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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Compromisso com a mediocridade



José Nêumanne
Direitistas do peito, antigos delinqüentes e derrotados denotam governo medíocre
Quando a presidente reeleita Dilma Rousseff anunciou o executivo da área financeira Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, a direita reagiu com espanto e a esquerda, com raiva. No entanto, ela apenas seguiu o figurino de seu primeiro governo, inspirado em seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. No caso específico, ela foi buscar o profissional para decepar os nós da economia a serem enfrentados no segundo governo em dois lugares confiáveis: o segundo escalão da assessoria do adversário tucano, Aécio Neves, e a indicação do banqueiro amigo Lázaro de Mello Brandão, chefe do segundo maior banco privado do País e velho aliado.
O chamado mercado ficou perplexo porque não contava com a astúcia de nossa figura “chapolinesca”. Por falta de desconfiômetro e de sagacidade, os magnatas do negócio financeiro contavam com mais uma figurinha acadêmica carimbada do PT, nos moldes de Guido Mantega, o descartado, ou Aloizio Mercadante Oliva, a bola da vez na sinuca de madame. Ledo e “ivo” engano, dir-se-ia antigamente. Este escriba, precavido, não se surpreendeu por dois motivos: primeiramente, por ter aprendido a entender os atos da alta cúpula petralha no poder, sempre opostos à retórica da propaganda com a qual engana o eleitorado; e, em segundo lugar, por se lembrar de, em palestra no Conselho de Economia da Fiesp, o respeitado macroeconomista Octavio de Barros, vice-presidente do Bradesco, ter feito em priscas eras apaixonadíssimo discurso de louvação à gestão econômica do nosso padim Ciço do Agreste.
Surpreenderam-se os desatentos que não prestaram atenção nesses aparentes detalhes, que, na verdade, são essenciais. O filmete dos banqueiros tomando a comida do trabalhador para associar Neca Setubal, do Itaú, com a adversária Marina Silva era apenas uma patranha de marqueteiro. Como Napoleão espalhou a sábia lição de que “do traidor só se aproveita a traição”, aviso dado antes de mandar fuzilar o alcaguete que lhe delatou as posições das tropas inimigas, Dilma sabe que se ganha o voto com a mentira do marketing político, mas se governa com quem conhece o caminho real das pedras. Pois então: avisou que ia convidar o presidente do banco amigo, Luiz Trabuco, e o recebeu na companhia de seu Brandão, que vetou a solução, mas apresentou uma saída razoável na pessoa de Levy, ex-luminar da gestão lulista. O discurso do banqueiro rapace serve para levar os votos dos tolos. A boa gestão recomenda o uso da frieza dos dedos de tesoura disponíveis – a velha fábula de ganhar com a esquerda e guiar com a direita. Até porque, se não der certo, é só trocar. Não faltarão nomes no colete de seu Brandão.
Os futuros ministros do segundo governo que vêm sendo indicados também não foram inspirados nos discursos do palanque eletrônico, mas nas lições do mestre Maquiavel de Caetés. Que importa se a presidente da Confederação Nacional da Agricultura, Kátia Abreu, assumiu a defesa sub-reptícia de uma “ordem medieval do trabalho” (apud Miriam Leitão) ao recorrer ao Supremo Tribunal Federal contra a implementação de normas explícitas a serem obedecidas pelos proprietários rurais, acusando-as de “preconceito ideológico contra o capitalismo”? A futura ministra é uma direitista do peito, amarrada à chefe por laços de afeto e admiração mútuos, assim como a Graciosa da Petrobrás.
Antes de nomear os novos ministros, a presidente tentou transferir parte de sua responsabilidade para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedindo acesso à delação premiada de Paulinho do Lula e de Beto Youssef para evitar nomear receptadores de propinas da roubalheira da Petrobrás. O ex-relator do mensalão Joaquim Barbosa chamou a iniciativa de “degradação institucional”. O loquaz ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, confessou o absurdo, em vez de dar uma de João sem braço. Ficou claro que na nomeação de seu primeiro escalão a chefe do governo leva em conta apenas as notícias do dia, em vez de compulsar os prontuários de seus futuros auxiliares. O líder da minúscula bancada governista do PRB na Câmara, George Hilton, vai tomar conta do Ministério do Esporte durante a Olimpíada no Rio, mesmo já tendo sido flagrado pela polícia carregando R$ 600 mil em pacotes de dinheiro vivo num avião privado. Kátia Abreu, Eduardo Braga e Hélder Barbalho são réus na Justiça. Aldo Rebelo tem ficha limpa, mas isso não basta para, com as palavras de ordem pré-históricas do PCdoB, comandar a pasta de Ciência e Tecnologia. Deus nos acuda.
Cid Gomes foi escolhido para o Ministério da Educação, apesar de ter sido acusado de pagar com dinheiro público o aluguel de um avião particular para viajar com a família (a sogra inclusive) para a Europa. E de ter conquistado com mérito a fama de Mecenas do semiárido por pagar cachês altíssimos a cantores como Ivete Sangalo e Plácido Domingo. Não o recomenda ao cargo a acusação de ter reagido a uma manifestação de professores afirmando: “Quem quer dar aula faz isso por gosto, não por salário. Se quer ganhar dinheiro, deixa o ensino público e vai pro privado”. Sua saída do Partido Socialista Brasileiro (PSB), traindo Eduardo Campos para ficar com a presidente, que obteve votação espetacular no Ceará, o recomendou para o cargo muito mais do que o trabalho pioneiro de seu secretário adjunto de Educação, Maurício Holanda Maia, mais adequado para o cargo.
A reunião de bons burgueses com antigos delinquentes e derrotados nas urnas e o “museu de novidades” (apud Josias de Souza) não bastarão, contudo, para definir com justiça a Esplanada dos Ministérios sob Dilma 2. Sua principal característica genérica é a mediocridade ampla, geral e irrestrita. A mediocridade tirânica, que não se basta, que tudo faz para se impor e governar, é a marca do governo que nos espera e do destino que nos fará engolir.

