Pesquisar conteúdo deste blog

sábado, 7 de março de 2015

T Tauri

Com sua aparência helicoidal lembrando a casca de uma lesma, esta nebulosa de reflexão parece  espiralar de uma luminosa estrela central nesta imagem do Hubble.
A estrela ao centro, chamada V1331 Cyg  e localizada na nuvem escura LDN 981 —  mais comumente chamada Lynds 981 — havia sido anteriormente definida como uma estrela T Tauri.  T Tauri são estrelas jovens — ou Jovens Objetos Estelares —  que está começando a se contrair para tornar-se uma estrela de sequência principal similar ao Sol.
O que torna V1331Cyg especial  é o fato de que olhamos quase exatamente para um de seus polos. Normalmente, a visão de estrelas jovens é obscurecida pela poeira do disco circumestelar e o envoltório que o circunda. Entretanto com V1331Cyg estamos, na verdade, olhando na direção exata de um jato alimentado por uma estrela que está clareando a poeira e nos proporcionando esta visão magnífica.
Esta vista fornece uma visão quase inalterada da estrela e suas proximidades, permitindo aos astrônomos estudá-la com mais detalhes e procurar características que podem sugerir a formação de um objeto de massa muito baixa no disco circumestelar externo.

Tradução de Luiz Leitão

With its helical appearance resembling a snail’s shell, this reflection nebula seems to spiral out from a luminous central star in this NASA/ESA Hubble Space Telescope image.
The star in the center, known as V1331 Cyg and located in the dark cloud LDN 981 — or, more commonly, Lynds 981 — had previously been defined as a T Tauri star. A T Tauri is a young star — or Young Stellar Object — that is starting to contract to become a main sequence star similar to the sun.
What makes V1331Cyg special is the fact that we look almost exactly at one of its poles. Usually, the view of a young star is obscured by the dust from the circumstellar disc and the envelope that surround it. However, with V1331Cyg we are actually looking in the exact direction of a jet driven by the star that is clearing the dust and giving us this magnificent view.
This view provides an almost undisturbed view of the star and its immediate surroundings allowing astronomers to study it in greater detail and look for features that might suggest the formation of a very low-mass object in the outer circumstellar disk.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Duas ou três coisas que sei de monsieur Morin


José Nêumanne

Na segunda-feira 23 de fevereiro de dois mil e cinzas, estava eu posto em sossego no sofá da sala mexendo no Twitter nos intervalos comerciais das peripécias de José Alfredo de Medeiros, tentando aprender como se narra com Aguinaldo Silva, colega de escola de Fernando Portela em Pernambuco, quando me deparei com a notícia de que, às 23h30m, a GloboNews levaria ao ar entrevista de Edgar Morin. Retuitei a boa notícia imediatamente, acrescentando a citação: “Gênio contemporâneo!”
Quem me apresentou a Morin foi o cinema. Presidente do Cineclube Glauber Rocha na minha adolescência em Campina Grande, lia tudo o que encontrasse na Livraria Pedrosa sobre a sétima arte. Um dia me deparei com um livro dele editado pela José Olympio: As estrelas: mito e sedução no cinema. Apaixonei-me, é claro, por seu estilo, ao mesmo tempo, simples e instigante. Iniciado na semiologia e na teoria da comunicação por Semiótica & literatura, do poeta concreto paulista Décio Pignatari, devorei avidamente tudo o que Umberto Eco, Roland Barthes, Marshall Mc Luhan, Abraham Moles, Max Bense e Edgar Morin publicaram nos anos 60.  Encantei-me, desde sempre, com a simplicidade do estilo deste último ao falar da complexidade, sua ideia capital, que resume sua crítica demolidora à especialização e à compartimentação do conhecimento.
Parênteses: Isabel me perguntou como foi possível conhecer tanta gente sem sair de Campina Grande àquela época. O milagre da importação do conhecimento se deveu a Zé Pedrosa, dono de uma livraria que não existe mais e uma espécie de José Olympio da Borborema. E também a uma geração de gente irrequieta que queria conhecer para debater e debater para conhecer. Bráulio Tavares, Marcus Vinicius de Andrade, José Umbelino Brasil, Zé Romão, Ronaldo Pintado, Iremar Maciel de Brito, Agnaldo Almeida, Regina Coeli do Nascimento, Carlos Aranha, Manfredo Caldas, Aderaldo Tavares, Arnaldo França Xavier, Martinho Moreira Franco, Luiz Augusto Crispim, José Adalberto Ribeiro os galegos de Dona Wanda, Ariosvaldo Guimarães, Rômulo de Araújo Lima, Flamarion Tavares Leite...
Em minha curta aventura como editor, na Girafa, publiquei, com Pedro Paulo de Sena Madureira, o belíssimo texto sobre seu pai, Vidal e os seus. E desde então o tenho acompanhado, desde uma visita remota ao Rio de Janeiro, quando revelou: “Chacrinha é um gênio da comunicação de massas”. Até as palestras recentes que andou fazendo na mesma cidade, sob o patrocínio do jornal O Globo.
A entrevista foi luminosa, incandescente, embora em alguns momentos, do alto de sua idade provecta, ele tenha incorrido numa imagem ingênua e colorida do Brasil, metamorfoseando impressões de turista com observações de filósofo.
Corri para o Twitter e registrei alguns momentos que considerei antológicos:
“Só se pode encarar a angústia da incerteza do futuro com o amor e a vida em comum”. A anotação tem que ver com a quadra atual de minha existência, em plena vivência de um casamento feliz com Isabel.
“Há duas formas de barbárie: a da crueldade e da tortura, e a gélida do poder do dinheiro e da burocracia”. Considero esta uma visão precisa, exata e profunda da realidade global. E brasileira: ele poderia estar comentando, por exemplo, a reunião da direita avara, na pessoa do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, com o centro fisiológico, representado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, do PMDB, e a esquerda, afundada em corrupção até o pescoço, encarnada por Aloizio Mercadante, conspirando contra o trabalhador e o cidadão, negociando as medidas com que Dilma cuspiu nas conquistas dos trabalhadores e adiando a votação do veto dela à devolução do dinheiro tungado do contribuinte no Imposto de Renda.
“Informação não é conhecimento. Conhecimento é a organização das informações”. Um breve contra a arrogância dos comunicadores, entre os quais me incluo, e também uma visão filosófica sobre nossa atividade profissional cotidiana.
“Nada é para sempre. Tudo se regenera ou degenera”. Ou, como diria Lourenço Dantas, meu colega de trabalho, aqui ao lado, e que foi seu aluno na École Pratique des Hautes Études, em Paris, em 1971: “tudo o que não se regenera fatalmente degenera”. Isso me lembra a frase famosa de Claude Levi Straus sobre as cidades do Novo Mundo: “Vão direto da barbárie à decadência sem passar pelo apogeu”. Pois é. Sabe aquela lei de Lavoisier – “na natureza nada se perde, tudo se transforma”? O Velho Guerreiro se inspirou nela e em Morin para criar o “nada se cria, tudo se copia”.
Minha última mensagem no Twitter não registrou uma frase dele, mas uma constatação minha: “Quando todos só viam o popularesco em Chacrinha, Boni, Edgar Morin e Muniz Sodré perceberam o fenômeno cultural nele”. Um tributo meu ao legado desta grei que me abriu os olhos em plenos anos rebeldes.



