Pesquisar conteúdo deste blog

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Como identificar aquela luz no céu

Legendas: de cima para baixo, da esquerda para a direita: É realmente grande? | Suas retinas estão queimando? SOL/LUA| Ela está se movendo? | Tão rápido que você quase não a viu? | Pisca? ESTRELA |É meio indistinto, com uma cauda? COMETA| É extra, super brilhante? METEORO | Algo pisca? | AVIÃO | Termina com uma grande explosão? BÓLIDO / BOLA DE FOGO | HÁ astronautas acenando para você? | ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL / SATÉLITE ARTIFICIAL | Está presa a um barco? | LUZ DE MASTRO / PLANETA

O que é aquela luz no céu? Talvez essa seja uma das perguntas mais comuns feitas pelo homem, e a resposta para ela pode surgir de algumas breves observações. Por exemplo — ela está se movendo ou piscando? Se estiver, e se você morar perto de uma cidade, a resposta será, geralmente, um avião, já que eles são tão numerosos, e muito poucas estrelas e satélites são brilhantes o suficiente para serem vistos através  do brilho das luzes artificiais das cidades

Caso contrário, e se você morar longe da cidade, a luz brilhante será, provavelmente, um planeta como Vênus ou Marte — este último estando restrito a aparecer próximo ao horizonte pouco antes do alvorecer, ou após o crepúsculo. 

Às vezes, o lento movimento aparente de um avião distante próximo ao horizonte o torna difícil de distinguir de uma planeta brilhante, mas mesmo este pode normalmente ser distinguido pelo movimento do avião após alguns minutos. Ainda incerto? A tabela acima proporciona uma  avaliação, às vezes engraçada, mas bastante precisa. Entusiastas de astronomia dedicados provavelmente irão notar — e são incentivados a fazê-lo — correções educadas.

Tradução de Luiz Leitão

What is that light in the sky? Perhaps one of humanity's more common questions, an answer may result from a few quick observations. For example -- is it moving or blinking? If so, and if you live near a city, the answer is typically an airplane, since planes are so numerous and so few stars and satellites are bright enough to be seen over the din of artificial city lights

If not, and if you live far from a city, that bright light is likely a planet such as Venus or Mars — the former of which is constrained to appear near the horizon just before dawn or after dusk. 

Sometimes the low apparent motion of a distant airplane near the horizon makes it hard to tell from a bright planet, but even this can usually be discerned by the plane's motion over a few minutes. Still unsure? The above chart gives a sometimes-humorous but mostly-accurate assessment. Dedicated sky enthusiasts will likely note — and are encouraged to provide —polite corrections.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Aurora sobre a Noruega | Aurora over Norway




Levante seus braços se você vir uma aurora. Com aquelas instruções, duas noites se passaram com, bem, nuvens — na maioria. Na terceira noite de retorno aos mesmos picos, no entanto, o céu não só clareou como se iluminou com uma espetacular aparição de aurora. 

Os braços levantados alto no ar, a paciência e a experiência compensaram, e a deslumbrante imagem aqui mostrada foi registrada. O cenário é o cume do fiorde Austnesfjorden, próximo à cidade de Svolvear, nas Ilhas Lofoten, no norte da Noruega. 

A época era o começo de março. O Sol estava produzindo pitorescas auroras em abundância já próximo ao momento de sua atividade superficial máxima em seu ciclo magnético de 11 anos.

Tradução de Luiz Leitão

Raise your arms if you see an aurora. With those instructions, two nights went by with, well, clouds -- mostly. On the third night of returning to same peaks, though, the sky not only cleared up but lit up with a spectacular auroral display. 

Arms went high in the air, patience and experience paid off, and the amazing featured image was captured. The setting is a summit of the Austnesfjorden fjord close to the town of Svolvear on the Lofoten islands in northern Norway. 

The time was early March. Our Sun has been producing an abundance of picturesque aurora of late as it is near the time of its maximum surface activity in its 11-year magnetic cycle.

Fim de jogo



Arnaldo Jabor


Em Fim de Jogo, a peça de Samuel Beckett, o protagonista Hamm, em sua cadeira de rodas diante de um mundo acabado, diz a frase: "Que saudades das velhas perguntas e das velhas respostas!...". Hoje, sua frase poderia ser: "Temos novas perguntas, mas velhas respostas". Isso: em nosso tempo, as novas perguntas são respondidas confusamente por velhas ideias. Diante dos labirintos de labirintos que surgem no planeta, criados pela superpopulação, pelo crescimento da miséria, pelo Oriente Médio, pelo terrorismo, pelas mudanças climáticas, etc., só dispomos de velhas respostas. 

Respostas velhas para novas perguntas, numa situação mundial (e por tabela a brasileira) que está muito além dos velhos métodos de análise histórica. Por exemplo, a ideia de "solucionar", de "resolver" (muito americana), terminou. Surgiu a era da insolubilidade. Os processos normais, com início, meio e fim, desmoronaram. As coisas surgem e ficam para sempre, se bem que a expressão "para sempre" também ficou arcaica. O que é "sempre"? É uma sucessão de presentes sem-fim? 

Aliás, o que é o "futuro"? Quando ele chega? E (como se pensava) trará a "harmonia"? Que harmonia? 

O "fim da história" - tanto do Hegel como o "fim" do Fukuyama - não haverá. Não porque o "tempo não para", não; mas porque as novas novidades (parece pleonasmo, mas não é) são múltiplas, tentaculares, inauditas em suas formas "aracnídeas" de influir. 

