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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Three tree frogs | Três sapos arbóreos


Sapos arbóreos escalando um galho na floresta na região de Sambas, em Bornéu, Indonésia.

Tree frogs clambering onto a branch  in the forest in the Sambas region of Indonesian Borneo.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

OPALS:Raios de luz tornam a transmissão de dados mais veloz | OPALS: Light Beams Let Data Rates Soar


Na Estação Espacial Internacional, o Optical Payload for Lasercomm Science (OPALS) está  demonstrando quão facilmente as comunicações a laser estão acelerando o fluxo de informações entre a Terra e o espaço, em comparação aos sinais de rádio. A ciência das comunicações a laser também beneficia a terra. Downlinks nais rápidos do espaço poderiam permitir que as pessoas recebam vídeos de mais alta definição tanto dos satélites orbitando nosso planeta como de espaçonaves mais distantes no espaço, inclusive os jipes-sondas em Marte. 

Você pode conhecer opalas como pedras preciosas, mas algo especial chamado OPALS (OPALAS) flutua no espaço sobre nós. Na Estação Espacial Internacional, o Optical Payload for Lasercomm Science (OPALS) está demonstrando como as comunicações a laser podem acelerar o fluxo de informações entre a Terra e o Espaço, em comparação a sinais de rádio. 
"O OPALS demonstrou que transmissões de comunicações a laser do espaço para o solo são práticas e podem ser repetidas," disse Matthew Abrahamson, gerente da missão OPALS no  Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena, Califórnia. "Como bônus, O OPALS  coletou uma enorme quantidade de dados para o avanço da ciência de enviar lasers através da atmosfera. Nós esperamos continuar a testar essa technologia, que envia informações de e para o espaço mais rápido do que através de sinais de rádio."
A ciência de comunicações a laser traz benefícios também para a Terra. Downlinks mais velozes do espaço podem permitir que as pessoas recebam vídeos de mais alta resolução tanto dos satélites que orbitam nosso planeta quanto das espaçonaves mais distantes no espaço, inclusive os jipes-sondas em Marte.

A tecnologia de comunicações a laser tem ainda o potencial de fornecer conexões de Internet mais velozes em regiões remotas da Terra. Qualquer um que tenha interesse em downloads de alta velocidade e alta qualidade pode se beneficiar desta tecnologia – inclusive pesquisadores, engenheiros e consumidores.
O OPALS, que completou sua missão principal de quatro meses,foi  lançado para a estação a bordo de uma cápsula cargueira SpaceX Dragon em abril. A carga paga pôde estabelecer um link de comunicações ópticas quando seu laser agregou-se a um raio no solo emitido pela estação de solo do laboratório do Telescópio de Comunicações Ópticas no Observatório do JPL na Montanha Table em Wrightwood, Califórnia. A tecnologia utiliza um raio com quatro lasers individuais para obter a média dos efeitos da turbulência atmosférica.  
"Quatro lasers da estação em solo viajam através do céu em direção à estação espacial. Sob condições de céu de fundo claro e escuro, é muito fácil para a carga paga obter o raio do solo. As condições sob a luz do dia se mostraram mais desafiadoras, mas estamos trabalhando no aumento da capacidade durante o dia também, através de aprimoramentos de software," disse Abrahamson.  
O OPALS obteve 18 passagens com êxito da Montanha Table: nove durante o dia e nove à noite. A carga paga pôde rastrear o receptor em solo com impressionante precisão.
"Às vezes, o tempo (climático) representava um desafio, com nuvens obscurecendo os lasers. A carga paga mostrou a capacidade de reassumir o sinal após o bloqueio das nuvens," disse Abrahamson.

Tradução de Luiz Leitão


On the International Space Station, the Optical Payload for Lasercomm Science (OPALS) is demonstrating how laser communications can speed up the flow of information between Earth and space, compared to radio signals. Laser communication science has Earth benefits, too. Faster downlinks from space could mean people receive higher-definition video from both satellites orbiting our planet and spacecraft farther into space, including the Mars rovers. 

You may know opals as fiery gemstones, but something special called OPALS is floating above us in space. On the International Space Station, the Optical Payload for Lasercomm Science (OPALS) is demonstrating how laser communications can speed up the flow of information between Earth and space, compared to radio signals. 
"OPALS has shown that space-to-ground laser communications transmissions are practical and repeatable," said Matthew Abrahamson, OPALS mission manager at NASA's Jet Propulsion Laboratory in Pasadena, California. "As a bonus, OPALS has collected an enormous amount of data to advance the science of sending lasers through the atmosphere. We look forward to continuing our testing of this technology, which sends information to and from space faster than with radio signals."
Laser communication science has Earth benefits, too. Faster downlinks from space could mean people receive higher-definition video from both satellites orbiting our planet and spacecraft farther into space, including the Mars rovers. Laser communication technology also has the potential to provide faster Internet connections in remote areas on Earth. Anyone with an interest in high-speed, high-quality downloads may benefit from this technology– including researchers, engineers and consumers.
OPALS, which has completed its four-month prime mission, launched to the station aboard a SpaceX Dragon cargo capsule in April. The payload was able to establish an optical communications link when its laser locked onto a ground beacon emitted by the Optical Communications Telescope Laboratory's ground station at JPL's Table Mountain Observatory in Wrightwood, California. The technology uses a beacon with four individual lasers to average the effects of atmospheric turbulence.  
"Four lasers from the ground station travel through the sky toward the space station. Under clear, dark background conditions, it's very easy for the payload to acquire the ground beacon. Daylight conditions have proven more challenging, but we are working on increasing capabilities during the day as well, through software enhancements," Abrahamson said.  
OPALS had 18 successful passes from Table Mountain: nine during daylight and nine during nighttime. The payload was able to track the ground receiver with stunning accuracy.
"At times, weather was a challenge, with clouds obscuring the lasers. The payload showed the capability to reacquire the signal after cloud blockage," Abrahamson said.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

O misterioso metano de Marte | The Mysterious Methane of Mars

Legendas externas (no sentido horário, começando de baixo para cima, à esquerda do quadro) 1- Atividades biológicas produzem gases como CH4 (metano), H2S (sulfeto de hidrogênio)... 2- Processos vulcânicos ou hidrotérmicos produzem gases como SO2 (dióxido de enxofre), CO2 (dióxido de carbono)...e hidrocarbonetos como CH4 e C2H6 (etano) 3- O metano poderia estar armazenado na forma de clatratos). Legendas internas, de baixo para cima 1 Reservatório de água subterrâneo 2 Poro de conexão 3- Camada de gelo.

