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sábado, 14 de março de 2015

A não isenção da isenção



Roberto Damatta

Você violaria a lei mesmo ocupando um cargo com um salário de 500 mil por mês, como gerente da maior companhia de esterco do mundo? Pergunta o Diabo.

Se olharmos o fato racionalmente, pelas lentes do neodarwinismo e da neurociência, a resposta é "não!". Prevalece, diz o interrogado, a minha isenção as propinas e ofertas fora da curva. Fico preso ao meu cargo. E, tal como um ator de novela, eu seria devotado ao meu papel. 

Mas, continua o Diabo, e se o diretor da peça por ambição, ideologia, incompetência e mediocridade entender que o drama, digamos, uma comédia tivesse que virar uma tragédia e, para tanto, embaralhasse o texto da peça? 

Nesse caso, insiste o Demo, você toparia deixar de lado a isenção devida ao papel e ao enredo, embolsando, além do seu maravilhoso salário, imensas fortunas recebidas "por fora" recursos adicionadas a, por exemplo, uma refinaria de esterco em construção? 

Ou seja, você diria um "não" ao seu compromisso moral com a empresa e toparia ter uma invejável conta bancária, uma cobertura em Ipanema e uma offshore num paraíso fiscal socialista? Além de garantir uma vida de nobre para seus filhinhos?

Bem, nesse caso - pondera o interrogado pigarreando - sabedor do objetivo de sabotar a peça e compreendendo que o esterco é matéria valiosa e procurada, eu começaria a duvidar.

Como assim?

Eis um dado crítico. No nosso país, a isenção não é apenas uma questão de seguir uma lei e honrar um cargo. Ela varia com quem você se enturma. Se o aval para abandonar a isenção ética vem de um adversário, surge a letra da lei; mas se ele vem de um companheiro - eu, como a grande maioria, faz de tudo! A regra legal será dispensada e englobada por um outro tipo de ética. Pois, neste caso, a dominação patrimonial ou carismática fundada na ética da tradição familiar e do dar-e-receber, neutralizaria a esfera burocrática, justificando a tentação da falcatrua. A lei se curva diante dos amigos. Ademais, ela é, por natureza desigual, pois protege quem ocupa certos cargos. 

Então - insiste Satanás que está na lista dos 50 a serem investigados -, nessas circunstâncias, a não isenção da isenção é uma norma?

Sim, porque o sistema atua por meio de múltiplas éticas e cada cargo ou pessoa as invoca em momentos e circunstâncias diferenciadas. 

Então, ficar isento é impossível? Conclui o Demônio.

Não, mas é recomendável. Como aquele famoso personagem da Montanha Mágica de Thomas Mann, o campo chamado de "político" no Brasil se caracteriza pelo hábito da falta de hábito. Deste modo, o bom político, como o bom malandro, tem como referência o velho Pedro Malasartes: ele não é isento porque ele segue a ética de jamais ser isento. O malandro, você conhece isso muito bem, só é honesto por malandragem!

Como acreditar em isenções se o Executivo aparelhou a até não mais poder todo o sistema, inclusive o judiciário? Em quem acreditar ou confiar, eis a questão?

Sobrou o legislativo que entra em conflito com o Executivo por falta do que um sensível político nordestino (eles são craques...) chamou falta absoluta de gosto pela "pequena política" abominada pela presidenta. 

Como seguir normas, prosseguiu o interrogado, num sistema também legitimado pelo patrimonialismo e, nele, pelas simpatias pessoais que cruzam todas as fronteiras debaixo de uma ética de simpatias, afinidades e favores? Tudo isso que somente agora, devido ao tamanho do escândalo, começa a ser politizado por via jurídica, no Brasil? 

Realmente, diz o Cão, num mundo de barões que, no entanto, amam a legitimidade da jurisprudência teológica lusa, o dono (ou dona) do país tem que aparar arestas. Se não se faz esse papel, o sistema entra em crise. Ele emperra não por uma ausência de ética, mas pela invocação de todas elas simultaneamente.

O Diabo afirma: Lula foi capaz de governar embaralhando todas as isenções. Usou todas as éticas e hoje acena com a força bruta. É dessa liberdade sem freio, herança de um viés escravocrata e aristocrático, que faz nascer essa insuportável ambiguidade política na forma de populismo e demagogia. Delas resulta não um povo governado, mas possuído (ou patriarcalmente "cuidado") numa perversão da democracia. Dilma, porém, não consegue se comunicar... 

Mas eu quero confessar! Explodiu o interrogado. Eu roubo em nome do partido para ajudar o povo pobre. 

Então, arrisca Satanás, a corrupção se legitima em nome de uma causa maior. Mas como jogar se os times se confundem e não há isenção? Se empresas importantes foram sujeito e objeto de acordos escusos com o governo? E, a parte lúcida do estádio, clama por normas sem as quais não há vida civilizada?

Os exércitos acionados por Lula já destruíram um centro de pesquisa convocando ao palco o mais tenebroso ator da política: a violência. Com ela e disso eu entendo! - advertiu o Diabo - não há isenção ou salvação!

