Astronomia, astrofísica, astrogeologia, astrobiologia, astrogeografia. O macro Universo em geral, deixando de lado os assuntos mundanos. Um olhar para o sublime Universo que existe além da Terra e transcende nossas brevíssimas vidas. Astronomy astrophysics, astrogeology, astrobiology, astrogeography. The macro Universe in general, putting aside mundane subjects. A look at the sublime Universe that exists beyond Earth and transcends our rather brief life spans.
domingo, 10 de maio de 2015
A doença do Brasil
Roberto Damatta
O Brasil é doente, diagnosticou o insuspeito ex-presidente do Uruguai, José Mujica, numa entrevista à BBC que o Globo repercutiu na sua edição do dia 24 do corrente. Para Mujica, com 80 anos e muitos quilômetros rodados na vereda política e tendo como norte a irmandade esquerdista latino-americana, a patologia nacional brasileira tem como centro o "tráfico de influência", que seria uma "tradição" do nosso sistema político.
Concordo em gênero, número e grau com Mujica.
Ele não leu o que tenho reiterado em livros e neste espaço, mas é exatamente isso que afirmo quando entendo que toda a cosmologia do Brasil se fundamenta nas relações pessoais e como essas relações são administradas.
A lógica do dar e receber (ou do dar para receber) é o coração do "favor". Se eu te faço um favor, se eu te devo favores, esses favores nem sempre se encaixam nas divisões ideológicas e jurídicas que regem o Brasil como país.
José Mujica discerne o problema quando acentua que conseguir a maioria parlamentar no Brasil, em nível local ou nacional, é muito difícil porque "o Brasil é um macramé". Ora, o macramé, como esclarece o dicionário, é uma colcha de retalhos. Em sociologuês, dir-se-ia - como elaborei num livro publicado em 1979 (Carnavais, Malandros e Heróis) - que é um conjunto de elos imbricados, constituídos a partir de simpatias e antipatias pessoas, num palco demarcado por papéis institucionais. Se o macramé fala de liames pessoais, o lado legal do sistema demanda que ele se dobre ou venha a romper-se pelos deveres impostos pelos papéis institucionais. Um presidente de estatal não pode nomear somente companheiros de partido. Ele é obrigado, pelo papel que ocupa, a escolher pelo mérito. Entre esses dois impulsos ou obrigações, situa-se o que chamei de "dilema brasileiro". Um dilema vigente em todas as democracias inspiradas nos ideais universalistas de 1789.
Num nível tudo parece muito simples: gastamos muito, erramos muito mas, acima de tudo, continuamos a imaginar a centralização como a saída para todos os problemas nacionais, esquecendo a força dos velhos costumes, os quais têm o poder das velhas tecelagens, como revela Mujica.
Tanto no plano econômico, quanto no político, as regras são claras e formais. Mas o mundo das "influências" advindas da casa, uma ética da reciprocidade interfere com a do estado e distorce o chamado "espírito do capitalismo". Nessa tecelagem, a empresa não visa ao lucro, mas ao emprego para os amigos e recursos para o partido.
O Brasil se diferencia da Europa Ocidental, dos Estados Unidos e da América Latina porque ele não teve republicanismo e, até 1889, foi uma monarquia fundada no trabalho escravo. Na transição entre esses regimes, os conflitos foram reprimidos precisamente pela ética dos elos pessoais entre monarquistas, escravistas, republicanos e protocapitalistas, que jamais abandonaram seus hábitos aristocráticos. Todos nós temos todas as coragens, menos a de negar o pedido de um amigo, conforme dizia Oliveira Vianna num ensaio de 1923.
Neste mundo marcado pela transparência eletrônica, esse hóspede não convidado pelo nosso mulatismo cultural e avesso ao confronto, as contradições surgem claramente no laço entre riqueza e poder. Entre as demandas de quem gerencia a economia (cujas regras são digitais: não posso gastar mais do que tenho!); e as da política, as quais incluem não apenas os jeitinhos ou "pedaladas", mas, sobretudo, as relações pessoais mescladas ou não de ideologia, as quais são infinitas.
Mujica aponta que confundimos governar com mandar. E adverte: não se pode misturar a vontade de ter dinheiro com política. Se fizermos isso, complementa, estamos fritos. "Quem gosta muito de dinheiro tem que ser tirado da política." A corrupção brasileira tem um sinal: ela se funda na apropriação de cargos por pessoas que, mesmo quando são eleitas debaixo de uma bandeira populista ou socialista, acabam bilionárias. É impossível resistir aos amigos, mas é muito mais difícil liquidar essas sobras aristocráticas que são, a meu ver, a marca mais forte e permanente do nosso republicanismo: cargos que impedem punição, crimes que prescrevem, responsabilidades que não são cobradas. Num certo sentido, não temos noção da tal "coisa pública" - esse conceito imprescindível para uma vida igualitária e democrática - republicana.
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sábado, 9 de maio de 2015
Pássaros engarrafados
Esta cacatua de crista amarela é um dos 24 pássaros que foram enfiados em garrafas de água vazias por contrabandistas na Indonésia. a carga foi identificada pela polícia em Tanjung Perak, em Surabaya, Indonésia.
É muita sacanagem com os animais!
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ANIMAIS
Terra nublada | Cloudy Earth
Décadas de observações por satélites e fotografias tiradas por astronautas mostram que as nuvens dominam as vistas da Terra a partir do espaço. Um estudo baseado em cerca de uma década dados de satélite estimou que cerca de 67 por cento da superfície da Terras
é normalmente coberta por nuvens. Especialmente no caso sobre os oceanos, onde outra pesquisa mostra que menos de 10 por cento do céu está completamente livre de nuvens a qualquer dado momento. Sobre as áreas de terra, 30 por cento do céu está completamente livre de nuvens.
