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segunda-feira, 16 de junho de 2014

Um estranho anel em NGC 7538

O Telescópio Espacial Herschel revelou um estranho anel de material poeirento os obter uma das mais nítidas varreduras até hoje de uma enorme nuvem de gás e poeira, denominada NGC 7538. As observações revelaram vários chumaços de material, treze dos quais podem evoluir como os mais potentes tipos de estralas do universo.
"Nós observamos NGC 7538 com o Herschel e identificamos 13 densos chumaços de grande massa, onde estrelas colossais poderão vir a se formar," disse Cassandra Fallscheer, professora assistente visitante de astronomia do Whitman College, em Walla Walla, Washington. "Além disso, encontramos uma gigantesca estrutura anelar, e o estranho é não termos nenhuma certeza sobre o que a teria criado."
NGC 7538 está relativamente próxima, a uma distância de, aproximadamente, 8.800 anos-luz, e  localizada na constelação de Cefeu. A nuvem, com uma massa da ordem de 400.000 sóis, está passando por um período de intensa  formação estelar. Astrônomos estudam  criadouros estelares como NGC 7538 para saber mais a respeito da criação das estrelas. A descoberta do misterioso anel, neste casso, foi uma presente inesperado.
O anel, frio e poeirento, tem um formato oval, com seu eixo mais longo estendendo-se por cerca de 35 anos-luz, e o mais curto, por algo como 25 anos-luz. Fallscheer e seus colegas estimam que o anel tenha uma massa de 500 sóis. Dados adicionais do Telescópio James Clerk Maxwell, situado no Observatório Mauna Kea, no Havaí, deram uma ajuda extra para caracterizar o estranho ovóide. Astrônomos costumam ver estruturas semelhantes a aníes ou bolhas em, nuvens de poeira cósmica. Os fortes ventos soprados pela maioria das estrelas de grande massa, chamadas Tipo O, podem gerar esses chumaços em expansão, xomo também o podem ao morrerem ,com suas explosões em supernovas. Entretanto não há nenhuma fonte energética  ou remanescente de estrela Tipo O morta, como uma estrela de nêutrons,  aparente no centro deste anel. É possível que uma grande estrela tenha explodido a bolha e, como as estrelas estão todas em movimento, subsequentemente deixaram o local, escapando à detecção.
As observações foram feitas no âmbito do  Herschel OB Young Stellar objects (HOBYS) Key Programme. O "OB" significa os dois tipos de estrela de maior massa, O e B. Essas estrelas brilhantes, azuis, superquentes e de vida curta acabam explodindo em supernovas, deixando para trás estrelas de nêutrons incrivelmente densas ou buracos negros, que são ainda mais densos.
Estrelas dessa magnitude se formam de aglomerados de gás e poeira, com massas iniciais dezenas de vezes maiores que a do Sol; os 13 chumaços encontrados  em NGC 7358, alguns dos quais situam-se na borda do misterioso anel,  são todos mais de 40 vezes maiores do que o Sol. Os chumaços se fundem uns aos outros pela força gravitacional, com seus núcleos tornando-se mais densos e quentes, até que a fusão nuclear se inicie e nasça uma estrela. Por ora, no começo do processo de formação estelar, os chumaços permenacem bem frios, poucas dezenas de graus acima do zero absoluto. A tais temperaturas, os chumaços emitem a maior parte de sua radiação em baixas energias, luz submilímetro e infravermelha, as quais o Herschel foi especialmente desenvolvido para detectar.

Tradução de Luiz Leitão

The Herschel Space Observatory has uncovered a weird ring of dusty material while obtaining one of the sharpest scans to date of a huge cloud of gas and dust, called NGC 7538. The observations have revealed numerous clumps of material, a baker's dozen of which may evolve into the most powerful kinds of stars in the universe. 
"We have looked at NGC 7538 with Herschel and identified 13 massive, dense clumps where colossal stars could form in the future," said Cassandra Fallscheer, a visiting assistant professor of astronomy at Whitman College in Walla Walla, Washington. "In addition, we have found a gigantic ring structure and the weird thing is, we're not at all sure what created it."
NGC 7538 is relatively nearby, at a distance of about 8,800 light-years and located in the constellation Cepheus. The cloud, which has a mass on the order of 400,000 suns, is undergoing an intense bout of star formation. Astronomers study stellar nurseries such as NGC 7538 to better learn how stars come into being. Finding the mysterious ring, in this case, came as an unexpected bonus.
The cool, dusty ring has an oval shape, with its long axis spanning about 35 light-years and its short axis about 25 light-years. Fallscheer and her colleagues estimate that the ring possesses the mass of 500 suns. Additional data from the James Clerk Maxwell Telescope, located at the Mauna Kea Observatory in Hawaii, further helped characterize the odd ovoid. Astronomers often see ring and bubble-like structures in cosmic dust clouds. The strong winds cast out by the most massive stars, called O-type stars, can generate these expanding puffs, as can their explosive deaths as supernovas. But no energetic source or remnant of a deceased O-type star, such as a neutron star, is apparent within the center of this ring. It is possible that a big star blew the bubble and, because stars are all in motion, subsequently left the scene, escaping detection.
The observations were taken as part of the Herschel OB Young Stellar objects (HOBYS) Key Programme. The "OB" refers to the two most massive kinds of stars, O-type and B-type. These bright blue, superhot, short-lived stars end up exploding as supernovas, leaving behind either incredibly dense neutron stars or even denser black holes.
Stars of this caliber form from gassy, dusty clumps with initial masses dozens of times greater than the sun's; the 13 clumps spotted in NGC 7358, some of which lie along the edge of the mystery ring, all are more than 40 times more massive than the sun. The clumps gravitationally collapse in on themselves, growing denser and hotter in their cores until nuclear fusion ignites and a star is born. For now, early in the star-formation process, the clumps remain quite cold, just a few tens of degrees above absolute zero. At these temperatures, the clumps emit the bulk of their radiation in the low-energy, submillimeter and infrared light that Herschel was specifically designed to detect.

domingo, 15 de junho de 2014

“Eles é que bebem e nós ficamos tontos”


