Astronomia, astrofísica, astrogeologia, astrobiologia, astrogeografia. O macro Universo em geral, deixando de lado os assuntos mundanos. Um olhar para o sublime Universo que existe além da Terra e transcende nossas brevíssimas vidas. Astronomy astrophysics, astrogeology, astrobiology, astrogeography. The macro Universe in general, putting aside mundane subjects. A look at the sublime Universe that exists beyond Earth and transcends our rather brief life spans.
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Bio-Bus
Este é o Bio-Bus Wessex Water, movido totalmente por dejetos humanos e alimentícios. Um ônibus movido a cocô! Lavoisier que o diga...
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Diversidade e desigualdade na visão de Moneygrand
Roberto Damatta
Eis o trecho final desta carta abusada de Richard Moneygrand:
"O Brasil é uma sociedade excepcionalmente desigual. A hierarquia combate, evita e, quando não vence, neutraliza a igualdade. A herança pouco decifrada da escravidão e da monarquia faz com que muitos jamais percebam o abismo das diferenças no plano social, vendo apenas números que não passam fome, não roubam e não vão para a cadeia. Essa visão distanciada e programática - a par de uma exemplar e vergonhosa ausência de educação para a igualdade - faz com que as diferenças entre o 'pobre' e o 'rico' sejam amortecidas no plano da economia. Eles ainda são tipos bíblicos, pois 'pobreza' e 'riqueza' ordenam diferenças e revelam um enorme potencial de diversidade.
Em sistemas em que a igualdade e o individualismo (base da cidadania moderna do cada um por si) são o credo, a pobreza é lida como um defeito ou um descuido de um sistema que deveria promover mais riqueza do que pobreza. As diferenças viram 'estratificação social', mas elas não se transformam em castas, embora exista esse risco se não houver a visão do limite para cima e sobretudo para baixo. A concepção de que há um jogo entre iguais é obviamente um logro e foi percebida na obra de Marx e outros. Mas quando pobreza e riqueza se associam forte e indissoluvelmente outros códigos como o racial, a desigualdade transforma-se em diversidade. E a estratificação financeira passa de classe a segmento. Pobreza e riqueza se relativizam e não são mais vistas apenas como um dado anômalo do sistema. Nesse sentido, leia Thomas Piketty com olhos sociológicos.
No Brasil sabemos - como vi na sua pesquisa sobre os pobres na periferia de São Paulo - que o 'rico' tem obrigações para com os 'pobres'. Por seu turno, o pobre não deve se rebelar contra a sua pobreza porque existem ricos que são pobres em beleza e saúde. No Brasil, o dinheiro tem parte com o Diabo. Ele não traz felicidade. O dinheiro compra muito, mas não compra tudo. E, com isso, entramos na faixa das éticas múltiplas que você - continua Moneygrand - explorou no seu Carnavais, Malandros e Heróis. A dos eixos valorativos situados fora da economia e do mercado. Tal multiplicidade relativiza as diferenças, sustenta uma ética de paciência e de interdependências, e é o centro da diversidade a qual é apropriada pelos populismos. Se vota em X você perde o benefício...
O rico é devedor do pobre porque, em muitas sociedades, ficar rico é algo tortuoso. Basta pensar como é vil enriquecer com a escravidão, a prostituição ou o cargo público, principalmente quando se prenuncia a igualdade para simplesmente enriquecer o partido. Eu não tenho dúvida que esse caldo ideológico, vindo de uma burguesia afidalgada pela escravidão, é o que permite dizer: 'Vou governar para todos, mas darei mais atenção aos pobres!'. Ora, meu caro DaMatta: isso é equivalente a dizer: a lei vale para todos, mas se você for um magistrado ou um membro do meu partido, vamos dar um jeito. A proposta de cuidar de um grupo já hierarquiza. Quem cuida de uma categoria não cuida do todo. E o todo, numa democracia decente, é uma coletividade que não admite a riqueza por meio do cargo público nem a pobreza da indigência!
Quando se têm diferenças fundadas numa só dimensão, você tem o eixo imperfeito da igualdade perante a lei. Mas quando você introduz múltiplas éticas distinguindo o 'nós' dos 'outros', você engendra a diversidade. Então, surge o inimputável e o condenado que não fica preso; isso para não falar das vossas vergonhosas prisões de onde bandidos comandam atos de vandalismo. Nos livros de Dickens, um pobre se diferencia de um rico porque ele tem menos dinheiro. Num livro de Jorge Amado, eles são diferentes, mas são também diversos. O pobre é oprimido, mas é o herói malandro apadrinhado de entidades sobrenaturais. No Brasil, o pobre não é apenas um 'perdedor' - ele é sempre uma vítima.
Em política, vocês misturam os meios e os fins. Todo mundo quer o 'governo', mas para quê? Para serem donos do Brasil ou para realizarem coisas para o Brasil? Para isso, é preciso discutir o que é oposição. O verbo é claro e descobre outro fato desagradável: como discordar, cobrar e ser diferente quando a grande maioria faz parte de um mesmo clube e segue as mesmas normas de polidez e boa educação? Para ser oposição, há que se disciplinar para se transformar num diferente. Numa sociedade hierarquizada e interligada por simpatias e antipatias, isso não é fácil. A turma do meio (que é o maior partido do Brasil) neutraliza. E, assim, nada se faz para o povo, exceto quando você imagina ser o próprio povo.
