Pesquisar conteúdo deste blog

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Palmas para Vaccari, que ele não merece


José Nêumanne

Substituto de Delúbio é aplaudido e blindado por Diretório do PT, apesar das denúncias
O secretário nacional de Finanças do Partido dos Trabalhadores (PT), João Vaccari Neto, foi ouvido, anistiado, aplaudido e blindado pelos integrantes do Diretório Nacional de seu partido na última sexta-feira em reunião num hotel em Fortaleza, à qual compareceu a presidente Dilma Rousseff em pessoa. Idêntico comportamento tiveram os petistas quando seu antecessor no posto de tesoureiro do partido no poder no País, Delúbio Soares, foi processado pela Polícia Federal (PF), acusado pelo procurador-geral da República e condenado pela maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Tanto Delúbio quanto outros dirigentes do PT e da cúpula do primeiro governo federal petista cometeram os graves crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. E eles ainda cumprem pena.
Ao contrário do antecessor, é bem verdade, Vaccari ainda não foi condenado nem sequer indiciado ou chamado a depor pelos agentes e procuradores que devassam a roubalheira na Petrobrás, apelidada de petrolão. Este nome guarda relação com mensalão, denominação pela qual se tornou célebre o escândalo da compra de apoio de pequenas bancadas no Congresso Nacional pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva e pelo partido dele e de Dilma Rousseff. Mas se tomaram conhecimento do que foi noticiado pelos meios de comunicação ao longo deste ano, nem a presidente nem o ex, muito menos o alto comando do PT, podem alegar desconhecimento das inúmeras vezes que o nome de Vaccari foi citado nas delações premiadas do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, que Lula chamava de Paulinho, e do doleiro Alberto Youssef, chamado de Beto até mesmo por companheiros que dizem nunca tê-lo visto.
Como Luiz Gushiken e Ricardo Berzoini, Vaccari é egresso do Sindicato dos Bancários de São Paulo. Como sindicalista ocupou a presidência da Bancoop, cooperativa acusada por mutuários de ter vendido moradias que não entregou ou, quando o fez, não ter cumprido o que foi acertado e pago. E a Justiça acatou as denúncias.
Costa e Youssef acabaram de contar a policiais e procuradores federais que participam da Operação Lava Jato que o tesoureiro recebia a parte que cabia ao PT na propina de 3% da roubalheira na Petrobrás destinada a três partidos (os outros, também da base aliada, claro, seriam o PP e o PMDB). A hipótese de que os delatores premiados tenham mentido, seja por que razão tiverem, é injustificável. Com o farto noticiário a respeito do escândalo protagonizado pela dupla, acusada de ter lavado R$ 10 bilhões, qualquer um sabe que só é reduzida ou cancelada a pena do delator quando o que ele contou pode ser comprovado nas investigações ou com documentação. Caso minta, perde o prêmio.
Três procuradores federais foram à Suíça para de lá repatriarem, com autorização do Paulinho do Lula, dono das contas sigilosas, quase R$ 100 milhões, mais do que receberam os ganhadores da Mega Sena acumulada na semana passada. Devem trazer também os extratos das contas, que darão a agentes e promotores novas pistas para desvendar outros tentáculos do funcionamento do esquema, definido pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Newton Trisotto como “uma das maiores vergonhas da humanidade”. Isso dará razão ao colega dele no STJ Félix Fischer, segundo quem nenhum outro país viveu “tamanha roubalheira”. É pouco?
A bagagem dos viajantes poderá confirmar ainda que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) não exagerou quando declarou, em entrevista a Roberto D’Ávila na GloboNews, que não perdeu a eleição presidencial para um partido, mas, sim, para “uma organização criminosa que se instalou no seio de algumas empresas brasileiras patrocinadas por esse grupo político que aí está”. A exceção da verdade deve bastar para livrar Aécio de processo do PT. O Gávea Golf Club do Rio já expulsou o ex-gerente da Petrobrás Pedro Barusco, que confessou ter roubado US$ 100 bilhões da estatal. E o PT expulsou quem?
Em Fortaleza, Vaccari jurou que nada fez de errado, nada tem a temer, e alegou ser alvo sistemático de “injustiças”, que não teriam razão de ser. Que ofensas teria feito a mutuários da Bancoop, que presidiu de 2004 a 2010, para que o processassem? Que motivos pessoais teriam os promotores para o denunciarem em 2010 por estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro? Quais razões ocultas teriam os ministros do STJ que permitiram acesso à movimentação de suas contas bancárias nos dez anos anteriores? Diz o tesoureiro que nada foi encontrado que o desabonasse, como se a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico bastasse para inocentá-lo. Como se não conhecesse o tal do caixa 2!
Quebrado seu sigilo telefônico, os investigadores tomaram conhecimento das conversas que manteve com os protagonistas da Lava Jato. Mas ele garantiu à “companheirada” que apenas marcou ao telefone encontros para captar recursos legais para as campanhas do partido. A revelação dos grampos ter-lhe-ia causado “constrangimentos familiares”. Mais constrange as famílias honestas do Brasil saber que ele e seu partido nunca agiram como se tivessem aprendido algo com os erros do mensalão. Nem se corrigiram. As evidências trazidas a lume não pela oposição nem pelo Partido da Imprensa Golpista (o PIG), mas pela PF e pelo Ministério Público Federal, é que a punição de Dirceu, Genoino, Delúbio e João Paulo Cunha não serviu de exemplo para seu estilo de gestão financeira nem para o presidente do PT, Rui Falcão, que puxou as palmas do Diretório para ele.
A cúpula petista nunca recuou da convicção de que os réus do mensalão são heróis nacionais, e não delinquentes, como foi determinado pelo STF. A presidente Dilma Rousseff nunca a desautorizou nem pediu desculpas à Nação pela participação de seu partido no mensalão e no petrolão. Isso leva a deduzir que o PT só quer a democracia para chegar ao poder, mas não aceita as regras do Estado Democrático de Direito para gerir o bem público.
Jornalista, poeta e escritor
(Publicado na Pag.A2 do Estado de S. Paulo de quarta-feira 3 de agosto de 2014)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Suástica na piscina


Esta foto sem data, divulgada pela Polícia Civil de Santa Catarina em 6 de dezembro de 2014, mostra uma suástica no fundo de uma piscina no Vale do Itajai, Santa Catarina, Brasil. 

