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sábado, 23 de maio de 2015

Racismo, covardia e impunidade



E eu imaginava que casos como o da Rota 66 só acontecessem em países como o nosso querido e hoje desacorsoado Brasil. Mas o episódio  envolvendo a polícia de Cleveland, em Ohio, Estados Unidos, cujo mote é "Proud to Serve" (Orgulho em servir), é muito mais estarrecedor. 

Foi uma assombrosa perseguição, em 29 de novembro de 2012, com o exagero de 100 carros de polícia, uma  fuzilaria com 137 tiros disparados, 49 deles pelo  "bravo" policial Michael Brelo, um Rambo que, evidentemente, teve de recarregar sua arma ao menos duas vezes. Brelo subiu no capô do carro das vítimas e de lá disparou contra elas.

Um covarde assassinato contra dois negros inocentes e desarmados — Timothy Russel e Malissa Williams — perpetrado por policiais covardes e vergonhosamente endossado pela justiça dos EUA.

Mais um odioso misto de racismo, covardia e impunidade que faz com que os EUA retrocedam no tempo, à época de Rosa Parks e Luther King. Um  Apartheid judicial.

Cactus Saguaro


Um Cactus Saguaro Cactus  com buracos de ninhos de pássaro  em Tucson, Arizona.

NGC 6240: Galáxias em fusão | NGC 6240: Merging Galaxies


NGC 6240 proporciona uma rara visão de perto de uma catástrofe cósmica em seus estertores finais. A colisão de proporções titânicas entre duas galáxias ocorre a meros 400 milhões de anos-luz de distância da Terra, na constelação Ofiuco

As galáxias em fusão expelem caudas gravitacionalmente distorcidas de estrelas , gás e poeira, e passam por rápidos e violentos surtos de formação estelar. Os dois buracos negros supermassivos nos núcleos galácticos originais também se unirão em um só buraco negro, ainda mais massivo, e em breve, restará apenas uma grande galáxia

Esta impressionante imagem da cena é uma composição de dados de banda estreita e de frequência onda de luz próxima ao infravermelho obtidos pelas câmeras ACS e WPC3 do Hubble, uma visão que se espalha por mais de 300.000 anos-luz à distância estimada de NGC 6240.

Tradução de Luiz Leitão

NGC 6240 offers a rare, nearby glimpse of a cosmic catastrophe in its final throes. The titanic galaxy-galaxy collision takes place a mere 400 million light-years away in the constellation Ophiuchus

The merging galaxies spew distorted tidal tails of stars, gas, and dust and undergo fast and furious bursts of star formation. The two supermassive black holes in the original galactic cores will also coalesce into a single, even more massive black hole and soon, only one large galaxy will remain. 

This dramatic image of the scene is a composite of narrowband and near-infrared to visible broadband data from Hubble's ACS and WPC3 cameras, a view that spans over 300,000 light-years at the estimated distance of NGC 6240.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Villarrica


O vulcão Villarrica aparece parcialmente coberto por nuvens nas proximidades de Pucon, no Chile

Aglomerado estelar globular 47 Tuc | Globular Star Cluster 47 Tuc


O aglomerado estelar globular  47 Tucanae é uma caixa de joias  no céu do sul. Também chamada NGC 104, ela vaga pelo halo da Via Láctea juntamente com 150 outros aglomerados estelares globulares

O segundo mais brilhante aglomerado globular (depois de Omega Centauri) quando visto do planeta Terra, 47 Tuc situa-se a cerca de 17.000 anos-luz de distância, e pode ser visto a olho nu próximo à Pequena Nuvem de Magalhães, na constelação do Tucano. O denso aglomerado é formado por centenas de milhares de estrelas em um  volume de apenas cerca de 120 anos-luz de diâmetro.

Recentes observações mostraram que as estrelas anãs brancas de 47 Tuc estão no processo de serem gravitacionalmente expulsas para outras partes  do aglomerado devido à sua massa relativamente pequena. 

Outras estrelas  coloridas de pouca massa, inclusive gigantes vermelhas amareladas, são fáceis de reconhecer nas cercanias do aglomerado nesta nítida fotografia telescópica recentemente divulgada, obtida com o Telescópio Espacial Hubble .

Tradução de Luiz Leitão

Globular star cluster 47 Tucanae is a jewel box of the southern sky. Also known as NGC 104, it roams the halo of our Milky Way Galaxy along with over 150 other globular star clusters

The second brightest globular cluster (after Omega Centauri) as seen from planet Earth, 47 Tuc lies about 17,000 light-years away and can be spotted naked-eye near the Small Magellanic Cloud in the constellation of the Toucan. The dense cluster is made up of hundreds of thousands of stars in a volume only about 120 light-years across.

Recent observations have shown that 47 Tuc's white dwarf stars are in the process of being gravitationally expelled to the outer parts of the cluster due to their relatively low mass. 

Other colorful low mass stars including yellowish red giant stars are easy to pick out on the outskirts of the cluster in this recently released sharp telescopic portrait by the Hubble Space Telescope.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Eclipsado


Um minúsculo burro é eclipsado pelo um cavalo shire Buster no Miniature Pony Centre, em Dartmoor, Devon, Reino Unido.

