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quarta-feira, 15 de abril de 2015

A matéria escura pode não ser totalmente escura | Dark matter may not be completely 'dark'

Dark matter is responsible for 85 per cent of the mass of the universe but nobody knows what it is  | A matéria escura é responsável por 85% da massa do universo, mas ninguém sabe o que é.
A matéria escura pode estar causando um impacto no universo ainda maior do que anteriormente se imaginava, depois que cientistas encontraram os primeiros sinais de que ela interage com algo além da gravidade.
Embora ninguém saiba o que é a matéria escura, acredita-se que ela forme cerca de 85 por cento da massa do Universo, mantendo as estrelas e planetas em suas galáxias.
A matéria escura não pode ser vista, mas sua forte influência pode ser observada através de telescópios porque encurva a luz ao redor das galáxias, criando um anel de luz estelar chamado lente gravitacional.
Entretanto pela primeira vez, cientistas da Universidade de Durham observaram um incomum encurvamento em um dos aneis de luz, indicando que um aglomerado de matéria escura está fora de alinhamento com sua galáxia.
Isso indica que uma força além da gravidade a está impedindo de permanecer em seu devido lugar.
"Nós pensávamos que a matéria escura permanecesse quieta, estável, sem interfir em nada,” disse o Dr Richard Massey, do Instituto Computacional de Cosmologia da Universidade de Durham.
"Mas se ela  desacelerou-se, isso pode ser a primeira prova de que a matéria escura percebe o mundo ao seu redort.
"É realmente muito emocionate. A matéria escura pode não ser completamente 'escura', afinal. Talvez sua fraquíssima interação com nuvens de gás ea a matéria da qual somos feitos.”
Os pesquisadores fizeram a descoberta utilizando o Hubble e o Extra Grande Telescópio do Observatório Europeu do Sul para verem a colisão simultânea de quatro distantes galáxias no centro de uma aglomerado galáctico distante 1,3 bilhão de anos-luz da Terra.
This image shows that the gravitational lensing is skewed as dark matter interacts with an unknown force | Esta imagem mostra que o efeito de lente gravitacional é distorcido quando a matéria escura interage com um força desconhecida.
Eles descobriram que um aglomerado de matéria escura aparentou estar ficando para trás da galáxia que circunda.
Ela está atualmente desviada de sua galáxia por uma distância de 5.000 anos-luz (50.000 milhões de milhões de km) - uma distância que a espaçonave Voyager da NASA lavaria 90 milhões de anos para percorrer.
Tal desvio é previsto durante colisões quando a matéria escura interage, ainda que muito levemente, com outras forças além da gravitacional.
Os pesquisadores dizem que a descoberta potencialmente descarta a teoria padrão da Matéria Escura Fria, segundo a qual a matéria escura interage somente com a gravidade.
A integrante da equipe Professora Liliya Williams, da Universidade de Minnesota, disse: "Nossa observação sugere que a matéria escura pode ser capaz de interagir com mais forças além da gravidade.
"O Universo paralelo que ocorre ao nosso redor tornou-se interessante. O setor escuro pode conter uma física muito rica e, potencialmente, um comportamento complexo."
O Dr Massey acrescentou: “Nós estamos, finalmente, chegando à matéria escura  sobre e abaixo de nós — consolidando nosso conhecimento  por duas vertentes.
"Matéria escura, nós estamos chegando até você."

Tradução de Luiz Leitão
Dark matter may be having an even bigger impact on the Universe than previously thought, after scientists found the first signs that it interacts with something other than gravity.
Although nobody knows what dark matter is, it is believed to make up about 85 per cent of the Universe's mass, keeping stars and planets in their galaxies.
Dark matter cannot be seen but it’s huge impact can be viewed through telescopes because it bends light around galaxies creating a ring of star light known as gravitational lensing.
However, for the first time scientists at Durham University have seen an unusual bend in one of the rings of light, suggesting that a clump of dark matter is out of alignment with its galaxy.
It indicates that a force other than gravity is stopping it sitting in its rightful place.
"We used to think that dark matter sits around, minding its own business,” said Dr Richard Massey, at Durham University's Institute for Computational Cosmology.
"But if it slowed down, this could be the first evidence that dark matter notices the world around it.
"It’s really very exciting. Dark matter may not be completely 'dark' after all. Perhaps its interacting very weakly with clouds of gas and what we’re made of.”
Researchers made the discovery using the Hubble Space Telescope and the European Southern Observatory's Very Large Telescope to view the simultaneous collision of four distant galaxies at the centre of a galaxy cluster 1.3 billion light years away from Earth.

They found that one dark matter clump appeared to be lagging behind the galaxy it surrounds.
It is currently offset from its galaxy by 5,000 light years (50,000 million million km) - a distance it would take NASA's Voyager spacecraft 90 million years to travel.
Such an offset is predicted during collisions if dark matter interacts, even very slightly, with forces other than gravity.
The researchers say the finding potentially rules out the standard theory of Cold Dark Matter, where dark matter interacts only with gravity.
Team member Professor Liliya Williams, of the University of Minnesota, said: "Our observation suggests that dark matter might be able to interact with more forces than just gravity.
"The parallel Universe going on around us has just got interesting. The dark sector could contain rich physics and potentially complex behaviour."
Dr Massey added: “We are finally homing in dark matter from above and below - squeezing our knowledge from two directions.
"Dark matter, we're coming for you."
The research was published in the Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Auroras e misteriosas nuvens de poeira ao redor de Marte | Aurora and Mysterious Dust Cloud around Mars


A espaçonave da NASA Mars Atmosphere and Volatile Evolution (MAVEN) observou dois fenômenos inesperados na atmosfera marciana: uma inexplicada nuvem de poeira de grande altitude e auroras que alcançam as profundezas da atmosfera do planeta. 

