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segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Da cocaína para o plutônio

A Máfia italiana está sendo investigada pela suspeita de tráfico de resíduos nucleares e de estar tentando fazer plutônio. A facção N'dragheta, que, em agosto, eliminou seis homens em Berlim, é suspeita de ter feito carregamentos ilegais de resíduos radioativos para a Somália, bem como de estar à procura de outro material nuclear produzido clandestinamente. Dois membros do clã e oito ex-funcionários da empresa de energia estatal italiana Enea. Os oito são suspeitos de ter pago os membros da gangue para retirar resíduos da empresa nos anos 80 e 90. Na época, eles trabalhavam na central da empresa, em Rotondella, uma cidade na província de Basilicata, que processa resíduos "especiais" e "perigosos". Em outras centrais, a Enea pesquisa tecnologia de fusão e fissão nuclear.
A N'dragheta tem sido acusada de ter se tornado a maior importadora de cocaína da Europa, aliada aos cartéis colombianos. Um funcionário graduado da Enea, que não se identifica, nega a atuação da companhia, alegando que ela trabalha sob estrita supervisão nacional e internacional. Um administrador da Enea é suspeito de ter pago ao clã para se livrar de 600 tambores de resíduos tóxicos e radioativos da Itália, Suíça, França , Alemanha e EUA, que teriam sido levados para a Somália.
Todavia, como só havia lugar em um navio para 500 tambores, 100 foram secretamente enterrados na região sulina da Basilicata. Carregamentos para a Somália. onde os resíduos eram enterrados, como a aquiescência de políticos locais subornados, continuaram sendo feitos nos anos 90, enquanto a gangue passou a atuar também na descarga de lixo nuclear, inclusive de hospitais, jogando-o no leito marítimo da costa da Calábria.
Embora a tentativa de produção de plutônio não sido mencionada explicitamente, o jornal Il Giornale disse que os criminosos pode ter planejado vender este material para governos estrangeiros. A N'dragheta não tem ética, e há muito dinheiro na atividade, eles não terão problemas para aderir à atividade, mesmo tratando-se de resíduos nucleares, disse o juiz Nicola Gratteri, um investigador anti-máfia que apurou o massacre dos seis italianos na Alemanha, em agosto, o episódio mais recente de uma disputa sangüinária entre clãs calabreses, fato que acendeu os holofotes sobre o negócio global de tráfico de drogas da N'dragheta em valores de US$50 bilhões anuais. O juiz Gratteri avisou que as forças policiais da Europa não estariam equipadas para lidar com a máfia, seja a N'dragheta, a Camorra ou a Cosa Nostra.
As máfias foram as primeiras a tirar proveito do desaparecimento das fronteiras européias, e o problema interessa a todo o continente.
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