O céu visto de Mauna Kea | The Sky from Mauna Kea


E se você pudesse ficar no topo de um vulcão e perscrutar o universo? Se a cronometragem fosse a ideal, você poderia ver um encantador panorama como este mostrado aqui. Neste caso, o vulcão é o Mauna Kea, no Havaí, e a ocasião era uma noite de céu limpo no verão passado. 

Em primeiro plano neste panorama voltado para o sul está uma paisagem acidentada ponteada por rochas e plantas rústicas. Ligeiramente acima e um pouco mais para fora, um cobertor de nuvens brancas se espalha horizontalmente pelo horizonte, aparentemente dividindo o céu e a Terra. As luzes da cidade iluminam as nuvens e o céu à extrema esquerda, enquanto a lava alaranjada na caldeira vulcânica do Kilauea ilumina as nuvens logo à esquerda do centro. 

O cume de outro vulcão havaino, ainda mais distante, o Mauna Loa, é visível na silhueta escura próxima ao horizonte central. O brilho atmosférico verde é visível acima das nuvens, causado por moléculas de ar excitadas pelo Sol durante o dia. 

A Lua é o globo  brilhante à direita. Uma faixa difusa  de luz  zodiacal de cor clara se estende para cima, da extrema direita. Mais distante, a impressionante faixa centralda Via Láctea parece elevar-se verticalmente de Mauna Loa. A pessoa que viu e registrou este impressionante panorama está diante do observador, ao centro da imagem.

Tradução de Luiz Leitão

What if you could stand at the top of a volcano and peer out across the universe? It the timing is right, you might see an amazing panorama like the one featured here. In this case, the volcano is the Hawaii's Mauna Kea, and the time was a clear night last summer.

 In the foreground of this south-facing panorama lies a rugged landscape dotted with rocks and hardy plants. Slightly above and further out, a white blanket of clouds spreads horizontally to the horizon, seemingly dividing heaven and Earth. City lights illuminate the clouds and sky on the far left, while orange lava in the volcanic caldera of Kilauea lights up the clouds just left of center. 

The summit of an even more distant Hawaiian volcano,Mauna Loa, is visible in dark silhouette near the central horizon. Green airglow is visible above the clouds, caused by air molecules excited by the Sun during the day. 

The Moon is the bright orb on the right. A diffuse band of light-colored zodiacal light extends up from the far right. Most distant, the dramatic central band of our Milky Way Galaxy appears to rise vertically from Mauna Loa. The person who witnessed and captured this breathtaking panorama stands before you in the image center.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Quem só comunica também se trumbica