Começou no 11 de Setembro. Quem imaginaria aquilo? Para os terroristas islâmicos foi natural, simples, porque eles trabalham fora da história, furando nossa "marcha pelo progresso". Eles são intempestivos, na acepção perfeita do termo: "Fora do tempo". Quem imaginaria algo como o Estado Islâmico? A primavera árabe mixou - ingenuamente achávamos que os teocráticos "ansiavam" por democracia (risos). E aqui? Como suportar a estupidez do conto do vigário populista tipo 'chavismo' que já raiou na pátria amada? Sem contar o admirável mundo novo da internet deformando nossa forma de pensar. A circularidade do mundo aumenta, um furacão de dados infinitos nos rege e vai nos governar - um grande quebra-cabeças que nunca se resolve. 

O novo tempo inaugura a incapacidade de ação. A ideia de "agir" no Ocidente pressupõe reorganização, apaziguamento. Mas nunca mais haverá paz. Os resíduos de uma ética só existem para discursos demagógicos e impotentes. Nada impede a predação dos dinheiros públicos, porque o "público" não existe mais. Não há mais um limite "hobbesiano" para escândalos e crimes. Diante disso tudo, só temos os fracos recursos dos direitos humanos. Mas que direitos? Ninguém lembra. 

(Este artigo está muito "papo-cabeça"; perdão - mas vamos em frente.) 

O tempo está fora do eixo ("Time is out of joint" ), diz Hamlet a Horatio no primeiro ato. Agora também está - mundo sem rumo, sem utopias, sem esperança. A democracia está sob a luz torta da desconfiança. Oportunistas políticos querem ressuscitar sonhos de revolução para posarem de "irados intelectuais" que marcham contra a corrente dos fatos. Há uma grande confusão entre Bem e Mal. Surgem desejos de algum autoritarismo com mão forte que possa "acelerar" a história e a política. Muitos querem no mundo a eficácia até do Mal, se preciso - já não aguentam a monotonia do Bem, do correto, do democrático. A grande sedução do Mal é que ele é uno, com contornos concretos. Mata-se um sujeito e ele cai, vira uma coisa nossa, apropriada como objeto total. Por outro lado, o Bem pressupõe tolerância, autocontrole, implica renúncias, direitos, leis. O Mal, não. O Mal é excitante, sem limites. O Mal parece uma forma perversa de liberdade. 

O que houve no mundo foi o fim de uma "grande narrativa" - como dizem os pós-modernos. O que acabou foi a ideia de "UM". 

Com a chegada da desesperança, hoje temos vidas e opiniões unidas em "tribos". Em seu luto, as tribos querem alcançar uma identidade alternativa. Há uma recusa ao mundo, considerado algo irremediável. E esse tribalismo é apolítico. Quando se pensava em "derrubar" a América, o grito era: "Marche conosco!". Mas as tribos não querem a adesão de outros, pois elas não almejam o poder; almejam não tê-lo. Se antes a ideia de alienação era condenável, hoje a alienação é aquilo que se deseja. 

O paradoxo é que o mundo se globaliza em economia, mas se "balcaniza" em ilhas culturais e psicológicas; melhor que "ilhas", o mundo se "desunifica" em esponjas, em vazios, em avessos, em buracos brancos que vão se alargando à medida que o tecido da sociedade se esgarça. Não são células de resistência, mas buracos de desistência. 

Se, antes, havia a polarização de ideologias em oposições binárias, pretos contra brancos, socialismo versus capitalismo, isso vinha da ideia de "sistema e contrassistema", de cultura e contracultura. Isso acabou. Tudo era banhado pela luz vertical e "orwelliana" das multidões massificadas, da "mídia" centralizada, buscando uma narrativa única. Vemos hoje que a distopia iluminista de Orwell foi desmontada pelas linhas tortas da História, da técnica e pelos restos podres do mercado. 

Que teremos no futuro? Na boa? Acho que teremos os terrorismos islâmicos, bombas de destruição em massa que cabem nos bolsos, escassez econômica, extermínios e um vaivém de fascismos nas nações emergentes. No mundo central, teremos fria competência no "mainstream" e ilhas alternativas na periferia.

Jean Baudrillard em seu ensaio A Ilusão Vital cita uma linda e profética frase de Heidegger: "Quando olhamos para a essência ambígua da tecnologia, nós contemplamos a constelação, o curso estelar do mistério". E conclui: "Além da Razão, além do discurso da 'verdade', reside o valor poético e enigmático do pensamento. Pois, diante de um mundo que é ininteligível e problemático, nossa tarefa é clara: precisamos tornar este mundo ainda mais ininteligível, ainda mais enigmático". 

Falou e disse.

A Lua e a Terra vistas da Chang'e 5-T1 | Moon and Earth from Chang'e 5-T1


Descrita às vezes como uma grande bola de gude azul, de alguns pontos de vista a Terra se parece mais com uma pequena bola de gude azul. É o caso desta representativa imagem do sistema da Terra e  da Lua registrada pela missão Chang'e 5-T1 na semana passada. 

A Lua parece maior do que a Terra porque estava muito mais próxima da câmera da espaçonave. Exibindo grande parte de uma superfície normalmente oculta da Terra, a Lua parece escura e cinzenta quando comparada ao planeta, mais refletivo e colorido, que ela orbita. A espaçonave robótica Chang'e 5-T1, predominantemente em uma missão de testes de engenharia, circundou a Lua terça-feira passada e retornou à Terra sexta-feira.


Tradução de Luiz Leitão

Described at times as a big blue marble, from some vantage points Earth looks more like a small blue marble. Such was the case in this iconic image of the Earth and Moon system taken by the Chang'e 5-T1 mission last week. 