Jornalista, poeta e escritor
(Publicado no Estado de S. Paulo na Pag. A2 da quarta-feira 31 de dezembro de 2014)

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Kepler 438b


Um planeta alienígena que orbita uma estrela distante nae constelação da Lira pode ser o mais parecido com a Terra até hoje encontrado fora do sistema solar.
O planeta, nomeado Kepler 438b, é pouco maior do que a Tera e circunda  uma estrela anã laranja que lhe fornece  40% mais calor do que a Terra recebe do sol.
O reduzido tamanho de Kepler 438b significa que ele é, provavelmente, rochoso, enquanto sua proximidade em relação à sua estrala o coloca na zona “Goldilocks” ou habitável, onde a temperatura é adequada para que a água fula em estado líquido.
Uma superfície rochosa e água fluente são dois dos mais importantes fatores pelos quais os cientistas procuram quando avaliam as chances de um planeta poder abrigar vida.
Kepler 438b, distante 470 anos-luz, completa uma órbita ao redor de sua estrela a cada 35 dias, o que significa que um ano por lá passa dez vez mais rápido do que na Terra. Planetas pequenos têm maior probabilidade de serem rochosos do que os grandes, e, sendo apenas 12% maior do que a Terra, as chances de Kepler 438b ser rochoso são de cerca de 70%, disseram os pesquisadores.
Cientistas do Centro Harvard-Smithsoniano de Astrofísica anunciaram a descoberta em um encontro da Sociedade Astronômica Americana, em Seattle, na terça-feira, juntamente com sete outros planetas também situados nas zonas habitávis de suas estrelas. A aquisição duplica a quantidade de pequenos planetas – os que são menos de duas vezes maiores do que a Terra – que se acredita orbitarem as zonas habitáveis de suas estrelas-mães.
Todos eles foram localizados com o telescópio espacial Kepler da NASA, que detecta planetas quando eles de movimentam através das faces de suas estrelas, fazendo com que a luz registrada pelo telescópio diminua de intensidade periodicamente, em uma quantidade muito pequena.
Um dos outros planetas, Kepler 442b, situa-se na mesma constelação, a 1.100 anos-luz de distância. Ele é cerca de um terço maior do que a Terra, recebe dois terços a mais de luz estelar e tem 60% de chance de ser rochoso, segundo um relato a ser publicado no The Astrophysical Journal.

Os cientistas não sabem se os planetas têm atmosferas, mas se estiverem imersos em camadas de gás isolante, a temperaturas médias de Kepler 438b e 442b devem situar-se entre 60 e zero graus Celsius, respectivamente.Guillermo Torres, principal autor do estudo, disse que o tamanho e a quantidade de luz que cai nos planetas os torna os mais parecidos com a Terra até hoje encontrados fora do sistema solar. Antes dessa descoberta, os exoplanetas mais semelhantes ao nosso eram Kepler 186f, que é 10% maior do que a Terra e recebe um terço de sua luz, e Kepler 62f, que é 40% maior e recebe cerca de 41% mais luz.
A equipe do Harvard-Smithsonian usou um programa de computador chamado Blender para confirmar que os planetas originalmente identificados pelo telescópio espacial Kepler eram reais. Falsas visões podem ocorrer quando pares de estrelas situadas atrás da que está sendo estudada eclipsam-se mutuamente, fazendo com que a luz de fundo se reduza ligeiramente. Em alguns casos, isso pode ser confundido com um planeta movendo-se em frente à sua estrela.
“O par de estrelas pode estar muito atrás , mas se estiver na mesma linha de visão, o resultado é  um minúsculo esmaecimento, como um planeta, disse Torres.
O programa Blender dá uma probabilidade estatística de que o planeta é real, e não um efeito de estrelas de fundo eclipsando-se mutuamente. De 12 supostos planetas que Torres e colegas avaliaram com o programa, 11 revelaram-se como sendo mais de 99,7% provavelmente reais.
David Kipping, um coautor do estudo, disse que Kepler 438b e 442b eram “tão análogos à Terra quanto descobriremos através dos dados do Kepler”.
Astrônomos estão esperando ansiosamente pela próxima geração de telescópios, inclusive o que substituirá o Hubble,  o Telescópio Espacial James Webb, e o Telescópio Extremamente Grande da Agência Espacial Europeia, que está sendo construído no deserto Atacama, no Chile, para ajudá-los a examinar as atmosferas de planetas distantes, em busca de sinais de vida.
Nesse ínterim, cientistas planejam procurar outros sinais, indiretos, de que um planeta possa ser adequado à existência de vida. Kipping está vasculhando os dados do Kepler à procura de pistas de que alguns planetas tenham luas, o que pode aumentar suas chances de serem habitáveis. Noss Lua mesmo estabiliza a inclinação da Terra, Tornando as temperaturas muito menos erráticas do que de outra forma seriam. Planetas alienígenas que compartilham um sistema  solar com um gigante gasoso como Júpiter também são interessantes, porque o vasto tamanho do planeta atua como um escudo contra impactos devastadores de asteroides e cometas.
Tradução de Luiz Leitão
An alien world that orbits a distant star in the constellation of Lyra may be the most Earth-like planet ever found outside the solar system.
The planet, named Kepler 438b, is slightly larger than Earth and circles an orange dwarf star that bathes it in 40% more heat than our home planet receives from the sun.
The small size of Kepler 438b makes it likely to be a rocky world, while its proximity to its star puts it in the “Goldilocks” or habitable zone where the temperature is just right for liquid water to flow.
A rocky surface and flowing water are two of the most important factors scientists look for when assessing a planet’s chances of being hospitable to life.
Kepler 438b, which is 470 light years away, completes an orbit around its star every 35 days, making a year on the planet pass 10 times as fast as on Earth. Small planets are more likely to be rocky than huge ones, and at only 12% larger than our home planet, the odds of Kepler 438b being rocky are about 70%, researchers said.
Scientists at the Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics announced the discovery at a meeting of the American Astronomical Society in Seattle on Tuesday, along with seven other planets that also lie in the habitable zones of their stars. The haul doubles the number of small planets – those less than twice the size of Earth – believed to be orbiting in their parent stars’ habitable zones.
All were spotted with Nasa’s Kepler space telescope which detects planets as they move across the faces of their stars, causing the light picked up by the telescope to dim periodically by a minuscule amount.
One of the other planets, Kepler 442b, lies in the same constellation 1,100 light years away. It is about a third larger than Earth, receives about two thirds as much starlight, and has a 60% chance of being rocky, according to a report to be published in The Astrophysical Journal.