José Nêumanne


Dilma já mentiu tanto que nem marqueteiro achará alguma verdade capaz de ressuscitá-la
Quem é que o padim Lula de Caetés pensa que engana com essa lorota de que a enorme crise que tornou sua afilhada Dilma Rousseff uma pata manca no Palácio do Planalto se deve à desarticulação política de Aloizio Oliva, que usa o sobrenome da mãe, Mercadante, para ninguém se tocar de que o pai era figurinha carimbada na ditadura militar?
Ao completar seu terceiro mês de mandato um dia depois de o golpe de 1964 ter completado 51 anos, a escolhida dele empatou com José Sarney, recordista absoluto de impopularidade desde 1989, com 64% de respostas “ruim” ou “péssimo” à pergunta do Ibope sobre o desempenho de seu governo. Com uma má notícia por dia, alternando recordes negativos na economia com revelações de novas gatunagens ou anúncios de medidas impopulares para tentar corrigir o incorrigível, ninguém precisa ter um sexto sentido premonitório para prever que não demora muito para ela sair de lanterna em punho pelos desvãos e porões palacianos onde tenta se esconder da plebe. E enquanto a pesquisa não revela o novo retrato, Sarney virou arroz de cuxá nos bailes do Planalto Fiscal.
Aí padim tirou do baú seu sermão de profeta da barcaça que afunda ao peso dos ratos do porão. Segundo a colega Vera Rosa, Sua ex-Excelência intensificou a pressão sobre a pupila para ela modificar a desarticulação política do governo, concentrando fogo no filho do general: “Mercadante vive falando de rating pra cá, rating pra lá. Que rating, que nada! A crise é política e o governo tem que resgatar a confiança. O resto vem naturalmente”. Resto de quê, cara hirsuta? Lula tem motivos para não gostar do Mazarino do cerrado. Pois foi surrado por Fernando Henrique no primeiro turno da eleição presidencial de 1994 após ter levado em conta a falácia dele de que o Plano Real seria estelionato eleitoral. E depois chamou de “aloprados” seus asseclas que falsificaram dossiê contra José Serra na disputa da eleição estadual paulista de 2006. Mas essa é uma questão dele e Dilma não abre mão do direito de errar.
Na última pesquisa Datafolha, em que a avaliação de “bom” ou “ótimo” do governo federal desceu a cabalísticos 13%, o Congresso Nacional foi lembrado positivamente por apenas 9%. Devoto praticante da verdade pela metade, a mais enganadora das formas da mentira, o demiurgo do ABC só olhou para um lado da questão. Sim, é verdade que a relação da presidente com o Congresso é péssima, como atesta pesquisa da consultoria política Arko Advice, que ouviu 102 deputados federais de 22 partidos e constatou que 61% deles avaliam como “ruim” ou “péssimo” o convívio do Legislativo com o Executivo. Mas a verdade completa é que somente melhorar tal relação em nada tornará a “comandanta” mais popular.
De um lado, porque a imagem de deputados e senadores está ainda mais emporcalhada que a dela. De outro, porque as boas relações entre esses dois Poderes dependem muito menos de qualidades que Oliva não ostenta do que da gana dos parlamentares por um butim palaciano cada vez mais escasso nestes idos de vacas magras. O convívio entre os dois lados da Praça dos Três Poderes só vai melhorar quando houver mais verbas e cargos a distribuir. Se houvesse, nenhum congressista se melindraria com o chefe da Casa Civil lhe fazendo ouvidos de Mercadante nem com o estilo “deixa que eu cuspo” da chefona irritadiça.
O PMDB desconfia da irrelevância de articulação política para salvar o que resta deste desgoverno. Por isso Eliseu Padilha hesitou em aceitar o lugar de Pepe Nada Legal Vargas. Embora tudo leve a crer que ele se arrastará Ladeira do Pelourinho abaixo até o canto do cisne de 2018. Seu desprestígio crescente não resulta da falta de saliva em corredor, mas da sobra de material orgânico à tona sempre que se levanta algum tapete ou capacho. As obras não iniciadas ou atrasadas em 57% da rede de saneamento básico no Brasil passaram a ser a metáfora pronta ao alcance do nariz.
Na verdade, Dilma mentiu tanto que nem seu espírito santo de orelha, João Patinhas Santana do Bendegó, será mais capaz de resgatar alguma verdade que ela tenha dito por acaso e dela criar uma peça publicitária para ressuscitá-la neste pós-Páscoa. Tudo depõe contra isso: da delação premiada de Paulinho de Lula às fotografias em que ela foi flagrada ao lado do cão de guarda do Partido dos Trabalhadores na Petrobrás, Renato Duque. Na imagem que esboroa a olhos nus, os restos de verniz de sua honestidade pessoal, que evitam um processo de impeachment, são apagados por pegadas de sua protegida Erenice Guerra no cofre da Viúva. Sob o manto protetor de Dilma, Erenice, esse embrião de Graciosa Foster no Ministério de Minas e Energia e na Casa Civil, para a qual – suprema infâmia contra a Pátria – ela a indicou, prosperou à sombra do ancestral benefício da dúvida. A Operação Zelotes ameaça revelar a explicação para a ascensão social que moveu a fiel factótum de uma cidade-satélite para as margens do Paranoá.
Como sabe disso tudo e de muito mais, Lula não acredita nas próprias bazófias de intriga florentina contra o filho do general. Logo ele, que vendeu à Nação a suprema inverdade da gerentona que entrará para a História como o pior presidente da República! E que agora recorre ao velho truque de continuar enganando para não se enganar nem ser enganado. Não o faz por burrice, pois inteligência tem de sobra, ou alienação, por mais soberba que exiba e arrote. Mas, sim, porque não têm saída. Só lhes resta apostar na sorte, essa deusa caprichosa e cega, que sempre esbanjaram. Lula não confia em Dilma, mas na própria capacidade de evitar que ela repita a saga do Pedro da lenda infantil, devorado pelo lobo diante da omissão da aldeia que, após ouvir muitos pedidos de socorro mentirosos, não lhe acudiu.
Lula conta com a mágica de Goebbels, que fabricava verdades de mentiras somadas. É que Chacrinha disse: “Quem não se comunica se trumbica”. Mas não contou que “quem só comunica também se trumbica”.
Jornalista, poeta e escritor
(Publicado na Pag.2A do Estado de S. Paulo de quarta-feira 7 de abril de 2015)

O oceano da lua Encelado de Saturno pode abrigar atividades hidrotérmicas | Saturn's Enceladus Moon's Ocean May Harbor Hydrothermal Activity