O que é que está criando metano em Marte? Recentes medições feitas plo jipe-sonda robótico Curiosity, atualmente percorrendo o planeta, indicam um surpreendente aumento de 10 vezes  na quantidade de metano entre medições feitas a um intervalo de apenas alguns meses

Os seres vivos são importantes produtores de metano na Terra e, portanto, crescem as especulações sobre a possibilidade de alguma forma de vida — possivelmente microbiana — estar criando metano sob a superfície de Marte. Entretanto há outras possibilidades, sendo um dos principais modelos o de o súbito aumento na quantidade de metano ser produzido pela mistura de substâncias químicas específicas existentes no solo com água subterrânear. 

As origens propostas para o metano marciano estão representadas na ilustração aqui mostrada. A origem do metano existente em Marte é  uma área objeto de intensas pesquisas, com missões como a Curiosity e a indiana Missão Orbital de Marte procurando pistas através da medição das variações na abundância de metano e possíveis subprodutos de diferentes processos de produção de metano.

Tradução de Luiz Leitão


What's creating methane on Mars? Recent measurements from the robotic Curiosity rover currently rolling across Mars indicate a surprising 10-fold increase in atmospheric methane between measurements only months apart. Life is a major producer of methane on Earth, and so speculation is rampant that some sort of life -- possibly microbial life -- is creating methane beneath the surface of Mars. Other possibilities do exist, though, with a leading model being the sudden release of methane produced by the mixing of specific soil chemicals with underground water. Proposed origins of Martian methane are depicted in the featured illustration. The origin of Mars' methane is a very active area of research, with missions like Curiosity and India's Mars Orbiter Mission searching for clues by measuring methane abundance changes and possible byproducts of different methane-producing processes.

NGC 7331 e além | NGC 7331 and Beyond


A grande e bela galáxia espiral NGC 7331 é frequentemente citada como sendo análoga à Via Láctea. Distante cerca de 50 milhões de anos-luz na constelação de Pégaso, no norte, NGC 7331 foi  desde cedo reconhecida como uma nebulosa espiral, e é, na verdade, uma das mais brilhantes galáxias não inclusas no famoso catálogo de Charles Messier, do século 18. 

Como o disco da galáxia está inclinado em relação à nossa linha de visão, longas exposições telescópicas frequentemente resultam em uma imagem que evoca uma forte sensação de profundidade. O efeito é ainda mais acentuado nesta nítida imagem de um pequeno telescópio por galáxias situadas além do deslumbrante universo-ilha

As galáxias de fundo mais proeminentes têm cerca de um décimo do tamanho aparente de NGC 7331 e, portanto, situam-se cerca de dez vezes mais longe. Seu alinhamento próximo no céu com NGC 7331 ocorre apenas por acaso. Visto através de esmaecidas nuvens de poeira em primeiro plano pairando acima do plano da Via Láctea, este agrupamento visual de galáxias é chamado o Grupo Deer Lick.

Tradução de Luiz Leitão

Big, beautiful spiral galaxy NGC 7331 is often touted as an analog to our own Milky Way. About 50 million light-years distant in the northern constellation Pegasus, NGC 7331 was recognized early on as a spiral nebula and is actually one of the brighter galaxies not included in Charles Messier's famous 18th century catalog. 

Since the galaxy's disk is inclined to our line-of-sight, long telescopic exposures often result in an image that evokes a strong sense of depth. The effect is further enhanced in this sharp image from a small telescope by galaxies that lie beyond the gorgeous island universe

The most prominent background galaxies are about one tenth the apparent size of NGC 7331 and so lie roughly ten times farther away. Their close alignment on the sky with NGC 7331 occurs just by chance. Seen through faint foreground dust clouds lingering above the plane of Milky Way, this visual grouping of galaxies is known as the Deer Lick Group.