Take care, Dick".
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domingo, 23 de novembro de 2014
Vídeo: A jornada do asteroide Bennu
Nascido dos destroços de uma violenta colisão, atirado através do espaço por milhões de anos e desmembrado pela gravidade de planetas, o asteroide Bennu teve uma vida dura em nossas inóspitas vizinhanças: o sistema solar primordial. "A jornada de Bennu", uma nova animação criada no Centro Goddard de Voos Espaciais da NASA em Greenbelt, Maryland, EUA, mostra o que se sabe e o que ainda há de misterioso sobre a existência de Bennu e a origem do sistema solar."Nós vamos a Bennu porque queremos saber o que ele presenciou ao longo de sua evolução," disse Edward Beshore, da Universidade do Arizona, Deputy Principal Investigator for NASA's asteroid-sample-return mission OSIRIS-REx (Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security – Regolith Explorer).
A missão rumo a Bennu será lançada no final de 2016, chegando ao asteroide em 2018, e deverá trazer à Terra uma amostra da superfície de Bennu, em 2023. "As experiências de Bennu nos dirão mais sobre de onde o sistema solar veio e como evoluiu. Como detetives de um episódio de filme policial, nós examinaremos pedaços de provas vindas de Bennu para entendermos de forma mais completa a história do sistema solar, que, afinal, é a história de nossa origem."
Este vídeo se inicia com uma foto da galáxia estabelecendo o contexto e move-se para uma nebulosa – uma vasta nuvem de gás e poeira ejetados das explosões de estrelas em colapso. A partir de observações de outras regiões de formação estelar em nossa galáxia, cientistas obtêm uma boa noção das ideias básicas de como o sistema solar passou a existir, segundo Beshore. Como mostrado na animação, uma estrela próxima explodindo rompe material na nebulosa, fazendo com que parte dela sucumba à própria gravidade e forme um disco de material circundando o jovem Sol.
Tradução de Luiz Leitão
Born from the rubble of a violent collision, hurled through space for millions of years and dismembered by the gravity of planets, asteroid Bennu had a tough life in a rough neighborhood: the early solar system. "Bennu's Journey," a new animation created at NASA's Goddard Space Flight Center in Greenbelt, Maryland, shows what's known and what remains mysterious about the life of Bennu and the origin of the solar system."We are going to Bennu because we want to know what it has witnessed over the course of its evolution," said Edward Beshore of the University of Arizona, Deputy Principal Investigator for NASA's asteroid-sample-return mission OSIRIS-REx (Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security – Regolith Explorer).
The mission will be launched toward Bennu in late 2016, arrive at the asteroid in 2018, and return a sample of Bennu’s surface to Earth in 2023. "Bennu's experiences will tell us more about where our solar system came from and how it evolved. Like the detectives in a crime show episode, we'll examine bits of evidence from Bennu to understand more completely the story of the solar system, which is ultimately the story of our origin."
The video opens with an establishing shot of the galaxy and moves in to a nebula – a vast cloud of gas and dust ejected from the explosions of dying stars. From observations of other star-forming regions in our galaxy, scientists have a good idea of the basic outlines of how our solar system came to be, according to Beshore. As shown in the animation, a nearby exploding star disrupts material in the nebula, causing part of it to collapse under its own gravity and form a disk of material surrounding the infant Sun.
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sábado, 22 de novembro de 2014
Chevrolet Chaparral 2X Vision Gran Turismo
A traseira do carro conceito Chevrolet Chaparral 2X Vision Gran Turismo, em estreia mundial no Salão de Los Angeles, na Califórnia.
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sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Diversidade e desigualdade: uma carta de Moneygrand
Roberto Damatta
Isso não é crônica. É um pedido de desculpas ao meu querido amigo e ex-mentor Richard Moneygrand. Na semana passada, fiz o imperdoável: misturei minha reação à derrota do meu candidato com um e-mail do prof. Moneygrand falando de um doloroso divórcio.
Recebi três mensagens de Moneygrand. Na primeira, eu era chamado de "boquirroto" e "indiscreto". Na outra, ele me perdoava, pois, como todo mundo que escreve, Dick é um fascinado com as ironias da vida. Nesta mensagem, ele diz que cronistas, comentaristas, escritores e poetas - vivem da rapina e da traição. Trair, roubar ideias e mentir era o nosso fado. Se nós tentamos trair a morte, como não trairmos a nós mesmos e os nossos melhores amigos?
Na terceira mensagem, Richard Moneygrand se encarna como professor e faz um longo comentário sobre o nosso momento pós-eleitoral. Nele, ele teoriza sobre a passagem da desigualdade para a diversidade: da diferença quantitativa e supostamente gradual nas teorias do capitalismo individualista, para as oposições irreparáveis como as existentes entre um pássaro e um peixe. Como são mensagens longas, transcrevo o que assumo ser o mais importante e, por isso, a crônica vai em duas partes.
Em paralelo, Moneygrand fala (mais e melhor do que o que li) da singularidade de nossa crise atual. Ela é única justamente porque, paradoxalmente, elegeu a pessoa e o partido que vão agravá-la. Deste modo, nossa eleição não teve o papel de resolver problemas como dizem os ingênuos liberais, mas de agravá-lo.