The Moon appears larger than the Earth because it was much closer to the spacecraft's camera. Displaying much of a surface usually hidden from Earth, the Moon appears dark and gray when compared to the more reflective and colorful planet that it orbits. The robotic Chang'e 5-T1 spacecraft, predominantly on an engineering test mission, rounded the Moon last Tuesday returned to Earth on Friday.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Dados de uma bola de fogo da explosão de uma estrela nova




Concepção artística de um sistema estelar responsável por uma nova. 
Uma equipe de astrônomos  captou as primeiras imagens de uma bola de fogo termonuclear de uma estrela nova, permitindo-lhes seguir a explosão à medida que se expandia.
A nova foi detectada no ano passado na constelação do Golfinho pelo telescópio infravermelho Chara Array nos EUA.
Pesquisadores de 17 instituições em todo o mundo, inclusive da Universidade de Sydney e da Universidade Nacional Australiana, analisaram os dados resultantes.
Isso revelou com “clareza sem precedentes” como a bola de fogo evolui enquanto o gás que a alimenta se expande e esfria.
“Não tínhamos a capacidade de ver essa rara ampliação ou alta resolução de imagens até muito pouco tempo atrás, quando começamos a construir esses potentes conjuntos telescópicos,” disse Tuthill, do Instituto de Astronomia da Universidade de Sydney.
“Essas explosões são episódios muito raros, causados por estrelas anãs brancas, que são os restos queimados de estrelas feitas de matéria muito densa – uma colher de chá cheia disso pesa toneladas.
“A estrela anã branca é como um mosquito que voa ao redor da estrela companheira, sugando lentamente o hidrogênio de sua companheira através de um pequeno canudo gravitacional.”
Isso  criou um “oceano” de hidrogênio em sua superfície com alguns metros de espessura, disse Tuthill, com a pressão do fundo do oceano finalmente atingindo uma massa crítica e desencadeando uma explosão termonuclear chamada nova.
“Uma bola de fogo, como uma grande bomba de hidrogênio que se  propaga para fora,” disse.
Apesar da grande detonação, a anã branca escapa relativamente incólume e continua a circundar sua hospedeira, acumulando mais matéria, de forma que o  ciclo possa se repetir.
A medição da expansão permitiu aos pesquisadores estabelecer que a nova estava  cerca de 14.800 anos-luz distante do Sol, o que significa que a explosão observada em agosto de 2013 ocorreu, na verdade, há uns 15.000 anos.
Quando medida pela última vez, 43 dias após a detonação, a nova havia se expandido cerca de 20 vezes, a uma velocidade superior a 600 km por segundo, descobriu a pesquisa chefiada pelo astrônomo Gail Schaefer da Universidade Estadual da Geórgia, nos EUA.
As descobertas foram publicadas segunda-feira na prestigiada revista Nature aqui.

Tradução de Luiz Leitão



An artist’s impression of a star system responsible for a nova. Photograph: David A Hardy/www.astroart.org//PA
A team of astronomers have captured the first images of a thermonuclear fireball from a nova star, allowing them to track the explosion as it expanded.
The nova was detected last year in the constellation Delphinus by the Chara Array infrared telescope in the US.
Researchers from 17 institutions around the world, including the University of Sydney and the Australian National University, analysed the resulting data.
It revealed with “unprecedented clarity” how the fireball evolves as the gas fuelling it expands and cools, Professor Peter Tuthill, a co-author on the study, said.
“We haven’t had the ability to witness such exquisite magnification or high resolution of images until very recently, when we started building these powerful Array telescopes,” Tuthill, from the University of Sydney’s Institute for Astronomy, said.
“These explosions are quite unusual events caused by a white dwarf star, which is a burned-out remnant of a star made of very dense material – a teaspoon full of this stuff weighs tonnes.
“The white dwarf star is like a mosquito that buzzes around the companion star, slowly sucking hydrogen from its companion through a little gravitational straw.”
This created an “ocean” of hydrogen on its surface a few hundred metres thick, Tuthill said, with the pressure at bottom of the ocean eventually reaching critical mass and triggering a thermonuclear explosion called a nova.
“You get a fireball, like a massive hydrogen bomb that propagates outwards,” he said.
Despite the massive detonation, the white dwarf escapes relatively unscathed and continues to circle around its host accumulating more matter so the cycle can repeat again.
Measuring the expansion allowed researchers to establish the nova was about 14,800 light years away from the sun, meaning that the explosion witnessed in August 2013 actually took place nearly 15,000 years ago.
When last measured 43 days after the detonation, the nova had expanded nearly 20-fold, at a velocity of more than 600km per second, the research led by astronomer Gail Schaefer from Georgia State University, found.
The findings were published in the prestigious international journal Nature on Monday