Pilares e jatos na Nebulosa do Pelicano | Pillars and Jets in the Pelican Nebula


Que estruturas escuras brotam da Nebulosa do Pelicano? Visível como uma nebulosa com formato de pássaro próxima à constelação de um pássaro (Cygnus, o Cisne), a Nebulosa do Pelicano é um lugar pontilhado de estrelas recém-formadas, mas sujas de poeira escura

Esses grãos de poeira de tamanho de fumaça foram formados nas frias atmosferas de jovens estrelas e  dispersados por ventos estelares e explosõess. Impressionantes jatos Herbig-Haro são vistos sendo emitidos por uma estrela à direita, que está ajudando a destruir o pilar de um ano-luz de comprimento que a contém

A imagem aqui mostrada foi colorida cientificamente para enfatizar a luz emitida por pequenas quantidades de nitrogêniooxigênio e enxofre ionizados na nebulosa feita predominantemente de hidrogênio e hélio

A Nebulosa do Pelicano (IC 5067 e IC 5070) está distante cerca de 2.000 anos-luz e pode ser encontrada através de pequenos telescópios, a  nordeste da brilhante estrela Deneb.

Tradução de Luiz Leitão

What dark structures arise from the Pelican Nebula? Visible as a bird-shaped nebula toward the constellation of a bird (Cygnus, the Swan), the Pelican Nebula is a place dotted with newly formed stars but fouled with dark dust. 

These smoke-sized dust grains formed in the cool atmospheres of young stars and were dispersed by stellar winds and explosions. Impressive Herbig-Haro jets are seen emitted by a star on the right that is helping to destroy the light year-long dust pillar that contains it. 

The featured image was scientifically-colored to emphasize light emitted by small amounts of ionized nitrogenoxygen, and sulfur in the nebula made predominantly of hydrogen and helium

The Pelican Nebula (IC 5067 and IC 5070) is about 2,000 light-years away and can be found with a small telescope to the northeast of the bright star Deneb.

O Pequeno Sombrero


Galáxias podem assumir várias formas e ser  orientadas de qualquer forma em relação a nós no céu. Isso pode dificultar a identificação de sua real morfologia, já que galáxias podem parecer muito diferentes quando observadas de pontos de vista variados. Um caso especial é quando temos sorte suficiente de observar uma galáxia espiral  diretamente de sua borda, obtendo uma visão espetacular, como esta que aparece na foto.

Esta é NGC 7814, também chamada “Pequeno Sombrero.” Sua xará maior, a Galáxia do Sombrero, é outro impressionante exemplo de galáxia com a borda voltada para o observador — na verdade, o “Pequeno Sombrero” tem, aproximadamente, o mesmo tamanho de sua brilhante xará com cerca de 60.000 anos-luz de diâmetro, porém situa-se mais distante, parecendo, portanto, menor no céu.

NGC 7814  tem um bulbo central brilhante e um halo brilhante de gás incandescente espalhando-se para fora no espaço. Os poeirentos braços espirais aparecem como riscas escuras. Eles consistem em material poeirento que absorve e bloqueia a luz do centro galáctico atrás dele. O campo de visão desta imagem do telescópo Hubble da NASA/ESA seria muito impressionante mesmo sem  NGC 7814 na frente; pois quase todos os objetos que aparecem nesta foto também são galáxias. 


Tradução de Luiz Leitão

Galaxies can take many shapes and be oriented any way relative to us in the sky. This can make it hard to figure out their actual morphology, as a galaxy can look very different from different viewpoints. A special case is when we are lucky enough to observe a spiral galaxy directly from its edge, providing us with a spectacular view like the one seen in this picture of the week.

This is NGC 7814, also known as the “Little Sombrero.” Its larger namesake, the Sombrero Galaxy, is another stunning example of an edge-on galaxy — in fact, the “Little Sombrero” is about the same size as its bright namesake at about 60,000 light-years across, but as it lies farther away, and so appears smaller in the sky.

NGC 7814 has a bright central bulge and a bright halo of glowing gas extending outwards into space. The dusty spiral arms appear as dark streaks. They consist of dusty material that absorbs and blocks light from the galactic center behind it. The field of view of this NASA/ESA Hubble Space Telescope image would be very impressive even without NGC 7814 in front; nearly all the objects seen in this image are galaxies as well. 

sexta-feira, 13 de março de 2015

A Nasa confirma a existência de um oceano em uma lua de Júpiter | Nasa confirms ocean on Jupiter moon, raising prospects for life