José Nêumanne
Oposição não precisa ouvir Costa, mas saber por que Foster não fala da “conta de padeiro”
Relator da comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) aberta (pelo menos em teoria) para investigar escândalos protagonizados pela maior empresa brasileira, a Petrobrás, o deputado Marco Maia (PT-RS) fez questão de avisar que a convocação do ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa para nela depor não tardará.
Como é público e notório, Paulo Roberto Costa foi preso pela Polícia Federal quando tentava destruir provas que o comprometiam – no âmbito das investigações da Operação Lava Jato – na condição de parceiro do doleiro Alberto Youssef, acusado de ter “lavado” R$ 10 bilhões. O doleiro continua preso, mas o ex-diretor da Petrobrás foi solto por obra e graça de despacho do ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki: este interrompeu sua depressão de 59 dias na cela, mas manteve presos os outros 11 que o juiz Sérgio Moro, do Paraná, mandara prender.
Chegaram até a definir como “troco de pinga” a eventual perda de US$ 1 bilhão (R$ 2,3 bilhões) na compra da refinaria da Astra Oil belga em Pasadena (Texas), pela qual a presidente da estatal, Graça Foster, reconhece pelo menos um prejuízo de US$ 530 milhões (R$ 1,2 bilhão). Mas a conta da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, uma associação em que os brasileiros entraram com a grana e os venezuelanos com saliva, é muito mais pesada. Há duas semanas, o jornal Valor Econômico teve acesso a atas de reuniões do Conselho de Administração da Petrobrás e de sua leitura concluiu que o plano básico de organização da refinaria foi aprovado pelos conselheiros em 30 de outubro de 2008, mas só em 14 de janeiro de 2010 eles conheceram o estudo de viabilidade da refinaria, cuja construção já tinha sido iniciada. E no ano anterior, lembrou o jornal, a estatal havia captado R$ 10,5 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o projeto, que, por esta e outras, viria a se tornar a obra mais onerosa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Pelos cálculos do jornal, a aventura teria elevado o valor a ser gasto na benemerência ao compadre Hugo Chávez à bagatela de R$ 40 bilhões, 10 vezes mais do que se previa no início do projeto (R$ 4 bilhões). A algum crítico renitente, como o autor destas linhas, ocorreria até concluir que a diferença não poderia caracterizar sequer um troco de vinho do Porto Taylor’s de mais de 150 anos, vendido a 2.500 euros (R$ 8 mil) a garrafa. Nenhuma definição, porém, será tão precisa quanto a dada pelo alto funcionário da Petrobrás encarregado da obra, Paulo Roberto Costa, que chamou o embrulho de “conta de padeiro” em entrevista à Folha de S.Paulo. Será a estatal gerida como se fosse uma padaria?
“Conta de padeiro” é um jargão que ainda não consta de dicionários e que significa cálculo feito às pressas, sem os devidos cuidados nem embasamento - neste caso específico, sem projeto algum que justificasse despesas de tal monta. Mas é provável que em próximas edições a expressão venha a ser incorporada ao “pai dos burros”. Ildo Sauer, um dos principais colaboradores na área energética do programa de governo de Lula e ex-diretor de Gás e Energia da Petrobrás, declarou-se perplexo com o uso da expressão, embora concorde com a evidência de que jamais o investimento na refinaria poderia ter passado de US$ 8 bilhões (R$ 19 bilhões), menos da metade do gasto ora previsto. A expressão, de acordo com Sauer, ofende “a história da Petrobrás, que sempre teve uma gestão profissional e técnica” e “é uma desculpa grosseira para justificar o injustificável”.
A oposição decidiu centrar fogo na investigação sobre Abreu e Lima e reclamou da comparação. “Padeiro não erra nem conta. Se errasse, as padarias quebravam”, disse o líder do DEM na Câmara dos Deputados, Mendonça Filho (PE), que insiste na abertura da “caixa de Pandora” da Petrobrás, mas não desiste do meio menos adequado para fazê-lo.
Seria a oposição deficiente em inteligência ou estaria interessada apenas nos holofotes postos no debate nos plenários do Congresso, controlados pelo governo, para compensar o triplo de tempo da aliança governista na propaganda eleitoral no rádio e na TV, aparecendo no noticiário de todo dia da CPMI? Há, contudo, coisas mais importantes a cuidar do que defender a sabedoria contábil dos donos de padaria ou a honra ameaçada da equipe técnica da estatal. Mais grave do que o tom zombeteiro da definição do suspeito-mor, preso para não destruir provas e solto por magnificência do julgador supremo, ou do que a afronta aos funcionários, que até agora não de nada reclamaram pela voz de seus líderes corporativos, é a declaração de Graça Foster. Questionada pelos repórteres ao sair da sede da Fundação Getúlio Vargas, no Rio, a presidente da Petrobrás parodiou o enigma da esfinge de Édipo Rei com uma sentença perturbadora e comprometedora: “Não é que eu não queira, eu não posso falar”.
Quando o Valor Econômico revelou que a empresa que ela preside autorizou despesas de milhões de reais sem embasamento técnico, a estatal negou, em nota oficial, que seu conselho tenha aprovado em apenas 14 dias contratos sem licitação com as construtoras Galvão Engenharia e Queiroz Galvão. Sim, e daí? Agora a sra. Foster diz que não “pode” falar sobre graves acusações que pesam sobre suas costas, feitas publicamente por seu ex-companheiro de diretoria, acusado de corrupção. Em vez de participar da inútil sabatina do ex-diretor ex-preso na CPMI, a oposição serviria melhor ao País se lembrasse à presidente da Petrobrás que ela tem satisfações a dar ao contribuinte, que sustenta sua empresa e paga seu salário, a respeito das estapafúrdias diferenças entre gastos previstos e despesas feitas, que não podem ser tidas como meros erros contábeis. A presidente da Petrobrás não deve agir como se estivesse servindo pinga no balcão de um boteco cujos clientes cantam A Turma do Funil ao contrário.
Jornalista, poeta e escritor
(Publicado na Pag.A2 do Estado de S. Paulo de quarta-feira 4 de junho de 2014)