Eis o que diz: "O Brasil virou pelo avesso. O vosso momento carnaval-eleitoreiro foi satisfatório. O anormal é a crise pós-eleitoral. Hoje, o partido que tem mais problemas é o vencedor, perdido na vitória e nos meandros insondáveis da personalidade da presidenta que não faz o que diz e faz o que não diz. O PSDB derrotado que dizem não ser um partido, mas uma escola de pós-graduação, pode encontrar um caminho. Algo impensável após uma eleição na qual estavam em jogo não apenas projetos de governo e visões de mundo (uma mais para o lado do Estado; outra para o lado da sociedade; uma para a mediação da vida pelo partido como um instrumento de totalização do mundo; outra para uma mediação mais individual, pelo jogo do mercado não mais autorregulado, como dizia Karl Polanyi, mas controlado por agências reguladoras teoricamente extramundanas). Isso para não falar da oposição entre um homem jovem e nascido em palácio; e uma mulher de meia-idade construída carismaticamente, mas feita do barro autoritário e duro das utopias políticas e dos seus substitutos na América Latina: as tecnoburocracias estatizantes.
Os debates tiveram o tom de disputas futebolísticas e a vitória foi com uma margem pequena. Tão curta que não justificou euforia ou arrogância. Aliás, quase ocorreu um empate normal no futebol, mas que levaria os vossos tribunais eleitorais - afinal vocês têm polícias, leis e juízes para todas as esferas da vida - a travar debates intermináveis dentro do quadro jurídico-teológico aprendido em Coimbra pelos vossos ilustres magistrados.
Mas quero ir além disso. A eleição pelo voto individual sempre foi um mecanismo de resolução de diferenças. Um mecanismo que, entre brasileiros, é usado como último recurso. Vocês amam dar opinião, mas detestam votar em aberto, dizendo francamente o que pensam. Faz parte do vosso sistema hierarquizado que leva a conciliações, favores e inocências culpadas, esconder o voto. Em muitas sociedades tribais, baseadas no parentesco e não da burocracia (ou no Estado), o processo de disputa aberto é inibido e - como viram alguns dos seus antigos colegas ingleses, como E. E. Evans-Pritchard e Meyer Fortes. Ele geralmente resulta numa fissão porque a diferença se tornava diversidade; em quando um clã ou uma facção política não chegava a um acordo, elas ampliavam suas desigualdades e o "voto" era a divisão ou a explosão do grupo em segmentos que formavam outras aldeias. O processo foi estudado por você no livro Um Mundo Dividido que eu admirei, justamente porque descrevia o sistema político de uma sociedade tribal. Resumo da ópera: em sistemas sem escrita e voto individual, as diferenças se transformam em diversidade. Aquilo que seria opinião, torna-se algo insuperável e o ressentimento vira vingança, ódio e, eventualmente, supremacia étnica.
Dá para entender o que digo? Um problema crítico da democracia é verificar quando e em que circunstâncias a desigualdade vira diversidade. Não é isso que diz o livro Capital de Piketty, o best-seller menos lido do mundo?"
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Formação estelar na nebulosa do Girino | Star Formation in the Tadpole Nebula
Emissões de poeira na Nebulosa do Girino, IC 410, situada a uns 12.000 anos-luz da Terra, na constelação de Auriga, o Cocheiro.A nuvem de gás incandescente tem mais de 100 anos-luz de diâmetro, e foi esculpida por ventos estelares e radiação do aglomerado estelar aberto incrustado NGC 1893.
Formados na nuvem interestelar há apenas 4 milhões de anos, os brilhantes aglomerados estelares são vistos por toda parte na nebulosa de formação estelar. Notáveis próximos ao centro da imagem há dois relativamente densos filetes de material afastando-se das regiões centrais da nebulosa.
Potencialmente locais de formação estelar em andamento em IC 410, essas fórmas cósmicas de girinos têm cerca de 10 anos-luz de comprimento. Esta imagem foi registrada em luz infravermelha pelo satélite da NASA Wide Field Infrared Survey Explorer (WISE).
Tradução de Luiz Leitão
Dusty emission in the Tadpole nebula, IC 410, lies about 12,000 light-years away in the northern constellation Auriga. The cloud of glowing gas is over 100 light-years across, sculpted by stellar winds and radiation from embedded open star cluster NGC 1893.
Formed in the interstellar cloud a mere 4 million years ago, bright cluster stars are seen all around the star-forming nebula. Notable near the image center are two relatively dense streamers of material trailing away from the nebula's central regions.
Potentially sites of ongoing star formation in IC 410, these cosmic tadpole shapes are about 10 light-years long. The featured image was taken in infrared light by NASA's Wide Field Infrared Survey Explorer (WISE) satellite.
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quinta-feira, 20 de novembro de 2014
A mina de cobre andina da CODELCO
Uma vista aérea das estradas com caminhões de minérios transitando pela mina de cobre andina da CODELCO, na cadeia das Montanhas Los Andes, perto de Santiago.
Diz-se que os glaciares da zona central chilena, uma enorme fonte de água para as bacias da capital, estão ameaçados pelos impactos ambientais de projetos de hidroelétricas e mineração, segundo ativistas do Greenpeace.