Cientistas utilizando o Telescópio Espacial Hubble confirmaram que a lua joviana  Ganimedes tem um oceano sob sua superfície gelada, trazendo a possibilidade de existência de vida por lá, disse a Nasa na terça-feira.
A descoberta resolve um mistério a respeito da maior lua do sistema solar, depois que a agora extinta espaçonave Galileu forneceu pistas de que Ganymedes tem um oceano subterrâneo durante a exploração de Jupiter e suas luas, de 1995 a 2003.
Cientistas disseram aos  repórteres em uma coletiva de imprensa que foi necessário um trabalho de detetive para confirmar a descoberta.
Assim como a Terra, Ganimedes tem um núcleo de ferro líquido que gera um campo magnético, embora o campo magnético de Ganimedes esteja  embutido no de Júpiter. Isso foma uma dinâmica interessante, com visuais  comprobatórios – bandas  duplas de auroras brilhando ao redor das regiões polares norte e sul de Ganimedes.
À medida que Júpiter gira, seu campo magnético varia, fazendo as auroras de Ganimedes balançarem. Cientistas mediram o movimento e descobriram que found it fell short. Usando modelos por computador, eles perceberam que um oceano salino e eletricamente condutivo existente sob a superfície daquela lua estava agindo em oposição à atração magnética de Jupiter.
“Júpiter é como um farol marítimo cujos campos magnéticos mudam com a rotação do farol. Ele influencia a aurora,” disse o geofísico Joachim Saur, da Universidade de Colonha, na Alemanha.
“Com o oceano, o balanço é reduzido significativamente.”
Cientistas rodaram mais de 100 modelos por computador para ver se algo mais poderia estar afetando a aurora de  Ganimedes. Eles também repetiram as observações de sete horas de duração feitas com o Hubble e analisaram dados para ambos os cinturões de aurora.
“Isso nos dá  confiança na medição,” disse  Saur.
Jim Green, diretor da divisão de Ciências Planetárias da Nasa, classificou a descoberta como “uma demonstração muito surpreendente.”
“Eles desenvolveram uma nova abordagem para observar o interior de um objeto planetário com um   telescópio,” disse Green.
Ganimedes passa a integrar uma lista crescente de luas no sistema  solar externo que têm água sob a superfície. Na quarta-feira, cientistas informaram que a lua Encelado de Saturno tem fontes quentes sob sua crosta de gelo. Dentre outros corpos celestes ricos em água há as luas jovianas Europa e Calisto.
Cientistas calculam que o oceano tenha 100 km de espessura, 10 vezes mais profundo do que os oceanos da Terra, e está debaixo de uma crosta basicamente de gelo, com 150 km de espessura.
“É mais um passo para a descoberta de ambiente habitáveis, ricos em água, em nosso sistema solar,” disse o astrônomo Heidi Hammel, da Associação de Universidades para Pesquisas em Astronomia, sediada em Washington.




Scientists using the Hubble Space Telescope have confirmed that the Jupiter-orbiting moon Ganymede has an ocean beneath its icy surface, raising the prospects for life, Nasa said on Thursday.
The finding resolves a mystery about the largest moon in the solar system after Nasa’s now-defunct Galileo spacecraft provided hints that Ganymede has a subsurface ocean during exploration of Jupiter and its moons from 1995 to 2003.
Scientists told reporters on a conference call that it took some detective work to confirm the discovery.
Like Earth, Ganymede has a liquid iron core that generates a magnetic field, though Ganymede’s field is embedded within Jupiter’s magnetic field. That sets up an interesting dynamic with telltale visuals – twin bands of glowing aurora around Ganymede’s northern and southern polar regions.
As Jupiter rotates, its magnetic field shifts, causing Ganymede’s aurora to rock. Scientists measured the motion and found it fell short. Using computer models, they realised that a salty, electrically conductive ocean beneath the moon’s surface was counteracting Jupiter’s magnetic pull.
“Jupiter is like a lighthouse whose magnetic field changes with the rotation of the lighthouse. It influences the aurora,” said geophysicist Joachim Saur, with the University of Cologne in Germany.
“With the ocean, the rocking is significantly reduced.”

Scientists ran more than 100 computer models to see if anything else could be having an impact on Ganymede’s aurora. They also repeated the seven-hour, ultraviolet Hubble observations and analysed data for both belts of aurora.
“This gives us confidence in the measurement,” Mr Saur said.
An image made by Nasa’s Galileo spacecraft of Ganymede, Jupiter’s largest moon  Photo: AP/Nasa
Jim Green, Nasa Planetary Science Division director, called the finding “an astounding demonstration.”
“They developed new approach to look inside a planetary body with a telescope,” Mr Green said.
Ganymede joins a growing list of moons in the outer solar system with subsurface water. On Wednesday, scientists reported that Saturn’s moon Enceladus has hot springs beneath its icy crust. Other water-rich worlds include Jupiter moons Europa and Callisto.
Scientists estimate the ocean is 60 miles (100km) thick, 10 times deeper than Earth’s oceans, and is buried under a 95-mile (150km) crust of mostly ice.
“It is one step further toward finding that habitable, water-rich environment in our solar system,” said astronomer Heidi Hammel with the Washington-based Association of Universities for Research in Astronomy.

Uma galáxia e um aglomerado criam quatro imagtens de uma distante supernova | Galaxy and Cluster Create Four Images of Distant Supernova


O que são os incomuns pontos ao redor daquela galáxia? São todos  imagens  da mesma supernova. Pela primeira vez, uma só explosão de supernova foi vista dividida em múltiplas  imagens por deflexões de lente gravitacional de massas interferentes. 

Neste caso, as massas são uma grande galáxia e do aglomerado que a abriga. A imagem aqui mostrada foi registrada em novembro do ano passado pelo Telescópio Espacial Hubble, que orbita a Terra

A supernova de tom amarelado na imagem quadruplicada, chamada Supernova Refsdal, ocorreu no universo primitivo, muito atrás do aglomerado. 

