Astronomia, astrofísica, astrogeologia, astrobiologia, astrogeografia. O macro Universo em geral, deixando de lado os assuntos mundanos. Um olhar para o sublime Universo que existe além da Terra e transcende nossas brevíssimas vidas. Astronomy astrophysics, astrogeology, astrobiology, astrogeography. The macro Universe in general, putting aside mundane subjects. A look at the sublime Universe that exists beyond Earth and transcends our rather brief life spans.
domingo, 15 de fevereiro de 2015
Duas horas antes de Netuno | Two Hours Before Neptune
Duas horas antes da aproximação máxima de Netuno, em 1989, a espaçonave robóticaVoyager 2 tirou esta foto. Claramente visíveis pela primeira vez, as longas nuvens tipo cirrus de cores claras flutuavam alto na atmosfera de Netuno.
Sombras dessas nuvens podem até ser vistas em plataformas de nuvens mais baixasa maioria da atmosfera de Netuno é composta de hidrogênio e hélio que é invisível. A cor azul de Netuno , portanto, deve-se a quantidades menores de metano atmosférico, que abosrvem preferenciamlmente luz vermelha.
Netuno tem os ventos mais velozes de todo o sistema Solar, com rajadas atingindo 2.000 quilômteros por hora. Especula-se que diamantes podem ser criados nas densas e quentes condições que existem sob os topos das nuvens de Urano e Netuno. Vinte e seis anos depois, a espaçonave New Horizons da NASA deverá ser a primeira a passar por Plutão, em julho deste ano de 2015.
Tradução de Luiz Leitão
Two hours before closest approach to Neptune in 1989, the Voyager 2 robot spacecraft snapped this picture. Clearly visible for the first time were long light-colored cirrus-type clouds floating high in Neptune's atmosphere.
Shadows of these clouds can even be seen on lower cloud decks. Most of Neptune's atmosphere is made of hydrogen and helium, which is invisible. Neptune's blue color therefore comes from smaller amounts of atmospheric methane, which preferentially absorbs red light.
Neptune has the fastest winds in the Solar System, with gusts reaching 2000 kilometers per hour. Speculation holds that diamonds may be created in the dense hot conditions that exist under the cloud tops of Uranus and Neptune. Twenty-six years later, NASA's New Horizons is poised to be the first spacecraft to zoom past Pluto this July.
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sábado, 14 de fevereiro de 2015
Explorando as Antenas | Exploring the Antennae
Distantes cerca de 60 milhões de anos-luz, na constelação sulina do Corvo, há duas grandes galáxias colidindo. As estrelas das duas galáxias, catalogadas como NGC 4038 e NGC 4039, muito raramente colidem durante o lento e pesado cataclisma, que dura centenas de milhões de anos.
Mas suas grandes nuvens de gás e molecular e poeira frequentemente o fazem, desencadeando furiosos episódios de formação estelar próximos ao centro dos detroços cósmicos.
Estendendo-se por cerca de 500 mil anos-luz, esta impressionante visão composta também revela novos aglomerados estelares e matéria atirados para longe do cenário do acidente por forças gravitacional.
A impressionante imagem cooperativa é um mosaico construído com o uso de dados de pequenos e grandes telescópios baseados em solo para mostrar correntes de maré gravitacional fortes e fracas, compostas com os brilhantes núcleos fotografados em detalhes extremos pelo Telescópio Espacial Hubble.
Certamente, a sugestiva aparência visual das longas estruturas arqueadas dão ao par de galáxias seu nome popular - As Antenas.
Tradução de Luiz Leitão
Some 60 million light-years away in the southerly constellation Corvus, two large galaxies are colliding. The stars in the two galaxies, cataloged as NGC 4038 and NGC 4039, very rarely collide in the course of the ponderous cataclysm, lasting hundreds of millions of years.
But their large clouds of molecular gas and dust often do, triggering furious episodes of star formation near the center of the cosmic wreckage.
Spanning about 500 thousand light-years, this stunning composited view also reveals new star clusters and matter flung far from the scene of the accident by gravitational tidal forces.
The remarkable collaborative image is a mosaic constructed using data from small and large ground-based telescopes to bring out large-scale and faint tidal streams, composited with the bright cores imaged in extreme detail by the Hubble Space Telescope.
Of course, the suggestive visual appearance of the extended arcing structures gives the galaxy pair its popular name - The Antennae.
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
Quando comi um veado
Roberto Damatta
Entre o início dos anos 1960 e meados dos anos 1970, eu tive uma vida marcada pela tentativa de compreender sem julgar costumes e valores de povos tribais que, àquela época - como ainda hoje são - eram chamados de "índios", "gente da idade da pedra" ou "selvagens". Seres naturais, ignorantes e obviamente incompetentes para gerenciar o que possuem - acima de tudo, suas reservas tidas como enormes - quando os nossos latifúndios ficam a salvo, inclusive de discussão.
