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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Vídeo: A Nasa filma bolas de fogo de meteoros sobre Nova York, Pensilvânia e Ohio




As regiões oeste de  Nova York, Pensilvânia e Ohio acordaram com uma brilhante bola de fogo rasgando céu no começo da manhã de quarta-feira.
O meteoro, confirma a Nasa, estava se deslocando a cerca de 45.000 mph à altitude de 100 km acima do nível do mar. Fragmentos de rochas caídas foram encontrados no solo na Pensilvânia.
A Nasa afirma que os meteoros são comuns e vários deles podem ser identificados a cada hora de qualquer noite.

Minha própria vida — Oliver Sacks (versão completa)



Oliver Sacks — The New York Times

Ao descobrir câncer terminal, médico revê sua trajetória

Há um mês, senti que estava com boa saúde, até mesmo uma saúde robusta. Aos 81 anos, ainda podia nadar uma milha por dia. Mas minha sorte mudou. Semanas atrás, descobri que tinha metástase múltipla no fígado. Há nove anos, descobri que tinha um raro tumor no olho, um melanoma ocular. Embora a radioterapia e o laser para remover o tumor tenham me deixado cego desse olho, apenas em casos muito raros esse tipo de tumor pode se tornar metástase. Eu estava entre os 2% sem sorte.
Sinto-me agradecido por ter tido nove anos de boa saúde e produtividade desde o diagnóstico original, mas agora eu estou frente a frente com a morte. O câncer ocupou um terço do meu fígado e, apesar de seu avanço ocorrer de maneira lenta, esse tipo particular de câncer não pode ser contido.
Cabe a mim, agora, escolher como viver os meses que me restam. Tenho de viver do modo mais rico, profundo e produtivo que puder. Nesse contexto, sou encorajado pelas palavras de um dos meus filósofos favoritos, David Hume, que, depois de descobrir que estava mortalmente doente aos 65 anos, escreveu uma pequena autobiografia em apenas um dia em abril de 1776. Ele a intitulou de “Minha própria vida”.
“Eu agora conto com uma dissolução rápida”, escreveu. “Tenho sofrido uma pequena dor da minha desordem; e o que é mais estranho, apesar do grande declínio da minha pessoa, nunca sofri um momento de abatimento do meu espírito. Eu possuo o mesmo ardor de sempre no estudo e a mesma alegria em companhia.”
Tive sorte suficiente para viver mais de 80 anos, e os 15 anos que me separam de Hume têm sido igualmente ricos de trabalho e amor. Nesse tempo eu publiquei cinco livros e completei uma autobiografia (algumas páginas a mais que a de Hume) que será publicada nesta primavera. Ainda tenho vários outros livros perto da conclusão.
Hume continua. “Eu sou (...) um homem de disposições médias, de temperamento sob controle, de um humor aberto, social e alegre, capaz de me apegar, mas pouco suscetível a inimizades, e de grande moderação em todas as minhas paixões.”
Aqui, eu e Hume nos diferenciamos. Enquanto eu curti relações amorosas e amizades e não tenho verdadeiras inimizades, não posso dizer (nem ninguém que me conhece) que sou um homem de disposições moderadas. Ao contrário, sou um homem de disposições veementes, com violento entusiasmo e extrema falta de moderação em todas as minhas paixões. Ainda assim, um trecho do ensaio de Hume me parece extremamente verdadeiro: “É difícil estar mais destacado da vida do que estou no momento”.
Nos últimos dias, tenho conseguido ver minha vida de uma grande altitude, como uma espécie de paisagem e com uma profunda ideia de conexão entre todas as partes. Isso não significa que eu desisti da vida.
Ao contrário, eu me sinto intensamente vivo e quero – e espero – no tempo que me resta aprofundar minhas amizades, dizer adeus para as pessoas que amo, escrever mais, viajar se tiver forças, atingir novos níveis de entendimento e compreensão.
Isso vai envolver audácia, clareza e simplicidade no discurso; tentar acertar minhas contas com o mundo. Mas haverá tempo, também, para alguma diversão (e algumas tolices, também).
Sinto uma repentina clareza de foco e perspectiva. Não há tempo para nada que não seja essencial. Tenho de centrar foco em mim mesmo, no meu trabalho e em meus amigos. Não devo mais assistir ao (telejornal) NewsHour todas as noites. Não devo mais prestar atenção à política ou às discussões sobre o aquecimento global.
Isso não é indiferença, mas distanciamento – ainda me importo profundamente com o Oriente Médio, com o aquecimento global, com a crescente desigualdade, mas não são mais problemas meus. Todos eles pertencem ao futuro. Fico feliz quando encontro jovens talentosos – até aquele que fez a biópsia e o diagnóstico da minha metástase. Sinto que o futuro está em boas mãos.
Tenho tomado conhecimento, cada vez mais nos cerca de dez últimos anos, de mortes de contemporâneos meus. Minha geração está de partida, e cada uma dessas mortes eu senti como algo abrupto, uma retirada de parte de mim mesmo. Não haverá ninguém como nós quando houvermos partido, mas então, não existe mesmo nunca  ninguém como qualquer outro. Quando as pessoas morrem, não podem ser substituídas. Deixam vazios que não podem ser preenchidos, pois é o destino — o destino genético e neural — de cada ser humano ser um indivíduo sem igual, encontrar seu próprio caminho, viver sua própria vida, viver sua própria morte.