As medições de localizações de lapsos temporais entre as imagens da supernova deverão permitir aos astrofísicos recuperar a quantidade de matéria escura na galáxia e no aglomerado

Com paciência e alguma sorte, uma quinta  imagem da supernova também será recuperada nas proximidades dentro de poucos anos.

Tradução de Luiz Leitão

What are the unusual spots surrounding that galaxy? They are all images of the same supernova. For the first time, a single supernova explosion has been seen split into multiple images by the gravitational lens deflections of intervening masses. 

In this case the masses are a large galaxy and its home galaxy cluster. The featured image was captured last November by the Earth-orbiting Hubble Space Telescope. The yellow-hued quadruply-imaged Supernova Refsdal occurred in the early universe far behind the cluster. 

Measuring the locations and time-delays between the supernova images should allow astrophysicists to recover the amount of dark matter in the galaxy and cluster. 

With patience and luck, a fifth image of the supernova will also be recovered nearby in the next few years.


Um demônio de poeira em Marte | A Dust Devil on Mars


Era quase final de primavera no norte de Marte quando a câmera HiRISE a bordo do  Mars Reconnaissance Orbiter espionou este habitante local. Cruzando através da plana Amazonis Planitia coberta de poeira, em 2012, o núcleo deste redemoinho "demônio de poeira" tem cerca de 140 metros de diâmetro. 

Jogando para o alto poeira pela fina atmosfera marciana, sua nuvem atingia a distância de uns 20 quilômetros acima da superfície. Comuns nesta região de Marte, os demônios de poeira ocorrem quando a superfície é aquecida pelo Sol, gerando correntes ascendentes de ar morno que começam a girar. Outras imagens do HiRISE revelam velocidades tangenciais de ventos de até 110 quilômetros por hora em "demônios de poeira".

Tradução de Luiz Leitão

It was late in the northern martian spring when the HiRISE camera onboard the Mars Reconnaissance Orbiter spied this local denizen. Tracking across the flat, dust-covered Amazonis Planitia in 2012, the core of this whirling dust devil is about 140 meters in diameter.

Lofting dust into the thin martian atmosphere, its plume reaches about 20 kilometers above the surface. Common to this region of Mars, dust devils occur as the surface is heated by the Sun, generating warm, rising air currents that begin to rotate. Tangential wind speeds of up to 110 kilometers per hour are reported for dust devils in other HiRISE images.