Mas voltando a essa existência na qual a minha subjetividade era a todo momento fragmentada pelas tentativas dela sair para buscar ver o mundo do ponto de vista de uma outra humanidade, pois o meu ponto de partida não era uma teoria racista-evolucionista que ainda persiste disfarçada numa doutrina política e econômica do desenvolvimentismo que continuava (e continua) a dividir as humanidades em atrasadas (ou primitivos) e adiantadas (ou civilizadas) - obviamente tecnológicas, libertárias e democráticas. No dia 28 de julho de 1970, uma terça-feira, saboreei um suculento bife de cervídeo - veado campeiro, vermelho ou galheiro - já não me lembro mais e minhas notas não falam disso.
Seria uma refeição normal (e maravilhosa para quem comia de menos e descobria os mistérios de passar fome) não fosse pela carne da caça apresentada como saborosa, procurada e exclusiva, oferecida como favor por um exímio caçador Apinayé, devedor de algumas miçangas que recebia de mim e distribuía na aldeia. A carne do veado substituía a de gado, mais rara de ser consumida naqueles tempos em que comer veado era como consumir Friboi.
Lembro-me de dois fatos marcantes dessa comida. O primeiro foi a presença de meu saudoso irmão Renato, renomado economista e glorioso velejador, vice-campeão, com Fernão e Mariozinho, nos Pan-Americanos de Winnipeg, no Canadá. Entre continuar economista e virar antropólogo, meu irmão decidiu pela primeira carreira. Hoje não tenho dúvidas de que foi muito melhor porque, como diz meu ilustre colega Marshall Sahlins, se Deus nos expulsou do Paraíso e castigou com o trabalho, ele, caritativo, nos deu os economistas que ditam como devemos viver.
Ao lado da política, o nosso patrimonialismo que se mascarou ideologicamente tornou-se imbatível contratando parentes, amigos e companheiros de partido e de ideais revolucionários - tudo isso em eventual economês ou politiquês messiânico-coalizativo em nome da tal governabilidade ou mera roubalheira nacionalista - esse racionalizador de quase todas as paradas.
Renato viajou comigo e logo percebeu as dificuldades de realizar operações econômicas entre os Apinayé. Num ensaio que escreveu sobre o assunto, viu que o investimento numa venda na aldeia, feita por um líder político, não promovia lucros porque quando as pessoas iam comprar elas não se definiam como consumidores (um papel impessoal e anônimo), mas como parentes. Em outras palavras, como o parentesco era a matriz cosmopolítica englobante, comprar a crédito ou fiado (na base da fé) impedia a cobrança, deixava descoberto o dono do negócio, bloqueado de reaver o seu investimento pela ética patrimonialista enraizada no ideal de reciprocidade do parentesco.
Meu irmão morreu, o dono da venda indígena (que foi um dos meus mais queridos instrutores) também partiu, mas o Brasil, que se acha moderno, continuou enjaulado nesse patrimonialismo da casa e da rua, dos de dentro e dos de fora, quando os ideais igualitários são canibalizados pelos elos e o tecido imenso de favores que ainda é o tapete no qual pisam quase todos nós e, é claro, os nossos irmãos, padrinhos e amigos - os políticos que, naturalmente, não vieram de Marte. Quem é o mais primitivo, quem come mais veados, quem mais ilegítima pela roubalheira amistosamente mais pornográfica: nós ou eles?
O segundo evento foi um acidente. No momento em que mordi um pedaço do veado, meu molar da arcada esquerda inferior topou com um pedacinho de osso e ali começou uma dor excruciante.
Do dia seguinte, cruzei o Tocantins deixando Goiás para Porto Franco, no Maranhão, de onde tomei um ônibus para Imperatriz. Lá, saí em busca de um dentista. Era como encontrar um diretor honesto na Petrobrás, mas finalmente fui examinado por um senhor atencioso. Honesto, ele foi logo me indicando que o tratamento seria doloroso e demorado e, nas minhas circunstâncias, inviável. Compreendi imediatamente o que queria dizer quando vi que a sua broca era de pedal porque Imperatriz tinha energia elétrica intermitente. No dia seguinte, dopado por aspirina, tomei um avião para Brasília onde arranquei, com a ajuda de Roque Laraia, o molar estragado pelo osso do veado. Hoje tenho um implante que, me asseguram, é como a desonestidade do governo petista, à prova de tudo.
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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
Piton de la Fournaise
O vulcão Piton de la Fournaise na Ilha Reunião (França), no Oceano Índico. Após permanecer dormente por três anos, esta é a segunda vez que o vulcão desperta neste ano.
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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
Close Encounter with M44 | Encontro próximo com M44
Na segunda-feira, 26 de janeiro de 2015, o bastante acompanhado asteroide 2004 BL86 chegou à sua aproximação máxima, a mero 1,2 milhão de quilômetros de nosso agradável planeta.
Isso equivale a 3,1 vezes a distância Terra-Lua, ou 4 segundos-luz. Movendo-se rapidamente através do céu noturno da Terra, ele deixou esta risca em uma exposição de 40 minutos de duração em 27 de janeiro, em Piemonte, Itália.
O notavelmente belo campo de visão inclui M44, também chamada aglomerado estelar da Colmeia ou Praesepe em Caranguejo. É claro que seu encontro próximo com M44 é apenas aparente, com o aglomerado aproximadamente na mesma linha de visão do asteroide próximo à Terra.