Mistérios do espaço "interestelar" | Mysteries of 'Interstellar' Space


O novo filme "Interestelar" da Paramount remete a um futuro em que astronautas precisam encontrar um novo planeta adequado à  vida humana após as mudanças climáticas terem acabado com a capacidade da Terra de nos sustentar. Várias missões da NASA estão ajudando a evitar esse futuro distópico ao fornecerem dados vitais para proteger a Terra. Ainda assim o cosmos nos atrai a explorarmos além de nosso planeta, expandindo a presença humana mais profundamente pelo sistema solar, e além. Durante milhares de anos nós imaginamos se poderíamos encontrar outro lar entre as estrelas. E estamos prestes a responder essa pergunta.
Se você sair ao ar livre em uma noite bem escura, terá a sorte de ver várias das 2.000 estrelas visíveis a olho nu. Mas elas são apenas uma fração dos bilhões de estrelas de nossa galáxia e das inumeráveis outras galáxias ao nosso redor. Várias missões da NASA estão ajudando a ampliar os sentidos da humanidade e captar a luz das estrelas para nos ajudar a compreender melhor nosso lugar no universo.
Grandes telescópios de luz visível como o Hubble nos mostram a luz antiga que permeia o cosmos, levando a descobertas pioneiras, como a da aceleração da expansão do universo. Através de missões de infravermelho, como a SpitzerSOFIA e WISE, nós olhamos profundamente através da poeira cósmica, para dentro de nascedouros estelares onde gases formam novas estrelas. Com missões como o ChandraFermi e NuSTAR, nós detectamos os estertores de grandes estrelas, que podem liberar enormes quantidades de energia através de supernovas e formar o exótico fenômeno dos buracos negros. 
Ainda assim, foi somente nos últimos anos que nós pudemos compreender totalmente quantos outros planetas podem haver além do sistema solar. A cerca de 100 quilômetros da superfície da Terra, o Telescópio Espacial Kepler olhou através de uma pequena janela do céu durante quatro anos. Quando os planetsa passavam diante de uma estrela na linha de visão da Kepler, a espaçonave media a variação em seu brilho. A Keplerfoi projetada para determinar a probabilidade de que outros planetas orbitem estrelas. Graças à missão, nós agora sabemos ser possível que toda estrela tenha ao menos um planeta orbitando-a. Sistemas solares nos rodeiam em nossa galáxia e estão espalhados através da miríade de galáxias que vemos. Embora ainda não tenhamos encontrado um planeta exatamente igual à Terra, as implicações das descobertas da Kepler são muito surpreendentes — pode muito bem haver muito mais mundos como o nosso para as futuras gerações explorarem.
A NASA também está desenvolvendo sua próxima missão exoplanetária, a Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS), que irá vasculhar 200.000 estrelas próximas à procura da presença de planetas do tamanho da Terra.
Por ora, as distâncias entre as estrelas são grandes demais para que espaçonaves as cruzem com os sistemas de propulsão existentes. Somente uma espaçonave está pronta para deixar o sistema solar no futuro próximo. A Voyager 1, lançada em 1977, fez a histórica entrada no espaço interstelar em agosto de 2012, alcançando a região entre as estrelas, cheia de material ejetado pela morte de estrelas próximas há milhões de anos.Ela não vai encontrar qualquer outra estrela além do Sol durante, pelo menos, 40.000 anos.  
No entanto o futuro próximo da exploração deverá causar muita emoção, quando humanos e espaçonaves robóticas explorarem o caminho percorrido pela Voyager, mais fundo no nosso sistema solar, onde pode existir vida extraterrestre, e onde os humanos poderiam um dia prosperar.
As formas de vida que conhecemos exigem água e calor. Em nosso planeta aquoso, nós encontramos formas de vida em abundância, mesmo sob as mais extremas temperaturas. Os cientistas estão ansiosos para saber se há provas da existência de vida microbiana em outros planetas e luas ao nosso alcance. Na lua joviana Europa, por exemplo, há um oceano temperado entre um núcleo vulcânico e a superfície gelada. Assim como existe vida nas escuras e quentes profundezas dos oceanos da Terra, poderia da mesma forma existir também em Europa, à espera de serem descobertas. A NASA está estudando uma futura missão àquela lua aquosa na próxima década.
Muitos cientistas questionam se a Terra se formou com a água que tem atualmente. Impactos de cometas e asteroides no começo da história do planeta podem ter trazido a água e ajudado a transformar nossa atmosfera. Missões vindouras para colher amostras de asteroides, como a OSIRIS-REx, poderiam revelar os componentes formadores de vida incrustados na rocha, o que poderia levar a novas  compreensões a respeito das origens da vida.
No entanto talvez o alvo mais  tentador para se procurar provas da existência de vida seja Marte. Uma frota de espaçonaves na superfície e orbitando Marte  revelou que o Planeta Vermelho um dia teve condições propícias à vida. Embora a água fulente e a atmosfera do planeta tenham diminuído muito, provas da existência de vida passada ainda poderiam ser descobertas por explorações futuras. Poderia até mesmo vir a ser um lar para  futuros pioneiros humanos.
Os recursos naturais de Marte, como o gelo de água embutido em rochas  poderiam ser extraídos para criar ar respirável, água potável, e até mesmo componentes para propelentes de espaçonaves. Uma capacidade de viver fora da terra irá habilitar muito várias missões a Marte e mudar para sempre a história da humanidade.
Esta Jornada a Marte começa a bordo da Estação Espacial Internacional, onde astronautas 250 milhas acima da Terra estão aprendendo como viver no espaço por longos períodos — conhecimento fundamental necessário para  viagens de ida e volta a Marte, que poderiam levar 500 dias, ou mais. Uma nova geração de espaçonaves comerciais e foguetes dos EUA estão abastecendo a estação espacial e em breve irão lançar novamente astronautas do solo dos EUA. Com essas inovações dos voos espaciais no século 21 abrindo a órbita baixa da Terra de novas formas, a NASA está produzindo os meios de enviar humanos para mais longe da Terra do que nunca antes.Em dezembro, nós realizaremos o primeiro teste de voo da espaçonave Orion, que irá transportar astronautas na próxima década em missões além da Lua, até um asteroide e para Marte, lançada pelo gigantesco foguete Space Launch System