Não posso fingir que não estou com medo. Mas meu sentimento predominante é de gratidão. Amei e fui amado; dei muita coisa, e recebi algumas em troca; li, viajei, pensei e escrevi. Tenho  uma comunicação com o mundo, o tipo especial de comunicação entre escritores e leitores.

Acima de tudo, sou um ser que sente, um animal pensante, neste belo planeta, e isso, por si só, é um enorme privilégio e  aventura.


OLIVER SACKS É PROFESSOR DE NEUROLOGIA NA FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE NOVA YORK, ESCRITOR E AUTOR DE DIVERSOS LIVROS, INCLUINDO 'TEMPO DE DESPERTAR'

M104:a Galáxia do Sombrero | M104: The Sombrero Galaxy


A impressionante galáxia espiral M104 é famosa por seu perfil visível quase de lado, mostrando um grande anel de vielas de poeira obscurecentes. Vista em silhueta contra um grande abaulamento de estrelas, a linha de poeira cósmica confere uma aparência de grossa borda de chapéu à galáxia, sugerindo o apelido mais popular, A Galáxia do Sombrero. 

Dados do Telescópio Espacial Hubble e do Subaru, baseado no solo, foram reprocessados com dados de imagens coloridas amadoras para criar esta nítida visão da conhecida galáxia. O processamento resulta em uma aparência de cores naturais e preserva detalhes frequentemente perdidos no forte brilho do bulbo central de M104 quando observados através de instrumentos menores baseados no solo. 

Também chamada NGC 4594, a galáxia do Sombrero pode ser vista através do espectro, e acredita-se que abrigue um buraco negro supermassivo central.Com cerca de 50.000 anos-luz de diâmetro e distante 28 milhões de anos-luz, M104 é uma das maiores galáxias na borda sul do Aglomerado Galáctico de Virgem.

Tradução de Luiz Leitão

The striking spiral galaxy M104 is famous for its nearly edge-on profile featuring a broad ring of obscuring dust lanes. Seen in silhouette against an extensive bulge of stars, the swath of cosmic dust lends a broad brimmed hat-like appearance to the galaxy suggesting the more popular moniker, The Sombrero Galaxy. 

Hubble Space Telescope and ground-based Subaru data have been reprocessed with amateur color image data to create this sharp view of the well-known galaxy. The processing results in a natural color appearance and preserves details often lost in overwhelming glare of M104's bright central bulge when viewed with smaller ground-based instruments. 

Also known as NGC 4594, the Sombrero galaxy can be seen across the spectrum and is thought to host a central supermassive black hole. About 50,000 light-years across and 28 million light-years away, M104 is one of the largest galaxies at the southern edge of the Virgo Galaxy Cluster.

Adeus às ilusões





Arnaldo Jabor

O Brasil está sem assunto. O governo nos surripiou, entre outras coisas, o "assunto". Tirando a tragédia da água que pode nos secar, estamos condenados a comentar apenas essa crise política e institucional que vivemos. Descobrimos, de boca aberta, a falência múltipla dos órgãos públicos. O Brasil está sendo destruído diante de nós e não podemos fazer nada. Os petistas no poder roubaram os melhores conceitos de uma verdadeira esquerda, que pensa o Brasil dentro do mundo atual, e se obstinam em usurpar um genuíno progressismo em nome de uma "verdade" deformada que instituíram. Quem quiser alguma positividade é "traidor neoliberal", termo muito usado pelos 'mestres' militantes que doutrinam milhares de jovens nas universidades.

A Academia cultiva a "desigualdade" como uma flor. A miséria tem de ser mantida "in vitro" para justificar teorias velhas e absolver incompetência. Orgulham-se de um maniqueísmo esquemático, como se a verdade morasse no mais raso reducionismo. O capitalismo explica tudo e é tratado como uma pessoa: "Ihh... parece que hoje o capitalismo acordou de mau humor" ou "esse capitalismo é mesmo cruel e incorrigível - não para de explorar os pobres".

O filósofo João Pereira Coutinho disse outro dia na Folha uma frase ótima: "Oprimido e opressor não esgotam as relações humanas possíveis, mesmo as desiguais. A luta de classes é uma escolha política não um dado natural" - na mosca. Somos tecnicamente uma 'democracia', que, aliás, é vivida como porta aberta para o oportunismo: "Ah... na democracia tudo pode, é mais fácil roubar numa boa". Achávamos a corrupção uma exceção, um pecado, mas hoje vemos que o PT transformou a corrupção em uma forma de gestão, em um instrumento de trabalho. Várias vezes citei uma frase do Baudrillard, que explica a esquerda radical e repito-a: "O comunismo hoje desintegrado tornou-se viral, capaz de contaminar o mundo inteiro, não através da ideologia nem do seu modelo de funcionamento, mas através do seu modelo de 'desfuncionamento' e da desestruturação da sociedade" - vide o novo eixo do mal da América Latina.

Esta zona geral do País começou com o nefasto Lula (o grande culpado de tudo), que teve a esperteza de transformar nossa anomalia secular em projeto de governo. Essa foi a realização mais profunda de seu governo: a adesão sem pudor do patrimonialismo burguês e o desenho de um novo e 'peronista' patrimonialismo de Estado. Essa gente desmoralizou o escândalo, a indignação e a ética (essa palavra burguesa e antiga para eles). A maior realização desse governo foi a desmontagem da Razão.