A real distância entre o aglomerado estelar e o asteroide é de cerca de 600 anos-luz. Ainda assim, a grande aproximação do planeta Terra permitiu obter imagens de radar detalhadas com a antena Deep Space Network da NASA, em Goldstone, Califórnia, e revelaram que o asteroide tem uma lua própria.
Tradução de Luiz Leitão
On Monday, January 26, well-tracked asteroid 2004 BL86 made its closest approach, a mere 1.2 million kilometers from our fair planet. That's about 3.1 times the Earth-Moon distance or 4 light-secondsaway.
Moving quickly through Earth's night sky, it left this streak in a 40 minute long exposure on January 27 made from Piemonte, Italy.
The remarkably pretty field of view includes M44, also known as the Beehive or Praesepe star cluster in Cancer. Of course, its close encounter with M44 is only an apparent one, with the cluster nearly along the same line-of-sight to the near-earth asteroid.
The actual distance between star cluster and asteroid is around 600 light-years. Still, the close approach to planet Earth allowed detailed radar imaging from NASA's Deep Space Network antenna at Goldstone, California and revealed the asteroid to have its own moon.
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Vídeo: A queda do TransAsia Airways ATR 72-600
Um voo de uma companhia aérea taiwanesa com 58 pessoas a bordo sofreu uma forte inclinação lateral, passou sobre uma ponte e caiu sobre um rio raso, logo após decolar de Taipei. Ao menos 15 pessoas foram resgatadas sem ferimentos, mas várias morreram no acidente. Dramás videoclipes aparentemente feitos a bordo de carros foram postos no ar online e por emissoras, mostrando o turboélice ATR 72 virando de lado e caindo em direção à ponte, terminando sua trajetória no rio logo abaixo.
O piloto pede socorro pelo rádio, avisando que uma turbina está em chamas.
domingo, 1 de fevereiro de 2015
Um 'dois mil e cinzas' com sede, suor e trevas
José Nêumanne - O Estado de S.Paulo
Dilma Rousseff não sabe o que perdeu deixando de ir ao Fórum Econômico Mundial, em Davos. Pois, não indo, não teve a chance de ouvir o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, pedir aos governantes coragem para mudar, para reformar. "Há uma janela e um período de oportunidade excepcional e o papel dos políticos é atender o momento, carpe diem, em que podemos escolher o futuro", disse ele. Ela preferiu comparecer à posse do cocalero Evo Morales na presidência da Bolívia a aprender com o europeu o óbvio ululante de que para decepar os nós górdios da economia há que antes reduzir os ônus da política.
Nos Andes, ela ouviu o colega vizinho asseverar com franqueza: "Na Bolívia, não mandam os 'Chicago boys'". Enquanto isso, nos Alpes, um "Chicago boy" da melhor estirpe, o ministro da Fazenda dela, Joaquim Levy, vulgo "mãos de tesoura", encantou o chamado mercado neocapitalista mundial por sua coragem de dar notícias ruins aos cidadãos brasileiros, mal eles foram expulsos da Disneylândia eleitoral dos petralhas. Enquanto o subordinado gozava seus cinco minutos (talvez de dois a três anos) de poder e glória, a chefe saboreava sua volta à segurança da clandestinidade. Depois de um ano inteiro prometendo ao Zé Mané mundos e fundos para arrebanhar votos, sob os auspícios do marqueteiro João Santana (o poeta Patinhas do Bendegó), nada como fugir para um lugar onde não tinha de explicar que era tudo "mentirinha de marketing". Sem deixar de aplicar os beliscões de praxe para mostrar quem manda.
Levy é economista e pensa que tem a força. Dilma, que se acha economista, é que manda e desmanda. Manda quem pode, quem tem juízo obedece. No palanque, ela jurou que devolveria os excessos inflacionários tungados do contribuinte no Imposto de Renda. À sombra e água fresca do palácio, vetou a correção de 6,5% para facilitar a tarefa de tirar R$ 20 bilhões desviados da Petrobrás para partidos, incluindo o dela, do bolso do cidadão que, sem padrinho, morre pagão.
Em Davos, Christine Lagarde, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), encheu a bola do ministro brasileiro apoiando suas "medidas impopulares". Fê-lo antes de Dilma, que só aprovou o subordinado em público na reunião ministerial de ontem. Com isso, o Partido dos Trabalhadores (PT) teve tempo para imitar o "multipresidente" Ulysses Guimarães, que dava as cartas no governo Sarney enquanto liderava a oposição. A candidata jurou de pés juntos que não daria cabo de nenhuma conquista dos trabalhadores. A presidente repetente mandou escrúpulos e promessas às favas, dificultando o acesso ao seguro-desemprego, quando há indícios de risco para o emprego.
Alérgica à política, jejuna em contabilidade e avessa a economizar, a presidente não deu explicações satisfatórias da traição à classe operária. Mas seus áulicos tentaram minimizar os efeitos deletérios da falseta assegurando que as conquistas dos trabalhadores não foram afetadas porque a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) não foi alterada. Falácia cínica! A CLT não é uma "conquista dos trabalhadores", mas uma concessão do ditador Getúlio Vargas ao operariado para manipulá-lo a seu bel-prazer utilizando pelegos. Encarregado de consertar a lambança, Levy tentou dar sua contribuição teórica à tentativa de logro dela, assegurando: "O seguro-desemprego é um benefício ultrapassado". Será? Pode até ser, mas isso nada tem que ver com a tunga. E, além de também ser outra falácia cínica, permitiu que ela lhe mostrasse que elogios de Lagarde não bastam para garanti-lo no cargo.
