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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Contrabando de tartarugas


170 tartarugas da espécie Astrochelys radiata foram apreendidas pela alfândega francesa no aeroporto de Roissy, próximo a Paris - uma apreensão recorde dessa espécie ameaçada. As tartarugas foram encontradas escondidas na base dupla de seis caixas de pepinos do mar procedentes de Madagáscar com destino ao Laos.



domingo, 11 de janeiro de 2015

O 1.000º exoplaneta descoberto


O Hall da Fama do Kepler da NASA : Dois mais de 1.000 planetas descobertos pelo Telescópio Espacial Keplerda NASA, oito têm menos  do que o dobro do tamanho da Terra e estão nas zonas habitáveisde suas estrelas. Todos os oito orbitam estrelas mais frias e menores do que o Sol. A procura por  astros do tamanho da Terra nas zonas habitáveis de estrelas semelhantes ao Sol continua.

Quantas estrelas como o Sol abrigam planetas como a Terra? O Telescópio Espacial  Kepler da NASA  monitorou continuamente mais de 150.000 estrelas fora do nosso sistema solar, e até agora ofereceu aos cientistas uma variedadede mais de 4.000 possíveis planetas para maiores estudos —  o 1.000º dos quais foi verificado recentemente.
Usando dados do Kepler, cientistas alcançaram este marco milenar após confirmarem que outros oito  candidatos localizados pelo telescópio caçador de planetas são, de fato, planetas. A equipe do Kepler também acrescentou mais  554 candidatos ao rol de planetas potenciais, seis dos quais eram de tamanho semelhante ao da Terra e orbitam nas zonas habitáveis de estrelas similares ao Sol.
Três dos planetas recém confirmados estão localizados na zona habitável de seus distantes sóis, a faixa de distâncias da estrela-mãe onde pode haver água em estado líquido na superfície de uma planeta em sua órbita. Dos três, dois são provavelmente compostos de rocha, como a Terra.
"Cada resultado da arca do tesouro de dados da missão caça-planetas Kepler leva-nos mais um passo adiante para responder se estamos sozinhos no Universo," disse John Grunsfeld,  administrador associado  do Diretório de Missões Científicas da NASA na sede da agência em Washington. “A equipe do Kepler te sua comunidade científica continua a  produzir resultados impressionantes com os dados deste venerável explorador."
Para determinar de um planeta é composto de rocha,água ou gás, os cientistas precisam saber seu tamanho e massa. Quando sua massa não pode ser diretamente determinada, os cientistas podem inferir  do que o planeta é feito com base em seu tamanho.
Dois dos novos planetas confirmados, Kepler-438b e Kepler-442b, têm menos de 1,5 vez o diâmetro da Terra.Kepler-438b, distante 475 anos-luz,é 12 por cento maior do que a Terra e orbita suaa estrela uma vez a cada 35,2 dias. Kepler-442b, situado a 1.100 anos-luz da Terra é 33 por cento maior que ela e orbita suas estrela uma vez a cada 112 dias.
Tanto Kepler-438b quanto Kepler-442b orbitam estrelas menores e mais frias do que o Sol, tornando a zona habitável mais próxima de sua estrela-mãe, na direção da constelação da Lira. O artigo da pesquisa relatando esta descoberta foi aceito para publicação no The Astrophysical Journal.
"A cada nova descoberta desses pequenos e possivelmente mundos rochosos, nossa confiança se fortalece para a determinaçao da verdadeira frequência de planetas como a Terra," disse o coautor Doug Caldwell, cientista do SETI Institute Kepler no Centro de Pesquisas Ames da NASA, em Moffett Field, Califórnia. "O dia está chegando quando saberemos quão comuns são os planetas rochosos temperados como a Terra".

Com a detecção de mais de 554 possíveis planetas a partir de observações do Kepler conduzidas entre maio de 2009 e abril  de 2013, a equipe do Kepler aumentou a conta de possíveis planetas para 4.175. Oito desses novos possíveis planetas têm entre uma e duas vezes o tamanho da Terra, e orbitam nas zonas  habitáveis de suas estrelas. Desses oito, seis orbitem estrelas  similares ao Sol em tamanho e  temperatura. Todos os candidatos exigem observações de acompanhamento e análise para verificar-se se são de fato planetas.
“O Kepler coletou dados durante quatro anos— tempo suficiente para que nós possamos agora separar os possíveis planetas semelhantes à Terra em órbitas  de um ano terrestre”, disse Fergal Mullally, cientista do Kepler no Instituto SETI em Ames, que chefiou a análise do catálogo de novos possíveis planetas. “Estamos mais próximos do que nunca de encontrar gêmeos da Terra orbitando outras estrelas semelhantes ao Sol. São esses planetas que procuramos”.
Essas descobertas também  foram submetidas à publicação no The Astrophysical Journal Supplement.
O trabalho prossegue para traduzir essas recentes descobertas em estimativas de quão frequentemente planetas rochosos surgem nas zonas habitáveis de estrelas como o Sol, um importante passo adiante na meta da NASA de compreender nosso lugar no universo.

Tradução de Luiz Leitão


NASA Kepler's Hall of Fame: Of the more than 1,000 verified planets found by NASA's Kepler Space Telescope, eight are less than twice Earth-size and in their stars' habitable zone. All eight orbit stars cooler and smaller than our sun. The search continues for Earth-size habitable zone worlds around sun-like stars.