Não é sublime tudo isso?

Nunca antes em nossa história, alianças tão espúrias tiveram o condão de nos ensinar tanto. A cada dia, nos tornamos mais desesperados, porém mais sábios, mais cultos sobre essa grande chácara de oligarquias. Em nome da esperança, talvez tudo o que ocorre hoje nos ensine muito. Estamos progredindo, pois estamos vendo melhor a secular engrenagem latrinária que funciona nos esgotos da pátria. Há qualquer coisa de novo nesta imundície. A verdade está nos intestinos.

A verdade está sempre no avesso do que dizem. São hábeis em criar um labirinto de desmentidos, protelações e enigmas, que vão desqualificando as investigações de coisas como a Petrobrás e todos os crimes de seus aliados. E a mentira vai se acumulando como estrume durante anos e acaba convencendo muitos ingênuos de que "sempre foi assim" ou de que "erraram com boa intenção".

Não só roubaram cerca de 10 bilhões de reais (até agora) desviados da Petrobrás e de outros aparelhos do Estado, mas roubaram também nossos mais generosos sentimentos - não arredaram os pés dos velhos dogmas da era stalinista, como aliás os antigos comunas fizeram desde que se recusaram a votar nos social-democratas alemães, fazendo o Hitler subir ao poder. Já em 1924, Stalin chegou a afirmar: "O fascismo e a social-democracia não são inimigos, mas irmãos gêmeos". A verdade é que os petistas nunca acreditaram na "democracia burguesa" - se orgulham de fingir de democratas para apodrecer a democracia por dentro. Um professor emérito da USP 'se entregou' e disse: "Democracia é papo para enrolar o povo". Se bem que o "povo" nem sabe o que é isso e prefere mesmo um autoritarismo populista. Um país de analfabetos sempre espera um salvador da pátria. Estamos prontos para ditadores e demagogos; para administradores e reformadores racionais, não. Enquanto isso, intelectuais sonham com um socialismo imaginário, pois têm medo de serem chamados de reacionários ou caretas. Continuam ativos os três tipos exemplares de "radicais": os radicais de cervejaria, os radicais de enfermaria e os radicais de estrebaria. Os frívolos, os loucos e os burros. Uns bebem e falam em revolução; outros alucinam e os terceiros zurram. Que cenário maldito...

A "presidenta" está pagando pelo erro de querer ser socialista brizolista e dirigir um país ah... capitalista. Ignorou Davos na reunião da cúpula da economia e foi à Bolívia se vestir de inca na posse do Morales. Dilma perdeu o controle da zona geral que Lula sabia 'desorganizar' com esmero e competência. Dilma não é competente nem para desorganizar. Não é apenas o fim de dois maus governos; é o despertar de um caos institucional que será mais grave do que pensávamos. Estamos diante de um momento histórico gravíssimo, com a união dos dois tumores gêmeos de nossa doença: a direita do atraso e a esquerda do atraso. Como escreveu Bobbio, se há uma coisa que une esquerda e direita é o ódio à democracia.

O Brasil evolui pelo que perde e não pelo que ganha. Sempre houve no País uma desmontagem continua de ilusões históricas. Com a história em marcha à ré, estranhamente, andamos para a frente. Hoje, sabemos que somos parte da estupidez secular do País. Assumir nossa doença talvez seja o início da sabedoria. O Brasil se descobre por subtração, não por soma. Chegaremos a uma vida social mais civilizada quando as ilusões chegarem ao ponto zero.


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Kepler 444

Kepler-444 abriga quatro planetas de tamanho semelhante ao da Terra em órbitas muito compactas, formados 11,2 bilhões de anos atrás, o que torna este sistema planetário extrassolar mais de duas vezes mais velho que o nosso.



A descoberta de cinco planetas arcaicos ao redor de uma das mais antigas estrelas da galáxia despertou a possibilidade de que a Via Láctea possa abrigar formas de vida extremamente antigas.
Astrônomos encontraram os planetas quando circundavam uma estrela chamada Kepler 444, situada a 117 anos-luz da Terra, na direção de Lira, uma constelação no norte.
Os pesquisadores usaram variações do brilho das estrelas para calcular suas idades e descobriram que eles estavam entre a primeira geração de estrelas a iluminar a Via Láctea, há 11,2 bilhões de anos.
O Sol, a Terra e outros planetas do sistema solar formaram-se muito mais recentemente, há cerca de 4,5 bilhões de anos, o que torna o sistema planetário Kepler 444 mais de duas vezes mais velho do que o nosso. Quando a Terra havia se formado, os planetss ao redor de Kepler 444 já eram mais velhos do que a Terra é hoje.
Os planetas que orbitam Kepler 444 não são adequados às forms de vida que conhecemos. Entretanto a descoberta desses planets tão antigos, e quase certamente antigos sugere que outros mundos antigos podem espreitar ao redor de outras estrelas em trechos mais habitáveis da Via Láctea.
“This tells us that these kinds of planets formed very early in the history of the galaxy. If some fraction formed in the habitable zones around their host stars, then you have environments where life may develop, and it could have been there for a very long time,” said Bill Chaplin, professor of astrophysics at the University of Birmingham.
Writing in The Astrophysical Journal, the scientists add: “Earth-size planets have formed throughout most of the Universe’s 13.bn year history, leaving open the possibility for the existence of ancient life in the galaxy.”