A espaçonave Cassini da  NASA forneceu aos  cientistas a primeira prova clara de que a lua Encelado de Saturno exibe sinais de atividade hidrotérmica atualmente, que podem ser parecidas com as observadas nas profundezas dos oceanos da Terra. As implicações de tal
atividade em um corpo celeste diferente de nosso planeta abrem possibilidades científicas sem precedentes.
“Essas descobertas aumentam a possibilidade de que Encelado, que contém um oceano sob sua superfície e dá mostras de notável atividade geológica, pode conter ambientes favoráveis a organismos vivos,” disse John Grunsfeld, astronauta  e administrador associado Diretoria de Missões Científicas em Washington. “As localizações em nosso sistema solar onde ambientes extremos  ocorrem, nos quais pode haver vida, nos trazem maiores possibilidades de responder a pergunta: estamos sozinhos no Universo?”
A atividade hidrotérmica ocorre quando a água marinha se infiltra e reage com uma crosta rochosa, emergindo como uma solução impregnada de minerais, uma ocorrência natural nos oceanos da Terra. Segundo dois artigos científicos, os resultados são os primeiros indícios claros de que uma lua gelada pode ter  processos ativos  similares em andamento.
O primeiro artigo, está relacionado a microscópicos grãos de poeira detectados pela Cassini no sistema de Saturno. Uma ampla análise de quatro anos de duração dos dados obtidos pela espaçonave, simulações em computadores e experiências de laboratório levaram os pesuisadores à conclusão de que os minúsculos grãos muito provavelmente se formam quando a água quente contendo minerais dissolvidos do interior rochoso da lua sobe, entrando em contato com a água mais fria. As temperaturas necessárias para as interações que produzem os minúsculos grãos rochosos teriam de ser, pelo menos, de 90 graus Celsius.
"É muito empolgante o fato de podermos usar aqueles minúsculos grãos de rocha,lançados ao espaço por gêiseres, para sabermos sobre as condições na — e sob — o leito do oceano de uma lua gelada," disse o principal autor do artigo, Sean Hsu, pesquisador da Universidade do Colorado em Boulder.
O instrumento Analizador de Poeira Cósmica da Cassini (CDA) detectou repetidamente minúsculas  partículas de rocha ricas em silício, antes mesmo de a Cassini  ter entrado na órbita de Saturno, em 2004. Pelo  processo de eliminação, a equipe do CDA concluiu que essas partículas devem ser grão de sílica, que é encontrada em areia e minerais de  quartzo na Terra. O tamanho consistente dos grãos observado pela Cassini, o maior dos quais tinha entre 6 e 9 nanômetros, foi a pista que levou os pesquisadores à conclusão de que um processo específico era, provavelmente, o responsável.
Na Terra, a forma mais comum de grãos de sílica desse tamanho é a atividade hidrotérmica sob uma série de condições específicas; especialmente quando a água levemente salgada e alcalina que é supersaturada de  sílica sofre uma grande queda de temperatura.
"Nós buscamos metodicamente  explicações alternativas para os grãos de nanosílica, mas cada novo resultado indicou uma só e mais provável origiem," disse o coautor Frank Postberg, scientista da equipe da Cassini CDA na  Universidade Heidelberg, Alemanha.
Hsu e Postberg trabalharam em estreita cooperação com colegas da University de Tóquio, que conduziram as detalhadas experiências em laboratório que validaram a hipótese de atividades hidrotémicas. A equipe japonesa, liderada po Yasuhito Sekine, verificou as condições sob as quais os grãos de sílica se formam com o mesmo tamanho dos detectados pela Cassini. Os pesquisadores acham que essas condições podem existir no leito marinho de Encelado, onde a água quente do seu interior encontra a água relativamente fria no fundo do oceano.
O tamanho extremamente pequeno das partículas de sílica também sugere que elas viajam para cima relativamente rápido, de sua origem hidrotérmica até fontes próximas à superfície do gêiseres daquela lua. Do leito marinho até o espaço externo, uma distância de cerca de 50 quilômetros, os grãos passam entre alguns meses e alguns anos em trânsito, pois, do contrário, se tornariam muito maiores.
Os autores assinalam que as medições de gravidade feitas pela Cassini sugeram que o núcleo rochoso de Encelado é muito poroso, o que permitiria que a água do oceano percolasse para o interior. Isso proprocionaria uma enorme área de superfície onde a rocha e a água poderiam interagir.
O segundo artigo, recentemente publicado na Geophysical Research Letters, sugere que a atividade hidrotérmica é uma de duas prováveis fontes de metano da nuvem de gás e partículas de gelo que irrompe da região polar sul de Encelado. A descoberta é resultado de extensos modelos feitos por cientistas franceses e americanos para descobrir por que o metano, conforme as amostras anteriormente obtidas pela Cassini, é curiosamente abundante na nuvem.
A equipe descobriu que,  sob as altas pressões que devem haver no oceano daquela lua, materiais gelados chamados clatratos poderiam se formar, aprisionando moléculas de metano em estruturas de cristais de gelo de água. Seus modelos indicam que esse processo é tão eficiente em reduzir o metano do oceano que os pesquisadores ainda precisavam deuma explicação para a abundância desse gás na nuvem.
Em um cenário, os processos hidrotérmicos super saturam de metano o oceano. Isso poderia ocorrer se o metano for produzido mais rapidamente do que é convertido em clatratos. Uma segunda possibilidade é a de que os clatratos de metano do oceano são levados junto com as nuvens que irrompem e liberam seu metano á medida que se elevam, como bolhas se formando em uma garrafa de champanhe aberta.
Os autores concordam que ambos os cenários estão ocorrendo em alguma proporção, mas não notam que a presença de grãos de nanosílica, conforme documentado no outro artigo, favorece o cenário hidrotérmico.
"Nós não esperávamos que nosso estudo de clatratos no oceano de Encelado nos levasse à ideia de que o metano está sendo ativamente produzido por processos hidrotérmicos," disse o  autor principal, Alexis Bouquet,  estudante graduado da Universidade do Texas em San Antonio. Bouquet trabalhou com o coautor Hunter Waite, que lidera a equipe Cassini Ion and Neutral Mass Spectrometer (INMS) no Southwest Research Institute em San Antonio.