How many stars like our sun host planets like our Earth? NASA’s Kepler Space Telescope continuously monitored more than 150,000 stars beyond our solar system, and to date has offered scientists an assortment of more than 4,000 candidate planets for further study -- the 1,000th of which was recently verified.
Using Kepler data, scientists reached this millenary milestone after validating that eight more candidates spotted by the planet-hunting telescope are, in fact, planets. The Kepler team also has added another 554 candidates to the roll of potential planets, six of which are near-Earth-size and orbit in the habitable zone of stars similar to our sun.
Three of the newly-validated planets are located in their distant suns’ habitable zone, the range of distances from the host star where liquid water might exist on the surface of an orbiting planet. Of the three, two are likely made of rock, like Earth.
"Each result from the planet-hunting Kepler mission's treasure trove of data takes us another step closer to answering the question of whether we are alone in the Universe," said John Grunsfeld, associate administrator of NASA’s Science Mission Directorate at the agency’s headquarters in Washington. “The Kepler team and its science community continue to produce impressive results with the data from this venerable explorer."
To determine whether a planet is made of rock, water or gas, scientists must know its size and mass. When its mass can’t be directly determined, scientists can infer what the planet is made of based on its size.
Two of the newly validated planets, Kepler-438b and Kepler-442b, are less than 1.5 times the diameter of Earth. Kepler-438b, 475 light-years away, is 12 percent bigger than Earth and orbits its star once every 35.2 days. Kepler-442b, 1,100 light-years away, is 33 percent bigger than Earth and orbits its star once every 112 days.
Both Kepler-438b and Kepler-442b orbit stars smaller and cooler than our sun, making the habitable zone closer to their parent star, in the direction of the constellation Lyra. The research paper reporting this finding has been accepted for publication in The Astrophysical Journal.
"With each new discovery of these small, possibly rocky worlds, our confidence strengthens in the determination of the true frequency of planets like Earth," said co-author Doug Caldwell, SETI Institute Kepler scientist at NASA's Ames Research Center at Moffett Field, California. "The day is on the horizon when we’ll know how common temperate, rocky planets like Earth are.”
With the detection of 554 more planet candidates from Kepler observations conducted May 2009 to April 2013, the Kepler team has raised the candidate count to 4,175. Eight of these new candidates are between one to two times the size of Earth, and orbit in their sun's habitable zone. Of these eight, six orbit stars that are similar to our sun in size and temperature. All candidates require follow-up observations and analysis to verify they are actual planets.
“Kepler collected data for four years -- long enough that we can now tease out the Earth-size candidates in one Earth-year orbits”, said Fergal Mullally, SETI Institute Kepler scientist at Ames who led the analysis of a new candidate catalog. “We’re closer than we’ve ever been to finding Earth twins around other sun-like stars. These are the planets we’re looking for”.
These findings also have been submitted for publication in The Astrophysical Journal Supplement.
Work is underway to translate these recent discoveries into estimates of how often rocky planets appear in  the habitable zones of stars like our sun, a key step toward NASA's goal of understanding our place in the universe.


A poética da corrupção


Arnaldo Jabor

Com a corrupção a carne apodrece, a fruta definha e o alimento se espedaça em nossas mãos.

A corrupção enfeia nossos corpos e apaga a luz que brilharia em nossas almas, com a corrupção ninguém faz uma casa de boas pedras, com a corrupção ninguém pinta um paraíso no muro de uma igreja, nenhuma pintura será feita para durar nem para brilhar diante de nossos olhos, com a corrupção seu pão cada vez mais será de farrapos dormidos, seu pão será seco como papel sem trigo da montanha e sem nutritiva farinha, com a corrupção ninguém encontra um bom sítio para fazer sua casa, os tecelões são afastados de seus teares, a corrupção embota a agulha nas mãos das donzelas e desbota a graça dos tecidos, Dante não nasceu da corrupção, nem Piero della Francesca, nem Giotto, a corrupção enferruja o cinzel do escultor e as estatuas não se erguem, o azul vira um câncer na corrupção e não se bordam de ouro as vestes púrpuras, a corrupção apunhala a criança no ventre e a esmeralda não será lapidada e mata o prazer dos jovens amantes deitando entre seus corpos paralisados na cama, cadáveres sentarão na mesa dos banquetes sob as ordens da corrupção, a corrupção é obesa, a corrupção cria esposas desprezadas se consumindo e amantes cobertas de pérolas e juras de amor, a corrupção cria súbita dignidade em tribunais, cria ladrões de olhos em brasa, dedos espetados, uivos de falsas virtudes, negando os contratos de gaveta, os recibos falsos, os laranjas desdentados nas portas de empresas inexistentes. A corrupção provoca brados de honradez, socos nas mesas, babas indignadas nas negações em tribunais, hipócritas lágrimas de esguicho, punhos batidos no peito e clamores a Deus. A corrupção se sente superior à ridícula moralidade de classe media. A corrupção tem uma única vontade: vingar-se de inimigos, cobrar lealdade dos seguidores, exigir pagamentos de propina em dia.
A corrupção cria firmas sem dono, sem obras, vagando num deserto jurídico e contábil que leva ao caos proposital, a corrupção aumenta a amizade entre as famílias de safados, cria os cálidos abraços, os sussurros de segredo nos cantos das varandas, o piscar de olhos matreiros, as cotoveladas cúmplices, os charutos comemorativos, vastos jantares repletos de moquecas e gargalhadas, piadas, dichotes, sacanagens jucundas.
A corrupção valoriza a norma castiça da língua, palavras que dormem em estado de dicionário. A corrupção traz de volta interjeições e adjetivos raros: "ilibado", "despautério", "infâmias", "aleivosias"... A corrupção é o paraíso dos advogados, com ternos brilhantes, sisudos semblantes, liminares na cinta, serenidade cafajeste, 'chicanas' decoradas, diplomas comprados.
Com a corrupção, malas pretas voam em todas as direções, os dólares flutuam nos céus estrelados, as luas são sempre minguantes, os rostos nunca mostram o que pensam, as gargalhadas soam como latidos, as bocas salivam, os punhais saem das bainhas, os carros atropelam, as finas cordas apertam os pescoços, os assassinos se fartam, os olhos do povo olham impotentes. A corrupção confunde, é um labirinto, uma grande aranha em sua teia, a corrupção cria firmas em sanfona, uma dentro da outra, subsidiárias sem obras, vagando num labirinto jurídico e contábil que leva a um caos indecifrável, pois o emaranhado de roubalheiras dificulta apurações. No imaginário brasileiro, a corrupção tem uma aura heroica. São heranças da colônia, quando era belo roubar a Coroa. A corrupção é a mola mestra do atraso. A corrupção mostra que os lírios que apodrecem fedem mais que as ervas daninhas (Shakespeare). A corrupção desenha as caras deformadas de políticos, as barrigas, a gomalina dos cabelos, a boçalidade dos discursos, tudo compondo um estafermo fabricado com detritos de vergonhas passadas, cérebros encolhidos, olhos baços, irresponsabilidades fiscais, municípios apodrecidos, decapitações, ônibus em fogo. A corrupção escolhe seus peões entre os mais espertos dentre os mais rombudos e boçais. A corrupção transforma a estupidez em uma estranha forma de inteligência, uma rara esperteza para golpes sujos e sacos-puxados. A corrupção é fabricada entre angus e feijoadas do interior, em favores de prefeituras, em pequenos furtos municipais, em conluios perdidos nos grandes sertões. A corrupção é a torta escultura feita de palha e barro, de gorjetas, de sobras de campanha, de canjica de aniversários e água benta de batismos. A corrupção explica o País, pois tem raízes e tradição: avô ladrão, bisavô negreiro e tataravô degredado. A corrupção durante quatro séculos criou capitanias, igrejas, congressos, golpes e tomadas de poder. A corrupção tem um vago sentimento de poesia brasileira. A corrupção para muitos se julga revolucionária, roubando para um futuro imaginário e mentiroso, para enganar otários cheios de esperança. A corrupção é um rabo de lagarto que sempre se recompõe, renasce quando cortado.
A corrupção cria, esculpe, organiza as imposturas, as perfídias, os sepulcros caiados, os beijos de Judas, os abraços de tamanduá, as lágrimas de crocodilo.
(*) Com gratidão a Ezra Pound por seu Canto XLV - A Usura.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Pêlo de Raposa, Unicórnio, e uma Árvore de Natal | A Fox Fur, a Unicorn, and a Christmas Tree


