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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

O interior de uma tempestade solar


Uma ejeção de massa coronal ocorrida em 20 de janeiro de 2005 produziu uma enorme quantidade de partículas solares, que aparecem como faíscas de estática brancas nesta imagem do Observatório Solar e Heliosférico da ESA/NASA. Situado mais próximo da Terra, ele criou uma tempestade solar com uma incomum combinação de efeitos fortes e fracos.

Uma tempestade espacial causada pelo Sol atingiu nosso planeta em 21 de janeiro de 2005. O  evento iniciou-se em 20 de janeiro, quando uma nuvem de matéria solar, uma ejeção de massa coronal, ou CME, irrompeu do Sol e veio em direção à Terra. Ao chegar a nosso planeta, a corrente de anel e os aneis de radição no entorno da Terra incharam devido a essas partículas extras, e a aurora durou seis horas. Esses dois fatores são normalmente sinais de tempestades muito grandes – e, de fato, esta foi um dos maiores jorros de prótons solares já monitorados vindos do Sol. mas a tempestade pouco afetou os campos magnéticos que circundam a Terra – perturbações nesses campos podem afetar redes de distribuição de energia,  um potencial efeito climático espacial atentamente vigiado por uma sociedade tão dependente de eletricidade.


Os pesquisadores reuniram dados de uam espaçonave que orbita a ionosfera terrestre, que se estende por até 600 milhas acima da superfície do planeta, e satélites acima disso, orbitando através do coração do ambiente magnético da Terra, a magnetosfera. A grande quantidade de dados foi então incorporada em uma variedade de modelos desenvolvidos no Centro de Modelagem do Ambiente Espacial da Universidade de Michigan, que estão abrigados na no Centro Comunitário de Modelagem Coordenada do Centro Goddard de Voos Espaciais em Greenbelt, Maryland, EUA, uma instalação dedicada a fornecer amplo acesso a modelos de clima espaciais.
Com os modelos em mãos, a equipe pôde montar a história dessa tempestade colar em particular. Ela começou com uma CME em 20 de janeiro de 2005. A Agência Espacial Europeia e o Observatório Solar e Heliosférico da NASA, ou SOHO, captaram imagens da CME. At their simplest, CMEs se parecem com bolhas magnéticas com matéria ao redor do exterior. Neste caso, havia uma linha adicional de matéria solar mais fria e densa – um gás eletricamente carregado chamado plasma – que no interior é chamado filamento solar. 

Filamentos solares são fitas de plasma denso apoiadas pela atmosfera externa do sol – a corona — através de fortes campos magneticos. O material dos filamentos é 100 vezes mais denso e frio do que a atmosfera ao redor. Quando os campos magnéticos de apoio irrompem, os filamentos são alcançados pela liberação  explosiva que forma a CME. 

Apesar das observações de que a maioria das erupções como essa envolvem filamentos solares, estes raramente são identificados em perturbações que atingem a Terra. O porquê disso é um mistério – mas significa que a presença do filamento solar nesse evento em particular é uma visão rara.
Observações subsequentes da CME mostraram que ela era especialmente rápida, com uma velocidade máxima de cerca de 1.800 milhas por segundo, antes de baixar para 600 milhas por segundo ao aproximar-se da Terra. Não se sabe ao certo quantas CMEs têm filamentos, nem como a geometria deles se modifica à medida que se aproximam da Terra. Neste caso, entretanto, parece que o denso filamento seguiu adiante, além da extremidade primcipal da CME, então, quando se chocou com a magnetosfera, ele lançou uma dose extra grande de partículas energéticas ao espaço próximo à Terra.
O que aconteceu em seguida foi observado por uma frota de satélites de observação científica em órbita da Terra, inclusive as missões IMAGE, FAST e TIMED da NASA, o Cluster, da ESA  a NASA, o Geotail, também de ambas, O  Double Star-1 da China e ESA; outras espaçonaves 1 milhão de milhas mais próximas do Sol, inclusive a SOHO e o Advanced Composition Explorer da NASA, e várias outras espaçonaves; além da rede de radares SuperDARN, baseadas no solo, apoiada pela Fundação Nacional de Ciência. 

Uma hora depois do impacto, uma fria e densa nuvem de plasma se formou a partir do material do filamento. Porções de matéria de alta densidade continuaram movendo-se através da magnetosfera durante todo o período de seis horas da passagem do filamento.
Apesar da intensa quantidade de plasma transportada pela CME, ela ainda caria de um componente fundamental para uma supertempestade. Os campos magnéticos embutidos nesta CME geralmente apontavam para a direção do polo norte da Terra, assim como o fazem os campos magnéticos da Terra. Essa disposição causa muito menos interrupções nos sistema do nosso planeta do que quando os campos da CME apontam para o sul. Quando apontam para o sul, os campos da CME se chocam com o da Terra, o que os atiram de volta e acabam com as perturbações magnéticas que cascateiam através da magnetosfera.
Foi a orientação do campo magnético que manteve essa tempestade solar em níveis baixos. Por outro lado, o material solar extra do filamento catalizou auroras de longa duração sobre os polos e aumentou os cinturões cheios de partículas ao redor da Terra, algo característico de tempestades maiores.

domingo, 7 de setembro de 2014

Roletes Giratórios


Os roletes parecem girar. Ilusão de ótica de Akiyoshi Kitaoka, da Universidade Ritsumseikan, em Quioto, Japão.

Walter Tull

Uma moeda comemorativa com Walter Tull, o primeiro oficial negro das forças armadas britânicas, parte de um conjunto de seis moedas de 5 libras comemorativas da Primeira Guerra Mundial.