Tradução de Luiz Leitão

NASA's Cassini spacecraft has provided scientists the first clear evidence that Saturn’s moon Enceladus exhibits signs of present-day hydrothermal activity which may resemble that seen in the deep oceans on Earth. The implications of such activity on a world other than our planet open up unprecedented scientific possibilities.
“These findings add to the possibility that Enceladus, which contains a subsurface ocean and displays remarkable geologic activity, could contain environments suitable for living organisms,” said John Grunsfeld astronaut and associate administrator of NASA's Science Mission Directorate in Washington. “The locations in our solar system where extreme environments occur in which life might exist may bring us closer to answering the question: are we alone in the Universe.”
Hydrothermal activity occurs when seawater infiltrates and reacts with a rocky crust and emerges as a heated, mineral-laden solution, a natural occurrence in Earth’s oceans. According to two science papers, the results are the first clear indications an icy moon may have similar ongoing active processes.
The first paper, published this week in the journal Nature, relates to microscopic grains of rock detected by Cassini in the Saturn system. An extensive, four-year analysis of data from the spacecraft, computer simulations and laboratory experiments led researchers to the conclusion the tiny grains most likely form when hot water containing dissolved minerals from the moon's rocky interior travels upward, coming into contact with cooler water. Temperatures required for the interactions that produce the tiny rock grains would be at least 194 degrees Fahrenheit (90 degrees Celsius).
"It's very exciting that we can use these tiny grains of rock, spewed into space by geysers, to tell us about conditions on -- and beneath -- the ocean floor of an icy moon," said the paper’s lead author Sean Hsu, a postdoctoral researcher at the University of Colorado at Boulder.
Cassini's cosmic dust analyzer (CDA) instrument repeatedly detected miniscule rock particles rich in silicon, even before Cassini entered Saturn’s orbit in 2004. By process of elimination, the CDA team concluded these particles must be grains of silica, which is found in sand and the mineral quartz on Earth. The consistent size of the grains observed by Cassini, the largest of which were 6 to 9 nanometers, was the clue that told the researchers a specific process likely was responsible.
On Earth, the most common way to form silica grains of this size is hydrothermal activity under a specific range of conditions; namely, when slightly alkaline and salty water that is super-saturated with silica undergoes a big drop in temperature.
"We methodically searched for alternate explanations for the nanosilica grains, but every new result pointed to a single, most likely origin," said co-author Frank Postberg, a Cassini CDA team scientist at Heidelberg University in Germany.
Hsu and Postberg worked closely with colleagues at the University of Tokyo who performed the detailed laboratory experiments that validated the hydrothermal activity hypothesis. The Japanese team, led by Yasuhito Sekine, verified the conditions under which silica grains form at the same size Cassini detected. The researchers think these conditions may exist on the seafloor of Enceladus, where hot water from the interior meets the relatively cold water at the ocean bottom.
The extremely small size of the silica particles also suggests they travel upward relatively quickly from their hydrothermal origin to the near-surface sources of the moon's geysers. From seafloor to outer space, a distance of about 30 miles (50 kilometers), the grains spend a few months to a few years in transit, otherwise they would grow much larger.
The authors point out that Cassini's gravity measurements suggest Enceladus' rocky core is quite porous, which would allow water from the ocean to percolate into the interior. This would provide a huge surface area where rock and water could interact.
The second paper, recently published in Geophysical Research Letters, suggests hydrothermal activity as one of two likely sources of methane in the plume of gas and ice particles that erupts from the south polar region of Enceladus. The finding is the result of extensive modeling by French and American scientists to address why methane, as previously sampled by Cassini, is curiously abundant in the plume.
The team found that, at the high pressures expected in the moon's ocean, icy materials called clathrates could form that imprison methane molecules within a crystal structure of water ice. Their models indicate that this process is so efficient at depleting the ocean of methane that the researchers still needed an explanation for its abundance in the plume.
In one scenario, hydrothermal processes super-saturate the ocean with methane. This could occur if methane is produced faster than it is converted into clathrates. A second possibility is that methane clathrates from the ocean are dragged along into the erupting plumes and release their methane as they rise, like bubbles forming in a popped bottle of champagne.
The authors agree both scenarios are likely occurring to some degree, but they note that the presence of nanosilica grains, as documented by the other paper, favors the hydrothermal scenario.
"We didn't expect that our study of clathrates in the Enceladus ocean would lead us to the idea that methane is actively being produced by hydrothermal processes," said lead author Alexis Bouquet, a graduate student at the University of Texas at San Antonio. Bouquet worked with co-author Hunter Waite, who leads the Cassini Ion and Neutral Mass Spectrometer (INMS) team at Southwest Research Institute in San Antonio.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Mar de ovelhas


Um rebanho de umas 1.600 ovelhas bloqueou mais de meia milha de uma estrada em Dunedin, Nova Zelândia.