Só agora ela saiu da clandestinidade, mas ficou no palácio, para dizer a seus 39 ministros que teve de permitir a um auxiliar egresso da oposição que corte gastos com dor para manter seus programas sociais. Mas nunca pediu desculpas ao cidadão que votou nela e paga a conta pelo óbvio malogro.
Joaquim Levy era da segunda divisão da assessoria econômica do tucano Aécio Neves, derrotado por ela na eleição. O chefe dessa assessoria, Armínio Fraga, fez eco a Lagarde ao dizer que o ex-companheiro é "uma ilha no mar de mediocridade" que é o segundo governo Dilma. Se verdadeira, a afirmação traz uma boa e uma má notícia. A boa é que, como o governo anterior foi o pior de todos os tempos, dificilmente o atual terá como superá-lo em mediocridade. A ruim é que é mais provável que piore, sim!
O ex-ministro de Minas e Energia Edison Lobão, por exemplo, nunca condicionou à duvidosa brasilidade de Deus a chuva no sertão que virou país. Ou terá sido este país que virou sertão, eis a questão. Pelo visto, Lobão foi à aula de Geografia em que foi ensinado que Nordeste é Brasil e em muitos anos não chove no semiárido, apesar das súplicas dos sertanejos a São José, que criou o filho do Próprio. O devoto amazonense Eduardo Braga, que espera a interferência divina para pôr fim à "crise hídrica", foi substituído na tarefa de pedir à população que aguente a falta de luz e água com resignação, e que devia caber a Dilma, pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, ainda mais insignificante do que ele.
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NGC 4676
Essas duas enormes galáxias estão se separando pela força gravitacional. Chamadas os "Ratos" por conta de suas longas caudas, cada galáxia espiral provavelmente já passou através da outra.
As longas caudas são criadas pela diferença relativa entre as atrações gravitacionais nas partes próxima e distante de cada galáxia. Como as distâncias são tão grandes, a interação cósmica ocorre em câmera lenta — durante centenas de milhões de anos.
NGC 4676 situa-se a cerca de 300 milhões de anos-luz, próxima à constelação da Cabeleira de Berenice (Coma Berenices) e são, provavelmente, integrantes do Aglomerado Galáctico da Cabeleira.
A foto acima foi tirada com a Câmera de Pesquisa Avançadas doHubble em 2002. Esses ratos galácticos irão colidir outra e mais outra vez, provavelmente, dentro dos próximos bilhões de anos até se juntarem, formando uma só galáxia.
Tradução de Luiz Leitão
These two mighty galaxies are pulling each other apart. Known as the "Mice" because they have such long tails, each spiral galaxy has likely already passed through the other.
The long tails are created by the relative difference between gravitational pulls on the near and far parts of each galaxy. Because the distances are so large, the cosmic interaction takes place in slow motion — over hundreds of millions of years.
NGC 4676 lies about 300 million light-years away toward the constellation of Bernice's Hair (Coma Berenices) and are likely members of the Coma Cluster of Galaxies.
The above picture was taken with the Hubble Space Telescope's Advanced Camera for Surveys in 2002. These galactic mice will probably collide again and again over the next billion years until they coalesce to form a single galaxy.
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terça-feira, 27 de janeiro de 2015
100 Milhões de estrelas em Andrômeda | 100 Million Stars in the Andromeda Galaxy
Quais estrelas compõem a galáxia de Andrômeda? Para entender isso melhor, um grupo de pesquisadores estudou a espiral próxima através da composição da maior imagem já obtida com o Hubble.
O resultado, chamado Panchromatic Hubble Andromeda Treasury (PHAT), envolveu milhares de observações, centenas de campos, ao longo de cerca de um terço da galáxia, e distinguiu mais de 100 milhões de estrelas.
Na imagem composta aqui mostrada, a parte central da galáxia é vista à extrema esquerda, enquanto uma braço espiral azul sobressai à direita. As estrelas mais brilhantes, espalhadas pela imagem, são, na verdade, estrelas de fundo da Via Láctea.
Os dados do PHAT estão sendo analisados para uma melhor compreensão de como e onde as estrelas se formaram em M31 em contraste com a Via Láctea, e para identificar e caracterizar os aglomerados estelares de Andrômeda e a poeira obscurecedora.
Tradução de Luiz Leitão
What stars compose the Andromeda galaxy? To better understand, a group of researchers studied the nearby spiral by composing the largest image ever taken with the Hubble.
The result, called the Panchromatic Hubble Andromeda Treasury (PHAT), involved thousands of observations, hundreds of fields, spanned about a third of the galaxy, and resolved over 100 million stars.
In the featured composite image, the central part of the galaxy is seen on the far left, while a blue spiral arm is prominent on the right. The brightest stars, scattered over the frame, are actually Milky Way foreground stars.