Hubble Ultra Deep Field 2014




Com o uso do Telescópio Espacial Hubble, astrônomos montaram uma abrangente imagem do universo em evolução – entre as mais coloridas imagens do espaço profundo já registradas pelo telescópio em seus 24 anos de existência.
Pesquisadores dizem que a imagem,  em um novo estudo chamado Ultraviolet Coverage of the Hubble Ultra Deep Field (Cobertura em Ultravioleta do Campo Ultraprofundo do Hubble), traz o elo perdido da formação estelar. A imagem Hubble Ultra Deep Field 2014 é uma composição de exposições separadas, tiradas de 2003 a 2012 com a Câmera   de Pesquisas Avançadas e a Câmera de Campo Amplo 3  do Hubble.
Astrônomos estudaram anteriormente o Hubble Ultra Deep Field (HUDF) em luz visivel e próxima ao infravermelho, numa série de imagens  registradas entre 2003 e 2009. O HUDF Mostra um pequeno trecho do espaço na constelação de Fornax, no hemisfério sul. Agora, com o uso de luz ultravioleta, astrônomos  combinaram toda a escala de cores disponíveis para o Hubble, desde a luz  ultravioleta até a próxima ao infravermelho. A imagem resultante — feita a partir de um tempo de observação telescópica equivalente a 841 órbitas — contém, aproximadamente, 10.000 galáxias, recuando no tempo até apenas algumas centenas de anos após o big bang.
Antes do estudo do universo Ultraviolet Coverage of the Hubble Ultra Deep Field, os astrônomos estavam numa posição curiosa. Missões como o observatório Galaxy Evolution Explorer da NASA (GALEX), que  operaram de 2003 até 2013, forneceram importantes conhecimentos a respeito da formação estelar em galáxias próximas. Utilizando o recurso próximo ao infravermelho do Hubble, os pesquisadores também estudaram o nascimento de estrelas nas mais distantes galáxias, que  aparecem para nós em seus estágios mais primitivos devido à grande quantidade de tempo que a luz de estrelas distantes leva para viajar em frequências de luz visíveis. Entretanto para o período intermediário, quando a maioria das estrelas do universo havia sido formada — uma distância que varia entre cerca de 5 bilhões a 10 bilhões de anos-luz — eles não tinham dados suficientes.
"A falta de informações de luz ultravioleta  fazia do estudo das galáxias no HUDF algo como tentar entender a história de famílias sem nada saber sobre seus filhos" disse o  investigador principal, Harry Teplitz, do Caltech em Pasadena, Califórnia. "O acréscimo da luz ultravioleta completa este trecho que faltava."
A luz ultravioleta vem das maiores, mais quentes e jovens estrelas. Através de observações nesses comprimentos de onda, os pesquisadores conseguem ver diretamente as galáxias que estão formando estrelas, e onde as estrelas estão se formando naquelas galáxias.
O estudo das images em ultravioletas de  galáxias nesse período intermediário de tempo permite aos astrônomos entender como as galáxias cresceram com a formação de pequenos grupos de estrelas muito quentes. Como a atmosfera terrestre filtra a maior parte da luz ultravioleta, esse trabalhos só pode ser feito através de telescópios situados no espaço.
"Pesquisas em ultravioleta como essa, utilizando a capacidade sem igual do Hubble, são muito importantes para o planejamento doTelescópio Espacial James Webb da NASA," disse o integrante da equipe dr. Rogier Windhorst , da Universidade Estadual do Arizona, em Tempe. "O Hubble fornece um inestimável conjunto de dados em luz ultravioleta do qual os pesquisadores irão necessitar para combinar com dados em infravermelho do Webb. Esta é a primeira imagem realmente profunda em ultravioleta a mostrar a força daquela combinação."

Tradução de Luiz Leitão


Astronomers using NASA's Hubble Space Telescope have assembled a comprehensive picture of the evolving universe – among the most colorful deep space images ever captured by the 24-year-old telescope.
Researchers say the image, in new study called the Ultraviolet Coverage of the Hubble Ultra Deep Field, provides the missing link in star formation. The Hubble Ultra Deep Field 2014 image is a composite of separate exposures taken in 2003 to 2012 with Hubble's Advanced Camera for Surveys and Wide Field Camera 3.
Astronomers previously studied the Hubble Ultra Deep Field (HUDF) in visible and near-infrared light in a series of images captured from 2003 to 2009. The HUDF shows a small section of space in the southern-hemisphere constellation Fornax. Now, using ultraviolet light, astronomers have combined the full range of colors available to Hubble, stretching all the way from ultraviolet to near-infrared light. The resulting image -- made from 841 orbits of telescope viewing time -- contains approximately 10,000 galaxies, extending back in time to within a few hundred million years of the big bang.
Prior to the Ultraviolet Coverage of the Hubble Ultra Deep Field study of the universe, astronomers were in a curious position. Missions such as NASA's Galaxy Evolution Explorer (GALEX) observatory, which operated from 2003 to 2013, provided significant knowledge of star formation in nearby galaxies. Using Hubble's near-infrared capability, researchers also studied star birth in the most distant galaxies, which appear to us in their most primitive stages due to the significant amount of time required for the light of distant stars to travel into a visible range. But for the period in between, when most of the stars in the universe were born -- a distance extending from about 5 to 10 billion light-years -- they did not have enough data.
"The lack of information from ultraviolet light made studying galaxies in the HUDF like trying to understand the history of families without knowing about the grade-school children," said principal investigator Harry Teplitz of Caltech in Pasadena, California. "The addition of the ultraviolet fills in this missing range."
Ultraviolet light comes from the hottest, largest and youngest stars. By observing at these wavelengths, researchers get a direct look at which galaxies are forming stars and where the stars are forming within those galaxies.
Studying the ultraviolet images of galaxies in this intermediate time period enables astronomers to understand how galaxies grew in size by forming small collections of very hot stars. Because Earth's atmosphere filters most ultraviolet light, this work can only be accomplished with a space-based telescope.
"Ultraviolet surveys like this one using the unique capability of Hubble are incredibly important in planning for NASA's James Webb Space Telescope," said team member Dr. Rogier Windhorst of Arizona State University in Tempe. "Hubble provides an invaluable ultraviolet light dataset that researchers will need to combine with infrared data from Webb. This is the first really deep ultraviolet image to show the power of that combination."

Lua de Morango


A Lua cheia de junho (fase total em 13 de junho, às 04h11 UT) é tradicionalmente chamada Lua de Morango, ou Lua Rosa. Certamente, esses nomes também podem descrever a aperência desta Lua cheia, elevando-se, no mês passado, sobre a pequena aldeia sueca de Marieby. 

A Lua aparece grande na imagem porque esta cena foi fotografada com uma lente de grande comprimento focal, de uma localidade distante cerca de 8 quilômetros das casas em primeiro plano. Mas é somente ao olhar que a Lua cheia nascente, mesmo numa sexta-feira 13, parece crescer de uma maneira impossível próxima ao horizonte. Este efeito é conhecido há tempos como Ilusão Lunar

Ao contrário do aumento proporcionado por telescópios ou lentes teleobjetivas, a causa da Ilusão Lunar é ainda pouco compreendida e não se explica por efeitos ópticos atmosféricos, como a difusão ou refração. Esses efeitos de fato produzem a cor azulada da Lua e a borda irregular que tambèm se vê nesta foto.