A presença da poeira em altitudes orbitais, entre 150 quilômetros e 300 quilômetros acima da superfície não estava prevista. Embora a fonte e a composição da poeira sejam desconhecidas,  não há perigo para a MAVEN e outras espaçonaves orbitando Marte.

Tradução de Luiz Leitão

NASA's Mars Atmosphere and Volatile Evolution (MAVEN) spacecraft has observed two unexpected phenomena in the Martian atmosphere: an unexplained high-altitude dust cloud and aurora that reaches deep into the Martian atmosphere. 

The presence of the dust at orbital altitudes from about 93 miles (150 kilometers) to 190 miles (300 kilometers) above the surface was not predicted. Although the source and composition of the dust are unknown, there is no hazard to MAVEN and other spacecraft orbiting Mars.

Mercedes SL 500


Oguz Yildirim, dono de uma miniatura de automóvel de edição limitada produzida na Alemanha, dirige seu carro em Esparta, Turquia.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Labareda solar classe X2 | Class X2 Solar Flare


Uma forte labareda solar (classe X, a maior de todas) irrompeu em direção ao espaço, oriunda de uma região ativa levemente voltada para a Terra (11 de março de 2015). 

Labaredas classe X são extremamente incomuns. O forte brilho da labareda foi seguido de correntes de ejeções escuras que se movem para a esquerda através do Sol. 

A labareda realmente causou alguns blecautes de rádio na Terra quando causou perturbações em nossa ionosfera, e também estava relacionada a uma ejeção de massa coronal.

Tradução de Luiz Leitão

A strong flare (X-class, the largest class) erupted into space from an active region that was roughly facing towards Earth (Mar. 11, 2015). 

X-class flares are rather uncommon. The bright flash of the flare was followed by streams of dark ejecta that move across the sun to the left. 

The flare did cause some radio blackouts on Earth when it disturbed our ionosphere. The flare was also associated with a coronal mass ejection.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

O grande pelicano branco

O grande pelicano branco é realmente enorme.

Ao longo do Muro do Cisne | Along the Cygnus Wall


A cordilheira de emissões em formato de W mostrada nesta vívida paisagem celeste é conhecida como o Muro do Cisne. Parte de uma nebulosa de emissões maior com um formato diferenciado, popularmente chamada Nebulosa da América do Norte, a cordilheira cósmica estende-se por cerca de 20 anos-luz. 

Feita com a utilização de dados de banda larga para ressaltar o revelador brilho avermelhado de átomos de hidrogênio ionizado recombinando-se com elétrons, a imagem de mosaico composta de dois quadros segue uma frente de ionização com finos detalhes de formas escuras e poeirenta em silhueta. 

Esculpidas por radiação energética proveniente das grandes e quentes estrelas da região, as formas escuras nesta vista são nuvens de gás frio e poeira com estrelas provalemnete formando-se em seus interiores. A  Nebulosa da América do Norte em si, NGC 7000, está distante 1.500 anos-luz da Terra.

Tradução de Luiz Leitão

The W-shaped ridge of emission featured in this vivid skyscape is known as the Cygnus Wall. Part of a larger emission nebula with a distinctive outline popularly called The North America Nebula, the cosmic ridge spans about 20 light-years. 

Constructed using narrowband data to highlight the telltale reddish glow from ionized hydrogen atoms recombining with electrons, the two frame mosaic image follows an ionization front with fine details of dark, dusty forms in silhouette. 

Sculpted by energetic radiation from the region's young, hot, massive stars, the dark shapes inhabiting the view are clouds of cool gas and dust with stars likely forming within. The North America Nebula itself, NGC 7000, is about 1,500 light-years away.

domingo, 12 de abril de 2015

A Terra durante uma eclipse solar total | Earth During a Total Eclipse of the Sun

Legendas: Cyprus: Chipre; Turkey: Turquia.

Como se parece a Terra durante uma eclipse total solar? Ela fica escura na regão onde as pessoas avistam a eclipse porque é onde a sombra da Lua se projeta. A área de sombra, na verdade, cruza a Terra a cerca de 2.000 quilômetros por hora, escurecendo locais em sua trajetória durante apenas alguns minutos antes de seguir adiante. 

Esta imagem mostra a Terra durante a eclipse total solar  de março de 2006, vista da Estação Espacial Internacional. Na última eclipse, a Lua passou novamente diante do Sol, projetando outra sombra circular distorcida que, desta vez, cruzou parte do Oceano Atlântico norte.

Tradução de Luiz Leitão

What does the Earth look like during a total solar eclipse? It appears dark in the region where people see the eclipse, because that's where the shadow of the Moon falls. The shadow spot actually shoots across the Earth at nearly 2,000 kilometers per hour, darkening locations in its path for only a few minutes before moving on. 

The featured image shows the Earth during the total solar eclipse of 2006 March, as seen from the International Space Station. On Friday the Moon will move in front of the Sun once again, casting another distorted circular shadow that, this time, will zip over part of the north Atlantic Ocean.

Dólar de prata


Um funcionário da casa de leilões Sotheby's segura uma moeda de dólar de prata de 1804, cujo valor é estimado entre 8 e 10 milhões de dólares, em Londres, Inglaterra. Uma coleção de mais de 600 moedas será vendida em uma série de leilões na Sotheby's em Nova York, iniciando-se em Maio, com um total estimado em mais de 100 milhões de dólares.