The PHAT data is being analyzed to better understand where and how stars have formed in M31 in contrast to our Milky Way Galaxy, and to identify and characterize Andromeda's stellar clusters and obscuring dust.
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Uma proeminência solar retorcida | A Twisted Solar Eruptive Prominence
Dez planetas Terra poderiam facilmente caber nas "garras" deste aparente monstro solar. O monstro, na verdade uma grande proeminência eruptiva, aparece aqui movendo-se para fora do Sol nesta sequência condensada de lapso temporal de meia hora.
Esta grande proeminência, no entanto, é importante não só por seu tamanho, mas por sua forma. A figura torcida em forma de oito indica que um complexo campo magnético passa através das partículas solares emergentes.
O diferencial de rotação do gás logo no interior da superfície do Sol pode ajudar a explicar a explosão superficial. A sequência de cinco quadros foi tirada no começo de 2000 pelo satélite orbital solar SOHO.
Embora grandes proeminências e Ejeções de Massa Coronal (CMEs) sejam relativamente raras, elas estão ocorrendo novamente mais frequentemente agora, que estamos próximos ao Solar Máximo, um época de picos de manchas e atividades solares no ciclo solar de onze anos.
Tradução de Luiz Leitão
Ten Earths could easily fit in the "claw" of this seemingly solar monster. The monster, actually a huge eruptive prominence, is seen moving out from our Sun in this condensed half-hour time-lapse sequence.
This large prominence, though, is significant not only for its size, but its shape. The twisted figure eight shape indicates that a complex magnetic field threads through the emerging solar particles.
Differential rotation of gas just inside the surface of the Sun might help account for the surface explosion. The five frame sequence was taken in early 2000 by the Sun-orbiting SOHO satellite.
Although large prominences and energetic Coronal Mass Ejections (CMEs) are relatively rare, they are again occurring more frequently now that we are near the Solar Maximum, a time of peak sunspot and solar activity in the eleven-year solar cycle.
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domingo, 25 de janeiro de 2015
Luz de Cisne A | Light from Cygnus A
Comemorando a astronomia neste Ano Internacional da Luz, a imagem detalhada revela a espetacular galáxia ativa Cygnus A frequências de luz por todo o espectro eectromagnético.
Incorporando dados de raios X ( azul) do Observatório Orbital Chandra, Cygnus A aparece como uma prodigiosa fonte de raios X de alta energia. Mas ela é, na verdade, mais famosa na parte de baixa energia do espectro eletromagnético. Uma das mais brilhantes fontes celestiais visíveis através de radiotelescópios, distante 600 milhões de anos-luz de Cygnus A, está a mais próxima e potente radiogaláxia.
Radio emissões (em vermelho) estendem-se por ambos os lados ao longo do mesmo eixo por cerca de 300.000 anos-luz, alimentadas por jatos de partículas relativísticas que emanam do buraco negro supermassivo central da galáxia.
Zonas sensíveis provavelmente marcam os fins dos jatos chocando-se contra o material denso e frio ao redor. Confinados a tons amarelos, dados em comprimentos de onda da galáxia obtidos pelo Hubble e o campo circundante na Pesquisa Digital Celeste completam uma notável visão de multicomprimentos de onda.
Tradução de Luiz Leitão
Celebrating astronomy in this International Year of Light, the detailed image reveals spectacular active galaxy Cygnus A in light across the electromagnetic spectrum.
Incorporating X-ray data ( blue) from the orbiting Chandra Observatory, Cygnus A is seen to be a prodigious source of high energy x-rays. But it is actually more famous at the low energy end of the electromagnetic spectrum. One of the brightest celestial sources visible to radio telescopes, at 600 million light-years distant Cygnus A is the closest powerful radio galaxy.
Radio emission ( red) extends to either side along the same axis for nearly 300,000 light-years powered by jets of relativistic particles emanating from the galaxy's central supermassive black hole.
Hot spots likely mark the ends of the jets impacting surrounding cool, dense material. Confined to yellow hues, optical wavelength data of the galaxy from Hubble and the surrounding field in the Digital Sky Survey complete a remarkable multiwavelength view.
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
No braços de NGC 1097 | In the Arms of NGC 1097
A galáxia espiral NGC 1097 brilha no céu do sul, distante cerca de 45 milhões de anos-luz, na constelação de Fornax. Seu braços espirais azuis são mosqueados por regiões róseas de formação estelar neste colorido retrato galáctico.
Eles parecem ter sido embrulhados ao redor de uma pequena galáxia companheira abaixo e à esquerda do centro, a cerca de 40.000 anos-luz do núcleo luminoso da espiral. Mas esta não é a única característica peculiar de NGC 1097.
A exposição bastante profunda sugere esmaecidos jatos misteriosos, mas facilmente visíveis estendendo-se bem além dos braços azulados em direção à esquerda. Na verdade, quatro fracos jatos são enfim reconhecidos em imagens ópticas de NGC 1097.
Os jatos traçam um X centralizado no núcleo da galáxia, mas, provavelmente, não se originaram lá. Em vez disso, eles poderiam ser correntes de estrelas fósseis, trilhas deixadas após a captura e desmantelamento de uma galáxia muito menor no passado antigo da grade espiral. Sendo uma galáxia Seyfert, o núcleo de NGC 1097 também abriga um buraco negro supermassivo.