Segundo a imprensa local, policiais a bordo de um helicóptero que participavam de uma operação anti-sequestro localizaram o símbolo nazista por acaso. 

Uma investigação  subsequente revelou que a suástica estava ali havia 13 anos. O dono da casa não foi processado, pois disse á polícia que não estava fazendo apologia do nazismo, uma vez que a piscina estava localizada em uma propriedade particular.

Sh2-155: The Cave Nebula | Sh2-155: A Nebulosa da Caverna


Esta colorida paisagem celeste mostra  a poeirenta região de emissões do catálogo Sharpless Sh2-155, a Nebulosa da Caverna. Na imagem composta, dados obtidos através de filtros de banda estreita rastreiam o brilho dos átomos ionizados de enxofre hidrogênio e oxigênio em tons vermelhos, verdes e azuis. 

Distante cerca de 2.400 anos-luz, a cena situa-se ao longo do plano da Via Láctea, próxima à constelação de Cefeu, no norte. Explorações astronômicas da região revelam que ela se formou nos limites da grande nuvem molecular Cefeu B e das quentes e jovens estrelas da associação Cefeu OB 3

A brilhante borda de gás interestelar ionizado é energizada pela radiação das estrelas quentes, dominada pela brilhante estrela logo acima do centro da imagem. Frentes de ionização acionadas por radiação estão povavelmente desencadeando núcleos em colapso e formação de novas estrelas no interior. De tamanho apropriado para um nascedouro estelar, a caverna cósmica tem um diâmetro de mais de 10 anos-luz.

Tradução de Luiz Leitão

This colorful skyscape features the dusty Sharpless catalog emission region Sh2-155, the Cave Nebula. In the composite image, data taken through narrowband filters tracks the glow of ionized sulfur, hydrogen, and oxygen atoms in red, green, and blue hues. 

About 2,400 light-years away, the scene lies along the plane of our Milky Way Galaxy toward the royal northern constellation of Cepheus. Astronomical explorations of the region reveal that it has formed at the boundary of the massive Cepheus B molecular cloud and the hot, young stars of the Cepheus OB 3 association

The bright rim of ionized interstellar gas is energized by radiation from the hot stars, dominated by the bright star just above picture center. Radiation driven ionization fronts are likely triggering collapsing cores and new star formation within. Appropriately sized for a stellar nursery, the cosmic cave is over 10 light-years across.

AR 12205


Uma região ativa do Sol emitindo uma labareda solar de nível médio em uma imagem registrada pelo Observatório de Dinâmica Solar da Nasa. 

Esta é a segunda labareda de nível médio da mesma região ativa, designada AR 12205, que girou pela borda esquerda do Sol em 3 de novembro.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Felicidade não se compra





Arnaldo Jabor

Nos meus 20 anos, meu ídolo era o James Bond, bonito, corajoso, entendendo de vinhos e de aviões supersônicos, comendo todo mundo, de smoking. Mundano? Sim, mas Bond tinha a missão de salvar o mundo. 

Hoje, não. A mídia nos ensina que os heróis da felicidade não têm ideal algum a conquistar, a não ser eles mesmos. A felicidade é uma autoconstrução de sucesso, de bom funcionamento. 

Mas, mesmo não sendo o 007, eu queria ser feliz como ele. Lembro, fascinado, a primeira vez em que ele surge como personagem num cassino onde lhe perguntam o nome - ele acende um cigarro e diz: "Bond... James Bond. Eu queria ser ele. Mas, como? A felicidade oficial da mídia comanda meus ideais. Nas revistas, vejo os ídolos contemporâneos malhados, ricos, rindo entre modelos e apresentadoras. O ideal de felicidade é uma solidão narcísica cercada de admiradores, o brilho solitário que suga o prazer, sem conflitos, sem afetos profundos, mas sempre com um sorriso simpático e congelado, porque hoje é mais "comercial" ser alegre do que tristemente carregar a dor do mundo. (Este artigo está com a cara dos apócrifos que colocam na internet com meu nome, mas, tudo bem -, serei apócrifo de mim mesmo.) Continuemos. 

Antes, havia uma certa tristeza na felicidade. Vejam os rostos melancólicos, paralisados de desespero das mulheres casadas, nas fotos de época. Olhando os retratos antigos, vemos que a felicidade masculina estava ligada à ideia de "dignidade", vemos os barbudos do século 19 de nariz empinado, os perfis de medalha, donos de um poder total no lar, sobre a mulher e os filhos, aterrorizados diante do pai implacável. 

Eu, não; quero ser feliz modernamente, mas carrego comigo uma depressãozinha básica, medos, traumas. Sinto-me aquém dos felizes de hoje. Não consigo me enquadrar nos rituais de prazer. Posso ter uma crise de melancolia em meio a uma orgia, não tenho o dom da gargalhada infinita, posso broxar no auge de uma bacanal. Fui educado por jesuítas e pai severo, para quem o riso era quase um pecado.