O que as seguintes coisas têm em comum: um cone, o pêlo de uma raposa, e uma árvore de Natal? Resposta: todas elas ocorrem na constelação do unicórnio (Monoceros). 

Fotografada como uma região de formação estelar e catalogada como NGC 2264, o complexo amontoado de gás e poeira cósmicos está distante cerca de 2.700 anos-luz emistura emissões avermelhadas de nebulosas excitadas por luz energetica de estrelas recém-formadas com nuvens interestelares de poeira escura

Quando as geralmente obscurecedoras nuvens de poeira situam-se próximas às quentes estrelas jovens, elas também refletem luz sol, formando nebulosas de reflexão azuis. A imagem estende-se aproximadamente pelo equivalente ao diâmetro da Lua cheia, cobrindo cerca de 30 anos-luz à distância de NGC 2264. 

Sua coleção de personagens cósmicos  inclui a Nebulosa do Pêlo de Raposa, cuja crosta contorcida situa-se embaixo, à direita, a estrela variável S Mon, visível logo acima da Pêlo de Raposa, e a Nebulosa do Cone, à esquerda da imagem. 

Por causa de sua distribuição, as estrelas de NGC 2264 são também chamadas o aglomerado estelar da Árvore de Natal. O formato triangular traçado pelas estrelas aparece aqui com seu ápice na Nebulosa do Cone, com sua base mais ampla próxima a S Mon, à direita.

Tradução de Luiz Leitão


What do the following things have in common: a cone, the fur of a fox, and a Christmas tree? Answer: they all occur in the constellation of the unicorn (Monoceros). 

Pictured as a star forming region and cataloged as NGC 2264, the complex jumble of cosmic gas and dust is about 2,700 light-years distant and mixes reddish emission nebulae excited by energetic light from newborn stars with dark interstellar dust clouds. 

Where the otherwise obscuring dust clouds lie close to the hot, young stars they also reflect starlight, forming blue reflection nebulae. The image spans about the diameter of a full moon, covering about 30 light-years at the distance of NGC 2264. 

Its cast of cosmic characters includes the Fox Fur Nebula, whose convoluted pelt lies on the lower right, bright variable star S Mon visible just above the Fox Fur, and the Cone Nebula on the image left. 

Given their distribution, the stars of NGC 2264 are also known as the Christmas Tree star cluster. The triangular tree shape traced by the stars appears here with its apex at the Cone Nebula on the left with its broader base near S Mon on the right.



sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Precisamos ser investigados!


Roberto Damatta

A diretora da Petrobrás admitiu num café da manhã concedido aos jornais, no dia 17 do corrente, que ela "Precisa ser investigada. Os diretores, nós precisamos ser investigados".

Seu axioma é simples: eu não temo a verdade, logo admito uma investigação. A perquirição é, em princípio, incompatível com a verdade; ou, melhor dizendo, ela conduziria a uma prova de que tanto a diretora quanto a sua diretoria, nada têm a ver com a petrogatunagem que envergonha o empresariado nacional e enxovalha o governo Dilma, o PT e seus sequazes.

É o pior presente de Natal da história do Brasil.

Mas esse brado de autoinvestigação permite uma ressalva que eu tomo a liberdade de fazer com um pedido de vênia à Sra. Graça Foster.

Um inquérito não comprova a verdade. A investigação é um meio para se chegar à verdade ou à mentira. Ou, talvez pior que isso e como estamos fartos de testemunhar, a investigação, o julgamento, os recursos proporcionados aos poderosos pela nossa douta teologia jurídica na qual uma ética de isenção passa ao largo, simplesmente legalizam a falcatrua e, assim fazendo, legitimam o lado mais sombrio da impunidade. Faz-se a injustiça por meio da Justiça!