Ou seja: “Abelardo Barbosa tá com tudo e não tá prosa”.


quinta-feira, 5 de março de 2015

Intrigante membro da família de buracos negros | Intriguing Member of Black Hole Family Tree

Um objto recém-descoberto na galáxia NGC 2276 pode se revelar um importante buraco negro que ajuda a preencher a história da evolução desses objetos exóticos.


“Na paleontologia,a descoberta de certos fósseis pode ajudar os cientistas a preencher as falhas evolucionárias entre diferentes dinossauros,” disse Mar Mezcua do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsoniano, que chefiou o estudo. “Nós fazemos a mesma coisa na astronomia, mas frequentemente temos de"cavar" nossas descobertas em galáxias distantes milhões de anos-luz.”
O intrigante objeto, chamado NGC2276-3c, está localizado no braço da galáxia espiral NGC 2276, que está distante cerca de 100 milhões de anos-luz da Terra. NGC2276-3c parece ser o que os astronautas  chamam “buraco negro de massa intermediária” (IMBH). 
Durante muitos anos, os cientistas encontraram provas conclusivas de buracos negros menores que contêm cerca de cinco a trinta vezes a massa do Sol. Há também muita informação sobre os chamados buracos negros supermassivos que se situam no centro das galáxias e pesam milhões, ou mesmo bilhões de vezes a massa do Sol.
Como sugerem seus nomes, os IMBHs representam uma classe de buracos negros que se situam entre esses dois grupos bem estabelecidos, com massas na faixa de de algumas centenas de vezes a massa solar. Uma dos motivos da importãncia dos IMBHs é o fato de eles poderem ser as sementes das quais se formaram os buracos negros supermassivos no universo primordial.

“Os astrônomos vêm procurando intensamente esses buracos negros de tamanho médio,” disse o coautor Tim Roberts, da Universidade de Durham, no Reino Unido. “Têm surgido pistas de que eles existem, porém os IMBHs vêm se comportando como um parente há muito desaparecido, que não se interessa em ser encontrado.”
Para conhecer melhor NGC2276-3c, os pesquisadores o observaram quase simultaneamente em raios X com o Chandra e em ondas de rádio com o European Very Long Baseline Interferometry (VLBI) Network. Os dados em raios X e rádio, conjuntamente com uma relação observada entre luminosidades em rádio e raios X para fontes alimentadas por buracos negros, foram usados para calcular a massa do buraco negro. Uma massa de cerca de 50.000 vezes a do Sol foi obtida, situando-o na faixa dos IMBHs.
“Descobrimos que NGC2276-3c tem traços similares aos de buracos negros de massa estelar  e também supermassivos” disse o coautor Andrei Lobanov odo Instituto Max Planck de Radioastronomia, em Bonn, Alemanha. “Em suma, este objeto ajuda a compor a imagem de toda a família de buracos negros.”
Além de sua massa, outra notável propriedade de NGC2276-3c é que ele produziu um potente jato de rádio que se estende por até 2.000 anos-luz. A região próxima ao jato, que se estende por cerca de 1.000 anos-luz de NGC2276-3c parece ter falta de jovens estrelas. Isso prova que IMBH pode ter tido uma forte influência em seu meio ambiente, já que o jato pode ter clareado uma  cavidade no gás e suprimido a formação de novas estrelas. Estudos posteriores do jato de NGC2276-3c poderiam fornecer uma visão dos potencialmente grandes efeitos que as sementes de buracos negros supermassivos no universo primordial têm tido sobre seus arredores.
A localização deste IMBH em um braço espiral def NGC 2276 traz outras perguntas. Ele teria se formado na galáxia, ou teria vindo do centro de uma galáxia anã que colidiu e se fundiu com NGC 2276 no passado?
Este IMBH é uma das oito fontes ultraluminosas de raios X (ULXs) em NGC 2276 estudadas por Anna Wolter do Instituto Nacional de Astrofísica em Milão (INAF), Itália, e colegas. Centenas de ULXs foram detectados nos últimos 30 anos; entretanto, a natureza dessas fontes é ainda objeto de discussões, acreditando-se que algumas contenham IMBHs.