quinta-feira, 12 de março de 2015

O governo mente e a oposição cala‏


José Nêumanne

Dilma e PT são os únicos responsáveis pelo desabamento da popularidade dela
Bruno Araújo (PSDB-PE), líder da minoria, provocou rebuliço no plenário da Câmara dos Deputados ao reproduzir do alto da tribuna áudio em que a presidente Dilma Rousseff garantia, há dois anos, reduzir a conta da luz em 18%. “O Brasil terá energia cada vez melhor e mais barata”, disse ela, então, condenando “previsões alarmistas”.
O diabo é que o consumidor bancará nas contas deste ano fundo de R$ 20 bilhões que antes era cobrado do contribuinte, via Tesouro Nacional: ou seja, tirará de um bolso em vez do outro. Fala-se em aumento de 40% a 80%. E mais: para o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, do governo federal, o risco de faltar eletricidade no Sudeste e Centro-Oeste chegou em fevereiro ao índice mais alto dos últimos anos: 7,3%. Em janeiro era de 4,9%. Essa foi a única das várias mentiras contadas por Dilma e pelo PT no poder há 12 anos exposta de forma cabal pelos oposicionistas após grande exposição nas redes sociais. Nesse ringue a luta tem sido feroz, com combativos e grosseiros militantes petistas e antipetistas abusando impunemente da liberdade de se insultarem.
Na mesma ocasião em que o parlamentar pernambucano expôs essa falácia, a Nação tomou conhecimento de depoimento em delação premiada do ex-gerente da Petrobrás Pedro Barusco. Nele este fez uma denúncia gravíssima: teriam sido transferidos US$ 200 milhões do propinoduto da Petrobrás para os cofres do partido pelo qual a presidente foi reeleita. Contou ainda que ele próprio tinha recebido da SBM holandesa de US$ 25 mil a US$ 50 mil por mês, dependendo do valor do contrato, desde 1997 ou 1998, ou seja, durante o segundo governo de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB.
O tesoureiro João Vaccari Neto foi defendido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na festa dos 35 anos do PT, com uma paródia da secular frase latina in dubio pro reo: “Na dúvida, fique com o companheiro”. Fernando Henrique disse, como repete Dilma, que “quer que a investigação vá até o fim”. E o PSDB calou.
Concomitantemente, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) anulou a eleição do desagravado Vaccari para a presidência da Cooperativa dos Bancários (Bancoop), em 2009. Pela segunda vez a Justiça paulista concluiu que foi irregular a assembleia-geral da cooperativa que também aprovou contas da entidade. Esta, segundo o Ministério Público, serviu de fonte de recursos desviados para o PT. Em 27 de janeiro, a 9.ª Câmara de Direito Privado do TJSP rejeitou a apelação da Bancoop contra a sentença da primeira instância que já havia suspendido e considerado nulos todos os atos da assembleia, entres eles a aprovação das contas de Vaccari. Ainda cabe recurso ao Superior Tribunal de Justiça.
Será que a oposição vai esperar a decisão final do Supremo Tribunal Federal (STF) para fazer o que dela se espera desde 2009? Naquele ano, os computadores de jornalistas e políticos brasileiros passaram a receber diariamente as reclamações dos bancários que quitaram seus apartamentos financiados pela Bancoop, mas jamais os ocuparam. Até quando Lula e o presidente nacional do PT, Rui Falcão, poderão repetir sem contestação que o companheiro tesoureiro é um homem probo, que nunca embolsou um centavo que não fosse de direito seu? Talvez seja útil advertir ao presidente e ainda presidenciável do PSDB Aécio Neves que os petistas continuam contando com essa omissão deles para ousar.
E como ousam! O STF condenou a antiga cúpula do partido da presidente e do ex à prisão por vários crimes, entre os quais corrupção e formação de quadrilha. E os condenados até hoje são tratados como heróis. O ex-tesoureiro Delúbio Soares foi preso. Mas seu sucessor, que ainda responde na Justiça a várias acusações dos mutuários da Bancoop, se recusou a permitir a entrada dos policiais federais que foram buscá-lo em casa para depor “sob vara” no processo do petrolão.
Na festança do PT, Lula disse que “não querem nem deixar concluir o mandato da Dilma”. Ela não se fez de rogada e proclamou: “Os que são inconformados com o resultado das urnas só têm medo de uma coisa – da mobilização da sociedade em repúdio a qualquer tentativa de golpe”. Falta-nos alguém para explicar com paciência, clareza e firmeza que não se prepara golpe, mas só se exerce o direito inquestionável de discordar da autoridade e cobrar o estelionato eleitoral de quem mentiu para vencer e governa fazendo-se de surdo.
O cinismo petista não impediu, contudo, a queda da popularidade da presidente medida pelo Datafolha. Só que a oposição em nada contribuiu para isso. O cidadão tirou suas conclusões sozinho, para desgraça de João Santana, o Patinhas do Bendegó. Dois exemplos recentes autorizam essa conclusão. Primeiramente, em 29 de janeiro o jurista Modesto Carvalhosa, especialista em leis de combate à corrupção, teve publicado neste mesmo espaço o artigo A virgindade da Lei Anticorrupção, no qual adverte que, ao impor sua “vontade”, a presidente comete, sem saber, crime de responsabilidade. Nos últimos 12 dias ficou patente que Dilma não deu sinal de ter lido a advertência nem resolvido se precaver e corrigir os erros. Em compensação, prócer nenhum da oposição tratou de, pelo menos, divulgar o alerta e explicar as consequências funestas para qualquer cidadão do desgoverno de Dilma.
Em segundo lugar, no domingo outro jurista apartidário, Ary Oswaldo Mattos Filho, da Fundação Getúlio Vargas, garantiu, em entrevista ao Estado, que, ao reter o preço da gasolina, o governo Dilma infringiu a Constituição, a Lei das S.A. e o Estatuto da Petrobrás, sendo assim possível que acionistas minoritários movam ação de responsabilidade. Mas político nenhum até agora levou esse gravíssimo aviso aos plenários do Congresso ou o divulgou à opinião pública pelos meios de comunicação.
O governo mente, a oposição cala e nós ficamos no mato sem cachorro.
Jornalista, poeta e escritor
(Publicado na PagA2 do Estado de S. Paulo da quarta-feira 11 de fevereiro de 2015)


quarta-feira, 11 de março de 2015

Estrelas no centro galáctico | Stars at the Galactic Center


O centro da Via Láctea está oculto para os olhos curiosos dos telescópios ópticos por nuvens de poeira e gás obscurecedores. Mas nesta vista deslumbrante, as câmeras infravermelhas do Telescópio Espacial Spitzer penetram boa parte da poeira, revelando as estrelas da populosa região do centro galáctico

Um mosaico formado por muitas fotos menores, a detalhada imagem em cores artificiais mostra estrelas mais velhas e frias em tons azulados. Nuvens de poeira avermelhada incandescente estão relacionadas a jovens estrelas quentes em nascedouros estelares. 

Apenas recentemente descobriu-se que o centro mesmo da Via Láctea é capaz de formar novas estrelas. O centro galáctico situa-se a cerca de 26.000 anos-luz, próximo à constelação de Sagitário. A tal distância, esta foto abrange cerca de 900 anos-luz.

Tradução de Luiz Leitão

The center of our Milky Way Galaxy is hidden from the prying eyes of optical telescopes by clouds of obscuring dust and gas. But in this stunning vista, the Spitzer Space Telescope's infrared cameras, penetrate much of the dust revealing the stars of the crowded galactic center region. 

A mosaic of many smaller snapshots, the detailed, false-color image shows older, cool stars in bluish hues. Reddish glowing dust clouds are associated with young, hot stars in stellar nurseries. 

The very center of the Milky Way was only recently found capable of forming newborn stars. The galactic center lies some 26,000 light-years away, toward the constellation Sagittarius. At that distance, this picture spans about 900 light-years.