Tradução de Luiz Leitão
Spiral galaxy NGC 1097 shines in southern skies, about 45 million light-years away in the chemical constellation Fornax. Its blue spiral arms are mottled with pinkish star forming regions in this colorful galaxy portrait.
They seem to have wrapped around a small companion galaxy below and left of center, about 40,000 light-years from the spiral's luminous core. That's not NGC 1097's only peculiar feature, though.
The very deep exposure hints of faint, mysterious jets, most easily seen to extend well beyond the bluish arms toward the left. In fact, four faint jets are ultimately recognized in optical images of NGC 1097.
The jets trace an X centered on the galaxy's nucleus, but probably don't originate there. Instead, they could be fossil star streams, trails left over from the capture and disruption of a much smaller galaxy in the large spiral's ancient past. A Seyfert galaxy, NGC 1097's nucleus also harbors a supermassive black hole.
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
A complexa cauda de íons do Cometa Lovejoy | The Complex Ion Tail of Comet Lovejoy
O que causa a estrutura na cauda do Cometa Lovejoy? O Cometa C/2014 Q2 (Lovejoy), com um grau de brilho atualmente visível a olho nu, e próximo ao seu máximo, foi visto ostentando uma curiosamente detalhada cauda de íons.
Como o nome sugere, a cauda de íon formada por gás ionizado — gás energizado por luz ultravioleta vinda do Sol e levada para fora pelo vento solar. O vento solar é bem estruturado e esculpido pelo complexo campo magnético solar, sempre em mutação.
O efeito do vento solar variável combinado com diferentes jatos de gás saindo do núcleo do cometa é a causa da complexa estrutura da cauda. Seguindo o vento, a estrutura na cauda do Cometa Lovejoy pode ser observada movendo-se para fora do Sol até alterando sua aparência ondulada com o tempo.
A cor azul da cauda de íons é dominada pela recombinação de moléculas de monóxido de carbono, enquanto a cor esverdeada da coma circundando a cabeça do cometa é criada basicamente por uma leve quantidade de moléculas de carbono diatômico recombinantes.
A imagem de três paineis aqui mostrada foi tirada nove dias atrás, do Observatório IRIDA, na Bulgária. O Cometa Lovejoy fez sua passagem mais próxima da Terra há duas semanas, e estará em seu ponto máximo de aproximação do Sol dentro de uns dez dias. Depois disso, o cometa irá esmaecer enquanto ruma de volta para o sistema solar externo, para só retornar daqui a uns 8.000 anos.
Tradução de Luiz Leitão
What causes the structure in Comet Lovejoy's tail? Comet C/2014 Q2 (Lovejoy), which is currently at naked-eye brightness and near its brightest, has been showing an exquisitely detailed ion tail.
As the name implies, the ion tail is made of ionized gas -- gas energized by ultraviolet light from the Sun and pushed outward by the solar wind. The solar wind is quite structured and sculpted by the Sun's complex and ever changing magnetic field. The effect of the variable solar wind combined with different gas jets venting from the comet's nucleus accounts for the tail's complex structure. Following the wind, structure in Comet Lovejoy's tail can be seen to move outward from the Sun even alter its wavy appearance over time.
The blue color of the ion tail is dominated by recombining carbon monoxide molecules, while the green color of the coma surrounding the head of the comet is created mostly by a slight amount of recombining diatomic carbon molecules.
The featured three-panel mosaic image was taken nine days ago from the IRIDA Observatory in Bulgaria. Comet Lovejoy made it closest pass to the Earth two weeks ago and will be at its closest to the Sun in about ten days. After that, the comet will fade as it heads back into the outer Solar System, to return only in about 8,000 years.
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Lançamento para Lovejoy
Um foguete Atlas V Partindo para o céu levando a bordo um satélite da Marinha dos EUA fura um banco de nuvens nesta cena de noite estrelada captada em 20 de janeiro. A caminho de sua órbita partindo do Complexo da Plataforma de Lançamento Espacial 41, Na base da Força Aérea de Cabo Canaveral, planeta Terra, o foguete traça uma risca além da mais brilhante estrela Síria, comode pôde ver de uma praia escura em Canaveral National Seashore.
Acima da estrela alfa do Cão Maior, Orion o Caçador, Hunter exibe uma pose familiar para os observadores celestes situados no norte. Acima de Orion está o aglomerado estelar em formato de V das Híades, a cabeça do Touro, e ainda mais acima do Touro é fácil identificar o compacto aglomerado estelar das Plêiades. Certamente, próximo ao topo da foto você irá encontrar a coma esverdeada e a longa cauda do Cometa Lovejoy, a vedete astronômica dessas noites de janeiro.
Tradução de Luiz Leitão
Blasting skyward an Atlas V rocket carrying a U.S. Navy satellite pierces a cloud bank in this starry night scene captured on January 20. On its way to orbit from Space Launch Complex 41, Cape Canaveral Air Force Station, planet Earth, the rocket streaks past brightest star Sirius, as seen from a dark beach at Canaveral National Seashore.