Observações do Chandra mostram que uma aparente ULX observada pelo telescópio XMM-Newton é, na verdade, cinco ULXs distintas, inclusive NGC2276-3c. O estudo de Wolter concluiu que uma quantidade de estrelas de cerca de quinze vezes o equivalente à massa solar estão se formando a cada ano em NGC 2276. Este alto ritmo de formação estelar pode ter sido desencadeado por uma colisão com uma galáxia anã, apoiando a ideia de fusão para a origem do IMBH.
Tradução de Luiz Leitão

A newly discovered object in the galaxy NGC 2276 may prove to be an important black hole that helps fill in the evolutionary story of these exotic objects.


“In paleontology, the discovery of certain fossils can help scientists fill in the evolutionary gaps between different dinosaurs,” said Mar Mezcua of the Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, who led the study. “We do the same thing in astronomy, but we often have to ‘dig’ up our discoveries in galaxies that are millions of light years away.”
The intriguing object, called NGC2276-3c, is located in an arm of the spiral galaxy NGC 2276, which is about 100 million light years from Earth. NGC2276-3c appears to be what astronomers call an “intermediate-mass black hole” (IMBH). 
For many years, scientists have found conclusive evidence for smaller black holes that contain about five to thirty times the mass of the sun. There is also a lot of information about so-called supermassive holes that reside at the center of galaxies and weigh millions or even billions times the sun’s mass.
As their name suggests, IMBHs represent a class of black holes that fall in between these two well-established groups, with masses in the range of a few hundred to a few hundred thousand solar masses. One reason that IMBHs are important is that they could be the seeds from which supermassive black holes formed in the early universe.

“Astronomers have been looking very hard for these medium-sized black holes,” said co-author Tim Roberts of the University of Durham in the UK. “There have been hints that they exist, but the IMBHs have been acting like a long-lost relative that isn’t interested in being found.”
To learn about NGC2276-3c, the researchers observed it at almost the same time in X-rays with Chandra and in radio waves with the European Very Long Baseline Interferometry (VLBI) Network. The X-ray and radio data, along with an observed relation between radio and X-ray luminosities for sources powered by black holes, were used to estimate the black hole’s mass. A mass of about 50,000 times that of the sun was obtained, placing it in the range of IMBHs.
“We found that NGC2276-3c has traits similar to both stellar-mass black holes and supermassive black holes” said co-author Andrei Lobanov of the Max Planck Institute for Radio Astronomy in Bonn, Germany. “In other words, this object helps tie the whole black hole family together.”
In addition to its mass, another remarkable property of NGC2276-3c is that it has produced a powerful radio jet that extends up to 2,000 light years. The region along the jet that extends for about 1,000 light years from NGC2276-3c seems to be missing young stars. This provides evidence that the IMBH may have had a strong influence on its environment, as the jet could have cleared out a cavity in the gas and suppressed the formation of new stars. Further studies of the NGC2276-3c jet could provide insight into the potentially large effects that supermassive black hole seeds in the early universe have had on their surroundings.
The location of this IMBH in a spiral arm of NGC 2276 raises other questions. Was it formed within the galaxy, or did it come from the center of a dwarf galaxy that collided and merged with NGC 2276 in the past?
This IMBH is one of eight ultraluminous X-ray sources (ULXs) in NGC 2276 studied by Anna Wolter of the National Institute for Astrophysics (INAF) in Milan, Italy, and her colleagues. Hundreds of ULXs have been detected in the last 30 years; however, the nature of these sources is still a matter of debate, with some thought to contain IMBHs. Chandra observations show that one apparent ULX observed by ESA’s XMM-Newton is actually five separate ULXs, including NGC2276-3c. Wolter’s study concluded that about five to fifteen solar masses worth of stars are forming each year in NGC 2276. This high rate of star formation may have been triggered by a collision with a dwarf galaxy, supporting the merger idea for the IMBH’s origin.


quarta-feira, 4 de março de 2015

Nuvem lenticular, Lua, Marte e Vênus | Lenticular Cloud, Moon, Mars, Venus


Não é todo dia que uma nuvem interessante como esta embeleza sua foto. O plano original era fotografar uma rara conjunção angular de Marte e Venus que ocorreu uma semana e meia atrás, com a vantagem adicional de uma Lua crescente e a Estação Espacial International (ISS) passando próximas. 

Infelizmente, na Ilha da Madeira, em Portugal, este evento foi  encoberto por nuvens. Durante o dia seguinte, no entanto uma espetacular nuvem lenticular apareceu antes do pôr-do-sol, então o ativo astrofotógrafo rapidamente formulou um novo plano. 