Para mim, felicidade sempre foi uma missão a ser cumprida, a conquista de algo maior que me coroasse de louros, a felicidade demandava "sacrifício", a luta contra obstáculos. Como quebrei a cara nessa busca de plenitude... Descobri com a idade que não há este lugar "além do arco-íris". Mas o narcisista de hoje passa a ideia de que já chegou lá, que não precisa de ninguém. Ele não quer aporrinhações. A felicidade moderna é o consumo do outro e o mundo é um grande pudim a ser comido. Meu homem feliz pode ter todas as mulheres, mas é casado consigo mesmo. 

Não pensem que estou criticando isso; estou é com inveja dessa leveza de ser, dessa ligeireza nas relações. 

Assim como a mulher deseja ser um objeto de consumo, como um liquidificador rebolante, um avião, o homem quer ser um grande pênis voador, um "passaralho" superpotente, mas frívolo, que pousa e voa de novo, sem flacidez e sem angústia. 

O macho brasileiro tem pavor de ser possuído. Seu prazer é cumulativo, feito de apropriações indébitas, sem jamais incluir o prazer de ser "possuído" pelo outro. 

Quer se apaixonar, mas tem pânico disso. O amor é desejado, mas aprisiona. Por isso, pela aridez do tempo, o amor ficou "transgênico", geneticamente modificado e, como os hambúrgueres, virou "fast love".

Por isso, nosso macho não se entrega; basta-lhe o encaixe. O encontro humano virou um modelo de armar. O macho A se encaixa em fêmea B e produzem uma engrenagem C, repleta de luxo e arrepios entre lanchas e caipirinhas, num esfuziante casamento que dura três números de Caras. 

E, ainda por cima, as pessoas atribuem uma estranha "profundidade" a essa superficialidade porque, esse diletantismo tem o charme de ser uma sabedoria elegante e "pós-tudo".

O homem feliz da mídia é informado e cínico, conhece bem as tragédias do tempo, mas se lixa para elas, por uma falsa "maturidade", um alegre desencanto. Ele vive em velocidade; o mundo veloz da internet, do celular, do mercado financeiro, imprimiu-lhe um ritmo incessante, dando-lhe um glamour de onipresença, um funcionamento sem corrosão, uma eterna juventude que afasta a ideia de morte ou velhice. O homem "feliz" é antes de tudo um forte, mas um negador. Para ser feliz, é necessário negar, denegar, renegar problemas, esquecer. São três as receitas da felicidade: não pensar em doença, nem em angústia, nem em miséria. 

Mas chega um dia em que o herói deprime, um dia em que a barriga cresce, o amargor torce-lhe os lábios, o pau cai e o homem feliz descobre que precisa de um ideal de encontro, algo semelhante à velha felicidade, pois ele sabe confusamente que a verdadeira solidão é apavorante. Então, ele passa a evitar que qualquer "profundidade" existencial possa pintar, que a ideia de finitude apareça à sua frente, senão sua "liberdade" ficaria insuportável. 

Aí, ele percebe que precisa do amor, como uma esperança de "sentido". E ele espera então uma sensação de eternidade, uma juventude para sempre, espera que o mistério da "falha" humana se revele - queremos esquecer, queremos "não saber" que vamos morrer, como só os animais não sabem. Não consegue amar, mas precisa amar, como única solução.

O problema é que amar exige coragem e hoje somos todos covardes.

Daí, ele passa a viver um paradoxo: ligar-se sem ligar-se. Nosso homem livre inventa uma ideia de felicidade e de amor inatingíveis, para satisfazer-se numa eterna insatisfação. Como um James Bond fracassado que jamais perde a pose. Nem para si mesmo. E se gasta feliz nesta missão impossível.

Crew Space Transportation (CST)-100


Concepção artística de uma espaçonave Crew Space Transportation (CST)-100 aproximando-se para a atracação à Estação Espacial Internacional ISS em uma órbita terrestre. 

Em um comunicado à imprensa a NASA anunciou, em 1º de dezembro, ter aprovado a conclusão do primeiro marco da Boeing na trajetória da empresa americana para lançar tripulações dos Estados Unidos à ISS mediante um pioneiro contrato intitulado Commercial Crew Transportation Capability (CCtCap).

sábado, 6 de dezembro de 2014

Pouso na estrada


Um avião monomotor pousou, digamos assim, em uma estrada de West Hartford, Connecticut, EUA. Danny Hall, 48, proprietário de uma empresa de telhados de Torrington, saiu caminhando do pouso acidentado apenas com as costas machucadas. Em 2008, ele pousou seu avião em um rio, após o aparelho sofrer uma pane de motor.

Platão e os Alpes lunares | Plato and the Lunar Alps




A ampla cratera Platão,de solo escuro e 95 km de diâmetro, e picos dos Alpes Lunares (Montes Alpes) iluminados pelo sol  estão destacados nesta nítida foto digital da superfície da Lua. 

Enquanto os Alpes do planeta Terra foram se formando durante milhões de anos, quando as plataformas continentais colidiam lentamente, os Alpes lunares foram provavelmente formados por uma súbita colisão que criou a gigantesca bacia de impacto chamada Mare Imbrium, ou Mar de Chuvas. 

O solo de Mare, geralmente liso e inundado de lava aparece abaixo da cadeia de montanhas fronteiriça. A proeminente estrutura reta que atravessa as montanhas é o Vale Alpino lunar (Vallis Alpes). 

Juntando-se ao Mare Imbrium e ao Mare Frigoris (Mar de Frio) no norte, o vale se estende na direção da parte superior direita, com 160 quilômetros de comprimento e até 10 quilômetros de diâmetro. 