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A galáxia espiral brilhante M81 | Bright Spiral Galaxy M81
Uma das mais brilhantes galáxias visíveis no céu do planeta Terra tem tamanho similar ao da Via Láctea: a grande e bela M81.
Esta imponente galáxia espiral pode ser vista próxima à constelação da Ursa Maior, no norte. esta vista altamente detalhada revela o núcleo amarelo brilhante de M81, seus braços espirais azuis,e regiões de vielas de poeira cósmica de uma escala comparável à Via Láctea.
Como pista de um passado desordenado, uma notável viela de poeira realmente atravessa direto o disco, para a esquerda do centro galáctico, contrária às outras proeminentes espirais de M81.
A viela de poeira errante pode ser o resultado tardio de uma encontro entre M81 e sua galáxia companheira menor, M82. O escrutínio de estrelas variáveis em M81 resultou em uma das distâncias mais bem determinadas para galáxias externas — 11,8 milhões de anos-luz.
Tradução de Luiz Leitão
One of the brightest galaxies in planet Earth's sky is similar in size to our Milky Way Galaxy: big, beautiful M81.
This grand spiral galaxy can be found toward the northern constellation of the Great Bear (Ursa Major). This superbly detailed view reveals M81's bright yellow nucleus, blue spiral arms, and sweeping cosmic dust lanes with a scale comparable to the Milky Way.
Hinting at a disorderly past, a remarkable dust lane actually runs straight through the disk, to the left of the galactic center, contrary to M81's other prominent spiral features. The errant dust lane may be the lingering result of a close encounter between M81 and its smaller companion galaxy, M82. Scrutiny of variable stars in M81 has yielded one of the best determined distances for an external galaxy -- 11.8 million light-years.
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quarta-feira, 19 de novembro de 2014
Impeachment nela!
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Vídeo:Hoverboard
Como skatista profissional, Tony Hawk demonstra o hoverboard, desenvolvido pela Hendo Hover e financiado por uma campanha de impulso (Kickstarter), paira a cerca demeia polegada acima do solo, e pode aguentar uma pessoa com 125 quilos.
A tecnologia que permite isso é denominada Arquitetura de Campo Magnético. Isso envolve eletromagnetos presos à base da prancha, que repelem to superfície condutora não-ferrosa.
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terça-feira, 18 de novembro de 2014
O disco protoplanetário de HL Tauri | The Protoplanetary Disk of HL Tauri
Por que este gigantesco disco tem vãos? E emocionante e provável resposta é: planetas. É um mistério como planetas grandes o suficiente para criar esses vãos se formaram tão rapidamente, já que o sistema estelar HL Tauri tem apenas alguns milhões de anos de existência.
A foto na qual os vãos foram descobertos foi tirada com o novo conjunto de telescópios Atacama Large Millimeter (ALMA), no Chile. O ALMA fotografou o disco protoplanetário, que tem cerca de 1.500 minutos-luz de diâmetro, com detalhes inéditos, detalhando características tão pequenas quanto 40 minutos-luz.
A luz de baixa energia usada pelo ALMA também pôde olhar através de uma envolvente bruma de gás e poeira. O sistema HL Tauri situa-se a cerca de 450 anos-luz da Terra. O estudo de HL Tauri provavelmente dará uma ideia de como nosso Sistema Solar se formou e evoluiu.
Tradução de Luiz Leitão
Why does this giant disk have gaps? The exciting and probable answer is: planets. A mystery is how planets massive enough to create these gaps formed so quickly, since the HL Tauri star system is only about one million years old.
The picture on which the gaps were discovered was taken with the new Atacama Large Millimeter Array (ALMA) of telescopes in Chile. ALMA imaged the protoplanetary disk, which spans about 1,500 light-minutes across, in unprecedented detail, resolving features as small as 40 light minutes.
The low energy light used by ALMA was also able to peer through an intervening haze of gas and dust. The HL Tauri system lies about 450 light years from Earth. Studying HL Tauri will likely give insight into how our own Solar System formed and evolved.
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segunda-feira, 17 de novembro de 2014
Shameful Petrobras
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Pra que discutir com madame?
José Nêumanne
Marta pode ter pensado no samba famoso quando aproveitou a viagem de Dilma para pedir demissão
Os meteorologistas do Planalto Central, onde um pedaço do Cerrado goiano é interrompido pelo Distrito Federal, têm facilitadas as previsões de tempestades de verão em qualquer estação quando trovoadas fazem eco à voz da Zeus em forma de mulher, mãe e avó escandindo a palavra “querido”. Pode ser que nunca antes na história deste governo alguém tenha sido tão aquinhoado com essa inversão semântica pela presidente Dilma Vana Rousseff, a Júpiter de tailleur, quanto Marta Teresa Smith de Vasconcellos, vulgo Suplicy. Pelas consequências de tais monções verbais se poderá medir o grau de petulância da “querida”, algoz e vítima.