Um olhar atento para a imagem resultante revela a Lua visível próxima à esquerda da foto, enquanto embaixo, próximo ao fundo, estão os famosos planetas, sendo Vênus o mais brilhante. Mas foi a inesperada nuvem lenticular, no entanto, talvez parecida com uma nave espacial futurística, que roubou o espetáculo. 

O Sol poente iluminava a nuvem estacionária (e tudo o mais) do fundo, formando um intrincado padrão de sombras, camadas, e regiões brilhantemente iluminadas, tudo visível evoluindo em um vídeo. Marte e Vênus aparecerão a seguir próximos assim no céu no final de agosto, porém se algum lugar da Terra alguém irá captá-los atrás de uma nuvem tão fotogênica assim, ninguém sabe.

Tradução de Luiz Leitão

It is not every day that such an interesting cloud photobombs your image. The original plan was to photograph a rare angular conjunction of Mars and Venus that occurred a week and a half ago, with the added bonus of a crescent Moon and the International Space Station (ISS) both passing nearby. 

Unfortunately, on Madeira IslandPortugal, this event was clouded out. During the next day, however, a spectacular lenticular cloud appeared before sunset, so the industrious astrophotographer quickly formulated a new plan. 

A close look at the resulting image reveals the Moon visible toward the left of the frame, while underneath, near the bottom, are the famous planets with Venus being the brighter. It was the unexpected lenticular cloud, though, perhaps looking like some sort of futuristic spaceship, that stole the show. 

The setting Sun illuminated the stationary cloud (and everything else) from the bottom, setting up an intricate pattern of shadows, layers, and brightly illuminated regions, all seen evolving in a corresponding video. Mars and Venus will next appear this close on the sky in late August, but whether any place on Earth will catch them behind such a photogenic cloud is unknown.

terça-feira, 3 de março de 2015

Psicopetismo




Arnaldo Jabor

Finalmente, vimos a cara verdadeira da Dilma, carregada de ódio, acusando o governo anterior do FH, porque lá teria havido também corrupção. Claro que sempre houve; corrupção existe desde a fundação da cidade de Salvador, desde 1550, quando Tomé de Souza, primeiro governador do Brasil criou o "bahião", roubando tanto que quase quebrou Portugal. Dilma tenta responsabilizar outros governos, esquecendo-se de que estão no poder há 13 anos e só fizeram m... ah, "malfeitos". 


Os mais espantosos escândalos do planeta foram provocados por uma corrupção diferente das tradicionais: com o PT no governo, a corrupção foi usada como ferramenta de trabalho, quando o nefasto Lula chamou a turminha dos ladrões aliados e disse: "Podem roubar o que quiserem, desde que me apoiem e votem comigo". Mas, neste artigo, não quero mais bater no governo, pois tudo já está dito, tudo provado, tudo batido. 


Quero me ater aos vícios mentais que assolam essa gente, para além da roubalheira. 


Como se forma a cabeça de um sujeito como Dirceu, Vaccari, a cabeça do petismo, esse filho bastardo do velho socialismo dos anos 50? 


Havia, antigamente, uma forte motivação romântica nos jovens que conheci. Era ingênuo talvez, mas era bonito. 


A desgraça dos pobres nos doía como um problema existencial nosso, embora a miséria fosse deles. Era difícil fazer uma revolução? Deixávamos esses "detalhes mixurucas" para os militantes tarefeiros, que considerávamos inferiores "peões" de Lenin ou (mais absurdo ainda) delegávamos o dever da revolução ao presidente da República, na melhor tradição de dependência ao Estado, como hoje.


Quando o PT subiu ao poder, eu achava que havia um substrato generoso de amor, uma crença na "revolução", que era a mão na roda para justificar tudo, qualquer desejo político. Nada disso. Só vimos uma "tomada do poder", como se os sindicalistas estivessem invadindo o palácio de inverno em S. Petersburgo. 


Seus vícios mentais eram muito mais óbvios e rasteiros do que esperávamos. Foi minha grande decepção; em vez da 'justiça social', o que houve parecia uma porcada magra invadindo o batatal. E aí, me bateu: como é a cabeça do petista típico? 


Em primeiro lugar, eles são inocentes, mesmo antes de pecar. Estão perdoados de tudo, pois qualquer fim justifica seus meios, vagamente considerados "nobres" no futuro. </p><p></p><p>Para eles, não existe presente - tudo será "um dia". Não sabem bem o que, mas algo virá no futuro.


Eles têm a ideia assombrosa de que o partido pode se servir do Estado como se fosse sua propriedade; assim, podem assaltar a Petrobrás, fundos de pensão, outras estatais com a consciência limpa porque se a Petrobrás é do povo, é deles. Não é roubo, em sua limitada linguagem de slogans - é "desapropriação". </p><p></p><p>Aliás, e o silêncio dos intelectuais simpatizantes diante dos crimes óbvios? Está tudo caladinho...


Outra coisa: o petista legítimo, "escocês" (como o Blue Label 30 anos, único que o Lula toma), acha que "complexidade" é frescura e que a verdade é simplista, um reducionismo dualista. Para eles, o mundo se explica por opressores e oprimidos, tudo, claro, culpa do "capitalismo", tratado como uma pessoa, com crises de humor: "Ihh, o capitalismo está muito agressivo, ultimamente".


Para eles, na melhor tradição stalinista, deve-se ocultar da população questões internas do governo, pois não confiam na sociedade, esse aglomerado de indivíduos alienados e sem rumo. 