é normalmente coberta por nuvens. Especialmente no caso sobre os oceanos, onde outra pesquisa mostra que menos de 10 por cento do céu está completamente livre de nuvens a qualquer dado momento. Sobre as áreas de terra, 30 por cento do céu está completamente livre de nuvens.
Earth’s cloudy nature is unmistakable in this global cloud fraction map, based on data collected by the Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer (MODIS) on NASA's Aqua satellite. While MODIS collects enough data to make a new global map of cloudiness every day, this version of the map shows an average of all of the satellite’s cloud observations between July 2002 and April 2015. Colors range from dark blue (no clouds) to light blue (some clouds) to white (frequent clouds).
Existem três grandes faixas onde o céu da Terra tem maior probabilidade de estar nublado: uma estreita faixa próxima ao equador e duas faixas mais amplas nas latitudes médias. a faixa próxima ao equador é uma função dos grandes padrões de circulação de grande escala —ou células Hadley— presentes nos trópicos. As células Hadley são definidas por ar frio descendente próximo à linha de latitude de 30 graus ao norte e ao sul do equador, e pelo ar quente em ascensão próximo ao equador, onde ventos de células Hadley separadas convergem. (O diagrama aqui ilustra onde as células Hadley estão localizadas e como se comportam.) Quando o ar quente e úmido converge a altitudes mais baixas próximo ao equador, sobe e se resfria, e, portanto, retém menos umidade. Isso faz com que o vapor de água se condense em partículas de nuvens e produza uma confiável faixa de tempestades de trovões em uma área chamada Zona de Convergência Inter Tropical (ITCZ).
As nuvens também tendem a se formar em abundância em latitudes medianas de 60 graus ao norte e ao sul do equador. É onde as bordas das células de circulação de latitude polar e mediana (ou Ferrel) colidem e empurram o ar para cima, alimentando a formação dos sistemas frontais de grande escala que dominam os padrões climáticos nas latitudes medianas. Enquanto as nuvens tendem a se formar onde o ar ascende como parte dos padrões de circulação atmosférica, o ar descendente inibe a formaçõ de nuvens. Como o ar desce entre 15 e 30 graus ao norte e sul do equador, as nuvens são raras, e os desertos, comuns nesta latitude.
Tradução de Luiz Leitão
Decades of satellite observations and astronaut photographs show that clouds dominate space-based views of Earth. One study based on nearly a decade of satellite data estimated that about 67 percent of Earth’s surface is typically covered by clouds. This is especially the case over the oceans, where other research shows less than 10 percent of the sky is completely clear of clouds at any one time. Over land, 30 percent of skies are completely cloud free.
Earth’s cloudy nature is unmistakable in this global cloud fraction map, based on data collected by the Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer (MODIS) on NASA's Aqua satellite. While MODIS collects enough data to make a new global map of cloudiness every day, this version of the map shows an average of all of the satellite’s cloud observations between July 2002 and April 2015. Colors range from dark blue (no clouds) to light blue (some clouds) to white (frequent clouds).
There are three broad bands where Earth’s skies are most likely to be cloudy: a narrow strip near the equator and two wider strips in the mid-latitudes. The band near the equator is a function of the large scale circulation patterns—or Hadley cells—present in the tropics. Hadley cells are defined by cool air sinking near the 30 degree latitude line north and south of the equator and warm air rising near the equator where winds from separate Hadley cells converge. (The diagram here illustrates where Hadley cells are located and how they behave.) As warm, moist air converges at lower altitudes near the equator, it rises and cools and therefore can hold less moisture. This causes water vapor to condense into cloud particles and produces a dependable band of thunderstorms in an area known as the Inter Tropical Convergence Zone (ITCZ).
Clouds also tend to form in abundance in the middle latitudes 60 degrees north and south of the equator. This is where the edges of polar and mid-latitude (or Ferrel) circulation cells collide and push air upward, fueling the formation of the large-scale frontal systems that dominate weather patterns in the mid-latitudes. While clouds tend to form where air rises as part of atmospheric circulation patterns, descending air inhibits cloud formation. Since air descends between about 15 and 30 degrees north and south of the equator, clouds are rare and deserts are common at this latitude.
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Ciência
Gaiola de Faraday
Um homem vestindo um traje de malha metálica toca sua guitarra enquanto relâmpagos artificiais atingem seu corpo durante um show em Changle, na China. O traje é nada mais, nada menos, que uma gaiola de Faraday.
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FÍSICA
sexta-feira, 8 de maio de 2015
No limite da difração | At the Limit of Diffraction
Você alguma vez teve vontade de olhar através de um grande telescópio no espaço? Se isso fosse possível, você teria uma nítida visão, que seria limitada por difração. Sem ser afetada pela atmosfera borrada que basicamente atormenta os observadores em Terra, a resolução angular de sua visão limitada por difração seria determinada somente pelo comprimento das ondas de luz e o diâmetro das lentes do telescópio ou espelho; quanto maior o diâmetro, mais nítida a imagem.
Todavia, nesta foto que mostra o trabalho baseado em Terra, um novo sistema óptico adaptativo ativo (MagAO) está sendo usado para eliminar o borrão atmosférico em uma observação visual do famoso sistema estelar duplo Alfa Centauro.