Não é improvável que “dona Marta d/o PT” tenha pensado no samba Pra que Discutir com Madame, de Janet de Almeida e Haroldo Barbosa, quando decidiu aproveitar a oportunosa ensancha de estar a “presidenta” incomunicável no avião rumo ao Catar para protocolar no Palácio do Planalto seu pedido de demissão. Mas é mais provável que tenha imaginado uma apoteose de glória: a saída do jogo aos 40 do segundo tempo com a arquibancada chamando a técnica de “burra” e aplaudindo a “atacanta” marrenta. É que não combina com as meias de seda da atrevida ex-ministra serem tiradas no vestiário, findo o primeiro tempo, junto com gentinha insignificante. Se o clã Smith de Vasconcellos permitisse o emprego de calão impróprio, a psicanalista que virou política olharia para o espelho defronte à poltrona do outro lado do divã e reconheceria que gosta mesmo é de “causar”.
A psicóloga bacharelada na PUC de São Paulo e pós-graduada em Stanford, fina flor da intelligentsia californiana, sócia da Sociedade Brasileira de Psicanálise e da International Psychoanalytical Association, tem um percurso comum rumo ao socialismo: gordos saldos nos bancos e nobres carteiras na academia. Mas ninguém pode dizer que ela seja uma socialista comum. Como seus companheiros sindicalistas no Partido dos Trabalhadores (PT) e ao contrário do ex-marido Eduardo Matarazzo Suplicy, ela chegou à política nos braços do populacho. Antes de ser populista, a bisneta do barão de Vasconcellos foi popular. Dirigida por Nilton Travesso, mago da televisão comercial, e entre linhas e agulhas do costureiro Clodovil, tornou-se conhecida por um quadro de aconselhamento sobre sexo, versão moderninha do velho consultório sentimental, no programa pré-feminista TV Mulher, da Globo. Marta Teresa falava em público de um assunto que talvez nunca tivesse abordado de forma tão franca no castelo da família ou mesmo com clientes de terapia. Do divã foi falar de cama diante das câmeras e dali ao palanque, ao poder, à tribuna.
Ao contrário de sua ex-chefona, que subiu a rampa da Presidência conduzida pelas mãos de um patrono, o padim Lula da Silva de Caetés, Marta Teresa assumiu a prefeitura da maior cidade do Brasil sem empurrão nem indicação de homem algum. Do ex-marido só usou o sobrenome. Mesmo jejuna na gestão pública, deixou marcas por onde passou, sempre fiel ao estilo muito pessoal de pisar no barro das favelas com sapatos de marca. Sua arrogância produziu contrastes e pérolas na retórica política. Com altos índices de aprovação, perdeu a reeleição para o tucano José Serra, que nunca foi o mais simpático dos candidatos. No Ministério do Turismo de Lula, cunhou a sentença “relaxa e goza” como conselho jocoso aos antigos parceiros da elite branca incomodados com a muvuca dos aeroportos congestionados pelos emergentes do Plano Real, que Lula havia adotado.
No Senado da República, aonde chegou por mérito próprio, foi indicada por Lula para o Ministério da Cultura de Dilma. Mais leiga no assunto do que na atividade, produziu em dois anos de gestão mais poeira nos arquivos do que ajuda às artes. Sob a égide de Dilma, assumiu o “Volta, Lula” com paixão inversamente proporcional ao menosprezo com que o líder máximo a tratou ao passar por cima das óbvias referências dela para fazer de Fernando Haddad seu poste da vez, elegendo-o para o gabinete no palacete dos Matarazzos, que pertencera ao clã avoengo de seus três filhos. A par do desastre administrativo do companheiro pelo qual o levantador de postes a preteriu, Marta Teresa nunca confundiu petulância com orgulho e usa o rancor com frieza calculada. A sair de cena na vala comum do fosso de orquestra preferiu entoar a ária da despedida despejando no governo que larga uma tempestade de granizo com doses de veneno importado da Florença de Maquiavel e antes usado em Vassouras (RJ) por seu antecessor nesse gênero de esgrima Carlos Frederico Werneck de Lacerda.
Marta Teresa almejou que Dilma Vana se “iluminasse” para escolher uma equipe econômica capaz de recuperar a confiança e a credibilidade do governo, sabendo que, mesmo improvável, seu voto não é impossível. E que, quer o realize ou não, a ex-chefona não teria como impedir que ela venha a concretizar o sonho de voltar ao Viaduto do Chá das 5. Como Santo Agostinho, padroeiro das freiras com quem estudou no colégio Des Oiseaux, ela sabe que virtude tem hora. E lugar.
José Nêumanne, jornalista, poeta e escritor, é autor, entre outros livros, de O que sei de Lula (Topbooks)
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domingo, 16 de novembro de 2014
17 espadas
Kishan Valaiah Ayula posa para fotos após engolir 17 espadas, em Telangana, Índia. Kishan, do sul da Índia executa essa perigosa forma de arte há 16 anos, e conquistou um recorde mundias por seus truques de engolir aço. O homem, de 47 anos.começou a praticar engolindo mangueiras de água, e agora consolidou sua carreira como um ousado profissional.
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sábado, 15 de novembro de 2014
Siga a poeira para encontrar planetas | Follow the Dust to Find Planets
Pesquisadores que estudam o que parece ser uma versão aumentada de nosso sistema solar descobriram que ela está encapsulada em um halo de poeira fina. As descobertas se baseiam em dados em infravemelho do Telescópio Espacial Spitzer da NASA e do Observatório Espacial Herschel da Agencia Espacial Europeia, parceira da NASA.