Kepler 444 tem cerca de três quartos do tamanho e massa do Sol, e embora seja 700ºC mais fria, os planetas a circundam tão de perto que suas superfícies são permanentemente fritas. A zona habitável ao redor da estrela, onde a temperatura é ideal para que a água em estado líquido flua, situa-se seis vezes mais longe do que o mais externo dos cinco planetas, disse Chaplin.Os mundos que orbitam Kepler 444 são pequenos, ao menos pelos padrões planetários, e seus tamanhos variam entre o de Mercúrio e o de Vênus. Eles estão extremamente próximos a sua estrela-mãe, com todos os cinco planetas mais próximos do que Mercúrio em relação ao Sol. Um ano em cada planeta dura menos do que 10 dias terrestres.
Os pesquisadores calcularam a idade da estrela utilizando o telescópio espacial Kepler para observar modificações de brilho com duração de minutos. A intensidade das estrelas varia porque as ondas sonoras presas dentro delas as fazem contrair-se e expandir-se,  como se estivessem respirando. Quando uma estrela se comprime, torna-se mais quente e brilhante. Ao se expandir, ocorre o inverso.
A variação do brilho das estrelas dependes da velocidade das ondas sonoras em seu interior, e isso é regulado pela composição dos seus núcleos. Este material no coração da estrela se modifica á medida que ela envelhece; por exemplo, quando as estrela converte seu combustível hidrogênio em hélio.
“Quando se altera a composição do núcleo, modifica-se a velocidade à qual as ondas sonoras se movem através da estrela, e isso afeta os períodos em que ressoa,” disse Chaplin. “Por podermos praticar essa astrosismologia, conseguimos obter medições muito precisas da idade. É uma estrela muito antiga, com mais de 11 bilhões de anos.”
Os astrônomos estão agora ansiosos para descobrir outros antigos sistemas planetários, na esperança de apontar  o começo da era da formação planetária no universo.
Tradução de Luiz Leitão
Kepler-444 hosts five Earth-sized planets in very compact orbits, formed 11.2bn years ago making this extrasolar planetary system more than twice as old as our own.


The discovery of five archaic planets around one of the oldest stars in the galaxy has raised the possibility that the Milky Way might be home to extremely ancient forms of life.
Astronomers spotted the planets as they circled a star called Kepler 444, which lies 117 light years from Earth in the direction of Lyra, a constellation in the northern sky.
Researchers used variations in the brightness of the star to calculate its age and found that it was among the first generation of stars to illuminate the Milky Way 11.2bn years ago.
The sun, Earth and other planets of the solar system formed much more recently, about 4.5bn years ago, making the Kepler 444 planetary system more than twice as old as our own. By the time the Earth had formed, the planets around Kepler 444 were already older than the Earth is today.
The planets that orbit Kepler 444 are not hospitable to life as we know it. But the discovery of such profoundly old and almost certainly rocky planets suggests that other ancient worlds might lurk around other stars in more habitable reaches of the Milky Way.
“This tells us that these kinds of planets formed very early in the history of the galaxy. If some fraction formed in the habitable zones around their host stars, then you have environments where life may develop, and it could have been there for a very long time,” said Bill Chaplin, professor of astrophysics at the University of Birmingham.
Writing in The Astrophysical Journal, the scientists add: “Earth-size planets have formed throughout most of the Universe’s 13.bn year history, leaving open the possibility for the existence of ancient life in the galaxy.”

Kepler 444 is about three quarters the size and mass of the sun, and though 700C cooler, the planets circle so close to the star that their surfaces are permanently fried. The habitable zone around the star, where the temperature is just right for liquid water to flow, lies six times further out than the outermost of the five planets, said Chaplin.The worlds that orbit Kepler 444 are small, at least by planetary standards, and range in size from Mercury to Venus. They are extremely close to their parent star, with all five planets closer in than Mercury is to the sun. A year on each planet lasts fewer than 10 Earth days.
Researchers measured the age of the star by using Nasa’s Kepler space telescope to observe minute changes in its brightness. The intensity of stars varies because sound waves trapped inside them make them contract and expand, as though they were breathing. When a star compresses it gets hotter and brighter. When it expands, it gets cooler and dimmer.
How a star’s brightness varies depends on the speed of sound waves within, and that is governed by the composition of its core. This material at the heart of the star changes as it grows old, for example, as the star converts its hydrogen fuel into helium.
“As you change the composition of the core, you change the speed at which sound waves moves through the star, and that affects the periods at which it resonates,” said Chaplin. “Because we can do this astroseismology, we can get very precise measurement of the age. It’s a very old star, over a 11bn years old.”
Astronomers are now keen to discover other ancient planetary systems, in the hope of pinpointing the beginning of the era of planetary formation in the universe.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Aproximação do asteroide Ceres | Approaching Asteroid Ceres


Ele é o maior asteroide do cinturão de asteroides — que segredos abriga? Para descobrir isso, a NASA enviou a espaçonave  robótica Dawn para explorar e mapear este mundo oculto de 1.000 quilômetros de diâmetro: Ceres. Orbitando entre Marte e Júpiter, Ceres pertence oficialmente à categoria dos planetas anões, mas nunca havia sido fotografado em detalhes

Vê-se aqui um vídeo de 20 quadros registrado há uma semanada aproximação da Dawn, que agora compete com as melhores imagens de Ceres até hoje obtidas através do Hubble. O vídeo mostra suficiente definição da superfície para se distiguir seu período de rotação de 9 horas. 

