Estudantes organizaram uma manifestação contra os produtos da Phillips no Piauí. Eles quebraram vários aparelhos da marca em praça pública e pediram um boicote a Phillips, em protesto às declarações do presidente da empresa no Brasil, Paulo Zottolo, sobre o Estado. Zottolo, que aderiu ao "Cansei" - movimento de entidades liderado pela OAB-SP -, afirmou em entrevista ao jornal Valor Econômico que "não se pode pensar que o país é um Piauí, no sentido de que tanto faz quanto tanto fez. Se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado".
Zottolo pediu desculpas após as reações indignadas do governador do Estado, Wellington Dias (PT-PI) e de outros políticos da região. Dias aceitou o pedido desde que o executivo se retratasse publicamente, o que foi feito nesta sexta-feira. As desculpas foram divulgadas em vários órgãos de imprensa em Teresina (capital): "Venho publicamente esclarecer que jamais tive a intenção de desqualificar o Estado ou seus cidadãos". O episódio para Wellington Dias terminou aí, disse um assessor do governador.
Zottolo explicou ainda que colocou mal a frase: "A analogia foi a de que o desconhecimento que às vezes se tem sobre o Estado faz com que não se saiba avaliar a sua relevância no cenário nacional, suas belezas naturais e riquezas culturais que eu, pessoalmente, conheço e admiro. Reconheço que a frase foi por mim mal colocada e, publicamente, peço desculpas à população do Estado, seus governantes e a qualquer pessoa que tenha se sentido ofendida".
O ato de repudio à Phillips aconteceu no centro de Teresina e estudantes quebraram com pedaços de pau televisores, aparelhos de DVD e micro-sistems da marca, enquanto cantavam o hino do Piauí e mostravam a bandeira do Estado. Para eles, Zottolo deveria conhecer o Estado e suas belezas naturais, seu povo e não dar declarações estapafúrdias sobre o Piauí. A bandeira da União da Juventude Socialista (UJS), facção jovem do PCdoB, tremulava ao lado da bandeira do Piauí.
"Nós vamos criar um movimento para que a população nordestina boicote os produtos da Phillips. Cansamos de ser discriminados. Vai ter o movimento Cansei da Phillips", comentou José Eduardo Alemão, presidente da UJS no Piauí.
Do Estado de S.Paulo
COMENTÁRIO: As desculpas, esfarrapadas do presidente da empresa são as de sempre, quando alguém faz comentários infelizes: fui mal interpretado, não era esse o contexto, etc... Ele, Zottolo, deveria ser demitido.
Várias lojas de departamento engrossaram o boicote aos produtos Philips no Piauí. Depois que o Grupo Claudino, dos Armazéns Paraíba, suspenderam as compras e retiraram os produtos da marca da prateleira, lojas de departamento como a Insinuante e Gabryella também suspenderam a venda da marca Philips. O boicote é uma reação às declarações do presidente da Philips do Brasil, Paulo Zottolo, que disse que "se o Piauí deixasse de existir, ninguém ficaria chateado por isso".
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As lojas Insinuante, um grupo da Bahia, com sede em Salvador, que têm cinco lojas em Teresina e em vários outros Estados, resolveram retirar os produtos Philips das prateleiras e das vitrines, a exemplo do que fez o Armazéns Paraíba. A direção da loja resolveu aderir ao boicote em reação às declarações de Paulo Zottolo. Os produtos foram retirados das lojas por tempo indeterminado, segundo um dos gerentes, por respeito à população do Piauí.
A loja de eletrodomésticos Gabryella, com sede em São Luís do Maranhão, com três lojas em Teresina, também está retirando os produtos Philips do seu mostruário. Um dos gerentes disse que é a reação à ofensa cometida pelo executivo da marca no Brasil.