Podem mentir em paz, sem dar satisfações a ninguém. Eles têm ausência de culpa ou arrependimento, têm o cinismo perfeito de quem se sente uma vítima inocente no instante mesmo em que se esmeram na mentira 


Na prática, têm as mesmas motivações do velho stalinismo ou do fascismo: controle de um sobre todos e o manejo da História como uma carroça em direção ao "socialismo" imaginário em que creem ou fingem crer. 


Ser esquerdo-petista é uma boa desculpa para a própria ignorância (como o são!) - "não preciso pensar muito ou estudar, pois já sou um militante do futuro!" Entrar no partido é sentir-se vitorioso, escondendo o fracasso de suas vidas pessoais, por despreparo ou incompetência. 


Nunca vi gente tão incompetente quanto a velha esquerda. São as mesmas besteiras de pessoas que ainda pensam como nos anos 40. Não precisam estudar nada profundamente, por serem "a favor" do bem e da justiça - a "boa consciência", último refúgio dos boçais.


Aliás, vão além: criticam a competência como porta aberta para a direita; competência é coisa de neoliberal, ideia que subjaz por exemplo na indicação de Joaquim Levy - "neoliberal sabe fazer contas", pensam. Se não der certo, por causa de suas sabotagens, a culpa é dos socialdemocratas. Como não têm projeto algum, acham que os meios são seus fins. 


>A mente dos petistas é uma barafunda de certezas e resume as emoções e ações humanas a meia dúzia de sintomas, de defeitos: "sectários, obreiristas, alienados, vacilantes, massa atrasada e massa adiantada, elite branca" e ignoram outros recortes de personalidade como "narcisistas, invejosos, vingativos e como sempre os indefectíveis filhos da p...". Como hoje, os idiotas continuam com as mesmas palavras, se bem que aprenderam a roubar e mentir como "burgueses".


Obstinam-se com teimosia nos erros, pois consideram suas cagadas "contradições negativas" que se resolverão por novos acertos que não chegam nunca. Há anos vi na TV um debate entre o grande intelectual José Guilherme Merquior e dois marxistas que lamentavam erros passados: derrota em 1935, 1956 na Hungria, 68 na Checoslováquia, 68 no Brasil, erros sem-fim que iriam "superar". Mas nada dava certo. Merquior não se conteve e replicou com ironia: "Por que vocês não desistem?".


Não pode haver dúvida da loucura contida nisso tudo. Só uma agenda irracional defenderia uma destruição sistemática dos fundamentos que garantem a liberdade organizada. Apenas um homem irracional iria desejar o Estado decidindo sua vida por ele. Muitos são psicopatas, mas a maioria é de burros mesmo.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Os violentos ventos dos buracos negros | NASA, ESA Telescopes Give Shape to Furious Black Hole Winds