Vídeo: Lua Cheia



Você já observou o nascer da Lua? A lenta elevação da Lua quase cheia sobre um horizonte límpido pode ser uma visão impressionante. Um desses episódios foi fotografado no começo de 2013 sobre o Mirante do Monte Victoria, em WellingtonNova Zelândia

Com um planejamento meticuloso, um talentoso e dedicado astrofotógrafo instalou uma câmera a cerca de  dois quilômetros de distância e a apontou, através do mirante, para o local onde a Lua certamente logo  faria sua estreia noturna

A sequência de foto individuais acima, não editada e mostrada em tempo real  não é de lapso temporal. As pessoas no Mirante do Monte Victoria  aparecem em silhueta admirando o alvorecer do maior satélite da Terra. Ver o nascer da Lua não é difícil: é algo que acontece todos os dias, embora somente metade do tempo no período noturno. 

Cada dia, a Lua nasce cerca de 50 minutos mais tarde do que no dia anterior, e a Lua cheia sempre nace ao pôr-do-sol. Uma boa ocasião para observar o nascer da Lua será na terça feira que vem, quando a proximidade da Lua em relação à Terra durante uma fase cheia — chamada superlua — fará com que ela pareça ligeiramente maior e mais brilhante do que o normal.

Tradução de Luiz Leitão

Have you ever watched the Moon rise? The slow rise of a nearly full moon over a clear horizon can be an impressive sight. One impressive moonrise was imaged in early 2013 over Mount Victoria Lookout in WellingtonNew Zealand

With detailed planning, an industrious astrophotographer placed a camera about two kilometers away and pointed it across the lookout to where the Moon would surely soon be making its nightly debut. 

The above single shot sequences unedited and shown in real time — it is not a time lapse. People on Mount Victoria Lookout can be seen in silhouette themselves admiring the dawn of Earth's largest satellite. Seeing a moonrise yourself is not difficult: it happens every day, although only half the time at night. Each day the Moon rises about fifty minutes later than the previous day, with a full moon always rising at sunset. A good time to see a moonrise will occur at sunset on Tuesday as the Moon's relative closeness to Earth during a full phase -- called a supermoon -- will cause it to appear slightly larger and brighter than usual.

Tropeçando na tradução | Lost in translation


Este cartaz foi fotografado na Galeria Vitrine, que liga as ruas Augusta e Haddock Lobo, em São Paulo. O dono da loja poderia ter contratado um tradutor competente, mas decerto resolveu fazer a coisa por conta própria, ou recorreu aos préstimos de um amador, e deu no que deu.

Especiality é uma palavra que não existe em inglês (existe specialty), e no caso, o correto seria "especially". Com attending — um falso cognato — ele quis dizer "atender", mas a palavra significa "comparecer" (o certo seria serving). Quanto ao endereço, estamos no Brasil, logo, não há que inverter a forma da notação, nem escrever "street"; é Rua mesmo. Então endereço deveria ter sido escrito Rua Augusta, 2615. E a preposição, no caso, seria "at". Também no caso da referência à loja, seria "at", e não "in".

Many mistakes were made in the case of this sign, snapped at Galeria Vitrine,  a kind of blend of corridor and shopping center which connects streets Rua Augusta and Rua Haddock Lobo, in São Paulo, Brazil.

Probably to save money, the shop's owner preferred to do it himself (or hired an amateur) and made a handful of mistakes, which wouldn't have happened, should he have asked a professional translator to do the job for him. 

Mistake number one: Especililty (the owner certainly meant especially)
Mistake number two: Attending (the correct word here would be serving)
Mistake number three: They used the preposition in instead of at
Mistake number four: Once you´re in Brazil, you must write addresses the way locals do (with the number after the name of the street in Portuguese).

Cápsula de tempo

Cápsula de Tempo do Asteroide — "Capture o presente · Vislumbre o futuro"

A NASA está convidando o público de todo o mundo a apresentar pequenas mensagens e imagens através das mídias sociais que possam ser colocadas em uma cápsula de tempo a ser lançada rumo a um asteroide em 2016. 

Denominada Origins-Spectral Interpretation-Resource Identification-Security-Regolith Explorer (OSIRIS-REx), a espaçonave irá se encontrar o asteroide Bennu em 2019, colher uma amostra e levá-la uma cápsula para a Terra em 2023, para estudos detalhados. A missão robótica irá trazer um mínimo de 60 g de material da superfície do asteroide.

Tradução de Luiz Leitão
NASA is inviting the worldwide public to submit short messages and images on social media that could be placed in a time capsule aboard a spacecraft launching to an asteroid in 2016. Called the Origins-Spectral Interpretation-Resource Identification-Security-Regolith Explorer (OSIRIS-REx), the spacecraft will rendezvous with the asteroid Bennu in 2019, collect a sample and return the cache in a capsule to Earth in 2023 for detailed study. The robotic mission will return a minimum of 2 ounces (60 g) of the asteroid's surface material.

sábado, 6 de setembro de 2014

Espiral em Serpente


Esta nova imagem do Telescópio Espacial Hubble mostra uma bela galáxia espiral chamada PGC 54493, localizada na constelação da Serpente. Esta galáxia faz parte de um aglomerado galáctico que foi estudado por astrônomos  que exploravam um intrigante fenômeno denominado lentes gravitacionais.
Este efeito, causado pela distribuição desigual da matéria (inclusive a escura) pelo Universo, foi explorado por meio de pesquisas como a Hubble Medium Deep Survey (Pesquisa de Profundidade Média do Hubble). A matéria escura é um dos grandes mistérios da cosmologia. Ele se comporta de maneira muito diferente da matéria comum, pois não emite nem absorve luz ou outras formas de energia eletromagnética — daí o termo "escura."
Embora não se possa observar diretamente a matéria escura, sabe-se que ela existe. Uma eloquente prova da existência dessa matéria misteriosa é o chamado "problema de rotação de galáxia." As galáxias giram a tais velocidades e forma que somente a matéria comum — tudo o que se vê — não seria capaz de mantê-las juntas.

