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domingo, 16 de setembro de 2007

As pinturas de Walton Ford, um pintor ecológico

Título da pintura: "Buddha Purnyma"
************************************************************************************************************************************************************************O pintor novaiorquino Walton Ford é uma sátiro dos relações dos homens com os animais e a natureza. Todas as obras são produto de histórias e fábulas que o autor lê e nelas se inspira. Ele é um leitor voraz, que diz: "ninguém jamais deve me emprestar um livro, é muito arriscado". Cada obra sua começa com uma frase, de uma visão; depois ele faz a pintura, atribui-lhe um título com palavras que dêem ao quadro o sentido desejado. Beleza Brutal, Passado é Presente, Vício Heróico, Magnetismo Animal, Necrópole, etc.
No "Conto Hindu", por exemplo, a filha de um ogro - engolidor de homens - (Menschenfresser, em alemão) pergunta a seu pai: 'Pai, onde guardas tua alma?'. 'A 16 milhas daqui há uma árvore, lhe responde ele, 'ao redor dela há tigres, escorpiões e serpentes. No alto da árvore há uma serpente enorme; em sua cabeça há uma pequena jaula; na jaula há um pássaro. Pois minha alma é esse pássaro". Ele diz que é um naturalista, e refuta a nostalgia, coisa de "idiotas". Qualquer um que acredite que o passado possa ter sido melhor do que os tempos presentes é alguém que não leu muita coisa da História. Walton, quando menino, caçava lagartixas e as decapitava (e que criança não cometeu essas pequenas atrocidades?) - vide o artigo Natural Boy, em inglês: www.nymag.com . "Pintei animais desde a primeira vez que consegui segurar um lápis", disse. Ele é um Dali ecológico. Conta que em seu estúdio, concentrado no desenho de uma trigresa persa, espécie já extinta, "ela está triste porque roubaram o seu cachorro. Ele diz que dá um monte de informações em suas obras, de sua vida, das histórias, do tempo, de seus pensamentos filosóficos, políticos, sociais, do sagrado e do profano; e sesu trabalhos, como os de Dalí, parecem produto de alucinações. Quadro que parecem coreografias, cenários inquietantes, muita simbologia. Seu discurso, elaborado e preciso, trata, mais do que qualquer coisa, da crueldade e indiferença do homem com os animais. Quando necessita de modelos físicos, vai ao Museu de História Natural, pois no Zoológico, diz, os animais dormem em lugares longe dos olhares das pessoas.
Preocupado com o meio-ambiente, Ford pinta a própria cadeia alimentar: leões que dominam humanos, gorilas que se rebelam contra as câmeras dos fotógrafos, leões que engolem crocodilos,
como que ilustrando a justiça implacável da Natureza. Ele fala sobre um esécime conhecido como Martha, a remanescente única de bilhões que existiam na América do Norte no século XVII. Seu corpo foi doado ao Smithsonian Institute, onde foi mantida, empalhada, sob a epígrafe: "Martha, a última de sua espécie, falecida às 13 horas de 1º de setembro de 1914, aos 29 anos, no Zoológico de Cincinatti, Ohio.
Sua obra 'Pancha Tantra' será publicada em novembropela editora Taschen. www.taschen.com

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