Tradução de Luiz Leitão
The new Paramount film "Interstellar" imagines a future where astronauts must find a new planet suitable for human life after climate change destroys the Earth's ability to sustain us. Multiple NASA missions are helping avoid this dystopian future by providing critical data necessary to protect Earth. Yet the cosmos beckons us to explore farther from home, expanding human presence deeper into the solar system and beyond. For thousands of years we've wondered if we could find another home among the stars. We're right on the cusp of answering that question.
If you step outside on a very dark night you may be lucky enough to see many of the 2,000 stars visible to the human eye. They're but a fraction of the billions of stars in our galaxy and the innumerable galaxies surrounding us. Multiple NASA missions are helping us extend humanity's senses and capture starlight to help us better understand our place in the universe.
Largely visible light telescopes like Hubble show us the ancient light permeating the cosmos, leading to groundbreaking discoveries like the accelerating expansion of the universe. Through infrared missions like Spitzer, SOFIA and WISE, we've peered deeply through cosmic dust, into stellar nurseries where gases form new stars. With missions like ChandraFermi and NuSTAR, we've detected the death throes of massive stars, which can release enormous energy through supernovas and form the exotic phenomenon of black holes. 
Yet it was only in the last few years that we could fully grasp how many other planets there might be beyond our solar system. Some 64 million miles (104 kilometers) from Earth, the Kepler Space Telescope stared at a small window of the sky for four years. As planets passed in front of a star in Kepler's line of view, the spacecraft measured the change in brightness. Kepler was designed to determine the likelihood that other planets orbit stars. Because of the mission, we now know it's possible every star has at least one planet. Solar systems surround us in our galaxy and are strewn throughout the myriad galaxies we see. Though we have not yet found a planet exactly like Earth, the implications of the Kepler findings are staggering—there may very well be many worlds much like our own for future generations to explore.
NASA also is developing its next exoplanet mission, the Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS), which will search 200,000 nearby stars for the presence of Earth-size planets.
As of now, the distance between stars is too great for spacecraft to traverse using existing propulsion. Only one spacecraft is poised to leave the solar system in the near future. Voyager 1, launched in 1977, made the historic entry into interstellar space in August of 2012, reaching the region between stars, filled with material ejected by the death of nearby stars millions of years ago. It won't encounter another star for at least 40,000 years.  
The near-term future of exploration should be cause for much excitement, though, as humans and robotic spacecraft pioneer the path Voyager traveled, deeper into our solar system, where extra-terrestrial life may exist, and where humans could one day thrive.
Life as we know it requires water and heat. On our watery planet, we find life teeming at even the most extreme temperatures. Scientists are eager to know if evidence of microbial life exists on other planets and moons within our reach. On Jupiter's moon Europa, for example, there is a temperate ocean caught between a volcanic core and icy surface. Just as life exists in the dark, hot reaches of Earth's ocean, so too could it exist on Europa, waiting to be discovered. NASA is studying a future mission to the watery moon next decade.
Many scientists question if Earth formed with the water it has now. Comets and asteroid impacts early in the planet's history may have brought the water and help transform our atmosphere. Upcoming missions to capture samples of asteroids, like OSIRIS-REx, could reveal the building blocks of life embedded in the rock, which could lead to new insights about the origins of life.
Perhaps the most enticing target to search for evidence of life, however, is Mars. A fleet of spacecraft on the surface and orbiting Mars have revealed the Red Planet once had conditions suitable for life. While the planet's flowing water and atmosphere have significantly diminished, evidence of past life could still be discovered by future exploration. It could even be a home for future human pioneers.
Martian natural resources like water ice embedded in rock could be extracted to create breathable air, drinkable water, and even components for spacecraft propellant. An ability to live off the land will greatly enable multiple human missions to Mars and forever change the history of humankind.
This Journey to Mars begins aboard the International Space Station where astronauts 250 miles above Earth are learning how to live in space for long durations — key knowledge needed for round trips to Mars, which could take 500 days or more. A new generation of U.S. commercial spacecraft and rockets are supplying the space station and will soon launch astronauts once again from U.S. soil. As these 21st century spaceflight innovations open low-Earth Orbit in new ways, NASA is building the capabilities to send humans farther from Earth than even before. In December, we'll conduct the first flight test of the Orion Spacecraft, which will carry astronauts next decade on missions beyond the moon to an asteroid and Mars, launched on the giant Space Launch System rocket. 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Onze países estudados, uma conclusão inevitável: as leis contra as drogas não funcionam