Eis uma inversão inadmissível em qualquer coletividade minimamente honrada e fiel a si mesma. Torturar, roubar e assassinar não devem santificar ninguém.

Guimarães Rosa dizia que "o começo é tudo". Uma vez montado um plano, um enredo ou uma política, essas máquinas demandam coisas insuspeitas dos seus autores. Se o enredo requer um velho e os atores são jovens, há que se usar um maquiador para tornar um jovem, velho. No regime militar, montou-se um teatro que excluía parte da plateia ou até mesmo a quarta parede como realidade. Se o caminho foi para sul ou para o norte, o que se segue é - desculpem o óbvio - seguido. Mudar o passo no meio do salto resulta em queda ou desastre. Quando escolhemos um rumo, este rumo faz demandas e nos coage a tomar certas atitudes. Quando um regime que pretende restaurar a ordem promove e proíbe a discordância, como foi o caso do regime militar, tudo se torna político e passível de ser investigado. Um piscar de olhos vira sinal de uma conspiração, e uma música um hino revolucionário. Se a porta tem uma pequena brecha, é preciso arrombá-la, o que leva à criação de portas de aço.

Não há como obter democracia negando aquilo que é a própria democracia: o direito de discordar. Suprima-se esse princípio e você inventa em nome da ordem, a subversão e a traição.

A violência surge quando o direito de criticar e discordar é escamoteado ou proibido em nome de alguma coisa. Investigar e se escandalizar com a roubalheira da Petrobrás não significa que se quer acabar com ela. Pelo contrário, o que se deseja é salvá-la. O reinado da lei só existe quando a lei não foi rasgada ou controlada por uns poucos ou em nome de algo intocável ou sagrado. Pois a lei é o meio pelo qual, numa sociedade de iguais em direitos, valores são invocados, disputados e discutidos e trocam de lugar como verdades ou mentiras. A mobilidade é parte da vida democrática e ela inclui também crenças, utopias e tabus.

Um velho sábio dizia que não se pode viver sem a mentira, que é companheira da verdade. Mas se verdade e mentira formam um par, esse par só é legítimo na medida em que a mentira não seja estimulada. Em outras palavras, não se constitua como um valor.

O clamor da diretora pode ser interpretado neste sentido. Nele, há o grito do aprendiz de feiticeiro pedindo socorro a um bom exorcista. O fogo começa a pegar naqueles que talvez o ignoravam ou achavam que podiam controlá-lo. Não sei...

O que sei e lamento é que quando o escândalo vira rotina, há algo profundamente tortuoso com os valores de um país. Não há como não concordar com FHC que o Brasil perdeu o rumo. E num sistema sem rumo, nem o capitalismo que promoveria o fim do mundo termina; e seria impossível conceber uma nova utopia com um comissariado desonesto. Aliás, com esse elo estrutural entre política e roubalheira, não dá nem para nomear um ministério.

Não se trata simplesmente de separar a honestidade da corrupção fazendo um ingênuo pacto político para eliminar a ladroagem. O honesto e o desonesto, como o bem o mal, fazem parte da mesma moeda e ocorrem em todo lugar. A questão não é tentar acabar com um lado que não existe sem o outro, mas compreender que a desonestidade só é normal se for ilegitimada e punida. Com os dois pesos e medidas da velha malandragem nacional estudada por mim faz tempo, a verdade não sai do fundo do poço. A honestidade só vai se transformar num valor, quando a desonestidade perder a sua aura de santidade e esperteza. Precisamos, sim, ser investigados porque estamos perdidos num labirinto que construímos e jogamos fora o fio de Ariadne: o valor - escolha do caminho da luz e da lei. A capacidade de dizer não a nós mesmos.

Termino desejando a todos os que me honram lendo essa coluna um Feliz Natal e próspero ano novo.

Estrelas e poeira em Corona Australis | Stars and Dust in Corona Australis


Nuvens de poeira cósmica e jovens estrelas energéticas habitam esta visão telescópica, distante menos de 500 anos-luz, nas proximidades da fronteira de Corona Australis, a Cruz do Sul. A poeira bloqueia efetivamente a luz de estrelas de fundo mais  distantes na Via Láctea

Mas o impressionante complexo de nebulosas de reflexão catalogado como NGC 6726, 6727, e IC 4812 produz uma cor azul característica quando a luz das estrelas jovens e quentes da região é refletida pela poeira cósmica. A poeira também obscurece da visão estrelas ainda em processo de formação. 

À esquerda, uma nebulosa menor amarelada, NGC 6729, inclina-se ao redor da jovem estrela variável R Coronae Australis. Logo abaixo dela, arcos incandescentes e laços atingidos por fluxos de saída de estrelas recém-formadas incrustradas são identificados como objetos Herbig-Haro. No céu, este campo de visão se estende por cerca de 1 grau. Isso corresponde a quase 9 anos-luz à distância estimada da região próxima de formação estelar.

Tradução de Luiz Leitão
Cosmic dust clouds and young, energetic stars inhabit this telescopic vista, less than 500 light-years away toward the northern boundary of Corona Australis, the Southern Crown. The dust clouds effectively block light from more distant background stars in the Milky Way

But the striking complex of reflection nebulae cataloged as NGC 6726, 6727, and IC 4812 produce a characteristic blue color as light from the region's young hot stars is reflected by the cosmic dust. The dust also obscures from view stars still in the process of formation. 