Above the alpha star of Canis Major, Orion the Hunter strikes a pose familiar to northern winter skygazers. Above Orion is the V-shaped Hyades star cluster, head of Taurus the Bull, and farther still above Taurus it's easy to spot the compact Pleiades star cluster. Of course near the top of the frame you'll find the greenish coma and long tail of Comet Lovejoy, astronomical darling of these January nights.
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Nuvem lenticular
Esta estranha formação de nuvens criou aneis ao redor do topo de uma montanha. A nuvem lenticular está no cume do alto Monte Fuji, no Japão.
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
Orion em infravermelho | Infrared Orion from WISE
A Grande Nebulosa em Orion é um lugar intrigante. Visível a olho nu, ela aparece como um pequeno trecho difuso na constelation de Orion. Mas esta imagem, um ilusório painel de mosaico feito com diferentes faixas de luz infravermelha com o observatório orbital terrestre WISE,mostra que a Nebulosa de Orion é uma movimentada vizinhança de estrelas recém-formadas,gás quente, e poeira escura.
A força por trás de boa parte da Nebulosa de Orion (M42) são as estrelas do aglomerado estelar do Trapézio, visível próximo ao centro da imagem de campo amplo acima. O brilho laranja circundando as estrelas brilhantes aqui fotografadas é nada mais que sua própria luz estelar refletida pelos intrincados filamentos de poeira que cobrem boa parte da região. O atual complexo da nuvem da Nebulosa de Orion, que inclui a Nebulosa da cabeça do Cavalo, irá dispersar-se lentamente durante os próximos 100.000 anos.
Tradução de Luiz Leitão
The Great Nebula in Orion is an intriguing place. Visible to the unaided eye, it appears as a small fuzzy patch in the constellation of Orion. But this image, an illusory-color four-panel mosaic taken in different bands of infrared light with the Earth orbiting WISE observatory, shows the Orion Nebula to be a bustling neighborhood or recently formed stars, hot gas, and dark dust.
The power behind much of the Orion Nebula (M42) is the stars of the Trapezium star cluster, seen near the center of the above wide field image. The orange glow surrounding the bright stars pictured here is their own starlight reflected by intricate dust filaments that cover much of the region. The current Orion Nebula cloud complex, which includes the Horsehead Nebula, will slowly disperse over the next 100,000 years.
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terça-feira, 20 de janeiro de 2015
A nubulosa da Bolha de Sabão | The Soap Bubble Nebula
À deriva nos ricos campos estrelados da constelação do Cisne, testa adorável nubulosa simétrica só foi reconhecida há alguns anos, e ainda não figura em alguns catálogos astronômicos.
Na verdade, o astrônomo amador Dave Jurasevich identificou-a como nebulosa em 6 de julho de 2008 em suas imagens da complexa região do Cisne, que incluía a Nebulosa do Crescente (NGC 6888).
Ele depois notificou a União Astronômica Internacional (IAU). Somente onze anos depois o mesmo objeto foi identificado independentemente por Mel Helm, nos Observatórios Remotos Sierra, fotografado por Keith Quattrocchi e Helm, e também submetido à IAU como uma nebulosa potencialmente desconhecida.
A nebulosa, aparecendo à esquerda desta imagem, é agora conhecida como a Nebulosa da Bolha de Sabão. O que é esta nebulosa recém reconhecida? Trata-se, mais provavelmente, de um nebulosa planetária, uma fase final da vida de estrelas semelhantes ao Sol.
Tradução de Luiz Leitão
Adrift in the rich star fields of the constellation Cygnus, this lovely, symmetric nebula was only recognized a few years ago and does not yet appear in some astronomical catalogs.
In fact, amateur astronomer Dave Jurasevich identified it as a nebula on 2008 July 6 in his images of the complex Cygnus region that included the Crescent Nebula (NGC 6888).
He subsequently notified the International Astronomical Union. Only eleven days later the same object was independently identified by Mel Helm at Sierra Remote Observatories, imaged by Keith Quattrocchi and Helm, and also submitted to the IAU as a potentially unknown nebula.
The nebula, appearing on the left of the featured image, is now known as the Soap Bubble Nebula. What is the newly recognized nebula? Most probably it is a planetary nebula, a final phase in the life of a sun-like star.
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
Quase um romance e literatura da boa
José Nêumanne
O oitavo selo, de Heloísa Seixas, define-se na capa da edição da Cosacnaify como um “quase romance”. O advérbio de intensidade pode dar uma falsa ideia de descompromisso com a definição, que se limita à fácil aproximação de um alvo inalcançado. Mas, de fato, o “quase romance”, idêntica definição de Carlos Heitor Cony para seu melhor livro, Quase memória, pertence a uma estirpe muito especial e atual da mais fina flor da produção literária. O público brasileiro teve há pouco a oportunidade de conhecer algo similar em A Queda - As Memórias de um Pai em 424 Passos, de Diogo Mainardi.