Aviões e suicídios

Andreas Lubitz, co-piloto da empresa Germanwings

Roberto Damatta

A notícia da semana nos tirou do sujo da "corrupção altruísta" (em nome de um partido, utopia ou ideal religioso ou secular) e da "egoísta" (enriquecimento pessoal) para o sofrimento compartilhado de um outro dispositivo voador: o desastre do helicóptero que matou o filho de Geraldo Alckmin, governador do Estado de São Paulo, um dos políticos mas importantes do País. Escrevo pensando no pai e na mãe que perderam o que criaram, no amor que nos aproxima dos deuses e do imenso sofrimento da perda de um filho - preço da nossa humanidade.

Somos fadados aos acidentes - esses inesperados difíceis de assimilar numa era de alta tecnologia. Mapeamos o mundo, mas não o controlamos porque ele é dinamizado por nós e nenhum homem é ilha ou máquina. Aliás, a máquina ou a prótese, como dizia Freud, é o justo oposto da humanidade por seu automatismo e o seu dispositivo de ser ligado e desligado sem, entretanto, morrer. Podemos saber se o rebento será menino ou menina, mas não podemos prever o inesperado dos desastres. Sabemos o dia do nascimento, mas não nos é dado conhecer o dia do funeral...

A guerra, envolvendo as identidades que nascem do etnocentrismo presente em todos os grupos humanos e o uso da violência na luta pelo poder, são desastres programados. Elas confirmam a inferioridade do "outro". Que me perdoem os idiotas em socioantropologia, a consciência do "nós" depende "deles". Todos os sujeitos são construídos. Ninguém vira holandês tomando uma injeção, mas holandeses viram holandeses em confronto com alemães, brasileiros ou japoneses. Como ninguém pediu para nascer. Somos obrigatoriamente produzidos por quem nos "criou", num palco e capítulo não escolhidos de uma novela em curso da qual, um dia, saímos.

As programações coletivas fabricam universos e identidades por meio de língua, regime político, economia e religião - esses dispositivos primordiais - como dizia Fustel de Coulanges - para enxergar o cosmos sem nenhuma equação matemática ou "big-bang". Um conceito que, com a devida vênia, só poderia ter nascido na civilização dos caubóis a qual, finalmente, se aprimorou com a invenção de um dispositivo capaz de infinita destruição: a bomba atômica! Este sim, é um dispositivo disposto porque tem, inclusive, a disposição de destruir, disponibilizando os próprios inventores. A morte absoluta do outro tem a ver com a nossa própria morte. 

Só o cronista enrolado escreve tudo isso para chegar a um ponto intuído na semana passada. O suicídio seria, como escreveu Camus, "o único problema filosófico verdadeiramente sério". Por quê? Porque ele implica um julgamento fundado na liberdade de decidir se a vida merece ou não ser vivida. Esse "merece" situa o sujeito como dono da vida, algo assustador em sistemas nos quais o viver não nos pertence, pois nos foi dado por Deus. 

Se Camus tivesse lido o Durkheim que, em 1897, escreveu O Suicídio, ele teria sido enriquecido com um tipo de suicídio que rouba do sujeito essa escolha tão cara aos existencialistas. Pois, como demonstra Durkheim, o suicídio pode resultar de um surto de melancolia individual ou de uma obrigação imposta pela sociedade. Durkheim chama o primeiro tipo de "suicídio egoísta"; o segundo ele chama de "altruísta". Essa forma de suicídio complica os axiomas individualistas, porque ele é motivado por forças externas ao indivíduo como a honra, o patriotismo e o amor. Os políticos japoneses se matam quando são vergonhosamente apanhados no roubo dos dinheiros públicos. Romeu e Julieta se mataram por amor, como ocorreu com os mártires católicos na velha Roma e com os heróis de guerra que morrem em nome da pátria cuja identidade, com devida vênia aos idiotas que imaginam que elas são fixas e concretas, se torna maior do que os seus interesses.

No Brasil, Vargas torna-se admirável, aos meus olhos molhados pela velhice, como o único caso da história do nosso país em que um ex-ditador se confrontou consigo mesmo e resolveu dar um tiro no próprio coração - esse símbolo maior do país por ele possuído. Ao perder o controle do contexto político, saiu da cena da realidade corrompida para "entrar na história" - o palco das mitologias.

A tipologia de Durkheim funciona quando se usa o olhar distanciado. Mas com uma lupa, vemos que todos os suicídios são uma mistura complexa de egoísmo e altruísmo. Pois a chave do suicídio do copiloto jaz no desejo de sair da crise pessoal, mas também na vontade de morrer de modo colossal, incluindo outras pessoas e, num avião, o que transforma o autoassassinato numa tragédia em estado puro. Eis um drama idêntico dos assassinatos coletivos em escolas e templos, os quais imortalizam seus infames programadores que acabam o mundo e, ato contínuo, se matam com a mesma impiedade.

Mortes sem dono. Mortes aparentemente sem uma causa, exceto pela sua imediata e atraente celebrização - essa chave de trevas do terrorismo como instrumento político. Suicidar-se é revelador de um profundo sentimento antipaterno. É, talvez, uma recusa do fato que todos fomos feitos por e para os outros. Ninguém pode ser o seu próprio outro a não ser no suicídio.

sábado, 11 de abril de 2015

Nitrogênio biologicamente utilizável em Marte


Uma equipe, utilizando o instrumento Sample Analysis at Mars (SAM) — Análise de Amostras em Marte — a bordo do jipe-sonda Curiosity da NASA, fez sua primeira detecção de nitrogênio na superfície de Marte de emissões ocorridas durante o aquecimento de sedimentos do planeta. 