At the left, smaller yellowish nebula NGC 6729 bends around young variable star R Coronae Australis. Just below it, glowing arcs and loops shocked by outflows from embedded newborn stars are identified as Herbig-Haro objects. On the sky this field of view spans about 1 degree. That corresponds to almost 9 light-years at the estimated distance of the nearby star forming region.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Charlie Hebdo’s Martyrs



Above all, I'm a journalist, and my heart is with the families of those Charlie Hebdomadaire's cartoonists who died because they dared to express their freedom. I first read Charlie Hebdo in 1975, to practice my French and have some fun.
This already timed cover of the paper reads: "Charia Hebdo", 100 lashes if you don't die of laughing. They also made jokes with the Pope, Rabbis, and other religious leaders. So what? If there's just one God (and otherwise we'd have a war of gods), whose is the real McCoy?
The real one is within your heart, if you do believe in gods; if not, it's in your conscience. This last one reads: Love is stronger than hatred.



Mercedes-Benz F015


O carro conceito autônomo Mercedes-Benz F015 Luxury in Motion é mostrado no palco durante o 2015 International Consumer Electronics Show, em Las Vegas, Nevada, EUA, em 5 de janeiro de 2015. A alemã Daimler AG quer renovar as expectativas dos consumidores a respeito de carros autodirigíveis com seu conceito  futurístico Mercedes-Benz F 015. 

Hubble 25º aniversário: Os Pilares da Criação | Hubble 25th Anniversary: Pillars of Creation


Para comemorar 25 anos (1990-2015) de exploração do Universe a baixa órbita terrestre, as câmeras do Telescópio  Espacial Hubble foram  usadas para rever sua mais simbólica imagem. 

O resultado é esta visão mais nítida e ampla da região apelidada os Pilares da Criação, fotografafa pela primeira vez pelo Hubble em 1995. Estrelas estão se formando nas profundidades das altas estruturas. 

As colunas de gás frio e poeira com anos-luz de extensão estão distantes cerca de 6.500 anos-luz em M16, a Nebulosa da Águia, próximas à constelação da Serpente. Esculpidos e erodidos pela energética luz ultravioleta e os poderosos ventos do aglomerado de jovens e grandes estrelas de M16, os pilares cósmicos propriamente ditos estão destinados à destruição. 

Mas o turbulento meio ambiente de formação estelar dentro de M16, cujos espetaculares detalhes são registrados nesta foto em luz visível do Hubble, é, provavelmente, similar ao meio ambiente no qual se formou o Sol.

Tradução de Luiz Leitão

To celebrate 25 years (1990-2015) of exploring the Universe from low Earth orbit, the Hubble Space Telescope's cameras were used to revisit its most iconic image. 


The result is this sharper, wider view of the region dubbed the Pillars of Creation, first imaged by Hubble in 1995

Stars are forming deep inside the towering structures. The light-years long columns of cold gas and dust are some 6,500 light-years distant in M16, the Eagle Nebula, toward the constellation Serpens. Sculpted and eroded by the energetic ultraviolet light and powerful winds from M16's cluster of young, massive stars, the cosmic pillars themselves are destined for destruction. 

But the turbulent environment of star formation within M16, whose spectacular details are captured in this Hubble visible-light snapshot, is likely similar to the environment that formed our own Sun.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Oito planetas habitáveis encontrados orbitando estrelas distantes na "Zona Goldilocks" | Eight habitable planets found orbiting distant suns in 'Goldilocks zone'