NGC 602 na Nebulosa do Lagarto Voador | NGC 602 in the Flying Lizard Nebula


Perto das cercanias da Pequena Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite distante uns 200 mil anos-luz, situa-se o jovem aglomerado estelar NGC 602, de apenas 5 milhões de anos. 

Circundado por gás natal e poeira, NGC 602 está logo abaixo do centro neste campo de visão telescópica com o tamanho angular da Lua cheia no céu. O aglomerado em si tem cerca de 200 anos-luz. 

Cristas incandescentes interiores a formas curvas para trás sugerem fortemente que ondas de choque e radiação energética das grandes estrelas de NGC 602 erodiram o material poeirento e desencadearam uma progressão de formação estelar movendo-se para fora do centro do aglomerado. Certamente, as asas de emissões mais estendidas que há na região sugerem um nome popular para o complexo meio ambiente cósmico: A Nebulosa do Lagarto Voador.

Tradução de Luiz Leitão

Near the outskirts of the Small Magellanic Cloud, a satellite galaxy some 200 thousand light-years distant, lies 5 million year young star cluster NGC 602. 

Surrounded by natal gas and dust, NGC 602 is just below center in this telescopic field of view with the angular size of the Full Moon on the sky. The cluster itself is about 200 light-years in diameter. 

Glowing interior ridges and swept back shapes strongly suggest that energetic radiation and shock waves from NGC 602's massive young stars have eroded the dusty material and triggered a progression of star formation moving away from the cluster's center. Of course, the more extended wings of emission in the region suggest a popular name for the complex cosmic environment, The Flying Lizard Nebula.

terça-feira, 10 de março de 2015

Vídeo: Tinta autolimpante




Uma nova tinta, desenvolvida por uma equipe de pesquisadores da UCL produz robustas superfícies autolimpantes.
O revestimento, que pode ser aplicado a roupas papel, vidro e aço quando combinado com adesivos, maintém suas propriedades autolimpantes mesmo após ser raspado com uma faca, ou lixado.
Superfícies autolimpantes funcionam sendo extremamente repelentes a água, mas frequentemente deixam de funcionar quando são danificadas ou expostas a óleos.
A nova tinta cria uma superfície mais resiliente, que é resistente ao desgaste e ruptura do dia a dia, portanto, poderia ser usada para uma ampla variedade de usos no mundo real, desde roupas a carros, dizem os pesquisadores.
Ser à prova d'água permite aos materiais limparem a si mesmos, já que a água forma gotículas em forma de bolas de gude que rolam sobre a superfície, atuando como aspiradores em miniatura recolhendo a sujeira, virus e bactérias pelo caminho.
Para isso, a superfície precisa ser áspera e cerosa, de forma que se possa criar essas condições em superfícies duras e moles projetando nossa própria tinta e combinando-a com diferentes adesivos para ajuadar as superfícies a resisitir aos estragos.
O estudo, envolvendo pesquisadores da UCL, do Imperial College em Londres e da Universidade de Tecnologia de Dalian (China) e publicado na revista Science, mostra como a nova tinta feita de nanopartículas revestidas com dióxido de titânio pode dar a uma ampla gama de materiais proprieadades autolimpantes, mesmo durante e após imersão em óleo e e danos à superfície.
A tinta funcionou muito bem para uma variedade de superfícies em condições adversas que foram projetadas para  simular o desgaste e ruptura de materiais no mundo real. Por exemplo, a pintura dos carros frequentemente é riscada, e queremos garantir que a tinta sobreviva a isso. Além de usos práticos, a tinta também poderia ser usada criativamente para criar arte com água.

Cometary Globule CG4 | Glóbulo Cometário CG4


O esmaecido e um tanto ameaçador glóbulo cometário CG4 cruza o centro desta profunda paisagem celeste sulina. Distante cerca de 1.300 anos-luz da Terra, próxima à constelação de Puppis (Popa), sua cabeça tem cerca de 1,5 ano-luz de diâmetro, e sua cauda, aproximadamente 8  anos-luz de extensão. 

Isso é muito maior do que os cometas do sistema solar que ele parece lembrar. Na verdade, a nuvem poeirenta contém material suficiente para formar várias estrelas semelhantes ao Sol,e, provavelmente, contém formação estelar em andamento. 

Como sua forma diferenciada surgiu é algo que ainda é objeto de debates, mas sua longa cauda se estende dos remanescentes da  Supernova Vela, próximos ao centro da Nebulosa de Gum, enquanto sua cabeça poderia representar a ruptura  de uma nuvem originalmente mais esférica. 

Ainda assim, a galáxia espiral com a borda voltada para fora também próxima ao centro da foto não está, na verdade, sendo ameaçada por CG4. A galáxia situa-se no distante plano de fundo, a mais de 100 milhões de anos-luz.

Tradução de Luiz Leitão

The faint and somehow menacing cometary globule CG4 reaches through the center of this deep southern skyscape. About 1,300 light-years from Earth toward the constellation Puppis, its head is about 1.5 light-years in diameter and its tail about 8 light-years long. 

That's far larger than the Solar System's comets that it seems to resemble. In fact, the dusty cloud contains enough material to form several Sun-like stars and likely has ongoing star formation within. 

How its distinctive form came about is still debated, but its long tail trails away from the Vela Supernova remnant near the center of the Gum Nebula, while its head could represent the rupture of an originally more spherical cloud. 