A quantidade de massa visível "faltante" é matéria escura, que acredita-se corresponder a cerca de 27 por cento do conteúdo total do Universo, com a  energia escura e a normal compondo o restante. PGC 55493 vem sendo estudada em conjunto com um efeito chamado cisalhamento  cósmico. Trata-se de um fraco efeito de lente que cria minúsculas distorções nas imagens de galáxias distantes.

Tradução de Luiz Leitão 

This new NASA/ESA Hubble Space Telescope image shows a beautiful spiral galaxy known as PGC 54493, located in the constellation of Serpens (The Serpent). This galaxy is part of a galaxy cluster that has been studied by astronomers exploring an intriguing phenomenon known as weak gravitational lensing.
This effect, caused by the uneven distribution of matter (including dark matter) throughout the Universe, has been explored via surveys such as the Hubble Medium Deep Survey. Dark matter is one of the great mysteries in cosmology. It behaves very differently from ordinary matter as it does not emit or absorb light or other forms of electromagnetic energy — hence the term "dark."
Even though we cannot observe dark matter directly, we know it exists. One prominent piece of evidence for the existence of this mysterious matter is known as the "galaxy rotation problem." Galaxies rotate at such speeds and in such a way that ordinary matter alone — the stuff we see — would not be able to hold them together.

The amount of mass that is "missing" visibly is dark matter, which is thought to make up some 27 percent of the total contents of the Universe, with dark energy and normal matter making up the rest. PGC 55493 has been studied in connection with an effect known as cosmic shearing. This is a weak gravitational lensing effect that creates tiny distortions in images of distant galaxies.

F-15C Eagle


Que tal este caça F-15C Eagle da Boeing?

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Comunicação 'telepática' entre cérebros


Pela primeira vez, cientistas conseguiram enviar uma mensagem mental simples de uma pessoa para outra, sem nenhum tipo de contato entre elas, distantes entre si milhares de quilômetros, uma na Índia, outra na França.
Uma pesquisa liderada por especialistas da Universidade de Harvard mostrou que é possível utilizar tecnologia para transmitir informações do cérebro de uma pessoa para o de outra, como neste caso, com elas estando distantes milhares de quilômetros uma da outra.
"É uma espécie de realização tecnológica do sonho da telepatia, mas não há nada de mágico nisso," disse Giulio Ruffini, físico teórico e coautor da pesquisa.
"Estamos utilizando tecnologia para interagir eletromagneticamente com o cérebro."
Para a experiência, uma pessoa, usando um eletroencefalógrafo (EEG) sem fio conectado à internet, pensava em um cumprimento simples, como "hola," ou "ciao."
Um computador traduziu as palavras para um código digital binário, representado por uma série de 1s or 0s.
Então, essa mensagem foi enviada por email da Índia para a França, e entregue por um robô  aos destinatários, os quais, através de estimulação cerebral não invasiva, puderam notar clarões de luz em sua visão periférica.
As pessoas que receberam a mensagem não ouviram nem viram as palavras, mas conseguiam informar corretamente os clarões que correspondiam à mensagem.
"Nós queríamos descobrir se era possível alguém se comunicar diretamente entre duas pessoas através da leitura da atividade cerebral de uma pessoa e injetando a atividade cerebral na segunda pessoa, e fazer isso através de grandes distâncias físicas alavancando as linhas de comunicação existentes," disse o coautor Alvaro Pascual-Leone, professor de neurologia da Harvard Medical School.
"É claro que uma dessas linhas de comunicação é a internet, portanto, nossa pergunta passou a ser 'poderíamos desenvolver uma experiência que dispensasse a etapa de conversa ou escrita da Internet, estabelecendo a comunicação direta entre cérebros de pessoas que se encontrassem muito distantes uma da outra, na Índia e na França?'"
Ruffini acrescentou que foram tomados cuidados extras para assegurar que nenhuma informação sensorial pudesse surgir no caminho que influenciasse a interpretação da mensagem.
Há cerca de uma década pesquisadores vinham tentando enviar uma mensagem de uma pessoa para outra desta forma, e a prova de princípio que foi relatada na revista PLOS ONE ainda é rudimentar, disse.
"Nós esperamos que em longo prazo isso possa mudar radicalmente a forma como nós nos comunicamos com os outros," disse Ruffini.