Oito novas ‘Terras’ que podem conter água em estado líquido, além de abrigar vida foram identificadas orbitando uma distante estrela em nossa galáxia.
Os novos astros dobram a quantidade de pequenos exoplanetas que se acredita circundarem suas estrelas na 'Zona Goldilocks' - nem quente demais, nem excessivamente fria, onde a água não se vaporizaria ou congelaria.
como a água em estado líquido é essencia para a vida na Terra, muitos cientistas acreditam que a procura por vide extraterreste deve se concentrar en planetas onde ela ocorre.
''A maioria desses planetas têm  boas chances de serem rochosos, como a Terra,'' disse o cientista principal, Dr Guillermo Torres, do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica em Cambridge, EUA.
Dos oito, os dois planetas mais parecidos com a Terra são denominados Kepler-438b e Kepler-442b. Eles orbitam estrelas anãs vermelhas que são menores e mais frias do que o Sol.
Com um diâmetro apenas 12 por cento maior que o da Terra, Kepler-438b tem 70% de chance de ser rochoso, calculam os cientistas. Kepler-442b é cerca de um terço maior do que a Terra, e a probabilidade de ser rochoso é de uns 60%.
Os planetas estão na zona onde recebem aproximadamente a mesma quantidade de luz solar do que a Terra. Se recebem calor demais de suas estrelas, a água ferve e se evapora. Se o calor for muito pouco, a água congela.
''Para nossos cálculos, decidimos adotar os limites mais amplos possíveis que possam plausivelmente conduzir a condições adequadas à vida,'' acrescentou o Dr. Torres.
Kepler-438b recebe cerca de 40% mais insolação do que a Terra, com 70% de probabilidade de ter uma órbita na zona habitável. Em comparação, o quente Vênus tem o dobro disso.
O outro planeta recebe cerca de dois terços da luz captada pela Terra, e tem 97% de probabilidade de estar na zona habitável.
O coautor, Dr. David Kipping, também do Centro de Astrofísicam disse: ''Não sabemos ao certo se qualquer dos planetas de nossa amostra são realmente habitáveis. Tudo o que podemos dizer é que são candidatos promissores.''
O novo planeta foi descoberto através do telescópio Kepler, lançado em março de 2009 para procurar planetas de tamanho semelhante ao da terra em zonas habitáveis na Via Láctea.
O telescópio detecta planetas quando suas órbitas cruzam diante de suas estrelas e causam uma minúscula, mas periódica, redução no brilho delas.
Entretanto visitar os planetas à procura de vida é virtualmente impossível. Kepler-438b está situado a 470 anos-luz da Terra, enquanto o mais distante, Kepler-442b está distante 1.100 anos-luz. Mesmo o planeta mais próximo está distante 2.726 trilhões de milhas da Terra, e a luz que chega a Kepler tem centenas de anos de idade.
A equipe, cujas descobertas foram apresentadas no encontro anual da Sociedade Astronômica Americana  em Washington DC, estudou possíceis planetas anteriormente identificados pelo telecópio espacial Kepler da NASA.
A pesquisa também foi publicada no Astrophysical Journal.
 Tradução de Luiz Leitão
Eight new ‘Earths’ which may hold liquid water and could sustain life has been spotted orbiting a distant sun in our galaxy.
The new worlds double the number of small exo-planets believed to be circling their stars in the 'Goldilocks zone' - neither too hot, nor too cold, where water would not evaporate or freeze.
Since liquid water is critical to life on Earth, many scientists believe the search for extraterrestrial life should focus on planets where it occurs.
''Most of these planets have a good chance of being rocky, like Earth,'' said lead scientist Dr Guillermo Torres, from the Harvard-Smithsonian Centre for Astrophysics in Cambridge, US.
The two most Earth-like planets out of the eight are known as Kepler-438b and Kepler-442b. They orbit red dwarf stars that are smaller and cooler than the Sun.
With a diameter just 12 per cent bigger than Earth, Kepler-438b has a 70 per cent chance of being rocky, the scientists have calculated. Kepler-442b is about one-third larger than Earth, and the likelihood of it being rocky is around 60 per cent.
The planets are in the zone where they receive roughly as much sunlight as Earth. Too much heat from its star, and any water would boil away as steam. Too little, and the water would freeze solid.
''For our calculations we chose to adopt the broadest possible limits that can plausibly lead to suitable conditions for life,'' Dr Torres added.
Kepler-438b receives about 40 per cent more light than the Earth giving it a 70 per cent probability of having a habitable zone orbit. In comparison, baking hot Venus has twice as much.
The other planet gets about two-thirds as much light as Earth and is 97 per cent likely to be in the habitable zone.
Co-author Dr David Kipping, also from the Centre for Astrophysics, said: ''We don't know for sure whether any of the planets in our sample are truly habitable. All we can say is that they're promising candidates.''
The new planet was discovered using NASA’s Kepler telescope which was launched in March 2009 to search for habitable zone, Earth-sized planets in the Milky Way.
The telescope detects planets as their orbits cross in front of their star and cause a very tiny but periodic dimming of the star’s brightness.
However visiting the planets to check for life is virtually impossible. Kepler-438b is located 470 light-years from Earth while the more distant Kepler-442b is 1,100 light-years away. Even the nearer planet is 2726 trillion miles away and the light reaching Kepler is hundreds of years old.
The team, whose findings were presented at the American Astronomical Society's annual meeting in Washington DC, studied planetary candidates first identified by the US space agency Nasa's Kepler space telescope.
The research is also published in the Astrophysical Journal.