Programada para chegar a Ceres no começo de março, Dawn irá equalizar as velocidades e tentar orbitar este astro nunca antes explorado, obtendo imagens e dados que poem ajudar a humanidade a melhor compreender não só a natureza e história de Ceres, mas também a história primordial de todo o sistema solar.

Tradução de Luiz Leitão

It is the largest asteroid in the asteroid belt -- what secrets does it hold? To find out, NASA has sent the robotic Dawn spacecraft to explore and map this cryptic 1,000-kilometer wide world: Ceres. Orbiting between Mars and Jupiter, Ceres is officially categorized as a dwarf planet but has never been imaged in detail. 

Featured here is a 20-frame video taken a week ago of Dawn's approach that now rivals even the best images of Ceres ever taken by the Hubble Space Telescope. The video shows enough surface definition to discern its 9-hour rotation period. 

On target to reach Ceres in early March, Dawn will match speeds and attempt to orbit this previously unexplored body, taking images and data that may help humanity better understand not only the nature and history of Ceres but also the early history of our entire Solar System.

Aeroporto Dallas Fort-Worth


O aeroporto Dallas Fort-Worth, no Texas, EUA, visto através do Google Earth

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

M106


O que está acontecendo no centro da galáxia espiral M106? Um disco  giratório de estrelas e gás,  a aparência de M106 é dominada por braços espirais azuis e vielas de poeira vermelhas próximos ao núcleo, como se vê nesta imagem

O núcleo de M106 brilha levemente em ondas de rádio e raios X, onde jatos duplos foram descobertos estendendo-se por toda a extensão da galáxia. Um brilho central incomum torna M106 um dos mais próximos exemplos de galáxias da classe Seyfert, onde acredita-se que  vastas quantidades de gás incandescente estejam caindo em um grande buraco negro central

M106, também designada NGC 4258, está relativamente próxima, a 23,5 milhões de anos-luz, com um diâmetro de 60 mil anos-luz, e pode ser observada com pequenos telescópios, nas proximidades da constelação do Cães Caçadores (Canes Venatici).

Tradução de Luiz Leitão

What's happening at the center of spiral galaxy M106? A swirling disk of stars and gas, M106's appearance is dominated by blue spiral arms and red dust lanes near the nucleus, as shown in the featured image

The core of M106 glows brightly in radio waves and X-rays where twin jets have been found running the length of the galaxy. An unusual central glow makes M106 one of the closest examples of the Seyfert class of galaxies, where vast amounts of glowing gas are thought to be falling into a central massive black hole.

 M106, also designated NGC 4258, is a relatively close 23.5 million light years away, spans 60 thousand light years across, and can be seen with a small telescope towards the constellation of the Hunting Dogs (Canes Venatici).

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Duas horas antes de Netuno | Two Hours Before Neptune


Duas  horas antes da aproximação máxima de Netuno, em 1989, a espaçonave robóticaVoyager 2 tirou esta foto. Claramente visíveis pela primeira vez, as longas nuvens tipo cirrus de cores claras flutuavam alto na atmosfera de Netuno

Sombras dessas nuvens podem até ser vistas em plataformas de nuvens mais baixasa maioria da atmosfera de Netuno é composta de hidrogênio e hélio que é  invisível. A cor azul de Netuno , portanto, deve-se a quantidades menores de metano atmosférico, que abosrvem preferenciamlmente luz vermelha. 

Netuno tem os ventos mais velozes de todo o sistema Solar, com rajadas atingindo 2.000 quilômteros por hora. Especula-se que diamantes podem ser criados nas densas e quentes condições que existem sob os topos das nuvens de Urano e Netuno. Vinte e seis anos depois, a espaçonave New Horizons da NASA deverá ser a primeira a passar por  Plutão, em julho deste ano de 2015.

Tradução de Luiz Leitão


Two hours before closest approach to Neptune in 1989, the Voyager 2 robot spacecraft snapped this picture. Clearly visible for the first time were long light-colored cirrus-type clouds floating high in Neptune's atmosphere

Shadows of these clouds can even be seen on lower cloud decks. Most of Neptune's atmosphere is made of hydrogen and helium, which is invisible. Neptune's blue color therefore comes from smaller amounts of atmospheric methane, which preferentially absorbs red light. 

Neptune has the fastest winds in the Solar System, with gusts reaching 2000 kilometers per hour. Speculation holds that diamonds may be created in the dense hot conditions that exist under the cloud tops of Uranus and Neptune. Twenty-six years later, NASA's New Horizons is poised to be the first spacecraft to zoom past Pluto this July.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Explorando as Antenas | Exploring the Antennae


Distantes cerca de 60 milhões de anos-luz, na constelação sulina do Corvo, há duas grandes galáxias colidindo. As estrelas das duas galáxias, catalogadas como  NGC 4038 e NGC 4039, muito raramente colidem durante o lento e pesado cataclisma, que dura centenas de milhões de anos. 

