A tensão entre os EUA e o Irã, acusado de introduzir armas no Iraque está aumentado, também em virtude dos receios do americanos a respeito das atividades nucleares iranianas, e um conflito direto pode estar em vias de eclodir, talvez até o final deste ano. Quando os EUA falam em contrabando de armas do Irã para o Iraque, omitem o fato de que eles mesmos foram responsáveis pelo desaparecimento de 190 mil armas que deveriam estar nas mãos do governo do Iraque. Não é o caso de se duvidar que o Irã esteja introduzindo armamentos no Iraque, tampouco de sua influência crescente no país dominado pelos EUA, e aí a culpa também cabe ao governo Bush, sabidamente responsável pela sua fragmentação, hoje aumentada com a saída da ala anti-americana do clérigo Moqtada al-Sadr do governo de coalizão. Agora, os americanos estão instalando uma base a apenas 5 km da fronteira com o Irã, o que aumenta a tensão.
Os EUA dizem que um míssil de fabricação iraniana, lançado de uma região dominada por xiitas, teria caído em uma de suas bases, o que , se confirmado, tornaria a situação ainda mais estressante. Quer dizer, na verdade, há o que o comandante americano no Iraque, David Petraeus, chama de guerra por procuração, um conflito Irã/EUA em território iraquiano, que poderá cruzar a fronteira e se tornar uma guerra aberta. A retórica iraniana tem estado inflamada, não só na voz do presidente Ahmajined, mas na do líder supremo, o Ayatollah Ali Khamenei, que declarou que as ações dos EUA no oriente Médio falharam, o que é uma verdade. Não se pode taxar o líder iraniano de exagerado quando diz que um dia Bush e seus oficiais serão julgados por uma corte internacional pelas tragédia que causaram no Iraque. Uma tragédia baseada em mentiras, é bom lembrar. O interesse iraniano em aumentar sua já razoável influência no Iraque é evidente. Como também é bastante claro que eles não irão parar ou reduzier o enriquecimento de urânio. A complicar a situação, a Força Aérea israelense atacou um local no Norte da Síria, onde poderia estar passando uma carregamento de armas do Irã em direção ao Iraque ou, pior, o esboço de uma ataque conjunto de Israel e EUA contra a Síria e o Irã. O diálogo, se é quem um dia houve, está esgotado, e as intenções americanas de bombardear instalações nucleares e militares já foram mais do que alardeadas. Não se pode esquecer as eleições presidenciais de 2008, que podem ser contaminadas ou relacionadas a uma ação militar, algo indesejável. Há pressa, portanto. Outra queixa americana se refere às bombas à beira da estrada (roadside bombs), que dizem ser feitas no Irã, mas, ora, são artefatos tão baratos e simples que é ridículo afirmar isto. A pressa pode ser por outra razão: as tropas americanas no Iraque estão literalmente esgotadas, em seu aspecto físico, e uma ação contra o Irã poderia ter participação de nações sunitas da região, além de Israel e talvez da Grã Bretanha. Ou seja, Washington procura sócios para uma nova empreitada na região.
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