O nitrogênio foi detectado na forma de óxido nítrico, e poderia ter sido liberado a partir da quebra de nitratos durante o aquecimento. Nitratos são uma classe de moléculas que contêm nitrogênio em uma form que pode ser usada por organismos vivos. A descoberta aumenta as provas de que antigamente Marte era habitável.

Tradução de Luiz Leitão

A team using the Sample Analysis at Mars (SAM) instrument suite aboard NASA's Curiosity rover has made the first detection of nitrogen on the surface of Mars from release during heating of Martian sediments. 

The nitrogen was detected in the form of nitric oxide, and could be released from the breakdown of nitrates during heating. Nitrates are a class of molecules that contain nitrogen in a form that can be used by living organisms. The discovery adds to the evidence that ancient Mars was habitable for life.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

No buraco da agulha


Um artista criou a menor escultura do mundo...apenas para ser esmagada. Jonty Hurwitz cria esculturas tão pequenas que podem ser colocadas sobre um fio de cabelo humano ou na cabeça de uma formiga, mas 'perdeu o controle' ao descobrir que algumas delas haviam sido esmagadas durante uma sessão de fotos. 

As minúsculas figuras do artista de 45 anos têm menos de um décimo de milímetro de altura e são criadas através de um processo chamado nanoimpressão. 

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Full Moon in Earth's Shadow


Na semana que passou, a Lua cheia esteve totalmente imersa na escura sombra da umbra da Terra, embora apenas por um breve instante. A fase total da eclipse lunar de 4 de abril durou menos de 5 minutos, a mais curta clipse total lunar deste século, até agora

Na verdade, passando apenas pela borda norte da sombra umbral da Terra, o norte lunar permaneceu relativamente brilhante, enquanto uma bela gama de tons vermelhos e azuis emergia através do restante o hemisfério lunar voltado para a Terra. A luz avermelhada na área de sombra que atinge a superfície lunar é filtrada através da baixa atmosfera. 

Vista da perspectiva lunar, ela vem de todos os pores-do-sol e nasceres-do-sol ao redor das brodas da Terra em silhueta. Mais perto da borda da sombra, a luz mais azulada é ainda filtrada através da atmosfera da Terra, mas se origina quando os raios de Sol passam através das altas camadas da estratosfera superior. 

Aquela luz é colorida por ozônio, que absorve a luz vermelha e transmite os tons mais azulados. Nesta nítida visão telescopica da totalidade, registrada em Auckland, Nova Zelândia, planeta Terra, o polo norte da Lua foi girado para o topo do quadro da imagem.

Tradução de Luiz Leitão

Last week the Full Moon was completely immersed in Earth's dark umbral shadow, just briefly though. The total phase of the April 4, 2015 lunar eclipse lasted less than 5 minutes, the shortest total lunar eclipse of the century

In fact, sliding just within the Earth's umbral shadow's northern edge, the lunar north stayed relatively bright, while a beautiful range of blue and red hues emerged across the rest of the Moon's Earth-facing hemisphere. The reddened light within the shadow that reaches the lunar surface is filtered through the lower atmosphere. 

Seen from a lunar perspective it comes from all the sunsets and sunrises around the edges of the silhouetted Earth. Close to the shadow's edge, the bluer light is still filtered through Earth's atmosphere, but originates as rays of sunlight pass through layers high in the upper stratosphere. That light is colored by ozone that absorbs red light and transmits bluer hues. In this sharp telescopic view of totality from Auckland, New Zealand, planet Earth, the Moon's north pole has been rotated to the top of the frame.

NGC 2403 na Girafa | NGC 2403 in Camelopardalis


O magnífico universo-ilha NGC 2403 situa-se dentro dos limites da constelação do Camelopardalis, a Girafa. Distante cerca de 10 milhões de anos-luz, com um diâmetro de, aproximadamente, 50.000 anos-luz, a galáxia espiral parece ter também mais do que sua porção justa das regiões de formação estelares HII marcadas pelo indicador brilho avermelhado de gás atômico de hidrogênio. 

As gigantescas regiões HII são energizadas por aglomerados de grandes estrelas quentes que explodem em brilhantes supernovas ao final de suas curtas e violentas vidas

Integrante do grupo galáctico M81, NGC 2403 lembra muito outra galáxia com abundantes regiões de formação estelar, situada em nosso grupo local de galáxias, M33 a Galáxia do Triângulo

Brilhantes estrelas de aparência pontuda aparecem em primeiro plano neste colorido retrato galáctico de NGC 2403, em nossa Via Láctea.

Tradução de Luiz Leitão

Magnificent island universe NGC 2403 stands within the boundaries of the long-necked constellation Camelopardalis. Some 10 million light-years distant and about 50,000 light-years across, the spiral galaxy also seems to have more than its fair share of giant star forming HII regions, marked by the telltale reddish glow of atomic hydrogen gas. 

The giant HII regions are energized by clusters of hot, massive stars that explode as bright supernovae at the end of their short and furious lives. 