Tradução de Luiz Leitão

June's Full Moon (full phase on June 13, 0411 UT) is traditionally known as the Strawberry Moon or Rose Moon. Of course those names might also describe the appearance of this Full Moon, rising last month over the small Swedish village of Marieby. 

The Moon looks large in the image because the scene was captured with a long focal length lens from a place about 8 kilometers from the foreground houses. But just by eye a Full Moon rising, even on Friday the 13th, will appear to loom impossibly large near the horizon. That effect has long been recognized as the Moon Illusion

Unlike the magnification provided by a telescope or telephoto lens, the cause of the Moon illusion is still poorly understood and not explained by atmospheric optical effects, such as scattering and refraction. Those effects do produce the Moon's blushing color and ragged edge also seen in the photograph.

sábado, 14 de junho de 2014

Voo cego


Numa das mais recentes versões da série "não tente fazer isso em casa",  motociclistas indianos trafegam com a cabeça coberta, no calor de Amritsar.

Um clarão verde vindo do Sol




Muitos pensam que isso é apenas um mito. Outros acham  que é verdade, mas que sua causa é desconhecida. Aventureiros se orgulham de tê-lo visto. Trata-se de um raio verde vindo do Sol. O verdade  é que o raio verde existe de fato, e sua causa é bem conhecida. Assim que o Sol desaparece completamente de vista, um último  brilho aparece, com um tom verde bem forte.

O efeito é tipicamente visível somente de localidades com um horizonte baixo e distante, e dura somente alguns segundos. O clarão verde também é visível no caso do Sol nascente, porém demora mais para que se consiga vê-lo. 

Um  notável clarão verde, assim como um clarão vermelho, ainda mais raro, foram registrados na foto acima, numa recente observação durante o pôr-do-sol visto do Observatório del Roque de Los Muchachos, nas Ilhas Canárias, Espanha. O pôr-do-sol em si não se torna parcialmente verde ou vermelho —  os efeitos são causados pelas camadas da atmosfera, que atuam como prismas.

Tradução de Luiz Leitão

Many think it is just a myth. Others think it is true but its cause isn't known. Adventurers pride themselves on having seen it. It's a green flash from the Sun. The truth is the green flash does exist and its cause is well understood. Just as the setting Sun disappears completely from view, a last glimmer appears startlingly green. 

The effect is typically visible only from locations with a low, distant horizon, and lasts just a few seconds. A green flash is also visible for a rising Sun, but takes better timing to spot. 

A dramatic green flash, as well as an even more rare red flash, was caught in the above photograph recently observed during a sunset visible from the Observatorio del Roque de Los Muchachos in the Canary Islands, Spain. The Sun itself does not turn partly green or red -- the effect is caused by layers of the Earth's atmosphere acting like a prism.

Um par de labaredas solares


O Sol emitiu uma grande labareda solar, com pico às 7h42 EDT (GMT-4) de 10 de junho de 2014. O Observatório de Dinâmica Solar da NASA – que observa todo o Sol 24 horas por dia — captou imagens da labareda. 

Uma segunda labareda classe X teve seu auge às 8h52  EDT.  Labaredas solares são poderosas explosões de radiação. Estas radiações, perigosas, não conseguem atravessar a atmosfera da Terra a ponto de afetar os humanos no solo. Entretanto, quando suficientemente intensas, elas podem causar perturbações na camada da atmosfera na qual viajam os sinais de GPS comunicações.

Tradução de Luiz Leitão

The sun emitted a significant solar flare, peaking at 7:42 a.m. EDT on June 10, 2014. NASA's Solar Dynamics Observatory – which typically observes the entire sun 24 hours a day — captured images of the flare. 

A second X-class flare peaked at 8:52 a.m. EDT.  Solar flares are powerful bursts of radiation. Harmful radiation from a flare cannot pass through Earth's atmosphere to physically affect humans on the ground. However, when intense enough, they can disturb the atmosphere in the layer where GPS and communications signals travel.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Um ponto de vista



Roberto Damatta


Leio que a poluição, na Baía de Guanabara, é um desafio olímpico. Examinada por técnicos, há a unanimidade que despoluir 80% da baía até o começo dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016
seria uma tarefa para o Super-homem ou talvez o Capitão Marvel, conforme me diriam Fernando e Romero, os meus finados irmãos gêmeos dos cinco irmãos e uma irmã dos quais eu tive o privilégio e a honra psicologicamente ambígua de ter sido "o mais velho".
... que quando um de nós elegíamos um super-herói alguém logo levantava outro, armando uma acalorada discussão sobre quem seria o mais poderoso... éramos crianças, mas, diferentemente dos governantes, tínhamos um vasto senso de realidade.
Jamais iriamos convocar o Fantasma Voador, o Flash Gordon, o Batman ou o Dick Tracy para disputar com o Super-homem, o Tocha Humana ou o Capitão Marvel, porque os primeiros eram seres humanos excepcionais, ao passo que os segundos possuíam poderes extra-humanos. Seriam como os santos ou os deuses do Olimpo, aquela montanha que, conforme invoca a reportagem de Ludmila de Lima publicada no Globo em 16/2, será representada pelo Pão de Açúcar e Corcovado nos jogos de 2016. Nossa consternação era que os santos somente atuavam em doenças e junto aos mortos, ao passo que os heróis que chegavam dos Estados Unidos, tocados à cultura de massa e alta urbanização, com suas terríveis questões e dilemas, agiam no mundo. Estavam mais próximos dos deuses gregos do que do nosso catolicismo, cuja orientação era para o outro mundo. Eu suspeito que acreditávamos mais no Super-homem, que residia em Metrópolis, e, na pele trivial de Clark Kent, era jornalista do Planeta Diário, do que em Deus.
Mas voltando à Baía de Guanabara, compreendo o dilema prático olímpico: como despoluir 80% em dois anos, quando se sabe que ela é premiada com 60% de todos os nojentos esgotos que a cercam - uma bagatela de 6 mil litros de porcaria a cada segundo! Convenhamos que essa é a melhor forma de matar a mais bela baía do mundo.
Um lado meu insiste que isso é obra das inúmeras circunstâncias da modernidade e que tais acidentes têm ocorrido em todos os lugares. Um outro, mais democrático e muito menos brasileiro, diz que a Baía de Guanabara é mais um exemplo de como temos nos adaptado ao individualismo, ao mercado, ao voto direto, à mídia, ao crescimento das cidades, ao nosso capitalismo monopolizador, rentista, semiestatal e hierarquizado que privatiza ganhos e socializa responsabilidades e perdas. Tudo isso pariu um sistema político-moral absolutamente antiolímpico. Decididamente contra um planejamento fora dos quadros das utopias populescas de direita e de esquerda. O que vamos ter após a Copa, será autoconsciência devastadora da nossa incapacidade de prevenir em vez de remediar. Essa máxima infantil que serve de lema para o Super-homem que, com sua visão de raio X, prendia os bandidos antes de a ponte ser dinamitada.
Temo que os super-heróis e os santos fazem tudo, menos nos salvar de nós mesmos. E a eleição que vir logo após a Copa vai certamente comprovar a nossa compulsão para escolher o pior, o mais cínico, o mais perverso e o mais capaz de produzir uma destruição silenciosa, sutil, malandra, feita sem querer e por "gente boa" com a qual compartilhamos uma "Ética de Condescendência" que é parte fundamental do nosso inabalável elitismo.
Escrevo sobre a baía não porque goste de acusar, mas porque nasci e - apesar de tudo - permaneci em Niterói. Uma Niterói cuja vocação marginal de "cidade dormitório" escondia dos dorminhocos cariocas paisagens deslumbrantes que experimentei quando abri os olhos para as praias das Flechas e da Boa Viajem, onde meus irmãos e eu pescávamos em suas águas - acreditem-me - transparentes; e olhávamos as cavernas da encosta da Boa Viagem (os sugestivos Buraco do Adão e da Eva), como locais onde as fantasias viravam areia. Ali não havia tesouros de Ali Babá. E hoje não há nenhum herói ou deus para transformar o vergonhoso sujo da Guanabara no limpo capaz de honrar a sagrada tradição grega dos Jogos Olímpicos. O que seria um sonho vai virar pesadelo.
Mas como o mundo é uma bola, lembro uma velha piada. Os cariocas dizem que o melhor de Niterói é a vista do Rio. A réplica dos niteroienses é generosa. Os cariocas estão certos: o melhor do Rio é exatamente a paisagem.
Se Niterói não é uma cidade, mas - como aprendi com Valter Lima Jr. - um ponto de vista, daqui há uma visão do Rio com suas particularidades e seu senso de humor e seu carnavalismo de corte, com esperança. Afinal, não podemos continuar acasalados por uma ponte engarrafada e pelas águas de uma sentina. Algo olímpico deve ser feito urgentemente.
Com a palavra os que mandam e os que querem mandar.