Testando o sistema no visor do telescópio de 6,5 metros de diâmetro Magalhães Clay no Observatório de Las Campanas, o astrônomo Laird Close aprecia uma histórica visão de difração limitada (no inserto) e a ampla separação aparente daquele próximo sistema estelar binário ... sem ter de viajar até a órbita baixa da Terra.
Tradução de Luiz Leitão
Did you ever want to just look through the eyepiece of a large telescope in space? If you could, you would see a sharp view that was diffraction limited. Unaffected by atmospheric blurring that ultimately plagues earthbound observers, the angular resolution of your diffraction limited view would be determined only by the wavelength of light and diameter of the telescope lens or mirror; the larger the diameter, the sharper the image.
Still, in this working earth-based snapshot a new active adaptive optics system (MagAO) is being used to cancel out the atmospheric blurring in a visual observation of famous double star system Alpha Centauri.
Testing the system at the eyepiece of the 6.5 meter diameter Magellan Clay Telescope at Las Campanas Observatory, astronomer Laird Close is enjoying a historic diffraction limited view (inset) and the wide apparent separation of the close binary star system ... without traveling to low earth orbit.
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A trapaça da estatal que queima arquivos
José Nêumanne
É tolice pensar que, ao esconder a verdade, Petrobrás vai recuperar credibilidade perdida
Como se tivesse sido instada a explicar por que queima gás nos campos de extração de petróleo, a Petrobrás tentou justificar a eliminação de áudios e vídeos em que foram gravadas reuniões de seu conselho de administração nas quais se decidiu a compra funesta e onerosa da refinaria da Astra Oil belga em Pasadena, Texas. Tentar até que tentou, mas não conseguiu.
Não vai ser com a queima confessada de arquivos que podem revelar atitudes criminosas de quem autorizou um negócio tão controverso como foi esse, feito no momento em que presidia o dito conselho a ministra poderosa de dois governos e chefe do anterior e do atual, que a empresa recuperará sua credibilidade perdida. Neste momento em que ineficiência, má gestão, queda do preço do produto que refina e cujos combustíveis vende e, sobretudo, roubo, muito roubo, levaram a estatal a divulgar um balanço com a maior perda em ativos entre as grandes petroleiras do mundo, a confissão inaceitável só vai piorar tudo. O cinismo chegou ao ápice com a entrega dos registros sonoros e visuais das 12 últimas reuniões (desde setembro) do tal conselho à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobrás – um escárnio da estatal, et pour cause, do governo, ao Legislativo, Poder que representa diretamente o cidadão, acionista majoritário ao qual ela teria de prestar contas.
A apresentação do balanço, que envergonharia qualquer empresa de qualquer porte no mundo, com a agravante de parte do prejuízo ter sido causada pelo mais lesivo escândalo de corrupção da história da humanidade, foi feita em clima de comemoração, “justificada” pela “virada de página” sob nova administração. E também pela “saga de desafios” da estatal desde sua criação, nos anos 1950, sob a égide do enganoso lema publicitário “o petróleo é nosso”. Depois da roubalheira devassada pela Operação Lava Jato, o slogan publicitário passou a ser acintoso pela constatação de que os lucros do negócio nunca foram da Nação, mas, sim, dos eventuais donos do poder no Estado.
Apesar das evidências confirmadas por quantias exorbitantes revelando o fiasco de gestão e a privatização na prática por partidos da aliança governista federal, a ex-presidente de seu conselho de administração e atual presidente da República, Dilma Rousseff, insiste em fantasias absurdas para fugir à responsabilidade pelo que ela chama de malfeitos. Em frases sem confirmação na vida real – tais como “limpou o que tinha de limpar”, “tirou aqueles que tinha de tirar lá de dentro, que se aproveitaram das suas posições para enriquecer seus próprios bolsos” ou “a Petrobrás está de pé” –, suas mentiras são repetidas à exaustão por governistas e em lorotas fictícias da publicidade nos veículos de comunicação.
A confissão da queima de arquivos com a cumplicidade tácita do governo – que comanda a estatal em nosso nome –, dos partidos aliados, da mídia adesista e dos falsos ingênuos, que tentam justificar o furto generalizado com toscos autos de fé populistas, vem agora reforçar o mal-estar causado a nossos estômagos vazios pela desfaçatez. O repórter do Estado em Brasília Fábio Fabrini revelou à véspera do feriadão que, pedida por este jornal, tendo como base a Lei de Acesso à Informação, a entrega de gravações em áudio e vídeo das reuniões em que foi decidida a compra da “ruivinha” em Pasadena foi negada pela Petrobrás. A alegação para negá-la, repetida formalmente à CPI, foi a de que tais arquivos são “eliminados” após a formalização das atas das reuniões.
Até agora a empresa não trouxe a público nenhuma resolução interna nem ordem superior que possam justificar a providência. O que se sabe é que por causa dela a Nação ignora como Dilma agiu ao presidir o colegiado entre 2003 e 2010, quando foi ministra de Minas e Energia e, depois, chefe da Casa Civil dos governos Lula. Isso pode até ter sido providencial, mas certamente não era o mais prudente a ser feito.
As mentiras cabeludas, pois, que Dilma tem contado a pretexto de salvar a Petrobrás da “sanha demolidora” da oposição inerte, se estendem agora à sua atuação em parte relevante do petrolão. Só que nunca ninguém saberá até que ponto ela interferiu no escândalo.