NGC 2440: Pearl of a New White Dwarf | NGC 2440: Pérola de uma nova anã branca




Como uma pérola, uma estrela anã branca brilha ao máximo após ser libertada de seu envoltório. Nesta analogia, entretanto, o Sol seria um molusco, e seu casco descartado brilharia com uma beleza singular! 

No envoltório de gás e poeira acima, a nebulosa  planetária designada NGC 2440 contém uma das mais quentes estrelas anãs brancas conhecidas. A brilhante pérola estelar é visível como um brilhante ponto próximo ao centro da imagem. 

A porção de NGC 2440 aqui mostrada se espalha por cerca de um ano-luz. O centro do Sol irá, ao final, se tornar uma anã branca, mas só daqui a mais cinco bilhões de anos. A imagem acima, em cores artificiais, foi registrada pelo Telescópio Espacial Hubble em 1995. NGC 2440 situa-se à distância de uns 4.000  anos-luz, próxima à constelação de Puppis (A Popa), no sul.

Tradução de Luiz Leitão

Like a pearl, a white dwarf star shines best after being freed from its shell. In this analogy, however, the Sun would be a mollusk and its discarded hull would shine prettiest of all! 

In the above shell of gas and dust, the planetary nebula designated NGC 2440, contains one of the hottest white dwarf stars known. The glowing stellar pearl can be seen as the bright dot near the image center. 

The portion of NGC 2440 shown spans about one light year. The center of our Sun will eventually become a white dwarf, but not for another five billion years. The above false color image was captured by the Hubble Space Telescope in 1995. NGC 2440 lies about 4,000 light years distant toward the southern constellation Puppis.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Mais impostos?


O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, propõe um aumento de impostos para equilibrar as contas do governo, que vão mal por culpa de um governo absolutamente incompetente e corrupto.

Ele deveria ser mais criativo, pois os brasileiros já têm uma das mais altas cargas tributárias do mundo. Afinal, o bom administrador se vira com os recursos que tem, eliminando desperdícios e reduzindo custos. O dinheiro anda escasso, o desemprego é cada vez maior, e os contribuintes pagam impostos sem receber em contrapartida serviços minimamente suficientes e decentes. O descaso governamental com a educação e, principalmente, a saúde — para citar apenas duas das áreas mais sensíveis —, nos níveis federal, estadual e municipal, é clamoroso, vergonhoso e desumano.

Já pagamos impostos em dobro ao contratarmos planos de saúde — boa parte dos quais de péssima qualidade — e pagarmos escolas particulares. 

Arcarmos com ainda mais impostos para financiar a escandalosa corrupção intermediada pela politicalha nacional? Ninguém pensa nos doentes espalhados pelos corredores dos hospitais públicos, nos que morrem por falta de recursos, nos estudantes que mal e porcamente apredem alguma coisa na rede pública?


Chega, o governo que se vire! 

http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,planalto-vai-associar-corte-a-nova-alta-de-impostos-para-garantir-ajuste-fiscal,1689190

domingo, 17 de maio de 2015

Planeta anão, mancha brilhante | Dwarf Planet, Bright Spot


Atualmente em Ceres, a câmera da espaçonave Dawn registrou esta vista mais próxima do hemisfério norte do planeta anão, e uma das suas  misteriosas manchas brilhantes, em 4 de maio.

Num retrato iluminado pelo Sol deste pequeno e escuro mundo com cerca de 950 quilômetros de diâmetro, a imagem é parte de uma sequência planejada tirada pela espaçonave movida a energia solar em sua órbita RC3 de mapeamento de 15 dias de duração, à distância de 13.600 quilômetros. A sequência animada mostra a rotação de Ceres, com seu polo norte no alto da imagem.

Fotografada pelo Hubble em 2004, e depois pela Dawn ao se aproximar de Ceres em 2015, revelou-se que mancha brilhante é formada por pontos menores de material refletivo que poderia ser gelo exposto refletindo a luz solar. 

No sábado, o sistema de propulsão a íons da Dawn foi ativado para levar a espaçonave em espiral até uma órbita mais próxima, a 4.350 quilômetros de altitude, em 6 de junho. De fato outro planeta anão inexplorado, Plutão deverá receber a visita de um visitante vindo da Terra, a espaçovane New Horizons, em meados de julho.

Tradução de Luiz Leitão

Now at Ceres, Dawn's camera recorded this closer view of the dwarf planet's northern hemisphere and one of its mysterious bright spots on May 4. 

A sunlit portrait of a small, dark world about 950 kilometers in diameter, the image is part of a planned sequence taken from the solar-powered spacecraft's 15-day long RC3 mapping orbit at a distance of 13,600 kilometers (8,400 miles). The animated sequence shows Ceres' rotation, its north pole at the top of the frame.

Imaged by Hubble in 2004 and then by Dawn as it approached Ceres in 2015, the bright spot itself is revealed to be made up of smaller spots of reflective material that could be exposed ice glinting in the sunlight. 

On Saturday, Dawn's ion propulsion system was turned on to spiral the spacecraft into a closer 4,350-kilometer orbit by June 6. Of course another unexplored dwarf planet, Pluto, is expecting the arrival of a visitor from Earth, the New Horizons spacecraft, by mid-July.