Os flamingos do Lago Bogoria


Flamingos aglomeram-se e se alimentam de algas no Lago Bogoria, no Vale do Grande Rift, Quênia. Cerca de dois milhões de flamingos vivem no lago alcalino.


Gigantescas formações de terreno em Marte


Formações de areia em terrenos causadas pelo vento, também chamadas formações eólicas de terrenos, são classificadas conforme o comprimento das ondas —ou distância —entre as cristas. Em Marte, pode-se observar quatro classes de formações de terreno por deposição (por ordem crescente de comprimentos de onda): ondulações, cadeias eólicas transversais (denominadas TARs), dunas, e algo chamado “draa.” Todas estas estão visíveis nesta imagem de Juventae Chasma.

Ondulações são os menores tipos de formação de terreno por deposição (com menos de 20 metros) e só podem ser observadas através de imagens de alta resolução, comumente superpostas em várias superfícies. As TARs são ligeiramente maiores (com comprimentos de onda entre cerca de 20 e 70 metros), que são, frequentemente, claras em comparação aos seus arredores. Dunas de tonalidade escura (com comprimentos de onda entre 100 metros e 1 quilômetro) são formações de terreno comuns, e muitas delas são atualmente ativas. O que os geólogos chamam “draa” são as formações de terreno mais altas, com os maiores comprimentos de onda (acima de 1 quilômetro), sendo relativamente incomuns em Marte.
Aqui, esta gigantesca draa tem faces íngremes ou  inclinadas com várias centenas de metros de  altura e formações menores superpostas, como ondulações e dunas. As formações de terreno desse tamanho provavelmente se desenvolveram há milhares de anos marcianos, talvez até mais.

Tradução de Luiz Leitão

Sandy landforms formed by the wind, or aeolian bedforms, are classified by the wavelength —or length — between crests. On Mars, we can observe four classes of bedforms (in order of increasing wavelengths): ripples, transverse aeolian ridges (known as TARs), dunes, and what are called “draa.” All of these are visible in this Juventae Chasma image.
Ripples are the smallest bedforms (less than 20 meters) and can only be observed in high-resolution images commonly superposed on many surfaces. TARs are slightly larger bedforms (wavelengths approximately 20 to 70 meters), which are often light in tone relative to their surroundings. Dark-toned dunes (wavelengths 100 meters to 1 kilometer) are a common landform and many are active today. What geologists call “draa” is the highest-order bedform with largest wavelengths (greater than 1 kilometer), and is relatively uncommon on Mars.
Here, this giant draa possesses steep faces or slip faces several hundreds of meters tall and has lower-order superposed bedforms, such as ripples and dunes. A bedform this size likely formed over thousands of Mars years, probably longer.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Colete canino


O policial K-9 (canino) Jaegar, do Departamento de Polícia de Seattle, Washington, posa para a foto vestindo seu colete à prova de balas.


A Zona da Tarântula


Nebulosa da Tarântula  tem mais de 1.000 anos-luz de diâmetro, formando uma gigantesca região de formação estelar em nossa galáxia vizinha, a Grande Nuvem de Magalhães (LMC). 

Este aracnídeo cósmico se encontra na direção do canto superior esquerdo desta profunda e colorida imagem telescópica obtida através de filtros de banda larga e estreita. A imagem se espalha por cerca de 2 graus (4 luas cheias) no céu, e cobre uma parte da LMC com mais de 8.000 anos-luz.. 

No interior da Tarântula (NGC 2070), a intensa radiação, ventos estelares e choques de supernova do jovem aglomerado central de estrelas de grande massa, catalogado como R136, energizam o brilho nebular e dão forma aos filamentos que lembram uma aranha. 

Ao redor da Tarântula há outras violentas regiões de formação estelar com jovens aglomerados estelares, filamentos, e nuvens em formato de bolha. Na verdade, a  imagem inclui o local da mais próxima supernova dos tempos modernos, SN 1987A, logo acima do centro. O  rico campo de visão está localizado na constelação de Dorado, o Golfinho, no sul.