A member of the M81 group of galaxies, NGC 2403 closely resembles another galaxy with an abundance of star forming regions that lies within our own local galaxy group, M33 the Triangulum Galaxy

Spiky in appearance, bright stars in this colorful galaxy portrait of NGC 2403 lie in the foreground, within our own Milky Way.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

A arte de maldizer (*)



Arnaldo Jabor

Malditos sejais, ó mentirosos, negadores, defraudadores, vigaristas, intrujões, chupistas, tartufos e embusteiros! Que a peste negra vos cubra de feridas pútridas, que vossas línguas mentirosas sequem e que água alguma vos dessedente, que vossas mentiras, patranhas, fraudes, lérias e marandubas se transformem em cobras peçonhentas que se enrosquem em vossos pescoços, que entrem por vossos rabos, rabiotes e fundilhos e lá depositem venenosos ovos que vos depauperem em diarreias torrenciais e devastadoras. Que vossas línguas se atrofiem em asquerosos sapos e bichos pustulentos que vos impedirão de beijar vossas amantes, barregãs e micheteiras que vos recebem nos lupanares de Brasília, nos prostíbulos mentais onde viveis, refocilando-se nas delícias da roubalheira. 

Malditos sejais, ladrões, gatunos, ratoneiros, trabuqueiros dos dinheiros públicos, dos quais agadanhais, expropriais mais da metade de todos os orçamentos, deixando viadutos no ar, pontes no nada, esgotos a céu aberto e crianças mortas de fome, mortas de tudo.

Que a maldição de todas as pragas do Egito e do Deuteronômio vos impeça de comer os frutos de vossas fazendas escravistas, que não possais degustar o pão de vossos fornos, nem o milho de vossos campos, e que vossas amantes vos traiam e vos contaminem com escabrosas doenças e repugnantes furúnculos! 

Malditos sejais, homúnculos dedicados a se infiltrar nas brechas, nas breubas do Estado para malversar, rapinar, larapiar desde pequenas gorjetas embolsadas, até essa doença nacional chamada petróleo, onde vos repastais no revezamento sinistro de negociarrões com empresas fantasmas em terrenos baldios, até a rapinagem dos mínimos picuás dos miseráveis.

Malditas sejam as caras de pau dos ladravazes, com seus ascorosos sorrisos, imunda honradez ostentada, gélido cinismo, baseado na crapulosa legislação que vos protege há quatro séculos, por compradiços juízes, repulsivos desembargadores, fariseus que vendilham sentenças por interesses políticos, ocultados por intrincados circunlóquios jurídicos, solenes lero-leros para compadrios e favores aos poderosos! Que vossas togas se virem em abutres famintos que vos devorem o fígado, acelerando vossas mortes que virão pela ridícula sisudez esclerosada com que justificais liminares e chicanas que liberam criminosos ricos e apodrecem pobres pretos na boca do boi de nossas prisões! 

Malditos sejais, burocratas, sicofantas, enfiados na máquina pública, emperrando-a e sugando migalhas do Estado com voracidade e gula! Tomara que sejais devorados pelos carunchos que rastejam nos processos empoeirados da burocracia que impede o País de andar! Que a poeira dos arquivos mortos vos sufoque e envenene como o trigo roxo dos ratos!

Malditas sejam também as "consciências virginais", as mentes "puras"; malditos os alienados e covardes, malditos os limpos, os não culpados, os indiferentes, que se acham superiores aos que sofrem e pecam; malditos intelectuais silenciosos que ficam agarrados em seus dogmas, que se "escandalizam" com os horrores, mas nada fazem, diante dos erros óbvios que clamam por condenações. Maldito aquele que culpou os "brancos de olhos azuis" pela crise econômica mundial. Malditos os que só pensam em dividir os brasileiros entre "nós" e "eles". Maldita seja a técnica de vitimização que funciona bem para ditadores que se dizem sempre 'defensores do povo' - suas vítimas. Malditos os que condenam o passado, se eles são o passado. 

Malditos os radicais de cervejaria, os radicais de enfermaria e os radicais de estrebaria. Os frívolos, os loucos e os burros. Uns bebem e falam em revolução; outros alucinam e os terceiros zurram. 

Maldita seja também a indiferença narcisista do déspota sindicalista que renegou a herança bendita que recebeu e que se esconde nas crises para voltar um dia como pai da pátria. Que gordos carrapatos infectem sua barba de estadista deslumbrado.

Malditos também os que desejam trazer de volta a irresponsabilidade fiscal, malditos anjos da cara suja, malditos os que inventaram as gorjetas de milhões, malditos espertos fugitivos da cassação, anatematizados e desgraçados sejam os que levam dólares na cueca e, mais que eles, os que levam dólares às Bahamas, malditos os que usam o "amor ao povo" para justificar suas ambições fracassadas, malditos bolchevistas que agora são arroz de festa de intelectuais mal informados; malditos sejam, pois neles há o desejo de fazer regredir o Brasil para o velho Atraso pustulento, em nome de suas ideologias infantis! 

Se eles prevalecerem, voltará o dragão da Inflação, com sete cabeças e dez chifres e sete coroas em cada cabeça e a prostituta do Atraso virá montada nele, berrando todas as blasfêmias, vestida de vermelho, segurando uma taça cheia de abominações. E ela, a besta do Atraso, estará bêbada com o sangue dos pobres e em sua testa estará escrito: "Mãe de todas as meretrizes e Mãe de todos os ladrões que paralisam nosso país". 

Só nos resta isso: maldizer. 

Portanto: que a peste negra vos devore a alma, políticos canalhas, que vossos cabelos com brilhantina vos cubram de uma gosma repulsiva, que vossas gravatas bregas vos enforquem, que os arcanjos vingadores vos exterminem para sempre! 

(*) Não pude escrever o artigo da semana por doença (nada grave, inimigos meus), mas me lembrei de outro texto da época do "mensalão" e achei por bem republicá-lo, pois cabe perfeitamente nestes tempos de "petrolão".

terça-feira, 7 de abril de 2015

M100


Majestosa em uma verdadeira escala cósmica, M100 é apropriadamente conhecida como uma grande galáxia de  design espiral. É uma grande galáxia com mais de 100 bilhões de estrelas, com braços espirais bem definidos, similiar à Via Láctea

Um dos mais brilhantes membros do aglomerado galáctico de VirgemM100 (aliás NGC 4321) está distante 56 milhões de anos-luz, nas proximidades da constelação da Cabeleira de Berenice (Coma Berenices). 