O poeirento sistema estelar, chamado HD 95086, está localizado a 295 anos-luz da Terra, na constelação de Carina. Acredita-se que ele inclua dois cinturões de poeira, os quais situam-se dentro do recém descoberto halo externo de poeira. Um desses cinturões é morno e mais próximo de sua estrela, como é o caso do cinturão de asteroides de nosso sistema solar, enquanto o segundo cinturão é mais frio e distante, similar ao nosso cinturão de Kuiper de cometas gelados.
"Observando outros sistemas estelares como esses, podemos concluir como nosso sistema solar nasceu," disse Kate Su, astrônoma associada da Universidade do Arizona, em Tucson, e principal autora do artigo.
Em nosso sistema solar, os planetas Júpiter, Saturno, Urano e Netuno estão entremeados pelos dois cinturões de poeira. Cientistas creem que algo semelhante esteja acontecendo no sistema estelar HD 95086, mas em maior escala. Já se sabe que um planeta, com cerca de cinco vezes a massa de Júpiter, está localizado bem no interior do cinturão mais frio de HD 95086. Outros grandes planetas podem estar se escondendo entre os dois cinturões de poeira, esperando ser descobertos.
Estudos como este do Spitzer e Herschel indicam o caminho pata telescópios baseados em solo fotografarem tais planetas escondidos, uma técnica denominada "imageamento" direto. O planeta que se sabe existir em HD 95086 foi, na verdade, descoberto e "imageado" através desta técnica, em 2013. As imagens não são nítidas porque os planetas são muito esmaecidos e distantes, mas elas revelam novas informações sobre a arquitetura global de um sistema planetário.
"Sabendo onde os destroços estão, além das propriedades do planeta conhecido no sistema, podemos ter uma ideia de quais outros tipos de planetas podem haver lá," disse Sarah Morrison, uma coautora do artigo e estudante de PhD da Universidade do Arizona. Ela rodou modelos de computador para restringir as possibilidades de quantos planetas provavelmente existem no sistema. "Nós sabemos que deveríamos estar procurando vários planetas em vez de apenas um planeta gigante."
Para descobrir como seria HD 95086, os astrônomos recorreram a um sistema estelar similar chamado HR 8799. Ele também tem um cinturão de detritos interno e outro externo circundados por um grande halo de poeira fina, e quatro planetas conhecidos entre os cinturões — entre os primeiros exoplanetas, ou planetas fora do sistema solar, a serem diretamente "imageados".
A comparação de dados dos dois sistemas estelares sugere que HD95086, como seu primo HR 8799, possivelmente abriga vários planetas que ainda não foram observados. Telescópios baseados em solo podem ter a capacidade de tirar fotos da família de planetas.
HD 95086 e HR 8799 são muito mais jovens e poeirentos do que nosso sistema solar. Quando sistemas planetários são jovens e ainda estão em formação, colisões entre astros planetários em crescimento, asteroides e cometas levantam poeira. Parte da poeira coagula-se em planetas, parte se acumula em cinturões, e o resto é soprado em um halo, ou conduzido para a estrela.
Tradução de Luiz Leitão
Tradução de Luiz Leitão
Researchers studying what appears to be a beefed-up version of our solar system have discovered that it is encased in a halo of fine dust. The findings are based on infrared data from NASA's Spitzer Space Telescope and the European Space Agency's Herschel Space Observatory, in which NASA is a partner.
The dusty star system, called HD 95086, is located 295 light-years from Earth in the constellation Carina. It is thought to include two belts of dust, which lie within the newfound outer dust halo. One of these belts is warm and closer to its star, as is the case with our solar system's asteroid belt, while the second belt is cooler and farther out, similar to our own Kuiper belt of icy comets.
"By looking at other star systems like these, we can piece together how our own solar system came to be," said Kate Su, an associate astronomer at the University of Arizona, Tucson, and lead author of the paper.
Within our solar system, the planets Jupiter, Saturn, Uranus and Neptune are sandwiched between the two dust belts. Scientists think something similar is happening in the star system HD 95086, only on larger scales. One planet, about five times the mass of Jupiter, is already known to sit right inside HD 95086's cooler belt. Other massive planets may be lurking between the two dust belts, waiting to be discovered.
Studies like this from Spitzer and Herschel point the way for ground-based telescopes to snap pictures of such planets in hiding, a technique referred to as direct imaging. The one planet known to exist in HD 95086 was, in fact, discovered and imaged using this technique in 2013. The images aren't sharp because the planets are so faint and far away, but they reveal new information about the global architecture of a planetary system.
"By knowing where the debris is, plus the properties of the known planet in the system, we can get an idea of what other kinds of planets can be there," said Sarah Morrison, a co-author of the paper and a PhD student at the University of Arizona. She ran computer models to constrain the possibilities of how many planets are likely to inhabit the system. "We know that we should be looking for multiple planets instead of a single giant planet."
To learn what HD 95086 looks like, the astronomers turned to a similar star system called HR 8799. It too has an inner and outer belt of debris surrounded by a large halo of fine dust, and four known planets between the belts — among the first exoplanets, or planets beyond our solar system, to be directly imaged.
Comparing data from the two star systems hints that HD95086, like its cousin HR 8799, is a possible home to multiple planets that have yet to be seen. Ground-based telescopes might be able to take pictures of the family of planets.