Mas suas grandes nuvens de gás e  molecular e poeira frequentemente o fazem, desencadeando furiosos  episódios de formação estelar próximos ao centro dos detroços cósmicos

Estendendo-se por cerca de 500 mil anos-luz, esta impressionante visão composta também revela novos aglomerados estelares e matéria atirados para longe do cenário do acidente por forças gravitacional

A impressionante imagem cooperativa é um mosaico construído com o uso de dados de pequenos e grandes telescópios baseados em solo para mostrar correntes de maré gravitacional fortes e fracas, compostas com os brilhantes núcleos fotografados em detalhes extremos pelo Telescópio Espacial Hubble.

Certamente, a sugestiva aparência visual das longas estruturas arqueadas dão ao par de galáxias seu nome popular - As Antenas.

Tradução de Luiz Leitão

Some 60 million light-years away in the southerly constellation Corvus, two large galaxies are colliding. The stars in the two galaxies, cataloged as NGC 4038 and NGC 4039, very rarely collide in the course of the ponderous cataclysm, lasting hundreds of millions of years. 

But their large clouds of molecular gas and dust often do, triggering furious episodes of star formation near the center of the cosmic wreckage

Spanning about 500 thousand light-years, this stunning composited view also reveals new star clusters and matter flung far from the scene of the accident by gravitational tidal forces. 

The remarkable collaborative image is a mosaic constructed using data from small and large ground-based telescopes to bring out large-scale and faint tidal streams, composited with the bright cores imaged in extreme detail by the Hubble Space Telescope.

Of course, the suggestive visual appearance of the extended arcing structures gives the galaxy pair its popular name - The Antennae.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Quando comi um veado





Roberto Damatta

Entre o início dos anos 1960 e meados dos anos 1970, eu tive uma vida marcada pela tentativa de compreender sem julgar costumes e valores de povos tribais que, àquela época - como ainda hoje são - eram chamados de "índios", "gente da idade da pedra" ou "selvagens". Seres naturais, ignorantes e obviamente incompetentes para gerenciar o que possuem - acima de tudo, suas reservas tidas como enormes - quando os nossos latifúndios ficam a salvo, inclusive de discussão.


Mas voltando a essa existência na qual a minha subjetividade era a todo momento fragmentada pelas tentativas dela sair para buscar ver o mundo do ponto de vista de uma outra humanidade, pois o meu ponto de partida não era uma teoria racista-evolucionista que ainda persiste disfarçada numa doutrina política e econômica do desenvolvimentismo que continuava (e continua) a dividir as humanidades em atrasadas (ou primitivos) e adiantadas (ou civilizadas) - obviamente tecnológicas, libertárias e democráticas. No dia 28 de julho de 1970, uma terça-feira, saboreei um suculento bife de cervídeo - veado campeiro, vermelho ou galheiro - já não me lembro mais e minhas notas não falam disso.


Seria uma refeição normal (e maravilhosa para quem comia de menos e descobria os mistérios de passar fome) não fosse pela carne da caça apresentada como saborosa, procurada e exclusiva, oferecida como favor por um exímio caçador Apinayé, devedor de algumas miçangas que recebia de mim e distribuía na aldeia. A carne do veado substituía a de gado, mais rara de ser consumida naqueles tempos em que comer veado era como consumir Friboi.


Lembro-me de dois fatos marcantes dessa comida. O primeiro foi a presença de meu saudoso irmão Renato, renomado economista e glorioso velejador, vice-campeão, com Fernão e Mariozinho, nos Pan-Americanos de Winnipeg, no Canadá. Entre continuar economista e virar antropólogo, meu irmão decidiu pela primeira carreira. Hoje não tenho dúvidas de que foi muito melhor porque, como diz meu ilustre colega Marshall Sahlins, se Deus nos expulsou do Paraíso e castigou com o trabalho, ele, caritativo, nos deu os economistas que ditam como devemos viver.


Ao lado da política, o nosso patrimonialismo que se mascarou ideologicamente tornou-se imbatível contratando parentes, amigos e companheiros de partido e de ideais revolucionários - tudo isso em eventual economês ou politiquês messiânico-coalizativo em nome da tal governabilidade ou mera roubalheira nacionalista - esse racionalizador de quase todas as paradas.


Renato viajou comigo e logo percebeu as dificuldades de realizar operações econômicas entre os Apinayé. Num ensaio que escreveu sobre o assunto, viu que o investimento numa venda na aldeia, feita por um líder político, não promovia lucros porque quando as pessoas iam comprar elas não se definiam como consumidores (um papel impessoal e anônimo), mas como parentes. Em outras palavras, como o parentesco era a matriz cosmopolítica englobante, comprar a crédito ou fiado (na base da fé) impedia a cobrança, deixava descoberto o dono do negócio, bloqueado de reaver o seu investimento pela ética patrimonialista enraizada no ideal de reciprocidade do parentesco.


Meu irmão morreu, o dono da venda indígena (que foi um dos meus mais queridos instrutores) também partiu, mas o Brasil, que se acha moderno, continuou enjaulado nesse patrimonialismo da casa e da rua, dos de dentro e dos de fora, quando os ideais igualitários são canibalizados pelos elos e o tecido imenso de favores que ainda é o tapete no qual pisam quase todos nós e, é claro, os nossos irmãos, padrinhos e amigos - os políticos que, naturalmente, não vieram de Marte. Quem é o mais primitivo, quem come mais veados, quem mais ilegítima pela roubalheira amistosamente mais pornográfica: nós ou eles?