The scientists do not know if the planets have atmospheres, but if they are cloaked in insulating layers of gas, the mean temperatures of Kepler 438b and 442b are expected to be about 60 and zero degrees Celsius respectively.Guillermo Torres, lead author on the study, said the size and amount of light falling on the planets made them the most Earth-like planets yet found beyond our solar system. Before their discovery, the exoplanets most similar to our own were Kepler 186f, which is 10% larger than Earth and receives a third as much light, and Kepler 62f, which is 40% larger and gets about 41% as much light.
The Harvard-Smithsonian team used a computer program called Blender to confirm that the planets originally spotted by the Kepler space telescope were real. False sightings can happen when pairs of stars that lie behind the one being studied eclipse each other, causing the background light to dim slightly. In some cases, this can be mistaken for a planet moving in front of its star.
“The pair of stars can be way behind the target star, but if they are in the same line of sight, the result is a very tiny dimming that can look like a planet,” said Torres.
The Blender program gives a statistical probability that the planet is real and not an effect of background stars eclipsing one another. Of 12 suspected planets Torres and his colleagues assessed with the program, 11 came out at more than 99.7% likely to be real.
David Kipping, a co-author on the study, said that Kepler 438b and 442b were “as close to Earth analogues as we’re going to find in the Kepler data”.
Astronomers are keenly waiting on the next generation of telescopes, including Hubble’s replacement, the James Webb Space Telescope, and the European Extremely Large Telescope, which is being built in the Atacama desert in Chile, to help them examine the atmospheres of distant planets for signs of life.
In the meantime, scientists plan to look for other, indirect signs, that a planet may be well-suited for life. Kipping is searching through the Kepler data for hints that some planets have moons, which can improve their odds of being habitable. Our own moon stabilises Earth’s tilt, making the temperatures far less erratic than they would be otherwise. Alien planets that share a solar system with a gas giant like Jupiter are also interesting, because the vast size of the planet acts as a shield against devastating asteroid and comet impacts.

No coração de Orion | At the Heart of Orion


Próximas ao centro desta nítido retrato cosmico, no coração da Nebulosa de Orion, há quatro grandes e quentes estrelas, chamadas o Trapézio. Unidas fortemente em uma região com um raio de , aproximadamente, 1,5 anos-luz, elas dominam o núcleo do denso Aglomerado Estelar da Nebulosa de Orion. 

A radição ionizante ultravioletadas estrelas do Trapézio, em sua maioria oriundas da mais brilhante de todas, a estrela Theta-1 Orionis C, alimenta o complexo estelar formando o brilho visível de tod a região. 

Com cerca de três milhões de idade, O Aglomerado da Nebulosa de Orion Nebula, foi ainda mais compacto em seus anos iniciais, e um estudo dinâmico indica que aquelas colisões estelares en fuga em uma época mais remota pode ter levado à formação de um buraco negro com mais de 100 vezes a massa do Sol. 

A presença de um buraco negro dentro do aglomerado poderia explicar as altas velocidades observadas nas estrelas do Trapézio. A distância de Nebulosa de Orion, de uns 1.500 anos-luz tornaria aquele o mais próximo buraco negro da Terra conhecido.

Tradução de Luiz Leitão


Near the center of this sharp cosmic portrait, at the heart of the Orion Nebula, are four hot, massive stars known as the Trapezium. Tightly gathered within a region about 1.5 light-years in radius, they dominate the core of the dense Orion Nebula Star Cluster. 


Ultraviolet ionizing radiation from the Trapezium stars, mostly from the brightest star Theta-1 Orionis C powers the complex star forming region's entire visible glow. 

About three million years old, the Orion Nebula Cluster was even more compact in its younger years and a dynamical study indicates that runaway stellar collisions at an earlier age may have formed a black hole with more than 100 times the mass of the Sun. 

The presence of a black hole within the cluster could explain the observed high velocities of the Trapezium stars. The Orion Nebula's distance of some 1,500 light-years would make it the closest known black hole to planet Earth.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Os remanescentes da Supernova de Vela | Vela Supernova Remnant




O plano de nossa galáxia Via Láctea passa por esta complexa e bela paisagem celeste. Na borda noroeste da constelação da Vela, o quadro telescópico tem mais de 10 graus de diâmetro, centrado nos filamentos mais brilhantes dos Remanescentes da  Supernova da Vela, uma nuvem de detritos em expansão oriunda da explosão e morte de uma grande estrela. 