Sete bons motivos para Graciosa largar o poço



José Nêumanne
Orgulha-se Dilma desta Petrobrás que maltrata funcionária que ousa delatar delinquentes?
Na quinta-feira o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, resumiu numa sentença lapidar a frustração de todos os brasileiros com a roubalheira na Petrobrás, que seus subordinados estão investigando na Operação Lava Jato: “Essas pessoas roubaram o orgulho dos brasileiros”. Fê-lo em Curitiba, onde tinha ido entregar a denúncia deles à Justiça, fechando a semana que começara cobrando a demissão da diretoria da estatal, em solenidade da instituição que chefia, no Dia Internacional de Combate à Corrupção. Incapaz de tomar uma atitude que não seja para cumprir ordem da chefe, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ali presente, ressuscitou o Conselheiro Acácio, de Eça, ao reconhecer a existência de indícios de corrupção na ex-maior empresa do Brasil (agora é a quarta, abaixo de Ambev, Itaú e Bradesco). Só depois negaria legitimidade ao cobrador, na ausência deste.
De fato, não é atribuição de Janot nomear ou demitir funcionários de uma empresa controlada pelo Estado e gerida, em última instância, pela chefe do governo, eleita pela maioria de seus proprietários, os cidadãos. No entanto, o procurador é o encarregado de zelar pela integridade, inclusive moral, das instituições. Faz parte de seus encargos combater a corrupção e denunciar os corruptos, tarefa que a própria “presidenta” encampou, de forma imprópria, na campanha em que se reelegeu. Além disso, ele, como qualquer brasileiro, está vendo nosso patrimônio erodir sob o impacto das picaretadas de um bando liderado pelo doleiro Alberto Youssef, facínora menor do Norte do Paraná. À sombra deste agiam petroleiros desavergonhados, como Paulo Roberto Costa, que o ex-presidente Lula chamava de Paulinho, Renato Duque e Pedro Barusco; e políticos do partido do governo e da base aliada, remanescentes do escândalo do roubo de Santo André, que resultou no assassínio ainda impune do prefeito Celso Daniel. E do mensalão, cujos operadores cumprem pena por graves crimes como corrupção e lavagem de dinheiro.
Se nós, pobres mortais cá na planície, nos enojamos e nos envergonhamos do noticiário que acompanhamos “diuturnamente e noturnamente”, como diria dona Dilma em seu vernáculo mambembe, o que dizer de um funcionário que, por dever de ofício, sabe tudo o que nos chega e muito mais? A reação do causídico Cardozo, ao assumir depois a defesa da diretoria da Petrobrás em entrevista, essa, sim, é que não tem propósito algum. Não tanto porque a função seria do ministro de Minas e Energia, cuja ausência mais uma vez se fez notar. Mas, sim, porque lhe cabe é chefiar, pelo menos em tese, os agentes da Polícia Federal que participam da devassa de algo que nos envergonha e mais deveria escandalizá-lo.
E agora sobram motivos para Cardozo retirar o que disse:
1) Domingo a manchete deste Estado foi: Petrobrás vale menos do que antes do pré-sal. Porque a “empresa, que chegou a valer R$ 737 bilhões em maio de 2008, hoje está avaliada em R$ 127 bilhões”.
2) No mesmo dia a Folha de S.Paulo noticiou a consequência dessa evidência da “gestão desastrosa”, da qual Janot reclamou: “25% dos investidores institucionais (fundos de pensão e investimento) reduziram, desde o início do semestre, em ao menos um terço o número de papéis negociados em Nova York que possuíam”.
3) Por causa disso, as ações preferenciais da estatal caíram anteontem 9,2%, atingindo o menor valor em mais de dez anos e levando o Ibovespa ao pior nível em nove meses. E o dólar subiu até R$ 2,75!
4) Na Veja desta semana, Lauro Jardim informa na coluna Radar: “Enquanto as maiores petrolíferas do mundo tiveram um crescimento médio acima de 20% nos últimos quatro anos, a Petrobrás desvalorizou-se 80,4% entre dezembro de 2010 e dezembro deste ano”. Exemplos: a ExxonMobil valorizou-se 24,5%; a Chevron, 26,2%; e a Shell, 17,5% – no mesmo período.
5) O Globo informou que a estatal comprou uma plataforma da SBM sem valor indicado no contrato. Para receber o US$ 1,2 bilhão da compra a vendedora teve de pagar US$ 36,3 milhões em propinas. Nem um botequim pé-sujo se manteria aberto se seu proprietário se arriscasse a assinar contratos com preço em aberto. Mas o causídico Cardozo jura que não há motivos para a diretoria da Petrobrás largar o poço...
6) Ontem o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro denunciou a estatal por suspeita de superfaturamento.
7) Graça Foster demitiu a geóloga Venina Velosa da Fonseca, assessora do delator premiado Paulo Roberto da Costa, impedindo que ela cuidasse de um “transtorno de ansiedade”, diagnosticado por uma clínica de Cingapura, para onde a tinha exilado. Isso porque esta ousou denunciar irregularidades que fizeram passar de R$ 4 bilhões para R$ 40 bilhões o custo da refinaria de Abreu e Lima (PE). A denúncia consta de documentos entregues por ela ao Valor Econômico. Neles está provado que, ao contrário do que disseram à comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) no Congresso a presidente, Graça Foster, e o diretor de Abastecimento e Refino, José Carlos Cosenza, ambos foram informados pela funcionária e não tomaram nenhuma providência. Ou seja, mentiram! A Petrobrás até tentou ontem desmentir a “empregada” Venina em nota oficial, mas não convenceu nem a Velhinha de Taubaté. Pois há cinco dias, em outra nota, garantia que foram instauradas comissões de inquérito para apurar as denúncias da geóloga. Como pôde investigar informações sem antes recebê-las?
Orgulha-se a presidente Dilma Rousseff da Petrobrás que, gerida por sua amiga Foster, por ela chamada de Graciosa, trata uma trabalhadora como agiu com a denunciante? Ou será o caso de dizer que maltratar um “empregado” que ouse desafiar e delatar delinquentes indicados pelo PT e aliados é mais uma “malfeitoria” da quadrilha que dilapida o patrimônio do povo brasileiro?
Jornalista, poeta e escritor
(Publicado na Pag.A2 do Estado de S. Paulo de quarta-feira 17 de dezembro de 2014).

domingo, 21 de dezembro de 2014

Vídeo: MiG russo quase colide com F-16 norueguês




A força aérea norueguesa divulgou no mês passado esta filmagem de um MiG russo quase colidindo com um de seus caças F-16.
O piloto foi obrigado a realizar uma súbita manobra evasiva para evitar o choque.
Segundo especialistas militares, o avião russo pode ter chegado a menos de  20 metros do caça norueguês.
O incidente aconteceu no espaço aéreo internacional, mas tais ocorrências são raras.

Markarian 209

Este chuveiro de brilho cósmico é uma compacta galáxia anã azul, chamada Markarian 209. Galáxias desse tipo têm tons azulados, tamanho compacto, muito gás e poucos elementos pesados. Elas são frequentemente usadas por astrônomos para o estudo da formação de estrelas, já que suas condições são similares às que se acreditava existirem no universo primordial.