Still, the edge-on spiral galaxy also near picture center is not actually being threatened by CG4. The galaxy lies in the distant background more than 100 million light-years away.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Um planeta com quatro estrelas-mães | Planet 'Reared' by Four Parent Stars

Crescer como um planeta com mais de uma estrela-mãe tem lá seus desafios. Embora os planetas do nosso sistema solar orbitem apenas uma estrela — o Sol —, outros planetas, mais distantes, chamados exoplanetas, podem ser criados em famílias com duas ou mais estrelas. Um grupo de pesquisadores que desejava saber ais a respeito das complexas influências de múltiplas estrelas  em planetas apresentou dois novos estudos de casos: foi descoberto um planeta com três estrelas-mães, e outro, com quatro.
As descobertas foram feitas com instrumentos instalados em telescópios no Observatório Palomar, em San Diego, Califórnia: o sistema  óptico adaptativo Robo-AO, desenvolvido pelo Centro Inter-Universitário de Astronomia e Astrofísica na Índia  e o Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena, e o sistema óptico adaptativo PALM-3000.
Esta é apenas a segunda vez que um planeta é identificado em um sistema estelar quádruplo. Embora o planeta já fosse conhecido, acreditava-se que tinha apenas três estrelas, e não quatro. O primeiro planeta quadriestelar, KIC 4862625, foi descoberto em 2013 por cientistas cidadãos usando dados públicos da missão Kepler da NASA.
A mais recente descoberta sugere que planetas em sistemas estelares  quádruplos podem ser menos raros do que se pensava. Na verdade, pesquisas recentes mostraram que esse tipo de sistema estelar, que normalmente consiste em dois pares de estrelas gêmeas lentamente orbitando uma à outra a grandes distâncias, é mais comum do que antes se imaginava.
"Cerca de quatro por cento das estrelas do tipo solar estão em sistemas quádruplos, que é maior do que estimativas anteriores porque as técnicas observacionais estão se aprimorando continuamente," disse o coautor Andrei Tokovinin do Observatório  Interamericano Cerro Tololo, no Chile.
O sistema planetário quadriestelar recém-descoberto, chamado 30 Ari, está localizado a 136 anos-luz de distância, na  constelação de Áries. O planeta gasoso do sistema é enorme, com 10 vezes a massa de Júpiter, e orbita sua estrela primária a cada 335 dias. A estrela primária tem uma estrela parceira relativamente próxima, que o planeta não orbita. Este par, por sua vez, está travado em uma órbita de longa distância com outro par de estrelas, à distância de 1.670 unidades astronômicas (uma unidade astronômica é a distância entre a Terra e o Sol). Astrônomos acreditam ser latamente improvável que esse planeta, ou qualquer lua que o orbite, possa abrigar vida.
Se fosse possível ver o céu deste planeta, as quatro estrelas-mães pareceriam um pequeno Sol e duas estrelas muito brilhantes que seriam visíveis à luz do dia. Uma dessas estrelas, se observada com um  telescópio suficientemente grande, poderia revelar-se um sistema binário, ou duas estrelas orbitando uma à outra.
Há poucos anos, dezenas de planetas com duas ou três estrelas-mães foram descobertos, inclusive aqueles com pôr-do-sol "Tatooine" remanescentes dos filmes Guerra nas Estrelas. Descobrir  planetas com méltiplas estrelas-mães não é nenhuma grande surpresa, considerando-se que estrelas binárias são mais comuns em nossa galáxia do que estrelas avulsas.
"Sistemas  estelares surgem em várias formas. Podem haver estrelas únicas, binárias, triplas, e até sistemas estelares quíntuplos," disse Lewis Roberts of JPL,  principal autor das novas descobertas publicadas na revista Astronomical Journal. "É encantadora a maneira como a natureza reúne essas coisas."
Roberts e seus colegas querem entender os efeitos que estrelas-mães múltiplas podem exercer sobre seus jovens planetas em desenvolvimento. Provas sugerem que estrelas companheiras podem influenciar o destino de planetas ao mudar as órbitas deles e até mesmo levando alguns a se tornarem ainda maiores. Por exemplo, os " Júpiters quentes" —planetas com aproximadamente a massa de Júpiter que giram mais próximos de suas estrelas em questão de poucos dias — podem ser gentilmente empurrados para mais perto de sua estrela-mãe primária pela mão gravitacional de uma estrela companheira.
No novo estudo, os pesquisadores descrevem o uso do sistema automatizado Robo-AO no Observatório Palomar para varrer o céu noturno, vasculhando centenas de estrelas a cada noite em busca de sinais de estrelas companheiras. Eles descobriram duas possíveis hospedeiras de exoplanetas: o sistema quadriestelar 30 Ari, e um sistema planetário triestelar chamado HD 2638. As descobertas foram confirmadas através do instrumento de mais alta resolução PALM-3000, também no Observatório Palomar.
O novo planeta com um trio de estrelas é um Júpiter quente que orbita a estrela primária muito de perto, completando uma volta a cada três dias. Cientistas já sabiam que esta estrela primária estava travada em um tango gravitacional com outra estrela, distante cerca de 0,7 ano-luz, ou 44.000 unidades astronômicas. Isso é relativamente bem distante para um par de estrelas companheiras. A mais recente descoberta é a de uma terceira estrela no sistema, que orbita a estrela primária de uma distância de 28 unidades astronômicas — suficientemente perto para ter influenciado o desenvolvimento do Júpiter quente e sua órbita final.
"Esse resultado reforça a conexão entre sistemas estelares múltiplos e grandes planetas," disse Roberts.