A luz da explosão da supernova foi criada quando os remanescentes da Vela alcançaram a Terra, há uns 11.000 anos. Além dos filamentos de gás incandescente que sofreram choques, a catástrofe cósmica também deixou para trás um incrivelmente denso núcleo estelar giratório, o Pulsar de Vela. Distante cerca de 800 anos-luz, o remanescente da Vela está provavelmente incrustado em um remanescente de supernova mais antigo, a Nebulosa  Gum.

Tradução de Luiz Leitão


The plane of our Milky Way Galaxy runs through this complex and beautiful skyscape. At the northwestern edge of the constellation Vela (the Sails) the telescopic frame is over 10 degrees wide, centered on the brightest glowing filaments of the Vela Supernova Remnant, an expanding debris cloud from the death explosion of a massive star. 

Light from the supernova explosion that created the Vela remnant reached Earth about 11,000 years ago. In addition to the shocked filaments of glowing gas, the cosmic catastrophe also left behind an incredibly dense, rotating stellar core, the Vela Pulsar. Some 800 light-years distant, the Vela remnant is likely embedded in a larger and older supernova remnant, the Gum Nebula.

Réa crescente oculta Saturno crescente | Crescent Rhea Occults Crescent Saturn


Tons suaves, globos parcialmente iluminados, o fino traço do anel, e discretas sombras destacam esta  discreta  visão dos majestosos arredores do gigantesco planeta Saturno. 


Olhando para trás, aproximadamente em direção ao Sol, a sonda robótica Cassini, atualmente orbitando Saturno, captous as imagens de fases crescentes de Saturno e sua lua Réa em cores, alguns anos atrás

Tão impressionante quando a imagem acima, há um só quadro de um filme mudo de  60 exposições, onde Réa pode ser vista voando diante de seu planeta-mãe. Como a Cassini estava aproximadamente no plano dos aneis de saturno, os normalmente impresionantes aneis estão visíveis aqui apenas como uma minúscula linha que atravessa o centro da imagem.

Tradução  de Luiz Leitão

Soft hues, partially lit orbs, a thin trace of the ring, and slight shadows highlight this understated view of the majestic surroundings of the giant planet Saturn. 

Looking nearly back toward the Sun, the robot Cassini spacecraft now orbiting Saturn captured crescent phases of Saturn and its moon Rhea in color a few years ago. 

As striking as the above image is, it is but a single frame from a 60-frame silent movie where Rhea can be seen gliding in front of its parent world. Since Cassini was nearly in the plane of Saturn's rings, the normally impressive rings are visible here only as a thin line across the image center.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Raios X do Sol através do NuSTAR | The Sun in X-rays from NuSTAR


Por que as regiões acima têm manchas solares tão quentes? As manchas solares propriamente ditas são um pouco mais frias do que a superfície  solar circundante porque os campos magnéticos  que as criam causam a redução do calor de convecção

Portanto é incomum que regiões acima — mesmo muito mais altas do que a corona solar — possam ser centenas de vezes mais quentes. Para ajudar a descobrir a causa disso, a NASA direcionou o atélite orbital terrestre Nuclear Spectroscopic Telescope Array (NuSTAR) para apontar seu muito sensitivo telescópio de raios  X na direção do Sol. 

O Sol aparece acima em luz ultravioletamostrada em um tom vermelho, conforme registrada pelo Observatório de Dinâmica Solar (SDO). Superpostas em cores artificiais verde e azuis estão as emissões acima das manchas solares detectadas pelo NuSTAR em diferentes faixas de raios X de alta energia, destacando regiõess de temperaturas extremamente altas

Pistas sobre o mecanismo de aquecimento atmosférico do Sol podem não surgir somente desta imagem inicial, mas futuras imagens do NuSTAR voltadas para descobrir hipotéticas nanolabaredas, breves surtos de energia que podem ocasionar o incomum aquecimento.

Tradução de Luiz Leitão

Why are the regions above sunspots so hot? Sunspots themselves are a bit cooler than the surrounding solar surface because the magnetic fields that create them reduce convective heating. 


It is therefore unusual that regions overhead — even much higher up in the Sun's corona —can be hundreds of times hotter. To help find the cause, NASA directed the Earth-orbiting Nuclear Spectroscopic Telescope Array (NuSTAR) satellite to point its very sensitive X-ray telescope at the Sun. 

Featured above is the Sun in ultraviolet light, shown in a red hue as taken by the orbiting Solar Dynamics Observatory (SDO). Superimposed in false-colored green and blue is emission above sunspots detected by NuSTAR in different bands of high-energy X-rays, highlighting regions of extremely high temperature

Clues about the Sun's atmospheric heating mechanisms may not only come from this initial image, but future NuSTAR images aimed at finding hypothesized nanoflares, brief bursts of energy that may drive the unusual heating.

Maras


Os antigos terraços de lagos de sal nas minas de Maras, em Cuzco, Peru.

sábado, 3 de janeiro de 2015

IC 1795: A nebulosa da Cabeça de Peixe | IC 1795: The Fishhead Nebula


Para uns, esta nebulosa se parece com a cabeça de um peixe. Entretanto este colorido retrato cósmico realmente mostra gás incandescente e nuvens de poeira obscurecedora em IC 1795,uma região de formação estelar na constelação de Cassiopeia, no norte. 