Luz e escuridão no Universo

Esta nova imagem do Telescópio Espacial Hubble mostra uma variedade de intrigantes fenômenos cósmicos.
Cercado de estrelas  brilhantes, próximo à metade superior do quadro, há um jovem pequeno objeto estelar (YSO, na sigla em inglês) denominado SSTC2D J033038.2+303212. Esta estrela, localizada na constelação de Perseu, está nos estágios iniciais de sua vida, e ainda crescendo, até chegar à idade adulta. Nesta imagem da Câmera de Pesquisas Avançadas do Hubble (ACS, na sigla em inglês) ela parece apresentar  uma turva chaminé de matéria brotando para fora e para baixo, envolta em brilhantes jatos de gás que fluem da própria estrela. Esta jovem estrela está, na verdade, envolta em um brilhante disco de matéria que vai rodopiindo ao redor dela enquanto se forma — um disco visível de frente, da nossa perspectiva.
Entretanto esta pequena mancha é diminuída por sua vizinha cósmica, situada próxima à parte inferior da imagem, um amontoado de chumaços de gás rodopiante, que parece expelir matéria em direção ao espaço. A nuvem brilhante é uma nebulosa de reflexão chamada [B77] 63, uma nuvem de gás interestelar que reflete a luz das estrelas nela encrustadas. Existem, de fato, algumas estrelas brilhantes em [B77] 63,  destacadando-se a estrela de linha de emissões LkHA 326 e sua vizinha próxima LZK 18.
Essas estrelas  iluminam o gás circundante e o esculpem com o formato de chumaço que se vê nesta imagem. No entanto a parte mais impressionante da foto parece ser uma corrente escura de fumaça brotando de [B77] 63 e suas estrelas — uma  nebulosa escura chamada Dobashi 4173.

Nebulosas escuras são nuvens incrivelmente densas de matéria escura como breu que obscurecem os trechos de céu atrás delas, aparentemente criando grandes buracos e assustadores pedaços de espaço vazios. As estrelas que despontam no topo desta extrema escuridão situam-se, na verdade, entre nós e Dobashi 4173.
Tradução de Luiz Leitão
This new NASA/ESA Hubble Space Telescope image shows a variety of intriguing cosmic phenomena.
Surrounded by bright stars, towards the upper middle of the frame we see a small young stellar object (YSO) known as SSTC2D J033038.2+303212. Located in the constellation of Perseus, this star is in the early stages of its life and is still forming into a fully-grown star. In this view from Hubble’s Advanced Camera for Surveys (ACS) it appears to have a murky chimney of material emanating outwards and downwards, framed by bright bursts of gas flowing from the star itself. This fledgling star is actually surrounded by a bright disk of material swirling around it as it forms — a disc that we see edge-on from our perspective.
However, this small bright speck is dwarfed by its cosmic neighbor towards the bottom of the frame, a clump of bright, wispy gas swirling around as it appears to spew dark material out into space. The bright cloud is a reflection nebula known as [B77] 63, a cloud of interstellar gas that is reflecting light from the stars embedded within it. There are actually a number of bright stars within [B77] 63, most notably the emission-line star LkHA 326, and it nearby neighbor LZK 18.
These stars are lighting up the surrounding gas and sculpting it into the wispy shape seen in this image. However, the most dramatic part of the image seems to be a dark stream of smoke piling outwards from [B77] 63 and its stars — a dark nebula called Dobashi 4173

Dark nebulae are incredibly dense clouds of pitch-dark material that obscure the patches of sky behind them, seemingly creating great rips and eerily empty chunks of sky. The stars speckled on top of this extreme blackness actually lie between us and Dobashi 4173.

Bardabunga e Tungurahua


Lava fluindo do vulcão Bardabunga, após sua erupção na Islândia, mais uma vez. Cientistas calculam que a fissura tenha ao menos 1,5 quilômetros de extensão, e que a camada de lava tenha uma espessura entre seis e oito metros.

Já o vulcãoTungurahua está em erupção nas proximidades de Banos, no Equador. Ele entrou em fase de erupção em 1999, e assim continua até hoje.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O asteroide 2014 RC

Legendas: Amarelo - Direção do Sol; Verde - Terra: Anel de satélites geossíncronos; Branco - Intervalos de 1 hora, horário UTC (GMT).

Um pequeno asteroide, designado 2014 RC, irá passar próximo à Terra em segurança neste domingo, 7 de setembro de  2014.  

Na hora de sua aproximação máxima, que, com base nos cálculos atuais, ocorrerá por volta das 18h18 UTC/GMT, o asteroide estará mais ou menos sobre a Nova Zelândia. Considerando o grau de seu brilho refletido, os astrônomos avaliam que o tamanho do asteróide seja de, aproximadamente, 20 metros.


A small asteroid, designated 2014 RC, will safely pass very close to Earth on Sunday, Sept. 7, 2014.  

At the time of closest approach, based on current calculations to be about 2:18 p.m. EDT (11:18 a.m. PDT / 18:18 UTC), the asteroid will be roughly over New Zealand.  From its reflected brightness, astronomers estimate that the asteroid is about 60 feet (20 meters) in size.