É claro que a grande e brilhante montanha alpina abaixo e à direita do vale é denominada Mont Blanc. O mais alto dos Alpes lunares, ele atinge a altura de 3 quilômetros acima da superfície. Sem atmosfera, nem neve, os Alpes lunares não são, provavelmente, um local ideal para férias de inverno. Ainda assim, um esquiador de 75 quilos pesaria apenas 12,5 quilos na Lua.

Tradução de Luiz Leitão

The dark-floored, 95 kilometer wide crater Plato and sunlit peaks of the lunar Alps (Montes Alpes) are highlighted in this sharp digital snapshot of the Moon's surface. 

While the Alps of planet Earth were uplifted over millions of years as continental plates slowly collided, the lunar Alps were likely formed by a sudden collision that created the giant impact basin known as the Mare Imbrium or Sea of Rains. 

The mare's generally smooth, lava-flooded floor is seen below the boardering mountain range. The prominent straight feature cutting through the mountains is the lunar Alpine Valley (Vallis Alpes). 

Joining the Mare Imbrium and northern Mare Frigoris (Sea of Cold) the valley extends toward the upper right, about 160 kilometers long and up to 10 kilometers wide. 

Of course, the large, bright alpine mountain below and right of the valley is named Mont Blanc. The tallest of the lunar Alps, it reaches over 3 kilometers above the surface. Lacking an atmosphere, not to mention snow, the lunar Alps are probably not an ideal location for a winter vacation. Still, a 150 pound skier would weigh a mere 25 pounds on the Moon.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Orion em meio a gás, poeira e estrelas




A constelação de Orion contém muito mais do que três estrelas consecutivas. Uma exposição profunda mostra tudo, desde nebulosas escuras até aglomerados estelares, tudo incrustado em um longo trecho de tufos gasosos no grande Complexo da Nuvem Molecular de Orion. 

As três estrelas mais brilhantes à extrema esquerda são de fato as famosas que formam o cinturão de Orion. Logo abaixo de Alnitak,a mais inferior das três estrelas do cinturão, situa-se a Nebulosa da Chama, brilhando com gás hidrogênio excitados e imersa em filamentos de poeira marrom escura. 

Abaixo e à esquerda do centro da foto, e logo à direita de Alnitak está a Nebulosa da Cabeça de Cavalo, uma escura indentação de poeira densa que tem, talvez, a mais conhecida forma nebular de todo o céu. No alto, à direita, situa-se M42, a  Nebulosa de Orion, um caldeirão  energético de gás turbulento, visível a olho nu, onde está nascendo um novo aglomerado estelar aberto.

Imediatamente à esquerda de M42 há uma proeminente nebulosa de reflexão azulada, às vezes chamada O Homem Correndo, que contém muitas estrelas brilhantes azuis. A imagem aqui mostrada  cobre uma área com objetos que estão a, aproximadamente, 1.500 anos-luz de distância, estendendo-se por uns 75 anos-luz.

Tradução de Luiz Leitão

The constellation of Orion holds much more than three stars in a row. A deep exposure shows everything from dark nebula to star clusters, all embedded in an extended patch of gaseous wisps in the greater Orion Molecular Cloud Complex. 

The brightest three stars on the far left are indeed the famous three stars that make up the belt of Orion. Just below Alnitak, the lowest of the three belt stars, is the Flame Nebula, glowing with excited hydrogen gas and immersed in filaments of dark brown dust. 

Below and left of the frame center and just to the right of Alnitak lies the Horsehead Nebula, a dark indentation of dense dust that has perhaps the most recognized nebular shapes on the sky. On the upper right lies M42, the Orion Nebula, an energetic caldron of tumultuous gas, visible to the unaided eye, that is giving birth to a new open cluster of stars. 

Immediately to the left of M42 is a prominent bluish reflection nebula sometimes called the Running Man that houses many bright blue stars. The featured image covers an area with objects that are roughly 1,500 light years away and spans about 75 light years.

Estrelas e pilares de poeira em NGC 7822 | Stars and Dust Pillars in NGC 7822


Estrelas jovens e quentes, e pilares cósmicos de gás e poeira parecem se amontoar em NGC 7822. Situada na borda de uma gigantesca nuvem molecular próxima à constelação de Cefeu, no norte,esta brilhante região de formação estelar está distante cerca de 3.000 anos-luz. 

Na nebulosa, bordas brilhantes e complexas estruturas de poeira dominam esta detalhada paisagem celeste registrada em luz infravermelha pelo satélite da NASA Wide Field Infrared Survey Explorer (WISE). 

A emissão atômica pelo gás do aglomerado é alimentada por radiação energética vinda das estrelas quentes, cujos potentes ventos e luz também esculpem e erodem as formas dos pilares mais densos. 

Estrelas ainda poderiam estar se formando no interior dos pilares por colapso gravitacional, mas quando os pilares são erodidos, nenhuma estrela em formação acabará sendo retirada de seus reservatórios de  material estelar. Este campo se espalha por cerca de 40 anos-luz à distância estimada de NGC 7822.

Tradução de Luiz Leitão

Hot, young stars and cosmic pillars of gas and dust seem to crowd into NGC 7822. At the edge of a giant molecular cloud toward the northern constellation Cepheus, this glowing star forming region lies about 3,000 light-years away. 

Within the nebula, bright edges and complex dust sculptures dominate this detailed skyscape taken in infrared light by NASA's Wide Field Infrared Survey Explorer (WISE) satellite. 

The atomic emission by the cluster's gas is powered by energetic radiation from the hot stars, whose powerful winds and light also sculpt and erode the denser pillar shapes. 