O segundo evento foi um acidente. No momento em que mordi um pedaço do veado, meu molar da arcada esquerda inferior topou com um pedacinho de osso e ali começou uma dor excruciante.


Do dia seguinte, cruzei o Tocantins deixando Goiás para Porto Franco, no Maranhão, de onde tomei um ônibus para Imperatriz. Lá, saí em busca de um dentista. Era como encontrar um diretor honesto na Petrobrás, mas finalmente fui examinado por um senhor atencioso. Honesto, ele foi logo me indicando que o tratamento seria doloroso e demorado e, nas minhas circunstâncias, inviável. Compreendi imediatamente o que queria dizer quando vi que a sua broca era de pedal porque Imperatriz tinha energia elétrica intermitente. No dia seguinte, dopado por aspirina, tomei um avião para Brasília onde arranquei, com a ajuda de Roque Laraia, o molar estragado pelo osso do veado. Hoje tenho um implante que, me asseguram, é como a desonestidade do governo petista, à prova de tudo.


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Piton de la Fournaise


O vulcão Piton de la Fournaise na Ilha Reunião (França), no Oceano Índico. Após permanecer dormente por três anos, esta é a segunda vez que o vulcão desperta neste ano.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Close Encounter with M44 | Encontro próximo com M44


Na segunda-feira, 26 de janeiro de 2015, o bastante acompanhado asteroide 2004 BL86 chegou à sua aproximação máxima, a mero 1,2 milhão de quilômetros de nosso agradável planeta. 

Isso equivale a  3,1 vezes a distância Terra-Lua, ou 4 segundos-luz. Movendo-se rapidamente através do céu noturno da Terra, ele deixou esta risca em uma exposição de 40 minutos de duração em 27 de janeiro, em Piemonte, Itália. 

O notavelmente belo campo de visão inclui M44, também chamada aglomerado estelar da Colmeia ou Praesepe em Caranguejo. É claro que seu encontro próximo com M44 é apenas aparente, com o aglomerado aproximadamente na mesma linha de visão do asteroide próximo à Terra

A real distância entre o aglomerado estelar e o asteroide é de cerca de 600 anos-luz. Ainda assim, a grande aproximação do planeta Terra permitiu obter imagens de radar detalhadas com a antena Deep Space Network da NASA, em Goldstone, Califórnia, e revelaram que o asteroide tem uma lua própria.

Tradução de Luiz Leitão

On Monday, January 26, well-tracked asteroid 2004 BL86 made its closest approach, a mere 1.2 million kilometers from our fair planet. That's about 3.1 times the Earth-Moon distance or 4 light-secondsaway. 

Moving quickly through Earth's night sky, it left this streak in a 40 minute long exposure on January 27 made from Piemonte, Italy. 

The remarkably pretty field of view includes M44, also known as the Beehive or Praesepe star cluster in Cancer. Of course, its close encounter with M44 is only an apparent one, with the cluster nearly along the same line-of-sight to the near-earth asteroid. 

The actual distance between star cluster and asteroid is around 600 light-years. Still, the close approach to planet Earth allowed detailed radar imaging from NASA's Deep Space Network antenna at Goldstone, California and revealed the asteroid to have its own moon.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Vídeo: A queda do TransAsia Airways ATR 72-600


Um voo de uma companhia aérea taiwanesa com 58 pessoas a bordo sofreu uma forte inclinação lateral, passou sobre uma ponte e caiu sobre um rio raso, logo após decolar de Taipei. Ao menos 15 pessoas foram resgatadas sem ferimentos, mas várias morreram no acidente. Dramás videoclipes aparentemente feitos a bordo de carros foram postos no ar online e por emissoras, mostrando o turboélice ATR 72 virando de lado e caindo em direção à ponte, terminando sua trajetória no rio logo abaixo.



O piloto pede socorro pelo rádio, avisando que uma turbina está em chamas.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Um 'dois mil e cinzas' com sede, suor e trevas





José Nêumanne - O Estado de S.Paulo

Dilma Rousseff não sabe o que perdeu deixando de ir ao Fórum Econômico Mundial, em Davos. Pois, não indo, não teve a chance de ouvir o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, pedir aos governantes coragem para mudar, para reformar. "Há uma janela e um período de oportunidade excepcional e o papel dos políticos é atender o momento, carpe diem, em que podemos escolher o futuro", disse ele. Ela preferiu comparecer à posse do cocalero Evo Morales na presidência da Bolívia a aprender com o europeu o óbvio ululante de que para decepar os nós górdios da economia há que antes reduzir os ônus da política.


Nos Andes, ela ouviu o colega vizinho asseverar com franqueza: "Na Bolívia, não mandam os 'Chicago boys'". Enquanto isso, nos Alpes, um "Chicago boy" da melhor estirpe, o ministro da Fazenda dela, Joaquim Levy, vulgo "mãos de tesoura", encantou o chamado mercado neocapitalista mundial por sua coragem de dar notícias ruins aos cidadãos brasileiros, mal eles foram expulsos da Disneylândia eleitoral dos petralhas. Enquanto o subordinado gozava seus cinco minutos (talvez de dois a três anos) de poder e glória, a chefe saboreava sua volta à segurança da clandestinidade. Depois de um ano inteiro prometendo ao Zé Mané mundos e fundos para arrebanhar votos, sob os auspícios do marqueteiro João Santana (o poeta Patinhas do Bendegó), nada como fugir para um lugar onde não tinha de explicar que era tudo "mentirinha de marketing". Sem deixar de aplicar os beliscões de praxe para mostrar quem manda.