A covardia da solidão e a garantia da impunidade



José Nêumanne
Interferência em verbetes de jornalistas na Wikipédia viola liberdade de opinião
A internet é o paraíso dos covardes e lhes dá a garantia da impunidade. Diante do computador, praticamente ao arrepio da lei, o poltrão sente-se deus, um titã implacável e agressivo, como Jeová no Velho Testamento, não seu compassivo filho no Novo. O autor destas linhas já sentiu isso na pele quando provou e se viciou numa droga que não faz mal ao organismo, mas praticamente anula o tempo e escraviza e expõe o adicto às vicissitudes e misérias da alma humana. Disso ninguém escapa. Nem Chico Buarque de Holanda, que uma vez mestre Millôr Fernandes chamou de “unanimidade nacional”. O compositor inspirado e censurado na ditadura, mimado por todos, cortejado nas ruas, descobriu-se odiado ao seguir o próprio apedrejamento moral na internet e nas redes sociais, como se fosse uma adúltera bíblica.
A rede mundial dos computadores é a ágora eletrônica do boato não confirmado e iniciativas tidas como exaltação à liberdade de expressão, caso da enciclopédia virtual Wikipédia, o paraíso achado de biógrafos não autorizados. Em seus verbetes, poder, prestígio, fama e glória viram cinzas nas mãos de qualquer caluniador com um ratinho ao seu alcance.
Em 2012, a revista CartaCapital fez reportagem de capa acusando o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes de “sonegação fiscal, de ter viajado em aviões cedidos pelo ex-senador Demóstenes Torres, de intervir em julgamentos em favor de José Serra, de nepotismo e testemunho falso ao relatar uma chantagem do ex-presidente Lula para que adiasse o processo do mensalão para depois das eleições municipais de 2012”. Segundo a “enciclopédia livre” relata em seu verbete até hoje, “a revista repercute acusações de certos movimentos sociais (quais?) de ele ser o ‘líder da oposição’, de estar destruindo o judiciário e de servir a interesses de grandes proprietários”. E faz uma concessão: “Mendes porém (sic)  volta a afirmar não ser o líder da oposição”. Dois anos depois, sem que nada tenha sido provado, Mendes atua no STF, mas o registro permanece.
A liberdade de que a enciclopédia virtual se jacta em seu lema e slogan dá ensejo à disseminação da maldade e serve de pretexto à impunidade de quem, por qualquer motivo, seja ódio pessoal, seja interesse político, resolver atirar na lama a reputação de qualquer desafeto. O fato de a imagem de um poderosíssimo dirigente do poder judicante da República se tornar impotente diante da aceitação generalizada de que prevalece o direito da liberdade de divulgar também mentiras é prova irrefutável de que na prática nada há a fazer para evitar que o veneno da maldade comprometa a fama de qualquer um. No reino da futrica cibernética, ninguém tem como defender a própria intimidade.
Na semana passada, contudo, surgiu um fato novo que pode esclarecer a origem de certas calúnias e levar à descoberta de caluniadores que devem, enfim, ser levados às barras dos tribunais e julgados por ofensas criminosas graves contra a honra alheia. Na sexta-feira 8 de agosto, o jornal O Globo, do Rio, noticiou que Miriam Leitão, sua colunista de economia, e Carlos Alberto Sardenberg, comentarista da rede de emissoras de televisão da empresa, tiveram seus perfis na Wikipédia alterados por mensagem transmitida pelo IP 200.181.15.10, da Presidência da República. Miriam teve análises desqualificadas como “desastrosas” e foi acusada de defender em sua coluna os interesses do milionário baiano Daniel Dantas, do grupo Opportunity. No mesmo IP do computador instalado no Palácio do Planalto, onde a presidente Dilma Rousseff despacha, Sardenberg foi “incriminado” por ser irmão do economista Rubens Sardenberg, funcionário da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o que contraria o solerte autor das emendas aos perfis da Wikipédia. “A relação familiar denota um conflito de interesse em sua posição como colunista econômico”, escreveu. “Uma canalhice”, disse-o bem o ofendido.
Ao tomar conhecimento da lambança, a presidente Dilma Rousseff considerou “inadmissível” a intervenção do usuário do computador na sede do poder republicano e informou que abriu sindicância para descobrir e punir o autor da “baixaria” (apud novamente Sardenberg). “Esse tipo de ação é abominável. Faremos de tudo para punir duramente”, ecoou o secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. A Nação espera que a aparente indignação de dois dos mais poderosos usuários dos computadores instalados no Planalto resulte na identificação e exemplar punição do “aloprado” revisor de perfis de jornalistas independentes que desagradam a companheiros de partido de ambos.
O episódio não se circunscreve ao disparo a esmo de injúrias contra inimigos, abusando da “vulgaridade prazerosa” a que se refere o especialista Luiz Flávio Gomes ao debater o dilema da intimidade invadida e da “extimidade” procurada na internet e nas redes sociais. O intruso que feriu a honra dos dois jornalistas não pode sequer alegar o surrado pretexto de estar exercendo o seu direito de se expressar na “enciclopédia livre”. Nada disso: possivelmente se aproveitando do acesso ao computador a ser usado por funcionários públicos na sede do poder republicano, ele se arvora em censor da opinião de dois profissionais respeitados pelo público que lê a coluna ou vê o comentário. Cabe ao leitor e ao telespectador dar ou não crédito às opiniões que ambos enunciam. E cabe ao governo federal tratar o caso como crime.
Mas não basta limpar a sujeira debaixo do tapete e seguir pisando nele como se fosse um caso isolado. Não é. A disputa eleitoral é o cenário ideal para a disseminação desse delito. A covardia da solidão diante da máquina não pode usufruir a garantia da impunidade, não só porque o direito da liberdade de interferir assim na biografia de alguém termina onde começa o direito de este atuar livremente. Mas também porque isso configura canalha violação do direito de opinião.
Jornalista, poeta e escritor
(Publicado na Pag.A2 do Estado de S. Paulo de quarta-feira 13 de agosto de 2014)

A Pequena Nuvem de Magalhães, aglomerados, e o Cometa Siding Spring


Dia 19 de outubro, um bom ponto  de observação do Cometa Siding Spring será Marte. Naquele dia, este visitante em direção ao interior do sistema solar (C/2013 A1), descoberto em janeiro de 2013 por Robert McNaught no Observatório Siding Spring, na Austrália, irá passar a uma distância de 132.000 quilômetros do Planeta Vermelho

Será quase um esbarrão, equivalente a pouco mais de 1/3 da distância Terra-Lua. Entretanto habitantes do hemisfério sul do planeta Terra  podem  obter agora  boas visões do cometaEsta foto telescópica, de 29 de agosto, registrou a coma esbranquiçada do cometa e sua cauda de poeira encurvada varrendo o céu do sul. 