As cores da nebulosa foram criadas adotando-se a paletas de cores artificiais do Hubblepara o mapeamento de estreitas emissões por átomos de oxigênio, hidrogênio e enxofre para as cores azul, verde e vermelha, e posteriormente associando-se os dados com imagens da região registradas através de filtros de banda larga. 


Não muito distante no céu do famoso Aglomerado Estelar Duplo de Perseu, IC 1795 está localizado perto de IC 1805, a Nebulosa do Coração,  como parte de um complexo de regiões de formação estelar situado na borda de uam grande nuvem molecular. 


Localizado a pouco mais de 6.000 anos-luz de distância, o complexo maior de formação estelar espalha-se pelo braço espiral de Perseu em nossa galáxia, a Via Láctea. Àquela distância, esta foto abrange cerca de 70 anos-luz através de IC 1795.


Tradução de Luiz Leitão


To some, this nebula looks like the head of a fish. However, this colorful cosmic portrait really features glowing gas and obscuring dust clouds in IC 1795, a star forming region in the northern constellation Cassiopeia. 


The nebula's colors were created by adopting the Hubble false-color palette for mapping narrow emission from oxygen, hydrogen, and sulfur atoms to blue, green and red colors, and further blending the data with images of the region recorded through broadband filters. 


Not far on the sky from the famous Double Star Cluster in Perseus, IC 1795 is itself located next to IC 1805, the Heart Nebula, as part of a complex of star forming regions that lie at the edge of a large molecular cloud. 


Located just over 6,000 light-years away, the larger star forming complex sprawls along the Perseus spiral arm of our Milky Way Galaxy. At that distance, this picture would span about 70 light-years across IC 1795.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

A chuva de meteoros das Quadrântidas


A chuva de meteorors das Quadrântidas  sobressai neste fim de semana ao aparecer nos céus do nordeste.
Astrônomos preveem que ela será mais visível no sábado às 9h00 (GMT) e no começo da manhã de domingo.
Ela será visível nas regiões norte, próxima à constelação do Grande Arado.
A chuva de meteoros das Quadrântidas é sempre o primeiro desses fenômenos em cada ano novo.
Infelizmente, em 2015, a Lua quase cheia ira obscurecer a exibição deste ano.
O evento é muito fugaz e intenso, e pode ser facilmente perdido, portanto, os  astrônomos estão aconselhando as pessoas a ficarem em posição quando a Lua estiver bloqueada por um edifício ou árvore.
Ainda assim,a NASA calcula que a chuva de meteoros irá mostrar cerca de 80 desses bólidos por hora em seu pico.
Quem estiver em certas partes da Europa e Ásia deverão ter  as melhores chances de ver o evento neste ano. Os observadores celestes são incentivados a encontrar uma área de observação distante das luzes da cidade e ruas, e a olhar para o leste.
Para ver a chuva de meteoros, as pessoas que moram nas latitudes norte terão de ilhas na direção da 'formação pipa' na constelação Boötes, antes do pico da chuva.
Os que estiverem na parte leste da Ásia deverão obter a melhor visão, com a chuva em seu auge lá antes da madrugada de 4 de janeiro.
A chuva das Quadrântidas estará a um ângulo aproximadamente reto em relação ao Grande Arado e Arcturus.
Durante os melhores momentos para observar a chuva de meteoros, o radiante estará próximo ao horizonte norte, e há uma boa chance de se ver "Earth-grazers" - meteoros que passam raspando pelo horizote para o leste e o oeste.
As Quadrântidas têm seu nome derivado da constelação de Quadrans Muralis -  quadrante mural - criado pelo astrônomo francês Jerome Lalande em 1795.
O Quadrante era uma antigo instrumento astronômico usado para observar e mapear estrelas.
Chuvas de meteoros ocorrem quando a Terra passa através das trajetórias de cometas.
Quando ela as cruza, pedaços de detritos de cometa queimam na atmosfera da Terra e criam clarões de luz no céu noturno. Os pedaços de detritos que entram na atmosfera terrestre são chamados meteoros.
Tradução de Luiz Leitão
The Quadrantids meteor shower will be prominent this weekend as it makes an appearance in the north to north-eastern skies.
Astronomers predict it will be mostly visible on Saturday at 9pm and early Sunday morning.
It will be visible in northern regions, near the Big Dipper constellation.
The Quadrantid meteor shower is always the first meteor shower of every new year.
Unfortunately, in 2015, the almost-full waxing gibbous moon will obscure this year’s presentation.
The event is very brief and intense and can be easily missed, so astronomers are advising people to stand in a position where the moon is blocked by a building or a tree.
Still, NASA estimates the meteor shower will boast about 80 meteors an hour at its peak.
Those in parts of Europe and Asia should have the best chance of catching a glimpse of the event this year. Stargazers are encouraged to find a viewing area away from city lights and streetlights, and to look east.
To view the meteor shower, people living in the northern latitudes will need to look towards 'kite formation' in the constellation Boötes before the shower's peak.
Those in the eastern part of Asia are expected to get the best views with the shower peaking there before dawn on January 4th.
The Quadrantid shower will be at an approximate right angle with the Big Dipper and Arcturus.
During the best times to view the meteor shower, the radiant will be close to the northern horizon and there is a good chance of seeing "Earth-grazers" - meteors coming in close to the horizon to the east and west.
The Quadrantids derive their name from the constellation of Quadrans Muralis - mural quadrant - which was created by the French astronomer Jerome Lalande in 1795.
Quadrans was an early astronomical instrument used to observe and plot stars.
A meteor shower occurs when Earth passes through the path of a comet.
As it traverses through, bits of comet debris burn up in the Earth's atmosphere and create flashes of light in the night sky. The pieces of debris which enter the Earth's atmosphere are called meteors.