Markarian 209 em particular é fartamente estudada. Ela é cheia de gás difuso  e pontilhada de regiões de formação estelar perto de seu núcleo. Esta imagem a flagra passando por um particularmente forte surto de formação estelar, visível como a região nublada de um azul mais claro, próxima à parte superior direita da galáxia. Esse aglomerado é recheado com estrelas muito jovens e também recém-formadas, muito quentes.
Inicialmente, acreditava-se  que essa galáxia fosse uma jovem galáxia passando por seu primeiro episádio de formação estelar, mas depois, pesquisas mostraram que Markarian 209 é, na verdade, muito antiga, com uma história quase ininterrupta de formação de novas estrelas. Acredita-se mesmo que ela nunca tenha tido um período de inatividade — durante o qual não há formação de estrelas — superior a 100 milhões de anos.
A população dominante de estrelas em Markarian 209 é ainda muito jovem, em termos estelares, com idades abaixo de 3 milhões de anos. Para se ter uma ideia, o Sol tem cerca de 4,6 bilhões de anos, e está na metade de sua vida.
As observações usadas para fazer esta imagem foram obtidas através da Câmera 3 de Campo Amplo do Hubble e da Câmera de Pesquisas Avançadas, e abrangem as partes do espectro de luz visível, ultravioleta e infravermelha. Outras galáxias brilhantes são visíveis espalhadas pela imagem, inclusive a brilhante nuvem oval dourada que poderia, por um truque de  perspectiva, ser confundida como sendo parte de Markarian 209, mas é, na verdade, uma galáxia de plano de fundo.
Tradução de Luiz Leitão
This sprinkle of cosmic glitter is a blue compact dwarf galaxy known as Markarian 209. Galaxies of this type are blue-hued, compact in size, gas-rich, and low in heavy elements. They are often used by astronomers to study star formation, as their conditions are similar to those thought to exist in the early Universe.
Markarian 209 in particular has been studied extensively. It is filled with diffuse gas and peppered with star-forming regions towards its core. This image captures it undergoing a particularly dramatic burst of star formation, visible as the lighter blue cloudy region towards the top right of the galaxy. This clump is filled with very young and hot newborn stars.
This galaxy was initially thought to be a young galaxy undergoing its very first episode of star formation, but later research showed that Markarian 209 is actually very old, with an almost continuous history of forming new stars. It is thought to have never had a dormant period — a period during which no stars were formed — lasting longer than 100 million years.
The dominant population of stars in Markarian 209 is still quite young, in stellar terms, with ages of under 3 million years. For comparison, the sun is some 4.6 billion years old, and is roughly halfway through its expected lifespan.
The observations used to make this image were taken using Hubble’s Wide Field Camera 3 and Advanced Camera for Surveys, and span the ultraviolet, visible, and infrared parts of the spectrum. A scattering of other bright galaxies can be seen across the frame, including the bright golden oval that could, due to a trick of perspective, be mistaken as part of Markarian 209 but is in fact a background galaxy.

Solstício no Mar Tirreno | Tyrrhenian Sea and Solstice Sky


Hoje, o solstício ocorre às 23h03 GMT, quando o Sol Atinge sua inclinação máxima para o sul no céu do planeta Terra. É claro que solsticio de dezembro assinala duas situações distintas: o começo do inverno no hemisfério norte e do verão, no sul

Quando observado de latitudes norte, como na imagem acima, horizontalmente comprimida, o Sol traça seu mais baixo arco ao longo do horizonte sul. Então, no norte, o dia do solstício tem a menor duração de tempo entre o nascer e o pôr-do-sol, e a menor quantidade de horas

Esta impressionante imagem composta mostra a trajetória do Sol durante o dia de solstício de dezembro no ano de 2005 em um belo céu azul, com a costa do mar Tirreno ao fundo, vista de Santa Severa, próximo a Fiumicino, Itália. A imagem cobre cerca de 115 graus em 43 exposições separadas e bem planejadaste, do nascer ao pôr-do-sol.

Na verdade, ao contrário do que disse uma apresentadora de TV no Brasil "os dias passam a ficar mais longos" a partir de agora, sim mas no norte; no sul, a duração deles vai diminuindo, até se igualar, no equinócio de outono/primavera (sul-norte, respectivamente).

Tradução de Luiz Leitão

Today the solstice occurs at 23:03 Universal Time, the Sun reaching its southernmost declination in planet Earth's sky. Of course, the December solstice marks the beginning of winter in the northern hemisphere and summer in the south. 

When viewed from northern latitudes, and as shown in the above horizontally compressed image, the Sun will make its lowest arc through the sky along the southern horizon. So in the north, the solstice day has the shortest length of time between sunrise and sunset and fewest hours of daylight. 

This striking composite image follows the Sun's path through the December solstice day of 2005 in a beautiful blue sky, looking down the Tyrrhenian Sea coast from Santa Severa toward Fiumicino, Italy. The view covers about 115 degrees in 43 separate, well-planned exposures from sunrise to sunset.

In fact, contrary to what a TV newscaster said in Brazil — "from no on, the days will become longer" — from now on, the days are indeed becoming gradually longer, but in the north, for in the south, they will be increasingly shortening, until the day they will have exactly the same length, both in the south and north.

sábado, 20 de dezembro de 2014

O mais longo salto de caminhão | Longest ever jump


Um caminhão de 16 toneladas bateu o recorde mundial pelo mais longo salto de todos os tempos - e o fez enquanto um carro de corrida de F1 passava sob ele.

Na ousada façanha o caminhão corre para o salto a 70 mph antes de voar pela surpreendente distância de 26 metros. Nesse ínterim, o piloto de proezas de F1 da Lotus Martin Ivanov, de 37 anos  - que já dirigiu carros em filmes de James Bond e Bourne - rapidamente passa sob ele.

Ninguém jamais havia tentado o salto com um trator e trailer antes, mas o dublê de Hollywood  Mike Ryan, famoso pela Fast & Furious e Terminator 2, estava ao volante do caminhão de 16,5 metros de comprimento. 


A 16-tonne transporter truck has set the world record for the longest ever jump - and did it while an F1 racing car drove underneath it. 

The daring stunt saw the lorry hurtle towards the jump at 70mph before leaping through the air a staggering 83 feet and seven inches. Meanwhile, 37-year-old Lotus F1 stunt driver Martin Ivanov - who has driven cars in both James Bond and Bourne films - quickly darts underneath it.