Tradução de Luiz Leitão

The Tarantula Nebula is more than 1,000 light-years in diameter, a giant star forming region within our neighboring galaxy the Large Magellanic Cloud (LMC). 

That cosmic arachnid lies toward the upper left in this deep and colorful telescopic view made through broad-band and narrow-band filters. The image spans nearly 2 degrees (4 full moons) on the sky and covers a part of the LMC over 8,000 light-years across. 

Within the Tarantula (NGC 2070), intense radiation, stellar winds and supernova shocks from the central young cluster of massive stars, cataloged as R136, energize the nebular glow and shape the spidery filaments. 

Around the Tarantula are other violent star-forming regions with young star clusters, filaments, and bubble-shaped clouds. In fact, the frame includes the site of the closest supernova in modern times, SN 1987A, just above center. The rich field of view is located in the southern constellation Dorado.

Reescrevendo a História


João Ubaldo Ribeiro

Não sei se vocês lembram, ou que fim levou, aquela história de censurarem, expurgarem ou proibirem um livro infantil de Monteiro Lobato, por aspectos considerados racistas. De vez em quando, fico um pouco impaciente e pergunto por que não proíbem logo Os Sertões, com tanto racismo contido na parte que todo mundo diz que leu, mas não leu, a referente ao homem. Deve ser porque, de fato, não leram, senão a grita ia poder começar até mesmo por Itaparica, onde somos todos, de acordo com a visão dele, mestiços neurastênicos do litoral. A antropologia da época tinha convicções que podem hoje ser qualificadas de racistas, mas era a ciência de então e no mesmo barco estão outros cuja obra haverá de merecer ser reescrita ou banida, como Oliveira Vianna ou Sílvio Romero. Imagino que devemos até nos surpreender por ainda não terem começado uma reavaliação da figura de Machado de Assis, sob a acusação de ele ter sido um mulato alienado metido a branco, ou uma condenação da crítica, por não o haver qualificado de maior escritor negro do Brasil.
Mas, no caso de Machado, dizem as novidades, não se trata de racismo, trata-se da elaboração, com a chancela e o apoio do estado, de versões populares, ou acessíveis à maioria, de obras dele. Segundo o que saiu nos jornais, concluíram que os jovens e pessoas menos cultas não leem Machado porque não entendem as palavras e não percebem o que querem dizer certos arranjos sintáticos. Ou seja, o problema é com Machado, cujos textos obsoletos são preservados supersticiosamente e já não têm serventia para as gerações presentes. Urge, portanto, que nos livremos dessa tralha inútil e elitista, corrigindo o muito que clama por atualização.
A observação inicial que se pode fazer sobre tal premissa é que ela se fundamenta na crença, comum entre pessoas semiletradas e analfabetos funcionais, de que, na obra literária, existe uma diferença, ou separação, entre forma e conteúdo. O conteúdo seria a “história”, o “enredo”. A forma seriam as palavras usadas pelo escritor e seu jeito de narrar. O que interessa aos que reescrevem Machado é esse “conteúdo”, que pode ser contado de diversas maneiras. Assim, Dom Casmurro seria basicamente o mesmo, quer tendo sido escrito por Machado, quer por Dostoievski, Balzac ou Jorge Amado. Isto, realmente, é de uma estupidez inexcedível e contribui para que ganhe corpo a noção primária de que é possível conhecer a literatura de um país, simplesmente ouvindo, da boca dos que já as leram, as histórias contadas pelos grandes escritores, não vindo ao caso suas palavras, seu estilo, suas sutilezas, suas referências.
É curioso como iniciativas desse tipo se veem como antielitistas. As elites, o que lá seja isso por aqui, querem preservar para si mesmas a fruição da grande arte. Só quem tem vocabulário e fez esforços para ser um bom leitor é que pode desfrutar de Machado de Assis? Não, senhor, agora qualquer um, mesmo com vocabulário restrito e praticamente inculto em todas as áreas, vai poder ter esse privilégio. Para isso, vamos rebaixar, vamos reduzir os textos a uma voz tatibitate, modernosa e linguisticamente irresponsável, vamos limitar o vocabulário e tomar outras medidas simplificadoras. Não se nota como essa posição - ela, sim - é presunçosa, arrogante e elitista. Não se pensa em estender a todos o que hoje é visto como das elites, pensa-se em baixar o nível e assim ser democrático, quando o que ocorre é o contrário. 
Os laços lógicos desse paternalismo condescendente desafiam a imaginação e, num contexto em que cada vez mais o Estado (ou seja, no nosso caso, o governo) mete o bedelho na vida individual de seus súditos, podemos temer qualquer coisa. Quanto a Machado de Assis, não se pode fazer mais nada, além de reescrever seus textos. Mas, quanto aos autores vivos, pode-se incentivá-los (ou obrigá-los, conforme o momento) a ater seus escritos ao Vocabulário Popular Brasileiro, que um dia destes pipoca por aí, tem muita gente no governo sem ter o que fazer. Constará ele das 1.200 palavras compreensíveis pela melhor parte da juventude e do povo brasileiros e, para não ser elitista, quem publicar livro ou matéria de jornal não deve passar delas e quem usar uma palavra considerada difícil não apenas será sempre vaiado quando em público, como pagará uma multa por vocábulo metido a sebo.
Novos empregos serão abertos, para enfrentar a tarefa hercúlea de atualizar nossa literatura. Para que os poetas precisam de tantas palavras, quando as do Vocabulário seriam suficientes para exprimir qualquer sentimento ou percepção? Ou o elitista diria o contrário, menosprezando, preconceituosamente, a sensibilidade e a criatividade do povão? E rima, meu Deus do céu, para que se usou tanto rima, uma coisa hoje em dia completamente superada? E ordens inversas, palavras postas fora do lugar, que só podem confundir o leitor comum? Por essas e outras é que os jovens também não leem poesia.
E a lição se estende da literatura às outras artes. O povo não gosta de música erudita porque são aquelas peças vagarosas e demoradas demais. De novo, a solução virá ao adaptarmos Bach a ritmos funk, fazermos arranjos de sinfonias de Beethoven em compasso de pagode e trechos de no máximo cinco minutos cada e organizarmos uma coleção axé das obras de Villa-Lobos. Tudo para distribuição gratuita, como acontecerá com os livros de Machado reescritos, pois continuamos a ser um dos poucos povos do mundo que acreditam na existência de alguma coisa gratuita. E talvez o único em que o governo chancela, com dinheiro do cidadão, o aviltamento de marcos essenciais ao autorrespeito cultural e à identidade da nação, ao tempo em que incentiva o empobrecimento da língua e a manutenção do atraso e do privilégio.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Três labaredas solares Classe X em apenas dois dias


Em 11 de junho de 2014, o Sol emitiu sua terceira labareda Classe X no espaço de apenas dois dias. A labareda foi classificada como X1.0, e seu auge se deu às 5h06  EDT (GMT-4).  Imagens da labareda foram registradas pelo Observatório de Dinâmica Solar (SDO) da NASA. Todas as três labaredas se originaram em uma  região ativa do Sol, que, recentemente, se tornou visível, acima da sua borda esquerda. 