O Cometa Lovejoy diante de um aglomerado estelar globular | Comet Lovejoy before a Globular Star Cluster


O Cometa Lovejoy se tornou visível a olho nu. Para vê-lo, basta sair ao ar livre mais ou menos uma hora após o pôr-do-sol e procurar um trecho indistinto à direita do cinturão de Orion. Binóculos e um mapa estelar podem ser úteis

Aqui nesta foto, o  Cometa C/2014 Q2 (Lovejoy) foi registrado há três dias, passando quase em frente a M79, o aglomerado estelar globular visível como a mancha brilhante ligeiramente acima e à esquerda da coma de tom esverdeado do cometa. 

O núcleo do Cometa Lovejoy é um gigantesco iceberg sujo que está espalhando gás para uma longa e intrincada cauda de íons, estendendo-se através da imagem, enquanto se aproxima do Sol. O cometa deverá se tornar ainda mais fácil de identificar para os observadores situados no hemisfério norte durante janeiro, pois irá aparecer mais cedo e, espera-se, continuar a brilhar.

Tradução de Luiz Leitão

Comet Lovejoy has become visible to the unaided eye. To see the comet, just go outside an hour or so after sunset and look for a fuzzy patch to the right of Orion's beltBinoculars and a star chart may help. 

Pictured here, Comet C/2014 Q2 (Lovejoy) was captured three days ago passing nearly in front of M79, the globular star cluster visible as the bright spot slightly above and to the left of the comet's green-hued coma. The nucleus of Comet Lovejoy is a giant dirty iceberg that is shedding gas into a long and intricate ion tail, extending across the image, as it nears the Sun. The comet is expected to become even easier to spot for northern observers during January, as it rises earlier and, hopefully, continues to brighten.

A Galáxia IC 335

Esta nova imagem do Telescópio Espacial Hubble da NASA mostra a galáxia IC 335 diante de um plano de fundo de galáxias distantes. IC 335 faz parte de um grupo  que contém tres outras galáxias, localizado no Aglomerado Galáctico Fornax, distante 60 milhões de anos-luz.
Visto nesta imagem, o disco de IC 335 aparece de lado, do ponto de vista da Terra. Isso dificulta sua classificação pelos astrônomos, já que a maioria das características  da morfologia das galáxias — os braços de uma espiral, ou a barra que cruza o centro — só são visíveis de frente. Ainda assim, a galáxia, de  45.000 anos-luz de comprimento, poderia ser classificada como sendo do tipo S0.
Essas galáxias lenticulares são um estado intermediário entre verdadeira espiral e elíptica nos esquemas de classificação morfológica galáctica. Elas têm um disco estelar fino e um aabaulamento, como as galáxias espirais, mas em contraste com as galáxias espirais típicas, elas têm a maior parte do meio interestelar utilizada. Somente algumas poucas novas estrelas podem ser criadas a partir do material que é deixado, e o ritmo de formação estelar é muito baixo. Assim, a população de estrelas en galáxias S0 consiste basicamente de estrelas antigas, muito similar à população de estrelas das galáxias elípticas.
Como as galáxias S0 têm apenas braços espirais pouco definidos, elas são facilmente confundidas com galáxias elípticas se vistas inclinadas com a face voltada para fora ou de lado, como IC 335 aqui. E de fato, apesar das diferenças morfológicas entre S0  e as galáxias da classe ellíptica, elas têm algumas características em comum, como tamanhos típicos e traços espectrais.
Ambas as classes são também consideradas galáxias "tipo primordial" pelo fato de evoluírem passivamente. Entretanto enquanto as galáxias elípticas podem estar evoluindo passivamente quando as observamos, they have usually had violent interactions with other galaxies in their past.  Em contraste,  as galáxias S0 são espirais antigas e esmaecentes, que nunca tiveram quaisquer interações com outras galáxias, ou são o resultado envelhecido de uma só fusão entre duas galáxias espirais no passado. A  natureza exata dessas galáxias ainda está sendo discutida.


Tradução de Luiz Leitão


This new NASA/ESA Hubble Space Telescope image shows the galaxy IC 335 in front of a backdrop of distant galaxies. IC 335 is part of a galaxy group containing three other galaxies, and located in the Fornax Galaxy Cluster 60 million light-years away.
As seen in this image, the disk of IC 335 appears edge-on from the vantage point of Earth. This makes it harder for astronomers to classify it, as most of the characteristics of a galaxy’s morphology — the arms of a spiral or the bar across the center — are only visible on its face. Still, the 45 000 light-year-long galaxy could be classified as an S0 type.
These lenticular galaxies are an intermediate state in galaxy morphological classification schemes between true spiral and elliptical galaxies. They have a thin stellar disk and a bulge, like spiral galaxies, but in contrast to typical spiral galaxies they have used up most of the interstellar medium. Only a few new stars can be created out of the material that is left and the star formation rate is very low. Hence, the population of stars in S0 galaxies consists mainly of aging stars, very similar to the star population in elliptical galaxies.
As S0 galaxies have only ill-defined spiral arms they are easily mistaken for elliptical galaxies if they are seen inclined face-on or edge-on as IC 335 here. And indeed, despite the morphological differences between S0 and elliptical class galaxies, they share some common characteristics, like typical sizes and spectral features.
Both classes are also deemed "early-type" galaxies, because they are evolving passively. However, while elliptical galaxies may be passively evolving when we observe them, they have usually had violent interactions with other galaxies in their past.  In contrast,  S0 galaxies are either aging and fading spiral galaxies, which never had any interactions with other galaxies, or they are the aging result of a single merger between two spiral galaxies in the past. The exact nature of these galaxies is still a matter of debate.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