No one has ever attempted the jump with a tractor and trailer before but Hollywood stuntman Mike Ryan, of Fast & Furious and Terminator 2 fame, was behind the wheel of the 54ft truck. 

Noite de Moondog | Moondog Night


Nesta cena noturna nas primeiras horas de 14 de novembro, a luz da lua de quarto mingunate illumina as nuves sobre os domos do topo das montanhas no Observatório do Parque Nacional  Kitt Peak, próximo a Tucson, Arizona. 

O brilhante Júpiter está bem à esquerda do disco lunar superexposto com uma risca de lampejo das lentes da câmera imediatamente à direita, porém não se trata de uma bola de fogo de meteoro explodindo próxima ao centro da foto. 

Em vez disso, da perspectiva da beira da estrada, um impressionanetmente brilhante fenômeno chamado moondog ou paraseleno paira diretamente acima do telescópio WIYN de Kitt Peaks. Análogo a um sundog ou parélio, o paraseleno é produzido pelo luar refletido através de finos cristais de gelo hexagonais em formato de disco em altas nuvens cirrus. 

Conforme determina a geometria dos cristais, os paraselenae (plural) são vistos a um ângulo de 22 graus ou mais em relação à Lua. Comparados ao brilhante disco lunar eles são frequentemente mais tênues e fáceis de identificar quando a Lua está baixa. Cerca de 10 minutos após esta foto ter sido tirada, até mesmo este brilhante moondog havia sumido na noite.

Tradução de Luiz Leitão


In this night scene from the early hours of November 14, light from a last quarter Moon illuminates clouds above the mountaintop domes of Kitt Peak National Observatory near Tucson, Arizona. 

Bright Jupiter is just left of the overexposed lunar disk with a streak of camera lens flare immediately to the right, but that's no fireball meteor exploding near the center of the picture. 

Instead, from the roadside perspective a stunningly bright moondog or paraselene stands directly over Kitt Peaks's WIYN telescope. Analogous to a sundog or parhelion, a paraselene is produced by moonlight refracted through thin, hexagonal, plate-shaped ice crystals in high cirrus clouds. 

As determined by the crystal geometry, paraselenae (plural) are seen at an angle of 22 degrees or more from the Moon. Compared to the bright lunar disk they are more often faint and easier to spot when the Moon is low. About 10 minutes after the photograph even this bright moondog had faded from the night.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O Lago Laguna 513


Uma visão geral do Lago Laguna 513, situado a mais de 13.000 pés acima do nível do mar, em frente ao glaciar Hualcan, na reserva natural Huascaran, em Ancash, em 29 de novembro de 2014. 

Cientistas avisam que se um pedaço de gelo gigante se soltar do glaciar Hualcan, poderá disparar uma onda semelhante a um tsunami em Laguna 513, jogando uma torrente letal de água  em cascata vale abaixo, em Ancash, no Peru.

Espetáculo especular | Spectacular Especular

Este mosaico colorida em frequência de luz próxima ao infravermelho, obtida pela espaçonave-sonda Cassini da NASA mostra o Sol brilhando nos mares do polo norte de Titã. Embora a Cassini tenha registrado, separadamente, vistas dos mares polares  e do Sol brilhando e refletindo neles no passado, esta é a primeira vez que ambos foram vistos juntos na mesma imagem.
A luz solar, também chamada reflexão especular, é a área brilhante próxima à posição 11 horas, no alto, à esquerda. Este reflexo semelhante ao de um espelho, chamado ponto especular, está no sul do maior lago de Titã, Kraken Mare, logo ao norte de um arquipélago que separa duas partes do mar.
A porção sul de Kraken Mare (a área ao redor da marca especular próxima ao alto, á esquerda, mostra um  "anel de banheira" — uma brilhante margem de depósitos evaporados — a qual indica que o mar era maior em algum momento do passado, tornando-se menor devido à evaporação. Os depósitos são materiais deixados para trás após a evaporação do metano e etano líquidos, de forma parecida com a crosta de sal das planícies salinas.
O dados de resolução mais alta deste sobrevoo — a área visível imediatamente à direita do reflexo solar — cobre o labirinto de canais que ligam Kraken Marea a outro grande mar, Ligeia Mare. Ligeia Mare por si é parcialmente coberto em sua  extremidade norte por um brilhante complexo de nuvens em formato de flecha. As nuvens são compostas de gotículas de metano liquido, e podem estar reenchendo ativamente os lagos através de chuvas.
A vista foi registrada durante o sobrevoo de Titã em 21 de agosto de 2014 pela Cassini, também chamado "T104" pela equipe da Cassini.
Tradução de Luiz Leitão
This near-infrared, color mosaic from NASA's Cassini spacecraft shows the sun glinting off of Titan's north polar seas. While Cassini has captured, separately, views of the polar seas  and the sun glinting off of them  in the past, this is the first time both have been seen together in the same view.
The sunglint, also called a specular reflection, is the bright area near the 11 o'clock position at upper left. This mirror-like reflection, known as the specular point, is in the south of Titan's largest sea, Kraken Mare, just north of an island archipelago separating two separate parts of the sea.
The southern portion of Kraken Mare (the area surrounding the specular feature toward upper left) displays a "bathtub ring" — a bright margin of evaporate deposits — which indicates that the sea was larger at some point in the past and has become smaller due to evaporation. The deposits are material left behind after the methane & ethane liquid evaporates, somewhat akin to the saline crust on a salt flat.
The highest resolution data from this flyby — the area seen immediately to the right of the sunglint —cover the labyrinth of channels that connect Kraken Mare to another large sea, Ligeia Mare. Ligeia Mare itself is partially covered in its northern reaches by a bright, arrow-shaped complex of clouds. The clouds are made of liquid methane droplets, and could be actively refilling the lakes with rainfall.
The view was acquired during Cassini's August 21, 2014, flyby of Titan, also referred to as "T104" by the Cassini team.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

A vaca foi para o brejo?




Arnaldo Jabor

A única maneira de se ter esperança no Brasil de hoje é acreditar que os escândalos a que assistimos sejam o indício de uma mutação histórica, para melhor. 