Stars could still be forming inside the pillars by gravitational collapse, but as the pillars are eroded away, any forming stars will ultimately be cut off from their reservoir of star stuff. This field spans around 40 light-years at the estimated distance of NGC 7822.

Bioluminescência


O fenômeno da bioluminescências faz com que a areia na Ilha de Mjorn, na Suécia, brilhe. Organismos como vaga-lumes e tamboris produzem um brilho fluorescente ao liberarem a substância química luciferina, que reage com o oxigênio, criando luz.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Sharpless 249 e a Nebulosa da Medusa | Sharpless 249 and the Jellyfish Nebula


Normalmente esmaecida e furtiva, a  Nebulosa da Medusa aparece neste fascinante mosaico telescópico. A cena é ladeada à esquerda e à direita por duas brilhantes estrelas, Mu e Eta Geminorum, ao pé do gêmeo celestial enquanto a Nebulosa da Medusa é a montanha de emissões arqueada mais brilhante com tentáculos pendentes abaixo e à direita do centro. 

Na verdade, a medusa cósmica é parte dos remanescentes de supernova em formato de bolha IC 443, os destroços em expansão de uma grande estrela que explodiu. A luz da explosão chegou à Terra pela primeira vez há mais de 30.000 anos. 

Como sua prima das "águas" astrofísicas, os remanescentes de supernova da Nebulosa do Caranguejo, sabe-se que a Nebulosa da Medusa abriga uma estrela de nêutrons, os restos do núcleo da estrela destruída. Uma nebulosa de emissões catalogada como Sharpless 249 preenche o campo no alto à esquerda. A Nebulosa da Medusa está distante cerca de 5.000anos-luz. A essa distância, esta imagem composta de banda estreita teria cerca de 300 anos-luz de diâmetro.
,
Tradução de Luiz Leitão

Normally faint and elusive, the Jellyfish Nebula is caught in this alluring telescopic mosaic. The scene is anchored right and left by two bright stars, Mu and Eta Geminorum, at the foot of the celestial twin while the Jellyfish Nebula is the brighter arcing ridge of emission with dangling tentacles below and right of center. 

In fact, the cosmic jellyfish is part of bubble-shaped supernova remnant IC 443, the expanding debris cloud from a massive star that exploded. Light from the explosion first reached planet Earth over 30,000 years ago.

Like its cousin in astrophysical waters the Crab Nebula supernova remnant, the Jellyfish Nebula is known to harbor a neutron star, the remnant of the collapsed stellar core. An emission nebula cataloged as Sharpless 249 fills the field at the upper left. The Jellyfish Nebula is about 5,000 light-years away. At that distance, this narrowband composite image would be about 300 light-years across.

M1: A Nebulosa do Caranguejo | M1: The Crab Nebula




A Nebulosa do Caranguejo está catalogada como M1, o primeiro objeto da famosa lista do astrônomo Charles Messier  do século 18 de objetos que não são cometas. Na verdade, sabe-se agora que o Caranguejo é o conjunto de detritos remanescentes de uma supernova, destroços da morte explosiva de uma grande estrela, testemunhada por astrônomos no ano de 1054. 

Esta nítida imagem obtida com telescópios baseados no solo utiliza dados de banda estreita para rastrear a emissão de átomos de oxigênio e hidrogênio ionizados (em azul e vermelho) e explorar os filamentos emaranhados na nuvem ainda em expansão. 

Um dos mais exóticos objetos conhecidos dos astrônomos atuais, o Pulsar do Caranguejo, uma estrela de nêutrons girando 30 vezes por segundo, é visível como uma mancha brilhante próxima ao centro da nebulosa. 

Como um dínamo cósmico, estes restos do núcleo estelar destruído alimentam a emissão do Caranguejo através do espectro eletromagnético. Estendendo-se por cerca de 12 anos-luz, a Nebulosa do Caranguejo está distante apenas 6.500 anos-luz, na constelação do Touro.

Tradução de Luiz Leitão

The Crab Nebula is cataloged as M1, the first object on Charles Messier's famous 18th century list of things which are not comets. In fact, the Crab is now known to be a supernova remnant, debris from the death explosion of a massive star, witnessed by astronomers in the year 1054. 

This sharp, ground-based telescopic view uses narrowband data to track emission from ionized oxygen and hydrogen atoms (in blue and red) and explore the tangled filaments within the still expanding cloud. 

One of the most exotic objects known to modern astronomers, the Crab Pulsar, a neutron star spinning 30 times a second, is visible as a bright spot near the nebula's center. 

Like a cosmic dynamo, this collapsed remnant of the stellar core powers the Crab's emission across the electromagnetic spectrum. Spanning about 12 light-years, the Crab Nebula is a mere 6,500 light-years away in the constellation Taurus.

Noblesse oblige




Roberto Damatta


A nobreza obriga. Ela demanda do nobre, do dono, do empresário e, acima de tudo, dos "políticos" - dos que ocupam cargos públicos temporários e abarrotados de poder, uma boa porção de deveres. De dívidas e de responsabilidades para com os subordinados, com os governados e com a sociedade como um todo. O capitão é o último a abandonar o navio; os ratos são os primeiros.