A descoberta de vida em Marte revolucionaria nossos conhecimentos


Há mais de 100 anos, uma fundação francesa ofereceu o grande prêmio de 100.000 francosa quem provasse a existência de vida extraterrestre. Entretanto havia um importante senão. Encontrar vida em Marte não valia: isso era então considerado muito fácil. Indeed, No século 19, um excêntrico astrônomo americano, Percival Lowell, disse ter visto “canais” em Marte, indicadores de irrigação em grande escala, produto de uam civilização avançada.
Os cientistas agora estão muito mais céticos em relação à ubiquidade de vida em Marte do que seus pares de séculos passados – o grande astrônomo William Herschel, por exemplo, pensava que a Lua, e até mesmo o Sol, fossem habitados. Mas Marte, o Planeta Vermelho, sempre pareceu a melhor aposta – e, de fato, ainda é o mais fascinante planeta semelhante à Terra em nosso Sistema Solar.
Nós agora sabemos ao certo, claro, que não existem marcianos do tipo conhecido através da ficção cientifica – do tipo que poderia provocar uma “Guerra dos Mundos”. Entretanto a existência, ainda que seja da mais primitiva forma de vida em Marte, por si só, já é muito interessante para os cientistas.
Isso também teria muito maiores implicações cósmicas.Se a vida tiver se organizado duas vezes, independentemente, em nosso sistema solar, nós teríamos de concluir que isso não seria uma ocorrência rara – e que o restante do cosmos deve fervilhas de vida, em zilhões de planetas orbitando outras estrelas. Mas até que encontremos vida em Marte (ou, talvez, nas luas de Júpiter ou Saturno, ou em algum cometa) é possível que a vida seja algo raro e especial da Terra.
É por isso que até mesmo as mais incertas suposições a respeito da vida em Marte atraem grande interesse. Esta semana houve uma dessas suposições, reportadas pelo jornal The Telegraph, de que há metano vindo do subsolo “arrotando” através da superfície de Marte – possivelmente gerado por matéria orgânica que um dia viveu. Esperemos que experiências futuras possam esclarecer isso. Isso certamente fará aumentar o interesse pela missão ExoMars da Agência Espacial Europeia, planejada para 2016, que poderá fazer escavações mais profundas sob a  superfície do Planeta Vermelho. 
Entretanto eu acho que o que realmente alimenta nosso interesse por Marte é pensar que, um dia, seres humanos possam caminhar sozinhos pela superfície do Planeta Vermelho. Estamos nos acostumando à ideia de robôs realizarem façanhas supra-humanas no espaço – foi o jipe-sonda Curiosity que registrou esses níveis de metano, fato que vio à tona poucas semanas após a sonda Rosetta ter pousado em um cometa – mas ainda há um desejo de se ver humanos atuarem. Como cientista ou homem prático, vejo pouco sentido em enviar pessoas ao espaço. Mas como ser humano, sou um entusiasta de missões tripuladas. Eu espero que algumas pessoas hoje vivas venham a caminhar por Marte  – como aventura, e como um passo rumo às outras estrelas.
Por sua vez, o que alimenta o entusiasmo é a questão: Existe vida lá fora? Fortes provas da existência  de vida em Marte, ainda que nas mais primitivas formas, teriam uma importância enorme – e nós também podemos encontrar algo nadando sob o gelo de Europa ou Encelado, luas que orbitam Júpiter e Saturno. Ninguém, entretanto, espera encontrar formas de vida avançadas no Sistema Solar.
Mas vamos ampliar nosso olhar para as outras estrelas – muito além do alcance de qualquer sonda atualmente. As possibilidades neste caso são bem maiores. Nós aprendemos algo que torna o céu noturno muito mais interessante do que era para nossos antepassados. Muitas estrelas – tavez mesmo a maioria delas – são orbitadas por séuitos de planetas, assim como ocorre com o Sol.
Esses planetas  não são detectados diretamente, mas, sim, deduzidos através de observações cuidadosas de suas estrelas- mães – a detecção da oscilação em seus movimentos induzida pela gravidade de planetas em suas óbitas, ou a leve diminuição em seu brilho quando um planeta transita diante delas.
Entretanto a próxima geração de telescópios poderá fotografar planetas do tamanho da Terra, orbitando outras estrelas semelhantes à Terra. Haverá vida nesses planetas? Nós sabemos muito pouco a respeito do surgimento da vida na Terra para lançarmos palpites seguros. O que desencadeou a transição de moléculas complexas para entidades capazes de metabolizarem e se reproduzirem? Isso pode envolver uma casualidade tão rara que teria ocorrido somente uma vez em toda a nossa galáxia (que tem bilhões de estrelas). Por outro lado, essa transição crucial pode ter sido quase inevitável, dado o meio ambiente “certo”. Nós simplesmente não sabemos.
E, por fala nisso, limitar nossa atenção a planetas semelhantes à Terra é uma atitude muito antropocêntrica. Os escritores de ficção científica têm outras ideias – criaturas parecidas com balões flutuando em densas atmosferas de planetas parecidos com Júpiter, enxames de insetos inteligentes,  robôs em escala nanomértica, etc. Talvez  a vida possa florescer até mesmo em um planeta aremessado à escuridão gelada do espaço interestelar, cuja principal fonte de calor seja a radioatividade interna (o mesmo processo que aquece o núcleo da Terra). Poderiam haver estruturas vivas difusas, flutuando livremente em nuvens interestelares; tais entidades viveriam (e, se fossem inteligentes, pensariam) em câmera lenta, porém, não obstante, poderiam ser reconhecidas num futuro de longo prazo.
Nós também devemos ter em mente que sinais aparentemente artificiais poderiam vir de computadores superinteligentes (embora não necessariamente dotados de consciência), criados por uma raça de seres alienígenas que já teria se extinguido.
Talvez um dia encontremos ETs. Por outro lado, a procura por vida extraterrestre pode dar em nada – e aqueles 100.000 francos ficarão para sempre sem ganhador. O intrincado meio ambiente da Terra pode ser único. Isso poderá desapontar os pesquisadores. Mas também teria seu lado bom: isso permitiria que nós fôssemos mais modestos em termos cósmicos. Nosso planeta, embora minúsculo, teria uma grande importância no cosmos. E os primeiros viajantes interestelares da Terra teriam uma missão que ecoaria por toda a galáxia, e talvez além.