Esta image de M100 foi feita pelo Hubble em 2006, e revela brilhantes aglomerados estelares azuis e intrincadas vielas de poeira que são características dessa classe de galáxias. 

Estudos de estrelas variáveis em M100 tiveram um papel importante para determinar o tamanho e idade do Universo. Se você souber exatamente para onde olhar, poderá encontrar uma pequena mancha que é um eco de luz de um brilhante supernova, que foi registrado alguns meses antes de esta foto ter sido tirada.


Tradução de Luiz Leitão

Majestic on a truly cosmic scale, M100 is appropriately known as a grand design spiral galaxy. It is a large galaxy of over 100 billion stars with well-defined spiral arms that is similar to our own Milky Way Galaxy

One of the brightest members of the Virgo Cluster of galaxies, M100 (alias NGC 4321) is 56 million light-years distant toward the constellation of Berenice's Hair (Coma Berenices). 

This Hubble SpaceTelescope image of M100 was made in 2006 and reveals bright blue star clusters and intricate winding dust lanes which are hallmarks of this class of galaxies. 

Studies of variable stars in M100 have played an important role in determining the size and age of the Universe. If you know exactly where to look, you can find a small spot that is a light echo from a bright supernova that was recorded a few months before the image was taken.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

A poção anglo-saxônica que mata a superbactéria MRSA


Descobriu-se que um remédio medieval para infecções oculares, datado de mil anos atrás, descoberto em um manuscrito da Biblioteca Britânica, mata a superbactéria MRSA.
A especialista anglo-saxônica dra Christina Lee, da School of English, da Universidade de Nottingham, recriou a poção do século 10 para ver se ela realmente funcionava como agente antibateriano.
A receita 'eyesalve' (pomada para olhos) requer duas espécies de  Allium (alho e cebola ou alho porro), vinho e bile do estômago de vacas.
Ela descreve um método muito específico de fazer a solução tópica, incluindo o uso de um recipiente de bronze para fermentá-la, um coador para purificá-la, e a instrução para deixar a mistura em repouso por nove dias antes de utilizá-la.
Nenhum dos especialistas esperava realmente que a mistura funcionasse. Entretanto quando ela foi testada, os microbiologistas ficaram encantados ao descobrirem que a pomada não só eliminava terçol como também atacava a letal bactéria MRSA, que é resistente a vários antibióticos.
“Nós ficamos realmente atônitos com os resultados de nossas experiências em laboratório,” disse Lee.
“Acreditamos que as pesquisas atuais sobre doenças possam se beneficiar de respostas e conhecimentos passados, muito presentes em escritos não científicos.
“Entretanto o potencial desses textos de contribuir para a solução dos desafios não pode ser compreendido sem o conhecimento combinado da arte e da ciência.”
Dr Lee traduziu a receita de Bald’s Leechbook, um um antigo manuscrito inglês encadernado com couro e mantido na Biblioteca Britânica.
O Leechbook é amplamente considerado um dos mais antigos livros de texto médico conhecidos, e contém orientações médicas anglo-saxônicas, além de receitas para medicamentos, pomadas e tratamentos.
“Livros médicos sobre sanguessugas e hervas contêm vários remédios feitos para tratar o que são claramente infecções bacterianas, machucados exsudantes/dores, infecções oculares e de garganta, patologias cutâneas, como erisipela, lepra e infecções no peito,” acrescentou Lee.
Os cientistas de Nottingham fizeram quatro lotes separados do remedio utilizando ingredientes frescos a cada vez, assim como um tratamento de controle utilizando a mesma quantidade de água destilada e folhas de bronze para imitar o recipiente de fermentação, mas sem os componentes vegetais.
Nenhum dos ingredientes isoladamente teve qualquer efeito mensurável, mas quando foram combinados de acordo com a receita, as populações de MRSA foram quase totalmente eliminadas: cerca de uma célula bacteriana em um milhão sobreviveu em feridas de ratos.
Os pesquisadores acreditam que o efeito da receita não se deve a um só ingrediente, mas, sim à combinação utilizada a aos métodos de fermentação. Outras pesquisas serão necessárias para investigar como e por que isso funciona.
Microbiologistas da Universidade de  Nottingham disseram que estavam ‘verdadeiramente maravilhados' com a descoberta.
“Nós achávamos que a pomada de Bald poderia apresentar uma pequena quantidade de atividade antibiótica porque cada um dos ingredientes havia demonstrado, em outras pesquisas, ter algum efeito sobre as bactérias em laboratório,” disse dr Freya Harrison, que chefiou o trabalho no laboratório.
“Mas ficamos absolutamente surpresos ao constatar quão eficaz era a combinação de ingredientes.
“Este verdadeiro projeto multidisciplinar explora uma nova abordagem dos atuais problemas de tratamentos de saúde ao testar se os remédios medievais contêm ingredientes que matam bactérias ou interferem em sua habilidade de causar infecções”.
O cientista dr. Steve Diggle acrescentou: “Quando fizemos esta receita no laboratório, eu realmente não esperava que  produzisse qualquer efeito.
“Quando descobrimos que ela podia de fato destruir e matar células de (MRSA) em biofilmes, eu fiquei genuinamente maravilhado.”
O dr. Kendra Rumbaugh,  da Universidade de Tecnologia do Texas, que foi solicitado a replicar as descobertas, disse que a pomada teve um desempenho ‘bom, se não melhor’ do que os antibióticos tradicionais no tratamento contra o supergerme.
A equipe de Nottingham está tentando obter mais financiamento para ampliar a pesquisa, de forma que possa ser testada em humanos.