Em algumas sociedades tribais, os curadores desleixados e egoístas são punidos com a morte. O caso mais contundente de "noblesse oblige" se encontra entre os shiluks do antigo Sudão, estudados magistralmente pelo antropólogo inglês Evans-Pritchard. Lá, o rei não podia realizar atos impuros e corruptos. Se o fizesse, todo o reino sofria e ele - como encarnação de Nyikang, o espírito onipresente legitimador e símbolo da própria sociedade e das suas normas morais - seria assassinado. Tal como na Grécia e na Roma antigas, "Rex est mixta persona cum sacerdote" (o rei é uma figura que reúne nobreza e sacerdócio). A despeito de todas utopias revolucionárias, as nobrezas têm um lado sacerdotal de origem e se esse lado é esquecido ou abusado, com ele se vai a ética e a honra devida ao seu caráter. Mas o Brasil de hoje passa ao largo de tudo isso. De fato, nestes tempos de mistificação geral e oficial, a palavra de ordem é justamente esquecer essa chatice obviamente reacionária do "noblesse oblige".

Essa ética da obrigação (ou da generosidade) incomoda porque revela o poder visto do ângulo do reprimido, dos subordinados, bem como a sua dimensão interdependente. Ela lembra que os empregados daqueles que por nascimento, eleição, talento ou sucesso, se tornaram poderosos, ricos e famosos, devem contar com um mínimo de proteção moral. Podem não ter cofres, capacidade para decretar, interesses, compromissos pessoais e partidários, mas, se deixarem de obedecer, de confiar ou de respeitar seus patrões - se suprimirem a relação com eles -, o sistema (o todo) vai abaixo, como estamos vendo no aumento da chamada violência neste nosso Brasil sem nenhuma "noblesse oblige".

O nobre, como o senhor, pode ter a espada, o chicote, o mercado e até mesmo os juízes e a lei, mas o subordinado tem aquilo que alguns antropólogos antigos - que escreveram quando os animais ainda não discursavam - chamavam de "poder dos fracos". O poder de abençoar (ou amaldiçoar) e de serem honestos e amorosos com os nossos filhinhos e os nossos bens. A rebelião nasce da maldição e da vingança.

À honestidade dos explorados corresponde muito de perto a consideração dos seus patrões. Um universo reduzido ao seu lado econômico e lido apenas por números, esconde essas interdependências morais, reveladoras dos encaixes dos papéis sociais. Ninguém pode cortar o próprio cabelo ou enterrar-se a si mesmo ou viver sem o amor de um outro. A bênção do velho pai ou o diploma que o simboliza são indispensáveis para o exercício de certas profissões.

A nobreza não existe sem o plebeu, nem o rico sem o pobre, tal como o governante não governa sem o respeito dos cidadãos. Quando se fala em "opinião pública", fala-se do poder das relações que, queiramos ou não, nos interligam com aqueles que são nossos superiores e, sobretudo, com os que dependem de nossas vidas e condutas. 

A divisão entre "nós" e "eles" preferida e recorrente nas falas truncadas da nossa presidente, esconde ou reprime um dado sociológico básico: o nosso lado não existe sem o lado deles, que nos legitima. Só na obra de um autor excepcional, Guimarães Rosa, um sujeito criou uma "terceira margem do rio", essa reconciliação milagrosa e contra a corrente que, na nossa vida pública, é um direito dos políticos abençoados pelo oposto do "noblesse oblige". Pois, para esses traidores da democracia e ladrões da riqueza coletiva, a nobreza desobriga! Daí o surto de desânimo, de desconfiança e de apatia dos que silenciam por não terem poder ou dinheiro, mas demandam e têm o direito à honestidade, ao pedido de desculpa e ao reconhecimento dos erros dos poderosos. Ninguém pode ou deve esconder-se por detrás da bandeira do Brasil. Tentar usar desse expediente é mais do que desfaçatez: é covardia e traição para com o todo que nos une.

Não haveria governo sem um povo, sem eleitores; ou sem um país que nos une. Essa é a realidade permanente. A dualidade do contra e a favor é transitória, mas, sem o todo - o palco, a arena e o público pagante -, a disputa política não existiria. Noblesse, afinal, oblige!

O cavalo marinho da Grande Nuvem de Magalhães | The Seahorse of the Large Magellanic Cloud


Pode parecer um cavalo marinho pastando, porém o objeto escuro próximo à direita da imagem é, na verdade, um pilar de poeira fumacenta com cerca de 20 anos-luz de comprimento

A estrutura de poeira de formato curioso ocorre em nossa vizinha Grande Nuvem de Magalhães, em uma região de formação estelar muito próxima à espalhada Nebulosa da Tarântula

A energética nebulosa está criando um aglomerado estelar, NGC 2074, cujo centro é visível logo abaixo do topo da imagem, na direção do pescoço do cavalo marinho. A representativa imagem colorida foi registrada em 2008 pela Câmera Planetária de Campo Amplo 2 do Telescópio Espacial em homenagem à 100.000ª volta do Hubble ao redor da Terra. Quando estrelas jovens se formam no aglomerado, suas luzes e ventos vão lentamente erodindo os pilares de poeira ao longo dos próximos milhões de anos.

Tradução de Luiz Leitão

It may look like a grazing seahorse, but the dark object toward the image right is actually a pillar of smoky dust about 20 light years long. 

The curiously-shaped dust structure occurs in our neighboring Large Magellanic Cloud, in a star forming region very near the expansive Tarantula Nebula

The energetic nebula is creating a star cluster, NGC 2074, whose center is visible just off the top of the image in the direction of the neck of the seahorse. The representative color image was taken in 2008 by the Hubble Space Telescope's Wide Field Planetary Camera 2 in honor of Hubble's 100,000th trip around the Earth. As young stars in the cluster form, their light and winds will slowly erode the dust pillars away over the next million years.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Vídeo: base jumper sobrevive a choque contra penhasco



Este impressionante vídeo mostra uma praticante de base jumping sobreviver a um terrível impacto contra um penhasco em Lauterbrunnen, na Suíça.
A filmagem feita com a câmera presa ao capacete do esportista, mostra o momento em que seu paraquedas se enrola, fazendo com que ele fosse atirado violentamente contra a superfície rochosa do penhasco antes de cair no solo.
O base jumper sobreviveu à colisão mas teve a pélvis fraturada em três pontos, tendo de se submeter a uma cirurgia, além de passar três meses em uma cadeira de rodas e nove em recuperação.