Both HD 95086 and HR 8799 are much younger and dustier than our solar system. When planetary systems are young and still forming, collisions between growing planetary bodies, asteroids and comets kick up dust. Some of the dust coagulates into planets, some winds up in the belts, and the rest is either blown out into a halo, or funneled onto the star.
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sexta-feira, 14 de novembro de 2014
NGC 4762
Por que há uma linha brilhante no céu? O que há na foto acima é, na verdade, uma galáxia de disco vista quase totalmente de lado. A imagem, do Telescópio Espacial Hubble, é um espetacular lembrete visual do quão finos podem ser as galáxias de disco.
NGC 4762, uma galáxia no próximo Aglomerado Galáctico de Virgem, é tão fina que torna-se realmente difícil determinar de qual tipo de galáxia disco se trata. Sua ausência de uma viela de poeira visível indica que ela é uma galáxia lenticular de pouca poeira, embora ainda seja possível que uma vista do topo viesse a revelar uma estrutura espiral.
A incomum linha estelar estende-se por cerca de 100.000 anos-luz de ponta a ponta. Próximo ao centro de NGC 4762 há uma ligeira protuberância de estrelas, enquanto várias galáxias no plano de fundo são visíveis ao longe.
Galáxias que aparentam ser finas assim são raras, principalmente porque nossa Terra reside (aproximadamente) nos planos extrapolados de seus finos discos galácticos. As galáxias que são realmente finas assim são relativamente comuns — por exemplo, acredita-se que nossa Via Láctea seja aproximadamente desta finura.
Tradução de Luiz Leitão
Why is there a bright line on the sky? What is pictured above is actually a disk galaxy being seen almost perfectly edge on. The image from the Hubble Space Telescope is a spectacular visual reminder of just how thin disk galaxies can be.
NGC 4762, a galaxy in the nearby Virgo Cluster of Galaxies, is so thin that it is actually difficult to determine what type of disk galaxy it is. Its lack of a visible dust lane indicates that it is a low-dust lenticular galaxy, although it is still possible that a view from on top would reveal spiral structure.
The unusual stellar line spans about 100,000 light years from end to end. Near NGC 4762's center is a slight bulge of stars, while many background galaxies are visible far in the distance.
Galaxies that appear this thin are rare mostly because our Earth must reside (nearly) in the extrapolated planes of their thin galactic disks. Galaxies that actually are this thin are relatively common — for example our own Milky Way Galaxy is thought to be about this thin.
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quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Um hóspede não convidado
Roberto Damatta
Tive muitas conversas orquestradas por "drinks" com meu antigo mentor, o brasilianista, Richard Moneygrand. Mas antes do antes do primeiro gole ele batia o copo e dizia: "Morte ao leite degradante! Morte a água que enferruja! Salve o álcool, edificante..."
Riamos e sérios como os ladrões da Petrobrás e da república, bebíamos cortando o efeito etílico com paradoxos e projetos utópicos.
Um deles era o de comer todas as mulheres do mundo; outro era o de liquidar a pobreza e a fome; um terceiro era descobrir o sentido do que seria preciso para obter a felicidade. Moneygrand, com sua veemência escocesa (ele descendia dos bardos que alegravam as festas das terras altas da Escócia), sempre que ficava bêbado, cantava a belíssima balada Leezie Lindsey, na qual o cantor oscilava entre conquistar a moça como um "chefe do mais alto calibre" ou como um rebelde da estirpe de Rob Roy.
Num desses encontros, Moneygrand mencionou a obra de Victor Turner o qual eu depois viria a ler e usar, referindo-se com ênfase em como ela era um espelho do movimento "hippie" e dos vários radicalismos que ocorriam em nossa volta.
Foi quando ouvi novamente o nome de São Francisco de Assis, agora como um modelo de transformação social radical porque, conforme me contou Moneygrand, vivendo entre 1182 e 1226, ele passa de Giovanni di Pietro di Bernardone a Francisco de Assis. E ao lado da mudança de nome, comum a todos os que bravamente optaram por um ideal intricado, como Nhô Augusto Esteves, o Matraga, de Guimarães Rosa; Giovanni di Pietro também abandonou sua vida de filhinho esquerdista de papai burguês para, como o nosso paradigmático Antonio Conselheiro, viver no mundo clandestino dedicado ao miseráveis, optando pelo trabalho braçal como consertador de cemitérios e igrejas abandonadas.
Dick Moneygrand admirava a determinação de Francisco, talvez porque naquele momento estivesse se divorciando e apaixonado pela bela Caroline Crocker a que chegava sempre atrasada e, quando entrava na sala aula usando um suéter revelador dos seus encantadores faróis dianteiros, fazia os rapazes perderem o rumo e as moças esboçarem um sorriso invejoso.
Eu tenho o ideal de perseguir as damas, dizia Moneygrand, mas transformar o mundo e liquidar a pobreza só me ocorreu seriamente quando li a vida de São Francisco no contexto cosmo-político assentado por Turner. Pois ali se diz que Francisco era intuitivo e sua lógica era a da sensibilidade e não a do intelecto ou da burocracia. Anti-estrutura em vez de estrutura.