On June 11, 2014, the sun erupted with its third X-class flare in two days. The flare was classified as an X1.0 and it peaked at 5:06 a.m. EDT.  Images of the flare were captured by NASA's Solar Dynamics Observatory (SDO). All three flares originated from an active region on the sun that recently rotated into view over the left limb of the sun. 

O asteróide 2014 HQ124

Um asteróide recém-descoberto passou próximo à Terra, em 8 de junho, sem oferecer qualquer perigo, à distância de, aproximadamente, 1,5 milhão de quilômetros, o que representa mais de três vezes a distância que nos separa da Lua.
Designado 2014 HQ124, o asteróide foi descoberto em 23 de abril de 2014 pela missão NEOWISE da NASA, um telescópio espacial adaptado para vasculhar o céu à procura de asteróides e cometas. O telescópio é sensível à luz infravermelha, o que lhe permite captar o brilho infravermelho dos asteróides e obter melhores estimativas de seus tamanhos reais. Os dados do NEOWISE permitem  calcular o tamamho do asteróide 2014 HQ124 como algo entre 250 metros e 400 metros.

Tons de verde


Essas formações incomuns na costa oeste da Espanha assumem variados tons de verde ao longo do ano, à medida que diferentes plantas começam a florescer.

Água doce e água salina colidem entre si, produzindos diferentes tons de azul. O cenário inusitado pode ser visto no Parque Natural da Baía  de Cadiz, na Espanha.

terça-feira, 10 de junho de 2014

NGC 1566


Esta nova imagem do Hubble mostra NGC 1566, uma bela galáxia situada a cerca de 40 milhões de anos-luz, na Constelação de Dorado (O Golfinho). NGC 1566 é uma galáxia espiral intermediária, o que significa que embora não tenha uma região estelar bem definida em forma de barras em seu centro, tampouco é uma espiral não barrada.
O pequeno, porém extremamente brilhante núcleo de NGC 1566 é claramente visível nesta imagem, um sinal que indica pertencer ela à classe de galáxias Seyfert. Os centros de tais galáxias são muito ativos e luminosos, emitindo fortes explosões de  radiação, potencialmente abrigando buracos negros supermassivos, com massas milhões de vezes maiores que a do sol.
Mas NGC 1566 não é uma galáxia Seyfert qualquer: é a segunda mais brilhante Seyfert de que se tem notícia. É também a mais brilhante e mais dominante integrante do Grupo Dorado, uma dispersa concentração de galáxias que, juntas, formam um dos mais ricos grupos galácticos do hemisfério sul.

Esta imagem ressalta a beleza e admirável natureza deste grupo de galáxias sem igual, com NGC 1566 resplandecente e seu brilhante e incandescente núcleo envolto em simétricos e giratórios braços de  lavanda.
A foto foi tirada pela Câmera  de Campo Amplo 3 do Hubble (WFC3) na parte próxima ao infravermelho do espectro eletromagnético.


Tradução de Luiz Leitão

This new Hubble image shows NGC 1566, a beautiful galaxy located approximately 40 million light-years away in the constellation of Dorado (The Dolphinfish). NGC 1566 is an intermediate spiral galaxy, meaning that while it does not have a well-defined bar-shaped region of stars at its center — like barred spirals — it is not quite an unbarred spiral either.
The small but extremely bright nucleus of NGC 1566 is clearly visible in this image, a telltale sign of its membership of the Seyfert class of galaxies. The centers of such galaxies are very active and luminous, emitting strong bursts of radiation and potentially harboring supermassive black holes that are many millions of times the mass of the sun.
NGC 1566 is not just any Seyfert galaxy; it is the second brightest Seyfert galaxy known. It is also the brightest and most dominant member of the Dorado Group, a loose concentration of galaxies that together comprise one of the richest galaxy groups of the southern hemisphere. This image highlights the beauty and awe-inspiring nature of this unique galaxy group, with NGC 1566 glittering and glowing, its bright nucleus framed by swirling and symmetrical lavender arms.
This image was taken by Hubble’s Wide Field Camera 3 (WFC3) in the near-infrared part of the spectrum. 

O apartamento 'studio' caixa de sapatos



As dimensões da escalada dos preços dos imóveis em Londres ficaram mais evidentes quando um apartamento shoebox (caixa de sapatos), onde mal cabiam uma cama dupla e uma pia, foi arrebatado por locatários ansiosos, menos de 16 horas depois de ter sido anunciado, apesar do  custo de US$ 290 semanais, ou US$ 1.160 mensais.
Fotografias do cubículo, na Rua Kember, nas proximidades de King's Cross, revelam um pequeno cômodo no qual foram socados um colchão duplo, uma pequena mesa de vidro e uma cadeira, além de um estreito armário e alguns equipamentos de cozinha.
Apesar das reduzidas dimensões, Stephen Boochon, da corretora Relocate Me, disse ter recebido cerca de 20 emails e uma quantidade ainda maior de telefonemas desde que a propriedade foi lançada no site rightmove.co.uk, nas primeiras horas de terça-feira. Mais tarde, no mesmo dia, o imóvel foi alugado.
Embora o anúncio não informasse as dimensões do "apertamento", não parece haver espaço suficiente sequer para a abertura total da porta de entrada, ou das portas do armário da cozinha, e mal pode-se caminhar em torno da cama. A propriedade é de um locador da região, e conta com uma área "separada" com privada e chuveiro.
Uma casa de seis quartos, distante menos de 1,5 km do microapartamento, está sendo oferecida por US$ 3.865 semanais, ou  US$ 16.750 mensais.

O preço que se paga por viver nas grandes cidades, cada vez mais opressivas e impessoais, torna-se exorbitante. Afinal, "caixa de sapatos" é apenas uma questão semântica, um termo mercadologicamente mais suave do que "lata de sardinhas"... 