More than 100 years ago, a French foundation offered the grand prize of 100,000 francs to anyone who could prove the existence of extraterrestrial life. But there was an important proviso. Finding life on Mars didn’t count: that was deemed to be far too easy. Indeed, in the 19th century an eccentric American astronomer, Percival Lowell, had claimed to see “canals” on Mars, indicative of large-scale irrigation by an advanced civilisation.
Scientists are now far more dubious about the ubiquity of life than their counterparts in earlier centuries – the great astronomer William Herschel, for instance, thought the Moon, and even the Sun, was inhabited. But Mars, the Red Planet, has always seemed the best bet – and indeed it is still the most fascinating and Earth-like planet in our Solar System.
We now know for certain, of course, that there are no Martians of the kind familiar from science fiction – the kind that might provoke a “War of the Worlds”. But the existence of even the most primitive life on Mars would in itself be hugely interesting to scientists.
It would also have broader cosmic implications. If life had originated twice, independently, within our solar system, we’d have to conclude that it can’t be a rare fluke – and that the wider cosmos must teem with life, on zillions of planets orbiting other stars. But until we find life on Mars (or maybe on the moons of Jupiter or Saturn, or on a comet) it remains possible that life is very rare and special to our Earth.
That is why even the most tentative claims for life on Mars attract huge interest. This week there has been one such claim, recently reported by The Telegraph, that underground methane is “burping” through the Martian surface – possibly generated by organic stuff that was once alive. Let’s hope that future experiments can clarify this. It will certainly add interest to the European Space Agency’s ExoMars mission, which is planned for 2016, and will be able to dig deep below the surface of the Red Planet.
But I suspect what really drives our interest in Mars is the thought that one day, human beings may tread the Red Planet’s surface ourselves. We are getting used to the idea of robots achieving superhuman feats in space – it was the Curiosity rover that recorded these methane levels, and it came just weeks after the Rosetta probe landed on a comet – but there is still a desire to see humans play a role. As a scientist or practical man, I see little purpose in sending people into space at all. But as a human being, I’m an enthusiast for manned missions. I hope some people now living will walk on Mars – as an adventure, and as a step towards the stars.
In turn, what fuels my enthusiasm is the question: is there life out there already? Firm evidence for even the most primitive bugs on Mars would be hugely significant – and we may find something swimming under the ice of Europa or Enceladus, moons which orbit Jupiter and Saturn. No one, however, expects to find advanced life in the Solar System.
But let’s now widen our gaze to the other stars – far beyond the reach of any probe we can make today. Prospects here are far brighter. We’ve learnt something that makes the night sky far more interesting than it was to our forbears. Many stars – perhaps even most – are orbited by retinues of planets, just like the Sun is.
These planets are not detected directly but inferred by carefully observing their parent star – detecting the wobble in its motion induced by an orbiting planet’s gravity, or the slight dimming when a planet transits in front if it.
The next generation of telescopes, however, will be able to image planets the size of our Earth, orbiting other Sun-like stars. Will there be life on these planets? We know too little about how life began on Earth to lay confident odds. What triggered the transition from complex molecules to entities that can metabolise and reproduce? It might have involved a fluke so rare that it happened only once in the entire galaxy. On the other hand, this crucial transition might have been almost inevitable given the “right” environment. We just don’t know.
It’s too anthropocentric to limit attention to Earth-like planets, by the way. Science fiction writers have other ideas – balloon-like creatures floating in the dense atmospheres of Jupiter-like planets, swarms of intelligent insects, nanoscale robots etc. Perhaps life can flourish even on a planet flung into the frozen darkness of interstellar space, whose main warmth comes from internal radioactivity (the process that heats the Earth’s core). There could be diffuse living structures, freely-floating in interstellar clouds; such entities would live (and, if intelligent, think) in slow motion, but nonetheless may come into their own in the long-range future.
We should also be mindful that seemingly artificial signals could come from super-intelligent (though not necessarily conscious) computers, created by a race of alien beings that had already died out.
Maybe we will one day find ET. On the other hand, searches for extra-terrestrial life may fail – and that 100,000 francs will forever go unclaimed. Earth’s intricate environment may be unique. That may disappoint the searchers. But it would have its upside: it would entitle us to be less cosmically modest. Our planet, though tiny, could be cosmically important. And the first interstellar voyagers from Earth would have a mission that would resonate through the entire galaxy and perhaps beyond.

A mina de carvão a céu aberto Borodinsky


Visão geral da mina de carvão a céu aberto  Borodinsky, próxima à cidade siberiana de Borodino, a leste de Krasnoyarsk, Rússia.