Júpiter, Ganimedes, e a Grande Mancha Vermelha | Jupiter, Ganymede, Great Red Spot




Nesta nítida fotografia, a maior lua so  Sistema Solar, Ganimedes, posas ao lado de Júpiter, o maior planeta. Registrada em 10 de março através de um pequeno telescópio baseado em nosso agradável planeta Terra, a cena ainda inclui a Grande Mancha Vermelha de Jupiter, a maior tempestade de todo o Sistema Solar. 

De fato, Ganimedes tem cerca de 5.260 quilômetros de diâmetro. Com isso, bate todos os outros três satélites Galileanos, junto com a lua Titã de Saturno, com  5.150 quilômetros e a da Terra, com 3.480 quilômetros. 

Embora venha encolhendo ultimamente, a Grande Mancha Vermelha ainda tem um diâmetro de uns 16.500 quilômetros. Júpiter, o principal gigante gasoso do Sistema Solar, tem cerca de 143.000 quilômetros de  diâmetro em seu equador. Isso equivale a cerca de 10 por cento do diâmetro do Sol.

Tradução de Luiz Leitão

In this sharp snapshot, the Solar System's largest moon Ganymede poses next to Jupiter, the largest planet. Captured on March 10 with a small telescope from our fair planet Earth, the scene also includes Jupiter's Great Red Spot, the Solar System's largest storm. 

In fact, Ganymede is about 5,260 kilometers in diameter. That beats out all three of its other fellow Galilean satellites, along with Saturn's Moon Titan at 5,150 kilometers and Earth's own Moon at 3,480 kilometers. 

Though its been shrinking lately, the Great Red Spot's diameter is still around 16,500 kilometers. Jupiter, the Solar System's ruling gas giant, is about 143,000 kilometers in diameter at its equator. That's nearly 10 percent the diameter of the Sun.

sábado, 16 de maio de 2015

Fazendo barra


Que tal este sapo arbóreo fazendo barra em um galho?

A galáxia espiral de um só braço NGC 4725 | One-Armed Spiral Galaxy NGC 4725


Enquanto a maioria das galáxias espirais, inclusive a Via Láctea, têm dois ou mais braços espirais, NGC 4725 conta com apenas um. Nesta nítida imagem colorida composta, a solo Spira Mirabilis parece vir de um proeminente anel de aglomerados de estrelas azuladas recém-formadas e regiões avermelhadas de formação estelas. 

A incomum galáxia também exibe vielas de poeira obscurecedoras e uma estrutura central barrada amarelada composta de uma população de estrelas mais antigas. NGC 4725 tem mais de 100 mil ano-luz de diâmetro e situa-se à distância de 41 milhões de anos-luz da Terra, na constelação de Coma Berenices (Cabeleira de Berenice)

Simulações em computador da formação de braços espirais únicos sugerem que eles podem ser tanto braços à frente ou atrás  em relação à rotação geral da galáxia. Também inclusa na foto, exibindo um perceptível visual de  galáxia espiral mais tradicional, está uma galáxia de fundo mais distante.

Tradução de Luiz Leitão

While most spiral galaxies, including our own Milky Way, have two or more spiral arms, NGC 4725 has only one. In this sharp color composite image, the solo Spira Mirabilis seems to wind from a prominent ring of bluish, newborn star clusters and red tinted star forming regions. 

The odd galaxy also sports obscuring dust lanes a yellowish central bar structure composed of an older population of stars. NGC 4725 is over 100 thousand light-years across and lies 41 million light-years away in the well-groomed constellation Coma Berenices

Computer simulations of the formation of single spiral arms suggest that they can be either leading or trailing arms with respect to a galaxy's overall rotation. Also included in the frame, sporting a noticeably more traditional spiral galaxy look, is a more distant background galaxy.

A Estação Espacial sobre o Terminador Lunar | Space Station over Lunar Terminator


O que é aquilo diante da Lua? É a  Estação Espacial Internacional. Com um tempo precisamente cronometrado, a plataforma espacial orbital terrestre foi fotografada em frente a uma Lua parcialmente iluminada, no ano passado. 

Esta imagem foi registrada de Madri, na Espanha, com um tempo de exposição de apenas 1/1.000 de segundo. Em comparação, a duração do trânsito da ISS através de toda a Lua foi de cerca de meio segundo

A estação, que reflete a luz solar, pode ser vista bem na linha divisória entre o lado dia/noite, chamada  "o terminador". Inúmeras crateras circulares são visíveis na Lua distante, assim como o terreno  comparativamente irregular, de coloração clara, chamado "highlands", e áreas relativamente suaves, de cor escura, chamadas "maria". Ferramentas on-line podem informar quando a ISS estará visível em sua região.

Tradução de Luiz Leitão


What's that in front of the Moon? It's the International Space Station. Using precise timing, the Earth-orbiting space platform was photographed in front of a partially lit Moon last year. 