O fabuloso campo de visão inclui a Pequena Nuvem de Magalhães e os aglomerados estelares globulares 47 Tucanae (à direita) e NGC 362 (no alto, à esquerda). Você está preocupado com todas aquelas espaçonaves em órbita de Marte? Partículas de poeira oriundas do cometa podem de fato representar um perigo, e os controladores planejam posicionar as naves que estão em órbita de Marte no lado oposto do planeta durante o sobrevoo próximo do cometa.

Tradução de Luiz Leitão

On October 19th, a good place to watch Comet Siding Spring will be from Mars. Then, this inbound visitor (C/2013 A1) to the inner solar system, discovered in January 2013 by Robert McNaught at Australia's Siding Spring Observatory, will pass within 132,000 kilometers of the Red Planet

That's a near miss, equivalent to just over 1/3 the Earth-Moon distance. Great views of the comet for denizens of planet Earth's southern hemisphere are possible now, though. This telescopic snapshot from August 29 captured the comet's whitish coma and arcing dust tail sweeping through southern skies. 

The fabulous field of view includes, the Small Magellanic Cloud and globular star clusters 47 Tucanae (right) and NGC 362 (upper left). Worried about all those spacecraft in Martian orbit? Streaking dust particles from the comet could pose a danger and controllers plan to position Mars orbiters on the opposite side of the planet during the comet's close flyby.


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Laniakea

A Terra é agora considerada parte de um "super aglomerado" de 100.000 galáxias, chamado Laniakea

Isso significa que todo terráqueo é agora oficialmente cidadão de Laniakea, nome que quer dizer "céu imensurável" em havaiano.

O enorme "superaglomerado" tem cerca de 500 milhões de anos-luz de diâmetro, contém 100.000 galáxias, e sua massa equivale a cem quatrilhões de vezes a do Sol.

Os cientistas sabem que as galáxias não estão distribuídas aleatoriamente, mas, sim, reunidas em aglomerados.

Nas escalas maiores, as galáxias estão encadeadas como pérolas, formando "filamentos" brilhantes. Nas suas intersecções, eles formam enormes ''superaglomerados'' de galáxias cujo movimento é influenciado pela gravidade. A Via Láctea está situada próxima à borda de um desses superaglomerados, o primeiro a ter seu tamanho medido por astrônomos.  Em Laniakea, as galáxias fluem para dentro, rumo a uma região chamada o Grande Atrator, o equivalente a um grande vale gravitacional.

O dr. Brent Tully, da Universidade do Havaí em Honolulu, chefiou uma equipe de cientistas que mapearam as fronteiras de Laniakea com base em medições das velocidades de galáxias locais.
Os pesquisadores compararam o fluxo galáctico com o de água em uma paisagem de montanhas e vales, delineando a superfície externa de uma região onde o movimento em grupo de galáxias seria em direção ao interior.

Eles escreveram na revista Nature: ''Nós definimos um superaglomerado pelo volume dentro de uma superfície assim,  e desta forma estamos definindo o tamanho do nosso  superaglomerado, que chamamos Laniakea.''

Quatro superaglomerados vizinhos fazem fronteira com Laniakea, e são agora chamados ShapleyHérculesComa e Perseu-Peixe.


Vídeo: Cacatuas fabricam ferramentas




Cientistas  descobriram que as cacatuas de Goffin podem aprender a fazer ferramentas para apanhar alimentos e ensinar umas às outras a prática nova habilidade.
Acredita-se que a descoberta, feita por cientistas da Universidade de Oxford, da Universidade de Viena e do Instituto Max Planck, em Seewiesen,  seja a primeira prova produzida através de um experimento controlado da transmissão social do uso de ferramentas por qualquer espécie de pássaro.

Figaro, uma cacatua macho, desenvolveu a técnica de tirar com seu bico uma pequena ripa de madeira de um pedaço maior e utilizá-la para puxar nozes para fora de uma gaiola.
Veja como suas companheiras cacatuas imitam sua ação e também utilizam suas próprias técnicas para puxar a comida para fora.

Holômetro: Um microscópio no espaço e tempo


Quão diferentes são espaço e tempo em escalas muito pequenas? Para explorar o pouco familiar domínio da minúscula escala de Planck na qual efeitos quânticos normalmente imperceptíveis podem tornar-se importantes — um instrumento recém-desenvolvido, chamado Holômetro Fermilab, entrou em operação no Fermi National Accelerator Laboratory (Fermilab), nas proximidades de Chicago, IllinoisEUA

O instrumento procura determinar se pequenas porém simultâneas oscilações de um espelho em duas direções expõem um tipo fundamental  de ruído holográfico que sempre excede uma quantidade mínima. 

Na foto acima aparece um dos espelhos de extremidade de um protótipo de Holômetro. Embora a descoberta do ruído holográfico pudesse certamente ser algo inovador, a dependência de tal ruído em uma escala específica de comprimento em laboratório surpreenderia alguns entusiastas do espaço-tempo

Um dos motivos disso é o postulado de Invariância de Lorentz  da teoria especial da relatividade de Einstein, que diz que todas as escalas de comprimento devem parecer contraídas para um observador em movimento relativo — até mesmo o pequeno comprimento de Planck. Ainda assim, o experimento é inédito, e muitos estão curiosos acerca dos resultados que apresentará.