As experiências com a legalização das drogas que estão sendo realizadas atualmente em Washington, Colorado, e no Uruguai, devem ser observadas com atenção.
A comparação entre diversas leis internacionais feita pelo Home Office (Ministério do Interior), publicada em 29/10/14, representa o primeiro reconhecimento oficial desde a Lei de Mau Uso de Drogas de 1971, de que não há uma conexão direta entre ser "duro em relação às drogas" e lidar com o problema.
O relatório, que foi  assinado pela secretária   do Partido Conservador, Theresa May, e o ministro de prevenção ao crime  do partido Liberal Democrata, Norman Baker, é baseado em um profundo estudo das leis  sobre drogas em 11 países, desde o Japão, com tolerância zero, até a legalização no Uruguai.
A principal descoberta do relatório, escrito por servidores civis do Home Office, está em uma comparação de Portugal, onde o uso pessoal é descriminado, e a República Checa, onde punições criminais pela posse foram introduzidas recentemente, em 2010.
“Em nossa apuração dos fatos, nós não observamos nenhum relação óbvia entre a rigidez da proibição de um país à posse de drogas, e os níveis de abuso de drogas naquele país,” diz. “A República Checa e Portugal têm abordagens semelhantes em relação à posse, onde a posse de pequenas quantidades de qualquer droga não resultam em procedimentos criminais, mas enquanto os níveis de uso de drogas em Portugal parecem ser relativamente baixos, os níveis de uso de cannabis relatados na República Checa são uns dos mais altos da Europa.
“Os indicadores de níveis de uso de drogas na Suécia, que tem uma das mais duras abordagens que vimos, apontam para índices de uso relativamente baixos, porém não notavelmente mais baixos do que os de países com abordagens diferentes.”
As infindáveis discussões da coalizão a respeito do conteúdo do relatório, que levou mais de oito meses para ser publicado, fizeram com que ele não inclua nenhuma conclusão.
Entretanto com a leitura das provas que ele fornece, é difícil evitar a conclusão de que os servidores civis do Home Office que o escreveram parecem ter ficado convencidos de que uma abordagem baseada em cuidados de saúde, em vez de judicial-criminal, é a política eficaz.
Ele também, muito notavelmente, diz que as experiências de legalização que estão sendo realizadas atualmente nos Estados americanos de Washington e Colorado, e no Uruguai, devem ser observadas cominteresse. Trata-se de um mundo distante da retórica da “guerra contra as drogas” que formou o esteio do debate político sobre as drogas nas quatro últimas décadas.
O relatório, Drogas: Comparações  Internacionais, documenta com fatos detalhes a experiência de Portugal, onde o uso pessoal doi descriminado há cerca de 11 anos, e os que são presos  com drogas têm a opção de comparecer perante uma “comissão de dissuasão” de saúde ou enfrentar um processo judicial criminal.
“Dados de tendências de Portugal mostram como os níveis de uso de drogas mudaram nos anos que se seguiram à descriminação, em 2001. Embora esses níveis tenham se elevado entre 2001 e 2007, os n[iveis de uso de drogas, desde então, caíram abaixo dos de 2001. Está claro que não houve um aumento significativo e duradouro do uso de drogas em Portugal desde 2001,” diz o relatório.
Ao tempo, assinala que houveram significativas reduções na quantidade de usuários de drogas diagnosticados com HIV e Aids em uma época em que as mortes relacionadas ao uso de drogas permaneceram estáveis: “Esses resultados não podem ser atribuídos somente à descriminação, e foram provavelmente influenciados por aumentos no uso de tratamentos e redução de danos,” diz, enfatizando ser difícil disassociar o impacto da descriminação de melhorias mais amplas no tratamento e redução de danos relacioandos às drogas no mesmo período.
Não obstante, o documento refuta terminantemente afirmações de que a descriminação em Portugal tenha levado a um aumento no uso de drogas. E prossegue, contrastando Portugal com a República Checa, onde uma avaliação descobriu que não houve um declínio significativo na disponibilidade de drogas após a entrada em vigor de leis mais rigorosas, em 2010.
Sobre a situação no Colorado, Washington e Uruguai, o Home Office diz que suas políticas experimentais que legalizam a produção, o fornecimento e o uso recreacional da cannabis têm o objetivo comum de desarticular o crime organizado e exercer maior controle sobre o uso da cannabis.
“Os estados americanos têm uma abordagem voltada para o mercado, com uma regulamentação mais leve que a do Uruguai e menos limitações ao consumo e uso. O Uruguai, que tem preocupações crescentes com o crime organizado, dá ao estado um papel mais forte, com limitações ao tamanho do mercado, as variedades e potência dos diferentes tipos de cannabis, e à quantidade que cada pessoa pode comprar por mês.”
Crucialmente, o relatório acrescenta: “É muito cedo para saber como essas experiências irão terminar, mas nós iremos monitorar os impactos dessas novas políticas nos próximos anos.”
O relatório examina várias iniciativas de redução de danos em 11 países, inclusive o uso de salas de consumo, a prescrição de heroína sob supervisão médica, e programas de troca de seringas  baseados em prisões. Em particular, o relatório encontrou provas de que a prescrição de heroína, inclusive em três testes limitados na Grã-Bretanha, podem ser eficazes.
Não há uma conclusão geral do relatório, mas em seu último parágrafo, os autores do Home Office refletem a respeito de que a falta de qualquer correlação clara entre a “rigidez" de abordagem e os níveis de uso de drogas demonstra a complexidade do problema: “A obtenção de melhores resultados para a saúde dos usuários de drogas não pode ser apontada como sendo um resultado direto da abordagem  da repressão.”