The featured image was taken from Madrid,Spain with an exposure time of only 1/1000 of a second. In contrast, the duration of the transit of the ISS across the entire Moon was about half a second

The sun-glinting station can be seen just to the dark side of the day / night line known as the terminator. Numerous circular craters are visible on the distant Moon, as well as comparatively rough, light colored terrain known as highlands, and relatively smooth, dark colored areas known as maria. On-line tools can tell you when the International Space Station will be visible from your area.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Bofetada


Roberto Damatta

Mamãe me contou essa história.

E, como manda Machado de Assis, a ela acrescentei um ou dois pontos.

Um macaco roubava as bananas (Musa paradisíaca como lhe chamou o sábio Lineu) de um plantador desta fruta sagrada que, de tão brasileira e antiga - corre a lenda que foi comida por Adão e Eva no Jardim do Eden -, virou gesto gostoso e ofensivo, do mesmo modo que a sua casca pode fazer o poderoso, o prepotente, o boquirroto ou o descuidado, escorregar. Raro o brasileiro ou brasileira que não tenha dado uma banana ou escorregado na sua casca. 

Pois bem, o vasto bananal deixou de ser produtivo porque um macaco, senhor de muitas astúcias (dizem que os macacos não falam para não trabalhar), comia as bananas mais maduras e gostosas. 

Na defesa do seu bananal, o homem armou sinalizadores, mas eles não funcionaram porque o ladrão era muito esperto. Um dos funcionários da "central de vigilância do bananário" chegou a duvidar da existência do símio porque ele foi visto em duas telas ao mesmo tempo. Suspeitou-se que o macaco era uma quadrilha, mas o dono tinha certeza absoluta de que se tratava de apenas um macaco com aquele poderoso espírito de macaco, que todos conhecemos: aquela malandragem de ocupar muitos espaço ao mesmo tempo, de se passar por sério sendo bandido, de roubar dizendo que não cometeu nenhum delito.

Com o fracasso do método, o dono do bananal apelou para o sistema antigo: contratou vigias conhecedores natos de macacadas e os postou em lugares estratégicos. Os roubos diminuíram por algumas semanas, mas logo retornaram em níveis assustadores. A grande safra de bananas jamais vista no país, que iria salvar a fazenda e permitir a realização de alguns projetos redentores, teve que ser adiada.

- Como foi possível enganar esses especialistas em macaquices? Questionava o dono do bananal.

- Senhor, respondeu um heroico camponês, o macaco viciou os vigias e eles passaram a comer juntos as bananas. Cada qual ficava com o seu cacho, com o macaco levando a maior parte.

O homem pensou e de sua cabeça saiu uma ideia. Mandou fazer um boneco de cola que depois de devidamente vestido de empregado, foi colocado no centro do bananal e cercado de cachos das mais maduras e deliciosas bananas. 

O macaco chegou perto do boneco, olhou, gesticulou macaquices e diante de sua impassibilidade, perguntou: 

- Boneco, posso comer uma banana?

O boneco, obviamente, nada respondeu.

O macaco coçou a cabeça e resolveu ser mais ousado. Chegou perto do boneco e fingiu pegar uma banana. O boneco permanecia imóvel. 

Intrigado e agora, um tanto indignado pela passividade do vigia, o macaco apelou para a agressividade.

- Boneco - disse - ou você me dá uma banana, ou eu te dou uma bofetada! 

O boneco permaneceu imóvel.

- Boneco, reiterou o macaco com raiva, se você não me der uma banana eu te dou uma bofetada, entendeu?

Olhou para o boneco e este continuava inerte.

Então o macaco desferiu uma bofetada na cara do boneco e verificou que sua mão ficou colada no intrigante personagem.

- Boneco - reagiu o macaco entre o assustado e o surpreso -, se você não soltar minha mão direita, dou-lhe uma outra bofetada com a minha mão esquerda.

O boneco continuou mudo só para levar outra bofetada e para o macaco descobrir que suas mãos estavam pregadas.

- Boneco, ou você solta as minhas mãos ou eu lhe dou uma canelada!

Como não houvesse resposta, o macaco chutou o boneco de cola com os pés e agora estava a ele preso pelas mãos e pelas pernas.

- Solta-me, ou te dou uma barrigada!

- Solta-me ou te dou uma cabeçada!

Apelou o macaco desesperado, a essas alturas misturado ao boneco a ponto da indistinção.

Macaco e boneco de cola passaram a noite agarrados um ao outro, dizia mamãe com sua voz maviosa olhando para cada um dos dez olhos dos seus cinco filhinhos nos quais brilhava a luz da curiosidade.

A antiga curiosidade que acompanha a Humanidade na sua jornada para a honestidade ou para o mero roubo das bananas que ela tanto aprecia. 

Dois ou três dias depois, o fazendeiro encontrou o macaco ladrão que foi, à custa de muito trabalho, separado do boneco. Queria puni-lo com uma sova, mas as autoridades locais invocaram as leis que protegiam os animais. O macaco foi posto numa prisão especial e interrogado. Fez um contrato de delação premiada e hoje, ouvi dizer, passa o dia comendo as mais deliciosas bananas em sua bela residência no topo de uma mangueira.

Tudo o que você faz, cola em você - terminava mamãe.