O Conjunto chamado Nuclear Spectroscopic Telescope Array (NuSTAR) da NASA e o telescópio XMM-Newton  da ESA (Agência Espacial Europeia) estão mostrando que violentos ventos vindo de um buraco negro supermassivo sopram para fora e em todas as direções — um fenômeno que se suspeitava existir, mas era difícial de provar até agora.
Esta descoberta deu aos astrônomos sua primeira oportunidade de medir a força desses ventos  ultra velozes e provar que eles são suficientemente potentes para inibir a capacidade da galáxia hospedeira de produzir novas estrelas.
Sabe-se que os buracos negros nos centros das galáxias podem engolir matéria, e esse processo gera ventos. Acredita-se que isso sirva para regular o crescimento das galáxias. Sabendo-se a velocidade e tamanho dos ventos, pode-se agora imaginar quão potentes eles são."
Buracos negros supermassivos atiram matéria em suas galáxias hospedeiras, com ventos emissores de raios X viajando a até um terço da velocidade da. No novo estudo, astrônomos determinaram que  PDS 456, um extremamente brilhante buraco negro conhecido como um quasar distante mais de 2 bilhões de anos-luz, sustenta ventos que transportam mais energia por segundo do que a emitida por mais de um trilhão de sóis.
Agora sabe-se que ventos de quasares contribuem muito para a perda de massa nas galáxias, levando para fora seus suprimentos de gás, que é combustivel para a formação de estrelas.
O NuSTAR e o XMM-Newton observaram simultaneamente PDS 456 em cinco ocasiões distintas em 2013 e 2014. O telescópios espaciais complementam-se mutuamente, observando diferentes partes do espectro de luz de raios X: O XMM-Newton, os de baixa energia, e o NuSTAR, os de alta energia.
Observações anteriores do XMM-Newton haviam identificado ventos de buracos negros soprando em nossa direção, mas não puderam determinar se também sopravam em todas as direções. O XMM-Newton havia detectado átomos de ferro, que são transportados pelos ventos juntamente com outros tipos de matéria, somente diretamente em frente ao buraco negro, onde eles bloqueiam os raios X. Combinando dados de raios X de alta energia do NUSTAR com observações do XMM-Newton, cientistas puderam encontrar marcas de ferros espalhadas das laterais, provando que os ventos emanam do buraco negro não em jatos, mas de forma quase esférica.
A complementariedade desses dois observatórios de raios X nos está permitindo revelar detalhes previamente ocultos sobre este poderoso lado do universo.
Conhecendo a forma e extensão dos ventos, os pesquisadores puderam então determinar a força deles e até que ponto podem inibir a formação de novas estrelas.
Os astrônomos acreditam que os buracos negros supermassivos e suas galáxias hospedeiras evoluem juntos e regulam o crescimento uns dos outros. A prova disso vem em parte de observações dos abaulamentos centrais das galáxias — quanto maiores eles forem, maior será o buraco negro supermassivo.
Este último relatório demonstra que buracos negros supermassivos e seus ventos de altas energias afetam muito a galáxia hospedeira. Quando o buraco negro aumenta de tamanho, seus ventos empurram vastas quantidades de matéria para fora através da galáxia, o que acaba impedindo a formação de novas estreas.
Como PDS 456 está relativamente próximo, pelos padrões cósmicos, é brilhante e pode ser estudado em detalhes. Ess buraco negro dá aos astrônomos uma visão sem precedentes de uma era distante de nosso universo, derca de 10 bilhões de anos atrás, quando buracos negros supermassivos e seus ventos violentos eram mais comuns, e possivelmente deram forma às galáxias como as vemos atualmente.
Para os  astrônomos, estudar PDS 456 é como um paleontologista receber uma dinossauro vivo para estudar. Pode-se estudar a física desses importantes sistemas com um nível de detalhes impossível no caso daqueles situados a distâncias mais típicas, durante a "Era dos Quasares.'"
Tradução de Luiz Leitão
NASA's Nuclear Spectroscopic Telescope Array (NuSTAR) and ESA’s (European Space Agency) XMM-Newton telescope are showing that  fierce winds from a supermassive black hole blow outward in all directions -- a phenomenon that had been suspected, but difficult to prove until now.
This discovery has given astronomers their first opportunity to measure the strength of these ultra-fast winds and prove they are powerful enough to inhibit the host galaxy’s ability to make new stars.
We know black holes in the centers of galaxies can feed on matter, and this process can produce winds. This is thought to regulate the growth of the galaxies. Knowing the speed, shape and size of the winds, we can now figure out how powerful they are.
Supermassive black holes blast matter into their host galaxies, with X-ray-emitting winds traveling at up to one-third the speed of light. In the new study, astronomers determined PDS 456, an extremely bright black hole known as a quasar more than 2 billion light-years away, sustains winds that carry more energy every second than is emitted by more than a trillion suns.
"Now we know quasar winds significantly contribute to mass loss in a galaxy, driving out its supply of gas, which is fuel for star formation.
NuSTAR and XMM-Newton simultaneously observed PDS 456 on five separate occasions in 2013 and 2014. The space telescopes complement each other by observing different parts of the X-ray light spectrum: XMM-Newton views low-energy and NuSTAR views high-energy.
Previous XMM-Newton observations had identified black hole winds blowing toward us, but could not determine whether the winds also blew in all directions. XMM-Newton had detected iron atoms, which are carried by the winds along with other matter, only directly in front of the black hole, where they block X-rays. Combining higher-energy X-ray data from NuSTAR with observations from XMM-Newton, scientists were able to find signatures of iron scattered from the sides, proving the winds emanate from the black hole not in a beam, but in a nearly spherical fashion.
This is a great example of the synergy between XMM-Newton and NuSTAR. The complementarity of these two X-ray observatories is enabling us to unveil previously hidden details about the powerful side of the universe.
With the shape and extent of the winds known, the researchers could then determine the strength of the winds and the degree to which they can inhibit the formation of new stars.
Astronomers think supermassive black holes and their home galaxies evolve together and regulate each other's growth. Evidence for this comes in part from observations of the central bulges of galaxies -- the more massive the central bulge, the larger the supermassive black hole.
This latest report demonstrates a supermassive black hole and its high-speed winds greatly affect the host galaxy. As the black hole bulks up in size, its winds push vast amounts of matter outward through the galaxy, which ultimately stops new stars from forming.
Because PDS 456 is relatively close, by cosmic standards, it is bright and can be studied in detail. This black hole gives astronomers a unique look into a distant era of our universe, around 10 billion years ago, when supermassive black holes and their raging winds were more common and possibly shaped galaxies as we see them today. For an astronomer, studying PDS 456 is like a paleontologist being given a living dinosaur to study. We are able to investigate the physics of these important systems with a level of detail not possible for those found at more typical distances, during the 'Age of Quasars.

Crateras escuras e manchas brilhantes em Ceres | Dark Craters and Bright Spots Revealed on Asteroid Ceres


O que serão as manchas brancas no asteroide Ceres? À medida que a espaçonave robótica Dawn se aproxima do maior asteroid do cinturão de asteroides, o mistério se aprofunda. 

Novas e mais nítidas imagens obtidas na semana passada e divulgadas recentemente indicam, com esperado, que a maior parte da superfície do planeta anão Ceres é escura e cheia de crateras, como a Lua ou o planeta Mercúrio

As novas imagens não indicam claramente, no entanto, a natureza  das manchas comparativamente brilhantes — embora a maioria delas tenha sido vista e exista. 

As enigmáticas manchas foram notadas pela primeira vez em Ceres, do tamanho do Texas, algumas semenas atrás durante a aproximação da Dawn. O mistério poderá ser elucidado rapidamente, enquanto a Dawn continua avançando em direção a Ceres, estando no tempo certo para  entrar em órbita dia 6 de março.

Tradução de Luiz Leitão

What are those bright spots on asteroid Ceres? As the robotic spacecraft Dawn approaches the largest asteroid in the asteroid belt, the puzzle only deepens. 