Titã além dos aneis | Titan Beyond the Rings


Quando orbitar Saturno, assegure-se de estar alerta para as impressionantes superposições de luas e aneis. Uma dessas pitorescas vistas esteve visível recentemente para a espaçonave robótica Cassini, que atualmente orbita Saturno.

Em abril de 2006, a Cassini registrou os aneis A F de Saturno estendendo-se diante da nublada Titã. Próxima aos aneis e aparecendo logo acima de Titã estava  Epimeteu, uma lua que orbita bem do lado de fora do anel F. O espaço escuro no anel A é chamado a Fenda Encke, embora vários pequenos e finos aneis de enlaçados e até mesmo a pequena lua orbitem ali.

Tradução de Luiz Leitão

When orbiting Saturn, be sure to watch for breathtaking superpositions of moons and rings. One such picturesque vista was visible recently to the robot Cassini spacecraft now orbiting Saturn. 

In 2006 April, Cassini captured Saturn's A and F rings stretching in front of cloud-shrouded Titan. Near the rings and appearing just above Titan was Epimetheus, a moon which orbits just outside the F ring. The dark space in the A ring is called the Encke Gap, although several thin knotted ringlets and even the small moon Pan orbit there.

Marte retrógrado | Retrograde Mars


Por que Marte pareceria mover-se para trás? Na maior parte do tempo,o movimento aparente de Marte no céu da Terra vai  em uma direção, lento porém contínuo diante das estrelas distantes. 

A cada cerca de dois anos, no entanto, a Terra ultrapassa Marte quando eles orbitam ao redor do Sol. Durante a mais recente dessas passagens iniciada no final do ano passado, Marte, como de costume, pareceu grande e brilhante

Também durante essa época, Marte pareceu mover-se para trás no céu, um fenômeno chamado movimento retrógradoAqui aparece uma série de imagens digitalmente empilhadas, de forma que todas as estrelas coincidam. 

Aqui, Marte parece traçar um estreito laço no céu. No centro do laço, aTerra passou Marte, e o movimento retrógrado foi o mais alto. O movimento retrógrado também pode ser observado em outros planetas do Sistema Solar.

Tradução de Luiz Leitão

Why would Mars appear to move backwards? Most of the time, the apparent motion of Mars in Earth's sky is in one direction, slow but steady in front of the far distant stars. 

About every two years, however, the Earth passes Mars as they orbit around the Sun. During the most recent such pass starting late last year, Mars as usual, loomed large and bright

Also during this time, Mars appeared to move backwards in the sky, a phenomenon called retrograde motionFeatured here is a series of images digitally stacked so that all of the stars coincide. Here, Mars appears to trace out a narrow loop in the sky. At the center of the loop, Earth passed Mars and the retrograde motion was the highest. Retrograde motion can also be seen for other Solar System planets.

domingo, 2 de novembro de 2014

Hora do jantar | Suppah time


Uma cobra-gato verde (Boiga dendrophila levitoni)  captura uma lagartixa de dedo entortado na reserva Buxa Tiger, em Alipurduar, Índia. 

O momento foi registrado pelo entusiasta ofídeo Avrajjal Ghosh. A cobra-gato verde paralisa pequenas presas com seu veneno leve - injetado através de seus dentes traseiros. 

A espécie noturna vive geralmente em florestas, e se alimenta de lagartixas, lagartos, pequenos roedores, sapos - a até mesmo de outras pequenas cobras.

Tradução de Luiz Leitão

A green cat snake catches a bent-toed gecko at the Buxa Tiger reserve in Alipurduar, India. 

The moment was captured on camera by snake enthusiast Avrajjal Ghosh. The green cat snake paralyses small prey with its mild venom - delivered via its rear-fangs. 

The nocturnal species usually lives in forests and feeds on lizards, geckos, small rodents, frogs - and even other small snakes

Ganhar & perder




Roberto Damatta

"Se busco justificativa para a vitória; estou diante do enorme espelho da derrota - essa cunhada da frustração e da insegurança. Diante de racionalizações repressoras que culpam os outros, vejo-me obrigado a topar com a realidade". 


A mensagem continua:


"Tem sido assim, meu amigo, com todas as minhas perdas. O coração fica apertado, a pressão arterial sobe, as mãos tremem e da boca aberta pelo susto e pela insegurança saem palavras impublicáveis. Indignas de serem ouvidas".


Abandono a leitura da mensagem para refletir sobre o resultado eleitoral. 


É claro que há teatro numa disputa eleitoral; é obvio que há uma espetacularização da política, mas política não é circo ou peça teatral. Ademais, uma eleição fala de propostas gerais, mas ela é um drama personalizado por candidatos. De gente como nós que, em geral, riem e choram como ocorre conosco. Não é fácil perder uma disputa tão personalizada.


O mesmo ocorre nos jogos coletivos, como o futebol, que promove culpabilidades absurdas. Mas, quando se trata de uma modalidade individual - digamos de uma luta de boxe, ou de uma prova de natação -, o atleta torna-se maior do que si próprio. Ele é um ser humano e, ao mesmo tempo, é o nosso país. Quando perde, todo o seu ser é envolvido. Do mesmo que, numa eleição, a onipotência do ganhador é inflacionada.


Volto a ler a mensagem recebida nestas 9 horas de domingo:


"Esperança é vitória em potencial já que sobreviver é vencer. Já a perda leva à paralisia. É como bater de frente num muro. Quando ganhamos, andamos com mas determinação; já a derrota obriga a uma parada. De repente, o sorvete sumiu; o relógio foi roubado; uma perna foi quebrada. Daqui por diante, vou ter que viver com a perda". 


Volto a pensar na vitória do PT. E, como sou um democrata, estou tomando meu remédio que consiste em escrever. 


O maior aprendizado da democracia é aprender a perder. Vitória e derrota são as duas faces de uma mesma moeda. Num sistema igualitário, a vitória tem que ser admitida sem ressentimentos. Numa competição presidencial não há, diferentemente do mercado, lugar para muitos. Só o vencedor ocupa o papel porque, nas democracias, são os papéis políticos que estão em jogo, não as pessoas. Embora, conforme sabemos, as pessoas sejam importantes. Devemos honrar as nossas vitórias e abraçar as nossas derrotas. Sem elas, não saberíamos o que é dormir pensando no que poderíamos ter feito, mas não fizemos; e acordar para construir outros caminhos.


Quando eu era menino, eu chorava quando meu time perdia. Hoje sou um frustrado eleitoral. Assim que soube da vitória da presidente Dilma, pensei no poder da realidade. Esse real que não é um cão fiel à nossa vontade. Esse real que muitas vezes parece estar contra nós. Thomas Mann dizia: a realidade é desapaixonada exatamente na sua qualidade de realidade. Somos apaixonados, mas o mundo não nos segue; ou melhor: ele nem sempre concorda em ficar sincronizado com os nossos desejos.