Aneis de diamante e Pérolas de Bailey | Diamond Rings and Baily's Beads


Próximo ao equinócio de 20 de março, o céu frio e límpido sobre Longyearbyen, Noruega, planeta Terra, trazia uma vista cativante da eclipse total do Sol. A silhueta da Lua nova em estágios, pouco antes e logo após a fase total, de três minutos de duração, parecia fazer brotarem diamantes brilhantes e pérolas reluzentes nesta foto composta de lapso temporal do evento celestial geocêntrico

O primeiro e o último olhares sobre o disco solar com a borda lunar circundada pelo brilho da corona solar interna dava a impressão de ser um anel de diamantes no céu. Próximo à totalidade, a luz solar passando através de vales no terreno irregular ao longo da borda da Lua produzia um efeito chamado Pérolas de Baily, nome dado em homenagem ao astrônomo inglês Francis Baily, que defendeu uma explicação para o fenômeno, em 1836. 

Esta nítida composição mostra também um conjunto de proeminências solares róseas situadas acima da borda do Sol eclipsado.

Tradução de Luiz Leitão

Near the March 20 equinox the cold clear sky over Longyearbyen, Norway, planet Earth held an engaging sight, a total eclipse of the Sun. The New Moon's silhouette at stages just before and after the three minute long total phase seems to sprout glistening diamonds and bright beads in this time lapse composite of the geocentric celestial event. 

The last and first glimpses of the solar disk with the lunar limb surrounded by the glow of the Sun's inner corona give the impression of a diamond ring in the sky. At the boundaries of totality, sunlight streaming through valleys in the irregular terrain along the Moon's edge, produces an effect known as Baily's Beads, named after English astronomer Francis Baily who championed an explanation for the phenomenon in 1836. 

This sharp composition also shows off the array of pinkish solar prominences lofted above the edge of the eclipsed Sun.

domingo, 5 de abril de 2015

Chamando a crise pra dançar


José Nêumanne
Dilma não vai se safar desta se só se livrar da dupla aloprada Freddie Mercury e Pepe Legal
Assim como fizera o cego Tirésias, avisando ao general Júlio César que os idos de março poderiam ser-lhe aziagos, não faltou quem aconselhasse mudança de atitude à presidente Dilma Rousseff para ela recuperar poder e prestígio antes de chegar um abril ainda pior. Segundo xeretas palacianos, seu inspirador, pai político e profeta de plantão Luiz Inácio Lula da Silva o fez aos berros. Ex-aliados, amigos de ocasião e adversários de sempre insistem na tese, mas ela faz “ouvidos de Mercadante”, no exato trocadilho do professor Cláudio Couto.
Dois membros recentes de seu novo primeiro escalão preferiram pular fora do bote furado antes que este fizesse água em plena seca. No documento “sigiloso” encaminhado a ela própria pelo secretário da Comunicação, Thomas Traumann, ficou patente a confissão do pior dos crimes para uma gestão que se jacta de servir a um real, embora debilitado, Estado Democrático de Direito: a mistureba rastaquera do que é de César com o que é de Deus, ou do diabo: o culto à personalidade, o interesse do partido e os cofres da Viúva. A confissão pode ter passado batida na leitura do documento pela destinatária, mas não dos pobres coitados da planície que bancam a farra, entre os quais o autor destas mal traçadas linhas. Ao contrário de Brutus, que César havia escolhido para sucessor, Traumann apunhalou-a à distância, sem dar à chefona sequer a oportunosa ensancha de parodiar Suetônio: “Até tu, Thomas?”. Foi para o exterior, à espera de ter a traição premiada com o doce abacaxi da assessoria de comunicação da Petrobrás arrombada.
Cid Gomes estrelou “Os 300 de Sobral” em palco de circo mambembe, mas não conta mais com a mão amiga dela. Chutou o balde da coalizão governista e enfiou a peixeira no presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mas fez sangrar a “presidenta” no lado oposto da Praça dos Três Poderes. Constatando a lorota da “Pátria Educadora”, preferiu bancar o Jânio Collor em 2018, esquecendo o malogro do mano Ciro em idêntica intentona.
Não se sabe ao certo se foi Cid que preferiu desertar do exército dos que combatem à sombra dos escudos inimigos ou se foi a “generala” que o defenestrou. Mas não há dúvida alguma de que, como nunca antes aconteceu na história deste país, o distinto público, que paga os vencimentos de todos os personagens desta tragicomédia bufa, ficou sabendo da demissão pela boca do presidente da Câmara, até então tido como desafeto. Como no Flamengo x Vasco do Maracanã no domingo, o goleiro Oliva, filho e irmão de briosos generais, rolou a bola no campo molhado para o ex-amigo de Garotinho bater a gol (como Alecsandro, artilheiro rubro-negro) e correr para a galera, com guarda-chuva e galocha.
Terá sido por isso que esta semana começou com a notícia de que parte do conselho do padim Lula de Caetés será aceita e o Freddie Mercury da dupla com Pepe Legal Vargas ficaria no emprego, mas não seria mais o articulador político? Ainda é duvidoso que a surdez aos apelos de aliados da coalizão possa confinar o ministro ao gabinete na função de subcarimbador de colegas. Não é pouco! Mas para quem se acha capaz de repetir a experiência de Richelieu no Paranoá não deve ser muito agradável perder o poder de dar as cartas na barganha. O eventual roque de Mercadante no xadrez do Planalto, contudo, é lana caprina em comparação com a tarefa árdua que a chefona do governo tem de amansar a massa.
Com 84% dos entrevistados do Datafolha dizendo que acham que ela sabia da roubalheira na Petrobrás, resultando em só 13% de quem avalia seu governo de bom a ótimo, Dilma não terá vida fácil. Vai ser difícil evitar que a maior concentração popular com a camisa da seleção (e depois dos 7 a 1 da Alemanha!) da história nos idos de março seja superada pela que se reunirá de novo nas ruas das cidades brasileiras em 12 de abril. O sangue de Traumann, Cid e Mercadante não saciará a sede da massa.