Semelhante episódio histórico mundial foi protagonizado pelo ex-presidente dos EUA Richard Nixon, obrigado a renunciar (para evitar sofrer impeachment inevitável) por ter mentido à Nação. Ele garantiu, em pronunciamento público, que não teve conhecimento da invasão do escritório de campanha de seu adversário democrata, George McGovern, no edifício Watergate, em Washington. Como as reuniões no Salão Oval da Casa Branca são gravadas e nunca eliminadas depois, ficou provado que ele tinha tratado do assunto, sim, e isso o levou ao impasse: renunciar ou ser deposto. E olhe que seu apelido era Tricky Dicky, Ricardinho Trapaceiro.
Exemplo mais próximo de preservação da memória, salva de tentativas de reescrever a história ao estilo stalinista, foi a intervenção do então ministro do Trabalho do governo Costa e Silva, Jarbas Passarinho, que disse, como revela a gravação da reunião em que o AI5 foi oficializado, à disposição de qualquer um sem necessidade de ir a arquivo nenhum: “Às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência”. A frase foi modificada na ata, que atenuou a aspereza da expressão usada, “às favas”, por “ignoro”. No entanto, na memória coletiva não ficou o eufemismo. E a frase dita e gravada foi resumida para “às favas com os escrúpulos”, título de uma comédia de Juca de Oliveira, sucesso no teatro.
Talvez seja possível numa devassa nos computadores da Petrobrás resgatar imagens e sons e recuperar o que ocorreu nas reuniões e as atas não revelam. Se não for, ficará o travo amargo da trapaça de uma gente que se diz socialista e transparente, mas, enquanto revolve as vísceras da ditadura em Comissões de Verdade, queima arquivos para ocultar a história recente, que a incomoda.
Jornalista, poeta e escritor
(Publicado na Pag.A2 do Estado de S. Paulo de quarta-feira 6 de maio de 2015)
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quinta-feira, 7 de maio de 2015
Anomalias gravitacionais de Mercúrio | Gravitational Anomalies of Mercury
O que é aquilo sob a superfície de Mercúrio? A espaçonave robótica MESSENGER que esteve orbitando o planeta Mercúrio durante os dez últimos anos e transmitindo seus dados para a Terra em ondas de rádio de energia muito precisa. Entretanto, a gravidade do planeta modificava levemente esta energia quando medida na Terra, o que permitiu a reconstrução de um mapa de gravidade em detalhes sem precedentes.
Aqui, as anomalias gravitacionais são mostradas em cores artificiais, superpostas em uma imagem da superfície cheia de crateras do planeta. Os tons vermelhos indicam áreas de gravidade levemente maior, o que, por sua vez, indica áreas que devem conter matéria de uma densidade incomum sob a superfície.
A área central é a Bacia Caloris, uma enorme marca de impacto medindo cerca de 1.500 quilômetros de diâmetro. Na semana passada, após completar sua missão, e tendo seu combustível esgotado, a MESSENGER foi propositalmente derrubada sobre a superfície de Mercúrio.
Tradução de Luiz Leitão
What's that under the surface of Mercury? The robotic MESSENGER spacecraft that had been orbiting planet Mercury for the past four years had been transmitting its data back to Earth with radio waves of very precise energy. The planet's gravity, however, slightly changed this energy when measured on Earth, which enabled the reconstruction of a gravity map of unprecedented precision.
Here gravitational anomalies are shown in false-color, superposed on an image of the planet's cratered surface. Red hues indicate areas of slightly higher gravity, which in turn indicates areas that must have unusually dense matter under the surface.
The central area is Caloris Basin, a huge impact feature measuring about 1,500 kilometers across. Last week, after completing its mission and running low on fuel, MESSENGER was purposely crashed onto Mercury's surface.
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quarta-feira, 6 de maio de 2015
Baterias flexíveis de íons de alumínio
Os smartphones poderão ser carregados em menos de um minuto, depois de cientistas da Stanford University terem inventado uma bateria de alumíniuo tão potente que poderá vir a revolucionar a indústria.
A nova bateria recarregável pode ir de zero a cem por cento de carga em uma fração do tempo que as atuais baterias levam para absorver energia suficiente para carregar totalmente um telefone, laptop or tablet.
Enquanto a bateria interna de um iPhone 6 leva cerca de duas horas para ser totalmente carregada, uma bateria de alumínio levaria apenas uns 60 segundos para chegar à carga plena.
E sua durabilidade é cerca de sete vezes maior que as de íons de lítio. Uma bateria tradicional pode ser recarregada cerca de 1.000 vezes, enquanto a nova pode aguentar 7.500 ciclos.
Embora atualmente a nova bateria só produza metade da voltagem de uma bateria de lítio típica, os cientistas estão confiantes que conseguirão aumentar sua potência dentro dos próximos anos.
“Fora isso, nossa bateria tem tudo o mais que alguém pode desejar de uma bateria: eletrodos baratos, boa segurança, carga a alta velocidade, flexibilidade e longo ciclo de vida,” disse Hongjie Dai, Professor de química da Stanford University.
"Nós desenvolvemos uma bateria de alumínio recarregável que poderá substituir os atuais dispositivos de armazenamento, como as baterias alcalinas, que são danosas ao meio ambiente, e as de íons de lítio, que, às vezes, explodem em chamas.
"Milhões de consumidores usam baterias de 1,5-volt AA e AAA," disse. "Nossa bateria recarregável de alumínio gera cerca de dois volts of eletricidade. É mais do que quaqler um conseguiu com alumínio.
E a nova bateria de aluminio é bem mais ecologicamente correta e segura.
As baterias convencionais alcalinas are são danosas ao meio ambiente, enquanto as de íon de lítio usadas em milhões de laptops e smartphones podem inesperadamente explodir em chamas, além de demorarem muito para ser recarregadas.