Tradução de Luiz Leitão

How different are space and time at very small scales? To explore the unfamiliar domain of the miniscule Planck scale — where normally unnoticeable quantum effects might become dominant — a newly developed instrument called the Fermilab Holometer has begun operating at the Fermi National Accelerator Laboratory (Fermilab) near Chicago, IllinoisUSA

The instrument seeks to determine if slight but simultaneous jiggles of a mirror in two directions expose a fundamental type of holographic noise that always exceeds a minimum amount. 

Pictured above is one of the end mirrors of a Holometer prototype. Although the discovery of holographic noise would surely be groundbreaking, the dependence of such noise on a specific laboratory length scale would surprise some spacetime enthusiasts. 

One reason for this is the Lorentz Invariance postulate of Einstein's special relativity, which states that all length scales should appear contracted to a relatively moving observer — even the diminutive Planck length. Still, the experiment is unique and many are curious what the results will show.

As cavernas de mármore


As cavernas de mármore do Lago Carrera, no Chile.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Arp 188 e a cauda do Girino


Por que esta galáxia tem uma  cauda tão grande? Nesta vista impressionante, baseada em dados de imagens do Arquivo Hubble Legacy, distantes galáxias formam um impressionante pano de fundo para a despedaçada galáxia espiral Arp 188, a Galáxia do Girino. O girino cósmico está a meros 420 milhões de anos-luz de distância da Terra, na direção da constelação do Dragão, no norte

Sua bela cauda tem cerca de 280 mil anos-luz de comprimento e apresenta grandes e brilhantes aglomerados estelares azuis. Dizem que uma galáxia invasora, mais compacta, passou diante de 188 - da direita para a esquerda nesta vista - e foi atirada para trás do Girino por sua atração gravitacional

Durante o encontro próximo,  forças gravitacionais deslocaram as estrelas, o gás e a poeira da galáxia espiral, formando a espetacular cauda. A galáxia intrusa propriamente dita, que se calcula estar situada a cerca de 300 mil anos-luz atrás do Girino, pode ser vista através dos braços espirais em primeiro plano, no alto, à direita. 

Assim, como seu homônimo terrestre, a Galáxia do Girino deverá perder a cauda ao crescer, com seus aglomerados estelares formando satélites menores da grande galáxia espiral.

Tradução de Luiz Leitão


Why does this galaxy have such a long tail? In this stunning vista, based on image data from the Hubble Legacy Archive, distant galaxies form a dramatic backdrop for disrupted spiral galaxy Arp 188, the Tadpole Galaxy. The cosmic tadpole is a mere 420 million light-years distant toward the northern constellation Draco

Its eye-catching tail is about 280 thousand light-years long and features massive, bright blue star clusters. One story goes that a more compact intruder galaxy crossed in front of Arp 188 - from right to left in this view - and was slung around behind the Tadpole by their gravitational attraction. 

During the close encounter, tidal forces drew out the spiral galaxy's stars, gas, and dust forming the spectacular tail. The intruder galaxy itself, estimated to lie about 300 thousand light-years behind the Tadpole, can be seen through foreground spiral arms at the upper right. 

Following its terrestrial namesake, the Tadpole Galaxy will likely lose its tail as it grows older, the tail's star clusters forming smaller satellites of the large spiral galaxy.

Messier 20 e 21


A bela Nebulosa do Tridente, também chamada Messier 20, é fácil de encontrar com um pequeno telescópio; está localizada na constelação do Sagitário, rica em nebulosas. Distante cerca de 5.000 anos-luz, este colorido panorama com  contrastes cósmicos compartilha este campo com um diâmetro de cerca de um 1 grau de arco com o aglomerado estelar aberto Messier 21 (no alto, à direita). 

Repartido em três vielas de poeira, a Tridente propriamente dita tem cerca de 40 anos-luz de diâmetro e apenas 300.000 anos de idade. Desta forma, ela é uma das mais jovens regiões de formação estelar do firmamento, com estrelas recém-formadas ou em formação encrustadas em suas nuvens natais de gás e poeira

As estimativas da distância até o aglomerado estelar aberto M21 são similares às de M20, mas embora ambos façam parte desta deslumbrante paisagem telescópica celeste, não há, aparentemente, nenhuma conexão entre os dois. Na verdade, as estrelas de M21 são muito mais velhas, com cerca de 8 milhões de anos.

Tradução de Luiz Leitão

The beautiful Trifid Nebula, also known as Messier 20, is easy to find with a small telescope in the nebula rich constellation Sagittarius. About 5,000 light-years away, the colorful study in cosmic contrasts shares this well-composed, nearly 1 degree wide field with open star cluster Messier 21 (top right). 

Trisected by dust lanes the Trifid itself is about 40 light-years across and a mere 300,000 years old. That makes it one of the youngest star forming regions in our sky, with newborn and embryonic stars embedded in its natal dust and gas clouds.

 Estimates of the distance to open star cluster M21 are similar to M20's, but though they share this gorgeous telescopic skyscape there is no apparent connection between the two. In fact, M21's stars are much older, about 8 million years old.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O califado petista