Sem ter o diagnóstico certo do mal que assola sua gestão, Dilma apelou para o receituário de sempre, aconselhada por algum “assessor para assuntos aleatórios”. Disseram-lhe que o povo não tem foco, como se a miopia tivesse ido à rua, e não ficado, como ficou, no palácio. Miguel Rossetto, o porta-voz de uma alocução só e o mais breve de todos os tempos e em qualquer governo, disse que só protestou quem não votou nela – uma absurda agressão sofrida pela velha aritmética euclidiana. Pois se 62% dos entrevistados acham seu governo ruim ou péssimo, não há como algum eleitor de Dilma – com 51,64% dos votos válidos no segundo turno, segundo o Tribunal Superior Eleitoral – não estar frustrado com madame.
Para tirar de foco o “Fora Dilma”, o governo tenta vender a ideia de que este foi um breve contra a corrupção, uma queixa genérica. E, aí, ressurgiu a velha lorota do pacote de leis anticorrupção, medida a que ela já tinha apelado na resposta às manifestações populares de junho de 2013, na campanha eleitoral e no discurso da vitória. Mas o advogado Modesto Carvalhosa escreveu, em artigo publicado neste espaço anteontem, que o pacote requenta iniciativas legais da ditadura militar (artigo 350 do Código Eleitoral, de 1965) e do extinto ex-inimigo número um e atual aliado preferencial Fernando Collor (a Lei da Improbidade Administrativa, de 1992, vigente). Um prato feito indigesto!
Para recuperar o fôlego perdido Dilma deveria trocar seus traques juninos por bombas de hidrogênio políticas. Implodir a coalizão de apoio, reduzindo o Ministério de 39 para 13, número de seu Partido dos Trabalhadores (PT), cuja estrela perdeu o fulgor, pode ser uma cartada para, pelo menos, embaralhar o jogo. Outra seria nomear logo um ministro acima de qualquer suspeita para completar o Supremo Tribunal Federal. Não se safará se só se livrar da dupla aloprada Freddie Mercury e Pepe Legal. Mas esta não será uma má ideia para tentar escapar – melhor do que chamar a crise pra dançar!
Jornalista, poeta e escritor
(Publicado na Pag. A2 do Estado de S. Paulo de quarta-feira 25 de março de 2015)

sábado, 4 de abril de 2015

Voorwerpjes no Epaço | Voorwerpjes in Space


Os misteriosos Voorwerp de Hanny (Voorwerp, palavra em holandês que significa objeto), is são de fato enormes, de tamanho semelhante ao da Via Láctea, e apresentam um brilho forte em luz esverdeada, produzida por átomos de oxigênio ionizados. 

Acredita-se que sejam caudas gravitacionais de matéria deixada por uma antiga fusão galáctica, illuminados e ionizados pela explosão de um que habita o centro da distante galáxia espiral IC 2497. Sua emocionante descoberta, em 2007, pelo professor escolar Hanny van Arkel, quando participava online do projeto Galaxy Zoo, inspirou, desde então, a procura e descoberta de oito ou mais estranhas particularidades cósmicas. 

Fotografadas nesses paineis pelo Telescópio Espacial Hubble, todos os oito aparecem próximos a galáxias com núcleos energéticos. Bem distante das galáxias a eles associadas, esses objetos são também, provavelmente, ecos de atividades de quasares, iluminados somente quando a luz de explosões de núcleos de quasares distantes os atinge, para, ao final, esmaecerem após dezenas de milhares de anos após a própria explosão do quasar ter desaparecido. 

Certamente, uma fusão galáctica como  a iminente fusão de nossa Via Láctea com a Galáxia de Andrômeda também poderia causar o surgimento de um quasar que iluminaria nossa versão do  Voorwerp de Hanny em um futuro distante .

Tradução de Luiz Leitão



Mysterious Hanny's Voorwerp, Dutch for "Hanny's Object", is really enormous, about the size of the Milky Way Galaxy and glowing strongly in the greenish light produced by ionized oxygen atoms. It is thought to be a tidal tail of material left by an ancient galaxy merger, illuminated and ionized by the outburst of a quasar inhabiting the center of distant spiral galaxy IC 2497. 

Its exciting 2007 discovery by Dutch schoolteacher Hanny van Arkel while participating online in the Galaxy Zoo project has since inspired a search and discovery of eight more eerie green cosmic features. Imaged in these panels by the Hubble Space Telescope, all eight appear near galaxies with energetic cores. Far outside their associated galaxies, these objects are also likely echoes of quasar activity, illuminated only as light from a core quasar outburst reaches them and ultimately fading tens of thousands of years after the quasar outburst itself has faded away. 

Of course a galaxy merger like the impending merger of our own Milky Way and the Andromeda Galaxy, could also trigger the birth of a quasar that would illuminate our distant future version of Hanny's Voorwerp.