Algumas empresas aéreas não irão mais aceitar que passageiros portem dispositivos com baterias de lítio devido à sua volatilidade.
"Nossa nova bateria não pega fogo, nem se for perfurada,” acrescentou o Prof. Dai.
A bateria de íons de alumínio consiste em dois eletrodos e um anodo negativamente carregado, feito de alumínio, e um catodo de grafite, positivamente carregado, com um eletrólito iônico líquido, dentro de uma bolsa flexível.
"O eletrólito é basicamente um sal, que é líquido à temperatura ambiente, portanto, é muito seguro, acrescentou o estudante Ming Gong, graduado por Stanford .
"Outra característica da bateria de alumínio é a flexibilidade. Ela pode ser entortada e dobrada, com uso potencial em dispositivos eletrônicos flexíveis. Além disso, o alumínio é um metal mais barato do que o lítio."
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M46 mais duas | M46 Plus Two
Aglomerados galácticos ou estelares abertos são jovens. Esses enxames de estrelas nascem juntos, próximos ao plano da Via Láctea, porém o número delas diminui constantemente à medida que os membros do aglomerado são ejetados por marés galácticas e interações gravitacionais.
Na verdade, este brilhante aglomerado aberto, chamado M46, tem apenas cerca de 300 milhões de anos. E ainda contém algumas centenas de estrelas em um espeço de uns 30 anos-luz. Localizdo a cerca de 5.000 anos-luz, próximo à constelação de Puppis, a Popa, M46 também parece apresentar contradições em relação à sua condição de jovem.
Nesta bela paisagem celeste, a mancha circular colorida acima e à direita do centro de M46 é a nebulosa planetária NGC 2438. Ainda mais esmaecida, uma segunda nebulosa planetária, PK231+4.1, está identificada por um quadrado à direita, ampliado no inserto. Nebulosas planetárias são uma fugaz fase final da vida de estrelas semelhantes ao Sol, com um bilhão de anos, ou mais, cujo reservatório central de hidrogênio combustível se exauriu.
No entanto, calcula-se que NGC 2438 esteja distante de nós apenas uns 3.000 anos-luz, e se mova a uma velocidade diferente daquela dos integrantes do aglomerado M46. Junto com este grupo mais esmaecido, a nebulosa planetária NGC 2438 somente por acaso irá aparecer próxima à nossa linha de visão em relação às jovens estrelas de M46.
Tradução de Luiz Leitão
Galactic or open star clusters are young. These swarms of stars are born together near the plane of the Milky Way, but their numbers steadily dwindle as cluster members are ejected by galactic tides and gravitational interactions.
In fact, this bright open cluster, known as M46, is around 300 million years young. It still contains a few hundred stars within a span of 30 light-years or so. Located about 5,000 light-years away toward the constellation Puppis, M46 also seems to contain contradictions to its youthful status.
In this pretty starscape, the colorful, circular patch above and right of the center of M46 is the planetary nebula NGC 2438. Fainter still, a second planetary nebula, PK231+4.1, is identified by the box at the right and enlarged in the inset. Planetary nebulae are a brief, final phase in the life of a sun-like star a billion years old or more, whose central reservoir of hydrogen fuel has been exhausted.
NGC 2438 is estimated to be only 3,000 light-years distant, though, and moves at a different speed than M46 cluster members. Along with its fainter cohort, planetary nebula NGC 2438 is likely only by chance appearing near our line-of-sight to the young stars of M46.
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terça-feira, 5 de maio de 2015
Uma caçada de porcos
Roberto Damatta
O sucesso da minha coluna passada foi tão grande e tão preocupante que eu resolvi continuar falando das minhas antigas aventuras, vividas com os ameríndios no sul do Pará, em 1961!
Tal como meus pais e avós, sempre fui citadino. Estes viveram em cidades e nelas morreram sem ter sequer uma casa própria. Meu pai deixou para mulher e filhos um apartamento.
Quando, aos 14 anos, visitei uma fazenda e, pela primeira vez, montei num cavalo, fiquei decepcionado ao descobrir que entre mim e o Zorro havia um abismo. Eu custei a subir na sela e não sabia como comandar o animal. Logo percebi que era o cavalo quem me levava, e não o contrário. Não fosse por um peão atento, cuja função secreta era vigiar minha incompetência hípica, o cavalo teria imprensando minha perna contra uma porteira.
Numa Juiz de Fora dos anos 50, ainda encontrei membros de famílias aristocratas que caçavam em suas vastas fazendas que eu, 20 anos depois, descobriria serem parte das "estruturas" que tinham que mudar. Mas meu interesse por animais e caçadas se resumia aos livros de Tarzan e aos filmes de mocinho.
Quando recebi o chamado da Antropologia Social, fui transportado com Júlio Cezar Melatti à aldeia do Cocal dos índios gaviões, em plena floresta amazônica. Nosso professor, Roberto Cardoso de Oliveira, achou por bem que na primeira expedição a campo eu tivesse um "assistente de pesquisa" e ele era esse Melatti, que se entendia com a realidade muito melhor do que eu; e que, posteriormente, realizou uma obra clássica entre os índios craôs e marubos.
Relendo nossas notas de campo, vejo como suas observações eram mais finas e precisas do que as minhas. No fundo, o "assistente" era muito melhor do que o suposto curador da pesquisa.
Mas éramos ambos tão ignorantes em caça, pesca, acampamento, lanternas e armas quanto apaixonados pelo estudo da organização social e pelas ideias de Lévi-Strauss, Evans-Pritchard, Rodney Needham e David Maybury-Lewis.