Nunca vi nada igual. Todas as certezas estão desabando, toda fé, todas as esperanças morrem diante desta abundância de escrotidões, esse despautério de horrores. A gente liga a TV, lê o jornal e cai em cava depressão. "Tudo que é sólido desmancha no ar", como disse Marx, tão mal-entendido pela esquerda burra que tomou o poder na base da mentira e fraudes, como vemos com as granas "legais" que a tesouraria do PT recebeu dos restos de propinas. A velha "esquerda" sempre foi um sarapatel de populismo, getulismo tardio, leninismo de galinheiro e, desde 2002, inventou a adesão monstruosa aos velhos roubos da velha direita. 

A chegada do PT ao governo reuniu em frente única: as oligarquias privadas com o patrimonialismo do Estado petista. Foi o pior cenário para o retrocesso: Sarney, Calheiros, até o Collor, unidos aos idiotas bolivarianos. Essa base de ação foi o adubo para os crimes da Petrobrás e outras dezenas de roubalheiras em hidrelétricas, aeroportos, portos, tudo.

O advogado de um dos acusados disse a frase síntese: "No Brasil, se não der uma grana na mão dos governantes, nem um paralelepípedo você coloca no chão". E é o País inteiro, não apenas a PTbrás. 

Mas, de quem é a culpa disso tudo?

Claro que a responsabilidade principal é a aplicação bolchevique do "toma lá, dá cá", através do presidencialismo de cooptação para obter apoio dos partidos, ou seja, a corrupção permitida e estimulada é o motor petista da governabilidade. Pode uma coisa dessas? 

Será que os costumeiros ladrões já sacaram que a "mão grande" é o novo "hype"? 

A destruição da Lei de Responsabilidade Fiscal que Dilma iniciou é o exemplo dessa permissividade. Cada prefeitura do País vai partir para gastos corruptos. As instituições democráticas estão sem força, se desmoralizando, já que o próprio governo as desrespeita. 

Será que é culpa dos organismos arcaicos do Poder Judiciário? 

Ou será o surgimento de novos problemas que não são solucionáveis com os velhos mecanismos de poder? 

Mas o que preocupa é que todo esse gigantesco volume de crimes denunciados possa gerar um congestionamento na Justiça, uma turbulência irreversível que transforme tudo numa massa jurídica informe. O exército de advogados já está convocado para novas e caras chicanas. O que estamos vivendo pode virar um apocalipse institucional.

O Brasil está irreconhecível. Nunca pensei que a incompetência casada com o delírio ideológico promoveria este caos. Há uma mutação histórica em andamento, como disse acima, mas que pode ser para pior, para um "quarto mundo". Este desastre me lembra a metáfora de Oswald de Andrade, de que "as locomotivas estavam prontas para partir, mas alguém torceu uma alavanca e elas partiram na direção oposta". 

Isso causa não apenas o caos administrativo como também provoca uma mutação na mente e no comportamento das pessoas.

O Brasil está sendo desfigurado dentro de nossas cabeças, o imaginário nacional está se deformando. 

Há uma grande neurose no ar. Cria-se uma vontade de fuga. Nunca vi tanta gente falando em deixar o País e ir morar fora. 

As mudanças mentais são visíveis: nos rostos tristes nos ônibus abarrotados, na rápida cachaça às 6 da manhã dos operários antes de enfrentar mais um dia de inferno, nos feios, nos obesos, no desânimo das pessoas nas ruas, no pessimismo como único assunto em mesas de bar. 

Estamos experimentando sentimentos inesperados, dores nunca antes sentidas. Quais são os sintomas mais visíveis desse trauma histórico? 

Por exemplo, o conceito de solidariedade natural, quase 'instintiva', está acabando. Já há uma grande violência do povo contra si mesmo. Garotos decapitam outros numa prisão, ônibus são queimados por nada, com os passageiros dentro, meninas em fogo, presos massacrados, crianças assassinadas por pais e mães, uma revolta sem rumo, um rancor geral contra tudo. Cria-se um desespero de autodestruição e o País começa a se atacar. 

Outro nítido efeito na cabeça das pessoas é o fatalismo: "É assim mesmo, não tem jeito não". O fatalismo é a aceitação da desgraça. 

E crescem a desesperança e a tristeza. O Brasil está triste e envergonhado.

Essa fragilização da democracia traz de volta também um desejo de autoritarismo na base do "tem de botar para quebrar!". Já vi muito chofer de táxi com saudades da ditadura. 

A ausência de uma política contra a violência e a ligação de muitos políticos com o tráfico estimulam a organização do crime, que comanda as cadeias e já demonstra uma busca explícita do horror. A crueldade é uma nova arte incorporada em nossas cabeças, por tudo que vemos no dia a dia dos jornais e da TV. O horror está ficando aceitável, potável. 

O desgoverno, os crimes sem solução, a corrupção escancarada deixam de ser desvios da norma e vão criando uma nova cultura: a "normalização" da ignomínia; por trás do crime e da corrupção, consolida-se a cultura da mentira, do bolivarianismo, da preguiça incompetente e da irresponsabilidade pública. 

Vivemos um paradoxo, um pleonasmo: aqueles que pensam não sabem o que pensar - como refletir sem uma ponta de esperança? Todos falam: Precisamos fazer isso, fazer aquilo, mas ninguém sabe quem fará. Temos aí a nova escola crítica: a análise impotente da impotência, a "contemporaneidade" pessimista de intelectuais, a utopia da distopia. 

É difícil botar a pasta de dente para dentro do tubo. Há uma retroalimentação da esculhambação generalizada que vai destruindo as formas de combatê-la. Tecnicamente, não estamos equipados para resolver as deformações que se acumulam como enchentes, como um rio sem foz. 

O Brasil está sofrendo uma mutação gravíssima e nossas cabeças também. Sempre ouvimos que o Brasil estaria à beira do abismo; será que já caímos nele? Será que a vaca já foi para o brejo?