Sharper new images taken last week and released yesterday indicate, as expected, that most of the surface of dwarf planet Ceres is dark and heavily cratered like our Moon and the planet Mercury

The new images do not clearly indicate, however, the nature of comparatively bright spots -- although more of them are seen to exist. 

The enigmatic spots were first noticed on Texas-sized Ceres a few weeks ago during Dawn's approach. The intriguing mystery might well be solved quickly as Dawn continues to advance toward Ceres, being on schedule to enter orbit on March 6.

domingo, 1 de março de 2015

O longo Lovejoy e o Pequeno Haltere | Long Lovejoy and Little Dumbbell


Açoitado pelo vento solar, a cauda de íons empenada do do Cometa Lovejoy estende-se por mais de 3 graus através deste campo de visão telescópico, registrado em  20 de fevereiro. O plano de fundo estrelado inclui a maravilhosa estrela azulada Phi Persei abaixo, e a bela nebulosa planetária M76 logo acima da longa cauda de Lovejoy. 

Também chamada a Pequena Nebulosa do Haltere, por causa de sua prima mais brilhante M27, a Nebulosa do Haltere, M76 está distante o equivalente a apenas meia lua cheiada coma esverdeada do cometa. Ainda brilhando no céu do hemisfério norte, este Cometa Lovejoy (C/2014 Q2) está indo para fora, vindo do sistema solar interno, a cerca de 10 minutos-luz, ou 190 milhões de quilômetros da Terra. 

Mas o Pequeno Haltere, na verdade, situa-se a uma distância entre 3 e 5 mil anos-luz. Agora varrendo decididamente o norte, nas proximidades da constelação de Cassiopeia, o Cometa Lovejoy está esmaecendo mais lentamente do que o previsto, sendo ainda um bom alvo para pequenos telescópios.

Tradução de Luiz Leitão

Buffeted by the solar wind, Comet Lovejoy's crooked ion tail stretches over 3 degrees across this telescopic field of view, recorded on February 20. The starry background includes awesome bluish star Phi Persei below, and pretty planetary nebula M76 just above Lovejoy's long tail. 

Also known as the Little Dumbbell Nebula, after its brighter cousin M27 the Dumbbell Nebula, M76 is only a Full Moon's width away from the comet's greenish coma. Still shining in northern hemisphere skies, this Comet Lovejoy (C/2014 Q2) is outbound from the inner solar system some 10 light-minutes or 190 million kilometers from Earth. 

But the Little Dumbbell actually lies 3 to 5 thousand light-years away. Now sweeping steadily north toward the constellation Cassiopeia Comet Lovejoy is fading more slowly than predicted and is still a good target for small telescopes.

O interior do aglomerado galáctico Coma | Inside the Coma Cluster of Galaxies


Quase todos os  objetos na foto acima são galáxias. O Aglomerado Galáctico Coma, fotografado acima, é um dos mais densos conhecidos — contém milhares de galáxias. E cada uma delas abriga bilhões de estrelas — assim como ocorre na Via Láctea

Embora próxima quando comparada à maioria dos outros aglomerados, a luz do Aglomerado Coma leva centenas de anos para chegar até nós. Na verdade, o Aglomerado Coma é tão grande que a luz leva milhões de anos apenas para atravessá-lo de um lado a outro

O mosaico  de images acima mostrando uma pequena porção de Coma foi feito em detalhes inéditos em 2006 pelo Hubble para investigar como galáxias em ricos aglomerados se forma e evoluem. A maioria das galáxias em Coma e outros aglomerados é elíptica, embora algumas das aqui fotografadas sejam claramente espirais. 

A galáxia espiral no alto à esquerda da imagem também pode ser encontrada como uma das galáxias mais azuladas no alto à esquerda deste campo de visão mais amplo. Ao fundo, milhares de galáxias não relacionadas são visíveis através do universo.

Tradução de Luiz Leitão

Almost every object in the above photograph is a galaxy. The Coma Cluster of Galaxies pictured above is one of the densest clusters known - it contains thousands of galaxies. Each of these galaxies houses billions of stars - just as our own Milky Way Galaxy does. 

Although nearby when compared to most other clusters, light from the Coma Cluster still takes hundreds of millions of years to reach us. In fact, the Coma Cluster is so big it takes light millions of years just to go from one side to the other! 

The above mosaic of images of a small portion of Coma was taken in unprecedented detail in 2006 by the Hubble Space Telescope to investigate how galaxies in rich clusters form and evolve. Most galaxies in Coma and other clusters are ellipticals, although some imaged here are clearly spirals. 

The spiral galaxy on the upper left of the above image can also be found as one of the bluer galaxies on the upper left of this wider field image. In the background thousands of unrelated galaxies are visible far across the universe.

