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domingo, 26 de agosto de 2007

A disputa pelo Ártico

Uma nova corrida do ouro esté começando, desta vez na inóspita e longínqua região do Ártico, envolvendo China, Japão, Coréia do Sul e outras nações que já têm por ali suas estações de pesquisas. Mas o crescente interesse da comunidade internacional pela região, onde alguns países começam a transformar suas estações em bases militares, está muito distante de pesquisas científicas. A questão principal ali não é bem se os ursos polares estão ameaçados pelo aquecimento global; os objetos do desejo são justamente as causas maiores do efeito estufa: gás e petróleo. A região tem gigantescas reservas de gás e petróleo, mais uma prova de que os combustíveis renováveis não impedirão o crescimento da indústria petrolífera. Por esta razão, mais do qualquer outra, cresce a importância política e estratégica do Ártico. No início do mês, os russos cravaram a bandeira nacional onde existe o que eles chamam de parte submersa da cadeia de montanhas Lomonosov. Mas são contestados pelo Canadá e Dinamarca, que pretendem provar que as montanhas submarinas são parte das respectivas plataformas continentais. O recuo da camada de gelo em direção ao Norte facilita a passagem de navios de prospecção, e cada país reivindica o direito de explorar as riquezas locais. Já há, por ali, inúmeras companhias petrolíferas fazendo pesquisas. Por ali há também o arquipélago de Svalbard, sob a soberania da Noruega, mas uma cláusula de um antigo acordo internacional dá a outros países o direito de explorar seus recursos naturais. Agora, a Noruega contesta o acordo, alegando que só dá direito exploratório às demais nações nas regiões de terra, e não às jazidas sob as águas que cobrem sua plataforma continental. Mas é claro que a questão é vista de outro ângulo sob a perspectiva dos outros países. O ministério das Relações Exteriores do Reino Unido tentou levar adiante uma discussão acerca do assunto, no outono passado, mas a Noruega se furtou ao encontro, que incluiria os EUA e a Rússia, quando se discutiria o futuro das ilhas. Noruega, Grã Bretanha e França mantiveram ali estações de estudos científicos por anos a fio. Dizem as más línguas que tais estações eram apenas um pretexto para outros interesses estratégicos destas nações. No entanto, graças às pesquisas na Antártica, detectou-se o buraco de ozônio e o CFC foi rapidamente banido. Agora, a questão é o aquecimento global e o derretimento das geleiras na região do Pólo Norte, e faz-se necessário manter as observações e pesquisas científicas por lá, onde a situação da camada de gelo é bem conhecida. O gigantesco glaciar de Konsvegen está encolhendo rapidamente, e a o perigo a que os ursos polares estão expostos tem sido fartamente exposto na mídia. A poluição no Ártico é disfarçada por sua aparência; resíduos são transportados para lá pelas correntes de ar, e os níveis de mercúrio e outros resíduos industriais aparentam ser mais altos do que nos países que os produzem. Os cientistas já sabiam há muito tempo que estas substâncias podem chegar ao topo da cadeia alimentar, onde se situam predadores como os ursos polares. Agora, as suspeitas de que estes produtos químicos estão sendo prejudiciais se confirmaram. As gaivotas expostas à maioria destes agentes químicos que chegam à região têm maior dificuldade para encontrar alimentos. Mas tudo o que a ciência pode fazer é mostrar os perigos, mudanças e potenciais ameaças; cabe aos políticos decidir o que fazer - ou deixar de fazer. Pelo interesse demonstrado por cinco países - Rússia, Canadá, EUA, Noruega e Dinamarca, é possível ter uma idéia da dificuldade que irão enfrentar para resolver a questão.

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