Escrevo no domingo e justo quando o meu candidato perde a eleição para presidente da presidenta, eu recebi uma mensagem do meu amigo, o professor e grande brasilianista, Richard Moneygrand, falando o que transcrevi acima sobre perder e ganhar: essa oscilação duríssima que faz parte da vida.


Eu sou puxado pela política; meu amigo, porém, escreve motivado por seu último divórcio. Dick é um veterano em divórcios, mas esse foi o mais desgastante. A ex-esposa, a linda Baby Braz, levou-lhe dinheiro e uma mansão comprada duas vezes. E para culminar decepções, Moneygrand flagrou-a num hotel de Chicago com seu amante - uma jovem e brilhante professora de literatura russa. 


Moneygrand tem uma enorme consciência de que estamos aqui em parte como bonecos sem rumo e em parte como atores sem papéis, mas a constatação do adultério com a cumplicidade de grande parte daqueles que confiava e que viviam na sua própria casa e no lado nordeste e norte do seu bairro foi desoladora. "Fui traído pelos meus irmãos", repetiu na sua triste missiva.


"Nada pode ser mais cruel do que ver a mulher amada nos braços de um amante feminino. Sobretudo quando se estava convencido que ela seria menos ingênua. Mas quem é que manda no coração? E como entender sem mágoa que as pessoas têm opiniões e tomam partido? Por acaso, você também não é assim?"


A linda Baby Braz traiu-o com uma mulher. "Mas, conforme descobri - conforta-se Moneygrand no final da mensagem -, soube que ela atraiçoa todos os seus amores. Sobretudo os mais apaixonados. Muitas, muitas vezes."

sábado, 1 de novembro de 2014

O dia seguinte em Marte | The Day After Mars


31 de outro de  1938 foi o dia seguinte à chegada dos marcianos no planeta Terra, e tudo estava calmo. Revelou-se depois que relatórios da invasão foram parte de um drama de rádio para o Halloween, a hoje famosa transmissão baseada no conto de ficção científica de H.G. Wells, Guerra dos Mundos

O dia20 de outubro de 2014 em Marte também foi calmo, o dia seguinte ao seu encontro com o Cometa Siding Spring. Naõ era uma brincadeira, este cometa realmente chegou a apenas umas 86.700 milhas de Marte, cerca de 1/3 da distância entre a Terra e a Lua.

No entanto as espaçonaves de jipes-sonda terrestres em órbita de Marte e em sua superfície não relataram nenhum efeito danoso, e tiveram uma visão privilegiada quando o visitante do sistema solar externo passou por lá

Espalhando-se por mais de 2 graus contra as estrelas da constelação de Ofiuco, esta colorida foto telescópica registra nossa visão de Marte no dia seguinte ao evento. A estrela azulada 51 Ophiuchi está no canto superior direito, e o cometa acaba de emergir do brilho ofuscante do Planeta Vermelho.

Tradução de Luiz Leitão

October 31, 1938 was the day after Martians encountered planet Earth, and everything was calm. Reports of the invasion were revealed to be part of a Halloween radio drama, the now famous broadcast based on H.G. Wells' scifi novel War of the Worlds

On Mars October 20, 2014 was calm too, the day after its close encounter with Comet Siding Spring. Not a hoax, this comet really did come within 86,700 miles or so of Mars, about 1/3 the Earth-Moon distance.

Earth's spacecraft and rovers in Mars orbit and on the surface reported no ill effects though, and had a ringside seat as a visitor from the outer solar system passed by. 

Spanning over 2 degrees against stars of the constellation Ophiuchus, this colorful telescopic snapshot captures our view of Mars on the day after. Bluish star 51 Ophiuchi is at the upper right and the comet is just emerging from the Red Planet's bright glare.

Nascer-do-sol visto da Estação Espacial Internacional | Sunrise From the International Space Station


O astronauta da NASA  Reid Wiseman postou esta imagem do nascer-do-sol, visto da Estação Espacial Internacional, em 29 de outubro de 2014. Wiseman escreveu, "Nem todo dia é fácil. Ontem foi um dia duro. #Nascer-do-sol"
Wiseman estava se  referindo à perda, em 28 de outubro, do foguete Antares da Orbital Sciences Corporation e da espaçonave Cygnus, logo após o lançamento na Wallops Flight Facility da NASA, na Virgínia. A espaçonave Cygnus estava carregada com cerca de 2.500 quilos de suprimentos destinados à Estação Espacial Internacional, inclusive experimentos científicos,equipamentos para  experimentos, peças de reposição e provisões para a tripulação.
Entretanto a tripulação da estação não corre o  risco de ficar sem alimentos ou outros suprimentos críticos.
Tradução de Luiz Leitão
NASA astronaut Reid Wiseman posted this image of a sunrise, captured from the International Space Station, to social media on Oct. 29, 2014. Wiseman wrote, "Not every day is easy. Yesterday was a tough one. #sunrise"
Wiseman was referring to the loss on Oct. 28 of the Orbital Sciences Corporation Antares rocket and Cygnus spacecraft, moments after launch at NASA's Wallops Flight Facility in Virginia. The Cygnus spacecraft was filled with about 5,000 pounds of supplies slated for the International Space Station, including science experiments, experiment hardware, spare parts, and crew provisions.
The station crew is in no danger of running out of food or other critical supplies.