A Curiosity descobre "sopros" de metano em Marte | Curiosity rover discovers methane ‘spikes’on Mars

Concepção artística do nascer-do-sol visto da Cratera Gale, em Marte, onde o jipe-sonda Curiosity detectou flutuações de metano. 
O jipe-sonda robótico da NASA, Curiosity, detectou aromas flutuantes de metano em Marte, alimentando  especulações de que o gás pode estar sendo gerado por alguma forma de vida no Planeta Vermelho.
Um instrumento a bordo do robô de seis rodas mediu misteriosos aromas de metano que não podem ser facilmente explicados pela geologia ou material orgânico transportado para o planeta por cometas ou asteroides.
“O fato de detectarmos metano na atmosfera de Marte não é um argumento de que encontramos provas de vida em Marte, mas é uma das poucas hipóteses que podemos propor e que devemos considerar,” disse John Grotzinger, cientista da equipe Curiosity , no encontro da União Americana Geofísica em San Francisco, Califórnia, EUA. “Grandes moléculas orgânicas  presentes em antigas rochas em Marte tampouco são argumento que prove que um dia houve vida em Marte, mas é o tipo de material que se procuraria se algum tipo de vida  tivesse um dia se originado em Marte.”
O instrumento registrou um aumento de dez vezes no metano presente na atmosfera ao redor dele e detectou outras moléculas orgânicas em pó de rocha colhido pela furadeira do jipe-sonda, a primeira detecção definitiva de material orgânico em materiais na superfície de Marte. Esses materiais orgânicos podem tanto terrem se formado em Marte como caído lá junto com meteoritos.
“Esse aumento temporário de metano, muito acima e depois decrecendo, nos diz que deve haver alguma fonte relativamente localizada,” disse Sushil Atreya, da equipe científica da Curiosity na Universidade de Michigan, em Ann Arbor. “Há muitas fontes possíveis, biológicas ou não, como a interação de água e rocha.”
Satélites em Marte já detectaram anteriormente colunas de nuvens de metano vindas da superfície, mas nenhuma tão extraordinária quanto o súbito sopro de gás medido na Cratera Gale, onde há provas que indicam ter havido fluxo de água um dia, há bilhões de anos.
A Curiosity, uma das duas sondas móveis da NASA para exploração de Marte, pousou na Cratera de 96 milhas de diâmetro em agosto de 2012, e desde então vem explorando a região. No ano passado, a agência espacial americana relatou que Gale continha os restos de um antigo lago de água fresca que pode ter sido um ambiente  acolhedor  para a vida no passado distante.
A mais recente descoberta, relatada na revista Science, seguiu-se a estudos de amostras de gás através do espectrômetro a laser  ajustável da Curiosity (TAS), que utiliza luz intensa para realizar análises químicas. Ela revelou um baixo nível de metano de fundo, que soprou por mais de 60 dias marcianos.
Em quatro medições sequenciais, a Curiosity mostrou os níveis de metano aumentando muito, de cerca de 0,69 parte por bilhão por volume (ppbv) para 7,2 ppbv. Os sopros ocorreram dentro de 200 a 300 metros uns dos outros, e a menos de um quilômetro de onde as baixas medições foram  detectadas.
Quando a Curiosity percorreu mais um quilômetro, o níveis de metano mais altos desapareceram. Pesquisadores chefiados por Chris Webster do laboratório de Propulsão a Jato da Nasa em Pasadena, Califórnia, escreveram: “A persistência de altos níveis de metano durante 60 sols (dias marcianos) e sua súbita queda 47 sols depois não é consistente com um evento bem balanceado, mas, sim com uma produção local ou escape que, uma vez terminado, dispersa-se rapidamente.”
A direção do vento indicou uma fonte ao norte do jipe-sonda.
As formas de vida são as principais produtoras de metano na Terra, mas há muito processos não biológicos que  podem  gerar o gás.
O baixo nível de fundo de metano detectado pela Curiosity poderia ser explicado pela degradação pelos raios solares de matéria  orgânica possivelmente depositada por meteoros, disseram os cientistas da NASA. Mas os sopros de metano exigiam uma fonte adicional, que não seria um provável impacto recente de um cometa ou asteroide. Um objeto desses  teria de ter tido as dimensões de vários metros de diâmetro e teria deixado uma grande cratera, e não havia sinal visível de nenhuma.
A curta escala de tempo  dos sopros de metano não indica que o gás tenha sido liberado de depósitos vulcânicos presos em gelo, chamados clatratos. Nem  pareciam ter surgido da liberação de metano gasoso que  havia se tornado bound to the soil.
Os autores da  Nasa foram cuidadosos em relação a tirar conclusões, mas concluíram que a “metanogênese” – a formação de metano por insetos microbiais, chamados metanogenes – pode ser a resposta para  incógnita.
“Nossas medições durante um ano marciano inteiro indicam que quantidades traço de metano estão sendo geradas em Marte por mais de um mecanismo, ou uma combinação de mecanismos propostos – inclusive a metanogênese, hoje ou liberada  de reservatórios passados, ou ambos.”
Monica Grady, cientista planetária da Open University, disse: “Eles repetiram suas medições por um período de tempo ampliado, e realizaram cuidadosas calibragens, portanto, tenho certeza de que os dados são confiáveis.
“Eles consideram várias origens diferentes, inclusive a destruição, por radiação UV, de material orgânico caindo dentro, proveniente de poeira interplanetária e meteoritos, liberação por clatratos, e até mesmo insetos geradores de metano. Sem dados adicionais, como saber a composição isotópica de carbono e hidrogênio do gás, é difícil atribuir uma fonte específica. Minha preferência, baseada somente no instinto, seria investigar clatratos, em vez de insetos.”
A Cratera Gale 
A  Cratera Gale, no equador de Marte, foi formada quando um grande meteoro atingiu o planeta, entre 3,5 bilhões e 3,8 bilhões de anos atrás. Em seu centro há uma alta montanha, chamada Monte Sharp, que chega a 18.000 pés acima do solo da cratera. Fluxos de água parecem ter escavado canais nas laterais da montanha e nas paredes da cratera.
Outra importante descoberta feita pela Curiosity foi a de água contida no solo de grãos finos dentro da cratera. Descobriu-se que cada pé cúbico de solo marciano contém cerca de 940 ml de água, não livremente acessível, mas contida nos minerais.
O jipe-sonda alcançou a base do Monte Sharp, e durante os próximos meses irá iniciar uma lenta subida. Os cientistas estão ansiosos por explorar a montanha porque suas camadas sedimentares representam fotos da história marciana.
A questão sobre se existe, ou existiu, vida em Marte, poderá, finalmente, ser respondida pela missão ExoMars da Agência Espacial Europeia, que irá fazer pousar lá  um jipe-sonda de 300 kg em 2019. Ele será equipado com uma furadeira de dois metros e terá a capacidade de detectar biomarcadores de vida. Entretanto não irá se dirigir à Cratera Gale. Como irá pousar com menor precisão do que a Curiosity, a cratera e sua montanha são consideradas potencialmente muito perigosas.
Tradução de Luiz Leitão