Em antropologia, havia um duro aprendizado chamado de "pesquisa de campo", que implicava integralmente a pessoa do pesquisador. Numa noite, Roque Laraia, que viajava conosco para pesquisar um grupo tupi com um outro assistente de pesquisa, o saudoso Marcos Rubinger, estabeleceu comigo o seguinte diálogo na pensão da dona Zezé Araújo - única hospedagem de Marabá, em 9 de agosto de 1961. Um albergue, cuja única latrina a serviço de uns 15 hóspedes, era significativamente chamada de "imunda":
- Você foi escoteiro?
- Não!
- Gosta de caçar, pescar e andar no mato?
- Não!
- Então o que é que nós estamos fazendo aqui?
Seguimos para nossos grupos tribais. O entusiasmo juvenil e o ideal de estar contribuindo para a Etnologia Brasileira, esses sentimentos irmãos da inocência e da crença segundo a qual ninguém morre jovem e o mundo é fácil de ser entendido, estava ao nosso lado nos "motores" que cortavam o Tocantins.
Cheguei à aldeia do Cocal e depois de ali estar por três dias, dia 21 de agosto de 1961 fui convidado por um altivo índio gavião de nome Kanterete, amavelmente chamado de Doidão pelos regionais, para caçar porcos.
Andamos durante uma hora e o meu anfitrião ouviu os porcos. Eu nada ouvi. Na língua que nos deixava mais surdos do que ouvintes, ele ordenou a estratégia que deveria ser seguida. Ele andaria na direção da vara de porcos e eu entraria no mato de modo que os animais ficariam cercados, pois iriam correr em minha direção.
Só que eu não entrei na selva, porque fiquei com medo de perder a trilha que me levaria de volta à aldeia. Vivi uns 30 minutos de plena angústia, até ouvir três tiros da espingarda de Kanterete. Em seguida, vi o meu companheiro correndo atrás de um porquinho. Não tive dúvidas: armei, nervoso, minha espingarda calibre 12 e atirei no animal quase acertando o índio e a minha própria perna.
Ouvi todos os impropérios que cabiam a um mau caçador. É que Kanterete havia morto dois porcos adultos e queria o filhote para criar. Já tínhamos porcos suficientes e eu confirmava como os "kupen" - estrangeiros egoístas e ambiciosos - não prestavam para nada.
Esse caçada de porcos permeou, como comédia, a minha estada entre os gaviões.
Naquela noite, tive um sonho.
Sonhei que o Brasil estava sendo comido por uma gigantesca vara de porcos do mato e que eles, conversando entre si, diziam (confirmando Lima Barreto) que a nossa carne tinha a forma e o gosto de um presunto.
Meio século e pouco depois, vejo que cometi uma transgressão matando demais e descobri ter tido um sonho premonitório. Pois o que é essa imensa corrupção governamental senão um incesto? Um abominável autocanibalismo?
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Uma anã branca pode ter estraçalhado um planeta passageiro | White Dwarf May Have Shredded Passing Planet
Nesta imagem de NGC6388, registrada pelo Chandra, pesquisadores descobriram provas de que uma estrela anã branca pode ter estraçalhado um planeta que se aproximou demais dela. Quando uma estrela chega à sua fase de anã branca, quase toda sua matéria é contida em um raio de um centésimo do tamanho da estrela original.
A destruição de um planeta pode soar como coisa de ficção científica, mas uma equipe de astrônomos descobriu provas de que isso pode ter acontecido em um antigo aglomerado estelar na borda da Via Láctea.
Utilizando vários telescópios, inclusive o Observatório Chandra de Raios X da NASA, pesquisadores descobriram provas de que uma estrela anã branca – o denso núcleo de uma estrela semelhante ao Sol, que teve seu combustível nuclear esgotado – pode ter estraçalhado um planeta que se aproximou demais dela.
Tradução de Luiz Leitão
In this Chandra image of ngc6388, researchers have found evidence that a white dwarf star may have ripped apart a planet as it came too close. When a star reaches its white dwarf stage, nearly all of the material from the star is packed inside a radius one hundredth that of the original star.
The destruction of a planet may sound like the stuff of science fiction, but a team of astronomers has found evidence that this may have happened in an ancient cluster of stars at the edge of the Milky Way galaxy.
Using several telescopes, including NASA’s Chandra X-ray Observatory, researchers have found evidence that a white dwarf star – the dense core of a star like the Sun that has run out of nuclear fuel – may have ripped apart a planet as it came too close.
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segunda-feira, 4 de maio de 2015
M51: A Galáxia Redemoinho | M51: The Whirlpool Galaxy
Siga o cabo da Grande Concha afastando-se do copo da concha até chegar à última estrela brilhante do cabo. Então, desvie seu telescópio ligeiramente para o sul e oeste, e poderá encontrar este impressionante par de galáxias interagindo entre si, o 51º registro do famoso catálogo de Charles Messier.Talvez a nebulosa espiral original, a grande galáxia com uma estrutura espiral bem definida é também catalogada como NGC 5194.
Seus braços espirais e vielas de poeira claramente passam diante de sua galáxia companheira (à direita), NGC 5195. O par está distante cerca de 31 milhões de anos-luz, e oficialmente situa-se dentro dos limites angulares da pequena constelação de Canes Venatici (Cães Caçadores).
Embora M51 pareça esmaecida e difusa ao olhar, imagens profundas como essa podem revelar cores impressionantes, e os esmaecidos detritos de maré gravitacional ao redor da galáxia menor.