LDN 988: Dark Nebula in Cygnus | LDN 988: Nebulosa escura em Cisne


Obscurecendo os ricos campos estrelados do norte do Cisne, a nebulosa escura LDN 988 situa-se próxima ao centro desta paisagem cósmica. Composta com telescópio e câmera, a cena tem cerca de 2 graus de diâmetro. 

Isso equivale a 70 anos-luz à distância estimada de LDN 988, de 2.000 anos-luz. Estrelas estão em formação em LDN 988, parte de um complexo maior de nuvens moleculares de poeira ao longo do plano da Via Láctea, às vezes chamado o Saco de Carvão do Norte.

De fato, nebulosidades associadas a jovens estrelas são abundantes na região, inclusive a estrela variável V1331 Cygni, mostrada no inserto. Na ponta de um longo filamento de poeira, e parcialmente circundado por uma nebulosa de reflexão, acredita-se que V1331 seja uma estrela T-Tauri, um tipo de estrela semelhante ao Sol, ainda em seus primeiros estágios de formação.

Tradução de Luiz Leitão


Obscuring the rich starfields of northern Cygnus, dark nebula LDN 988 lies near the center of this cosmic skyscape. Composed with telescope and camera, the scene is some 2 degrees across. 

That corresponds to 70 light-years at the estimated 2,000 light-year distance of LDN 988. Stars are forming within LDN 988, part of a larger complex of dusty molecular clouds along the plane of our Milky Way galaxy sometimes called the Northern Coalsack

In fact, nebulosities associated with young stars abound in the region, including variable star V1331 Cygni shown in the inset. At the tip of a long dusty filament and partly surrounded by a curved reflection nebula, V1331 is thought to be a T-Tauri star, a sun-like star still in the early stages of formation.

Aneis de gás concêntricos


Aneis de gás concêntricos, com fendas indicando formação planetária, são visíveis nesta concepção artistísitica divulgada pelo Observatório Austral Europeu. 

Algumas das mais detalhadas imagens já obtidas de novos planetas nascendo ao redor de uma estrela foram publicadas, as quais astrônomors disseram que poderiam transformar as teorias a respeito da formação planetária.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Vou mal das pernas





Roberto Damatta

Aos 14 ou 15 anos, ouvi surpreso e um tanto assustado essa frase sair da boca do meu avô Raul. É que ele, um desembargador aposentado pelo Amazonas, um Estado até hoje marginalizado neste nosso Brasil, que vai ficando republicano à custa de uma extraordinária ladroagem geral, universal e oficial, pouco falava e menos ainda reclamava. 

Dele eu me lembro do charuto, da proverbial impaciência com crianças pequenas e da cadeira de rodas onde um derrame cerebral o condenou a ficar sentado até morrer. A frase foi um desabafo por um estado físico complicado e pouco entendido. Pois quando as pernas vão mal, o corpo - que, na verdade, corresponde ao todo físico da pessoa - também fica em péssimo estado. Afinal, esse corpo é tocado pelas pernas.

Eu imagino o sofrimento desse Raul que foi duas vezes casado e por duas vezes enviuvou; que teve a possibilidade, mas jamais usou pessoalmente a onipotência teológica-jurídica dada ao papel dos juízes e desembargadores no Brasil; que - alto, honesto e belo - detestava depender ou dar trabalho, imóvel no vime de sua cadeira movediça.

O seu "vou mal das pernas" foi dito quando não pôde levantar-se para cumprimentar a viúva do seu filho mais amado. Um médico paradoxalmente perdido aos 30 e poucos anos por uma doença autoimune então incurável. A moeda mais procurada, a ovelha mais preciosa, o amor mais idealizado, a profissão que mais traria sucesso é justamente a que sumiu, não ocorreu e, por causa disso, foi desesperadamente procurada ou ficou como uma frustração traumática, destinada a um permanente retorno.

O tempo que, mesmo quando ficamos parados, passa de qualquer modo e, modesto, existe e se faz sem ser percebido, me fez mais velho do que esse "velho Raul", morto aos 76 anos. Esse mesmo tempo, faz com que, aqui e agora, eu venha a dialogar com o rapazinho inocente que, lá e então, jamais pensou no significado de uma paralisia que produziu um desabafo tão profundo e dramático como esse "vou mal das pernas" do meu avô Raul. De fato, para o menino que, como todo menino, vive correndo e, para quem, correr é viver; era simplesmente impossível compreender as frustrações de um prisioneiro do próprio corpo. Um corpo, aliás, que surge como um extraordinário subversivo e um grande traidor em todas as nossas doenças. Um traiçoeiro amigo íntimo do qual não podemos escapar.

Tive uma experiência idêntica, mas felizmente passageira, à do meu avô quando, num tombo, rompi o músculo da coxa de minha perna direita. Enfrentei as frustrações do me movimentar com ajuda de muletas, mas - pior que isso - de depender dos outros para coisas triviais. Pois o trivial é aquilo que fazemos sem pensar e fazer sem sentir é ser dono de si mesmo - algo raro neste cada dia mais imponente vale de lágrimas, no qual estamos com corpo e alma e, mais que isso, em corpo e em espírito. Um tendo a inevitável tarefa de dialogar com o outro

Mal das pernas, virei ranzinza, tornei-me um chato impaciente - quase viro um medalhão machadiano. Claro que aproveitei as muletas para viver o papel cheio de pequenos e detestáveis privilégios de um deficiente. Mas o básico dessa experiência foi o de ser obrigado a ficar fora do mundo. De viver olhando as pessoas subindo uma escada ou se ajoelhando sem problemas. 