Nasa’s robotic rover, Curiosity, has detected fluctuating wafts of methane onMars, fuelling speculation that the gas may be coming from a form of life on the red planet.
An instrument on the six-wheeled robot measured mysterious spikes of methane that cannot easily be explained by geology or organic material transported to the planet by comets or asteroids.
“That we detect methane in the atmosphere on Mars is not an argument that we have found evidence of life on Mars, but it’s one of the few hypotheses that we can propose that we must consider,” John Grotzinger, a scientist on the Curiosity team, told the American Geophysical Union meeting in San Francisco. “Large organic molecules present in ancient rocks on Mars is also not an argument that there was once life on ancient Mars, but it is the kind of material you’d look for if life had ever originated on Mars.”
The instrument recorded a 10-fold increase in methane in the atmosphere around it and detected other organic molecules in powdered rock collected by the rover’s drill, the first definitive detection of organics in surface materials of Mars. These organics could either have formed on Mars or landed on Mars via meteorites.
“This temporary increase in methane, sharply up and then back down, tells us there must be some relatively localised source,” said Sushil Atreya, of the Curiosity science team at the University of Michigan in Ann Arbor. “There are many possible sources, biological or non-biological, such as interaction of water and rock.”
Mars satellites have detected plumes of methane from the surface before, but none as extraordinary as the sudden venting of the gas measured at Gale Crater, where evidence suggests water once flowed billions of years ago.
Curiosity, one of Nasa’s two Mars exploration rovers, landed in the 96-mile-wide crater in August 2012 and has been exploring the region since. Last year the US space agency reported that Gale contained the remains of an ancient freshwater lake that may have been a hospitable environment for life in the distant past.
The latest discovery, reported in the journal Science, followed studies of gas samples by Curiosity’s tunable laser spectrometer (TAS), which uses intense light to carry out chemical analysis. It revealed a low background level of methane which spiked over 60 Martian days.
In four sequential measurements, Curiosity showed the methane level soaring from about 0.69 parts per billion by volume (ppbv) to 7.2 ppbv. The spikes occurred within 200 to 300 metres of each other and less than a kilometre from where the lower readings were detected.
By the time Curiosity had travelled a further kilometre, the higher methane levels had disappeared. Researchers led by Chris Webster at Nasa’s Jet Propulsion Laboratory in Pasadena, California, wrote: “The persistence of the high methane values over 60 sols (Martian days) and their sudden drop 47 sols later is not consistent with a well-mixed event, but rather with a local production or venting that, once terminated, disperses quickly.”
The wind direction indicated a source to the north of the rover.
Life is the chief producer of methane on Earth, but many non-biological processes can generate the gas.
The low background level of methane detected by Curiosity could be explained by the Sun’s rays degrading organic material possibly deposited by meteors, the Nasa scientists said. But the spikes of methane required an additional source, which was unlikely to be a recent impact by a comet or asteroid. Such an object would have had to measure several metres across and would have left a large crater, no sign of which was visible.
The short timescale of the methane spikes did not suggest the gas was released from volcanic deposits trapped in ice, called clathrates. Nor did it appear to come from the release of gaseous methane that had become bound to the soil.
The Nasa authors were cautious about jumping to conclusions, but concluded that “methanogenesis” – the formation of methane by microbial bugs known as methanogens – may be one answer to the riddle.
“Our measurements spanning a full Mars year indicate that trace quantities of methane are being generated on Mars by more than one mechanism or a combination of proposed mechanisms – including methanogenesis either today or released from past reservoirs, or both.”
Monica Grady, a planetary scientist at Open University, said: “They have repeated their measurements over an extended period of time, and performed careful calibrations, so I’m sure the data are good.
“They consider several different origins, including destruction by UV radiation of in-falling organic material from interplanetary dust and meteorites, release from clathrates and even methane-generating bugs. Without additional data, such as knowing the carbon and hydrogen isotopic composition of the gas, it is difficult to assign a specific source. My own preference, based on nothing other than instinct, would be to go for clathrates rather than bugs.”

Gale Crater


Gale Crater, on the Martian equator, was created when a large meteor struck the planet 3.5bn to 3.8bn years ago. At its centre is a high mountain, named Mount Sharp, that rises 18,000ft above the crater floor. Flowing water appears to have carved channels in the sides of the mountain and the crater walls.
Another major discovery by Curiosity was that of water bound in the fine-grained soil within the crater. Each cubic foot of Martian soil was found to contain around two pints of water, not freely accessible but attached to minerals.
The rover has reached the base of Mount Sharp and over the coming months will begin a slow ascent. Scientists are keen to explore the mountain because its sedimentary layers provide snapshots of Martian history.
The question of whether there is, or was, life on Mars may finally be answered by the European Space Agency’s ExoMars mission, which will land a 300kg rover there in 2019. It will be equipped with a two-metre drill and the ability to detect biomarkers of life. It will not be heading for Gale Crater, however. Because it will land with less precision than Curiosity, the crater and its mountain are considered too potentially hazardous.