Tradução de Luiz Leitão
Follow the handle of the Big Dipper away from the dipper's bowl until you get to the handle's last bright star. Then, just slide your telescope a little south and west and you might find this stunning pair of interacting galaxies, the 51st entry in Charles Messier famous catalog. Perhaps the original spiral nebula, the large galaxy with well defined spiral structure is also cataloged as NGC 5194.
Its spiral arms and dust lanes clearly sweep in front of its companion galaxy (right), NGC 5195. The pair are about 31 million light-years distant and officially lie within the angular boundaries of the small constellation Canes Venatici.
Though M51 looks faint and fuzzy to the eye, deep images like this one can reveal striking colors and the faint tidal debris around the smaller galaxy.
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Viciados em adrenalina
Estes escaladores viciados em adrenalina vão a distâncias extraordinárias, e também alturas, para tirar um foto. Centenas de metros acima do solo, os escaladores arriscam suas vidas ao escalarem enormes estruturas e fotografarem os resultados.
Mas isso não foi obstáculo para Yaroslav Segeda, que corre o mundo procurando perigosos edifícios para escalar. Nesta foto, Yaroslav tira uma foto de si mesmo ao lado de amigos, no topo de uma grua em Kiev, Ucrânia.
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Mercúrio
A superfície do planeta Mercúrio é mostrada nesta imagem obtida pelo instrumento da Nasa Espectrômetro da Composição Atmosférica e Superficial de Mercúrio (MASCS, na sigla em inglês) a bordo da espaçonave MESSENGER.
A MESSENGER é a primeira a orbitar o planeta Mercúrio, e os sete instrumentos científicos da espaçonave e investigação radiocientífica estão desvendando a história e evolução do planeta mais interno do sistema solar.
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domingo, 3 de maio de 2015
Greased Lightning GL-10
Uma equipe do Centro de Pesquisas Langley da Nasa está desenvolvendo um conceito de avião movido a baterias com 10 motores, capaz de decolar como um helicóptero e voar tão eficientemente quanto um avião.
O protótipo, chamado Greased Lightning, ou GL-10, está atualmente em fase de projeto testes. A ideia inicial era desenvolver um avião com envergadura de asa de 6,1 metros, impulsionado por motores híbridos diesel/elétricos, mas a equipe começou com versões menores para testes.
O protótipo, chamado Greased Lightning, ou GL-10, está atualmente em fase de projeto testes. A ideia inicial era desenvolver um avião com envergadura de asa de 6,1 metros, impulsionado por motores híbridos diesel/elétricos, mas a equipe começou com versões menores para testes.
São oito motores nas asas e dois na cauda.
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Puxando ferro | Pumping Iron
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sábado, 2 de maio de 2015
Palavras, palavras, palavras...
Roberto Damatta
Na semana passada, quando saía da academia onde sou visto como um velho que inutilmente combate a velhice, topei com o sempre zangado Mario Batalha, e com um jovem com o qual falamos de Brasil (e não apenas do Brasil) entre um e outro exercício.
O treino de compreender (de interpretar com simpatia, como se faz quando se canta uma música ou se lê um poema) esse Brasil pós-moderno, avacalhado pelo lulopetismo, requer um esforço tão intenso quanto se aventurar a correr uma maratona.
"Acho que essas prisões são 'políticas'", disse o moço.
"Mas tudo é 'político'!", retrucou, furioso, Mario Batalha, meu velho amigo de ginástica sueca, revoltas aeróbicas e revoluções políticas planejadas e inevitáveis na praia de Icaraí. Se acabamos com a religião e matamos Deus, só nos resta o idealismo da ética. Isso apreendemos aos 19 anos, ao lado de alguns amigos "conscientizados" - "não alienados", conforme dizíamos cheios de orgulho aos reacionários de todos os calibres que, como nossos pais, seguiam o catecismo capitalista da exploração e não o nosso nobre e ralo materialismo mágico-marxista filtrado pelos russos. Até a decisão de tomar café com leite é política, dizíamos bebendo cerveja (ainda não existia essa frescura dos vinhos) e fumando nossos aristocráticos cigarros Luiz XV.
"Concordo. Não há como defender essa coroa de roubos que refazem o mensalão com a mesma forma e com os mesmos atores, como o Zé Dirceu."
"Ele é uma metáfora do PT. Aliás, eu me pergunto", Mario Batalha olhava para mim com olhos duros como diamantes, "quem ele realmente é. Seria o líder estudantil ou o personagem operado plasticamente em Cuba que volta ao Brasil como um outro. Numa insólita duplicidade, casa-se, constitui família e, na oportunidade exata, reassume-se no que, suponho, seja a sua máscara original e, em seguida, torna-se o 'Capitão do Time' do governo Lula. Dono do 'poder', revela abertamente que o governo petista projetava ficar no Alvorada por décadas. Mas ele é também e, sobretudo, um bem sucedido empresário (de direita ou de esquerda?), cuja empresa faturou R$ 36 milhões enquanto a família, amigos e companheiros arrecadavam mais de R$ 1 milhão numa subscrição pública destinada pagar a multa que lhe fora imposta pelo STF. Revolucionários, reformadores, milenaristas, capitalistas, socialistas, sindicalistas, impostores, biliardários, excelentes atores..."
Quem são esses caras que, entrementes, fazem versos na prisão?
*
A marca do mundo contemporâneo seria o dinheiro. Tal era a opinião do hoje esquecido ensaísta Erich Fromm, um autor muito lido e amado pela minha geração. Casamentos, filhos, títulos, doenças, paixões. Tudo podia ser monetarizado.