Eu não podia me ajoelhar, eis o fato crítico. E aqui está o centro dessa narrativa. Se a pessoa não "cai de joelhos", não anda de joelhos e não sabe se ajoelhar, ela não se entende e não consegue ouvir e falar com o outro. E não vendo o outro, ela fica invisível, pois sem o outro nada somos e o outro mais amado e necessário é justamente o que nos faz ajoelhar. Seja para prometer ou implorar amor, seja para jurar fidelidade, seja para implorar ajuda, seja para fazer isso que o Brasil - paralisado pelos dilemas lulo-petistas - não consegue realizar faz uma década e dois anos: pedir perdão a si mesmo, antes que seja tarde demais. 

Não basta, como afirma um veemente ministro da Justiça, que é petista, dizer que vai apurar. É preciso que algo substitua a mendacidade. E esse algo não é o banal e sempre falado "cortar a própria carne" ou o rotineiro mentiroso "doa a quem doer". Não! É ajoelhar para reconhecer que estamos péssimos das pernas e fazer alguma coisa para sair da cadeira de rodas. Reconhecer não é fazer ou promover o acontecimento. E para nós, brasileiros comuns, o acontecimento esperado é ficar bom das pernas que movimentam o corpo. No caso desse inusitado e histórico roubo da Petrobrás, trata-se de acabar com a mendacidade e com as mistificações; trata-se de colocar um ponto final num sistema jurídico desenhado para criar e soltar quem é nobre ou, mesmo bandido, chega no centro da nobreza.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Buracos negros, grandes e pequenos | Small and Big Black Holes

Nesta   ilustração artística, turbulentos ventos de gás giram ao redor de um buraco negro. Parte do gás está espirando para dentro na direção do buraco negro,mas outra está sendo soprada para longe.
Buracos negros são lugares no espaço onde a gravidade exerce uma atração tão forte que nem sequer a luz consegue sair de lá. A gravidade é tão forte assim porque a matéria foi espremida em um espaço minúsculo. Isso pode ocorrer quando uma estrela está morrendo.
Como nenhuma luz pode escapar, as pessoas não conseguem ver os buracos negros. Eles são are invisíveis. Telescópios espaciais com ferramentas especiais podem ajudar a encontrar buracos negros. As ferramentas especiais podem ver como as estrelas que estão muito próximas a buracos negros agem de modo diferente das demais.
Quão grandes são os buracos negros?

Buracos negros podem ser grandes ou pequenos. Cientistas acham que os menores buracos negros são tão pequenos quanto um átomo. Esses buracos negros são minúsculos, mas têm a massa de uma grande montanha. Massa é a quantidade de matéria, ou "coisa," de um objeto.
Tradução de Luiz Leitão
In this artist's illustration, turbulent winds of gas swirl around a black hole. Some of the gas is spiraling inward toward the black hole, but another part is blown away.
A black hole is a place in space where gravity pulls so much that even light can not get out. The gravity is so strong because matter has been squeezed into a tiny space. This can happen when a star is dying.
Because no light can get out, people can't see black holes. They are invisible. Space telescopes with special tools can help find black holes. The special tools can see how stars that are very close to black holes act differently than other stars.
How Big Are Black Holes?

Black holes can be big or small. Scientists think the smallest black holes are as small as just one atom. These black holes are very tiny but have the mass of a large mountain. Mass is the amount of matter, or "stuff," in an object.

Foi por pouco


Este pequeno avião cargueiro caiu sobre a lateral de uma casa em Chicago. Os moradores escaparam ilesos.

Galileo's Europa Remastered | Europa pela Galileu, remasterizada




Serpenteando através do sistema Joviano no final dos anos 1990, a espaçonave Galileu registrou deslumbrantes imagens de Europa, e descobriu provas de que a superfície gelada desta lua provavelmente oculta um profundo oceano global. 

Os dados de imagem de Europa obtidos pela Galileu foram recém-remasterizados aqui, com o uso de novas calibragens para produzir uma imagem colorida próxima à que o olho humano poderia ver. 

As longas fraturas curvas de Europa sugerem a existência de água subterrânea em estado líquido. A flexão gravitacional que a grande lua sofre em sua órbita elíptica ao redor de Júpiter fornece a energia para manter o oceano líquido. 

Ainda mais tentadora, porém, é a possibilidade de que mesmo na ausência de luz solar aquele processo também possa fornecer a energia para sustentar formas de vida, o que torna Europa um dos melhores lugares para se procurar por formas de vida além da Terra. Que tipo de vida poderia prosperar em um profundo e escuro oceano subterrâneo? Considere os camarões extremos da própria Terra.

Tradução de Luiz Leitão


Looping through the Jovian system in the late 1990s, the Galileo spacecraft recorded stunning views of Europa and uncovered evidence that the moon's icy surface likely hides a deep, global ocean.

Galileo's Europa image data has been newly remastered here, using improved new calibrations to produce a color image approximating what the human eye might see. 

Europa's long curving fractures hint at the subsurface liquid water. The tidal flexing the large moon experiences in its elliptical orbit around Jupiter supplies the energy to keep the ocean liquid. 

But more tantalizing is the possibility that even in the absence of sunlight that process could also supply the energy to support life, making Europa one of the best places to look for life beyond Earth. What kind of life could thrive in a deep, dark, subsurface ocean? Consider planet Earth's own extreme shrimp.