatórias chinesas cooperaram para impedir companhias químicas de exportar drogas. Por isso, em 2006, 138 cidadãos panamenhos morreram ou sofreram lesões quando uma empresa chinesa vendeu o mesmo ingrediente venenoso, dietilenoglicol, que foi misturado a um medicamento para resfriado.
A China tem cerca de 80.000 companhias químicas, e a FDA dos Estados Unidos não sabe quantas vendem ingredientes usados em medicamentos consumidos por americanos. O Times pesquisou milhares de empresas que vendem produtos nos maiores sites de negócios da Internet trading e descobriu mais de 1.300 companhias ofertando ingredientes. farmacêuticos. Mas não se sabe quantas outras vendem tais produtos sem ser pela Web. Se a Feira de Milão servir de parâmetro, a maioria, se não todas, não é certificada pelas autoridades chinesas. A China exporta ingredientes para clientes em 150 países. Muitos fornecedores são certificados e aprovados, dizem os clientes.

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