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sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Vida artificial

O cientista Craig Venter, pesquisador controverso envolvido na corrida para decifrar o código genético humano, construiu um cromossomo sintético a partir de substâncias químicas em laboratório e deverá anunciar a criação da primiera forma de vida artificial na Terra.
O anúncio, que é esperado para dentro de algumas semanas e poderá vir antes, no encontro anual de seu instituto científico em San Diego, California, será o precursor de um gigantesco passo para o desenvolvimento de genomas. Certamente irá provocar debates acalorados a respeito da ética em se criar novas espécies e poderá abrir a porta para o desenvolvimento de novas fontes de energia e técnicas para o combate ao aquecimento global.
Venter disse que estamos passando da técnica de ler nosso código genético à habilidade de escrevê-lo - o que não deixa de ser brincar de Deus. Isso nos dá a habilidade hipotética de fazer coisas nunca antes imaginadas. Um grupo de 20 cientistas organizado por Venter, e liderado pelo Nobel Hamilton Smith, já construiu um cromossomo sintético, um feito virtuoso da bioengenharia nunca antes alcançado. Empregando substâncias químicas elaboradas em laboratório, eles conseguiram juntá-los em um cromossomo com 381 genes, contendo 580.000 pares de bases de código genético.
A seqüência de DNA é baseada na bactéria Mycoplasma genitaluim, a qual o grupo reduziu ao mínimo essencial para suportar vida.removendo um quinto de suas características genéticas. O cromossomo totalmente sintético recsntruído, que o grupo batizou de Mycoplasma laboratorium, foi marcado com tintas para ser facilmente reconhecido. Em seguida, é transplantado para uma bactéria viva e, no estágio final do processo deverá adquirir o controle da célula de forma a se tornar uma nova forma de vida. O grupo já conseguiu transplantar o genoma de um tipo de bactéria para a célula de outra, modificando a espécie da célula. Venter disse estar 100% seguro de que a técnica funcionará com o cromossomo artificialmente criado.
A nova forma de vida dependerá de sua capacidade de se replicar e metabolizar no mecanismo da célula na qual for injetada, e neste sentido não será uma forma de vida totalmente sintética. De qualquer forma, seu DNA será artificial, e é o DNA que controla a célula e a ele se deve a construção daquele bloco de vida. Venter disse ter feito uma reflexão ética antes de completar o experimento, e sente que isso é boa ciência. Ele já adicionou mais um ingrediente na apotencial controvérsia ao fazer um pedido de patente da bactéria sintética. Certamente, a sociedade irá debater os riscos envolvidos; afinal, o que significa criar novas formas de vida em tubos de ensaio? Venter está criando um chassis sobre o qual se poderá montar praticamente qualquer coisa. Poderá ser uma contribuição para a humanidade, como novas drogas, ou uma grande ameaça como a invenção de armas biológicas.
O cientista acredita que genomas projatéveis têm enorme potencial se adequadamente regulamentados. Em longo prazo, ele espera que possam levar a fontes de energia alternativas nunca antes pensadas. Bactérias poderiam ser feitas, ele especula, que poderiam ajudar a enxugar o excesso de dióxido de carbono (CO2) da atmosfera, contribuindo para a solução da questão do aquecimento global, ou produzir combustíveis como os gases butano ou propano, feitos integralmente a partir de açúcar.

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