Quanto, pergunto eu, com Fromm, custa uma "revolução"? Essa revolução que foi um destino, um ideal e uma palavra mágica da minha juventude?
Lembro-me de um ensaio clássico, escrito por Richard Moneygrand, o famoso brasilianista, justamente intitulado: "Qual é o preço de uma Revolução?". Revoluções, argumenta o professor, têm um alto custo. Exigem capital monetário e um belo volume de "capital simbólico", conforme ensinava com redundância típica, Pierre Bourdieu, que, na mesma época, descobria uma formidável "teoria da prática".
Eu diria que as revoluções precisam ainda mais de poesia. Seus instrumentos usuais: guilhotinas, fuzilamentos, confiscos, banimentos, tortura e arbítrio são o oposto da tola harmonia da noite com o dia. Daí a necessidade de versos e de música. Despotismo de um lado, festivais da canção de outro. "Se levanta a cabeça/ duro com ele/ Fidel!/ duro com ele." Essa era letra-palavra de ordem de uma sedutora música vinda de uma Cuba carismática. Foi com gosto que ouvi essa barbaridade cantada. A rima musicada aplaina e estimula as agressões sangrentas. Ela é uma fábrica de mártires. Todo radical é, no fundo, um poeta.
No ensaio, Richard Moneygrand pondera: num sistema capitalista globalizado no qual surge uma indesejável interdependência, seria possível planejar e comprar "revoluções"? Mas não vendemos manuais de felicidade e de emagrecimento?
Seria a revolução mais um manual? Ou seria ela, como pondera Moneygrand na sua complicada teoria, um golpe de morte nos manuais? Um manual para acabar com todos os manuais. Exatamente como aquela guerra que iria acabar com todas as guerras. Ou aquele governo que não podia errar e liquidaria a corrupção, a fome e a pobreza no Brasil?
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O Cometa Churyumov Gerasimenko em Crescente | Comet Churyumov Gerasimenko in Crescent
O que está acontecendo com o Cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko? À medida que o cometa, de 3 km de diâmetro, move-se mais para perto do Sol, o calor faz seu núcleo expelir gás e poeira. A espaçonave Rosetta chegou ao acidentado duplo núcleo do cometa em julho passado, e agora está coorbitando o Sol com o gigantesco iceberg escuro.
Recente análise de dados enviados à Terra pela espaçonave robótica Rosetta mostrou que a água sendo expelida por 67P tem uma diferença significativa em relação à água encontrada na Terra, indicando que a água da Terra poderia não ter sido originada de antigas colisões com cometas como 67P.
Adicionalmente, nem a Rosetta nem sua sonda Philae detectaram um campo magnético ao redor do núcleo do cometa, indicando que o magnetismo pode não ter sido importante na evolução do sistema solar primordial.
O Cometa 67P, mostrado aqui em uma fase crescente em cores artificiais, deverá ter sua taxa de evaporação aumentada à medida que chega à sua aproximação máxima do Sol, em agosto de 2015, quando alcançará o Sol a uma distância pouco maior do que a da Terra.
Tradução de Luiz Leitão
What's happening to Comet 67P/Churyumov–Gerasimenko? As the 3-km wide comet moves closer to the Sun, heat causes the nucleus to expel gas and dust. The Rosetta spacecraft arrived at the comet's craggily double nucleus last July and now is co-orbiting the Sun with the giant dark iceberg.
Recent analysis of data beamed back to Earth from the robotic Rosetta spacecraft has shown that water being expelled by 67P has a significant difference with water on Earth, indicating that Earth's water could not have originated from ancient collisions with comets like 67P.
Additionally, neither Rosetta nor its Philae lander detected a magnetic field around the comet nucleus, indicating that magnetism might have been unimportant in the evolution of the early Solar System.
Comet 67P, shown in a crescent phase in false color, should increase its evaporation rate as it nears its closest approach to the Sun in 2015 August, when it reaches a Sun distance just a bit further out than the Earth.
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sexta-feira, 1 de maio de 2015
Através do Sol | Across the Sun
Um longo filamento solar estende-se através da relativamente calma superfície do Sol nesta fotografia telescópica de 27 de abril de 2014. A imagem negativa ou invertida de banda estreita foi feita em luz de átomos de hidrogênio ionizado.
Visível no alto, à esquerda, a magnífica cortina de plasma magnetizado ergue-se acima da superfície e, na verdade, vai além da borda do Sol. Quão longo é o filamento solar? Aproximadamente tão longo quanto a distância entre a Terra e a Lua, ilustrada pela escala inserida à esquerda.
Indo em direção à direita através do disco solar, um dia depois o e longo filamento irrompeu, elevando-se da superfície do Sol. Monitorada por satélites de observação solar, uma ejeção de massa coronal foi também expelida do local, mas deverá passar longe do nosso agradável planeta.
Tradução de Luiz Leitão
Tradução de Luiz Leitão
A long solar filament stretches across the relatively calm surface of the Sun in this telescopic snap shot from April 27. The negative or inverted narrowband image was made in the light of ionized hydrogen atoms.
Seen at the upper left, the magnificent curtain of magnetized plasma towers above surface and actually reaches beyond the Sun's edge. How long is the solar filament? About as long as the distance from Earth to Moon, illustrated by the scale insert at the left.
Tracking toward the right across the solar disk a day later the long filament erupted, lifting away from the Sun's surface. Monitored by Sun staring satellites, a coronal mass ejection was also blasted from the site but is expected to swing wide of our fair planet.
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