Compromisso com a mediocridade



José Nêumanne
Direitistas do peito, antigos delinqüentes e derrotados denotam governo medíocre
Quando a presidente reeleita Dilma Rousseff anunciou o executivo da área financeira Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, a direita reagiu com espanto e a esquerda, com raiva. No entanto, ela apenas seguiu o figurino de seu primeiro governo, inspirado em seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. No caso específico, ela foi buscar o profissional para decepar os nós da economia a serem enfrentados no segundo governo em dois lugares confiáveis: o segundo escalão da assessoria do adversário tucano, Aécio Neves, e a indicação do banqueiro amigo Lázaro de Mello Brandão, chefe do segundo maior banco privado do País e velho aliado.
O chamado mercado ficou perplexo porque não contava com a astúcia de nossa figura “chapolinesca”. Por falta de desconfiômetro e de sagacidade, os magnatas do negócio financeiro contavam com mais uma figurinha acadêmica carimbada do PT, nos moldes de Guido Mantega, o descartado, ou Aloizio Mercadante Oliva, a bola da vez na sinuca de madame. Ledo e “ivo” engano, dir-se-ia antigamente. Este escriba, precavido, não se surpreendeu por dois motivos: primeiramente, por ter aprendido a entender os atos da alta cúpula petralha no poder, sempre opostos à retórica da propaganda com a qual engana o eleitorado; e, em segundo lugar, por se lembrar de, em palestra no Conselho de Economia da Fiesp, o respeitado macroeconomista Octavio de Barros, vice-presidente do Bradesco, ter feito em priscas eras apaixonadíssimo discurso de louvação à gestão econômica do nosso padim Ciço do Agreste.
Surpreenderam-se os desatentos que não prestaram atenção nesses aparentes detalhes, que, na verdade, são essenciais. O filmete dos banqueiros tomando a comida do trabalhador para associar Neca Setubal, do Itaú, com a adversária Marina Silva era apenas uma patranha de marqueteiro. Como Napoleão espalhou a sábia lição de que “do traidor só se aproveita a traição”, aviso dado antes de mandar fuzilar o alcaguete que lhe delatou as posições das tropas inimigas, Dilma sabe que se ganha o voto com a mentira do marketing político, mas se governa com quem conhece o caminho real das pedras. Pois então: avisou que ia convidar o presidente do banco amigo, Luiz Trabuco, e o recebeu na companhia de seu Brandão, que vetou a solução, mas apresentou uma saída razoável na pessoa de Levy, ex-luminar da gestão lulista. O discurso do banqueiro rapace serve para levar os votos dos tolos. A boa gestão recomenda o uso da frieza dos dedos de tesoura disponíveis – a velha fábula de ganhar com a esquerda e guiar com a direita. Até porque, se não der certo, é só trocar. Não faltarão nomes no colete de seu Brandão.
Os futuros ministros do segundo governo que vêm sendo indicados também não foram inspirados nos discursos do palanque eletrônico, mas nas lições do mestre Maquiavel de Caetés. Que importa se a presidente da Confederação Nacional da Agricultura, Kátia Abreu, assumiu a defesa sub-reptícia de uma “ordem medieval do trabalho” (apud Miriam Leitão) ao recorrer ao Supremo Tribunal Federal contra a implementação de normas explícitas a serem obedecidas pelos proprietários rurais, acusando-as de “preconceito ideológico contra o capitalismo”? A futura ministra é uma direitista do peito, amarrada à chefe por laços de afeto e admiração mútuos, assim como a Graciosa da Petrobrás.
Antes de nomear os novos ministros, a presidente tentou transferir parte de sua responsabilidade para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedindo acesso à delação premiada de Paulinho do Lula e de Beto Youssef para evitar nomear receptadores de propinas da roubalheira da Petrobrás. O ex-relator do mensalão Joaquim Barbosa chamou a iniciativa de “degradação institucional”. O loquaz ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, confessou o absurdo, em vez de dar uma de João sem braço. Ficou claro que na nomeação de seu primeiro escalão a chefe do governo leva em conta apenas as notícias do dia, em vez de compulsar os prontuários de seus futuros auxiliares. O líder da minúscula bancada governista do PRB na Câmara, George Hilton, vai tomar conta do Ministério do Esporte durante a Olimpíada no Rio, mesmo já tendo sido flagrado pela polícia carregando R$ 600 mil em pacotes de dinheiro vivo num avião privado. Kátia Abreu, Eduardo Braga e Hélder Barbalho são réus na Justiça. Aldo Rebelo tem ficha limpa, mas isso não basta para, com as palavras de ordem pré-históricas do PCdoB, comandar a pasta de Ciência e Tecnologia. Deus nos acuda.
Cid Gomes foi escolhido para o Ministério da Educação, apesar de ter sido acusado de pagar com dinheiro público o aluguel de um avião particular para viajar com a família (a sogra inclusive) para a Europa. E de ter conquistado com mérito a fama de Mecenas do semiárido por pagar cachês altíssimos a cantores como Ivete Sangalo e Plácido Domingo. Não o recomenda ao cargo a acusação de ter reagido a uma manifestação de professores afirmando: “Quem quer dar aula faz isso por gosto, não por salário. Se quer ganhar dinheiro, deixa o ensino público e vai pro privado”. Sua saída do Partido Socialista Brasileiro (PSB), traindo Eduardo Campos para ficar com a presidente, que obteve votação espetacular no Ceará, o recomendou para o cargo muito mais do que o trabalho pioneiro de seu secretário adjunto de Educação, Maurício Holanda Maia, mais adequado para o cargo.
A reunião de bons burgueses com antigos delinquentes e derrotados nas urnas e o “museu de novidades” (apud Josias de Souza) não bastarão, contudo, para definir com justiça a Esplanada dos Ministérios sob Dilma 2. Sua principal característica genérica é a mediocridade ampla, geral e irrestrita. A mediocridade tirânica, que não se basta, que tudo faz para se impor e governar, é a marca do governo que nos espera e do destino que nos fará engolir.

Jornalista, poeta e escritor
(Publicado no Estado de S. Paulo na Pag. A2 da quarta-feira 31 de dezembro de 2014)

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Kepler 438b


Um planeta alienígena que orbita uma estrela distante nae constelação da Lira pode ser o mais parecido com a Terra até hoje encontrado fora do sistema solar.
O planeta, nomeado Kepler 438b, é pouco maior do que a Tera e circunda  uma estrela anã laranja que lhe fornece  40% mais calor do que a Terra recebe do sol.
O reduzido tamanho de Kepler 438b significa que ele é, provavelmente, rochoso, enquanto sua proximidade em relação à sua estrala o coloca na zona “Goldilocks” ou habitável, onde a temperatura é adequada para que a água fula em estado líquido.
Uma superfície rochosa e água fluente são dois dos mais importantes fatores pelos quais os cientistas procuram quando avaliam as chances de um planeta poder abrigar vida.
Kepler 438b, distante 470 anos-luz, completa uma órbita ao redor de sua estrela a cada 35 dias, o que significa que um ano por lá passa dez vez mais rápido do que na Terra. Planetas pequenos têm maior probabilidade de serem rochosos do que os grandes, e, sendo apenas 12% maior do que a Terra, as chances de Kepler 438b ser rochoso são de cerca de 70%, disseram os pesquisadores.
Cientistas do Centro Harvard-Smithsoniano de Astrofísica anunciaram a descoberta em um encontro da Sociedade Astronômica Americana, em Seattle, na terça-feira, juntamente com sete outros planetas também situados nas zonas habitávis de suas estrelas. A aquisição duplica a quantidade de pequenos planetas – os que são menos de duas vezes maiores do que a Terra – que se acredita orbitarem as zonas habitáveis de suas estrelas-mães.
Todos eles foram localizados com o telescópio espacial Kepler da NASA, que detecta planetas quando eles de movimentam através das faces de suas estrelas, fazendo com que a luz registrada pelo telescópio diminua de intensidade periodicamente, em uma quantidade muito pequena.
Um dos outros planetas, Kepler 442b, situa-se na mesma constelação, a 1.100 anos-luz de distância. Ele é cerca de um terço maior do que a Terra, recebe dois terços a mais de luz estelar e tem 60% de chance de ser rochoso, segundo um relato a ser publicado no The Astrophysical Journal.