Levy é economista e pensa que tem a força. Dilma, que se acha economista, é que manda e desmanda. Manda quem pode, quem tem juízo obedece. No palanque, ela jurou que devolveria os excessos inflacionários tungados do contribuinte no Imposto de Renda. À sombra e água fresca do palácio, vetou a correção de 6,5% para facilitar a tarefa de tirar R$ 20 bilhões desviados da Petrobrás para partidos, incluindo o dela, do bolso do cidadão que, sem padrinho, morre pagão.

Em Davos, Christine Lagarde, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), encheu a bola do ministro brasileiro apoiando suas "medidas impopulares". Fê-lo antes de Dilma, que só aprovou o subordinado em público na reunião ministerial de ontem. Com isso, o Partido dos Trabalhadores (PT) teve tempo para imitar o "multipresidente" Ulysses Guimarães, que dava as cartas no governo Sarney enquanto liderava a oposição. A candidata jurou de pés juntos que não daria cabo de nenhuma conquista dos trabalhadores. A presidente repetente mandou escrúpulos e promessas às favas, dificultando o acesso ao seguro-desemprego, quando há indícios de risco para o emprego.

Alérgica à política, jejuna em contabilidade e avessa a economizar, a presidente não deu explicações satisfatórias da traição à classe operária. Mas seus áulicos tentaram minimizar os efeitos deletérios da falseta assegurando que as conquistas dos trabalhadores não foram afetadas porque a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) não foi alterada. Falácia cínica! A CLT não é uma "conquista dos trabalhadores", mas uma concessão do ditador Getúlio Vargas ao operariado para manipulá-lo a seu bel-prazer utilizando pelegos. Encarregado de consertar a lambança, Levy tentou dar sua contribuição teórica à tentativa de logro dela, assegurando: "O seguro-desemprego é um benefício ultrapassado". Será? Pode até ser, mas isso nada tem que ver com a tunga. E, além de também ser outra falácia cínica, permitiu que ela lhe mostrasse que elogios de Lagarde não bastam para garanti-lo no cargo.

Só agora ela saiu da clandestinidade, mas ficou no palácio, para dizer a seus 39 ministros que teve de permitir a um auxiliar egresso da oposição que corte gastos com dor para manter seus programas sociais. Mas nunca pediu desculpas ao cidadão que votou nela e paga a conta pelo óbvio malogro.

Joaquim Levy era da segunda divisão da assessoria econômica do tucano Aécio Neves, derrotado por ela na eleição. O chefe dessa assessoria, Armínio Fraga, fez eco a Lagarde ao dizer que o ex-companheiro é "uma ilha no mar de mediocridade" que é o segundo governo Dilma. Se verdadeira, a afirmação traz uma boa e uma má notícia. A boa é que, como o governo anterior foi o pior de todos os tempos, dificilmente o atual terá como superá-lo em mediocridade. A ruim é que é mais provável que piore, sim!

O ex-ministro de Minas e Energia Edison Lobão, por exemplo, nunca condicionou à duvidosa brasilidade de Deus a chuva no sertão que virou país. Ou terá sido este país que virou sertão, eis a questão. Pelo visto, Lobão foi à aula de Geografia em que foi ensinado que Nordeste é Brasil e em muitos anos não chove no semiárido, apesar das súplicas dos sertanejos a São José, que criou o filho do Próprio. O devoto amazonense Eduardo Braga, que espera a interferência divina para pôr fim à "crise hídrica", foi substituído na tarefa de pedir à população que aguente a falta de luz e água com resignação, e que devia caber a Dilma, pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, ainda mais insignificante do que ele.

NGC 4676


Essas duas enormes galáxias estão se separando pela força gravitacional. Chamadas os "Ratos" por conta de suas longas caudas, cada  galáxia espiral provavelmente já passou através da outra. 

As longas caudas são criadas pela diferença relativa entre as atrações gravitacionais nas partes próxima e distante de cada galáxia. Como as distâncias são tão grandes, a interação cósmica ocorre em câmera lenta — durante centenas de milhões de anos. 

NGC 4676 situa-se a cerca de 300 milhões de anos-luz, próxima  à constelação da Cabeleira de Berenice (Coma Berenices) e são, provavelmente, integrantes do Aglomerado Galáctico da Cabeleira

A foto acima foi tirada com a Câmera de Pesquisa Avançadas doHubble em 2002. Esses ratos galácticos irão colidir outra e mais outra vez, provavelmente, dentro dos próximos bilhões de anos até se juntarem, formando uma só galáxia.

Tradução de Luiz Leitão


These two mighty galaxies are pulling each other apart. Known as the "Mice" because they have such long tails, each spiral galaxy has likely already passed through the other. 

The long tails are created by the relative difference between gravitational pulls on the near and far parts of each galaxy. Because the distances are so large, the cosmic interaction takes place in slow motion — over hundreds of millions of years. 

NGC 4676 lies about 300 million light-years away toward the constellation of Bernice's Hair (Coma Berenices) and are likely members of the Coma Cluster of Galaxies

The above picture was taken with the Hubble Space Telescope's Advanced Camera for Surveys in 2002. These galactic mice will probably collide again and again over the next billion years until they coalesce to form a single galaxy.