O aglomerado aberto NGC 290


Jóias não brilham tanto assim — só estrelas o fazem. Como pedras preciosas em uma caixa de jóias, no entanto, as estrelas do aglomerado aberto NGC 290 cintilam em uma espetacular exibição de brilho e cores

O fotogênico aglomerado desta foto foi fotografado recentemente pelo orbital Telescópio Espacial Hubble. Aglomerados estelares abertos são mais jovens, contêm menos estrelas, e uma fração de estrelas azuis muito maior do que os aglomerados estelares globulares

NGC 290 situa-se a cerca de 200.000 anos-luz da Terra, em uma galáxia vizinha,  Pequena Nuvem de Magalhães (SMC). O aglomerado aberto contém centenhas de estrelas, estendendo-se por cerca de 65 anos-luz de diâmetro. 

NGC 290 e outros aglomerados abertos são bons laboratórios para se estudar como estrelas de diferentes massas se desenvolvem, uma vez que todas as estrelas do aglomerado aberto nasceram aproximadamente ao mesmo tempo.


Tradução de Luiz Leitão

Jewels don't shine this bright -- only stars do. Like gems in a jewel box, though, the stars of open cluster NGC 290 glitter in a beautiful display of brightness and color. 

The photogenic cluster, pictured above, was captured recently by the orbiting Hubble Space Telescope. Open clusters of stars are younger, contain few stars, and contain a much higher fraction of blue stars than do globular clusters of stars.

NGC 290 lies about 200,000 light-years distant in a neighboring galaxy called the Small Cloud of Magellan (SMC). The open cluster contains hundreds of stars and spans about 65 light years across. 

NGC 290 and other open clusters are good laboratories for studying how stars of different masses evolve, since all the open cluster's stars were born at about the same time.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Futebol e luta de classe



Roberto Damatta - O Estado de S.Paulo

E se Marx fosse um torcedor de futebol? Perguntou um deles, surpreendendo os "entendidos" com suas extraordinárias lembranças de jogos - essa historicidade que é o traço principal de nossa brasileiríssima (e aporrinhadora) futebologia.
Seria Flamengo! - disse sorrindo um cara que, sério, logo emendou somando uma provocação ao palpite - e diria que o futebol é o ópio do povo!
Mas o ópio amortece a consciência, articulou um desconhecido de olhos empapuçados que era psicanalista, e eu jamais testemunhei tanta atenção a detalhes quanto no futebol. Qualquer torcedor é um detetive descobrindo pistas e lances imperceptíveis. Ora, quem é capaz dessa percepção não pode estar entorpecido, mas em estado de plena e gloriosa vigília.
O ponto é que ao ver futebol, há uma alienação de coisas críticas como educação, saúde e exploração do trabalho - replicou o esquerdista que degustava um vinho argentino depois de realizar aquele fresco ritual de sentir o seu aroma.
Mas não se pode viver nem apreciar uma boa bebida - exclamou o Sivoca, cuja tese filosófica era a necessidade de "se beber muito" para "aguentar a dureza da vida". Beber e amar eram artes que criavam a vida e não o contrário.
Marx veria logo que a divisão entre jogadores e torcidas seria representação da contradição entre burguesia e proletariado. Veria também a mesma segmentação entre os jogadores do ataque (aqueles fazem mais gols e são mais populares) e os da defesa (esses operários humildes do futebol que, num antigo Brasil, eram negros). Assim, manifestou-se novamente o marxista cuja bandeira era lutar contra o mundo capitalista consumista e torcer para que Putin reunificasse a União Soviética, fazendo com que o mundo voltasse a conhecer o Doutor Fantástico, o "amante perverso" com seu plano de sobrevivência para os poderosos num planeta destruído pela guerra atômica.
Ouvimos com simpatia e tomamos um longo gole dos nossos ópios.
Para nós, viver e até mesmo gozar por meio das oposições entre contrários não era nenhuma novidade. Sem masculino e feminino não haveria o lado mais arriscado do amor - o que engendra vidas; do mesmo modo que sem Deus e Diabo não haveria moralidade, honra, culpa e vergonha, esses motores da plenitude existencial. Sem o arroz com o feijão, o peixe e a carne, o doce e o salgado, o sol e a chuva, o dia e a noite, o feio e o bonito, o norte e o sul, a fala e o canto, o fato e a interpretação, a saúde e a doença, a juventude e a velhice, a atração e a rejeição, a riqueza e a pobreza não teríamos como viver.
Não exageremos! Falou meu tio Mario com a autoridade de um recém-falecido aos 94 anos. Acabo de morrer! Relatou com uns olhos tristes voltados para o alto, e sinto falta justamente desses "ópios". Esses raros espaços entre um id (que deseja sem cessar); um superego (que libera realizar o desejo relativo) e o ego (que, como um técnico, apenas quer controlar o seu time) - esses momentos de fuga e olvido são o sal da terra, com o devido respeito ao nobre Karl Marx. Eu sinto falta da cerveja, do jornal, e, com perdão das minhas mestras espirituais sem as quais eu não posso receber minhas asas, de uma gentil ereçãozinha. Tudo isso, é fantasioso, mas é verdadeiro: viver só é possível por causa dos intermediários, dos recreios, das fantasias - dos ópios...
Todos sorrimos.
Pode-se viver sem luta, logro, dissimulação, farsa e distrações alienantes? É mesmo possível existir sem esquecer a finitude, a derrota, a doença, a perda e a traição? Sem descobrir que até mesmo o poder e a política igualmente enlouquecem, talvez mais do que um surto psicótico? Alguém conhece um ópio maior do que o narcisismo de um político brasileiro no poder? Afinal, não foram eles que inventaram a guerra, o racismo, o Holocausto e essa indisfarçável e insaciável corrupção brasileira? Os radicais e os ascetas tentam viver sem ópios e jamais foram a um jogo de futebol, tomaram um uísque ou viram uma mulher nua. Como demandam incondicionalmente o mundo, jamais quiseram um pedacinho dele para alienar-se. A fuga total do mundo é, certamente, mais um sintoma de desejo onipotente de controle do que de amor. Mas existe outra vida? Como viver sem transferir pelo ópio - pelo bom jogo de futebol -, a roubalheira e a injustiça? Desde que, notem bem, não se tome o roubo e a corrupção, nem a morte ou o crime como coisas a serem desejadas e valorizadas.
É impossível viver sem sofrer, mas é fundamental que se exista driblando o sofrimento e fazendo gols na perda, na ingratidão e sobretudo na doença e na morte. No mais, meus caros embriagados e insanos, o futebol e a Copa, são apenas pingos num copo transbordante.