Os cientistas não sabem se os planetas têm atmosferas, mas se estiverem imersos em camadas de gás isolante, a temperaturas médias de Kepler 438b e 442b devem situar-se entre 60 e zero graus Celsius, respectivamente.Guillermo Torres, principal autor do estudo, disse que o tamanho e a quantidade de luz que cai nos planetas os torna os mais parecidos com a Terra até hoje encontrados fora do sistema solar. Antes dessa descoberta, os exoplanetas mais semelhantes ao nosso eram Kepler 186f, que é 10% maior do que a Terra e recebe um terço de sua luz, e Kepler 62f, que é 40% maior e recebe cerca de 41% mais luz.
A equipe do Harvard-Smithsonian usou um programa de computador chamado Blender para confirmar que os planetas originalmente identificados pelo telescópio espacial Kepler eram reais. Falsas visões podem ocorrer quando pares de estrelas situadas atrás da que está sendo estudada eclipsam-se mutuamente, fazendo com que a luz de fundo se reduza ligeiramente. Em alguns casos, isso pode ser confundido com um planeta movendo-se em frente à sua estrela.
“O par de estrelas pode estar muito atrás , mas se estiver na mesma linha de visão, o resultado é  um minúsculo esmaecimento, como um planeta, disse Torres.
O programa Blender dá uma probabilidade estatística de que o planeta é real, e não um efeito de estrelas de fundo eclipsando-se mutuamente. De 12 supostos planetas que Torres e colegas avaliaram com o programa, 11 revelaram-se como sendo mais de 99,7% provavelmente reais.
David Kipping, um coautor do estudo, disse que Kepler 438b e 442b eram “tão análogos à Terra quanto descobriremos através dos dados do Kepler”.
Astrônomos estão esperando ansiosamente pela próxima geração de telescópios, inclusive o que substituirá o Hubble,  o Telescópio Espacial James Webb, e o Telescópio Extremamente Grande da Agência Espacial Europeia, que está sendo construído no deserto Atacama, no Chile, para ajudá-los a examinar as atmosferas de planetas distantes, em busca de sinais de vida.
Nesse ínterim, cientistas planejam procurar outros sinais, indiretos, de que um planeta possa ser adequado à existência de vida. Kipping está vasculhando os dados do Kepler à procura de pistas de que alguns planetas tenham luas, o que pode aumentar suas chances de serem habitáveis. Noss Lua mesmo estabiliza a inclinação da Terra, Tornando as temperaturas muito menos erráticas do que de outra forma seriam. Planetas alienígenas que compartilham um sistema  solar com um gigante gasoso como Júpiter também são interessantes, porque o vasto tamanho do planeta atua como um escudo contra impactos devastadores de asteroides e cometas.
Tradução de Luiz Leitão
An alien world that orbits a distant star in the constellation of Lyra may be the most Earth-like planet ever found outside the solar system.
The planet, named Kepler 438b, is slightly larger than Earth and circles an orange dwarf star that bathes it in 40% more heat than our home planet receives from the sun.
The small size of Kepler 438b makes it likely to be a rocky world, while its proximity to its star puts it in the “Goldilocks” or habitable zone where the temperature is just right for liquid water to flow.
A rocky surface and flowing water are two of the most important factors scientists look for when assessing a planet’s chances of being hospitable to life.
Kepler 438b, which is 470 light years away, completes an orbit around its star every 35 days, making a year on the planet pass 10 times as fast as on Earth. Small planets are more likely to be rocky than huge ones, and at only 12% larger than our home planet, the odds of Kepler 438b being rocky are about 70%, researchers said.
Scientists at the Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics announced the discovery at a meeting of the American Astronomical Society in Seattle on Tuesday, along with seven other planets that also lie in the habitable zones of their stars. The haul doubles the number of small planets – those less than twice the size of Earth – believed to be orbiting in their parent stars’ habitable zones.
All were spotted with Nasa’s Kepler space telescope which detects planets as they move across the faces of their stars, causing the light picked up by the telescope to dim periodically by a minuscule amount.
One of the other planets, Kepler 442b, lies in the same constellation 1,100 light years away. It is about a third larger than Earth, receives about two thirds as much starlight, and has a 60% chance of being rocky, according to a report to be published in The Astrophysical Journal.

The scientists do not know if the planets have atmospheres, but if they are cloaked in insulating layers of gas, the mean temperatures of Kepler 438b and 442b are expected to be about 60 and zero degrees Celsius respectively.Guillermo Torres, lead author on the study, said the size and amount of light falling on the planets made them the most Earth-like planets yet found beyond our solar system. Before their discovery, the exoplanets most similar to our own were Kepler 186f, which is 10% larger than Earth and receives a third as much light, and Kepler 62f, which is 40% larger and gets about 41% as much light.
The Harvard-Smithsonian team used a computer program called Blender to confirm that the planets originally spotted by the Kepler space telescope were real. False sightings can happen when pairs of stars that lie behind the one being studied eclipse each other, causing the background light to dim slightly. In some cases, this can be mistaken for a planet moving in front of its star.
“The pair of stars can be way behind the target star, but if they are in the same line of sight, the result is a very tiny dimming that can look like a planet,” said Torres.
The Blender program gives a statistical probability that the planet is real and not an effect of background stars eclipsing one another. Of 12 suspected planets Torres and his colleagues assessed with the program, 11 came out at more than 99.7% likely to be real.
David Kipping, a co-author on the study, said that Kepler 438b and 442b were “as close to Earth analogues as we’re going to find in the Kepler data”.
Astronomers are keenly waiting on the next generation of telescopes, including Hubble’s replacement, the James Webb Space Telescope, and the European Extremely Large Telescope, which is being built in the Atacama desert in Chile, to help them examine the atmospheres of distant planets for signs of life.
In the meantime, scientists plan to look for other, indirect signs, that a planet may be well-suited for life. Kipping is searching through the Kepler data for hints that some planets have moons, which can improve their odds of being habitable. Our own moon stabilises Earth’s tilt, making the temperatures far less erratic than they would be otherwise. Alien planets that share a solar system with a gas giant like Jupiter are also interesting, because the vast size of the planet acts as a shield against devastating asteroid and comet impacts.