Arnaldo Jabor


As eleições para presidente não serão "normais" - apenas uma disputa entre dois partidos para ver quem fica com o poder. Não. Trata-se de uma batalha entre democratas e não democratas. Está na hora de abrirmos os olhos, porque está em curso o desejo de Dilma e seu partido de tomar o governo para mudar o Estado. Não tenho mais saco para tentar análises políticas sobre a "não política". Não aguento mais tentar ser "sensato" sobre a insensatez. Por isso, só me resta fazer a lista do que considero as doenças infantis do petismo, cuja permanência no poder pode arrasar a sociedade brasileira de forma irreversível.
O petismo tem a compulsão à repetição do que houve em 1963; querem refazer o tempo do Jango, quando não conseguiram levá-lo para uma revolução imaginária, infactível. Os petistas querem a democracia do Comitê Central, o centralismo democrático, o eufemismo que Lenin inventou para controlar Estado e sociedade. Eles não confiam na 'sociedade'; só pensam no Estado, na interferência em tudo, no comportamento dos bancos, nos analistas de mercado e, principalmente, no velho sonho de limitar a liberdade de opinião. Assinam embaixo da frase de Stalin: "As ideias são muito mais poderosas do que as armas. Nós não permitimos que nossos inimigos tenham armas, porque deveríamos permitir que tenham ideias?". Nossa maior doença - o Estado canceroso - será ignorada e terá uma recaída talvez fatal. Não fazem autocrítica e não querem ser criticados. A teimosia de Dilma é total - vai continuar errando com galhardia brizolista. Sua ideologia é falha, mal assimilada nessa correria sindicalista e pelega. Até agora governaram um país capitalista com regras e métodos anticapitalistas - dá no desastre econômico a que assistimos. Eles odeiam a competência. Acham que administrar é coisa de burguês - vejam o estrago atual. Acham que planejam a História, que 'fazem' a História. Por isso, adotaram a mui útil "mentira revolucionária". Assim, podem ocultar tudo da sociedade para o "bem dela". Aliaram-se ao que há de pior entre os reacionários brasileiros e vivem a volúpia de imitá-los, com um adorável 'frisson' perverso ao cometerem malfeitos para "fins justos". Aliás, nem sabem o que são seus "fins"; têm uma vaga ideia de 'projeto' que não passa de um sarapatel de "gramscianismo" vulgar com getulismo tardio e um desenvolvimentismo dos anos 1960. Foi assim que criaram a 'roubalheira de esquerda', que chamam de "desapropriação" de dinheiro da burguesia. Isso justificou o mensalão, feito para eleger Dirceu presidente em 2010. Fracassaram. Aliás, o PT abriga muitos fracassados porque, ao se dizerem "revolucionários" sentem-se superiores a nós, os alienados, os neoliberais, os direitistas, os vendidos ao imperialismo.
Não entendem o mundo atual e continuam com os pressupostos de uma política dos anos 30 na URSS. Leiam os livros do período e constatem se um Gilberto Carvalho não pensa igualzinho ao Molotov. Para eles, a oposição é a união da "burguesia" contra o "povo". No entanto, quem se aliou à pior burguesia patrimonialista foram eles; ou Sarney, Renan, Jucá, Maluf e Severino do macarrão são bolcheviques? Petistas só pensam no passado como vítimas ou no futuro como salvadores e heróis. O presente é ignorado, pois eles não têm reflexão crítica para entendê-lo. Adoram estar num partido que pensa por eles. Dá um alívio não ter de pensar - só obedecer. A mediocridade sonha com o futuro onipotente. A morte súbita de Eduardo Campos pirou os "hegelianozinhos de pacotilha", que descobriram que a História é intempestiva e não obedece ao Rui Falcão. Agora, rumam em massa para Pernambuco para elogiar quem chamavam de 'traidor e menino mimado'.
Querem criar os tais "conselhos" sociais, para adiar os problemas, fingindo uma "humildade democrática" para 'ouvir' a população, de modo a ocultar seu autoritarismo renitente. Vivem a ideia de um futuro socialista como o substituto do sonho de 'imortalidade' dos cristãos. Comunista não morre; vira um conceito. O homem é um ser social, e o 'ser social' nunca morre. Para eles (e para o Kim da Coreia do Norte), o indivíduo é uma ilusão que criou essa dor melodramática. Quem morre é pequeno-burguês. Muitos intelectuais e artistas, que sabem dessas doenças infantis, preferem cavalgar o erro a mudar de ideia. Consola a consciência ter uma estrelinha vermelha pendurada na alma.
Os petistas têm uma visão de mundo deturpada por conceitos compartimentados e acusatórios: luta de classes, vitimização, culpados e inocentes, traidores e traídos. Acham que a complexidade é um complô contra eles, acham a circularidade inevitável da vida uma armação do neoliberalismo internacional. Confundem simplicidade com simplismo. Nunca fazem parte do erro do mundo; sentem-se superiores a nós, tocados pelo dedo de Deus.
Agora, no mundo modificado pelo fim do socialismo real, pelos impasses do Oriente Médio, pela crise financeira do capitalismo, pela revolução digital, sentem falta de uma ideologia que os justifique e absolva. E como não existe nenhuma disponível (social-democracia, nem pensar...), apelam para o tosco bolivarianismo que nos contamina aos poucos. É inacreditável como batem cabeça para ditadores e criminosos, de Ahmadinejad a Maduro, de Putin a Fidel, tudo em volta do fascismo populista de Chávez.
Dilma se acha Brizola, Lula imita Getúlio: nacionalismo, manipulação da liberdade, ódio a estrangeiros, desconfiança dos desejos da sociedade. Nada pior do que o brizolismo-getulista, neste momento do País. Estávamos prontos para decolar no mundo contemporâneo, mas seguraram o avião e voltamos para trás.
Por isso, repito a frase oportuna de Baudrillard: "O comunismo, hoje desintegrado, tornou-se viral, capaz de contaminar o mundo inteiro; não através da ideologia, nem do seu modelo de funcionamento, mas através do seu modelo de desfuncionamento e da desestruturação da vida social".
Este é o perigo.

"A Onda"


"A Onda", uma formação rochosa de arenito da era Jurássica, com 190 milhões de anos, no Arizona, EUA.