Ou seja, este “quase romance” é literatura boa, plena e da melhor água, uma espécie de neogênero que se tornou um dos “destinos manifestos” da melhor produção literária contemporânea. Suas raízes estão na prosa de Jorge Luís Borges, grande poeta e contista que nunca se aventurou pelo romance propriamente dito. A História universal da infâmia e praticamente todos os seus contos apontam para a trilha inversa da indicada pelo irlandês James Joyce: a da desconstrução linguística do texto de ficção esticada ao extremo. Ao contrário do “romance acabou, viva o romance” do autor de Ulisses, este é o caso de “tudo é romance ou pode ser”, insinuado pelo portenho e e, guardadas as devidas proporções, seguido pela patota do new journalism, em particular Truman Capote em A sangue frio. Mas Heloísa vai além do relato jornalístico à guisa de ficção e dos truques do troca-troca entre verdade e mentira do prosador de O Aleph. Os pontos em comum entre os citados são excelência estilística e abordagem totalizante.
O cronista acadêmico Cony tornou o evento simplório do embrulho contendo textos do pai jornalista um feito estético de memória fantasiada. Em A queda, o combativo colunista político Mainardi comove o leitor pelo amor devotado ao filho, nascido com paralisia cerebral. Heloísa recorre à metáfora cinematográfica da partida de xadrez do cavaleiro medieval contra a morte no filme O sétimo selo, de Ingmar Bergman como expediente para narrar as batalhas de seu marido, o jornalista e escritor Ruy Castro, contra a cocaína, o álcool, o câncer, o enfarte, a metástase e um acidente vascular cerebral para se manter vivo e hígido.
Cada um dos oito selos relatados representa uma refrega do protagonista, “o homem”, e ainda dá conta da luta “mais vã” (apud CDA) de sua testemunha, “a mulher”. Ruy imprime na cera cada selo (ou círculo, na imagem dantesca do inferno) com heroísmo digno da outorga de medalhas de bravura. Heloísa usa o advérbio da aproximação malograda não como um facilitário, mas como mais um obstáculo a transpor. Um e outro – e o fato de serem um casal não facilita, mas dificulta a tarefa – não cativam o leitor pela piedade nem pela empáfia, mas por emoções genuínas que se liquefazem em lágrimas mudas ou se tornam sorrisos cúmplices. Este verte uma lágrima teimosa ao ler que “o homem” interrompeu a leitura do final de Carmen Uma biografia com um soluço ecoado no outro lado da linha telefônica pela “mulher”. Antes, sua alma canta quando a mulher se refere ao processo de escrita do livro que o consagrou como bíógrafo e compara: “Ao fazer as correções à mão, debruçado, o tubo de dreno se movia, ondulava como os quadris de Carmen Miranda”.
O autor-objeto, mimado pelas glórias de O ano pornográfico, sobre Nelson Rodrigues e processado pelos herdeiros inconformados de “um brasileiro chamado Garrincha” (tema de Estrela solitária), protagonista de várias desgraças de seu Flamengo no Maracanã, exibiu as vísceras para o leitor a quem seduz desde os velhos tempos da revista Senhor. A autora-cúmplice compartilhou a condição de Ariadne a desvelar seu fio para legar ao público um testemunho privado, mas comum, da aceitação não resignada mais amorosa da precariedade da existência no que ela tem de belo e elegante, mas também de mísero e doloroso. Este “quase romance” contém de sobra a arte de deixar a vida escorrer em tinta preta sobre papel branco. Literatura, afinal, não é isso?
Jornalista, poeta e escritor, autor de O silêncio do delator.
(Publicado na Pag.C5 de O Estado de S. Paulo da quarta-feira 14 de janeiro de 2014)
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domingo, 18 de janeiro de 2015
O caçador, O Touro e Lovejoy | The Hunter, The Bull and Lovejoy
Rumo ao norte, o Cometa Lovejoy (C/2014 Q2) está apresentando agora o melhor de seu show para os observadores de cometas, com o luar ausente do céu noturno de meados de janeiro moonlight.
Um fácil alvo binocular e visível a olho em locais escuros, o cometa cruza a constelação do Touro nesta profunda paisagem celeste noturna. A cena estrelada foi registrada há poucos dias, em 12 de janeiro, em Jackson Hole, no estado americano de Wyoming, planeta Terra.
Na verdade, a cabeça do Touro, formada pelo aglomerado estelar das Híades, em forma de V, aponta para o Lovejoy, à direita. A coma esverdeada do cometa e sua cauda apontando na direção oposta à do Sol também paracem ter sido fotografadas do arco de Orion. Você pode ver essas estrelas familiares da constelação do Caçador, rica em nebulosas, à esquerda, e seguir este link para destacar o Cometa Lovejoy no amplo campo de visão.
Heading north, Comet Lovejoy (C/2014 Q2) is putting on its best show for comet watchers now, with moonlight absent from mid-January's early evening skies.
An easy binocular target and just visible to the unaided eye from dark sites, the comet sweeps across the constellation Taurus the Bull in this deep night skyscape. The starry scene was captured just two days ago on January 12, from Jackson Hole, Wyoming, planet Earth.
In fact, the head of Taurus formed by the V-shaped Hyades star cluster points toward Lovejoy at the right. The comet's greenish coma and tail streaming in the anti-sunward direction also seem to have been shot from Orion's bow. You can spot the familiar stars of the nebula rich constellation of the Hunter on the left, and follow this link to highlight Comet Lovejoy in the wide field of view.
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