A única regra que foi capaz de formular - prosseguiu Moneygrand - foi o "não ter" - a norma do "desnudamento espiritual". Todas as outras Francisco teve dificuldade em estabelecer porque se legislasse, criaria inevitavelmente a "estrutura" ou a "dominação burocrática" que, como disse Weber antes de Turner, controla o nosso mundo e tem um viés duro de mudar porque ela se legitima a si mesma como as regras de um jogo de cartas ou de futebol. E o capitalismo é, no fundo, um tal jogo, mesmo quando associado a democracia a qual, por sua vez, tem tanto o rigor da "estrutura" que, como viu Lévi-Strauss, dissolve o sujeito - esse ator dominante da filosofia-política ocidental; quanto a liberdade esperançosa dos movimentos revolucionários marginais, que tem como objetivo o ideal franciscano de salvar o mundo e o homem de si mesmo, nele reintroduzindo a perspectiva subjetiva de escapar das determinações estruturais.
Se você olhar bem para São Francisco - disse ele tomando um largo gole - você nele encontra um negro e um cracudo porque ele elegeu a pobreza errante, a anti-propriedade, o não institucional e o provisório. Ora, isso só ocorre com quem considerou seriamente o sentido do suficiente. São Francisco não precisava de duas casas ou e de vinte ternos. Para ele bastava um abrigo e um velho e surrado camisão.
Por que, continuou Richard, o radicalismo pegou no século 19 e hoje tornou-se um viés modista, um elemento canibalizado pela celebrização que vende tantos livros, filmes, discos e roupas?
*
Passam-se 40 anos.
Eu me recordo dessa conversa e penso nos que renunciaram do mundo não porque o detestavam, mas porque o amavam; não para explora-lo, mas para mostrar como é possível viver com austeridade. Lembro uma admoestação do grande William Blake (o Antonio Vieira deles): "quem quiser fazer o bem aos outros deve fazê-lo em Diminutos Particulares; o Bem Geral é o pretexto dos hipócritas e dos velhacos" (Prophetic Books, citado no livro O Processo Ritual de Turner).
No Brasil, tem gente que, como dizia D. Pedro II, faz mais revoluções por minuto do as maquinas a vapor. Mas quem é que governa com austeridade, vivendo modestamente e sem lacaios? Não é por acaso que os populistas e os neofascistas sempre fundem "partidos trabalhistas". Quem não trabalha, idealiza o trabalhador mas‚ como o Lula, odeia o trabalho. São Franciscanos no discurso e bilionários na prática. Não deve ser por acaso que Paulo Roberto Costa, o grande e premiado ladrão-revelador do PT, confessou na Folha de S.Paulo: "Se houve erro (!!!)", disse, "foi a partir da minha entrada na diretoria por envolvimento com grupos políticos, principalmente. Usando a oração de São Francisco, 'que é dando que se recebe'. Eles usam muito isso".
Ai está todo o cinismo religioso do lulo-petismo e de algumas das maiores, sinto em dizê-lo, e das mais desrespeitáveis empresas nacionais. Para o meu lado franciscano, não é apenas mais caso de tirar esse grupo que não merece governar o Brasil, mas de refunda-lo.
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Descida em um cometa | Descent to a Comet
Ontem, ocorreu o primeiro pouso suave da história em um cometa, a cerca de 500 milhões de quilômetros do planeta Terra, quando o aterrisador Philae da missão Rosetta pousou no núcleo de C67/P Churyumov-Gerasimenko.
O local do pouso, apelidado Agilkia, está localizado próximo ao centro desta notável imagem obtida pela câmera ROLIS (ROsetta Lander Imaging System) da Philae.
Tirada a uma distância de uns 3 quilômetros, a foto tem uma resolução ao redor de 3 metros por pixel na superfície. Após a liberação de Philae da nave orbital, sua descida, que durou sete horas, foi feita sem propulsão ou guia.
Após sua descida, o aterrisador ficou no lugar, embora seu sistema de arpões de ancoragem não tenha sido disparado. Durante 2,5 dias, o aterrisador deverá conduzir sua principal missão científica enviado muitas imagens e dados. Um missão ampliada pela superfície pode ser possível se a luz solar e as condições de poeira permitirem que os painéis solares recarreguem a bateria de Philae.
Tradução de Luiz Leitão
Yesterday, the first soft landing on a comet took place some 500 million kilometers from planet Earth as the Rosetta mission lander Philae settled on the nucleus of C67/P Churyumov-Gerasimenko.
The landing site, dubbed Agilkia, is located near the center of this remarkable image snapped by Philae's ROLIS (ROsetta Lander Imaging System) camera.
Taken from a distance of about 3 kilometers the image has a resolution of about 3 meters per pixel at the surface. After Philae's release from the orbiter, its seven-hour long descent was made without propulsion or guidance.
Following its descent the lander is in place, though its anchoring harpoon system did not fire. For 2.5 days the lander is intended to conduct its main science mission returning extensive images and data. An extended surface mission may be possible if sunlight and dust conditions allow solar panels to recharge Philae's battery.
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quarta-feira, 12 de novembro de 2014
Borboleta Red Admiral
Ao final do verão, uma borboleta da espécie Red Admiral se alimenta de uma flor Rudbeckia no jardins de West Dean, nas proximidades de Chichester, West Sussex, Reino Unido.
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