No caso de Ari 30, a descoberta aumentou de três para quatro o número de  estrelas conhecidas no sistema. A quarta estrela situa-se à distância de 23 unidades astronômicas do planeta. Embora esta estrela companheira e seu planeta estejam mais próximos um do outro do que aqueles no sistema HD 2638, a estrela recém-descoberta não parece ter influenciado a órbita do planeta. A razão  exata disso é incerta, portanto a equipe está planejando mais observações para melhor compreender a órbita da estrela e a dinâmica de sua complicada família.
Tradução de Luiz Leitão
Growing up as a planet with more than one parent star has its challenges. Though the planets in our solar system circle just one star -- our sun -- other more distant planets, called exoplanets, can be reared in families with two or more stars. Researchers wanting to know more about the complex influences of multiple stars on planets have come up with two new case studies: a planet found to have three parents, and another with four.
The discoveries were made using instruments fitted to telescopes at the Palomar Observatory in San Diego: the Robo-AO adaptive optics system, developed by the Inter-University Center for Astronomy and Astrophysics in India and the California Institute of Technology in Pasadena, and the PALM-3000 adaptive optics system, partially funded by NASA and developed by NASA's Jet Propulsion Laboratory in Pasadena, California, and Caltech.
This is only the second time a planet has been identified in a quadruple star system. While the planet was known before, it was thought to have only three stars, not four. The first four-star planet, KIC 4862625, was discovered in 2013 by citizen scientists using public data from NASA's Kepler mission.
The latest discovery suggests that planets in quadruple star systems might be less rare than once thought. In fact, recent research has shown that this type of star system, which usually consists of two pairs of twin stars slowly circling each other at great distances, is itself more common than previously believed.
"About four percent of solar-type stars are in quadruple systems, which is up from previous estimates because observational techniques are steadily improving," said co-author Andrei Tokovinin of the Cerro Tololo Inter-American Observatory in Chile.
The newfound four-star planetary system, called 30 Ari, is located 136 light-years away in the constellation Aries. The system's gaseous planet is enormous, with 10 times the mass of Jupiter, and it orbits its primary star every 335 days. The primary star has a relatively close partner star, which the planet does not orbit. This pair, in turn, is locked in a long-distance orbit with another pair of stars about 1,670 astronomical units away (an astronomical unit is the distance between Earth and the sun). Astronomers think it's highly unlikely that this planet, or any moons that might circle it, could sustain life.
Were it possible to see the skies from this world, the four parent stars would look like one small sun and two very bright stars that would be visible in daylight. One of those stars, if viewed with a large enough telescope, would be revealed to be a binary system, or two stars orbiting each other.
In recent years, dozens of planets with two or three parent stars have been found, including those with "Tatooine" sunsets reminiscent of the Star Wars movies. Finding planets with multiple parents isn't too much of a surprise, considering that binary stars are more common in our galaxy than single stars.
"Star systems come in myriad forms. There can be single stars, binary stars, triple stars, even quintuple star systems," said Lewis Roberts of JPL, lead author of the new findings appearing in the journal Astronomical Journal. "It’s amazing the way nature puts these things together."
Roberts and his colleagues want to understand the effects that multiple parent stars can have on their developing youthful planets. Evidence suggests that stellar companions can influence the fate of planets by changing the planets' orbits and even triggering some to grow more massive. For example, the "hot Jupiters" -- planets around the mass of Jupiter that whip closely around their stars in just days -- might be gently nudged closer to their primary parent star by the gravitational hand of a stellar companion.
In the new study, the researchers describe using the automated Robo-AO system on Palomar Observatory to scan the night skies, searching hundreds of stars each night for signs of stellar companions. They found two candidates hosting exoplanets: the four-star system 30 Ari, and a triple-star planetary system called HD 2638. The findings were confirmed using the higher-resolution PALM-3000 instrument, also at Palomar Observatory.
The new planet with a trio of stars is a hot Jupiter that circles its primary star tightly, completing one lap every three days. Scientists already knew this primary star was locked in a gravitational tango with another star, about 0.7 light-years away, or 44,000 astronomical units. That's relatively far apart for a pair of stellar companions. The latest discovery is of a third star in the system, which orbits the primary star from a distance of 28 astronomical units -- close enough to have influenced the hot Jupiter's development and final orbit.
"This result strengthens the connection between multiple star systems and massive planets," said Roberts.
In the case of Ari 30, the discovery brought the number of known stars in the system from three to four. The fourth star lies at a distance of 23 astronomical units from the planet. While this stellar companion and its planet are closer to each other than those in the HD 2638 system, the newfound star does not appear to have impacted the orbit of the planet. The exact reason for this is uncertain, so the team is planning further observations to better understand the orbit of the star and its complicated family dynamics.