Fim de feira




José Nêumanne
Para corruptores serem punidos, Dilma tem de desautorizar Cardozo, Simão, TCU e Adams
Faltam 46 meses para o governo Dilma acabar. É tolice tentar abreviar a agonia que, tudo indica (ou melhor, nada indica que não), nos afligirá em três longas prorrogações deste nada promissor ano de dois mil e cinzas. Impeachment já ou logo, como exigem alguns, que prometem sair em bloco às ruas no dia 15, é inviável e só interessa por enquanto ao ex abandonado Luiz Inácio Lula da Silva. Este não é mais o ai-jesus de antes, mas continua sem adversários na oposição, cuja única novidade a apresentar ao público pagante são as barbas de Aécio, que deveria pô-las de molho.
Talvez venha a ser a mais longa caminhada de um pato manco na História desta República, pois a chefe do governo só conseguirá ser a líder política de que o País precisa para administrar a herança maldita que ela própria se legou se parar de mentir e mancar a cada passo. Por enquanto, o único sucesso que ela tem a apresentar ao eleitorado que a levou de volta ao trono é que este não vai vergar sob seu peso por causa de uma invejável dieta evidentemente bem-sucedida. Fora isso, o que comemorar de uma governante(a) que só não erra quando cala – lembrando aquela frase cruel de Romário sobre Pelé: “Calado, é um poeta”?
Dilma cuspiu nos direitos trabalhistas que jurou proteger; aumentou a tarifa de luz (no Sudeste, calcula-se, em 70%), que prometeu reduzir; e deixou de pagar o Pronatec, que esfregou na cara do adversário em campanha. Agora, para dar um jeito no cofre, transferiu a responsabilidade para o economista ao alcance. Joaquim Levy saiu do segundo time do candidato derrotado para assumir o que este teria de fazer se ganhasse. E deve agradecer a Deus pelos três pontos porcentuais que ela teve a mais de votos, sempre que se persigna. Cabe-lhe defender o indefensável e salvar a pele da chefona. Se tiver sucesso, será substituído por um companheiro fiel às ideias muito próprias que ela tem da economia. Se não tiver, será apontado como o substituto de Fernando Henrique na condição de bode expiatório preferencial.
Mesmo tendo um escudo para se proteger do material orgânico em que pode resultar sua tentativa de corrigir os erros do próprio passado, contudo, Dilma continua empenhada em dizer e fazer tudo errado. Produziu, por exemplo, depois da Quarta-Feira de Cinzas a piada do carnaval – que tinha tudo para ser a do voo da Beija-Flor até a Guiné Equatorial –, ao transferir a culpa da roubalheira na Petrobrás ao tucano antecessor dos três governos petistas. Agarrou-se à tábua de salvação da delação premiada do ex-gerente Pedro Barusco, que confessou ter começado a roubar discretamente em 1996 (ou 1997?). O professor passou a ser acusado pelo dilúvio universal bíblico e pela seca em que São Paulo virou sertão.
Antes de ser acusado pela traição de Calabar e pela amputação dos braços da Vênus de Milo, o sociólogo desceu das tamancas e bateu abaixo da linha de sua cintura afinada, ao compará-la com o punguista “que mete a mão no bolso da vítima, rouba e sai gritando ‘pega ladrão’!” O adversário não foi muito elegante, mas, ainda se levando em conta a eventualidade, é possível concluir que, tendo sido ministra de Energia, presidente do conselho de administração da estatal assaltada , chefe da Casa Civil e presidente no período de 12 anos em que o furto foi “sistêmico”, segundo o delator, ela poderia ter ido dormir sem essa.
A galhofa é nossa, mas sugiro que se preste mais atenção em algo mais sério que ela também disse ao voltar da mudez dos idos de Momo. Depois de ter rasgado a bandeira socialista ao garantir que não se apena empresa, para evitar desemprego, mas gente, para punir corrupção, ela deu uma guinada de 180 graus ao afirmar: “Isso não significa de maneira alguma ser conivente ou apoiar ou impedir qualquer investigação ou qualquer punição a quem quer que seja”. E completou, repetindo o lugar-comum traduzido do portunhol do aliado Collor: “Doa a quem doer”.
O noticiário dá-lhe duas boas oportunidades de provar que será coerente com o “duela a quién duela” que assumiu. Para fazê-lo terá de interromper imediatamente a tentativa canhestra de seu novo controlador-geral da União, Valdir Moisés Simão, de celebrar acordos de leniência com as empreiteiras acusadas de pagar propina a petroleiros, partidos do governo e políticos aliados para tentar evitar delação premiada de empresários presos. A proposta foi avalizada pelo advogado-geral da União, Luís Inácio (que não se perca pelo nome) Adams, outro funcionário a ela diretamente subordinado, e abençoada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), cuja composição é fiel a seu governo. É, porém, contestada pelo Ministério Público Federal, que tem todas as razões do mundo para temê-la. Pois jogaria por terra a oportunidade inédita que a presidente diz perseguir de, enfim, punir judicialmente corruptores.
Outro episódio constrangedor para ela é o das audiências do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo – um dos militantes que não riem da piada do Fernandinho primeiro bode expiatório –, aos advogados dos empreiteiros presos. Sabe-se que ele chamou de medievais nossas masmorras, mas nunca fixou um prego numa barra de sabão para mudar o fato. Agora recebe causídicos de luxo, mas não faz idêntico esforço para conseguir nas varas de execuções penais a soltura de 9 mil ex-condenados que já cumpriram pena e não saem da cela por não poderem pagar advogados que tenham acesso à agenda dele. Ou melhor: à agenda controlada pela assessora de confiança, e não a que aos pagadores de seus proventos é dado conhecer. Segundo a Folha, o que ele fez em 80 de 217 dias de trabalho desde o início da Operação Lava Jato foi mantido em segredo, o que torna Sua Excelência o primeiro ministro clandestino da história de qualquer democracia.
Só atitudes dela contra essas tentativas de melar o jogo dissiparão o clima de xepa. Segundo minha avó, “desculpa de cego é feira ruim e saco furado”.
Jornalista, poeta e escritor
(Publicado na Pág.2A do Estado de S. Paulo na quarta-feira 25 de fevereiro de 2015)